26 de maio de 2014

CLÁSSICOS H.B. / AIC (03): O SHOW DO DOM PIXOTE



A ideia de Huckleberry Hound Show surgiu logo depois de 1944 quando os diretores do departamento de animação da Metro Goldwyn Mayer, William Hanna e Joseph Barbera fundaram um companhia chamada H-B Entreprises, que se dedicava a produção de comerciais para a televisão.

Alguns anos depois, em 1957, a MGM resolveu fechar o seu estúdio de animação, deste modo William e Joseph converteram a H-B Enterprises e a transformaram na Hanna-Barbera Productions, uma produtora de animação dirigida para a televisão.

No início Hanna e Barbera sentiram muita dificuldade pois o tempo exigido para uma produção televisiva era bem mais curta e necessitava a geração de um novo episódio a cada semana, muito diferente da produção cinematográfica que ocupavam vários meses para sua confecção.



Em vista disso, Hanna e Barbera idealizaram um sistema de redução de tempo, partindo do pressuposto da reutilização de materiais, o que possibilitava a aparição de uma multiplicidade de personagens e com custo bem mais reduzido do que a média realizada pelos outros clássicos da época.

Através do uso dessa técnica criaram o seus primeiros personagens televisivos que foi apresentada em 1957, convertendo-se na segunda série animada especialmente feita para a televisão e o primeiro a cores. Este desenho animado era apresentado dentro de um dos segmentos de Jambo e Ruivão, que foi apresentado de 1957 a 1960, depois de 1962 até 1964, pela rede NBC.

Um ano depois foi lançada o segundo desenho do estúdio Hanna-Barbera como o nome de Huckleberry Hound Show (O Show do Dom Pixote), pelo qual os produtores puderam criar novos personagens, que por sua vez deram lugar a novas séries. O nome Huckleberry fazia referência a obra "The Adventures of Huckleberry Finn" criado por Mark Twain.



O programa era composto, além das aventuras de Dom Pixote (Huckleberry Hound), por outros segmentos como o de Zé Colmeia e Catatau (Yogi Bear and Boo Boo), Plic e Ploc (Pixie and Dixie), dois ratos que estavam sempre incomodando o gato Chuvisco (Mr. Jinks). Pouco tempo depois Zé Colmeia obteve seu próprio programa em 1961 e o seu segmento foi substituído por Joca & Dingue-Lingue (Hokey Wolf & Ding-a-Ling).
A série "O Show do Dom Pixote" foi encerrada em 24 de abril de 1962, depois de quatro temporadas de grande sucesso.


**A DUBLAGEM DA AIC**


Dom Pixote foi mais uma extraordinária criação vocal de Older Cazarré, que deu uma identidade bem mais brasileira ao personagem. Além de dublá-lo, também dirigiu todos os desenhos que compunham O Show do Dom Pixote.

O personagem , muitas vezes, canta: "Ó querida, ó querida,  ó querida Clementina...", e Older Cazarré imortalizou essa canção com a personalidade de Dom Pixote.
Um trabalho fantástico, o qual infelizmente teve quase 90% dos episódios perderam a dublagem original da AIC.


Houve uma redublagem desses episódios e, quando o desenho foi exibido pelas tvs a cabo: Cartoon, Boomerang e Tooncast, pouquíssimos episódios ainda apresentam a dublagem de Older Cazarré.
O curioso é que os demais desenhos do Show do Dom Pixote não perderam a dublagem de tantos episódios.


**VAMOS REVER DOM PIXOTE COM A DUBLAGEM DE OLDER CAZARRÉ**
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**PLIC, PLOC E CHUVISCO**


Pixie and Dixie & Mr. Jinks era um desenho animado que narrava as aventuras de dois ratinhos, um chamado de Pixie e o outro de Dixie que gostavam geralmente de acabar com o sossego de um gato chamado Mr. Jinks. Os dois ratinhos ficaram conhecidos no Brasil como Plic e Ploc e o gato com o nome de Chuvisco.

A série foi criada e produzida pela Hanna-Barbera Productions e apareceu pela primeira vez dentro de "O Show do Dom Pixote", a partir de outubro de 1958, como um segmento secundário, juntamente com outro segmento de Zé Colmeia, onde o segmento principal tinha como astro o personagem conhecido por aqui como Dom Pixote.

