7 de setembro de 2018

UNIVERSO AIC: 10 ANOS !



*A Importância da AIC para a Dublagem Brasileira*


“Versão Brasileira A.I.C. São Paulo” – este texto não poderia começar de outra forma senão essa. Basta ouvir essa frase que milhares de brasileiros, sem exagero, são remetidos a um saudoso passado, povoado e tomado por séries, filmes e desenhos magistralmente dublados no português brasileiro por um antigo estúdio localizado na maior cidade das Américas.

Brasil, anos 1960. Ditadura Militar. Migração populacional do campo para as cidades, crescimento das metrópoles. Período de efervescência tecnológica, política, social e econômica. Televisão crescendo e se destacando no país, ainda em preto-e-branco. Festivais de MPB. Consolidação da telenovela. TV Excelsior arrojada e a todo vapor, TV Tupi e TV Record também se destacando, TV Globo e TV Bandeirantes surgindo… Época de excelentes programações, mesmo com poucos recursos técnicos, e de muitos – e bons! – enlatados. Dramas, westerns, ficção científica, comédias e infantis produzidos em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Itália, desembarcando agora em terras brasileiras… e a maioria desses pesados rolos de filmes sendo descarregados direto nos estúdios de um antigo sobrado localizado na Rua Tibério, Bairro da Lapa, cidade de São Paulo. Um lugar mágico, 
repleto de cor, vida, movimento e salas cheias, funcionando dia e noite.

Trradutores, dubladores, diretores, técnicos e administrativo unidos numa engrenagem pulsante e complexa, fazendo acontecer a arte da dublagem brasileira. Arte em dublagem com qualidade, num ritmo industrial. Seria possível esse casamento?
Sim, foi possível! E assim decorreram-se os anos, num dia a dia intenso em meio a tantas traduções, escalações e correria pelos corredores...


 O tempo passou e hoje percebemos que ele levou embora pessoas geniais e desapareceu com trabalhos primorosos– mas, felizmente, temos aí ainda brilhantes profissionais remanescentes para nos fascinarem com seus depoimentos, além de tantos outros trabalhos deixados que temos o prazer de desfrutar.

É curioso pois a AIC faz parte de um universo, uma dimensão, enraizada em memórias pessoais dos fãs e aficcionados conforme a história de vida de cada um. Podemos dizer que a AIC está para a Dublagem Brasileira como Mozart está para música, como Oscar Niemayer está para a arquitetura, como Machado de Assis está para a literatura brasileira ou como Ticiano está para a pintura. Nesse sentido, o estúdio pode ser considerado uma “entidade”, tamanha sua importância e contribuição. É uma grande referência. O injusto é que a AIC não é reconhecida pela grande mídia e nem tem os holofotes do mundo e da Cultura moderna projetados para si. Está lá no passado, sob uma fina camada de poeira permeada pelo esquecimento da mídia nacional. Mas segue presente no coração e na memória de tantos fãs saudosos, apreciadores de uma dublagem de qualidade.

Nas artes, a história é de quem faz. De quem faz com qualidade e maestria. Na dublagem, a AIC foi o grande celeiro da interpretação com a voz, precursora de tantas técnicas e berço de muitos dos grandes profissionais. Portanto, todos os méritos e reverências sejam dados à Arte Industrial Cinematográfica, nossa marcante e saudosa AIC São Paulo.

          (Texto de autoria de Thiago Moraes)






**DEPOIMENTO SOBRE O UNIVERSO AIC**



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**Blog AIC: 30 anos de Pesquisas**

Como realizar pesquisas do que quase não se tem registros? Como compreender fatos ocorridos nas décadas de 1960 e 1970 envolvendo um extinto estúdio de dublagem, seus profissionais e sua arte deixada – parte dela destruída, perdida ou negligenciada? Como estudar caminhos percorridos por profissionais muitos deles hoje falecidos, produções dubladas das quais não restaram registros, rolos de filmes que se queimaram nos frequentes incêndios em emissoras, já outros tantos perdidos pelas próprias distribuidoras…? Não é tarefa fácil. Esse trabalho arqueológico é realizado pelo Professor Marco Antônio dos Santos, que desde 1988 tenta costurar uma história não registrada: a história da AIC São Paulo.

