3 de novembro de 2018

MEMÓRIA AIC (33): O ELO PERDIDO


O Elo Perdido era uma série de TV feita para um público infantil, produzida e criada por Sid e Marty Krofft e apresentada originalmente pela rede NBC, entre 7 de setembro de 1974 a 3 de setembro de 1976, num total de 43 episódios de meia hora cada um. 

A série contava as aventuras de uma família composta pelo pai Rick Marshall, seu filho Will de aproximadamente 15 anos e sua filha caçula chamada Holly, que durante uma exploração, ao descerem o rio de barco são apanhados por um terremoto, jogados num portal de tempo e acabam sendo levados para um mundo completamente diferente do nosso, uma terra estranha habitada por dinossauros, homens da caverna e criatura humanóides agressivas chamadas de Sleestak, com aparências de lagartos.


Os episódios focalizavam principalmente os esforços da família em sobreviver e achar um modo de voltar ao nosso mundo. As explorações com características exóticas também faziam parte da história. Além dos animais pré-históricos, os Marshals encontram um raça de seres, meio homem meio macaco, chamadas de Pakunis. Um deles, chamado Cha-ka se torna amigo da família e ajuda a compreender aquele mundo.


A série possuía um tom bem sério, além de apresentar uma visão mais épica do que a maioria daquele tempo. Os enredos eram relativamente complexos, com uma mitologia sem igual e efeitos especiais tímidos para a época, fez com que vários adolescentes e crianças se interessassem pela série.


Apesar de ser realizada com baixo orçamento, os seus efeitos especiais podiam ser comparadas a outra série chamada Doutor Who. Vários escritores bem respeitados no campo da ficção científica também contribuíram no enredo da série, inclusive pessoas envolvidas com a série Jornadas nas Estrelas como D. C. Fontana, Walter Koenig e David Gerrold. O cuidado era tanto que até um dialeto de 200 palavras foi criado para os Pakunis.

Ocasionalmente eles eram ajudados por um homem chamado Enik que também morava naquele mundo, na tentativa de avisar o seu povo de que com o passar do tempo, neste local, eles poderiam voltar a se transformar em seres selvagens. Na segunda temporada a qualidade começou a cair com a introdução de mais humor, o que acabou fazendo aquele clima sério e pesado fosse perdida, além disso o orçamento foi reduzido ainda mais, o que fez com que a qualidade dos efeitos especiais despencasse.


Na terceira temporada da série o ator Spencer Milligan, que fazia o papel de Rick, o pai das crianças, se retirou, fazendo com que os produtores introduzissem o ator Ron Harper no lugar de Spencer, o que marcou o início de várias mudanças. Os Marshalls abandonam sua casa e foram morar num templo, já que todo o cenário da casa da família havia pegado fogo e destruído. Outra mudança estranha e que nunca foi explicada devidamente era o fato de Cha-ka e o líder dos Sleestak começarem a falar inglês, sem mais sem menos e a personalidade de Enik mudar radicalmente.

Os herois da história também vão descobrindo que para alguém sair daquele local, um outro teria de entrar. Dessa forma Rick concluiu que a única maneira de voltar para casa era criando um portal de dentro de uma pirâmide dourada chamada Pylon. Com a ajuda de Enik ele tenta achar a combinação certa para voltar para casa. Como este mundo só permite que saia se outro entrar, Rick acaba voltando para casa e Jack (Ron Harper) seu irmão entra para cuidar dos seus sobrinhos e desta maneira justificaram a saída do ator.


Os roteiros começam a piorar a cada episódio, na terceira temporada, o que resultou no fracasso da mesma e no cancelamento da série. Em 1991 a Krofft Production refizeram a série com o mesmo nome e duas temporadas.


**A SÉRIE NO BRASIL**

O Elo Perdido iniciou na Rede Globo no "Show das Cinco" em 08 de março de 1976, segunda-feira, onde permaneceu pelo menos até 1978.

