6 de julho de 2018

MEMÓRIA AIC (32): DURANGO KID



Durango Kid era uma série de aventuras do tipo faroeste, originalmente produzido para o cinema, onde o mocinho se vestia todo de roupa preta, usava uma máscara (também preta) no rosto para encobrir sua verdadeira identidade, galopando um belo cavalo branco chamado Corisco. Era um mocinho rápido no gatilho, acertava e desarmava qualquer bandido do velho oeste, num piscar dos olhos.

O nosso heroi apareceu pela primeira vez num filme classe B chamado The Durango Kid, que faz parte de um pacote de filmes chamados de "Durango Kid Series",  apresentado pela primeira ao público em 15 de agosto de 1940, dirigido por Lambert Hillyer e roteiros de Paul Franklin, em preto e branco, com duração de aproximadamente 61 minutos, filmado num rancho na Califórnia. O filme tinha no seu elenco Charles Starret (interpretando Durango Kid e Jim Lowery), Luana Walters, Kenneth MacDonald, Francis Walker, Forrest Taylor, entre outros.

Em 1945, apareceu novamente numa outra série intitulada "The Return of Durango Kid", dirigido por Derwin Abrahams, roteiros de J. Benton Cheney, apresentado pela primeira vez ao público norte-americano em 19 de abril de 1945, estrelado por Charles Starret (como Durango Kid e desta usando o nome de Bill Blaydon), Tex Harding, Jean Stevens, John Calvert e os músicos da banda The Jesters, entre outros.


Esta nova série de Durango Kid iniciou em 1945 e terminou em 1952, com 64 episódios. Toda a produção contou também com a colaboração do dublê Jock Mahoney que substitui Ted Mapes. Durango Kid teve como parceiro Smiley Burnette que fazia a figura do "sidekick", que eram geralmente um  parceiro do mocinho, uma figura engraçada, complicada, desengonçada que davam um toque de humor para contrabalançar as cenas violentas e os enredos pesados, principalmente para o público infantil. 

Também era muito comum os herois do oeste daquela época como Roy Rogers, Gene Autry e outros, serem cantores, o que não era o caso de Charles Starret, por isso nos filmes de Durango Kid eram apresentados diversos grupo musicais. Os filmes do nosso herói eram apresentados nos cinemas onde haviam sessões duplas aos domingos.

Na primeira sessão geralmente eram apresentados os filmes já conhecidos pelo público (como Durango Kid) e em seguida vinha o filme principal, por isso que esse tipo de filme foram chamados de "B-Western Serial" (ou filme B), que passaram a denominar todos aquele filmes produzidos com baixo orçamento e qualidade.


Charles Starrett nasceu no dia 28 de março de 1903 em Athol, Massachusetts, Estados Unidos e ficou conhecido pela sua interpretação de Durango Kid nos filmes de faroeste da Columbia Pictures. Graduou-se na Worcester Academy em 1922 e depois foi estudar na Dartmouth College.  Passou a interessar em representar quando tomou parte de um jogo de futebol americano no time da Darmouth, que participaram do filme chamado "Quaterback" em 1926. Pouco tempo depois entrou para vaudeville, começou fazendo trabalhos regionais e finalmente chegou a Broadway.

Depois em 1930 interpretou um papel romântico em "Fast and Loose" juntamente com Miriam Kopkin, Carole Lombard e Frank Morgan. Em 1933 ajudou a organizar a Screen Actors Guilde e em 1936 foi contratado pela Columbia Pictures, onde se tornou uma das dez estrelas do faroeste, chegando a fazer 115 filmes de faroeste, em 16 anos. Depois de interpretar um xerife e guarda-florestais, Starret ganhou notoriedade pelo seu desempenho em Durango Kid, personagem que ele interpretou em 1940. 

O personagem foi reavivado em 1945 e durou até 1952. Starret também fez par com Smiley Burnette por longo anos em diversos filmes. Quando a série Durango Kid se encerrou, Charles Starrett, que na época estava por volta dos seus 48 anos, estava muito rico e muito bem situado na vida. Foi casado com Mary McKinnon com quem teve dois filhos (gêmeos). Charles Starrett faleceu em 22 de março de 1986.



