4 de dezembro de 2018

A DUBLAGEM DO FILME "HAMLET"






**O ENREDO**


O príncipe Hamlet, filho do rei da Dinamarca, sente-se deprimido quando perde o pai.  Seu tio, Claudius, casa-se logo a seguir com sua mãe, a rainha Gertrude, e se torna o novo rei.

Pouco tempo depois, Hamlet se depara com o fantasma do pai, que lhe revela ter sido assassinado por Claudius e lhe pede vingança.  Atormentado com tanta tristeza, é ainda alvo de membros da família que tentam convencê-lo de que está ficando louco.


Paralelamente, ele se sente apaixonado pela jovem Ophelia, filha de Polonius, conselheiro de Claudius e Gertrude, e irmã mais nova de seu grande amigo, Laertes.  Ao tomar conhecimento do romance, Polonius tenta intrigá-lo com o fim de fazer com que o príncipe deixe de fazer a côrte à sua filha.



Quando Hamlet procura a mãe para falar de suas suspeitas, segundo as quais Claudius teria assassinado seu pai, ele termina matando acidentalmente Polonius, que a tudo escutava às escondidas.  A infeliz morte do conselheiro de Claudius dá a este o pretexto para afastá-lo do reino.  Hamlet é, então, enviado para a Inglaterra.  Ao mesmo tempo, Laertes regressa do exterior, onde estudava, quando toma conhecimento da morte do pai e da doença da irmã que, não suportando o fato de seu pai ter sido morto pelo seu grande amor, vive mergulhada numa profunda tristeza e sofrendo de desmaios.


Ao retornar à Dinamarca, Hamlet se depara com o funeral de Ophelia.  Aproveitando-se da situação, o rei Claudius convence Laertes a convidar Hamlet para uma exibição, onde os dois lutariam com espadas.  Por orientação do rei, Laertes prepara sua espada com veneno em sua extremidade.



No dia combinado, com a Corte reunida, inicia-se a luta.  Após alguns passos, Laertes fere Hamlet no ombro com sua espada envenenada.  Enraivecido, este consegue igualmente ferir seu oponente com a mesma espada.  Nesse instante, a rainha Gertrude grita que fora envenenada.  Ela tinha inadvertidamente bebido um vinho com veneno, preparado por Claudius para Hamlet, caso este saísse com vida da luta. 


Embora ferido, Hamlet, suspeitando de traição, ordena que todas as portas sejam fechadas.  Laertes, então, diz ser ele o traidor e que Hamlet não tem mais que meia hora de vida, já que não há nenhum tipo de medicamento que possa curá-lo.  Em seguida, pedindo perdão a Hamlet, morre, com suas últimas palavras acusando o rei Claudius de ser o responsável por toda essa tragédia.  Hamlet, então, vira-se para o tio e crava a espada envenenada no coração do rei, cumprindo, assim, a promessa de vingança feita ao pai.  A seguir, chama seu amigo Horatio, que assistira a tudo, e lhe pede que conte sua história para todo o mundo.


**O FILME DE 1948**

"Hamlet", de Laurence Olivier, é um excelente filme, considerado por muitos críticos como a melhor adaptação da clássica peça de Shakespeare e a grande referência pela qual as futuras versões serão julgadas.

Para muitos, Olivier é considerado o maior ator de todos os tempos, e esse conceito é fortemente baseado em sua atuação em "Hamlet".  A bela Jean Simmons, na época com apenas 19 anos, faz a maravilhosa Ophelia, sendo premiada no Festival de Veneza e recebendo uma indicação ao Oscar.



Além de atuar e de escrever o roteiro, Olivier dirige o filme com um estilo extremamente refinado.  Merecem ainda destaques a ótima música de William Walton, a brilhante fotografia de Desmond Dickinson e o maravilhoso Design de Produção.

