24 de junho de 2014

ENTREVISTA COM JOSÉ PARISI JR.




1 - Seu pai, José Parisi, foi um dos pioneiros da nossa televisão, tendo participado ativamente da TV Tupi por 30 anos e também na dublagem da AIC. Como era conviver com o pai e artista ao mesmo tempo ?


R:  Meu pai era muito ocupado, convivia pouco com ele naquele tempo, ser artista trazia ônus, não éramos bem vistos, para que se tenha uma ideia, não eram todos os colégios que aceitavam matricular filhos de artistas. Mais tarde, nos tornamos grandes amigos. Ele era um excelente pai, na medida do entendimento que ele tinha do que isso significava.
Fez tudo que podia dentro do seu entendimento. 
Tenho muito orgulho de ser seu filho.
Saudades!


2 - Em que momento da tua vida você sentiu que deveria seguir a carreira artística ? Qual foi a opinião da tua família ?


R: Desde muito pequeno acompanhava a rotina decorava textos, praticava esgrima com ele todos os dias, judô, boxe. Batíamos textos. Morávamos bem próximos da TV Tupi, lá era meu quintal, estava sempre por lá, acompanhando as transmissões, era ao vivo.
 Quanto a minha decisão de seguir a carreira, aconteceu de forma muito natural: eu tinha uns oito anos e o Gean Carlo dirigia um programa chamado "Fé para hoje". Precisaram de um garoto da minha idade e pediram para o meu pai, daí tudo começou, depois uma participação no "Direito de Nascer"....E assim por diante!
     

3 - Quais lembranças ficaram marcantes do trabalho do teu pai na televisão ? Por quê ?


R:  Muitas, ele fazia um seriado chamado "Falcão Negro".
Um estrondoso sucesso, ele era o heroi da criançada, em todo o lugar que eu ia os garotos queriam bater no filho do herói. Fui obrigado a aprender a brigar. Mais batia mais do que apanhava.
 Na época, não conseguia entender muito bem os motivos disso. Ser famoso para mim era o normal, achava que todas as pessoas eram famosas, quando entendi que não era assim, foi um choque! 




4 - Você acompanhava José Parisi também até o estúdio AIC.  Como você via todo aquele processo de dublagem daquela época ?


R:  As pessoas, na época, encaravam aquilo como um trabalho normal.
 Não tinham a mínima ideia do alcance, das proporções que atingiriam.
Se alguém dissesse que, no futuro, existiriam pessoas como você e outros  fazendo pesquisa sobre a AIC, ninguém acreditaria. 


5 - Quais são as recordações mais marcantes que ficaram sobre assistir às dublagens na AIC ?


R:  Como a dublagem era feita com projetores de 16 milímetros e perfurados magnéticos, era tudo na penumbra, o que dava uma aura mágica, diferente de tudo que existia.
Uma outra lembrança muito forte foi o primeiro filme que dublei, direção de Sergio Galvão, meu pai fazia o papel central, isso ha 51 anos atrás.  Está registrado de forma indelével, prazerosamente, em minha memoria.



6 - Muitos dubladores já declararam que, apesar de problemas e algumas diferenças, a AIC era uma família na qual muitos se ajudavam e se tornaram extremamente amigos. Comente.


R:  Exatamente, como em todos aglomerados humanos, existem as fogueiras das vaidades, mas de forma geral era uma família.
Morávamos todos no Alto do Sumaré, nos encontrávamos na rua, os filhos estudavam todos no Liceu Tiradentes (que aceitava filhos de artistas) era uma comunidade à parte.
 E eu tive o privilegio de me tornar amigo de todos esses ícones. Exemplo: Borges de Barros, Sérgio Galvão, Cazarré ...e muitos outros.


7 - Na sua opinião, qual a importância da AIC para a História da Dublagem brasileira ?


R:  Na minha opinião foi onde se estabeleceu a dublagem como expressão artística. Foi onde conseguiram atingir os parâmetros de excelência para que se possa ser chamada de obra de arte.  




8 - Atualmente, há inúmeros fãs das dublagens dos anos 60, 70 e 80. Muitos acreditam que a tecnologia avançou e trouxe rapidez à dublagem e, por outro lado, se perdeu a interpretação em conjunto. Qual a sua opinião ?


R:  A tecnologia nos dá a possibilidade de um som digital captado em um código binário, que nos proporciona uma fidelidade absoluta de som. As ferramentas disponíveis permitem corrigir erros de sincronização, o que acarretou uma acomodação por parte dos profissionais.
 O nível dos "Atores" caiu muito, não sabem discernir um palco Italiano de um auditório. Não têm recursos técnicos.
Como dublar hoje em dia dá dinheiro, está cheio de oportunistas.
  Os diretores são incultos, nunca subiram em um palco, não têm sequer vivência para ostentar o título de diretor, com o agravante que o discurso deles é feito como se tivessem inventado a dublagem. Duvido que consigam definir a palavra cultura.
Claro que para tudo que foi dito aqui, há as exceções, poucas, mas existem. 


9 - Quando e como você ingressou no mundo da dublagem ?


R:  Ingressei há cinquenta e um anos atrás. Aprendi com os grandes mestres, me orgulho muito disso, e sou grato a cada um deles.


10 - Quais as dificuldades que você encontrou no início da tua carreira na dublagem ?

  
R:  Naquele tempo demorava uns dez anos para que você fosse considerado um dublador. Não tinha uma máquina para corrigir, tinha que dublar de verdade. 


11 - Quais são as tuas atividades profissionais atualmente ?


R:  Sou ator, dublador, redator, diretor de teatro, cinema ,TV, estou em todas as antologias sobre novelas, séries, já publicadas. Sou citado na Pró-TV, como pioneiro da televisão, também no Teatro e no Cinema. Na dublagem dirigi sucessos incontestáveis, assim como meu pai. 


12 - Deixe uma mensagem para os fãs da boa dublagem e, principalmente, para aqueles que valorizam o trabalho dos dubladores brasileiros.


R:  Em primeiro lugar, agradeço a todos os fãs que são o objetivo final do meu trabalho. Espero poder continuar realizando com verdade e respeito. Desejo que eu possa oferecer o melhor de minha Arte.
Humildemente Jose Parisi Junior.


**Agradecemos a José Parisi Jr. por este depoimento sobre a carreira de seu pai, o estúdio AIC e Dublagem.


**Muito Obrigado**



**VAMOS REVER JOSÉ PARISI  DUBLANDO JIM DAS SELVAS**

video


**Marco Antônio dos Santos**

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