**DURANGO KID NA TV BRASILEIRA**


A estreia do seriado foi através da TV Excelsior de São Paulo, em fins de 1967, após a exibição de todos os episódios, saiu da grade de programação.

Durango Kid só retornaria em 07 de janeiro de 1970, quarta-feira, 16h10, pela TV Tupi de São Paulo. Ali ficou no ar até agosto de 1971.
Havia uma concorrência com o Show Roy Rogers que era exibido pela TV Record na mesma época, porém em outro horário.

Por terem sido produzidos em preto e branco, esses seriados de aventura tipo faroeste foram banidos totalmente da Tv brasileira com a chegada da Tv colorida, em 31 de março de 1972, nunca mais tendo retornado nas redes abertas.
Durante a década de 1980, ainda teve uma exibição pela TV Pampa da cidade de Porto Alegre, dentro do programa "Quadradinho".

Infelizmente, a programação da Tv a cabo implantada no Brasil, não atende ao público fã de seriados de faroeste e até de filmes das décadas de 40 a 70.




**A DUBLAGEM DA AIC**


 A sua dublagem, ocorreu no período em que a AIC predominava integralmente o mercado. A direção de dublagem foi realizada por José Soares, o qual também participou dublando o personagem fixo Smiles (Smiley Burnette).

A escolha de Wilson Ribeiro para dublar Durango Kid foi extremamente bem acertada, pois era um dublador que primava em dublar os mais valentes herois e também os mais terríveis vilões. Sem dúvida, a dublagem de Wilson Ribeiro proporcionou um grande enriquecimento aos episódios, deixando-os com muito mais empatia a imagem de Durango Kid.


Nestes episódios em que sobreviveu a dublagem, há a presença de um excelente elenco de vozes da época, como: Alceu Silveira, João Paulo Ramalho, Marcelo Gastaldi, Magno Marino, Noely Mendes, Magda Medeiros, Borges de Barros, Eleu Salvador, Gilberto Baroli, Dráusio de Oliveira, Maria Inês, Flávio Galvão e Carlos Alberto Vaccari.




**VAMOS REVER DOIS EPISÓDIOS COM A DUBLAGEM AIC**


**VÍDEO 1 /



**VÍDEO 2 /



**Colaboração: Edson Rodrigues**
**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**

2 de junho de 2018

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (12): ALÉM DA IMAGINAÇÃO / 4ª TEMPORADA



"Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem.
 É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. 
É a dimensão da fantasia.
 Uma região Além da Imaginação."


A série foi produzida de 1959 até 1964 contabilizando um total de 156 episódios em 5 temporadas. Produzidos em preto e branco, valorizavam por demais os enredos. As temporadas 1, 2, 3 e 5 tem episódios de 25 minutos.

 A temporada 4 - produzida entre 1962 e 1963 - posssui episódios de 50 minutos.


Além da Imaginação não foi só uma série, foi a mais importante série de sci-fi e fantasia que já existiu. Criada por Rod Serling, um roteirista até então frustrado com os rumos da carreira e com muita bagagem, era um homem que considerava suas bandeiras ideológicas relevantes demais para não falar sobre elas. Desejava fazer algo grande que pudesse entreter e, ao mesmo tempo, abrir os olhos da sociedade americana para os rumos da humanidade. 
 Escreveu cerca de 90 dos 156 episódios.

 Com o total de 5 temporadas bem sucedidas, tem como principal legado ainda ser lembrada como referência em ficção científica e fantasia com quase 60 anos, após a sua criação, graças a sua originalidade. A característica principal são as narrações no início e no fim de cada episódio, feitas pessoalmente por Serling, com observações sobre o destino de seus personagens.



*Episódio: "Sem Voz"

As histórias abordavam, em geral (mas nem sempre), temas políticos e sociais muito comuns da América, como racismo, Guerra Fria, pena capital, desvalorização da educação. O atual e imoral era travestido de futurismos para escapar da censura, mas não lhes faltava precisão. Revolução das máquinas, o culto extremo à beleza e aquecimento global entraram na roda, quase profeticamente. Não à toa muitos filmes e séries literalmente copiaram seus argumentos de algumas das histórias de Twilight Zone.