Plic e Ploc era quase que uma cópia de Tom & Jerry, que também foram criados por Hanna-Barbera quando eles eram diretores do departamento de animações da MGM. Eles tinham estaturas quase idênticas e suas aventuras tinham o mesmo contexto de Tom & Jerry, mas com significativas variações, tais como falar com um acento cubano e mexicano respectivamente e o gato Chuvisco exibia um ar bem jovial e simpático.


Outra diferença bem marcante era que Plic e Ploc formavam um par de ratinhos, enquanto que no outro era apenas um, além disso em alguns episódios os ratos se mostravam no mínimo perversos com o pobre gato, mas suas ações tinham pouca violência e se concentravam mais em seus divertidos diálogos. Um famoso bordão ficou bastante conhecido na época "Eu odeio esses ratos!", além das risadas de Chuvisco.

Plic, Ploc e Chuvisco permaneceram dentro de O Show do Dom Pixote durante todas as temporadas da série. Ao todo foram 57 episódios em quatro temporadas.

Em 1961 os personagens apareceram em Little Golden Book, numa revista que comercializava produtos habituais da marca Hanna-Barbera como brinquedos, bonecas, roupas, etc., é claro que eles não eram as estrelas principais, mas tiveram o mesmo tratamento que Dom Pixote e Zé Colmeia.


**A DUBLAGEM DA AIC**


Como diretor de dublagem, Older Cazarré escalou dubladores com uma enorme facilidade para dublar desenhos e criar falsetes. Ele próprio dublou o ratinho Plic, mais um outro falsete, o qual viria repetí-lo para dublar o ratinho Chumbinho no desenho "Bacamarte e Chumbinho".

Já para o ratinho Ploc foi escalado Gastão Renné que possuía uma facilidade para diferentes personagens animados. Em alguns episódios, o próprio Gastão Renné dubla um outro personagem que surge: um outro gato ou cão, um pássaro, etc.



Para o gato Chuvisco fora escolhido acertadamente Magno Marino que conseguia dar as risadas escancaradas do personagem.

Magno Marino demonstra toda sua genialidade em dublar desenhos, pois também fazia o urso Catatau, amigo de Zé Colmeia, e diversos personagens em vários desenhos da época, como bandidos, chefões, etc.

Nunca conseguimos encontrar o motivo de Magno Marino ter se afastado da dublagem de Chuvisco nos episódios finais, sendo substituído por Arakén Saldanha. Há uma versão, não oficial, de que ele assumira uma outra atividade artística na época, provavelmente, na extinta TV Paulista.

Seja como for, esses quatro dubladores fizeram um trabalho que orgulha a história, não só da AIC, mas da Dublagem.


**VAMOS REVER PLIC, PLOC E CHUVISCO**


**VÍDEO 1: Gastão Renné dubla também o gatinho /
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**VÍDEO 2: Gastão Renné dubla também o mordomo /

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**JOCA E DINGUE-LINGUE**



Joca e Dingue-Lingue era um desenho animado de duas raposas fictícias criadas pela Hanna-Barbera Productions e apareceram pela primeira vez dentro do programa "O Show do Dom Pixote", entre dezembro de 1960 a outubro de 1961 e mostrava as investidas espertas que Joca vivia aplicando para conseguir sua comida.

Este segmento foi criado para substituir Zé Colmeia, o qual devido ao sucesso ganhou o se próprio "show".

 Joca não se limitava somente em enganar, mas também conspirar para conseguir seu intento e tinha a sorte de não ter nenhum guarda-florestal em seu calcanhar, mas assim mesmo geralmente acabava se dando mal.




 Joca e Dingue-Lingue tinham diferentes pontos de vista sobre o mesmo assunto, mas mesmo assim eram muito amigos e companheiros. Dingue-Lingue tentava sempre o alertar para certas coisas, uma espécie de "grilo falante", mas era sempre em vão, uma vez que Joca julgava-se sempre certo, mesmo dando as coisas erradas para ele.


**A DUBLAGEM DA AIC**


Older Cazarré, mais uma vez, teve a mão artística e escalou Francisco Borges para a dublagem de Joca. Na mesma época, este dublava o Leão da Montanha.
Joca necessitava de uma voz forte e sonora, porém sem as entonações que o Leão da Montanha tinha como marca registrada.
Francisco Borges deu um "ar de classe" ao personagem, mesmo que este vivesse sem trabalhar e pegar comida de alguma forma fácil.
Mais uma excelente perfomace do nosso querido Chico !!




