10 de agosto de 2014

JAMES WEST E A AIC



Armado de um assistente e residindo dentro de um trem - dotado de uma locomotiva e quatro vagões cheios de truques - "James West" estreou nos Estados Unidos em 17 de Setembro de 1965.

Quando o heroi surgiu foi um choque: um cowboy de calça justa e sapato com salto falso, que escondia badulaques explosivos. A abordagem era a mesma de James Bond, só que num oeste cheio de mistério e aventura. Seu parceiro era um cavalheiro por excelência.
 Artemus Gordon era uma espécie de Dr. Watson de um Sherlock Holmes galã, que tinha um andar de quem caminhava com botas apertadas. O charme da série foi logo identificado pelo grande público, colocando-a entre as 20 mais vistas na temporada 1965/66 com uma média de 22 pontos na audiência (nenhuma das três temporadas posteriores atingiu novamente essa marca).

O título de cada episódio possuía o termo "The Night" (assim como em "O Agente da UNCLE" cada título possuía o termo "The ... Affair"). E antes de cada comercial a cena era congelada, se transformando num storyboard. E o que mais impressiona até hoje foi a audácia dos produtores em misturar engenhocas mecânicas num tempo em que aquilo não existia.




A exemplo de outras produções em início de carreira cujo sucesso era incerto, "James West" foi produzido inicialmente em preto e branco. O processo de cor era ainda muito caro para a época e só poderia ser utilizado em produções com resultado financeiro garantido. Por isso, os 28 primeiros episódios que compõem a primeira temporada foram filmados nesse formato.

O segundo ano da série estreou em setembro de 1966. O lamentável é que um mês antes da estreia dessa temporada, o produtor Michael Garrison faleceu ao cair do alto de uma escada em sua própria residência. A morte dele quase tirou o programa do ar, mas Bruce Lansbury insistiu na continuidade. Embora o episódio "The Night of The Golden Cobra" (A Cobra Dourada) tenha sido o primeiro a ser filmado em cores, o episódio de abertura da temporada foi "The Night of The Exccentrics" ("A Noite dos Excêntricos").

 Foi também a partir desta temporada que o ator Robert Conrad formou um time fixo de dublês, sob sua liderança. O episódio "The Night of the Vicious Valentine" ("A Perversa Valentina") - exibido em 10 de fevereiro de 1967 - rendeu a atriz Agnes Moorehead um prêmio Emmy. Agnes também participava da série de TV "A Feiticeira" (Bewitched – 1964/72), onde vivia a personagem Endora. Alguns episódios dessa temporada chegam a ser fantásticos, misturando também ficção, como volta no tempo, transporte feitos através de quadros e até discos voadores!





Para quem aprecia muita ação, a terceira temporada talvez seja a melhor das quatro. Há quem diga que é a melhor da fase colorida. Alguns episódios valem exclusivamente por isso e pela trilha musical, bastante acelerada e criativa. A estreia ocorreu em setembro de 1967. Robert Conrad e sua equipe de dublês chegaram a transformar um dos estúdios num ginásio com equipamentos de boxe. O ator gostava de fazer suas próprias cenas perigosas. O problema é que vez por outra alguém se machucava e a constante presença de uma ambulância na porta dos estúdios começou a preocupar os executivos de produção.

A quarta temporada da série estreou em setembro de 1968. Os problemas verificados nesta etapa superaram os anteriores. Durante as filmagens de "The Night of Araricous Actuary", Ross Martin quebrou a perna numa seqüência de duelo, sendo substituído por um dublê. Como consequência, Martin só pode ser filmado da cintura para cima nos três episódios seguintes. Durante as filmagens de "The Night of Fire and Brinstone" ("Fogo e Enxofre"), Martin passou mal e sofreu um ataque cardíaco que quase o matou. Os médicos chegaram a afirmar que ele não voltaria para o programa, já que tomava café em excesso e fumava quatro maços de cigarro por dia. O ator foi substituído por “parceiros convidados”.

Ao contrário do que muitos possam pensar, "James West" não acabou por problemas de queda na audiência. Em verdade, o governo americano estava iniciando uma campanha contra a violência na televisão e a série foi a bola da vez. Os assassinatos de Robert Kennedy e do líder negro Martin Luther King eram os ícones desse movimento. A ordem era diminuir cenas de luta, não utilizar instrumentos cortantes, não quebrar cadeiras nas costas de ninguém e usar revólver só em último caso, evitando–se ao máximo matar quem quer que fosse.




Com cenas perigosas feitas na base da coreografia, "James West" aos poucos começou a perder sua principal característica. Para piorar ainda mais esse quadro, Robert Conrad machucou seriamente o joelho durante uma sequência de luta no episódio "The Night of The Cossacks" ("Os Cossacos"), saindo do estúdio diretamente para o hospital, levado por uma ambulância. Após esse acontecimento e com toda a campanha feita pelo governo americano a Rede CBS decidiu cancelar o programa, que exibiu seu último episódio em no dia 11 de Abril de 1969.