A quarta temporada foi a única com episódios de 50 minutos de duração e é considerada pelos fãs e pela crítica, a mais fraca. 

**Episódio: "O Poeta"**


“O nosso é o show perfeito de meia hora. Se fôssemos a uma hora, teríamos que enrijecer nossas histórias, estilo novela. Os espectadores podiam assistir quinze minutos sem saber se estavam em uma Twilight Zone ou no Desilu Playhouse. ”
Isso foi Rod Serling falando, alguns anos antes de The Twilight Zone passar uma temporada como um show de 50 minutos de duração.
Por quê? Típica miopia da rede. O show foi um sucesso aos 25 minutos, então por que não expandi-lo para 50 e dar ao público o dobro do show?
Logo ficou claro o porquê: histórias de fantasia, especialmente aquelas que dependiam de um final de reviravolta, eram mais ideais para o formato de meia hora. Em 25 minutos, eles poderiam entrar, criar uma premissa intrigante e entregar o resultado. Mas quando você dobra esse comprimento, o efeito é arruinado. Quanto mais tempo o desfecho esperado era atrasado, mais o suspense e a tensão eram dissipados.
Tomemos "O Túmulo Submerso", por exemplo, é uma história sobre um moderno navio da Marinha descobrindo um submarino afundado da Segunda Guerra Mundial - e ouvindo um misterioso som vindo de dentro. 


**Episódio: "O Túmulo Submerso"

Basta dizer que a história, apesar dos habituais toques de qualidade que você espera, é simplesmente muito acolchoada. Vários outros episódios da 4ª temporada também foram esticados um pouco demais.
No entanto, houve vários episódios extraordinariamente sólidos da quarta temporada, aqueles que realmente se beneficiaram da duração expandida. 

*A crítica americana aponta quais seriam, segundo sua opinião, os melhores episódios da 4ª temporada da série:

*O TÚMULO SUBMERSO: apesar do roteiro ser ideal para 25 minutos, a sua expansão ainda nos traz o senso de mistério, uma das características de Além da Imaginação.


*O VALE DAS SOMBRAS: neste episódio, houve uma perfeita abordagem da ficção científica interagindo com países, que sofriam o poder comunista da "cortina de ferro", na Europa dos anos 60, em não haver liberdade para cada cidadão.

*A NAVE DA MORTE : Três astronautas pousam em um planeta remoto (em 1997!) E vêem uma visão surpreendente: uma nave espacial caída que se parece com a deles. Isso é ruim o suficiente, mas eles começam a explorar - e encontram três cadáveres que, sim, se assemelham perfeitamente a eles. O incomparável Richard Matheson esboça um  mistério intrigante, enquanto os astronautas tentam descobrir o que está  no mundo.

*O EMISSÁRIO DO INFERNO: um roteiro bem estruturado que poderia ser mais dinâmico numa duração de 25 minutos, mas ainda consegue manter um certo suspense até o seu final.




*O PARALELO: um dos melhores episódios da 4ª temporada, conseguiu aproveitar plenamente os 50 minutos, mantendo o público atento às ações dos personagens e qual seria o desfecho inusitado.


*FIGURAS DE CERA: conta a história de Martin Senescu (Martin Balsam), homem apaixonado por seu trabalho em um museu de cera já decadente e com poucos atrativos ao público. Quando o local fecha, ele monta toda uma estrutura no porão de sua casa para manter seus bonecos favoritos, réplicas de assassinos famosos como Jack, o Estripador, Albert Hicks, Henri Désiré Landru, William Burke e William Hare. Completamente sugado pela função de cuidar das figuras, ignora os fenômenos bizarros que acontecem debaixo do próprio nariz. Além da boa narrativa e a personalidade obsessiva do protagonista contribuem  para todos se arrepiarem.

