5 de maio de 2020

MEMÓRIA AIC (31): MANNIX



Mannix foi uma série de TV do gênero policial que foi exibida pela CBS americana entre 07 de Setembro de 1967 e 10 de Abril de 1975. Foi a última série produzida pela Desilu, empresa de propriedade da atriz Lucille Ball.

No Brasil, foi lançada pela TV Excelsior de São Paulo em 02 de Outubro de 1968, todas as quartas-feiras às 22h. Nessa emissora, foram vistas as duas primeiras temporadas da série e parte da terceira, visto ter a TV Excelsior encerrado atividades no dia 30 de Setembro de 1970.

Em 1971 / 1972 a terceira temporada foi exibida na íntegra pela TV Record de São Paulo. Em 1976 / 1977 a TV Tupi exibiu a quarta temporada e essa foi a única vez que pudemos assistir Mannix a cores na nossa TV aberta. Consta que sua última exibição ocorreu através do extinto canal argentino Retro Channel no anos de 2004 e 2005 (os episódios apresentados a exaustão eram da segunda temporada, com som original e legendas irregulares em português).

Portanto, de 8 temporadas produzidas, apenas 4 foram exibidas no Brasil. Todo o conjunto de obra da série já foi lançada em DVD nos Estados Unidos.


Mannix foi criada por Richard Levinson e William Link, tendo sido desenvolvida pelo produtor executivo Bruce Geller (o mesmo de "Missão Impossível"). Durante sua primeira temporada,o heroi é agente de uma organização chamada Intertect (nome pensado inicialmente para título da série).
 Nessa fase inicial, Mannix tinha um chefe chamado Lew Wickersham (o ator Joseph Campanella). Na Intertect, todos trabalhavam monitorados por câmeras (ao estilo Big Brother) resolvendo crimes através de diagnósticos fornecidos por computadores. Mannix, por sua vez, adotava o clássico modelo de detetive. Bloqueava sua câmera de monitoramento com um cabide, ignorava as ordens do chefe e não seguia a nenhum diagnóstico que fosse fornecido por uma máquina.






Os índices de audiência dessa primeira temporada não alcançaram o esperado pelos executivos de produção. Para a produção da temporada seguinte, Lucille Ball e Bruce Geller promoveram algumas mudanças. Ambos consideraram que os computadores existiam em larga escala no programa e que essa alta tecnologia complicava o entendimento de alguns telespectadores. A saída encontrada foi colocar Mannix no lugar comum de outros detetives da televisão. Partindo desse raciocínio, ele passa a trabalhar por conta própria com a ajuda de uma secretária viúva chamada Peggy Fair (Gail Fischer, uma das primeiras atrizes afro-americanas a ter um papel regular numa série de TV).




Mannix não explorou temas relevantes, mas foi uma série que mostrou muito da atualidade da época em que foi produzida. Segundo estatística americana, o heroi foi baleado ou ferido ao longo da série mais de uma dúzia de vezes e nocauteado em torno de 55 oportunidades. Os carros utilizados por Mike Connors ao longo da produção marcaram época. Nos anos 70, a série esteve na lista das mais violentas até então produzidas.



A DUBLAGEM DE MANNIX


Infelizmente, a distribuidora da série Mannix foi a Brascontinental, a mesma que ao falir em meados da década de 1980, apagou diversas dublagens de desenhos, filmes e séries de tv, tais como Missão Impossível, Bonanza, Jornada nas Estrelas, Thunderbirds, Stingray, Joe 90, O Prisioneiro, etc.
 A lista de dublagens apagadas ultrapassa, praticamente, uma centena, uma vez que distribuía de estúdios pequenos e da Paramount (a qual já havia adquirido a Desilu produções).

Mesmo com colecionadores, encontra-se apenas um episódio completo do início da 2ª temporada e a abertura da 1ª temporada.

A série foi adquirida pela TV Excelsior e exibida a partir de outubro de 1968 e o personagem Mannix foi espetacularmente dublado por Ary de Toledo nos 24 episódios da 1ª temporada e até o quarto episódio da 2ª temporada.

Ary de Toledo deixou a AIC, indo para a TV Cinesom, justamente no início de 1969. Sempre nos inquietou sobre a dublagem de uma temporada inteira que estreou em outubro de 1968, sendo que em janeiro do ano seguinte já estava no Rio de Janeiro.



Quando conversei com Helena Samara, em 1989, a questionei sobre o fato, uma vez que ela passou a ter um personagem fixo a partir da 2ª temporada e sua declaração elucidou o ocorrido:

"O Ary de Toledo ficou com a direção de Perdidos no Espaço após a saída do Hélio Porto e ele adorava fazer a série e também dirigir, mas apesar disso, já havia se comprometido a ir para o Rio, em janeiro de 69. 
Era um profissional de extrema competência e dublava o Mannix e também dirigia essa série, fui escolhida por ele para a personagem negra que surgiu. 
Ele dublava com muita facilidade e rapidez e a emissora que exibiu Mannix demorou para colocar na grade de programação, o que possibilitou que ele dublasse bastante o personagem.
Mas, logo que iniciei a dublagem da nova personagem, o Ary de Toledo foi para o Rio de Janeiro. Creio que só fizemos uns 4 episódios.
Não houve uma continuação de Perdidos no Espaço, o que deixaria uma enorme lacuna para o Major West.
Em Mannix, aí o Luiz Pini o substituiu e prosseguimos, também um colega de muita competência." 

declaração realizada  em 23/06/1989.


Sendo assim, a AIC dublou 3 temporadas de Mannix tendo:

**Ary de Toledo na  1ª temporada e, provavelmente, os quatro primeiros episódios da 2ª temporada**

**Luiz Pini para o restante da 2ª temporada e também para a 3ª.

A dublagem da 4ª temporada viria somente por volta de 1976, exibida pela TV Tupi de São Paulo e , somente consegui apurar que fora dublada pelo estúdio Álamo.
Quanto ao dublador de Mannix, nessa 4ª temporada, ninguém soube se lembrar de quem teria realizado o trabalho e não restaram cópias telecinadas, o que poderia nos trazer a solução.




*VAMOS REVER A ABERTURA DA 1ª TEMPORADA*
*episódio 21*


*AQUI, O PRIMEIRO EPISÓDIO DA 2ª TEMPORADA*
*episódio 25*



**Fonte de Pesquisa: Site "More Series in web"
*Entrevista com Helena Samara em 1989.*
*Arquivo Pessoal*


**Marco Antônio dos Santos**

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