1 de agosto de 2020

MEMÓRIA AIC (32): O AGENTE DA U.N.C.L.E.


O Agente da UNCLE surgiu da ideia de se produzir um heroi ao estilo James Bond em aventuras semanais na TV. Para ajudá-lo no desenvolvimento do personagem, o produtor Normal Felton solicitou o auxílio de Ian Fleming, criador de 007.

Fleming desenhou o heroi Napoleon Solo como um agente que agia sozinho, tendo como assistente uma personagem chamada April Dancer. Quando o produtor da série James Bond (Albert Brocolli) constatou o quanto Fleming estava interessado no projeto, convenceu-o a abandoná-lo, por não ver com bons olhos o escritor envolvido num projeto de televisão. Com a saída de Fleming, Felton foi buscar a ajuda de Sam Rolfe.



Rolfe modificou bastante o personagem Solo com a intenção de deixá-lo pouco parecido com James Bond. Achou também que seria uma boa idéia Solo ter um assistente espião, abandonando a idéia da assistente April Dancer criada por Fleming. Como na época existia a chamada guerra fria entre americanos e russos, Rolfe criou então o personagem Illya Kuryakin, de origem russa, que serviria de suporte para o agente Napoleon Solo, de origem americana.

 A idéia de Rolfe era de que depois de alguns episódios, os verdadeiros chefes de Kuryakin o chamassem na Rússia para dar-lhe a missão de matar Napoleon Solo. Esse episódio jamais chegou a ser filmado dado o imenso sucesso que o personagem Kuryakin atingiu a partir de 1965, chegando em dado momento a superar o sucesso do personagem principal.



Robert Vaughn foi escolhido para viver Napoleon Solo pelo fato de estar aparecendo numa série da TV americana de 1963, produzida por Norman Felton, chamada "O Tenente". Nesse programa, de apenas uma temporada, ele era o co-astro de Gary Lockwood. Vaughn havia sido indicado para o Oscar de Coadjuvante em 1959, por sua atuação no filme "The Young Philadelphians" (O Moço da Filadélfia) - com Paul Newman - e tinha aparecido com destaque em "The Magnificent Seven" (Sete Homens e um Destino), de 1960, ao lado de Yul Brynner e Steve McQueen. Para o papel de Napoleon Solo foram antes cogitados os nomes de Harry Guardino e Robert Culp.


David McCallum ficou com o papel de Illya Kuryakin, personagem esse pensado inicialmente para Martin Landau ("Missão Impossível", "Espaço 1999"). McCallum atuou em "A Night to Remember / Somente Deus por Testemunha", produção inglesa de 1958 e foi um dos astros do elenco formidável de "The Great Escape" (Fugindo do Inferno), de 1963.


O chefe da organização UNCLE, Mr. Allyson, ficou na ocasião com o desconhecido ator Will Kuluva.


Com esse trio de atores foi gravado no final de 1963 o episódio piloto “The Vulcan Affair” (O Caso Vulcan), que posteriormente seria adaptado para o cinema sob o título "To Trap a Spy / Para Agarrar um Espião". O filme foi produzido a cores, para ser exibido nas demonstrações de Rolfe, que tentava junto a executivos de televisão a aprovação de produção da série. No dia da demonstração, porém, Rolfe fora obrigado a fazê-la em preto e branco. Os executivos decidiram que o processo de cor ainda era muito caro e que por conta disso o produto deveria ser mostrado no formato em que provavelmente seria produzido.

Rolfe conseguiu então a aprovação de produção da série com ressalvas:

1) O nome da organização inimiga da UNCLE teria de ser trocado de WASP para THRUSH;

2) Um ator que não agradou teria de ser desligado do elenco. Os executivos não souberam no entanto precisar quem era o ator, mas lembraram que havia a letra K no nome. Rolfe pensou que o ator fosse Will Kuluva e por isso o dispensou, substituindo-o por Leo G. Carroll. Descobriu-se depois que o ator era na verdade David McCallum e que a letra K lembrada era do personagem Illya Kuryakin. Como Vaughn, McCallum e G. Carroll estavam de contrato assinado, a série começou a ser produzida sem tal modificação, em preto e branco, a partir de Junho de 1964.


