17 de setembro de 2017

DUBLADOR EM FOCO (115): WALDIR WEY


Waldir Wey nasceu em 10 de fevereiro de 1915, no Rio de Janeiro. Ao atingir 18 anos já era grande admirador dos programas de Rádio, mas seu pai exigiu que fizesse um curso superior.

Ao mesmo tempo que cursava a faculdade de Direito, já estava frequentando o meio artístico, onde rapidamente conseguiu galgar diversos segmentos dentro da programação do Rádio. Sua extrema competência, aliada a sua sonoridade com a voz, fizeram com que rapidamente se tornasse um nome muito conhecido.


Apesar de ter se formado, não exerceu a carreira de advogado e, em 1945, com apenas 30 anos de idade já era contratado da Rádio Cultura, como radioator e diretor de radionovelas.

Waldir Wey passou a ser um profissional muito disputado entre as emissoras de Rádio na década de 1950, participando de diversos tipos de programa, como Debate sobre Cinema na Rádio Excelsior.

Em 1950, é contratado pela Rádio América como diretor geral de dramaturgia. Era responsável pela escalação de radioatores, supervisionava os textos, dirigia radionovelas e ainda participava como radioator.



*Dublando o ator Victor Buono ao lado de Ronaldo Baptista*


Ronaldo Baptista em seu livro "Na Pele do Lobo", relata como o conheceu em 1951 na Rádio América:




" Eu e HELENA SAMARA tomamos um verdadeiro “chá de cadeira” que durou uma semana. Ao fim da qual, eu acabei desistindo. Era uma sexta-feira quando deixei de comparecer. Desisti. Cansei. No dia seguinte, sábado, desanimado, no apartamento onde vivia com meus pais, no Parque São Jorge, de repente ouvimos a campainha  da porta. Minha mãe atendeu. Um jovem estranho para ela. Mas não para mim. Qual a minha surpresa ao vislumbrar na porta entreaberta, a figura do Valdir Bernardini, meu colega de testes na Radio América. Meu Deus! O que estava acontecendo? Mandei entrar e abracei-o. Ele pegara o meu endereço na Radio, e a pedido do seu xará WALDIR WEY, trouxe-me um recado. Pedia que eu comparecesse naquela emissora na segunda-feira para conversar com ele. Imaginem a minha surpresa e a minha alegria com esse recado. Indescritível alegria compartilhada com meus pais e com o companheiro que fizera a gentileza de me procurar. Mil vezes agradecido, no dia marcado, bem cedo, lá estava eu na sala do Diretor. O WALDIR WEY olhou para mim, e com um sorriso maroto e aquele jeitão carioca me disse: “ADEMIR...VOCÊ VENCEU PELO CANSAÇO...VOU TE CONTRATAR!”
Como eu era muito magro e tinha um queixo proeminente, dolicocéfalo, ele passou a me chamar de ADEMIR, nome do grande e famoso jogador do Vasco da Gama. Minha reação foi de pura felicidade. Se eu fosse mais desinibido, teria dado um pulo e abraçado o dito-cujo. Mas o carioca poderia ter me interpretado mal. Então continuou: “Você vai assinar um contrato de seis meses, experimentalmente, que poderá ser renovado pelo mesmo tempo, dependendo de você. A verba que eu tenho é 1.500 cruzeiros, OK?” 

O WALDIR estava escrevendo para ir ao ar um seriado de um super-herói criado por ele, e que seria a menina dos seus olhos: “O LOBO VERMELHO”. AS AVENTURAS DO LOBO VERMELHO seriam sempre ambientadas no velho oeste americano, tendo o herói, por fiel companheiro, o ÍNDIO CALUNGA, e por exclusiva montaria, o cavalo BLACK. Quer dizer... COVER daquele célebre heroi dos velhos tempos, dos ANOS
40... conhecido e cultuado como “O VINGADOR”. Porém, em virtude deste nome haver sido patenteado pela STANDARD PROPAGANDA e pela COLGATE-PALMOLIVE, o redator apenas substituiu o nome do personagem principal. No resto, tudo igual. Mas... o mais impressionante de tudo isso, por mais inverossímil que possa parecer, e que me deixou perplexo, extasiado, provando mais uma vez que a verdade é mais estranha do que a própria ficção, é que aquele diretor que estava me contratando, era
nada mais, nada menos que o grande ícone dos meus tempos de criança. Em carne e osso, ali estava diante dos meus olhos, o antigo ídolo, mais forte do que nunca: O VINGADOR!  Destino? Coincidência? MAKTUB!  WALDIR WEY – O HERÓI DO MEU SONHO... transformado em REALIDADE.  E que “sonhadora” realidade. O Ídolo inesquecível de todas as crianças do Brasil. Infelizmente já não se encontra mais entre nós. Mas trabalhou como tradutor de filmes até o fim.”

