1 de agosto de 2020

MEMÓRIA AIC (32): O AGENTE DA U.N.C.L.E.


O Agente da UNCLE surgiu da ideia de se produzir um heroi ao estilo James Bond em aventuras semanais na TV. Para ajudá-lo no desenvolvimento do personagem, o produtor Normal Felton solicitou o auxílio de Ian Fleming, criador de 007.

Fleming desenhou o heroi Napoleon Solo como um agente que agia sozinho, tendo como assistente uma personagem chamada April Dancer. Quando o produtor da série James Bond (Albert Brocolli) constatou o quanto Fleming estava interessado no projeto, convenceu-o a abandoná-lo, por não ver com bons olhos o escritor envolvido num projeto de televisão. Com a saída de Fleming, Felton foi buscar a ajuda de Sam Rolfe.



Rolfe modificou bastante o personagem Solo com a intenção de deixá-lo pouco parecido com James Bond. Achou também que seria uma boa idéia Solo ter um assistente espião, abandonando a idéia da assistente April Dancer criada por Fleming. Como na época existia a chamada guerra fria entre americanos e russos, Rolfe criou então o personagem Illya Kuryakin, de origem russa, que serviria de suporte para o agente Napoleon Solo, de origem americana.

 A idéia de Rolfe era de que depois de alguns episódios, os verdadeiros chefes de Kuryakin o chamassem na Rússia para dar-lhe a missão de matar Napoleon Solo. Esse episódio jamais chegou a ser filmado dado o imenso sucesso que o personagem Kuryakin atingiu a partir de 1965, chegando em dado momento a superar o sucesso do personagem principal.



Robert Vaughn foi escolhido para viver Napoleon Solo pelo fato de estar aparecendo numa série da TV americana de 1963, produzida por Norman Felton, chamada "O Tenente". Nesse programa, de apenas uma temporada, ele era o co-astro de Gary Lockwood. Vaughn havia sido indicado para o Oscar de Coadjuvante em 1959, por sua atuação no filme "The Young Philadelphians" (O Moço da Filadélfia) - com Paul Newman - e tinha aparecido com destaque em "The Magnificent Seven" (Sete Homens e um Destino), de 1960, ao lado de Yul Brynner e Steve McQueen. Para o papel de Napoleon Solo foram antes cogitados os nomes de Harry Guardino e Robert Culp.


David McCallum ficou com o papel de Illya Kuryakin, personagem esse pensado inicialmente para Martin Landau ("Missão Impossível", "Espaço 1999"). McCallum atuou em "A Night to Remember / Somente Deus por Testemunha", produção inglesa de 1958 e foi um dos astros do elenco formidável de "The Great Escape" (Fugindo do Inferno), de 1963.


O chefe da organização UNCLE, Mr. Allyson, ficou na ocasião com o desconhecido ator Will Kuluva.


Com esse trio de atores foi gravado no final de 1963 o episódio piloto “The Vulcan Affair” (O Caso Vulcan), que posteriormente seria adaptado para o cinema sob o título "To Trap a Spy / Para Agarrar um Espião". O filme foi produzido a cores, para ser exibido nas demonstrações de Rolfe, que tentava junto a executivos de televisão a aprovação de produção da série. No dia da demonstração, porém, Rolfe fora obrigado a fazê-la em preto e branco. Os executivos decidiram que o processo de cor ainda era muito caro e que por conta disso o produto deveria ser mostrado no formato em que provavelmente seria produzido.

Rolfe conseguiu então a aprovação de produção da série com ressalvas:

1) O nome da organização inimiga da UNCLE teria de ser trocado de WASP para THRUSH;

2) Um ator que não agradou teria de ser desligado do elenco. Os executivos não souberam no entanto precisar quem era o ator, mas lembraram que havia a letra K no nome. Rolfe pensou que o ator fosse Will Kuluva e por isso o dispensou, substituindo-o por Leo G. Carroll. Descobriu-se depois que o ator era na verdade David McCallum e que a letra K lembrada era do personagem Illya Kuryakin. Como Vaughn, McCallum e G. Carroll estavam de contrato assinado, a série começou a ser produzida sem tal modificação, em preto e branco, a partir de Junho de 1964.


Apesar do histórico de sucesso, a situação não foi muito fácil no princípio. "O Agente da UNCLE" estreou em 22 de setembro de 1964 via rede NBC. Nos primeiros quatro meses perdia sistematicamente em audiência para programas concorrentes em determinadas cidades americanas. Em dezembro daquele ano, Norman Felton recebeu um aviso dos executivos da rede que se a audiência não melhorasse nessas cidades, a série seria cancelada. Felton e Rolfe apelaram então para um publicitário chamado Chuck Painter, que elaborou um esquema de recuperação.

