24 de junho de 2014

ENTREVISTA COM JOSÉ PARISI JR.




1 - Seu pai, José Parisi, foi um dos pioneiros da nossa televisão, tendo participado ativamente da TV Tupi por 30 anos e também na dublagem da AIC. Como era conviver com o pai e artista ao mesmo tempo ?


R:  Meu pai era muito ocupado, convivia pouco com ele naquele tempo, ser artista trazia ônus, não éramos bem vistos, para que se tenha uma ideia, não eram todos os colégios que aceitavam matricular filhos de artistas. Mais tarde, nos tornamos grandes amigos. Ele era um excelente pai, na medida do entendimento que ele tinha do que isso significava.
Fez tudo que podia dentro do seu entendimento. 
Tenho muito orgulho de ser seu filho.
Saudades!


2 - Em que momento da tua vida você sentiu que deveria seguir a carreira artística ? Qual foi a opinião da tua família ?


R: Desde muito pequeno acompanhava a rotina decorava textos, praticava esgrima com ele todos os dias, judô, boxe. Batíamos textos. Morávamos bem próximos da TV Tupi, lá era meu quintal, estava sempre por lá, acompanhando as transmissões, era ao vivo.
 Quanto a minha decisão de seguir a carreira, aconteceu de forma muito natural: eu tinha uns oito anos e o Gean Carlo dirigia um programa chamado "Fé para hoje". Precisaram de um garoto da minha idade e pediram para o meu pai, daí tudo começou, depois uma participação no "Direito de Nascer"....E assim por diante!
     

3 - Quais lembranças ficaram marcantes do trabalho do teu pai na televisão ? Por quê ?


R:  Muitas, ele fazia um seriado chamado "Falcão Negro".
Um estrondoso sucesso, ele era o heroi da criançada, em todo o lugar que eu ia os garotos queriam bater no filho do herói. Fui obrigado a aprender a brigar. Mais batia mais do que apanhava.
 Na época, não conseguia entender muito bem os motivos disso. Ser famoso para mim era o normal, achava que todas as pessoas eram famosas, quando entendi que não era assim, foi um choque! 





4 - Você acompanhava José Parisi também até o estúdio AIC.  Como você via todo aquele processo de dublagem daquela época ?


R:  As pessoas, na época, encaravam aquilo como um trabalho normal.
 Não tinham a mínima ideia do alcance, das proporções que atingiriam.
Se alguém dissesse que, no futuro, existiriam pessoas como você e outros  fazendo pesquisa sobre a AIC, ninguém acreditaria. 


5 - Quais são as recordações mais marcantes que ficaram sobre assistir às dublagens na AIC ?


R:  Como a dublagem era feita com projetores de 16 milímetros e perfurados magnéticos, era tudo na penumbra, o que dava uma aura mágica, diferente de tudo que existia.
Uma outra lembrança muito forte foi o primeiro filme que dublei, direção de Sergio Galvão, meu pai fazia o papel central, isso ha 51 anos atrás.  Está registrado de forma indelével, prazerosamente, em minha memoria.



6 - Muitos dubladores já declararam que, apesar de problemas e algumas diferenças, a AIC era uma família na qual muitos se ajudavam e se tornaram extremamente amigos. Comente.


R:  Exatamente, como em todos aglomerados humanos, existem as fogueiras das vaidades, mas de forma geral era uma família.
Morávamos todos no Alto do Sumaré, nos encontrávamos na rua, os filhos estudavam todos no Liceu Tiradentes (que aceitava filhos de artistas) era uma comunidade à parte.
 E eu tive o privilegio de me tornar amigo de todos esses ícones. Exemplo: Borges de Barros, Sérgio Galvão, Cazarré ...e muitos outros.


7 - Na sua opinião, qual a importância da AIC para a História da Dublagem brasileira ?


R:  Na minha opinião foi onde se estabeleceu a dublagem como expressão artística. Foi onde conseguiram atingir os parâmetros de excelência para que se possa ser chamada de obra de arte.  




8 - Atualmente, há inúmeros fãs das dublagens dos anos 60, 70 e 80. Muitos acreditam que a tecnologia avançou e trouxe rapidez à dublagem e, por outro lado, se perdeu a interpretação em conjunto. Qual a sua opinião ?