**EPISÓDIOS DA 4ª TEMPORADA**


 103 - A Sua própria Imagem (In His Image)
104 - O Túmulo Submerso (The Thirty-Fathom Grave)
105 - O Vale Das Sombras (Valley Of The Shadow) 
106 - Ele Está Vivo (He'S Alive)
107 - Sem Voz (Mute)
108 - A Nave Da Morte (Death Ship)


109 - Jess-Belle (Jess-Belle)
110 - Miniaturas (Miniature) 
111 - O Emissário do Inferno (Printer'S Devil)

112 - Volta ao Passado (No Time Like the Past)
113 - O Paralelo (The Parallel)
114 - O Gênio Da Lâmpada (I Dream Of Genie)


115 - Figuras De Cera (The New Exhibit)

116 - O Tempo É Uma Ilusão (Of Late I Think Of Cliffordville)
117 - O Incrível Mundo De Horace Ford (The Incredible World Of Horace Ford)


118 - Um Posto no Espaço Distante (On Thursday We Leave For Home)

119 - Canção para uma Dama (Passage On The Lady Anne)
120 - O Poeta (The Bard)



OBS> Tradução dos títulos dos episódios realizados pela TV Cinesom**

A 4ª temporada estreou no Brasil, em 1969, trazida pela TV Tupi, a qual não exibiu as duas primeiras temporadas. Para a época, houve uma grande promoção da série pelo fato de os episódios possuirem 50 minutos de duração.

Entretanto, o público que já havia assistido à série, também não se adaptou ao novo formato. Ao término da sua exibição, a série foi retirada da grade de programação.

Na década de 1980, a série foi reunida com as 3 temporadas dubladas e exibidas pela TV Gazeta de São Paulo, posteriormente, por volta de 1996/97 a série retornaria pelo canal a cabo USA que, exibiu na íntegra as 5 temporadas, permanecendo com a dublagem original nos episódios que possuíam condições técnicas.


**A DUBLAGEM DA 4ª TEMPORADA**

Em 1969, o estúdio TV Cinesom era dirigido por Hélio Porto, o qual conseguiu trazer diversos dubladores de São Paulo, os quais estavam descontentes com os rumos que a AIC estava tomando.

Sendo assim: Gessy Fonseca, Arakén Saldanha, Magno Marino, Neville George, Syomara Naggi, Ary de Toledo, Magda Medeiros, Celso Vasconcellos, Alceu Silveira, Amaury Costa, Emerson Camargo participaram do estúdio.


Nesta época, Hélio Porto já havia reunido alguns dubladores cariocas excelentes, os quais engrandeceram muito a qualidade artística da dublagem. Nomes como Carlos Leão, Domício Costa, Paulo Pinheiro, Allan Lima, Sônia de Moraes, Míriam Theresa, Henrique Ogalla, Luís Carlos de Moraes, Riva Blanche, etc.

A dublagem, no tocante à interpretação, desta temporada é excelente, porém a qualidade técnica do estúdio já não era satisfatória na época, havendo áudio incubado e problemas de mixagem o que prejudicou, enormemente, o trabalho de todos esses dubladores ótimos.

Quando esta temporada foi exibida no canal a cabo USA , no final da década de 90, todos os episódios ainda possuíam a dublagem original, apesar dos problemas técnicos terem se agravado com o decorrer do tempo.
Infelizmente, a nova distribuidora de Além da Imaginação, apagou de todos os episódios a frase :"Versão Brasileira TV Cinesom Rio de Janeiro"substituindo por "Distribuição Network".

**Episódio: O Tempo é uma Ilusão"

Apesar dos episódios serem mais longos, Além da Imaginação sempre será a série que introduziu uma profunda visão de mundo pela televisão. 
Felizmente, apesar do áudio não ter sido restaurado, a dublagem da TV Cinesom resistiu e nos demonstra uma qualidade extraordinária, na qual foram reunidos dubladores de São Paulo e do Rio de Janeiro, uma experiência fascinante para o final da década de 1960.