Em primeiro lugar, modificou o dia e o horário de exibição fazendo-a concorrer com produtos teoricamente mais fracos. Em segundo lugar, convenceu Vaughn e McCallum a gravar os episódios durante a semana e viajar aos sábados e domingos para essas cidades onde a audiência deixava a desejar. O intuito era o de promover o programa. Assim sendo, os atores gravavam de segunda a sexta-feira, indo nos finais de semana para essas cidades, onde encenavam perseguições pelas ruas, participavam de comícios com o prefeito da localidade, etc.

O resultado dessa campanha foi um sucesso sem precedentes, principalmente entre os adolescentes, com a audiência aumentando a cada episódio exibido, mesmo para aqueles que nessa altura já estavam em reprise. A partir daí, Solo e Kuryakin viraram heróis nacionais, garantindo a exportação do produto para outros países, já com a certeza de que um segundo ano seria produzido, com episódios a cores.



O segundo ano da série estreou em 17 de setembro de 1965. A grande novidade era o advento da cor, mas havia que se lamentar que Sam Rolfe optou por não ser mais parte ativa do processo. Talvez por isso as tramas tenham perdido em originalidade, passando a abordar históricos mais simples, em alguns casos até banais, com boas doses de humor. Com a audiência sendo mantida, a segunda fase de "O Agente da UNCLE" foi a mais vista pelos americanos dentre as quatro produzidas, a ponto de constar entre as 20 mais assistidas na temporada 1965/66.



Foi também na segunda temporada que uma versão feminina foi testada. No episódio "The Monglow Affair/ O Caso do Luar”, Solo e Kuryakin são postos fora de ação logo no início da trama e o chefe da UNCLE designa April Dancer (Mary Ann Mobley) e Mark Slate (Norman Fell) para cumprirem a missão, salvando a Solo e Kuryakin. Notem que April Dancer, pensada em princípio por Ian Fleming como uma assistente para Solo, estava nesse ponto por se tornar a principal personagem de uma nova série intitulada "A Garota da UNCLE / The Girl from U.N.C.L.E."


Aprovada a produção da versão feminina, estrearam dois horários UNCLE nos Estados Unidos a partir de Setembro de 1966. Curiosamente, o elenco escolhido para estrelar "A Garota da UNCLE" era diferente do projeto original. Para o papel de April Dancer, a escolhida foi Stefanie Powers ("Casal 20") e para o papel de Mark Slate foi chamado Noel Harrisson (filho do ator Rex Harrisson). O chefe da UNCLE era vivido normalmente pelo ator Leo G. Carroll, que nessa altura passou a trabalhar nas duas séries.

Como estratégia, adotou-se que ambas as séries adotariam o tom de deboche existente nas séries "Agente 86" e "Batman". Tal estratégia afundou com a audiência de "O Agente da UNCLE" e resultou no cancelamento da versão feminina.


"A Garota da UNCLE" teve sua produção cancelada em Abril de 1967, ficando no ar em reprises só até agosto do mesmo ano. O programa durou uma única temporada e teve 29 episódios produzidos (todos em cores). Enquanto isso, a audiência de "O Agente da UNCLE" - que não ia bem - prometia piorar. Irônico, se pensarmos que dois anos antes estava entre os 20 mais assistidos em solo americano. Com o cancelamento de "A Garota da UNCLE", restava saber o que fazer para levantar a audiência de "O Agente da UNCLE", face uma quarta temporada a ser iniciada dentro da maior incerteza possível.


Em 11 de Setembro de 1967, estreava nos Estados Unidos, com baixos níveis de audiência, a quarta temporada de "O Agente da UNCLE". A solução encontrada por Norman Felton foi tentar fazer o programa voltar as suas origens, dando um ar de maior seriedade às tramas, esquecendo todo e qualquer deboche veiculado em excesso na temporada anterior.
 Novos cenários foram providenciados e a organização ganhou até uma secretária fixa. Mas era tarde. O público não reagiu às mudanças, até porque o gênero espião estava francamente esgotado, tal o número de agentes secretos que andavam pela TV e pelo cinema naquela época. O cancelamento da produção ocorreu em novembro de 1967. Os episódios gravados até então mantiveram o programa no ar até 15 de janeiro de 1968.