R:  A tecnologia nos dá a possibilidade de um som digital captado em um código binário, que nos proporciona uma fidelidade absoluta de som. As ferramentas disponíveis permitem corrigir erros de sincronização, o que acarretou uma acomodação por parte dos profissionais.
 O nível dos "Atores" caiu muito, não sabem discernir um palco Italiano de um auditório. Não têm recursos técnicos.
Como dublar hoje em dia dá dinheiro, está cheio de oportunistas.
  Os diretores são incultos, nunca subiram em um palco, não têm sequer vivência para ostentar o título de diretor, com o agravante que o discurso deles é feito como se tivessem inventado a dublagem. Duvido que consigam definir a palavra cultura.
Claro que para tudo que foi dito aqui, há as exceções, poucas, mas existem. 


9 - Quando e como você ingressou no mundo da dublagem ?


R:  Ingressei há cinquenta e um anos atrás. Aprendi com os grandes mestres, me orgulho muito disso, e sou grato a cada um deles.


10 - Quais as dificuldades que você encontrou no início da tua carreira na dublagem ?

  
R:  Naquele tempo demorava uns dez anos para que você fosse considerado um dublador. Não tinha uma máquina para corrigir, tinha que dublar de verdade. 


11 - Quais são as tuas atividades profissionais atualmente ?


R:  Sou ator, dublador, redator, diretor de teatro, cinema ,TV, estou em todas as antologias sobre novelas, séries, já publicadas. Sou citado na Pró-TV, como pioneiro da televisão, também no Teatro e no Cinema. Na dublagem dirigi sucessos incontestáveis, assim como meu pai. 


12 - Deixe uma mensagem para os fãs da boa dublagem e, principalmente, para aqueles que valorizam o trabalho dos dubladores brasileiros.


R:  Em primeiro lugar, agradeço a todos os fãs que são o objetivo final do meu trabalho. Espero poder continuar realizando com verdade e respeito. Desejo que eu possa oferecer o melhor de minha Arte.
Humildemente Jose Parisi Junior.


**Agradecemos a José Parisi Jr. por este depoimento sobre a carreira de seu pai, o estúdio AIC e Dublagem.


**Muito Obrigado**



**VAMOS REVER JOSÉ PARISI  DUBLANDO JIM DAS SELVAS**





**Marco Antônio dos Santos**

15 de junho de 2014

RELÍQUIAS DA DUBLAGEM (02): "O SEGREDO DAS JOIAS"



"O Segredo das Joias", produzido em 1950, é mais um clássico 'filme noir". Baseado no livro de W. R. Burnett e brilhantemente adaptado para o cinema por John Huston e Ben Maddow, o filme gira em torno de um grande roubo de joias. O que o torna diferente de outros que tratam do mesmo tema, é o fato dele focar mais as consequências do que o assalto propriamente dito. Com exceção das cenas de abertura e de fechamento, a história se passa inteiramente durante a noite.

Na direção, Huston demonstra, mais uma vez, porque faz parte da galeria dos grandes e influentes cineastas de Hollywood. A fotografia em preto e branco de Harold Rosson é um outro ponto a destacar. A trilha sonora, assinada por Miklós Rózsa, é mantida em background, nunca interferindo nas ações.


No elenco, James Whitmore, Louis Calhern e Sterling Hayden estão ótimos em seus respectivos papeis. Embora com pouco tempo de tela, Marilyn Monroe brilha como a amante do desonesto Emmerich. De todos os atores, entretanto, o grande nome a destacar é o de Sam Jaffe, que rouba todas as cenas em que aparece.



**O ENREDO**


Doc Riedenschneider deixa a prisão e vai ao encontro de Cobby, um agenciador de apostas, a quem revela seu novo plano. Segundo ele, o mesmo poderia ser facilmente vendido no 'mercado' por US$ 100 mil, mas ele prefere executá-lo e faturar muito mais.


Para isso, entretanto, vai precisar de US$ 50 mil, importância que pretende conseguir de um advogado corrupto, Alonzo Emmerich. Doc pede, então, a Cobby, que seja seu intermediário nessa transação.


Cobby telefona para Emmerich, mas é interrompido por Dix Handley, um ladrão que gasta todo o produto de seus pequenos roubos em corridas de cavalo. Assim procedendo, Handley está longe de conseguir o dinheiro que tanto precisa para recomprar uma fazenda perdida por seu pai.