Ainda Waldir Wey participaria da Rádio Tamoio e Rádio Nacional de São Paulo. 
Com a chegada da televisão no Brasil, Waldir Wey retornou ao Rio de Janeiro, onde foi contratado pela Rádio e TV Tupi, onde atuava ensaiando e dirigindo elenco.
Evidentemente, alguns anos depois também participa da TV Rio, até escrevendo algumas novelas, ainda não diárias.


**A voz do vilão em Império Submarino**

Retorna para São Paulo a convite da TV Paulista, onde fez diversas atividades não só na dramaturgia, chegando a ser apresentador de programas.

**A DUBLAGEM**

Waldir Wey era um exímio tradutor. Com o número cada vez maior de filmes e séries de TV para serem dublados, é convidado por Wolner Camargo para trabalhar na AIC em 1964.

Segundo Ronaldo Baptista, fez inúmeras traduções de filmes, inclusive o filme "Melodia Imortal" com Tyrone Power, dublado por Ronaldo Baptista.
Suas traduções era tão primorosas para a dublagem, que traduziu inúmeros estilos de filmes: westerns, dramas, suspense, etc, e todos com indicação adequada para o dublador, devido à sincronia.

Waldir Wey, a pedido do diretor Amaury Costa, acabou traduzindo o grande lançamento de Hanna-Barbera: "Jonny Quest".



Evidentemente, com sua enorme experiência em radioteatro foi requisitado também para a dublagem, a qual a exerceu com extrema qualidade, porém as traduções o absorviam tanto que participou de poucas dublagens na AIC.

Além de dublar em alguns filmes, eventualmente, participou da dublagem de diversos episódios de Jonny Quest e episódios das duas primeiras temporadas de Viagem ao Fundo do Mar, além dos antigos seriados de cinema que foram exibidos na televisão, como Império Submarino, no qual dubla o vilão.

Em alguns episódios da série Jeannie é um Gênio, narra o prólogo em alguns episódios da 1ª temporada.

Há poucos episódios dublando algum vilão em Os Três Patetas e, com o afastamento de José de Freitas da dublagem de Shemp, Hélio Porto o escalou para o personagem.



Entretanto, dublou pouquíssimo Shemp, uma vez que se afastou da AIC por concordar com Wolner Camargo e Hélio Porto numa polêmica interna da empresa e se retira também em fins de 1967.

Após a sua saída da AIC, continuou traduzindo filmes para o estúdio Odil e retornou para o Rádio, onde teria participado de programas de debates esportivos.

Com o surgimento da Álamo, em 1972, mais uma vez foi um nome requisitado para traduções, algumas dublagens e até direção de dublagem.
Durante a década de 70, esteve ligado também aos projetos da recente TV Cultura de São Paulo, vindo a participar do teleteatro da emissora.
Com o surgimento da BKS, em 1976, também participou de dublagens de diversos filmes.

Apesar de participar da dublagem de muitos filmes, foi em séries, e mais especificamente em uma série japonesa que sua voz se tornou famosa no Brasil. A série japonesa Jiraiya - O Incrível Ninja, onde dublou Tetsuzan Yamaji, interpretado por Masaaki Hatsumi, o mestre de Jiraiya.

**Tetsuzan Yamaji**


Ainda na década de 80, participou da novela Razão de Viver produzida pelo SBT.

Waldir Wey veio a falecer no dia 5 de dezembro de 1996, aos 81 anos de idade, de complicações do surgimento de um Mal de Parkinson.