**A SÉRIE NO BRASIL**


"O Agente da UNCLE" estreou no Brasil via extinta TV Excelsior de São Paulo, numa terça-feira, 01 de Março de 1966, às 20h30. Algumas semanas depois, já com alguns episódios em reprise, o programa foi mantido no mesmo dia, mas no horário das 21h40, onde permaneceu até 21 de Março de 1967.  Durante esse período, alguns episódios exibidos na terça eram reprisados as 23h45 às quintas-feiras.

Em 7 de Abril de 1967, sexta-feira, a emissora lançou o segundo ano do programa, às 20h30. Em 12 de Setembro do mesmo ano a série voltou a ser exibida às terças, só que no horário das 22h.
No início de 1968, quando do término de exibição da segunda temporada com as devidas reprises, a emissora aguardava a liberação da dublagem do terceiro ano. Para não criar um hiato de poucas semanas sem o programa, a TV Excelsior achou por bem reapresentar alguns episódios da primeira temporada. E foi nessa ocasião que os telespectadores puderam constatar o quanto melhor era estruturada a primeira fase do programa.



O terceiro ano da série, ao contrário do que ocorrera nos Estados Unidos, não foi exibido em paralelo com a série "A Garota da UNCLE", já que a TV Excelsior não manifestou interesse em adquirir a versão feminina nessa ocasião. O terceiro ano de "O Agente da UNCLE" foi exibido ao longo de 1968, sempre às terças-feiras, 22h00, onde permaneceu até o dia 07 de Janeiro de 1969.

No dia 14 de Janeiro de 1969 a TV Excelsior tirou o programa das 22h da terça-feira, colocando em seu lugar uma série chamada "Alma de Aço", estrelada pelo ator Ben Gazzara. "O Agente da UNCLE" foi então exibido, uma única vez, logo após a estreia dessa nova série, as 23h (o episódio mostrado foi "The Suburbia Affair / O Caso do Subúrbio", do terceiro ano).


Entre Janeiro e Julho de 1969 "O Agente da UNCLE" serviu como uma espécie de "tapa-buraco" na programação da emissora. A série fora exibida durante três domingos consecutivos, as 18h, enquanto a TV Excelsior aguardava a liberação da dublagem da série de TV "Tarzan" (com Ron Ely). Os episódios exibidos nessa ocasião foram "The Galatea Affair / O Caso da Galatéia", "The Super Colossal Affair / O Caso Colossal" e "The Hula Doll Affair / O Caso da Boneca". Outros episódios da terceira fase chegaram a ser exibidos as sextas-feiras, as 22h30, 22h40 ou 22h50, conforme a demanda da programação.

Em 12 de Agosto de 1969, uma terça-feira, a TV Excelsior lançou o quarto e último ano da série, no horário das 22h. A novidade era que a emissora resolvera adquirir "A Garota da UNCLE" estreando o programa no dia 18 de Agosto de 1969, segunda-feira, às 21h, antes de Missão Impossível. Nessa época, a TV Excelsior estava mergulhando numa crise administrativa e financeira da qual jamais se recuperaria. E "O Agente da UNCLE" era nessa altura uma das poucas garantias de audiência da emissora.



Em Janeiro de 1970, a exibição do episódio "The Bridge of Lions Affair / O Caso da Ponte de Leões", com um total de 2 horas de exibição, garantiu para a emissora o terceiro lugar entre os 10 programas mais vistos em São Paulo na semana. Segundo o Ibope, a audiência chegou a 33% de aparelhos ligados.

"O Agente da UNCLE" foi anunciado na grade de programação da TV Excelsior até o dia 28 de Julho de 1970. Vale dizer que em 23 de junho o episódio "Alexander the Greater Affair" - Part I e II (O Caso de Alexandre, O Grande – Parte I e II) foi exibido enquanto a emissora montava plantão no aeroporto de Congonhas, aguardando a chegada da seleção brasileira tricampeã de futebol do México. Há que se considerar que até então o Brasil não tinha TV a cores e, por isso, todas as películas fornecidas para a emissora eram em preto e branco.

Os episódios da quarta e última temporada foram reprisados depois, entre Dezembro de 1972 e Agosto de 1973, pela extinta TV Tupi de S. Paulo. O programa era parte integrante de uma sessão chamada "Série de Ouro", que entrava no ar no início da madrugada. "O Agente da UNCLE" começou sendo exibido de sábado para domingo as 00h20. Após algum tempo, a TV Tupi resolveu exibir a série toda terça-feira, inicialmente às 23h40, passando depois para as 00h30.