**Sterling Hayden (Dix Handley)**

Emmerich, no entanto, passa também por problemas de dinheiro e, juntamente com seu detetive particular, Bob Brannom, planeja dar um golpe em Doc e fugir com sua amante, Angela Phinlay. Brannom procura Cobby e o convence a adiantar os US$ 50 mil.


Em companhia de Cobby, Doc contrata os serviços de Louis Ciavelli, um arrombador de cofres. Cobby e Louis, por sua vez, recomendam a contratação de Gus Minissi, como o motorista que estará preparado para empreender a fuga, e de Handley, como pistoleiro.


Depois de planejar o assalto nos mínimos detalhes, o grupo passa à ação. Louis entra na joalheria e, depois de desarmar um dos sistemas de alarme, abre a porta para que seus companheiros possam entrar. Em onze longos minutos, o grupo consegue roubar US$ 1 milhão em joias, mas as coisas começam a dar errado quando a arma de Handley bate no chão e dispara, ferindo Louis no estômago.



**Marilyn Monroe e Louis Calhern**


Por volta de 01:00h da madrugada, Doc e Handley vão ao encontro de Emmerich, que se encontra em companhia do detetive Brannom. O advogado, como já havia planejado, pretende fugir com as joias sem desembolsar a quantia estipulada. Quando Brannom puxa a arma, dá-se uma troca de tiros que termina com Handley ferido e Brannom morto. Doc pede a Emmerich que tente negociar as jóias com a Companhia de Seguros, oferecendo-as por 25% do seu real valor.


Gus é preso. Louis morre em consequência do ferimento à bala. Seguindo pistas fornecidas por um motorista de táxi, o Ten. Ditrich prende Cobby, que usa de suborno e chantagem para tentar fugir. O Comissário de Polícia, Hardy, usa a confissão de Cobby para prender Emmerich, o qual comete suicídio. O Ten. Ditrich é preso por corrupção. Doc e Handley conseguem se esconder com a ajuda de Doll Conovan, uma amiga deste último.


**Sterling Hayden, Sam Jaffet e Louis Calhern**


Pouco tempo depois, Doc resolve fugir para Cleveland, alugando um táxi dirigido por um seu compatriota, Frank Schurz. Entretanto, sua fraqueza e predileção por jovens ninfetas fazem com que ele seja rapidamente capturado pela polícia, quando decide parar num Café da estrada para admirar a beleza de Jeannie, uma jovem dançarina.


O ferimento de Handley volta a sangrar. Doll o leva até Dr. Swanson, que o desengana. Quando o suspeito médico telefona para a polícia, os dois fogem. Determinado a voltar para Kentucky, sua terra natal, Handley mais uma vez conta com a ajuda da amiga. Ao chegarem à antiga fazenda da família, ele cai na grama ensolarada onde, rodeado por cavalos que tanto ama, morre.



**ELENCO / PERSONAGENS / DUBLADORES**


*Sterling Hayden (Dix Handley): Pádua Moreira


*Louis Calhern (Alonzo D. Emmerich): Ênio Santos


*Sam Jaffe (DocErwin Riedenschneider): 

Magalhães Graça

*Jean Haggen (Doll Conovan): Selma Lopes


*James Whitmore (Gus Minissi): Vinícius Salvatori


*Jonh McIntire (Comissário de Polícia Hary): Milton Luís


*Marc Lawrence (Cobby): Orlando Drummond


*Barry Kelley (Tenente Ditrich): Maurício Barroso


*Anthony Caruso (Louis Ciavelli): Márcio Seixas


*Teresa Celli (Maria Ciavelli): Nelly Amaral


*Marilyn Monroe (Angela Phinlay): Maria da Penha


*Brad Dexter (Bob Brannom): Nilton Valério


*Alberto Morin (Eddie Donato): Dario Lourenço


*DorothyThree (May Emmerich): Neyda Rodrigues


*John Maxwell (Dr. Swanson): Pietro Mário


*Narrador: José Santanna


*Participam também os dubladores:

Orlando Prado, Márcio Seixas e Gualter França.


**A dublagem primorosa de Magalhães Graça para o ator Sam Jaffet**




**A DUBLAGEM DO FILME**

Esta dublagem do estúdio Tecnisom / RJ é mais uma das nossas "Relíquias da Dublagem Brasileira".