**Um artista que atuou em diversas áreas com uma competência extraordinária, deixando um grande exemplo a ser seguido**


**VAMOS REVER ALGUMAS DUBLAGENS DE WALDIR WEY**


**VÍDEO 1 / VILÃO NUM EPISÓDIO DE OS 3 PATETAS**


**VÍDEO 2 / DUBLANDO O PERSONAGEM SHEMP**


**VÍDEO 3 / DUBLANDO O ATOR VICTOR BUONO EM VIAGEM AO FUNDO DO MAR**

**Fonte de Pesquisa: Site Casa da Dublagem.

*Livro: "Na Pele do Lobo" de Ronaldo Baptista.
*Arquivo Pessoal*

**Agradecimento especial a Rodolfo Rodrigues Wey (sobrinho-neto)**


**Marco Antônio dos Santos**

26 de agosto de 2017

MEMÓRIA AIC (30): AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD



 As Aventuras de Robin Hood 
foi uma série totalmente produzida na Inglaterra pelo produtor e diretor americano Hanna Weinstein, com direção de David Reed e Ralph Smart e escrita entre outros por Ralph Smart, Leon Griffths, Louis Marks, Ernest Borneman e com tema musical de Dick James. 

A série teve 143 episódios, produzida pela produtora Sapphire Film

s Production, Yeoman Filmes Ltd. para Incorporatec Television Company (ITC) entre 1955 a 1959 e foi uma das séries pioneiras a conseguir entrar nos Estados Unidos nos anos 50 e conquistando grande sucesso e servindo até de referência a muitos filmes e séries americanas.


A vinda de muitos americanos a Inglaterra a procura de trabalho, por estarem dentro da lista negra do "Marcatismo", fez com que a indústria cinematográfica inglesa absorvesse grande parte desse contingente de escritores, diretores, atores, técnicos e com isso passasse a desempenhar um papel importante dentro do cenário hollywoodiano, já que muitos filmes, que não podiam ser produzidos nos Estados Unidos provinham especialmente da Inglaterra e de outras partes da Europa.



As Aventuras de Robin Hood foi uma das primeiras produções da ITP, mais tarde tornou-se a ITV. A série começou a ser produzido na Inglaterra por uma televisão independente nos finais de semana, iniciando no dia 25 de setembro de 1955, quando a ITV existia ainda somente em Londres.



A série foi feita em 35mm, em preto e branco, e a maioria das ações foram filmadas no estúdio da Nettlefold Studios, perto de Walton-on-Thames, um local onde foram produzidos vários sucessos do Cinema. 






Uma das aquisições importantes do estúdio foi a contratação de Hannah Weinstein, um refugiado político americano, assim como muitos escritores da série como Anel Lardner Jr., que tiveram que sair dos Estados Unidos pois estavam na lista negra americana.

Hannah apesar de um orçamento bem baixo conseguiu fazer uma produção primorosa, rebuscada, com muita qualidade técnica, uma boa escolha de atores, cortes impecáveis, luzes e sombras apropriadas, servindo até como modelo para muitos seriados nos Estados Unidos. Atualmente diversos episódios desta série já se encontram em domínio público.

Apesar da série possuir como fundo temático a lenda de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, ela era na verdade como qualquer outra produção da época como Superman, Lone Ranger e outros onde prevalecia a figura do mocinho como o foco principal e este seriado não foge a regra. Robin Hood é o herói em todas as horas.



A série também não se prendia somente a lenda, a maioria dos episódios o que se vê é Robin Hood sendo perseguido a todo o momento pelos poderosos, aliás, uma alusão clara às perseguições "marcathistas" que estavam ocorrendo nos Estados Unidos, apesar da questão ser levantado somente nas entrelinhas, habilmente pelos roteiristas, o que não deixava de ser uma maneira de protesto, já que a série era muito vista nos Estados Unidos.

As filmagens eram feitas ao ar livre, perto da histórica Runnymede Meadow onde supostamente o Rei John assinou a Carta Magna em 1215, o que fez com que esta área permanecesse inalterada durante séculos.

A produção ficava ao cargo do veterano produtor Sidney Cole, que abriu novos caminhos e criou técnicas completamente novas para a televisão permitindo a gravação do programa completo em quatro dias e meio.