Anos se passaram e foi só em 1991, com o advento da TV a cabo no Brasil (TV A), que o público brasileiro voltou a assistir "O Agente da UNCLE". Pela primeira vez a cores, foram exibidos apenas os episódios da terceira e quarta temporada, com som original, sem legendas e sem dublagem (pelo fato de vários componentes de som estarem em mau estado). O programa ia ao ar via canal TNT, aos sábados e domingos, das 18h às 20h, totalizando quatro episódios por final de semana. Dentro desse formato, permaneceu no ar até a metade do ano de 1992.


Passados mais treze anos, o canal Retro Channel (gerado na Argentina e presente no Brasil via DirecTV) anunciou a exibição da série a partir de outubro de 2005. Com som original e legendas, a emissora optou por mostrar os episódios coloridos da segunda temporada, fora da ordem cronológica de exibição na TV americana.


No total, a série de TV "O Agente da UNCLE" tem 105 episódios, dos quais os 29 iniciais foram gravados em preto e branco. Como alguns episódios serviram de base para películas cinematográficas, os produtores resolveram que quando do envio da série para o Brasil, tais episódios fossem suprimidos do lote a que pertenciam. O motivo era óbvio: ninguém correria o risco de ir ao cinema e assistir a um episódio que já tivesse sido visto na televisão. Em assim sendo, a primeira temporada, que no total tinha 29 episódios, veio para o Brasil com apenas 26.





**A DUBLAGEM DE 
O AGENTE DA U.N.C.L.E.**


A última vez que a série O Agente da UNCLE foi exibida com a dublagem brasileira foi em 1972/73 pela TV Tupi. A  produção ficou totalmente fora das grades de programação das TVS abertas, tendo desaparecido a sua dublagem, por motivos totalmente desconhecidos.

No Brasil, sua exibição se restringiu à TV Excelsior no final dos anos de 1960 e, na TV Tupi, foi exibida a cores pela primeira vez, visto que a programação a cores foi implantada em 1972.

Durante quase 20 anos fora do ar, a dublagem desapareceu e somente com som original na TNT e com legendas no Retrô Channel poucos episódios foram exibidos.

Outro fator, que deixou esta versão brasileira  um verdadeiro "quebra-cabeças", foi a forma como a distribuidora escolheu os estúdios para a realização da dublagem, o que gerou uma certa confusão, uma vez que envolveu diversos dubladores.

Assim, a dublagem de O AGENTE DA UNCLE foi realizada:

1ª Temporada > AIC.
2ª Temporada > TV Cinesom.
3ª Temporada > AIC.
4ª Temporada > TV Cinesom.




**DUBLADORES / 1ª TEMPORADA / AIC**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO): 

 JOÃO PAULO RAMALHO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): MARTHUS MATHIAS*


*EPISÓDIO / 1ª TEMPORADA*








**DUBLADORES / 2ª TEMPORADA / TV CINESOM**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO):  ?????*

*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): RIBEIRO SANTOS*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): MAGALHÃES GRAÇA*


*EPISÓDIO / 2ª TEMPORADA*



**DUBLADORES / 3ª TEMPORADA / AIC**

*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO):  WILSON RIBEIRO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*
*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): ALCEU SILVEIRA*

OBS 1> Da 3ª temporada não restou nenhum episódio.

OBS 2> Os nomes dos dubladores das temporadas da AIC, foram  fornecidos pelo saudoso Emerson Camargo.


**DUBLADORES DA 4ª TEMPORADA / TV CINESOM**


*ROBERT VAUGHN (NAPOLEON SOLO): ARY DE TOLEDO*
*DAVID McCALUM (ILLYA KURIAKIN): EMERSON CAMARGO*

*LEO G. CAROL (Chefe Mr. WAVERLY): CARLOS LEÃO*

*EPISÓDIO / 4ª TEMPORADA*
**FONTE DE PESQUISA: Site "More in the Series" 

 COLABORAÇÃO: Edson Rodrigues. 
Augusto Bisson.
 ARQUIVO PESSOAL**


**Marco Antônio dos  Santos**

11 de julho de 2020

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (12): "HORAS DE DESESPERO"



Quando os irmãos Griffin, Hal e Glenn, e seu cúmplice Sam Kobish, escapam de uma prisão do Estado, eles se dirigem a um bairro tranquilo onde possam se esconder por um ou dois dias. Eles planejam ter uma família como refém, de preferência com crianças, uma vez que assim os pais são propensos a cooperar. Dirigindo um carro roubado, eles procuram por uma casa. Enquanto isso, a polícia emite um boletim alertando a população de que se trata de criminosos armados e perigosos.