 A labuta foi iniciada numa época de poucos recursos, quando a limitada tecnologia de fins dos anos 1980 e dos anos 1990 permitia no máximo entrevistas realizadas com um gravador e fita K-7, obsoleto nos dias atuais, ou então entrevistas via telefone, com o entrevistador munido de papel e caneta em mãos. Como o tempo é sempre implacável, os anos transcorreram e chegamos ao século XXI onde, com o advento e popularização da Internet, as ferramentas de pesquisa e coleta de dados se tornaram mais modernas: entrevistas e depoimentos são realizados via e-mail, temos as redes sociais para se aproximar pessoas e há mais meios de se buscar e encontrar profissionais dispersos por esse imenso Brasil a fora.

 Mesmo assim, as dificuldades ainda são muitas em se costurar essa imensa colcha de retalhos: muitos integrantes da antiga AIC não estão mais vivos para darem seus depoimentos, ajudando a preencher as lacunas deixadas pelo tempo e reforçadas pela falta de registros. Não existem, pelo menos a conhecimento público, contratos, livros de ponto, tabelas de escalação, documentos relativos à importação dos programas, enfim, um arquivo administrativo físico da própria AIC que poderia servir de material e base de estudo para pesquisadores, sanando assim muitas dúvidas e preenchendo incógnitas. Mesmo com tanto esforço, há ainda hoje dubladores dos quais faltam dados biográficos, datas, informações profissionais… Sobre muitos, pouco se sabe. Sobre outros, temos informações cedidas por familiares e parentes. Sobre mais outros, nem isso.
 Muitas vezes, não há nem mesmo uma fotografia, uma imagem.

 Esse fato nos desperta um misto de indignação e tristeza, pois tratam-se de profissionais pioneiros, com imensa qualidade e dom artístico, que se empenharam na realização de divinos trabalhos dando a voz e a alma brasileira a tantas séries, filmes e desenhos animados que povoam o imaginário e a memória afetiva de algumas gerações.

Depois de 20 anos de pesquisas, em setembro de 2008, o Professor Marco Antônio resolveu que era hora de expor e compartilhar o vasto conteúdo por meio de uma página na Internet reunindo assim fãs e, desde então, vem mantendo e atualizando o Blog Universo AIC. Com o frisson das redes sociais, houve paralelamente uma página no extinto Orkut, transformada hoje em um movimentado grupo do Facebook. Nesses últimos 10 anos, o trabalho minucioso continuou e ganhou mais força com a rede mundial de computadores.

 As dificuldades estão sempre a surgir, mas são recompensadas pelas descobertas e pelos avanços, frutos de um trabalho desprendido, sem qualquer interesse, vantagem pessoal ou financeira que conta também com a colaboração de vários fãs e aficionados pelo mundo da dublagem.


 A história da AIC é um livro aberto, infinito, com capítulos reescritos artesanalmente ao custo da paixão pela arte da dublagem, paciência, cuidado e respeito à memória. Um trabalho sempre carente de contribuições! Avante! A reconstituição desse espetáculo não pode parar.

(texto de autoria de Thiago Moraes)



** AGRADECIMENTOS **


Este blog só existe pelas informações que diversos dubladores da AIC se predispuseram a fornecer de maneira generosa, pessoalmente ou pela internet.

Aqui, todos sem exceção, ajudaram a elucidar fatos, reconstruiram o papel que mereceram dentro da história da AIC e da dublagem brasileira.

Agradeço a Deus por ainda ter conhecido profissionais de extrema magnitude, os quais não estão mais conosco, mas que, sem dúvida, formamos uma ligação fraterna, assim como aqueles que conheci através da internet.
No passado, ouvia e admirava apenas as suas vozes, hoje os admiro também pelos seres humanos que são.

Ainda na fase embrionária do Orkut, outras pessoas admiradoras das dublagens da AIC, foram se unindo com o mesmo objetivo e, ao longo dos anos, formamos uma amizade que, sem os seus auxílios prestimosos, este blog não teria todo este conteúdo.