Uma linha de produção sem igual foi inventando especialmente para esta série, não somente para acelerar a produção, mas também assegurar que o programa completo satisfizesse as exigências da moderna televisão.

Um dos responsáveis por este desenvolvimento foi Peter Proud, famoso diretor de arte, que trouxe toda sua experiência de 28 anos na fabricação de filmes.

Proud também inventou um novo método de administrar os jogos cênicos grandiosos e autênticos que serviram de fundo a cenas importantes de Robin Hood. Os técnicos dos estúdios construíram um enorme cenário onde as tomadas das câmeras eram feitas de pontos estratégicos a cada sucessão.

Com isso Proud podia usar uma grande variedade de artigos para a paisagem, como lareiras, cabanas de servos, escadarias, corredores que eram montados sobre rodas e que podiam mudar de posição rapidamente.


A lenda de Robin Hood já havia feito muito sucesso no cinema em 1938, num filme dirigido por Michael Curtiz, estrelado por Errol Flynn, como o onipresente Robin, a belíssima Olivia Havilland como Marian, Basil Rathbone como Sir Guy e Claude Rains como o Príncipe John. Esse filme com Errol Flynn e o seriado As Aventuras de Robin Hood tem em comum o fato dos dois serem as películas mais famosas a falar de Robin Hood, a única diferença está no fato de um ser no cinema e outro na televisão. 

O sucesso do filme deu a indicação que uma série para a televisão poderia ser viável e assim Hannah Weintein e a Saphira Films iniciaram a produção dando um mesmo tratamento para a série de televisão.

A série conseguiu uma enorme audiência para a ITV, tornando-se um sucesso comercial impressionante para a época, mas na realidade ela foi apresentada inicialmente nos Estados Unidos pela rede de televisão CBS semanalmente a partir de 1955 até 1958, o que abriu as portas para outras séries inglesas como Sir Francis Drake e Ivanhoé. 


As aventuras de Robin Hood começam quando Robin volta para sua casa na Inglaterra, após lutar nas Cruzadas ao lado do Rei Ricardo Coração de Leão, para tomar posse de sua herança e para visitar o túmulo do pai, que falecera enquanto ele esteve na guerra, mas ao chegar em casa é surpreendido com cantorias como se houvesse uma festa.

Sem levantar suspeitas, ele escala um dos muros e chega até a cozinha onde um casal de antigos criados lhe põe a par dos últimos acontecimentos e como um tal de Roger de Lisle se apoderou do seu lar.

Sem mais demora ele se apresenta diante de Lisle exigindo a devolução de suas propriedades. Ele é recebido como se fosse um farsante, pois Lisle afirma que Robin morreu nas Cruzadas, portanto ele tem direito sobre as heranças dele. Após uma discussão, Robin se põe em fuga, pelo menos para o momento.

Ele passa a noite na floresta e ao acordar se depara com um homem caçando um servo, mas que de repente é cercado e preso pelos guardas reais, que querem queimar seus olhos e suas mãos, para que ele não possa caçar novamente. Robin intervêm e salva o pobre homem.

 O homem diz que agora ele terá que viver na floresta juntamente como outros perseguidos e conta-lhe a história dos refugiados. Mais tarde ele se dirige ao Xerife de Notthingham para reivindicar sua propriedade e tudo aquilo que ele tem direito.

Lá chegando encontra Roger de Lisle em conversa amigável com o Xerife. Após reivindicar seus bens mostrando um documento especial dado pelo Rei Ricardo, o Xerife se dá por convencido e diz que suas propriedades lhe serão entregues amanhã ao meio dia por Lisle.

**Patricia Discoll (Lady Marian)**

Na realidade o Xerife e seus amigos pretendem armar uma cilada para assassinar Robin e assim permanecer como tudo está. Na manhã seguinte ao ir assinar a transferência de seus bens, Robin percebe que estão lhe armando uma cilada. Uma confusão é gerada quando um de seus antigos criados tenta avisar da armadilha, a flecha é disparada e acertando Roger de Lisle, que acaba morrendo da própria armadilha que armou.

Robin não tendo como provar sua inocência tem que fugir e também é acusado pela morte de Roger de Lisle e assim refugia-se na floresta de Sherwood onde é reconhecido pelo homem que ele havia lhe salvado a vida e torna-se também um refugiado como todos eles.