Numa casa do bairro para onde eles se dirigem, Dan e Ellie Hilliard, juntamente com seus filhos, Cindy e Ralphie, estão acabando de tomar o café da manhã. Cindy tem dezenove anos e seu maior desejo é se casar, mas seu pai não simpatiza com seu namorado, Chuck Wright. Terminado o café, Ralphie sai para a escola, enquanto Cindy vai para o trabalho com seu pai, ocasião em que este lhe expõe o que pensa a respeito de Chuck.

 Ao ficar sozinha em casa, Ellie aproveita o tempo para fazer uma faxina enquanto ouve as notícias do dia em seu rádio portátil. Num determinado momento, é noticiada a fuga dos três criminosos, sem que ela imagine que eles, naquele momento, encontram-se em sua rua.




Minutos depois, quando a campainha toca, Ellie vai atender e se depara com Glenn Griffin, um dos criminosos, que lhe pede algumas informações. Enquanto ela tenta ajudá-lo, Kobish entra na casa pela porta da cozinha e, ao vê-lo, ela fica aterrorizada e dá o melhor de si para responder às perguntas que lhe são feitas. Por outro lado, Hal retira o carro de Ellie da garage, substituindo-o pelo velho que eles roubaram. Em seguida, Glenn força Ellie a lhe dizer onde se encontram seus objetos de valor.



Horas depois, quando Dan e Cindy retornam pra casa, eles notam o carro roubado em sua garagem. Intrigados, eles entram em casa e são, imediatamente, feitos prisioneiros. Diante da situação, ele promete entregar todo o dinheiro de que dispõe, caso eles se retirem imediatamente de sua casa.


 Na ocasião, Glenn ri em sua cara dizendo-lhe que ele não tem o suficiente para tentá-lo. Em seguida, o criminoso estabelece que a vida da família deve manter as aparências de normalidade, para que não venha a levantar suspeitas.
 Assim, a jovem Cindy deve continuar a se encontrar com o namorado, enquanto Dan vai trabalhar normalmente em seu escritório.






Enquanto isso, Glenn faz uma ligação telefônica para sua namorada, orientando-a a trazer-lhe uma determinada importância em dinheiro, a fim de financiar sua fuga. No entanto, como ela está impedida de dirigir, face à uma infração de trânsito, ele a orienta a enviar o dinheiro para o escritório de Dan.


 No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, Dan orienta sua secretária a procurá-lo tão logo uma encomenda, que deverá ser entregue pelo correio, chegue ao escritório. Dessa forma, ao tomar conhecimento que a mesma não foi entregue, ele corre até o seu Banco, onde retira todo o seu dinheiro. Em seguida, escreve uma carta anônima para a polícia, informando que os criminosos se escondem em uma casa particular, e paga a um mensageiro para entregá-la.



Embora Dan pretenda dar o dinheiro para garantir a segurança de sua família, o Xerife Masters, que acaba de chegar ao local, ordena que a casa seja invadida. No entanto, com a concordância do Xerife Jesse Bard, o Agente Carson do FBI entrega uma arma a Dan, que retira suas balas. Ao entrar em casa, ele faz com que Glenn a encontre. Logo em seguida, de arma em punho, o criminoso vai ao andar superior decidido a levar Ellie e Ralphie em sua fuga.


Enquanto isso, depois de assustar Kobish, Dan bate a porta em sua mão, pega sua arma e o empurra para fora, onde ele é baleado por atiradores da polícia. Em seguida, ele instrui Ellie a correr e confronta Glenn, que aponta uma arma para Ralphie. Quando, por insistência de Dan, o filho corre para seus braços, Glenn dispara sua arma, mas descobre, tarde demais, que a mesma não se acha carregada. Desesperado, ele tenta enganar a polícia, mas é morto a tiros com uma rajada de balas.



Realizado pelo cineasta William Wyler, a partir de um roteiro escrito por Joseph Hayes, “Horas de Desespero” é um ótimo filme ‘noir’ produzido pela Paramount Pictures em 1955. Sua trama é marcada por um alto nível de suspense, principalmente nos quarenta minutos finais.  

Na direção, demonstrando mais uma vez seu completo domínio da câmera, Wyler nos brinda com mais um belo trabalho, no que é ajudado pela ótima fotografia em preto e branco assinada por Lee Garmes. No elenco, Humphrey Bogart e Fredric March brilham nos papeis principais, seguidos pelas ótimas atuações apresentadas por Martha Scott e Arthur Kennedy.