Depois foi para a TV Record em janeiro de 1980 às 18h40. Houve um relançamento pela mesma emissora em setembro 1981, onde a série passou a ser exibida às 13h.

Verifica-se que cada período de exibição não abrange a dois anos.
O SBT relançou a série em abril 1987, em horário nobre, 20h15. O mesmo SBT, em novembro de 1988, voltou a exibir o programa às 9h30 (inclusive aos domingos).
Depois desse ano nunca mais foi exibida a série na Tv aberta e nem na TV a cabo.



**A DUBLAGEM DA AIC**

O Elo Perdido teve as suas três temporadas dubladas integralmente, porém somente a 1ª foi dublada pela AIC, contendo 17 episódios, em fins de 1975.
Isto ocorreu, uma vez que a AIC já se encontrava numa situação altamente crítica economicamente, uma "pré-falência".
Depois de algum tempo, a série teve as suas duas outras temporadas dubladas pela BKS, onde houve algumas alterações de dubladores.

Curiosamente, a dublagem das 3 temporadas do seriado, foi totalmente perdida, devido a problemas com a distribuidora. A série tinha como distribuidora inicial a Viacom, porém na 2ª temporada, a distribuidora definia a série como muito fraca, de difícil distribuição, a qual não gerava os lucros esperados.


Apesar disso, O Elo Perdido possuía um público cativo (infantil e de adolescentes da época), mas a Viacom a transferiu para uma distribuidora menor: W.Y.Company (ligada a Viacom, porém muito tímida economicamente para distribuição pelas redes de tv americana e em outros países, principalmente). 


Sendo assim, ainda no final da década de 1970, cita-se o ano de 1979, a própria Viacom acabou fechando essa distribuidora, o que ocasionou a perda da dublagem de O Elo Perdido. As cópias exibidas no Brasil, pela Tv aberta, foram as mesmas, uma vez que já não existiam mais as matrizes de áudio arquivadas na distribuidora.

O Elo Perdido teve 43 episódios em três temporadas.

Embora a Paramount seja a detentora legal de O Elo Perdido, a Focus lançou as 3 temporadas da série em dvd, porém houve a necessidade de sua redublagem, realizada pelo estúdio Centauro.
Como curiosidade, Dráusio de Oliveira, que dublou o ator Ron Harper (personagem que surge na 3ª temporada), também o redublou.


**PERSONAGENS / ATORES / DUBLADORES / 
AIC - 1ª TEMPORADA**

*Rick Marshall - Spencer Milligan - Gilberto Baroli*
*Will Marshall - Wesley Eure - Nelson Batista*
*Holly Marshall - Kathy Coleman - Lúcia Helena Azevedo*
*Cha-Ka - Philip Paley - Ivete Jayme (1ª voz) e Yolanda Cavalcanti (2ª voz)*
*Narração da abertura: Francisco Borges*

*Kathy Coleman (HOLLY MARSHALL)*

**DEPOIMENTO DE LÚCIA HELENA AZEVEDO**

1 - Como você foi escolhida para dublar a adolescente Holly?

R:  Fui escolhida pela minha idade ser quase a dela e pela minha voz.

2 - Você se lembra de quem foi o diretor de dublagem de O Elo Perdido?

R: Foi o Nelson Batista.

3 - Esta série não foi integralmente dublada na AIC, você continuou a personagem em outro estúdio?

R: Não.

4 - Quais recordações mais marcantes ficaram para você desta dublagem?

R: Foi meu primeiro grande trabalho , aliás, o primeiro trabalho também. Então marcou muito.

5 - Ainda hoje, há fãs de O Elo Perdido, a que você atribuiu esse fato?

R: O que eu acho?!? Eu amo todos vocês por isso. Os fãs me emocionam sempre!!




**O ELO PERDIDO E SEUS FÃS**

Desde que este blog iniciou sempre recebi diversos pedidos para abordar esta série. Sempre achei curioso, porque imaginava que havia passado despercebida. 