Apesar do histórico de sucesso, a situação não foi muito fácil no princípio. "O Agente da UNCLE" estreou em 22 de setembro de 1964 via rede NBC. Nos primeiros quatro meses perdia sistematicamente em audiência para programas concorrentes em determinadas cidades americanas. Em dezembro daquele ano, Norman Felton recebeu um aviso dos executivos da rede que se a audiência não melhorasse nessas cidades, a série seria cancelada. Felton e Rolfe apelaram então para um publicitário chamado Chuck Painter, que elaborou um esquema de recuperação.

Em primeiro lugar, modificou o dia e o horário de exibição fazendo-a concorrer com produtos teoricamente mais fracos. Em segundo lugar, convenceu Vaughn e McCallum a gravar os episódios durante a semana e viajar aos sábados e domingos para essas cidades onde a audiência deixava a desejar. O intuito era o de promover o programa. Assim sendo, os atores gravavam de segunda a sexta-feira, indo nos finais de semana para essas cidades, onde encenavam perseguições pelas ruas, participavam de comícios com o prefeito da localidade, etc.

O resultado dessa campanha foi um sucesso sem precedentes, principalmente entre os adolescentes, com a audiência aumentando a cada episódio exibido, mesmo para aqueles que nessa altura já estavam em reprise. A partir daí, Solo e Kuryakin viraram heróis nacionais, garantindo a exportação do produto para outros países, já com a certeza de que um segundo ano seria produzido, com episódios a cores.



O segundo ano da série estreou em 17 de setembro de 1965. A grande novidade era o advento da cor, mas havia que se lamentar que Sam Rolfe optou por não ser mais parte ativa do processo. Talvez por isso as tramas tenham perdido em originalidade, passando a abordar históricos mais simples, em alguns casos até banais, com boas doses de humor. Com a audiência sendo mantida, a segunda fase de "O Agente da UNCLE" foi a mais vista pelos americanos dentre as quatro produzidas, a ponto de constar entre as 20 mais assistidas na temporada 1965/66.



Foi também na segunda temporada que uma versão feminina foi testada. No episódio "The Monglow Affair/ O Caso do Luar”, Solo e Kuryakin são postos fora de ação logo no início da trama e o chefe da UNCLE designa April Dancer (Mary Ann Mobley) e Mark Slate (Norman Fell) para cumprirem a missão, salvando a Solo e Kuryakin. Notem que April Dancer, pensada em princípio por Ian Fleming como uma assistente para Solo, estava nesse ponto por se tornar a principal personagem de uma nova série intitulada "A Garota da UNCLE / The Girl from U.N.C.L.E."


Aprovada a produção da versão feminina, estrearam dois horários UNCLE nos Estados Unidos a partir de Setembro de 1966. Curiosamente, o elenco escolhido para estrelar "A Garota da UNCLE" era diferente do projeto original. Para o papel de April Dancer, a escolhida foi Stefanie Powers ("Casal 20") e para o papel de Mark Slate foi chamado Noel Harrisson (filho do ator Rex Harrisson). O chefe da UNCLE era vivido normalmente pelo ator Leo G. Carroll, que nessa altura passou a trabalhar nas duas séries.

Como estratégia, adotou-se que ambas as séries adotariam o tom de deboche existente nas séries "Agente 86" e "Batman". Tal estratégia afundou com a audiência de "O Agente da UNCLE" e resultou no cancelamento da versão feminina.


"A Garota da UNCLE" teve sua produção cancelada em Abril de 1967, ficando no ar em reprises só até agosto do mesmo ano. O programa durou uma única temporada e teve 29 episódios produzidos (todos em cores). Enquanto isso, a audiência de "O Agente da UNCLE" - que não ia bem - prometia piorar. Irônico, se pensarmos que dois anos antes estava entre os 20 mais assistidos em solo americano. Com o cancelamento de "A Garota da UNCLE", restava saber o que fazer para levantar a audiência de "O Agente da UNCLE", face uma quarta temporada a ser iniciada dentro da maior incerteza possível.


Em 11 de Setembro de 1967, estreava nos Estados Unidos, com baixos níveis de audiência, a quarta temporada de "O Agente da UNCLE". A solução encontrada por Norman Felton foi tentar fazer o programa voltar as suas origens, dando um ar de maior seriedade às tramas, esquecendo todo e qualquer deboche veiculado em excesso na temporada anterior.
 Novos cenários foram providenciados e a organização ganhou até uma secretária fixa. Mas era tarde. O público não reagiu às mudanças, até porque o gênero espião estava francamente esgotado, tal o número de agentes secretos que andavam pela TV e pelo cinema naquela época. O cancelamento da produção ocorreu em novembro de 1967. Os episódios gravados até então mantiveram o programa no ar até 15 de janeiro de 1968.