Já o personagem Dingue-Lingue, possuía uma voz anasalada e surge outro especialista em desenhos para dublá-lo: Waldir de Oliveira, porém em virtude do seu tranbalho em Os Flintstones e Os Jetsons, muitas vezes fora substituído por Wilson Ribeiro, o qual também foi tão perfeito que muitos fãs nem percebem a diferença.


**VAMOS REVER JOCA E DINGUE-LINGUE**


*VÍDEO 1: A bruxa é dublada por Márcia Real /
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*VÍDEO 2: A Raposa Malvada é dublada por Older Cazarré /

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Exibido por diversas emissoras de tv, durante muitos anos fez a alegria da garotada com seus roteiros ingênuos e inteligentes.
Depois do evento da tv a cabo no Brasil, os segmentos foram desmembrados e exibidos isoladamente no Cartoon Network, Boomerang e Tooncast.

Infelizmente, a maioria dos episódios de Dom Pixote perdeu a dublagem original e foi inevitável a sua redublagem.

A dublagem da AIC, destes curtos desenhos, marcou época, praticamente duas gerações e só podemos agradecer a todo o elenco que deu a alma brasileira e, principalmente, a Older Cazarré, o grande "maestro" das dublagens de desenhos realizadas pela AIC.


**Marco Antônio dos Santos**

15 de maio de 2014

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (01): "QUO VADIS"



**INTRODUÇÃO: Inauguramos a categoria "Relíquias da Dublagem".
Um espaço dentro deste blog para as excelentes dublagens realizadas por outros estúdios, as quais ficaram esquecidas ou perdidas.
 Iniciamos com a dublagem do filme Quo Vadis, realizada pelo estúdio TV Cinesom /RJ, a qual já desapareceu completamente, tendo havido uma redublagem.


Baseado num livro do final do século XIX do escritor Henryk Sienkiewicz, e roteirizado por S.N. Behrman, Sonya Levien e John Lee Mahin, “Quo Vadis” é um dos grandes épicos produzidos pela MGM em 1951. Realizado pelo cineasta Mervyn LeRoy, além do melodrama envolvendo o oficial comandante Marcus Vinícius e a jovem Lygia, filha adotiva de um general aposentado, o filme nos fala dos últimos dias de Simão Pedro, das Catacumbas, da matança de cristãos no Coliseu e do incêndio de Roma pelo Imperador Nero. Na área técnica, merecem ainda ser destacadas a belíssima trilha sonora de Miklós Rózsa e a fotografia de Robert Surtees e William V. Skall, ambas indicadas ao Oscar.

No elenco principal, Robert Taylor e Deborah Kerr. Já entre os coadjuvantes, destacam-se as atuações de Peter Ustinov e Leo Genn, respectivamente nos papeis de Nero e Petrônius. Ambos tiveram seus nomes indicados ao Oscar e
 o ótimo trabalho apresentado por Finlay Currie no papel de Simão Pedro.



**O ENREDO**

**Robert Taylor e Deborah Kerr**

No ano 64, o oficial comandante Marcus Vinícius retorna a Roma depois de três anos no exterior empreendendo batalhas para o Imperador Nero, um tirano que acreditava ser uma divindade. Petrônius, o mais confiável conselheiro do imperador, informa a seu sobrinho Vinícius que Nero havia recentemente assassinado sua mulher e sua mãe e se casado com uma escrava, Pompea, fazendo com que o Senado fizesse planos para substituí-lo pelo General Galba.

Ao visitar o General Plautius, Vinicius flerta com uma mulher que ele supõe tratar-se de uma escrava, mas logo descobre que se trata de Lygia, filha de Plautius, que repele seus avanços. Durante o jantar, quando Vinícius fala da derrota dos inimigos de Roma, Lygia expressa sua aversão às brutalidades da guerra. Plautius explica que Lygia era uma princesa feita escrava quando de uma campanha militar contra o povo dela. Na ocasião, ele e sua mulher, Pomponia, a adotaram numa tentativa de amenizarem seu sofrimento. Mais tarde, quando Paulo, um amigo da família, filosofa sobre a Paz, Vinicius insiste que Lygia é encantadora demais para estar se aborrecendo com tais ensinamentos, e se retira. Paulo, então, diz à família que o apóstolo Pedro, que falou com o Salvador, Jesus Cristo, antes de sua morte, deverá chegar a Roma em breve.