Como Robin não diz seu nome por completo, então o Pequeno John o apelida de Robin do capuz, ou seja,  Robin Hood (capuz em inglês é hood), e assim ele passa a ser conhecido e temido. 

Na floresta ele passa a conviver com o Pequeno John e seus arqueiros e ainda conta com a amizade do Frei Tuck e da linda Lady Marion que se apaixona por Robin e o ajuda no que pode.

A partir deste primeiro episódio iniciam-se as aventuras de Robin Hood e seus amigos, sempre perseguido pelo terrível Xerife de Nothingham, juntamente pelos aliados do Príncipe John.

Ao contrário do que se imagina a série mostra praticamente somente como pano de fundo os problema sociais advindos das tramóias do Príncipe John, que durante a ausência do Rei Ricardo, começa a extorquir o povo, que já vive miseravelmente, cobrando-lhes altos impostos e abusando de todas as formas do poder agora em suas mãos, usando para isso o Xerife de Nottingham, seu cúmplice. 


Quem não pagasse os tributos eram enforcados ou morriam na cadeia, a não ser que Robin Hood viesse em seu socorro para libertá-los, assim como tirar o dinheiro dos ricos e poderosos para dar aos pobres, como conta a lenda.

Apenas em alguns poucos episódios se trata diretamente deste assunto social, a maioria dos capítulos seguem os padrões dos filmes de aventuras vigentes na época, do mocinho como o herói de todas as horas.

O Frei Tuck e a Lady Marion são personagens importantes na trama, pois além de serem o contato de Robin com a cidade, eles também fazem com que os episódios se tornem mais alegres, menos violentos e truculentos, suaves de serem assistidos.



**A SÉRIE NO BRASIL**



As Aventuras de Robin Hood estreou no Brasil, em outubro de 1961, através da TV Excelsior de São Paulo.
Durante alguns anos a emissora exibiu as 3 primeiras temporadas da série. Em 1965/66, ainda surge na grade de sua programação.

A série tinha um grande apelo entre os adolescentes da época e até com as crianças, uma vez que não havia cenas violentas.

Já em 1968, a série migrou para a TV Bandeirantes ainda com sucesso, o que fez a emissora exibir a 4ª temporada ainda inédita no Brasil. Depois de exibir os 143 episódios da série, ficou fora da programação, mas ainda retornaria em 1972.

Apesar de ter sido produzida em preto e branco (1955-59), As Aventuras de Robin Hood ainda teria uma última exibição em 1974, pela TV Record. Nesse período, havia ainda uma transição entre programas coloridos e alguns ainda em preto e branco.

**A  DUBLAGEM**

Infelizmente, a série era distribuída pela Bráscontinental, distribuidora que faliu em meados da década de 80 e inúmeras dublagens foram perdidas e literalmente apagadas.

Em nossa pesquisa descobrimos, com o auxílio do dublador Carlos Campanile, que as 3 primeiras temporadas foram dubladas pelo estúdio Ibrasom, as quais foram exibidas na TV Excelsior até 1966.

Conforme nos revelou, ele teria participado em algumas pontas na dublagem da Ibrasom, pois estava bem no início da carreira.
Não pôde afirmar com certeza absoluta, devido a decorrência de muito tempo, mas talvez tenha sido o dublador Edgar Garcia que teria sido a voz de Richard Greene.



A 4ª temporada, a qual foi exibida pela TV Bandeirantes somente em 1968, foi dublada pela AIC, onde Gervásio Marques foi a voz de Robin Hood.

Com apenas um episódio da 4ª temporada não há possibilidade de se estabelecer todos os dubladores fixos dessa última temporada, mas é uma raridade ainda ter sobrevivido uma pequena amostra da dublagem desta série inglesa.



**ATORES / PERSONAGENS / DUBLADORES / 
4ª TEMPORADA**


 Richard Greene (Robin Hood): Gervásio Marques.
Bernardette O’Farrell (Lady Marian)
 (temporadas 1 e 2): ???
 Patricia Driscoll (Lady Marian) 
(temporadas 3 e 4): Isaura Gomes.
 Alexander Gauge (Frei Tuck): José Soares. 
Alan Wheatley (Xerife): ???
Paul Eddington (Will Scarlett): Gilberto Baroli.
Archie Duncan (Little John): ???