Portanto, o blog Universo AIC é o resultado de um trabalho feito em equipe. 

A todos, muito obrigado !


**Agradecimento especial: Izaías Correia, Roberto Marquis,

 Lohan Menezes e Thiago Moraes.


**Marco Antônio dos Santos**

4 de agosto de 2018

DUBLADOR EM FOCO (117): JOFERRAZ



Joferraz nasceu na cidade de São Paulo, no bairro de Vila Mariana, em 28 de outubro de 1949.

 Estudou no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur. Seu talento para as diversas Artes surgiu sempre naturalmente e, dessa forma, esteve presente em inúmeros momentos, com todo o seu potencial artístico.

Fez teatro amador no clube Pinheiros em 1967, e no ano seguinte já trabalhava como atriz profissional no programa Perspectiva, de Heloisa Castellar, na TV Cultura, que se preparava para a inauguração.



**Apenas com 8 anos de idade, já era "maneca" para desfilar pelas lojas Sears**

Através de sua amizade com Magda Medeiros foi convidada a tentar  dublagem na AIC, e ali começou seus primeiros passos com o seu esplêndido trabalho com a voz. No início, fazia algumas pontas e sempre aguardava alguma oportunidade.

**Final de 1968: próximo à estreia do programa "Perspectiva da TV Cultura"**

Sua primeira oportunidade viria com a transferência de Magda Medeiros para o Rio de Janeiro, assim assume a voz do computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas, o que ficou sendo o seu “primeiro boneco” e dublou a personagem princesa Neptina no desenho japonês Marine Boy (infelizmente esta dublagem da AIC foi totalmente perdida pela pequena distribuidora).



 Na AIC, ainda participou de pequenas dublagens em algumas séries de TV, como "E as Noivas Chegaram" e "Daniel Boone", mas com a sua potencialidade vocal passou também a dublar no estúdio  Odil Fono Brasil e mais tarde na Cine Castro São Paulo.

A partir de 1970 iniciou sua caminhada como teleatriz . Manteve a dublagem como atividade paralela, além do desenho e a ilustração.

É, através da TV Tupi de São Paulo que começa a trilhar este caminho participando de algumas novelas como: Hospital, A Fábrica, O Preço de um Homem, Simplesmente Maria, Na Idade do Lobo e em Papai Coração.

**Desempenhou o personagem de uma psicóloga**


**Paricipação na novela "Papai Coração**

Em 1978, a TV Tupi já esboçava a sua grave crise econômica e Joferraz foi residir no Rio de Janeiro, participando em dublagens no estúdio Herbert Richers e, surge um convite para uma pequena participação na novela Gina, produção da Rede Globo exibida às 18h., através do saudoso diretor artístico da emissora Moacir Deriquém.


É a partir desta sua participação na novela, que Joferraz começa a trilhar outros caminhos:

1 - Fez um teste de voz para uma campanha do Guaraná Bhrama, criada pela agência de propaganda Denison Brasil, cujo filme foi dirigido pelo cineasta Ronaldo Graça. Aprovada sua voz para a personagem central, deu inicio, assim, a sua caminhada no mercado publicitário.

2 - Foi pioneira ao gravar um comercial com voz feminina para uma instituição bancária na década de 1980 – um spot de rádio para o Banco Francês e Brasileiro, gravado no Estúdio Eldorado sob a direção e produção de Roberto Bueno.

3 - Participou de projetos inéditos como “Estadão no Ar” , o Jornal da FIESP e também foi a primeira voz feminina a gravar um portal de voz na web, todo gravado em URAs , numa prestação de serviço inovadora para aqueles tempos, produzido pela Telemar Comunicações.


 Como profissional de voz, teve uma atividade profissional ininterrupta, estão clientes de empresas das melhores e maiores marcas e produtos, assim como agências de propaganda.


**O DESPONTAR DE OUTROS POTENCIAIS ARTÍSTICOS**


Na TV Tupi também foi assistente do figurinista da casa: o hoje famoso carnavalesco Chiquinho Espinosa. Paralelamente fazia pesquisa pra um programa jornalistico chamado UNIVERSO XXI, apresentado pelo cinéfilo Luciano Ramos.