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Os Vilões


Ao longo de sua carreira televisiva, James West enfrentou vários vilões. Mas dois deles marcaram época. O Conde Manzeppi – vivido pelo ator Victor Buono – e o Dr. Miguelito Loveless – vivido pelo ator anão Michael Dunn.

Buono atuou no episódio de estreia, vivendo um outro papel. Apareceu como o Conde Manzeppi em apenas dois episódios da segunda temporada. Era mágico, fazia de West e Gordon gato e sapato e fugia no final, abrindo assim precedente para uma nova aventura. Os exemplares em que atua são fantásticos e apresentam situações mais do que improváveis.


**Dr. Miguelito e James West**


O Dr. Miguelito Loveless é um caso à parte. Ele foi para James West o que o Prof. Moriarty foi para Sherlock Holmes. West nunca o pegou. O projeto de Loveless era sempre o de exterminar todos os homens do mundo que tivessem uma estatura maior que a dele. Sempre acompanhado por uma bela mulher, Miguelito respeitava West e este retribuía na mesma sintonia. Loveless foi tão marcante que apareceu em 10 dos 104 episódios que compõem a série.



**James West no Brasil**


A série estreou no Brasil em 05 de Abril de 1967, uma quarta-feira, as 22h, através da TV Excelsior Canal 9 de S. Paulo. A emissora na ocasião anunciava na imprensa que não iria reprisar um único episódio.

A receptividade, no entanto, não foi muito grande, já que o público da Excelsior estranhou um pouco a mescla de gêneros espionagem X faroeste.


 Em Janeiro de 1968 "James West" já estava na TV Tupi - emissora que exibiu a segunda temporada - mas só começou a ser notada de verdade a partir de 1970 quando a TV Bandeirantes começou a exibir o programa quase que diariamente  às 19h30.


 Naquela altura, a Bandeirantes havia adquirido o terceiro ano da série e o exibia em meio às reprises dos episódios que compunham a primeira e segunda temporadas. Vale dizer que até aí, todas as películas enviadas para o Brasil eram fornecidas em preto e branco, pelo fato do Brasil não possuir transmissões coloridas.




Em 1974, a mesma TV Bandeirantes adquiriu o lote de episódios da quarta e última temporada, exibindo-os todos os sábados, as 21h. O mesmo foi adquirido a cores pelo fato do Brasil já estar efetuando esse tipo de transmissão desde 1972. A mesma Bandeirantes providenciou, a seguir, os lotes coloridos do segundo e terceiro ano e começou a exibí-los  juntamente com os do quarto ano - de segunda à sábado, as 20h.

Foi nessa ocasião que praticamente todas as aberturas da segunda e terceira temporada foram refeitas pela Herbert Richers, mostrando o título original da série (até então era mostrado o título em português). Um detalhe que poucos conhecem é que o episódio "The Night of The Bogus Bandits" - "Os Falsos Bandidos" (último do segundo ano) fora totalmente redublado na ocasião pela Herbert Richers. No formato original de áudio e apresentação, foram mantidos apenas os episódios da primeira fase (em preto e branco), que na ocasião não foram merecedores de reprise.

Em 1978, "James West" voltou a ser apresentado com regularidade pela TV Bandeirantes, de segunda à sábado, às 19h30, com uma vantagem: os episódios coloridos da segunda, terceira e quarta temporadas, eram exibidos de segunda à sexta-feira e os episódios em preto e branco, da fase inicial, passavam aos sábados. E esta foi a última vez que o público brasileiro teve a oportunidade de assistir a esses primeiros episódios na TV aberta.

Na década de 1980 (mais precisamente em 1985/86) "James West" foi parar na TV Record, integrando o time de séries que eram apresentadas na famosa "Sessão Bang-Bang" (que exibia também "Bonanza", "Laramie", "Laredo" e "Chaparral"). Os episódios apresentados foram os coloridos da segunda, terceira e quarta temporadas.



**A Dublagem**


Os episódios em preto e branco da primeira temporada de "James West" foram dublados pela AIC. A 1ª temporada teve 28 episódios, mas o episódio nº 30  (A Cobra Dourada) veio junto no lote. Como, na época, não havia tv a cores no Brasil, nada foi percebido.

 Os estúdios responsáveis pela dublagem das três temporadas restantes foram, respectivamente, a TV Cinesom, a Dublasom Guanabara e a Herbert Richers, com alguma confusão na transição da segunda para a terceira e da terceira para a quarta temporada.


**1ª temporada dublada pela AIC**


 A explicação: toda a segunda temporada foi dublada pela TV Cinesom do Rio de Janeiro, mas notamos que alguns episódios do início da terceira temporada também foram dublados pela mesmo estúdio (como é o caso de "The Night of the Firebrand" - "A Marca de Fogo").


 O mesmo ocorre com a terceira temporada, que teve como estúdio de dublagem, a Dublasom Guanabara. Essa empresa responde também pela dublagem de alguns episódios do início da quarta temporada (como é o caso de "The Night of The Fugitives" - "Os Fugitivos").