**VAMOS REVER  OS 6 EPISÓDIOS ACLAMADOS PELA CRÍTICA**


**VÍDEO 1 /


**VÍDEO 2 /


**VÍDEO 3 /
 


**VÍDEO 4 /


**VÍDEO 5 /


**VÍDEO 6 /


**Fonte de pesquisa: 
"Twilight Zone: The Best of Season  4"
**Colaboração: Edson Rodrigues**
**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**

3 de maio de 2018

A DUBLAGEM DO FILME "MORITURI"



Japão, 1942. Mueller (Yul Brynner), um capitão da marinha nazista, mostra-se irritado por ser obrigado em aceitar uma tripulação composta em parte por criminosos. Entretanto a missão é urgente, pois parte do carregamento são sete mil toneladas de borracha pura, que servirão para calçar as tropas alemãs na Europa. Robert Crain (Marlon Brando), um desertor alemão que vive na Índia, é chantageado por Statter (Trevor Howard), um coronel do Serviço de Inteligência Inglês, que quer que Crain embarque neste mesmo navio se fazendo passar por um SS da Gestapo, pois este carregamento também é importante para os Aliados.
 A função de Crain é desativar todos os explosivos, que farão o navio afundar quando o capitão sentir que sua carga será capturada pelo inimigo. 


Um oficial alemão, dissidente do regime nazista, vive tranquilamente na Índia.
Um dia, é “recrutado” por um alto cargo dos Serviços Secretos Britânicos, para uma missão de alto risco. Deve-se passar por um oficial da SS, infiltrar-se num cargueiro, que parte do Japão para a Alemanha com um vasto carregamento de borracha. Como os ingleses não querem que tamanha carga se perca, o “bom alemão” deve desactivar as cargas explosivas a bordo e fazer tudo para tomar o navio e levá-lo às mãos dos Aliados.

O comandante do navio é um homem rigoroso, mas não fanático.
A tripulação divide-se entre os fieis à Alemanha e os devotos a Hitler.
Em quem confiar?



Muito interessante e curioso filme, que visa menos as ações heróicas e espectaculares, procurando ser mais um “estudo” sobre o debate de consciência à volta do Certo e Errado, no que envolvia a luta entre a fidelização à moral alemã e a entrega ao fanatismo nazista.

Alguma tensão e algum suspense (tudo estala nos 15 minutos finais), onde a riqueza narrativa e emocional está no duelo ético entre os dois protagonistas.



Marlon Brando cumpre com a sua habitual segurança e até dá um ar "action hero" (mas não ações a John Wayne, Errol Flynn ou Steve McQueen).

Yul Brynner dá-nos mais uma daquelas intensas interpretações como só ele sabia (poucos sabiam fazer do olhar, da voz e do rosto uma “arma” de representação como Brynner sabia).
A trilha sonora de Jerry Goldsmith.


O título "Morituri" é uma palavra latina com o significado de moribundo. Com a fraca recepção nos cinemas americanos, os produtores buscaram títulos alternativos como The Saboteur. O termo é famoso como parte de uma saudação dos gladiadores romanos ao Imperador, antes de partirem para as lutas nas arenas. A frase em latim, que muitos consideram um mito, é Ave Imperator, morituri te salutant, geralmente traduzida em português do Brasil para "Ave César, os que vão morrer te saúdam".



Alguns enquadramentos de fotografia dessa obra são um colírio para os amantes do cinema (assim como o roteiro, muito engenhoso). Tome-se como exemplo as tomadas de câmera quando o personagem de Marlon Brando vai pela primeira vez tentar sabotar o navio. Há uma cena em que a câmera percorre de baixo para cima os fios da eletricidade e quando esta chega mais acima vemos o personagem de Brando já ali, naquele patamar.