PRÊMIOS

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme
Oscar de Melhor Ator (Laurence Olivier)
Oscar de Melhor Figurino em Branco e Preto (Roger K. Furse)
Oscar de Melhor Direção de Arte - Decoração de Cenários (Roger K. Furse, Carmen Dillon )
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmios Bodil - Copenhague, Dinamarca
Bodil de Melhor Filme Europeu (Laurence Olivier)
Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme - Drama
Prêmio de Melhor Ator em um Drama (Laurence Olivier)
Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA
Prêmio de Melhor Ator (Laurence Olivier)
Prêmios Bambi, Alemanha
Prêmio Bambi de Melhor Atriz Internacional (Jean Simmons)
Círculo dos Roteiristas de Cinema, Espanha
Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro
Festival Internacional de Veneza, Itália
Grande Prêmio Internacional (Laurence Olivier)
Prêmio Internacional de Melhor Atriz (Jean Simmons)
Prêmio Internacional de Melhor Fotografia (Desmond Dickinson)





**A DUBLAGEM DA AIC**


A dublagem do filme Hamlet é, sem dúvida, mais uma verdadeira obra-prima realizada pela AIC.
 O filme possui diálogos baseados quase literalmente na obra de Shakspeare, uma tradução para o português poderia ocorrer em dois equívocos: o primeiro poderia deixar a linguagem do autor totalmente esquecida, traduzindo-o para o português coloquial e, o segundo, seria deixá-la com um tom tão britânico que nos soaria falso e até muito enfadonho.

Sendo assim, houve todo um cuidado em que a tradução tivesse um equilíbrio entre a linguagem shaksperiana e a língua portuguesa, evidentemente, observando a norma culta. Atualmente, nenhuma emissora aceitaria essa tradução equilibrada e optaria para a língua portuguesa do dia a dia, algo que descaracterizaria o texto do filme Hamlet.


Em nosso banco de dados sobre dublagen da AIC, são escassas as informações sobre filmes, uma vez que séries de TV e desenhos sempre levavam mais tempo em temporadas, tendo um elenco de vozes fixo e, portanto, maiores informações. Entretanto, quando conversei com o saudoso Zezinho Cútulo, descobri que a atriz Rita Cleós também foi diretora de dublagem em algumas circunstâncias e já era conhecida a sua competência em línguas, já que dominava perfeitamente 5 línguas (inglês, francês, italiano, alemão e espanhol), visto que entrou na AIC como tradutora em 1963.


Rita Cleós teve uma larga experiência no Teatro, na década de 1950, e chegou a participar de peças de Shaskpeare. Nossos dados sobre o filme Hamlet, apenas indicavam que a sua dublagem foi realizada em 1968 e que ficou a cargo de Sérgio Galvão a direção de dublagem.


Em nossa conversa com Zezinho Cútulo, em 2011, muito amigo de Rita Cleós, ele citou o trabalho brilhante que ela fez na tradução do filme Hamlet, entretanto, o filme estava totalmente desaparecido há cerca de 50 anos e, somente há alguns meses, através do site "Tela de Cinema" ressurgiu com a perfeita dublagem da AIC, com apenas dois pequenos trechos com o áudio original.



Sérgio Galvão, que também era um ator com experiência em Teatro, fez a escolha adequada para a tradução de Hamlet a critério de Rita Cleós, deixando a sua linguagem mais palatável (aqui, pensando em termos de nossa TV para o ano de 1968, evidentemente).

Aliás, o próprio Sérgio Galvão (também conhecedor da interpretação de um texto de Shakspeare), escolheu Waldyr Guedes para dublar Laurence Olivier num dos personagens mais complexos. O que assistimos, na realidade, é mais um extraordinário trabalho de Waldyr Guedes, o qual imprimiu toda uma interpretação adequada aos diversos dilemas que o personagem sofre.

Uma dublagem primorosa, a voz do ator para a versão brasileira é insubstituível. Somente a competência de Waldyr Guedes (talvez o mais versátil dublador da década de 60), conseguiria fazê-lo com tanta qualidade.


**Waldyr Guedes realizou uma dublagem magistral**

Os demais dubladores escalados também são de uma qualidade ímpar, como: Dráusio de Oliveira, Osmano Cardoso, Aldo César, Judy Teixeira, Hugo de Aquino Júnior, Eleu Salvador, Arquimedes Pires e também Rita Cleós. O próprio Sérgio Galvão participa da dublagem, porém escolheu um pequeno personagem, mas decisivo no enredo e de forma brilhante.