Em 1974 fez ilustrações pra revista Planeta, mas depois de algum tempo foi para a Bolívia e lá, fez cursos de cerigrafia em metal.

Em sua página, no Facebook, há o  seu curriculo de Artes e há diversos álbuns com um pouco de tudo o que vem criando há anos.



Na Rádio Capital, com Helio Ribeiro e Alexandre Kadunc, depois na Band em uma produção independente de um amigo produtor, montou grupos de DESENVOLVIMENTO DA AUTO EXPRESSÃO ATRAVÉS DA EXPRESSÃO DRAMÁTICA, teve grupos performáticos em uma escola de artes, desenvolvendo um projeto para a Prefeitura de São Paulo chamado BRINCANDO DE TEATRO, que durou uma semana no Centro Cultural SP no final da década de 1990, o qual teve atividades teatrais e de criação de cenários dadas por Joferraz, com obejtos de sucata e reciclaveis. 

Paralelamente participou de diversos comerciais para a TV, alguns premiados.

**Vejamos este comercial, de meados dos anos 90, com o nosso conhecido Sílvio Matos.

 **Uma produção de Fernando Meirelles**


**OBRAS ARTÍSTICAS**

Através de sua criatividade  artística aliada ao curso de cerigrafia realizado na Bolívia em metal, Joferraz desperta para outras formas de escultura e pintura, paralelamente participa de diversas dublagens em São Paulo, através dos estúdios Megasom e Mastersound, onde desenvolveu trabalhos importantes em diversos filmes.


 
TÉCNICA - Foto Digital Artwork a partir de um desenho de sua autoria, posteriormente, digitalizado.Este trabalho foi exposto em Nova York.



**Cia. Arte e Cultura/Espaço Paulista de Arte/ Expô de Inverno2014**


A sua dedicação às artes não limitou o seu tempo disponível para a dublagem, algo que sempre adorou fazer.
Dublou em diversos filmes e participações em séries e desenhos até o final da década de 1990.

Praticamente, participou de todos os estúdios de São Paulo: AIC, Odil, CineCastro SP, BKS, Álamo, Megasom, Gota Mágica, Mastersound, Mashemelow, Sigma, Clone, Centauro, Dublavídeo, etc.


**SURGE O CLUBE DA VOZ**


Joferraz foi uma das fundadoras do Clube da Voz, o qual surgiu em 1992 e, atualmente, são 72 profissionais
de várias gerações. São as vozes dos mais relevantes comerciais de TV e Rádio, das produções para internet, das mais importantes campanhas publicitárias e políticas, do atendimento eletrônico de grandes empresas e de cada novo sistema que a tecnologia alcança.
O associado ao Clube da Voz tem uma carreira consolidada e reconhecida pela excelência de seu trabalho e pela ética no mercado.
O Clube da Voz tem como objetivo pesquisar, promover e valorizar a atividade de locução comercial, divulgar seus associados, bem como contribuir para a formação de novos profissionais.


Com sua voz serena e nítida Joferraz já fez inúmeros trabalhos para diferentes produções.

**Ouçamos a sua voz neste vídeo sobre Modernistas Espanhois promovida pelo Centro de Cultura do Banco do Brasil**


Joferraz é uma artista que percorreu diversas trilhas, que o seu potencial artístico foi se ampliando, mas sempre que pode nunca abandonou a dublagem.
Infelizmente, houve pouco tempo para a sua escalação em personagens fixos em séries de TV e até para uma participação maior em dublagens de filmes.

Aqui, verificamos que nos idos de 1968/69, a jovem que ficava à espera de ser escalada em algo para dublar na AIC, não imaginaria a diversidade que o seu trabalho artítico obteria.

Como em muitos outros casos, a AIC sempre abrigou profissionais altamente experientes e também aqueles que estavam iniciando suas carreiras.
A AIC foi a "escola" de muitos, os quais demonstraram a sua enorme competência e sensibilidade artística.