Com tantas produções dubladas pela AIC, O Elo Perdido ficou aguardando e, havia uma pesquisa sobre o que teria ocorrido com a dublagem original da série.

Pelas pesquisas realizadas, percebi que muitos não gostam da série por diversos motivos, entretanto, o número de fãs (para minha surpresa) é muito maior.
O Elo Perdido divide muitas opiniões, mas o fato é que foi lançado em dvd, no Brasil, algo que séries de muito maior sucesso não o foram.

Infelizmente, O Elo Perdido não foi dublado totalmente pela AIC e, sua dublagem, ocorreu num momento muito crítico do estúdio, mas fica o registro de mais um trabalho realizado, ainda que tenha sido ao "apagar das luzes" da AIC.



**EPISÓDIO COM A DUBLAGEM AIC** 



**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Agradecimento: Lúcia Helena Azevedo**


**Marco Antônio dos Santos**

11 de outubro de 2018

2ª ENTREVISTA COM ROBERTO MARQUIS




O que é ser um artista?

Artista é aquele que valendo-se da faculdade de dominar a matéria concretiza uma ideia, uma obra, efeito do trabalho ou da ação, realiza o que vê, ouve, enfim, sente.

Então, para ser artista é necessário desenvolver o sentir, a visão, o olhar ou o ouvir.....ser capaz de ver e ouvir estrelas como disse Olavo Bilac em um de seus poemas.

Roberto Marquis passou por diferentes experiências artísticas: ator (ainda com nossa tv ao vivo), produtor de programas, humorista, dublador, participação de programas infantis, cinema, o primeiro garoto propaganda que contagiou o Brasil no início da década de 1970, personificou o famoso guarda Juju do humorístico A Praça é Nossa e, até hoje ainda atua em filmes.

Este é um artista brasileiro, que realizou quase tudo no meio artístico, que soube ouvir e interpretar o chamado que a Arte fez. 

**Programa Gente Inocente na TV Tupi**


Muitos brasileiros, atualmente, talvez não o conheçam, está mais idoso, mas continua com a sua experiência a nos demonstrar aquilo que um artista brasileiro fez com muita garra, determinação e, sobretudo, com muito amor por tudo que realizou.

Na AIC, ficou pouco tempo, cerca de dois anos, mas deixou também registrada a sua marca no glorioso templo da dublagem paulista.

Por uma carreira tão diversificada, e como o Brasil é um país sem memória alguma, só podemos dizer: "muito obrigado Roberto Marquis por você ter enrequecido a arte brasileira. Seremos eternos gratos a você".
 
**Campanha publicitária de enorme sucesso no início da década de 70**


**ENTREVISTA COM ROBERTO MARQUIS**



**Filme lançado neste mês de outubro**


**VAMOS REVER UMA DUBLAGEM DE ROBERTO MARQUIS**


**Colaboração: Izaías Correia
                   
e
    Lohan Menezes**


**Marco Antônio dos Santos**

7 de setembro de 2018

UNIVERSO AIC: 10 ANOS !



*A Importância da AIC para a Dublagem Brasileira*


“Versão Brasileira A.I.C. São Paulo” – este texto não poderia começar de outra forma senão essa. Basta ouvir essa frase que milhares de brasileiros, sem exagero, são remetidos a um saudoso passado, povoado e tomado por séries, filmes e desenhos magistralmente dublados no português brasileiro por um antigo estúdio localizado na maior cidade das Américas.