**A DUBLAGEM DA AIC**


O filme produzido em 1965, como não alcançou um grande público, logo veio para as telas da televisão, algo raro naquela década. Conforme pesquisas realizadas, o filme foi dublado entre 1968/69 e traz Sérgio Galvão na direção de dublagem. Nesse período, conforme informações obtidas, foi o retorno de Sérgio Galvão para a AIC. Saiu para outras atividades em fins de 1965 e retornou em 1968.
Com o seu retorno já veio a direção de dublagem também. Em filmes ou séries de tv que dirigia gostava de dublar o ator principal, como foi o personagem de James Stacy na série Lancer.
O mais importante desse breve relato é o fato de que as suas escalações de dubladores sempre foram primorosas. Escolhia o dublador perfeito para o personagem tanto em séries de tv como em filmes.
É o caso da dublagem excelente do filme "Morituri".



Segundo o saudoso dublador Sívio Navas, o ator Marlon Brando é um dos atores mais difíceis de serem dublados com qualidade. Ele dizia:
 "Dublar o Brando requer muita técnica e muita paciência. Ele nunca mudava o tom de voz, as suas mudanças eram feitas nos seus olhares e aí eu tinha que prestar muita atenção na sua fisionomia para tentar expressar com a voz aquilo que o ator estava interpretando."

Poucas dublagens de Marlon Brando captaram o que Sílvio Navas mencionou. No filme "Morituri", Sérgio Galvão consegui esse êxito com extrema qualidade. O personagem varia do cinismo, das suas revoltas com o Nazismo e ainda necessita ser dissimulado. Um grande trabalho de dublagem realizado com extrema competência por Sérgio Galvão.


Aldo César dublando o capitão, interpretado pelo ator Yul Brynner, é digno de aplausos! Com sua voz marcante deu o tom preciso de um personagem com problemas pessoais e, ao mesmo tempo, servindo ao seu país, embora não que concordasse totalmente com o Nazismo. Aldo César teve uma de suas melhores dublagens já realizadas na AIC, uma competência extraordinária.

Eleu Salvador completa o principal triângulo de atores e, praticamente incorporou, através da sua interpretação com a voz do alemão rígido ao Nazismo realizado pelo ator Martin Benrath, demonstrando o seu desprezo e ódio pelos judeus ao bordo.  
Neste caso também, o ator se valeu muito das expressões faciais, as quais foram desenvolvidas com a excelente interpretação com a voz.



Há ainda a participação de Rita Cleós, muito conhecida por dublar Samantha na série "A Feiticeira". Aqui, dubla uma judia, a qual tem que embarcar num navio de guerra nazista. Uma mulher sofrida com os horrores da guerra, interpretada esplendidamente por Rita Cleós, a única presença feminina no filme.

Há ainda diversas atuações para os personagens secundários com dubladores de grande quilate como: Mário Jorge Montini, Waldyr Guedes, Garcia Neto, João Ângelo, José Miziara, Sílvio Matos, Flávio Galvão e o falsete realizado por Carlos Alberto Vaccari, além de sua voz fantástica para a abertura.

Enfim, uma dublagem de extrema competência e qualidade, que enriquece muito o deleite de assistir ao filme.
Tempos grandiosos da AIC e da dublagem brasileira!! 


**Elenco / Personagens / Dubladores**

Marlon Brando ... Robert Crain > Sérgio Galvão.
Yul Brynner ... Captain Mueller > Aldo César.
Janet Margolin ... Esther > Rita Cleós.
Trevor Howard ... Colonel Statter > Waldyr Guedes.
Martin Benrath ... Kruse > Eleu Salvador.
Hans Christian Blech ... Donkeyman > João Ângelo.
Wally Cox ... Dr. Ambach > Carlos Alberto Vaccari (falsete).
Max Haufler ... Branner > Francisco José.
Rainer Penkert ... Milkereit > Flávio Galvão.
Oscar Beregi Jr. ... Almirante > Mário Jorge Montini.
Carl Esmond ... Comandante Busch > José Carlos Guerra.

Há ainda a participação de Carlos Campanile, José Miziara, Garcia Neto, João Paulo Ramalho, Xandó Batista e Sílvio Matos dublando pequenos personagens.



**VAMOS REVER A EXCELENTE DUBLAGEM DA AIC**

**PARTE 1**


**PARTE 2**


**PARTE 3**


**Fonte de Pesquisa: Adoro Cinema**
      **Acervo Pessoal**

**Marco Antônio dos Santos**