**Como curiosidade, ouçamos Joferraz dublando o computador da Enterprise na série Jornada nas Estrelas** 



**Marco Antônio dos Santos**

6 de julho de 2018

MEMÓRIA AIC (32): DURANGO KID



Durango Kid era uma série de aventuras do tipo faroeste, originalmente produzido para o cinema, onde o mocinho se vestia todo de roupa preta, usava uma máscara (também preta) no rosto para encobrir sua verdadeira identidade, galopando um belo cavalo branco chamado Corisco. Era um mocinho rápido no gatilho, acertava e desarmava qualquer bandido do velho oeste, num piscar dos olhos.

O nosso heroi apareceu pela primeira vez num filme classe B chamado The Durango Kid, que faz parte de um pacote de filmes chamados de "Durango Kid Series",  apresentado pela primeira ao público em 15 de agosto de 1940, dirigido por Lambert Hillyer e roteiros de Paul Franklin, em preto e branco, com duração de aproximadamente 61 minutos, filmado num rancho na Califórnia. O filme tinha no seu elenco Charles Starret (interpretando Durango Kid e Jim Lowery), Luana Walters, Kenneth MacDonald, Francis Walker, Forrest Taylor, entre outros.

Em 1945, apareceu novamente numa outra série intitulada "The Return of Durango Kid", dirigido por Derwin Abrahams, roteiros de J. Benton Cheney, apresentado pela primeira vez ao público norte-americano em 19 de abril de 1945, estrelado por Charles Starret (como Durango Kid e desta usando o nome de Bill Blaydon), Tex Harding, Jean Stevens, John Calvert e os músicos da banda The Jesters, entre outros.


Esta nova série de Durango Kid iniciou em 1945 e terminou em 1952, com 64 episódios. Toda a produção contou também com a colaboração do dublê Jock Mahoney que substitui Ted Mapes. Durango Kid teve como parceiro Smiley Burnette que fazia a figura do "sidekick", que eram geralmente um  parceiro do mocinho, uma figura engraçada, complicada, desengonçada que davam um toque de humor para contrabalançar as cenas violentas e os enredos pesados, principalmente para o público infantil. 

Também era muito comum os herois do oeste daquela época como Roy Rogers, Gene Autry e outros, serem cantores, o que não era o caso de Charles Starret, por isso nos filmes de Durango Kid eram apresentados diversos grupo musicais. Os filmes do nosso herói eram apresentados nos cinemas onde haviam sessões duplas aos domingos.

Na primeira sessão geralmente eram apresentados os filmes já conhecidos pelo público (como Durango Kid) e em seguida vinha o filme principal, por isso que esse tipo de filme foram chamados de "B-Western Serial" (ou filme B), que passaram a denominar todos aquele filmes produzidos com baixo orçamento e qualidade.


Charles Starrett nasceu no dia 28 de março de 1903 em Athol, Massachusetts, Estados Unidos e ficou conhecido pela sua interpretação de Durango Kid nos filmes de faroeste da Columbia Pictures. Graduou-se na Worcester Academy em 1922 e depois foi estudar na Dartmouth College.  Passou a interessar em representar quando tomou parte de um jogo de futebol americano no time da Darmouth, que participaram do filme chamado "Quaterback" em 1926. Pouco tempo depois entrou para vaudeville, começou fazendo trabalhos regionais e finalmente chegou a Broadway.

Depois em 1930 interpretou um papel romântico em "Fast and Loose" juntamente com Miriam Kopkin, Carole Lombard e Frank Morgan. Em 1933 ajudou a organizar a Screen Actors Guilde e em 1936 foi contratado pela Columbia Pictures, onde se tornou uma das dez estrelas do faroeste, chegando a fazer 115 filmes de faroeste, em 16 anos. Depois de interpretar um xerife e guarda-florestais, Starret ganhou notoriedade pelo seu desempenho em Durango Kid, personagem que ele interpretou em 1940. 

O personagem foi reavivado em 1945 e durou até 1952. Starret também fez par com Smiley Burnette por longo anos em diversos filmes. Quando a série Durango Kid se encerrou, Charles Starrett, que na época estava por volta dos seus 48 anos, estava muito rico e muito bem situado na vida. Foi casado com Mary McKinnon com quem teve dois filhos (gêmeos). Charles Starrett faleceu em 22 de março de 1986.