**EPISÓDIO DE "AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD"**

OBS> Participação do dublador Francisco José dublando o vilão.





**COLABORAÇÃO: Edson Rodrigues e Carlos Campanile**

**Acervo Pessoal**

**Marco Antônio dos Santos**

13 de agosto de 2017

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (11): A GATA E O RATO




A série de TV "A Gata e o Rato" foi um grande sucesso da década de 80. Naquela época, uma onda de nostalgia tentava resgatar a memória de alguns programas. Isso ocorria ou através de reprises ou através da produção de telefilmes com atores envelhecidos revivendo personagens que os tornaram famosos. Surge então esta série, conseguindo misturar comédia, mistério e romance.

 Foi das mais marcantes do período 1985 a 1989 mas, problemas de diversas ordens fizeram com que seu cancelamento ocorresse de forma precoce, com a produção de 67 episódios distribuídos ao longo de cinco temporadas.

A série foi criado por Glenn Gordon Caron, que também era o produtor executivo do programa. A primeira temporada não foi bem na audiência - ficou em 20º lugar - mas a recuperação ocorrida na temporada seguinte - quando alcançou o 9º lugar - a colocou entre as mais assistidas em território americano.


Tudo começa quando Madelyn "Maddie" Hayes (a atriz Cybill Shepherd) sofre um desfalque em sua fortuna, ação esta promovida por seu empresário, que a deixa somente com a casa onde mora e uma falida agência de detetives, administrada por um esperto despreocupado chamado David Addison (o ator Bruce Willis).


Entre o piloto e o primeiro episódio, Addison acaba convencendo Maddie a manter o negócio, fazendo uma sociedade com ele. Dessa forma, a agência passa a se chamar Blue Moon Investigations, aproveitando o fato de Maddie ter sido uma modelo muito famosa por conta de campanhas feitas para o Shampoo Blue Moon.


Os episódios eram recheados de mistério, com diálogos picantes e alta tensão sexual entre os personagens principais. Addison, na verdade, convenceu Maddie de que a agência poderia gerar um grande lucro e reverter sua situação financeira.

 Diante disso ela passa a trabalhar como detetive, mas o trabalho de ambos gera diversas brigas, algo que com o passar do tempo acaba se transformando em romance platônico. O público, por sua vez, reagia com boa audiência, esperando que a cada novo episódio ambos pudessem concretizar uma suposta intenção de relacionamento.


Na terceira temporada, após uma tremenda briga, com direito a muitos tapas, ambos finalmente vão para a cama. O episódio se transformou em grande acontecimento e foi comentado pelos maiores órgãos da imprensa americana. Durante sua exibição, alcançou a marca de 44% de audiência, o que significa ter sido assistido por pelo menos 60 milhões de pessoas.


A audiência, no entanto, começou a despencar depois da exibição da terceira temporada. Para os fãs, o episódio em que ambos dormem juntos marcou o início do declínio. Na verdade, vários problemas ocorriam nos bastidores de produção e isso ficava visível pelas reprises constantes enquanto novos episódios não ficavam prontos.



 Segundo o produtor Glenn Gordon, grande parte desses atrasos eram provocados por Cybill, que demorava em decorar o texto, atrasava constantemente na maquiagem, vivia reclamando do horário e constantemente brigava com Willis.

Para contornar tais problemas, os roteiristas passaram a focar as tramas nos personagens de Agnes Topisco (a atriz Allyce Beasley) e Herbert Viola (o ator Curtis Armstrong). Isso deixava Addison e Maddie com pequenas participações, possibilitando a ambos concluírem com mais rapidez episódios que ainda estavam inacabados.


Passado algum tempo, a produção teve de ser suspensa pelo fato de Cybill estar grávida de gêmeos. Willis, por sua vez, aproveitou o período para filmar o primeiro exemplar cinematográfico da franquia "Duro de Matar". Quando o filme se tornou um sucesso, seu desejo de continuar em "A Gata e o Rato" acabou. Nesse meio tempo, por conta de tais desencontros, o produto Glenn Gordon Caron abandonou a produção.