Brasil, anos 1960. Ditadura Militar. Migração populacional do campo para as cidades, crescimento das metrópoles. Período de efervescência tecnológica, política, social e econômica. Televisão crescendo e se destacando no país, ainda em preto-e-branco. Festivais de MPB. Consolidação da telenovela. TV Excelsior arrojada e a todo vapor, TV Tupi e TV Record também se destacando, TV Globo e TV Bandeirantes surgindo… Época de excelentes programações, mesmo com poucos recursos técnicos, e de muitos – e bons! – enlatados. Dramas, westerns, ficção científica, comédias e infantis produzidos em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Itália, desembarcando agora em terras brasileiras… e a maioria desses pesados rolos de filmes sendo descarregados direto nos estúdios de um antigo sobrado localizado na Rua Tibério, Bairro da Lapa, cidade de São Paulo. Um lugar mágico, 
repleto de cor, vida, movimento e salas cheias, funcionando dia e noite.

Trradutores, dubladores, diretores, técnicos e administrativo unidos numa engrenagem pulsante e complexa, fazendo acontecer a arte da dublagem brasileira. Arte em dublagem com qualidade, num ritmo industrial. Seria possível esse casamento?
Sim, foi possível! E assim decorreram-se os anos, num dia a dia intenso em meio a tantas traduções, escalações e correria pelos corredores...


 O tempo passou e hoje percebemos que ele levou embora pessoas geniais e desapareceu com trabalhos primorosos– mas, felizmente, temos aí ainda brilhantes profissionais remanescentes para nos fascinarem com seus depoimentos, além de tantos outros trabalhos deixados que temos o prazer de desfrutar.

É curioso pois a AIC faz parte de um universo, uma dimensão, enraizada em memórias pessoais dos fãs e aficcionados conforme a história de vida de cada um. Podemos dizer que a AIC está para a Dublagem Brasileira como Mozart está para música, como Oscar Niemayer está para a arquitetura, como Machado de Assis está para a literatura brasileira ou como Ticiano está para a pintura. Nesse sentido, o estúdio pode ser considerado uma “entidade”, tamanha sua importância e contribuição. É uma grande referência. O injusto é que a AIC não é reconhecida pela grande mídia e nem tem os holofotes do mundo e da Cultura moderna projetados para si. Está lá no passado, sob uma fina camada de poeira permeada pelo esquecimento da mídia nacional. Mas segue presente no coração e na memória de tantos fãs saudosos, apreciadores de uma dublagem de qualidade.

Nas artes, a história é de quem faz. De quem faz com qualidade e maestria. Na dublagem, a AIC foi o grande celeiro da interpretação com a voz, precursora de tantas técnicas e berço de muitos dos grandes profissionais. Portanto, todos os méritos e reverências sejam dados à Arte Industrial Cinematográfica, nossa marcante e saudosa AIC São Paulo.

          (Texto de autoria de Thiago Moraes)






**DEPOIMENTO SOBRE O UNIVERSO AIC**



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**Blog AIC: 30 anos de Pesquisas**

Como realizar pesquisas do que quase não se tem registros? Como compreender fatos ocorridos nas décadas de 1960 e 1970 envolvendo um extinto estúdio de dublagem, seus profissionais e sua arte deixada – parte dela destruída, perdida ou negligenciada? Como estudar caminhos percorridos por profissionais muitos deles hoje falecidos, produções dubladas das quais não restaram registros, rolos de filmes que se queimaram nos frequentes incêndios em emissoras, já outros tantos perdidos pelas próprias distribuidoras…? Não é tarefa fácil. Esse trabalho arqueológico é realizado pelo Professor Marco Antônio dos Santos, que desde 1988 tenta costurar uma história não registrada: a história da AIC São Paulo.

 A labuta foi iniciada numa época de poucos recursos, quando a limitada tecnologia de fins dos anos 1980 e dos anos 1990 permitia no máximo entrevistas realizadas com um gravador e fita K-7, obsoleto nos dias atuais, ou então entrevistas via telefone, com o entrevistador munido de papel e caneta em mãos. Como o tempo é sempre implacável, os anos transcorreram e chegamos ao século XXI onde, com o advento e popularização da Internet, as ferramentas de pesquisa e coleta de dados se tornaram mais modernas: entrevistas e depoimentos são realizados via e-mail, temos as redes sociais para se aproximar pessoas e há mais meios de se buscar e encontrar profissionais dispersos por esse imenso Brasil a fora.