**A DUBLAGEM DE HORAS DE DESESPERO**

Na realidade, o filme teve a sua primeira dublagem no estúdio CineCastro na década de 1960. Entretanto, com o transcorrer dos anos desapareceu completamente.
Por volta de 1984/85, houve uma redublagem realizada pelo extinto estúdio Telecine, o qual redublou diversos clássicos do Cinema, os quais tiveram problemas com suas dublagens originais.

O estúdio Telecine primava por uma dublagem excelente na escalação dos profissionais, o que deixava a redublagem como um produto de excepcional qualidade, não perdendo a essência da interpretação nos diálogos e dubladores extremamente experientes que ainda estavam em plena atividade.


ELENCO DE DUBLAGEM

Humphrey Bogart (Glenn Griffin): Sílvio Navas

Fredric March (Dan C. Hillard): Ênio Santos

Arthur Kennedy (Jesses Bard): 

Joaquim Luís Motta

Martha Scott (Ellie Hilliard): Nelly Amaral

Dewey Martin (Hal Griffin): Dário de Castro

Gig Young (Chuck Wright): Orlando Prado

Mary Murphy (Cindy Hilliard): 

Adalmária Mesquita

Robert Middleton (Sam Kobish): Pietro Mário

Bert Freed (Tom Winston): Amaury Costa

Ray Collins (Xerife Masters): 

André Luiz Chapéu

Whit Bissell (Carson, Agente do FBI): Alfredo Martins

Ray Teal (Tenente Fredericks): 

José Santana

Locutor: Leonel Abrantes

Outras Vozes:
Ayrton Cardoso, Leonel Abrantes, Myriam Thereza, Neyda Rodrigues, Ribeiro Santos.



**SÍLVIO NAVAS**


**ÊNIO SANTOS**












**NELLY AMARAL*




















Embora a dublagem em seu conjunto seja excelente, os três personagens principais se destacam pelas interpretações de seus 
dubladores.

Sílvio Navas, que já dublou o ator Humprey Bogart em outros filmes, possui um desempenho brilhante com este personagem: um assaltante repleto de problemas emocionais e complexos. Há momentos em que é um bandido terrível, mas também deixa transparecer a amargura com a vida que tem, captando com a voz o conflito interior do personagem. Mais uma excepcional dublagem deixada pelo grande ator/dublador Sílvio Navas.


Os donos da casa invadida, são exemplarmente dublados por Nelly Amaral e Ênio Santos. Dois grandes nomes da arte dramática e da dublagem. 
Há uma enorme precisão no nível de dramaticidade que os personagens desempenham, não os deixando, em momento algum, com falas histéricas ou frases com tons altos desnecessários, mas ao mesmo tempo, eles nos passam a tensão que vivem os personagens.

Na realidade, a dublagem é concentrada basicamente nesses três dubladores, os quais nos proporcionam uma categoria de qualidade fantástica.
Embora sendo uma redublagem, é preciosamente bem realizada e dirigida.

**VAMOS REVER A REDUBLAGEM DE HORAS DE DESESPERO**



**PARTE 1**

**PARTE 2**
**PARTE 3**



**FONTE DE PESQUISA: 
Site Tela de Cinema**
 Site 75 anos de Cinema**
 Arquivo Pessoal**



 **Marco Antônio dos Santos**

7 de junho de 2020

A DUBLAGEM DO FILME "A NAU DOS INSENSATOS"



No começo dos anos sessenta, a escritora americana Katherine Anne Porter retomou essa concepção lendária, lhe inventou forma ficcional, e não se incomodou de dar a seu romance justamente este título “Ship of Fools”, que narra a viagem de um navio alemão que sai de Vera Cruz, México, com destino a Bremerhaven, Alemanha, num tempo – 1933 – em que o nazismo começava a botar suas feias garras de fora.
Uma condessa viciada em drogas, um médico de saúde fraca, um senhor grosseiro que defende ideias racistas, um judeu ingênuo que acha que ninguém vai magoar sua raça, um pintor frustrado, um jogador de baseball estabanado, um gigolô que camufla a profissão com coreografia, uma divorciada que amarga a solidão, um anão debochado… e, no subsolo, toda uma população de miseráveis que estão indo para um destino incerto como mão de obra barata. Tais são os personagens do romance, cada um com seu drama e sua história própria.

*Michael Dunn*
O livro de Porter fez tanto sucesso que o produtor e diretor Stanley Kramer resolveu levá-lo às telas, e em 1965, o filme “A nau dos insensatos” (“Ship of fools”) estreou no mundo todo, concorrendo ao Oscar com sete indicações, das quais levou duas: melhor fotografia (Ernest Laszlo) e melhor direção de arte.
No filme, é o anão Glocken (Michael Dunn) quem faz a narração mais ou menos onisciente. Dirigida à câmera, sua primeira fala tem valor de alerta: “Meu nome é Karl Glocken e este é um navio de loucos” – nos diz ele. E depois de mencionar alguns dos passageiros e suas características mais visíveis, acrescenta: “E, quem sabe, se você olhar bem de perto, pode até ver você mesmo a bordo”.