Durante a parada militar do dia seguinte, Petrônius sugere a Nero que ele compre uma escrava para Vinícius em sinal de sua gratidão. O Imperador ordena que Lygia seja dada a Vinícius. À noite, quando este procura interessar Lygia nas festividades, a conivente e ciumenta Pompea observa os dois. Depois que Nero, arrogantemente, canta e toca sua lira, Petrônius sugere-lhe que melhore seus versos de modo a refletirem seu ‘verdadeiro gênio’. O Imperador afirma, então, que pode incendiar a cidade para inspirá-lo a criar uma grande epopeia.

Mais tarde, quando Lygia está sendo conduzida ao quartel de Vinícius, seu guarda, o gigante Ursus, ataca os acompanhantes, permitindo que ela fuja. No dia seguinte, quando Vinícius procura Petrônius para ajudá-lo a localizar Lygia, ele revela que Paulo visita com frequência a casa de Plautius e explica que Lygia, como Paulo, é uma cristã, que adora Cristo, um adversário do Estado que, embora crucificado, continua a interessar politicamente a Nero e ao Senado. Petrônius envia seu amigo até Chilo, um homem que prevê o futuro, e que leva Vinícius a um rito cristão em uma caverna naquela noite.




Durante a cerimônia, Pedro descreve seu primeiro encontro com Jesus na Galileia, onde o Salvador encheu milagrosamente suas redes de peixes. Pedro continua falando de como ele e outros onze apóstolos seguiram Jesus, que foi crucificado no Calvário. Depois da reunião, Vinícius e seu guarda Croton seguem Lygia, mas Ursus mata Croton e fere Vinícius, a fim de proteger a jovem. Em seguida, ele carrega Vinícius até um esconderijo, onde Lygia cuida de seus ferimentos. Vinícius pede-lhe em casamento e promete encher sua casa com grandes esculturas que celebrem o Deus dela, mas a jovem lhe diz que não precisa de gestos caros porque ela carrega a imagem de Cristo em seu coração. Tomado de ciúmes, Vinícius pede que ela escolha entre sua fé e ele. Quando ela escolhe Cristo, ele parte para Antioch, onde Pompea, tendo conhecimento do ocorrido, tenta seduzí-lo.

Enquanto isso, Nero se reúne com seu Conselho e anuncia que matou sua mãe e sua antiga mulher para experimentar um grande sacrifício e ter inspiração para a sua “nova visão criativa”. Ele então descobre um modelo arquitetônico de uma cidade chamada “Nerópolis”, que deverá substituir Roma. Quando Petrônius lhe pergunta sobre o futuro de Roma, Nero anuncia que a incendiou.

Temendo pela vida de Lygia, Vinícius rouba uma biga e vai até Roma, onde a encontra em chamas. Ao seguir uma multidão, ele a vê. Guardas petronianos, seguindo ordens de Nero, bloqueiam as saídas da cidade, mas Vinícius mata o oficial comandante e ordena que as tropas abram os caminhos, livrando milhares de pessoas de morte iminente. Pouco depois, uma multidão chega ao Palácio de Antioch disposta a matar Nero por seu ato incendiário. Nero ordena que Tigellinus assuma a culpa, mas o oficial ameaça colocar suas legiões contra o Imperador. Quando Pompea sugere que ele sacrifique os cristãos, ele concorda, mas Petrônius adverte que, assim fazendo, os cristãos serão vistos como mártires.



**Leo Genn (Petrônius) dublado por Araken Saldanha** 


Na manhã seguinte, quando Petrônius assina uma petição que lhe foi apresentada por Vinícius, solicitando a substituição de Nero pelo General Galba, ele adverte o sobrinho de que Pompea emitiu um mandado de prisão contra ele e que os cristãos estão sendo procurados e aprisionados. Vinícius procura Lygia pelas prisões e termina sendo jogado numa cela com ela e os pais dela. Sabendo que em breve estarão sendo lançados aos leões, os prisioneiros cristãos perguntam por que Deus os abandonou. Plautius e Pomponia os encorajam a terem fé em Deus.