Até para pequenas paticipações, há dubladores com uma interpretação gigantesca, o que aquilata ainda mais a dublagem do filme.



**ELENCO / PERSONAGENS / DUBLADORES**

Laurence OlivierHamlet - (Waldyr Guedes).
Jean SimmonsOphelia, filha de Polonius (Rita Cleós).

Felix AylmerPolonius, Lord Chamberlain (Osmano Cardoso).

Basil SydneyClaudius, o rei (Aldo César).

Terence MorganLaertes, filho de Polonius (Sérgio Galvão).

Peter CushingOsric - (Eleu Salvador).

Niall MacGinnisCapitão de Mar - (Osmiro Campos).

Stanley Holloway



Coveiro (Mário Jorge Montini).


John GielgudVoz do Fantasma (Turíbio Ruiz).

Esmond KnightBernardo - (Arquimedes Pires).

John LaurieFrancisco - (Antônio Cardoso).

Anthony QuayleMarcellus - (Hugo de Aquino Júnior).

Eileen HerlieGertrude, a rainha (Judy Teixeira).

Norman WollandHorácio, amigo de Hamlet (Dráusio de Oliveira).

Russell Thorndike
Padre - (José Soares).


*Há ainda as pequenas participações de Xandó Batista e Sílvio Matos.


*Não há a narração de abertura.



**VAMOS REVER A DUBLAGEM DA AIC EM 3 PARTES**








**PARTE 1 **



**PARTE 2**



**PARTE 3**



**Fonte de pesquisa: "Site 70 anos de cinema"
"Acervo Pessoal"


**Marco Antônio dos Santos**

11 de outubro de 2018

2ª ENTREVISTA COM ROBERTO MARQUIS




O que é ser um artista?

Artista é aquele que valendo-se da faculdade de dominar a matéria concretiza uma ideia, uma obra, efeito do trabalho ou da ação, realiza o que vê, ouve, enfim, sente.

Então, para ser artista é necessário desenvolver o sentir, a visão, o olhar ou o ouvir.....ser capaz de ver e ouvir estrelas como disse Olavo Bilac em um de seus poemas.

Roberto Marquis passou por diferentes experiências artísticas: ator (ainda com nossa tv ao vivo), produtor de programas, humorista, dublador, participação de programas infantis, cinema, o primeiro garoto propaganda que contagiou o Brasil no início da década de 1970, personificou o famoso guarda Juju do humorístico A Praça é Nossa e, até hoje ainda atua em filmes.

Este é um artista brasileiro, que realizou quase tudo no meio artístico, que soube ouvir e interpretar o chamado que a Arte fez. 

**Programa Gente Inocente na TV Tupi**


Muitos brasileiros, atualmente, talvez não o conheçam, está mais idoso, mas continua com a sua experiência a nos demonstrar aquilo que um artista brasileiro fez com muita garra, determinação e, sobretudo, com muito amor por tudo que realizou.

Na AIC, ficou pouco tempo, cerca de dois anos, mas deixou também registrada a sua marca no glorioso templo da dublagem paulista.

Por uma carreira tão diversificada, e como o Brasil é um país sem memória alguma, só podemos dizer: "muito obrigado Roberto Marquis por você ter enrequecido a arte brasileira. Seremos eternos gratos a você".
 
**Campanha publicitária de enorme sucesso no início da década de 70**


**ENTREVISTA COM ROBERTO MARQUIS**



**Filme lançado neste mês de outubro**


**VAMOS REVER UMA DUBLAGEM DE ROBERTO MARQUIS**
 **Colaboração: Izaías Correia
                   
e
    Lohan Menezes**


**Marco Antônio dos Santos**

7 de setembro de 2018

UNIVERSO AIC: 10 ANOS !