**A SÉRIE NO BRASIL**


"O Agente da UNCLE" estreou no Brasil via extinta TV Excelsior de São Paulo, numa terça-feira, 01 de Março de 1966, às 20h30. Algumas semanas depois, já com alguns episódios em reprise, o programa foi mantido no mesmo dia, mas no horário das 21h40, onde permaneceu até 21 de Março de 1967.  Durante esse período, alguns episódios exibidos na terça eram reprisados as 23h45 às quintas-feiras.

Em 7 de Abril de 1967, sexta-feira, a emissora lançou o segundo ano do programa, às 20h30. Em 12 de Setembro do mesmo ano a série voltou a ser exibida às terças, só que no horário das 22h.
No início de 1968, quando do término de exibição da segunda temporada com as devidas reprises, a emissora aguardava a liberação da dublagem do terceiro ano. Para não criar um hiato de poucas semanas sem o programa, a TV Excelsior achou por bem reapresentar alguns episódios da primeira temporada. E foi nessa ocasião que os telespectadores puderam constatar o quanto melhor era estruturada a primeira fase do programa.



O terceiro ano da série, ao contrário do que ocorrera nos Estados Unidos, não foi exibido em paralelo com a série "A Garota da UNCLE", já que a TV Excelsior não manifestou interesse em adquirir a versão feminina nessa ocasião. O terceiro ano de "O Agente da UNCLE" foi exibido ao longo de 1968, sempre às terças-feiras, 22h00, onde permaneceu até o dia 07 de Janeiro de 1969.

No dia 14 de Janeiro de 1969 a TV Excelsior tirou o programa das 22h da terça-feira, colocando em seu lugar uma série chamada "Alma de Aço", estrelada pelo ator Ben Gazzara. "O Agente da UNCLE" foi então exibido, uma única vez, logo após a estreia dessa nova série, as 23h (o episódio mostrado foi "The Suburbia Affair / O Caso do Subúrbio", do terceiro ano).


Entre Janeiro e Julho de 1969 "O Agente da UNCLE" serviu como uma espécie de "tapa-buraco" na programação da emissora. A série fora exibida durante três domingos consecutivos, as 18h, enquanto a TV Excelsior aguardava a liberação da dublagem da série de TV "Tarzan" (com Ron Ely). Os episódios exibidos nessa ocasião foram "The Galatea Affair / O Caso da Galatéia", "The Super Colossal Affair / O Caso Colossal" e "The Hula Doll Affair / O Caso da Boneca". Outros episódios da terceira fase chegaram a ser exibidos as sextas-feiras, as 22h30, 22h40 ou 22h50, conforme a demanda da programação.

Em 12 de Agosto de 1969, uma terça-feira, a TV Excelsior lançou o quarto e último ano da série, no horário das 22h. A novidade era que a emissora resolvera adquirir "A Garota da UNCLE" estreando o programa no dia 18 de Agosto de 1969, segunda-feira, às 21h, antes de Missão Impossível. Nessa época, a TV Excelsior estava mergulhando numa crise administrativa e financeira da qual jamais se recuperaria. E "O Agente da UNCLE" era nessa altura uma das poucas garantias de audiência da emissora.



Em Janeiro de 1970, a exibição do episódio "The Bridge of Lions Affair / O Caso da Ponte de Leões", com um total de 2 horas de exibição, garantiu para a emissora o terceiro lugar entre os 10 programas mais vistos em São Paulo na semana. Segundo o Ibope, a audiência chegou a 33% de aparelhos ligados.

"O Agente da UNCLE" foi anunciado na grade de programação da TV Excelsior até o dia 28 de Julho de 1970. Vale dizer que em 23 de junho o episódio "Alexander the Greater Affair" - Part I e II (O Caso de Alexandre, O Grande – Parte I e II) foi exibido enquanto a emissora montava plantão no aeroporto de Congonhas, aguardando a chegada da seleção brasileira tricampeã de futebol do México. Há que se considerar que até então o Brasil não tinha TV a cores e, por isso, todas as películas fornecidas para a emissora eram em preto e branco.