Os roteiristas ainda tentaram salvar o programa introduzindo um novo interesse amoroso para Maddie, criando dessa forma um triângulo amoroso. A repercussão foi negativa e a audiência declinava a cada novo episódio. Com Willis interessado em fazer cinema e Cybill dando prioridade aos filhos, nada restou aos produtores senão dar o espetáculo por encerrado no ano de 1989.


A série teve 39 indicações ao Emmy. Bruce Willis ganhou um Emmy e também um Globo de Ouro como melhor ator. Cybill Shepherd ganhou dois Globos de Ouro. A música tema - Moonlighting Theme - foi indicada ao Grammy em 1988.


Cybill Shepherd parecia ter carreira promissora na TV. Depois de "A Gata e o Rato" estrelou alguns filmes e empreendeu vários outros trabalhos na televisão. Nenhum deles, no entanto, conseguiu destaque maior do que o desta série.


Com Bruce Willis aconteceu o oposto. Muita gente não apostava nele, mas o fato é que o ator virou uma celebridade, estrelando vários filmes de grande importância para o mundo cinematográfico, com grande sucesso de bilheteria.


No Brasil, "A Gata e o Rato" estreou pela Rede Globo na quarta-feira de 08 de Janeiro de 1986, as 21h25. 
No final dos anos 90 migrou para o SBT. Também foi exibida pelo Canal Sony em 2003 e pelo Canal Multishow em 2005.


**A DUBLAGEM DE A GATA E O RATO**


*ATORES/PERSONAGENS/DUBLADORES*

Cybill Shepherd (Maddie Hayes): Sumára Louise

Bruce Willis (David Addison Jr.): Newton da Matta

Allyce Beasley (Agnes Topisco, secretária): 
Maria da Penha

Curtis Armstrong (Herbert Viola): 
Eduardo Borgerth




Na década de 1980, as nossas emissoras de TV ainda necessitavam preencher a sua grade de programação com séries de tv americanas.
Desse período, muito muitas fizeram sucesso no Brasil: Magnum, Dallas, Magyver , Alf, etc. Entretanto, A Gata e o Rato encantou rapidamente aos telespectadores brasileiros.

Além dos roteiros e da química entre Cybill Sheperd e Bruce Willis, não resta dúvida que a dublagem realizada por Sumára Louise e Newton da Matta fizeram mais um capítulo da história da dublagem brasileira.


Após mais de 30 anos passados, esta dublagem é uma referência na extrema qualidade artística de ambos. Esquecemos que os atores falam outra língua e mergulhamos nas brigas, nos amores, nos tons românticos, nos tons de surpresa que fizeram para que esta dublagem seja apaixonante pelos admiradores da boa dublagem brasileira, atualmente bem rara.




A arte na dublagem de A Gata e o Rato não está somente na extraordinária interpretação que ambos imprimiram, sem dúvida, a suas atuações foram muito além do que podíamos esperar para a dublagem de uma série de TV. 

Sob todos os aspectos, a dublagem realizada de A Gata e o Rato é algo que nos encanta, emociona, nos faz rir, ou seja, é aquela obra de arte que ficará para a eternidade, assim como alguns filmes que jamais conseguirão um remake à altura.

Em A Gata e o Rato, os "Deuses da Dublagem" decidiram reunir uma dupla capaz de realizar essa façanha tão maravilhosa. Assim, cada qual com as características marcantes de seu personagem, ainda nos fazem rever e ouvir as nossas vozes brasileiras da série com admiração.

Newton da Matta, infelizmente, já partiu para o "estúdio do céu", um profissional exigente na interpretação como diretor de dublagem e extraordinário para pegar facilmente o "time" de um personagem.




Sumára Louise construiu uma carreira sólida na arte da excelente dublagem e, realmente, tem os nossos mais sinceros aplausos pela dedicação com que nos presenteou com Maddie Hayes.



Enfim, A Gata e o Rato é uma relíquia da dublagem brasileira, a qual dificilmente veremos algo parecido após a década de 1980, devido às atuais condições da qualidade artística predominantes.