*A Importância da AIC para a Dublagem Brasileira*


“Versão Brasileira A.I.C. São Paulo” – este texto não poderia começar de outra forma senão essa. Basta ouvir essa frase que milhares de brasileiros, sem exagero, são remetidos a um saudoso passado, povoado e tomado por séries, filmes e desenhos magistralmente dublados no português brasileiro por um antigo estúdio localizado na maior cidade das Américas.

Brasil, anos 1960. Ditadura Militar. Migração populacional do campo para as cidades, crescimento das metrópoles. Período de efervescência tecnológica, política, social e econômica. Televisão crescendo e se destacando no país, ainda em preto-e-branco. Festivais de MPB. Consolidação da telenovela. TV Excelsior arrojada e a todo vapor, TV Tupi e TV Record também se destacando, TV Globo e TV Bandeirantes surgindo… Época de excelentes programações, mesmo com poucos recursos técnicos, e de muitos – e bons! – enlatados. Dramas, westerns, ficção científica, comédias e infantis produzidos em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Itália, desembarcando agora em terras brasileiras… e a maioria desses pesados rolos de filmes sendo descarregados direto nos estúdios de um antigo sobrado localizado na Rua Tibério, Bairro da Lapa, cidade de São Paulo. Um lugar mágico, 
repleto de cor, vida, movimento e salas cheias, funcionando dia e noite.

Tradutores, dubladores, diretores, técnicos e administrativo unidos numa engrenagem pulsante e complexa, fazendo acontecer a arte da dublagem brasileira. Arte em dublagem com qualidade, num ritmo industrial. Seria possível esse casamento?
Sim, foi possível! E assim decorreram-se os anos, num dia a dia intenso em meio a tantas traduções, escalações e correria pelos corredores...


 O tempo passou e hoje percebemos que ele levou embora pessoas geniais e desapareceu com trabalhos primorosos– mas, felizmente, temos aí ainda brilhantes profissionais remanescentes para nos fascinarem com seus depoimentos, além de tantos outros trabalhos deixados que temos o prazer de desfrutar.

É curioso pois a AIC faz parte de um universo, uma dimensão, enraizada em memórias pessoais dos fãs e aficcionados conforme a história de vida de cada um. Podemos dizer que a AIC está para a Dublagem Brasileira como Mozart está para música, como Oscar Niemayer está para a arquitetura, como Machado de Assis está para a literatura brasileira ou como Ticiano está para a pintura. Nesse sentido, o estúdio pode ser considerado uma “entidade”, tamanha sua importância e contribuição. É uma grande referência. O injusto é que a AIC não é reconhecida pela grande mídia e nem tem os holofotes do mundo e da Cultura moderna projetados para si. Está lá no passado, sob uma fina camada de poeira permeada pelo esquecimento da mídia nacional. Mas segue presente no coração e na memória de tantos fãs saudosos, apreciadores de uma dublagem de qualidade.

Nas artes, a história é de quem faz. De quem faz com qualidade e maestria. Na dublagem, a AIC foi o grande celeiro da interpretação com a voz, precursora de tantas técnicas e berço de muitos dos grandes profissionais. Portanto, todos os méritos e reverências sejam dados à Arte Industrial Cinematográfica, nossa marcante e saudosa AIC São Paulo.

          (Texto de autoria de Thiago Moraes)






**DEPOIMENTO SOBRE O UNIVERSO AIC**



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**Blog AIC: 30 anos de Pesquisas**

Como realizar pesquisas do que quase não se tem registros? Como compreender fatos ocorridos nas décadas de 1960 e 1970 envolvendo um extinto estúdio de dublagem, seus profissionais e sua arte deixada – parte dela destruída, perdida ou negligenciada? Como estudar caminhos percorridos por profissionais muitos deles hoje falecidos, produções dubladas das quais não restaram registros, rolos de filmes que se queimaram nos frequentes incêndios em emissoras, já outros tantos perdidos pelas próprias distribuidoras…? Não é tarefa fácil. Esse trabalho arqueológico é realizado pelo Professor Marco Antônio dos Santos, que desde 1988 tenta costurar uma história não registrada: a história da AIC São Paulo.