 Mesmo assim, as dificuldades ainda são muitas em se costurar essa imensa colcha de retalhos: muitos integrantes da antiga AIC não estão mais vivos para darem seus depoimentos, ajudando a preencher as lacunas deixadas pelo tempo e reforçadas pela falta de registros. Não existem, pelo menos a conhecimento público, contratos, livros de ponto, tabelas de escalação, documentos relativos à importação dos programas, enfim, um arquivo administrativo físico da própria AIC que poderia servir de material e base de estudo para pesquisadores, sanando assim muitas dúvidas e preenchendo incógnitas. Mesmo com tanto esforço, há ainda hoje dubladores dos quais faltam dados biográficos, datas, informações profissionais… Sobre muitos, pouco se sabe. Sobre outros, temos informações cedidas por familiares e parentes. Sobre mais outros, nem isso.
 Muitas vezes, não há nem mesmo uma fotografia, uma imagem.

 Esse fato nos desperta um misto de indignação e tristeza, pois tratam-se de profissionais pioneiros, com imensa qualidade e dom artístico, que se empenharam na realização de divinos trabalhos dando a voz e a alma brasileira a tantas séries, filmes e desenhos animados que povoam o imaginário e a memória afetiva de algumas gerações.

Depois de 20 anos de pesquisas, em setembro de 2008, o Professor Marco Antônio resolveu que era hora de expor e compartilhar o vasto conteúdo por meio de uma página na Internet reunindo assim fãs e, desde então, vem mantendo e atualizando o Blog Universo AIC. Com o frisson das redes sociais, houve paralelamente uma página no extinto Orkut, transformada hoje em um movimentado grupo do Facebook. Nesses últimos 10 anos, o trabalho minucioso continuou e ganhou mais força com a rede mundial de computadores.

 As dificuldades estão sempre a surgir, mas são recompensadas pelas descobertas e pelos avanços, frutos de um trabalho desprendido, sem qualquer interesse, vantagem pessoal ou financeira que conta também com a colaboração de vários fãs e aficionados pelo mundo da dublagem.


 A história da AIC é um livro aberto, infinito, com capítulos reescritos artesanalmente ao custo da paixão pela arte da dublagem, paciência, cuidado e respeito à memória. Um trabalho sempre carente de contribuições! Avante! A reconstituição desse espetáculo não pode parar.

(texto de autoria de Thiago Moraes)



** AGRADECIMENTOS **


Este blog só existe pelas informações que diversos dubladores da AIC se predispuseram a fornecer de maneira generosa, pessoalmente ou pela internet.

Aqui, todos sem exceção, ajudaram a elucidar fatos, reconstruiram o papel que mereceram dentro da história da AIC e da dublagem brasileira.

Agradeço a Deus por ainda ter conhecido profissionais de extrema magnitude, os quais não estão mais conosco, mas que, sem dúvida, formamos uma ligação fraterna, assim como aqueles que conheci através da internet.
No passado, ouvia e admirava apenas as suas vozes, hoje os admiro também pelos seres humanos que são.

Ainda na fase embrionária do Orkut, outras pessoas admiradoras das dublagens da AIC, foram se unindo com o mesmo objetivo e, ao longo dos anos, formamos uma amizade que, sem os seus auxílios prestimosos, este blog não teria todo este conteúdo.

Portanto, o blog Universo AIC é o resultado de um trabalho feito em equipe. 

A todos, muito obrigado !


**Agradecimento especial: Izaías Correia, Roberto Marquis,

 Lohan Menezes e Thiago Moraes.


**Marco Antônio dos Santos**

4 de agosto de 2018

DUBLADOR EM FOCO (117): JOFERRAZ



Joferraz nasceu na cidade de São Paulo, no bairro de Vila Mariana, em 28 de outubro de 1949.