Os episódios da quarta e última temporada foram reprisados depois, entre Dezembro de 1972 e Agosto de 1973, pela extinta TV Tupi de S. Paulo. O programa era parte integrante de uma sessão chamada "Série de Ouro", que entrava no ar no início da madrugada. "O Agente da UNCLE" começou sendo exibido de sábado para domingo as 00h20. Após algum tempo, a TV Tupi resolveu exibir a série toda terça-feira, inicialmente às 23h40, passando depois para as 00h30.

Anos se passaram e foi só em 1991, com o advento da TV a cabo no Brasil (TV A), que o público brasileiro voltou a assistir "O Agente da UNCLE". Pela primeira vez a cores, foram exibidos apenas os episódios da terceira e quarta temporada, com som original, sem legendas e sem dublagem (pelo fato de vários componentes de som estarem em mau estado). O programa ia ao ar via canal TNT, aos sábados e domingos, das 18h às 20h, totalizando quatro episódios por final de semana. Dentro desse formato, permaneceu no ar até a metade do ano de 1992.


Passados mais treze anos, o canal Retro Channel (gerado na Argentina e presente no Brasil via DirecTV) anunciou a exibição da série a partir de outubro de 2005. Com som original e legendas, a emissora optou por mostrar os episódios coloridos da segunda temporada, fora da ordem cronológica de exibição na TV americana.


No total, a série de TV "O Agente da UNCLE" tem 105 episódios, dos quais os 29 iniciais foram gravados em preto e branco. Como alguns episódios serviram de base para películas cinematográficas, os produtores resolveram que quando do envio da série para o Brasil, tais episódios fossem suprimidos do lote a que pertenciam. O motivo era óbvio: ninguém correria o risco de ir ao cinema e assistir a um episódio que já tivesse sido visto na televisão. Em assim sendo, a primeira temporada, que no total tinha 29 episódios, veio para o Brasil com apenas 26.





**A DUBLAGEM DE 
O AGENTE DA U.N.C.L.E.**


A última vez que a série O Agente da UNCLE foi exibida com a dublagem brasileira foi em 1972/73 pela TV Tupi. A  produção ficou totalmente fora das grades de programação das TVS abertas, tendo desaparecido a sua dublagem, por motivos totalmente desconhecidos.

No Brasil, sua exibição se restringiu à TV Excelsior no final dos anos de 1960 e, na TV Tupi, foi exibida a cores pela primeira vez, visto que a programação a cores foi implantada em 1972.

Durante quase 20 anos fora do ar, a dublagem desapareceu e somente com som original na TNT e com legendas no Retrô Channel poucos episódios foram exibidos.

Outro fator, que deixou esta versão brasileira  um verdadeiro "quebra-cabeças", foi a forma como a distribuidora escolheu os estúdios para a realização da dublagem, o que gerou uma certa confusão, uma vez que envolveu diversos dubladores.

Assim, a dublagem de O AGENTE DA UNCLE foi realizada:

1ª Temporada > AIC.
2ª Temporada > TV Cinesom.
3ª Temporada > AIC.
4ª Temporada > TV Cinesom.




**DUBLADORES / 1ª TEMPORADA / AIC**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO): 

 JOÃO PAULO RAMALHO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): MARTHUS MATHIAS*


*EPISÓDIO / 1ª TEMPORADA*








**DUBLADORES / 2ª TEMPORADA / TV CINESOM**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO):  ?????*

*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): RIBEIRO SANTOS*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): MAGALHÃES GRAÇA*


*EPISÓDIO / 2ª TEMPORADA*



**DUBLADORES / 3ª TEMPORADA / AIC**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO):  WILSON RIBEIRO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): ALCEU SILVEIRA*

OBS 1> Da 3ª temporada não restou nenhum episódio.

OBS 2> Os nomes dos dubladores das temporadas da AIC, foram  fornecidos pelo saudoso Emerson Camargo.


**DUBLADORES DA 4ª TEMPORADA / TV CINESOM**


*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO): ARY DE TOLEDO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*

*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): CARLOS LEÃO*

*EPISÓDIO / 4ª TEMPORADA*
**FONTE DE PESQUISA: Site "More in the Series" 

 COLABORAÇÃO: Edson Rodrigues. 
Augusto Bisson.
 ARQUIVO PESSOAL**


**Marco Antônio dos  Santos**

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