 A labuta foi iniciada numa época de poucos recursos, quando a limitada tecnologia de fins dos anos 1980 e dos anos 1990 permitia no máximo entrevistas realizadas com um gravador e fita K-7, obsoleto nos dias atuais, ou então entrevistas via telefone, com o entrevistador munido de papel e caneta em mãos. Como o tempo é sempre implacável, os anos transcorreram e chegamos ao século XXI onde, com o advento e popularização da Internet, as ferramentas de pesquisa e coleta de dados se tornaram mais modernas: entrevistas e depoimentos são realizados via e-mail, temos as redes sociais para se aproximar pessoas e há mais meios de se buscar e encontrar profissionais dispersos por esse imenso Brasil a fora.

 Mesmo assim, as dificuldades ainda são muitas em se costurar essa imensa colcha de retalhos: muitos integrantes da antiga AIC não estão mais vivos para darem seus depoimentos, ajudando a preencher as lacunas deixadas pelo tempo e reforçadas pela falta de registros. Não existem, pelo menos a conhecimento público, contratos, livros de ponto, tabelas de escalação, documentos relativos à importação dos programas, enfim, um arquivo administrativo físico da própria AIC que poderia servir de material e base de estudo para pesquisadores, sanando assim muitas dúvidas e preenchendo incógnitas. Mesmo com tanto esforço, há ainda hoje dubladores dos quais faltam dados biográficos, datas, informações profissionais… Sobre muitos, pouco se sabe. Sobre outros, temos informações cedidas por familiares e parentes. Sobre mais outros, nem isso.
 Muitas vezes, não há nem mesmo uma fotografia, uma imagem.

 Esse fato nos desperta um misto de indignação e tristeza, pois tratam-se de profissionais pioneiros, com imensa qualidade e dom artístico, que se empenharam na realização de divinos trabalhos dando a voz e a alma brasileira a tantas séries, filmes e desenhos animados que povoam o imaginário e a memória afetiva de algumas gerações.

Depois de 20 anos de pesquisas, em setembro de 2008, o Professor Marco Antônio resolveu que era hora de expor e compartilhar o vasto conteúdo por meio de uma página na Internet reunindo assim fãs e, desde então, vem mantendo e atualizando o Blog Universo AIC. Com o frisson das redes sociais, houve paralelamente uma página no extinto Orkut, transformada hoje em um movimentado grupo do Facebook. Nesses últimos 10 anos, o trabalho minucioso continuou e ganhou mais força com a rede mundial de computadores.

 As dificuldades estão sempre a surgir, mas são recompensadas pelas descobertas e pelos avanços, frutos de um trabalho desprendido, sem qualquer interesse, vantagem pessoal ou financeira que conta também com a colaboração de vários fãs e aficionados pelo mundo da dublagem.


 A história da AIC é um livro aberto, infinito, com capítulos reescritos artesanalmente ao custo da paixão pela arte da dublagem, paciência, cuidado e respeito à memória. Um trabalho sempre carente de contribuições! Avante! A reconstituição desse espetáculo não pode parar.

(texto de autoria de Thiago Moraes)



** AGRADECIMENTOS **


Este blog só existe pelas informações que diversos dubladores da AIC se predispuseram a fornecer de maneira generosa, pessoalmente ou pela internet.

Aqui, todos sem exceção, ajudaram a elucidar fatos, reconstruiram o papel que mereceram dentro da história da AIC e da dublagem brasileira.

Agradeço a Deus por ainda ter conhecido profissionais de extrema magnitude, os quais não estão mais conosco, mas que, sem dúvida, formamos uma ligação fraterna, assim como aqueles que conheci através da internet.
No passado, ouvia e admirava apenas as suas vozes, hoje os admiro também pelos seres humanos que são.

Ainda na fase embrionária do Orkut, outras pessoas admiradoras das dublagens da AIC, foram se unindo com o mesmo objetivo e, ao longo dos anos, formamos uma amizade que, sem os seus auxílios prestimosos, este blog não teria todo este conteúdo.

Portanto, o blog Universo AIC é o resultado de um trabalho feito em equipe. 