*Simone Signoret e Oskar Werner*
O enredo é difícil de resumir, pelo simples fato de o filme ser um painel narrativo. Como no romance, cada personagem vive uma situação particular que só acidentalmente tem a ver com as dos outros passageiros. Por exemplo, a coroa sulista feita por Vivien Leigh pouco tem a ver com o jogador de baseball feito por Lee Marvin, e, se se tocam, é porque estão forçosamente no mesmo ambiente.
O caso mais amarrado do ponto de vista narrativo – e provavelmente com mais "tempo de tela" – é do Dr Schumann (Oskar Werner) e a Condessa viciada em entorpecentes (Simone Signoret): no processo do atendimento médico, os dois vão se envolvendo até, formarem, embora casados, um par amoroso. Sintomaticamente, são os dois únicos cujos destinos ficam divisados na chegada à Alemanha – ela, como diegeticamente previsto, levada à prisão; ele, como diegeticamente provável, morto.

*Lee Marvin e Vivien Leigh*
Embora os problemas que afetem os personagens variem (da mocinha virgem que quer liberdade, ao rapaz que agride o pai paraplégico para pagar uma garota de programa), há, sim, uma temática subliminar que perpassa a viagem – a ascensão do nazismo, tanto mais grave pelo fato de a destinação do navio ser justamente a Alemanha de Hitler.
Talvez o espectador de hoje venha a estranhar o modo como os personagens desafogam os seus problemas privados uns aos outros, com uma franqueza pouco plausível, já que se trata de desconhecidos. Aquela mocinha chorosa, no convés, desabafando suas mágoas a um senhor, conhecido só de vista, é um exemplo que vem ao caso. A impressão – se não a justificativa – é que o filme é curto para o número de casos, e, assim, não teria havido o tempo necessário para o desenvolvimento dos vários relacionamentos.

Dr. Schumann, médico do navio, que está acometido de uma doença cardíaca fatal, vigia a Condessa, uma nobre espanhola viciada em drogas que está sendo enviada para uma prisão sob a acusação de agitação por reformas sociais. Os dois terminam se apaixonando.

 Bill Tenny, um ex-jogador de beisebol, sente que sua vida transformou-se num imenso fracasso.
 David e Jenny, um casal de jovens solteiros americanos briga porque David, um pintor, sente-se infeliz por viver à custa dos rendimentos da esposa. 
A Sra. Treadwell, uma mulher divorciada de uns 50 anos, flerta e bebe numa tentativa desesperada para esquecer sua solidão. 
Graf, um evangelista, provoca uma revolta entre os trabalhadores, quando ele prega.
 Um sobrinho de Graf, Johann, tem um breve caso com uma jovem prostituta que está viajando com um grupo de dança espanhola liderado por seu cafetão, Pepe.
 Jenny consola Elsa, uma jovem suíça que se desespera por nunca ter sido vista como atraente.
*Vivien Leigh e Alf Kjellin*

Partindo de um belo trabalho realizado pelo roteirista Abby Mann, Kramer mais uma vez nos mostra porque é considerado um dos maiores diretores do cinema americano.
 Como resultado, “A Nau dos Insensatos” recebeu oito indicações ao Oscar, inclusive a de melhor filme, das quais duas foram agraciadas com a cobiçada estatueta.
 Na categoria de melhor filme, concorrendo com outras produções de peso, como por exemplo, “Doutor Jivago”, o grande vencedor foi “A Noviça Rebelde”, de Robert Wise.