Enquanto isso, viajando em direção à Grécia, Pedro testemunha o céu se enchendo de luz e Deus, falando através de seu acompanhante, o jovem órfão Nazarius, anuncia: “Meu povo em Roma precisa de ti”. Assim, Pedro volta imediatamente para Roma. À noite, Petrônius leva um jantar para seus amigos e anuncia que está libertando seus escravos, inclusive Eunice, a quem ele devotara seu amor. Em seguida, acreditando que uma vida melhor o espera após a morte, Petrônius pede a um de seus servos que lhe traga o veneno. Eunice, desesperada com o ato de seu amado, também corta seu pulso.

Enquanto os dois agonizam, Petrônius dita uma carta para Nero, na qual implora a seu líder que não mutile as artes, com suas atitudes medíocres, e o repreende por brutalizar o povo. Quando a carta é entregue, Nero fica irritado com as palavras de seu conselheiro. Mais tarde, na arena de Roma, o Imperador e Popea aguardam o primeiro sacrifício de cristãos, quando Pedro entra e fala sobre a fidelidade com que eles são abençoados para morrerem em nome de Cristo. Suas palavras incitam as vítimas a cantarem sem medo, enquanto os leões os atacam, deixando Nero enfurecido. Naquela noite em uma cela, Lygia pede a Pedro que faça seu casamento com Vinicius, o qual está começando a entender sua fé. Pouco depois, Pedro é crucificado com Plautius, que acusou publicamente Nero por ter incendiado a cidade.


**Pompea (Patricia Laffan) dublada por Ilka Pinheiro**

No dia seguinte, ao ver Ursus tentar proteger Lygia de uma fera, Vinicius implora a Cristo que ajude Ursus. Este, investido de uma força incomum, luta contra o animal e o mata. Quando a multidão pede que Lygia e Ursus sejam poupados, Vinicius anuncia ao público que em breve o General Galba estará tomando posse como o novo Imperador de Roma. Nero foge da arena e vai para o palácio, o qual se acha cercado por multidões enfurecidas.

Acusando Pompea de tê-lo encorajado a fazer mártires cristãos, causando sua queda, ele a mata e se tranca em seu quarto. A escrava Acte o espera e, entregando-lhe um punhal, pede-lhe que se mate como um imperador. Covarde até o fim, Nero pede à escrava que o ajude a cravar o punhal em seu peito.

Nos dias seguintes, enquanto o General Galba marcha com suas tropas rumo à Roma, Vinícius admite que todas as dinastias estão fadadas ao fracasso, e observa que a esperança reside na fé que unirá os povos. Pouco depois, já na estrada, Nazarius mostra à Lygia, Vinícius e Ursus o local abençoado onde, por seu intermédio, Deus havia falado a Pedro.







**A DUBLAGEM DA TV CINESOM**







**PERSONAGENS / ATORES PRINCIPAIS / DUBLADORES**

*Narrador (Walter Pidgeon): Milton Rangel.

*Marcus Vinicius (Robert Taylor): 

Henrique Martins.


*Fábius Nerva (Norman Wooland): Ary de Toledo.

*Capitão Flávius, da guarda pretoriana (Roberto Ottaviano): Emerson Camargo.

*Lygia (Deborah Kerr): Gessy Fonseca.

*Petrônius (Leo Genn): Araken Saldanha.

*Nero (Peter Ustinov): Amaury Costa.

*Pompea (Patricia Laffan): Ilka Pinheiro.

*Pedro (Finlay Currie): Alceu Silveira.

*Paulo de Tarso (Abraham Sofaer):
 Paulo Pinheiro.

*Eunice (Marina Berti): Magda Medeiros.

*Ursus (Buddy Baer): José Valuzzi.

*Plautius (Felix Aylmer): Luiz Orioni.

*Sra. Pomponia (Nora Swinburne): Elza Martins.

*Tigellinus (Ralph Truman): ????

*Nazárius (Peter Miles): Henrique Ogalla.

*Miriam, mãe de Nazárius (Elspeth March): ???

*Sêneca (Nicholas Hannen): Roberto Mendes.