 Estudou no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur. Seu talento para as diversas Artes surgiu sempre naturalmente e, dessa forma, esteve presente em inúmeros momentos, com todo o seu potencial artístico.

Fez teatro amador no clube Pinheiros em 1967, e no ano seguinte já trabalhava como atriz profissional no programa Perspectiva, de Heloisa Castellar, na TV Cultura, que se preparava para a inauguração.



**Apenas com 8 anos de idade, já era "maneca" para desfilar pelas lojas Sears**

Através de sua amizade com Magda Medeiros foi convidada a tentar  dublagem na AIC, e ali começou seus primeiros passos com o seu esplêndido trabalho com a voz. No início, fazia algumas pontas e sempre aguardava alguma oportunidade.

**Final de 1968: próximo à estreia do programa "Perspectiva da TV Cultura"**

Sua primeira oportunidade viria com a transferência de Magda Medeiros para o Rio de Janeiro, assim assume a voz do computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas, o que ficou sendo o seu “primeiro boneco” e dublou a personagem princesa Neptina no desenho japonês Marine Boy (infelizmente esta dublagem da AIC foi totalmente perdida pela pequena distribuidora).



 Na AIC, ainda participou de pequenas dublagens em algumas séries de TV, como "E as Noivas Chegaram" e "Daniel Boone", mas com a sua potencialidade vocal passou também a dublar no estúdio  Odil Fono Brasil e mais tarde na Cine Castro São Paulo.

A partir de 1970 iniciou sua caminhada como teleatriz . Manteve a dublagem como atividade paralela, além do desenho e a ilustração.

É, através da TV Tupi de São Paulo que começa a trilhar este caminho participando de algumas novelas como: Hospital, A Fábrica, O Preço de um Homem, Simplesmente Maria, Na Idade do Lobo e em Papai Coração.

**Desempenhou o personagem de uma psicóloga**


**Paricipação na novela "Papai Coração**

Em 1978, a TV Tupi já esboçava a sua grave crise econômica e Joferraz foi residir no Rio de Janeiro, participando em dublagens no estúdio Herbert Richers e, surge um convite para uma pequena participação na novela Gina, produção da Rede Globo exibida às 18h., através do saudoso diretor artístico da emissora Moacir Deriquém.


É a partir desta sua participação na novela, que Joferraz começa a trilhar outros caminhos:

1 - Fez um teste de voz para uma campanha do Guaraná Bhrama, criada pela agência de propaganda Denison Brasil, cujo filme foi dirigido pelo cineasta Ronaldo Graça. Aprovada sua voz para a personagem central, deu inicio, assim, a sua caminhada no mercado publicitário.

2 - Foi pioneira ao gravar um comercial com voz feminina para uma instituição bancária na década de 1980 – um spot de rádio para o Banco Francês e Brasileiro, gravado no Estúdio Eldorado sob a direção e produção de Roberto Bueno.

3 - Participou de projetos inéditos como “Estadão no Ar” , o Jornal da FIESP e também foi a primeira voz feminina a gravar um portal de voz na web, todo gravado em URAs , numa prestação de serviço inovadora para aqueles tempos, produzido pela Telemar Comunicações.


 Como profissional de voz, teve uma atividade profissional ininterrupta, estão clientes de empresas das melhores e maiores marcas e produtos, assim como agências de propaganda.


**O DESPONTAR DE OUTROS POTENCIAIS ARTÍSTICOS**


Na TV Tupi também foi assistente do figurinista da casa: o hoje famoso carnavalesco Chiquinho Espinosa. Paralelamente fazia pesquisa pra um programa jornalistico chamado UNIVERSO XXI, apresentado pelo cinéfilo Luciano Ramos.


Em 1974 fez ilustrações pra revista Planeta, mas depois de algum tempo foi para a Bolívia e lá, fez cursos de cerigrafia em metal.