**ELENCO PRINCIPAL / DUBLADORES**


*Vivien Leigh (Mary Treadwell): Judy Teixeira*

*Lee Marvin (Bill Tenny): Turíbio Ruiz*

*Oskar Werner (Doutor Wilhelm Schumann):
 João Paulo Ramalho*

*Simone Signoret (Condessa): Helena Samara*

*José Ferrer (Siegfried Riber): Mário Jorge Montini*

*Michael Dunn (Karl Gloken): Silvio Matos*

*George Segal (David): Sérgio Galvão*

*Alf  Kjellin (Freytag): Hugo de Aquino Júnior*


*Elizabeth Ashley (Jenny):
 Áurea Maria*

*Charles Korvin (Capitão Thiele): João Ângelo*

*Heinz Rühmann (Julius Lowenthal): Eleu Salvador*

*Christiane Schmidtmer (Lizzi Spokentidler):
 Sandra Campos*

*Olga Fabian (Frau Schmitt): Noely Mendes*

*Gila Golan (Elsa): Aliomar de Matos*

*Oscar Beregi Jr. (Lutz): Waldyr Guedes*

*José Greco (Pepe): Francisco José*

*Stanley Adams (Hutten): Xandó Batista*

*Charles De Vries (Johann): Marcelo Gastaldi*

*Henry Calvin (Gordo): José Soares*

*Narração de abertura: Carlos Alberto Vaccari*

* Há ainda as vozes de José de Freitas e Mara Duval*

**A DUBLAGEM DA AIC**

A dublagem realizada faz parte do segundo período áureo da AIC (1968-1971), e foram escalados dubladores de alta competência para um filme com uma temática complexa e interpretações bem acentuadas dos atores.

De imediato, temos Sílvio Matos dublando o ator Michael Dunn, sendo uma espécie de observador de todos os passageiros. De uma forma tranquila e serena houve  uma justaposição perfeita entre personagem/dublador.

Há ainda João Paulo Ramalho dublando o médico, mais uma extraordinária dublagem, demonstrando um conflito interior somente com a sua interpretação com a voz.

Apesar de uma participação pequena do ator, Hugo de Aquino Júnior nos brinda com a dublagem de um personagem, o qual sofre pelo preconceito de ter sido casado com uma judia. Uma dublagem que demonstra revolta e introspectiva.


*Dublado por Hugo de Aquino Júnior*

A veterana atriz Vivien Leigh, uma condessa amargurada, é dublada por Judy Teixeira que dá o tom , com perfeição, do seu dissabor com a vida que teve. Uma voz suave demonstrando uma grande carga emocional.

Positivamente, a dublagem de A Nau dos Insensatos é riquíssima de grandes trabalhos dos profissionais da voz, entretanto, a dublagem da atriz Simone Signoret por Helena Samara é algo que nos surpreende. 
Uma mulher angustiada, que sofre pelo passado, porém ao mesmo tempo encontra uma nova razão em sua vida com o amor ao médico Dr. Wilhem Schumaan.
Helena Samara captou, exemplarmente, a impotência da personagem diante da sua vida, todo o seu sofrimento, proporcionando-nos uma tonalidade de voz, poucas vezes ouvidas em suas dublagens na AIC. 
A personagem ganha uma dimensão tão grande, que acabamos torcendo para qe ela termine feliz, o que não ocorre.
Uma das melhores dublagens de Helena Samara em sua carreira, que demonstrou a grande atriz em dublagem que sempre fora.



Podemos destacar as esplêndidas participações de Eleu Salvador, Sérgio Galvão, Áurea Maria, Turíbio Ruiz e mesmo dos demais que tiveram personagens, que pouco participam da narrativa, como Sandra Campos, João Ângelo, Aliomar de Matos, Noely Mendes, Francisco José, Xandó Batista, Marcelo Gastaldi, José Soares, José de Freitas e a pequena participação da radioatriz, Mara Duval, em pequenos diálogos.



A dublagem acompanha integralmente à atmosfera concebida no filme e, sem dúvida, é mais um trabalho magistral da AIC.

Infelizmente, a dublagem perdeu alguns minutos e, devido a isso, foi banida inclusive da TV a cabo, sendo somente exibido o filme com legendas.
Para os fãs das dublagens da AIC, poderão encontrar no site Tela de Cinema, algo que , certamente, não existe mais na dublagem brasileira.


**REVENDO TRECHOS DA DUBLAGEM AIC**

*VÍDEO 1*
*Abertura de Carlos Alberto Vaccari e Sílvio Matos na introdução ao filme*

*VÍDEO 2*
*Helena Samara e João Paulo Ramalho*

*VÍDEO 3*
*Hugo de Aquino Júnior, Eleu Salvador, Sílvio Matos e Mário Jorge Montini*


*VÍDEO 4*
*Noely Mendes, Hugo de Aquino Júnior, Eleu Salvador e Sílvio Matos**

*VÍDEO 5*
*João Ângelo, João Paulo Ramalho, Judy Teixeira e Turíbio Ruiz**

*VÍDEO 6*
*Helena Samara, João Paulo Ramalho e João Ângelo*

**Fonte de pesquisa:
*Site 75 anos de Cinema*
*Site Tela de Cinema*
*Arquivo Pessoal*


*Marco Antônio dos Santos*