A todos, muito obrigado !


**Agradecimento especial: Izaías Correia, Roberto Marquis,

 Lohan Menezes e Thiago Moraes.


**Marco Antônio dos Santos**

4 de agosto de 2018

DUBLADOR EM FOCO (117): JOFERRAZ



Joferraz nasceu na cidade de São Paulo, no bairro de Vila Mariana, em 28 de outubro de 1949.

 Estudou no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur. Seu talento para as diversas Artes surgiu sempre naturalmente e, dessa forma, esteve presente em inúmeros momentos, com todo o seu potencial artístico.

Fez teatro amador no clube Pinheiros em 1967, e no ano seguinte já trabalhava como atriz profissional no programa Perspectiva, de Heloisa Castellar, na TV Cultura, que se preparava para a inauguração.



**Apenas com 8 anos de idade, já era "maneca" para desfilar pelas lojas Sears**

Através de sua amizade com Magda Medeiros foi convidada a tentar  dublagem na AIC, e ali começou seus primeiros passos com o seu esplêndido trabalho com a voz. No início, fazia algumas pontas e sempre aguardava alguma oportunidade.

**Final de 1968: próximo à estreia do programa "Perspectiva da TV Cultura"**

Sua primeira oportunidade viria com a transferência de Magda Medeiros para o Rio de Janeiro, assim assume a voz do computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas, o que ficou sendo o seu “primeiro boneco” e dublou a personagem princesa Neptina no desenho japonês Marine Boy (infelizmente esta dublagem da AIC foi totalmente perdida pela pequena distribuidora).



 Na AIC, ainda participou de pequenas dublagens em algumas séries de TV, como "E as Noivas Chegaram" e "Daniel Boone", mas com a sua potencialidade vocal passou também a dublar no estúdio  Odil Fono Brasil e mais tarde na Cine Castro São Paulo.

A partir de 1970 iniciou sua caminhada como teleatriz . Manteve a dublagem como atividade paralela, além do desenho e a ilustração.

É, através da TV Tupi de São Paulo que começa a trilhar este caminho participando de algumas novelas como: Hospital, A Fábrica, O Preço de um Homem, Simplesmente Maria, Na Idade do Lobo e em Papai Coração.

**Desempenhou o personagem de uma psicóloga**


**Paricipação na novela "Papai Coração**

Em 1978, a TV Tupi já esboçava a sua grave crise econômica e Joferraz foi residir no Rio de Janeiro, participando em dublagens no estúdio Herbert Richers e, surge um convite para uma pequena participação na novela Gina, produção da Rede Globo exibida às 18h., através do saudoso diretor artístico da emissora Moacir Deriquém.


É a partir desta sua participação na novela, que Joferraz começa a trilhar outros caminhos:

1 - Fez um teste de voz para uma campanha do Guaraná Bhrama, criada pela agência de propaganda Denison Brasil, cujo filme foi dirigido pelo cineasta Ronaldo Graça. Aprovada sua voz para a personagem central, deu inicio, assim, a sua caminhada no mercado publicitário.

2 - Foi pioneira ao gravar um comercial com voz feminina para uma instituição bancária na década de 1980 – um spot de rádio para o Banco Francês e Brasileiro, gravado no Estúdio Eldorado sob a direção e produção de Roberto Bueno.

3 - Participou de projetos inéditos como “Estadão no Ar” , o Jornal da FIESP e também foi a primeira voz feminina a gravar um portal de voz na web, todo gravado em URAs , numa prestação de serviço inovadora para aqueles tempos, produzido pela Telemar Comunicações.


 Como profissional de voz, teve uma atividade profissional ininterrupta, estão clientes de empresas das melhores e maiores marcas e produtos, assim como agências de propaganda.


**O DESPONTAR DE OUTROS POTENCIAIS ARTÍSTICOS**


Na TV Tupi também foi assistente do figurinista da casa: o hoje famoso carnavalesco Chiquinho Espinosa. Paralelamente fazia pesquisa pra um programa jornalistico chamado UNIVERSO XXI, apresentado pelo cinéfilo Luciano Ramos.