Em sua página, no Facebook, há o  seu curriculo de Artes e há diversos álbuns com um pouco de tudo o que vem criando há anos.



Na Rádio Capital, com Helio Ribeiro e Alexandre Kadunc, depois na Band em uma produção independente de um amigo produtor, montou grupos de DESENVOLVIMENTO DA AUTO EXPRESSÃO ATRAVÉS DA EXPRESSÃO DRAMÁTICA, teve grupos performáticos em uma escola de artes, desenvolvendo um projeto para a Prefeitura de São Paulo chamado BRINCANDO DE TEATRO, que durou uma semana no Centro Cultural SP no final da década de 1990, o qual teve atividades teatrais e de criação de cenários dadas por Joferraz, com obejtos de sucata e reciclaveis. 

Paralelamente participou de diversos comerciais para a TV, alguns premiados.

**Vejamos este comercial, de meados dos anos 90, com o nosso conhecido Sílvio Matos.

 **Uma produção de Fernando Meirelles**


**OBRAS ARTÍSTICAS**

Através de sua criatividade  artística aliada ao curso de cerigrafia realizado na Bolívia em metal, Joferraz desperta para outras formas de escultura e pintura, paralelamente participa de diversas dublagens em São Paulo, através dos estúdios Megasom e Mastersound, onde desenvolveu trabalhos importantes em diversos filmes.


 
TÉCNICA - Foto Digital Artwork a partir de um desenho de sua autoria, posteriormente, digitalizado.Este trabalho foi exposto em Nova York.



**Cia. Arte e Cultura/Espaço Paulista de Arte/ Expô de Inverno2014**


A sua dedicação às artes não limitou o seu tempo disponível para a dublagem, algo que sempre adorou fazer.
Dublou em diversos filmes e participações em séries e desenhos até o final da década de 1990.

Praticamente, participou de todos os estúdios de São Paulo: AIC, Odil, CineCastro SP, BKS, Álamo, Megasom, Gota Mágica, Mastersound, Mashemelow, Sigma, Clone, Centauro, Dublavídeo, etc.


**SURGE O CLUBE DA VOZ**


Joferraz foi uma das fundadoras do Clube da Voz, o qual surgiu em 1992 e, atualmente, são 72 profissionais
de várias gerações. São as vozes dos mais relevantes comerciais de TV e Rádio, das produções para internet, das mais importantes campanhas publicitárias e políticas, do atendimento eletrônico de grandes empresas e de cada novo sistema que a tecnologia alcança.
O associado ao Clube da Voz tem uma carreira consolidada e reconhecida pela excelência de seu trabalho e pela ética no mercado.
O Clube da Voz tem como objetivo pesquisar, promover e valorizar a atividade de locução comercial, divulgar seus associados, bem como contribuir para a formação de novos profissionais.


Com sua voz serena e nítida Joferraz já fez inúmeros trabalhos para diferentes produções.

**Ouçamos a sua voz neste vídeo sobre Modernistas Espanhois promovida pelo Centro de Cultura do Banco do Brasil**


Joferraz é uma artista que percorreu diversas trilhas, que o seu potencial artístico foi se ampliando, mas sempre que pode nunca abandonou a dublagem.
Infelizmente, houve pouco tempo para a sua escalação em personagens fixos em séries de TV e até para uma participação maior em dublagens de filmes.

Aqui, verificamos que nos idos de 1968/69, a jovem que ficava à espera de ser escalada em algo para dublar na AIC, não imaginaria a diversidade que o seu trabalho artítico obteria.

Como em muitos outros casos, a AIC sempre abrigou profissionais altamente experientes e também aqueles que estavam iniciando suas carreiras.
A AIC foi a "escola" de muitos, os quais demonstraram a sua enorme competência e sensibilidade artística.


**Como curiosidade, ouçamos Joferraz dublando o computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas** 



**Marco Antônio dos Santos**