**DURANGO KID NA TV BRASILEIRA**


A estreia do seriado foi através da TV Excelsior de São Paulo, em fins de 1967, após a exibição de todos os episódios, saiu da grade de programação.

Durango Kid só retornaria em 07 de janeiro de 1970, quarta-feira, 16h10, pela TV Tupi de São Paulo. Ali ficou no ar até agosto de 1971.
Havia uma concorrência com o Show Roy Rogers que era exibido pela TV Record na mesma época, porém em outro horário.

Por terem sido produzidos em preto e branco, esses seriados de aventura tipo faroeste foram banidos totalmente da Tv brasileira com a chegada da Tv colorida, em 31 de março de 1972, nunca mais tendo retornado nas redes abertas.
Durante a década de 1980, ainda teve uma exibição pela TV Pampa da cidade de Porto Alegre, dentro do programa "Quadradinho".

Infelizmente, a programação da Tv a cabo implantada no Brasil, não atende ao público fã de seriados de faroeste e até de filmes das décadas de 40 a 70.




**A DUBLAGEM DA AIC**


 A sua dublagem, ocorreu no período em que a AIC predominava integralmente o mercado. A direção de dublagem foi realizada por José Soares, o qual também participou dublando o personagem fixo Smiles (Smiley Burnette).

A escolha de Wilson Ribeiro para dublar Durango Kid foi extremamente bem acertada, pois era um dublador que primava em dublar os mais valentes herois e também os mais terríveis vilões. Sem dúvida, a dublagem de Wilson Ribeiro proporcionou um grande enriquecimento aos episódios, deixando-os com muito mais empatia a imagem de Durango Kid.


Nestes episódios em que sobreviveu a dublagem, há a presença de um excelente elenco de vozes da época, como: Alceu Silveira, João Paulo Ramalho, Marcelo Gastaldi, Magno Marino, Noely Mendes, Magda Medeiros, Borges de Barros, Eleu Salvador, Gilberto Baroli, Dráusio de Oliveira, Maria Inês, Flávio Galvão e Carlos Alberto Vaccari.




**VAMOS REVER DOIS EPISÓDIOS COM A DUBLAGEM AIC**


**VÍDEO 1 /



**VÍDEO 2 /



**Colaboração: Edson Rodrigues**
**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**

2 de junho de 2018

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (12): ALÉM DA IMAGINAÇÃO / 4ª TEMPORADA



"Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem.
 É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. 
É a dimensão da fantasia.
 Uma região Além da Imaginação."


A série foi produzida de 1959 até 1964 contabilizando um total de 156 episódios em 5 temporadas. Produzidos em preto e branco, valorizavam por demais os enredos. As temporadas 1, 2, 3 e 5 tem episódios de 25 minutos.

 A temporada 4 - produzida entre 1962 e 1963 - posssui episódios de 50 minutos.


Além da Imaginação não foi só uma série, foi a mais importante série de sci-fi e fantasia que já existiu. Criada por Rod Serling, um roteirista até então frustrado com os rumos da carreira e com muita bagagem, era um homem que considerava suas bandeiras ideológicas relevantes demais para não falar sobre elas. Desejava fazer algo grande que pudesse entreter e, ao mesmo tempo, abrir os olhos da sociedade americana para os rumos da humanidade. 
 Escreveu cerca de 90 dos 156 episódios.

 Com o total de 5 temporadas bem sucedidas, tem como principal legado ainda ser lembrada como referência em ficção científica e fantasia com quase 60 anos, após a sua criação, graças a sua originalidade. A característica principal são as narrações no início e no fim de cada episódio, feitas pessoalmente por Serling, com observações sobre o destino de seus personagens.



*Episódio: "Sem Voz"

As histórias abordavam, em geral (mas nem sempre), temas políticos e sociais muito comuns da América, como racismo, Guerra Fria, pena capital, desvalorização da educação. O atual e imoral era travestido de futurismos para escapar da censura, mas não lhes faltava precisão. Revolução das máquinas, o culto extremo à beleza e aquecimento global entraram na roda, quase profeticamente. Não à toa muitos filmes e séries literalmente copiaram seus argumentos de algumas das histórias de Twilight Zone.