Para nós, fãs de uma dublagem com qualidade, resta-nos dizer:

 MUITO OBRIGADO POR TEREM SIDO TÃO BRILHANTES!!




**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE A GATA E O RATO**


**VÍDEO 1**



**VÍDEO 2**



**Marco Antônio dos Santos**

26 de julho de 2017

MEMÓRIA AIC (29): CAVALO DE FERRO


"Cavalo de Ferro" originou-se de um longa para TV chamado "Scalplock", exibido nos Estados Unidos em 10 de Abril de 1966. Nele, um personagem chamado Ben Calhoun ganha, num jogo de poker, uma ferrovia inacabada e abandonada. O elenco deste piloto trazia Dale Robertson na pele de Ben Calhoun e como coadjuvantes alguns nomes conhecidos da época (Diana Hyland, Lloyd Bochner, David Sheiner, Woodrow Parfrey e James Doohan).


A série propriamente dita iniciou exibição - nos Estados Unidos - em 12 de Setembro de 1966. Nessa primeira fase, 30 episódios foram produzidos. Uma segunda temporada foi vista a partir de 16 de Setembro de 1967, mas baixos índices de audiência determinaram seu cancelamento em 06 de Janeiro de 1968, com apenas 17 episódios.

O dia-a-dia de cada trama do programa mostrava Ben Calhoun no empenho de tornar a ferrovia um negócio lucrativo. Para tanto, ele precisava em primeiro lugar tentar finalizá-la. Mas tinha contra si sua falta de conhecimento para com o negócio, pouco dinheiro, ataques indígenas, assaltantes e banqueiros desonestos que buscavam obter o controle do empreendimento.


*Dale Robertson*


Produzida pela Screen Gems, as filmagens do programa ocorreram na histórica Sierra Railroad, nos arredores de Jamestown e Sonora (Califórnia).

A crítica americana ainda hoje é um tanto quanto severa ao mencionar a série. 
          "Cavalo de Ferro" tinha um bom elenco. Dale Robertson até conseguia se destacar, mas tinha contra si as limitações dos roteiros que lhe foram impostos.
 Gary Collins e Ellen Burstyn eram reconhecidamente bons, tanto que ganharam papeis melhores em anos posterior a série.

*Gary Collins*

**A SÉRIE NO BRASIL**


No Brasil, "Cavalo de Ferro" estreou na programação inaugural da TV Bandeirantes Canal 13 de SP, em Maio de 1967. Entrava às terças-feiras, 21h30, logo após a série "Ratos do Deserto".
 Consta que a TV Record  reapresentou a série no final dos anos 70 e início dos 80 (onde foi exibida pela primeira vez a cores em território brasileiro).

Cavalo de Ferro retornaria em 1990, pela TV Gazeta de São Paulo, às quartas-feiras, às 17h, exibindo somente a 1ª temporada.
 Foi a sua última exibição na tv brasileira.




**A DUBLAGEM DA AIC**

A dublagem desta série foi paralela a 1ª temporada de Perdidos no Espaço (início de 1967) e contou com os dois dubladores que estavam com grande destaque naquele momento: Astrogildo Filho e Ary de Toledo. 

Além da escalação do jovem Osmar Prado, há o elenco de excelentes dubladores da época e o jovem estreante na dublagem Hugo de Aquino Júnior que iniciou na AIC no ano de 1966, como pode ser ouvido dublando um convidado especial no episódio abaixo.

Apesar dos problemas da série nos Estados Unidos, a Screen Gems solicitou uma dublagem exemplar com o objetivo de que a série conseguisse obter audiência melhor no Brasil. Entretanto, mesmo a AIC utilizando o seu melhor elenco de vozes, com uma qualidade ímpar, Cavalo de Ferro passou despercebido entre nós.
Apesar disso, a série é uma magnífico exemplo do período áureo do estúdio.


**PERSONAGENS FIXOS / DUBLADORES**

*Dale Robertson (Ben): Astrogildo Filho.
*Garry Collins (Davi): Ary de Toledo.
*Bob Random (Bárnabas): Osmar Prado.
*Narração da abertura: Antonio Celso.

*VAMOS REVER UM EPISÓDIO DE CAVALO DE FERRO*


**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Marco Antônio dos Santos*