Em 1974 fez ilustrações pra revista Planeta, mas depois de algum tempo foi para a Bolívia e lá, fez cursos de cerigrafia em metal.

Em sua página, no Facebook, há o  seu curriculo de Artes e há diversos álbuns com um pouco de tudo o que vem criando há anos.



Na Rádio Capital, com Helio Ribeiro e Alexandre Kadunc, depois na Band em uma produção independente de um amigo produtor, montou grupos de DESENVOLVIMENTO DA AUTO EXPRESSÃO ATRAVÉS DA EXPRESSÃO DRAMÁTICA, teve grupos performáticos em uma escola de artes, desenvolvendo um projeto para a Prefeitura de São Paulo chamado BRINCANDO DE TEATRO, que durou uma semana no Centro Cultural SP no final da década de 1990, o qual teve atividades teatrais e de criação de cenários dadas por Joferraz, com obejtos de sucata e reciclaveis. 

Paralelamente participou de diversos comerciais para a TV, alguns premiados.

**Vejamos este comercial, de meados dos anos 90, com o nosso conhecido Sílvio Matos.
 **Uma produção de Fernando Meirelles**

**OBRAS ARTÍSTICAS**

Através de sua criatividade  artística aliada ao curso de cerigrafia realizado na Bolívia em metal, Joferraz desperta para outras formas de escultura e pintura, paralelamente participa de diversas dublagens em São Paulo, através dos estúdios Megasom e Mastersound, onde desenvolveu trabalhos importantes em diversos filmes.


 
TÉCNICA - Foto Digital Artwork a partir de um desenho de sua autoria, posteriormente, digitalizado.Este trabalho foi exposto em Nova York.



**Cia. Arte e Cultura/Espaço Paulista de Arte/ Expô de Inverno2014**


A sua dedicação às artes não limitou o seu tempo disponível para a dublagem, algo que sempre adorou fazer.
Dublou em diversos filmes e participações em séries e desenhos até o final da década de 1990.

Praticamente, participou de todos os estúdios de São Paulo: AIC, Odil, CineCastro SP, BKS, Álamo, Megasom, Gota Mágica, Mastersound, Mashemelow, Sigma, Clone, Centauro, Dublavídeo, etc.


**SURGE O CLUBE DA VOZ**


Joferraz foi uma das fundadoras do Clube da Voz, o qual surgiu em 1992 e, atualmente, são 72 profissionais
de várias gerações. São as vozes dos mais relevantes comerciais de TV e Rádio, das produções para internet, das mais importantes campanhas publicitárias e políticas, do atendimento eletrônico de grandes empresas e de cada novo sistema que a tecnologia alcança.
O associado ao Clube da Voz tem uma carreira consolidada e reconhecida pela excelência de seu trabalho e pela ética no mercado.
O Clube da Voz tem como objetivo pesquisar, promover e valorizar a atividade de locução comercial, divulgar seus associados, bem como contribuir para a formação de novos profissionais.


Com sua voz serena e nítida Joferraz já fez inúmeros trabalhos para diferentes produções.

**Ouçamos a sua voz neste vídeo sobre Modernistas Espanhois promovida pelo Centro de Cultura do Banco do Brasil**

Joferraz é uma artista que percorreu diversas trilhas, que o seu potencial artístico foi se ampliando, mas sempre que pode nunca abandonou a dublagem.
Infelizmente, houve pouco tempo para a sua escalação em personagens fixos em séries de TV e até para uma participação maior em dublagens de filmes.

Aqui, verificamos que nos idos de 1968/69, a jovem que ficava à espera de ser escalada em algo para dublar na AIC, não imaginaria a diversidade que o seu trabalho artítico obteria.

Como em muitos outros casos, a AIC sempre abrigou profissionais altamente experientes e também aqueles que estavam iniciando suas carreiras.
A AIC foi a "escola" de muitos, os quais demonstraram a sua enorme competência e sensibilidade artística.

**Como curiosidade, ouçamos Joferraz dublando o computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas** 


**Marco Antônio dos Santos**