A quarta temporada foi a única com episódios de 50 minutos de duração e é considerada pelos fãs e pela crítica, a mais fraca. 

**Episódio: "O Poeta"**


“O nosso é o show perfeito de meia hora. Se fôssemos a uma hora, teríamos que enrijecer nossas histórias, estilo novela. Os espectadores podiam assistir quinze minutos sem saber se estavam em uma Twilight Zone ou no Desilu Playhouse. ”
Isso foi Rod Serling falando, alguns anos antes de The Twilight Zone passar uma temporada como um show de 50 minutos de duração.
Por quê? Típica miopia da rede. O show foi um sucesso aos 25 minutos, então por que não expandi-lo para 50 e dar ao público o dobro do show?
Logo ficou claro o porquê: histórias de fantasia, especialmente aquelas que dependiam de um final de reviravolta, eram mais ideais para o formato de meia hora. Em 25 minutos, eles poderiam entrar, criar uma premissa intrigante e entregar o resultado. Mas quando você dobra esse comprimento, o efeito é arruinado. Quanto mais tempo o desfecho esperado era atrasado, mais o suspense e a tensão eram dissipados.
Tomemos "O Túmulo Submerso", por exemplo, é uma história sobre um moderno navio da Marinha descobrindo um submarino afundado da Segunda Guerra Mundial - e ouvindo um misterioso som vindo de dentro. 


**Episódio: "O Túmulo Submerso"

Basta dizer que a história, apesar dos habituais toques de qualidade que você espera, é simplesmente muito acolchoada. Vários outros episódios da 4ª temporada também foram esticados um pouco demais.
No entanto, houve vários episódios extraordinariamente sólidos da quarta temporada, aqueles que realmente se beneficiaram da duração expandida. 

*A crítica americana aponta quais seriam, segundo sua opinião, os melhores episódios da 4ª temporada da série:

*O TÚMULO SUBMERSO: apesar do roteiro ser ideal para 25 minutos, a sua expansão ainda nos traz o senso de mistério, uma das características de Além da Imaginação.


*O VALE DAS SOMBRAS: neste episódio, houve uma perfeita abordagem da ficção científica interagindo com países, que sofriam o poder comunista da "cortina de ferro", na Europa dos anos 60, em não haver liberdade para cada cidadão.

*A NAVE DA MORTE : Três astronautas pousam em um planeta remoto (em 1997!) E vêem uma visão surpreendente: uma nave espacial caída que se parece com a deles. Isso é ruim o suficiente, mas eles começam a explorar - e encontram três cadáveres que, sim, se assemelham perfeitamente a eles. O incomparável Richard Matheson esboça um  mistério intrigante, enquanto os astronautas tentam descobrir o que está  no mundo.

*O EMISSÁRIO DO INFERNO: um roteiro bem estruturado que poderia ser mais dinâmico numa duração de 25 minutos, mas ainda consegue manter um certo suspense até o seu final.




*O PARALELO: um dos melhores episódios da 4ª temporada, conseguiu aproveitar plenamente os 50 minutos, mantendo o público atento às ações dos personagens e qual seria o desfecho inusitado.


*FIGURAS DE CERA: conta a história de Martin Senescu (Martin Balsam), homem apaixonado por seu trabalho em um museu de cera já decadente e com poucos atrativos ao público. Quando o local fecha, ele monta toda uma estrutura no porão de sua casa para manter seus bonecos favoritos, réplicas de assassinos famosos como Jack, o Estripador, Albert Hicks, Henri Désiré Landru, William Burke e William Hare. Completamente sugado pela função de cuidar das figuras, ignora os fenômenos bizarros que acontecem debaixo do próprio nariz. Além da boa narrativa e a personalidade obsessiva do protagonista contribuem  para todos se arrepiarem.