*Phaon (D.a. Clarke-Smith): 
Luiz Carlos de Moraes.

*Acte (Rosalie Crutchley): ???

*Chilo (John Ruddock): Magno Marino.

*Cróton (Arthur Walge): ???

*Anaxander (William Tubbs): Waldir Fiori.

*Terpnos, o tocador de lira (Geoffrey Dunn): Carlos Leão.

*Lucano (Alfredo Varelli): ???

*Sacerdotisa Rúfia (Strelsa Brown): 
Ângela Bonatti.
 

Este grande épico do Cinema, conforme nos relatou a dubladora Gessy Fonseca, foi talvez a 1ª dublagem do estúdio TV Cinesom após Hélio Porto ter assumido a direção artística em fins de 1967.
"O Hélio queria estrear com um filme de renome e com um grande elenco para a dublagem, a fim de registrar os novos rumos do estúdio".

A dublagem, realizada no início de 1968, traz um elenco de vozes notável. Naquela época, Hélio Porto convidou alguns dubladores da AIC para integrarem o estúdio  TV Cinesom.
Alguns se transferiram para o Rio de Janeiro como: Magno Marino, Araken Saldanha, Amaury Costa, Alceu Silveira, Henrique Ogalla e Gessy Fonseca (sua esposa na época).

Com sua experiência em direção de dublagem, convidou ex-dubladores da AIC, os quais já estavam residindo no Rio de Janeiro como Roberto Mendes, Elza Martins, Luiz Orioni e, para o personagem principal, o já conhecido ator Henrique Martins.

Henrique Martins fizera dublagem na AIC por cerca de 3 anos, mas sua fama chegou como protagonista da novela "O Sheik de Agadir", uma das primeiras novelas produzidas pela Rede Globo, em 1966.
A escolha foi perfeita para a dublagem do personagem Marcus Vinícius, pois Henrique Martins o dublou com extrema qualidade e competência.



**Peter Ustinov (Nero) dublado por Amaury Costa**


Amaury Costa dublou o Imperador Nero de forma magistral, inclusive cantando em determinados momentos. Sua interpretação acompanhou a do ator Peter Ustinov que beirava entre a insanidade com tirania de um homem totalmente egocêntrico.


Destacamos também a dublagem de Alceu Silveira para Simão Pedro, embora tenha sido em um período breve do filme, mas de forma magnífica ao dizer o "Sermão da Montanha".

Neste filme, há a união desses dubladores que participaram da AIC com dubladores que já eram excelentes profissionais no Rio de Janeiro, como Paulo Pinheiro, Waldir Fiori e Ilka Pinheiro.

Uma dublagem excelente, a qual o tempo foi a deteriorando tecnicamente, ficando com chiados e o áudio baixo.




**A REDUBLAGEM** 

Com o decorrer dos anos, a dublagem magnética, ainda inserida em película, foi se deteriorando e não acompanhou o avanço da tecnologia, uma vez que a distribuidora Warner não se preocupou em recuperá-la.

Assim, em 1985/86, Quo Vadis foi redublado pelo extinto estúdio Telecine.
Uma redublagem extremamente bem realizada que contou com profissionais excelentes como Neida Rodrigues, Miguel Rosenberg, Sílvio Navas, Míriam Fisher, Ênio Santos, Orlando Drummond e muitos outros.

Consta que as duas dublagens co-existiram por um período curto, pois a última vez que a dublagem original foi exibida teria sido no dia de Natal de 1987 pela Rede Globo durante a madrugada.

Mesmo a redublagem tendo ficado à altura deste grande épico, lamentamos a perda da sua dublagem original, visto que todo um trabalho de Arte foi desprezado totalmente.





**VAMOS REVER ALGUNS TRECHOS DA DUBLAGEM DA TV CINESOM**


**Vídeo 1: A abertura e a narração de Milton Rangel /
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**Vídeo 2: Gessy Fonseca e Henrique Martins /
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**Vídeo 3: Alceu Silveira e o "Sermão da Montanha" /
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**Vídeo 4: Nero e o incêndio de Roma /
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**UM EXCELENTE TRABALHO: UMA RELÍQUIA DA NOSSA DUBLAGEM !!!


**COLABORAÇÃO TÉCNICA: Joseph Charles Gonçalves Alves**


**Marco Antônio dos Santos**