 Acredita-se que isso deva ter ocorrido face o critério de distribuição de episódios adotada para o Brasil.

É curioso observar que na dublagem brasileira foi abolido o termo "The Night..." (A Noite...), que consta em todos os episódios da série. O mesmo fora aproveitado em raros episódios.



**Resumindo**


1 O episódio "A Cobra Dourada" (nº 30, do segundo ano, tem dublagem da AIC (estúdio que dublou a primeira temporada), pois este episódio já veio com a 1ª temporada.



2) O episódio "A Marca de Fogo" do terceiro ano, tem dublagem da TV Cinesom RJ (estúdio que dublou a segunda temporada).



3) O episódio "Os Fugitivos", do quarto ano, tem dublagem da Dublasom Guanabara (estúdio que dublou a terceira temporada).



4) Quando a série foi dublada pelo estúdio Herbert Richers houve uma uniformização na narração da abertura das temporadas coloridas.

Acredita-se que isso deva ter ocorrido face o critério de distribuição de episódios adotada para o Brasil.

É curioso observar que na dublagem brasileira foi abolido o termo "The Night..." (A Noite...), que consta em todos os episódios da série. O mesmo fora aproveitado em raros episódios, como no caso de "A Noite dos Excêntricos" e "A Noite de Diva".

A série chegou ao Brasil sendo distribuída pela CBS Filmes do Brasil (depois Viacom e agora Network).






  A dublagem das 4 temporadas ainda existe, porém com problemas que precisariam de recuperação (chiados, sons distorcidos e incubados). A Paramount não sinaliza lançamento em DVD no Brasil, tampouco recuperar a dublagem. Caso uma emissora queira transmitir, provavelmente, não conseguirá exibir os 104 episódios a não ser que opte pela legenda ou faça uma redublagem. 


**A COBRA DOURADA**


Com apenas este episódio, confirmamos a informação dos nossos arquivos, de que Neville George já havia dublado o personagem desde o início da série. Aliás, somente no estúdio TV Cinesom é que a voz de James West foi realizada por Alan Lima. Neville retornou para o personagem nos estúdios Dublasom Guanabara e Herbert Richers.

Waldyr Guedes foi o dublador de Artemus Gordon, o qual foi dublado por Ribeiro Santos nas temporadas dubladas pelos estúdios do Rio de Janeiro.

Há um fato muito interessante neste episódio com relação à abertura.
Na 1ª temporada, a moça da animação realizada, surge sempre com um punhal, o que foi mantido no episódio A Cobra Dourada.
Já em outras temporadas, a moça está com um guarda-chuva e depois beija o cowboy.


**Abertura / 1ª Temporada**




**Abertura / Temporadas coloridas**


Neste episódio, temos como convidado especial o ator Boris Karloff que nos brinda com toda a sua experiência.


Em "A Cobra Dourada", temos os seguintes dubladores para os convidados:


*José Soares para Boris Karloff.


*Carlos Alberto Vaccari, Rebello Neto e Emerson Camargo dublam os 3 irmãos.


*Wilson Kiss dubla o Coronel.


*Osmar Prado dubla um índio.

*A única atriz convidada é dublada por Myrtes Grissoli.

 Radioatriz que fez pouquíssimas dublagens, porque não se adaptou. Muitos radioatores e também atores de tv tentaram o caminho da dublagem, porém não conseguiram se integrar a esta Arte.

*O título do episódio é narrado por Oswaldo Calfat.



**Infelizmente, esta dublagem de James West tende a desaparecer com o decorrer dos anos, caso não haja uma recuperação total do áudio, algo que nunca interessa muito ao estúdio e à distribuidora !!



**VAMOS REVER A DUBLAGEM DA AIC EM "A COBRA DOURADA" **



**PARTE 1 /

video
 
**PARTE 2 /

video



*Colaboração: Edson Rodrigues.



**Marco Antônio dos Santos**

4 comentários:

Thiago Lúcio disse...

Excelente texto! Agora entendi porque a abertura vem com dublagem da Herbert Richers e os episódios com dublagem dos outros estúdios. A propósito, a série estava sendo exibida pela Rede Brasil de Televisão. Infelizmente, a emissora utilizava como matriz os DVDs que são vendidos na internet (autorados por fãs).

Cassio Queiros disse...

E, claro, me permita Marco Antonio, deixar a minha gratidão pelo também impecável trabalho dos falecidos Neville George e Waldyr Guedes. Dois "monstros" da história da dublagem brasileira. Mas tenho uma pergunta: você saberia me dizer quem dublou um dos melhores vilões da história da TV americana, o pequeno grande Dr. Miguelito Loveless? Uma interpretação soberba do falecido Michael Dunn. Agradeceria se você pudesse disponibilizar esta informação.
Renovo meu grande abraço Marco e, mais uma vez, obrigado e parabéns pelo inestimável e inefável trabalho neste site.
Cássio.

jose paulo disse...

Prefiro que não passem a redublar...

jose paulo disse...

A Paramount é uma desgraça no que se refere a respeito e preservação das nossas dublagens, bem como a Warner.

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