**EPISÓDIOS DA 4ª TEMPORADA**


 103 - A Sua própria Imagem (In His Image)
104 - O Túmulo Submerso (The Thirty-Fathom Grave)
105 - O Vale Das Sombras (Valley Of The Shadow) 
106 - Ele Está Vivo (He'S Alive)
107 - Sem Voz (Mute)
108 - A Nave Da Morte (Death Ship)


109 - Jess-Belle (Jess-Belle)
110 - Miniaturas (Miniature) 
111 - O Emissário do Inferno (Printer'S Devil)

112 - Volta ao Passado (No Time Like the Past)
113 - O Paralelo (The Parallel)
114 - O Gênio Da Lâmpada (I Dream Of Genie)


115 - Figuras De Cera (The New Exhibit)

116 - O Tempo É Uma Ilusão (Of Late I Think Of Cliffordville)
117 - O Incrível Mundo De Horace Ford (The Incredible World Of Horace Ford)


118 - Um Posto no Espaço Distante (On Thursday We Leave For Home)

119 - Canção para uma Dama (Passage On The Lady Anne)
120 - O Poeta (The Bard)



OBS> Tradução dos títulos dos episódios realizados pela TV Cinesom**

A 4ª temporada estreou no Brasil, em 1969, trazida pela TV Tupi, a qual não exibiu as duas primeiras temporadas. Para a época, houve uma grande promoção da série pelo fato de os episódios possuirem 50 minutos de duração.

Entretanto, o público que já havia assistido à série, também não se adaptou ao novo formato. Ao término da sua exibição, a série foi retirada da grade de programação.

Na década de 1980, a série foi reunida com as 3 temporadas dubladas e exibidas pela TV Gazeta de São Paulo, posteriormente, por volta de 1996/97 a série retornaria pelo canal a cabo USA que, exibiu na íntegra as 5 temporadas, permanecendo com a dublagem original nos episódios que possuíam condições técnicas.


**A DUBLAGEM DA 4ª TEMPORADA**

Em 1969, o estúdio TV Cinesom era dirigido por Hélio Porto, o qual conseguiu trazer diversos dubladores de São Paulo, os quais estavam descontentes com os rumos que a AIC estava tomando.

Sendo assim: Gessy Fonseca, Arakén Saldanha, Magno Marino, Neville George, Syomara Naggi, Ary de Toledo, Magda Medeiros, Celso Vasconcellos, Alceu Silveira, Amaury Costa, Emerson Camargo participaram do estúdio.


Nesta época, Hélio Porto já havia reunido alguns dubladores cariocas excelentes, os quais engrandeceram muito a qualidade artística da dublagem. Nomes como Carlos Leão, Domício Costa, Paulo Pinheiro, Allan Lima, Sônia de Moraes, Míriam Theresa, Henrique Ogalla, Luís Carlos de Moraes, Riva Blanche, etc.

A dublagem, no tocante à interpretação, desta temporada é excelente, porém a qualidade técnica do estúdio já não era satisfatória na época, havendo áudio incubado e problemas de mixagem o que prejudicou, enormemente, o trabalho de todos esses dubladores ótimos.

Quando esta temporada foi exibida no canal a cabo USA , no final da década de 90, todos os episódios ainda possuíam a dublagem original, apesar dos problemas técnicos terem se agravado com o decorrer do tempo.
Infelizmente, a nova distribuidora de Além da Imaginação, apagou de todos os episódios a frase :"Versão Brasileira TV Cinesom Rio de Janeiro"substituindo por "Distribuição Network".

**Episódio: O Tempo é uma Ilusão"

Apesar dos episódios serem mais longos, Além da Imaginação sempre será a série que introduziu uma profunda visão de mundo pela televisão. 
Felizmente, apesar do áudio não ter sido restaurado, a dublagem da TV Cinesom resistiu e nos demonstra uma qualidade extraordinária, na qual foram reunidos dubladores de São Paulo e do Rio de Janeiro, uma experiência fascinante para o final da década de 1960.

**VAMOS REVER  OS 6 EPISÓDIOS ACLAMADOS PELA CRÍTICA**


**VÍDEO 1 /


**VÍDEO 2 /


**VÍDEO 3 /
 


**VÍDEO 4 /


**VÍDEO 5 /


**VÍDEO 6 /


**Fonte de pesquisa: 
"Twilight Zone: The Best of Season  4"
**Colaboração: Edson Rodrigues**
**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**