O estúdio Tecnisom surgiu por volta de 1972, através de Carlos de La Riva, e realizou primorosos trabalhos com um elenco de grandes valores que tinham experiência desde o primórdio das dublagens na década de 1960.

Neste filme, se reuniu um dos mais talentosos elenco de vozes da época (meados da década de 1970), num filme "noir" com um roteiro brilhante e excelentes desempenhos de atores.


A direção de dublagem é impecável e se destacam os talentos , sobretudo, de Pádua Moreira, Magalhães Graça, Milton Luís, Maurício Barroso e Ênio Santos.


**Pádua Moreira**


Pádua Moreira dubla um homem atormentado por seu passado e querendo refazer a sua vida, mas acaba sendo vítima de seus próprios atos. Dublando o ator Sterling Hayden transmitiu perfeitamente a carga negativa do personagem.

Infelizmente, Pádua Moreira dedica-se, atualmente, mais à direção de dublagem.

Já Magalhães Graça nos brinda com mais de uma de suas impecáveis dublagens, pois seu personagem é o articulador de todo o plano, porém o ator Sam Jaffet o faz de uma forma elegante, que Magalhães Graça o demonstra com a sua interpretação.



**Magalhães Graça**

Ênio Santos ao dublar o ator  Louis Calhern  fez o perfeito "gangster" que não suja suas mãos e que apresenta um refinamento social bem acentuado.




**Ênio Santos**

Milton Luís, como o excelente policial e Maurício Barroso como o policial corrupto desempenharam  uma dublagem exemplar.



**Maurício Barroso**


No conjunto, a dublagem de "O Segredo das Joias" , assim como o filme, é uma obra de arte digna de nos orgulharmos da dublagem brasileira.




**Milton Luís**


O estúdio Tecnisom esteve presente até meados da década de 1980, quando se transformou no estúdio Delart, um dos mellores atualmente da cidade do Rio de Janeiro.


Fica aqui o registro desta dublagem de "O Segredo das Joias", a qual desejamos que não seja apagada e redublada, pois se trata de uma verdadeira relíquia, algo que deveríamos preservar para as futuras gerações !



**VAMOS REVER ALGUNS TRECHOS DE "O SEGREDO DAS JOIAS"**

**OBS> O filme foi transmitido pelo canal a cabo TNT, o qual, infelizmente, o exibiu colorizado, descaracterizando a fotografia de um grande filme "noir".



**Vídeo 1 /

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**Vídeo 2 /
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**Vídeo 3 /
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**Marco Antônio dos Santos**

1 de junho de 2014

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (22): A NOVIÇA VOADORA



A Noviça Voadora (The Flying Nun) foi uma série de televisão no formato de uma sitcom que narrava as peripécias muito engraçadas de uma jovem noviça do Convento de San Tanco, localizado numa das ilhas de Porto Rico, na América Central, que vivia praticamente do seu turismo.

A duas principais atrações da ilha consistia numa delas no cassino/discoteque pertencente ao um jovem playboy chamado Carlos Ramirez, que não possuiu boa fama entre as freiras do convento, mas não era um sujeito ruim e nem um gangster.

A outra atração era o Convento de San Tanco, que ficava no alto de uma colina, residência e local de trabalho de várias freiras da ordem das carmelitas, que usavam um hábito muito peculiar, ou seja, um corpete com as abas enormes que muito se assemelham as asas de uma gaivota.

Outra peculiaridade desta ilha era o fato de ventar muito, praticamente o ano todo. O Convento de San Tanco era administrada pela Madre Superiora, uma mulher de princípios muito rígidos, mas também muito justa quando necessária.

**Madre Superiora dublada por Judy Teixeira**

Numa de suas ausências da ilha, a Madre Superiora encarrega a irmã Jaqueline e a irmã Sixto a recepcionar uma nova noviça que vem dos Estados Unidos, para dar aulas às crianças da creche do Convento.

Mas, quando a irmãs Jaqueline e Sixto vão ao encontro da nova noviça chamada Bertrilli elas a encontram jogando baralho junto com outras moças de biquíni no iate do Sr. Ramirez e desde então percebem que a partir daquele momento a vida do Convento não será mais a mesma.

A irmã Bertrilli é uma noviça baixinha, com pouco menos de quarenta quilos, muito esperta, moderna e ciente das suas obrigações, sem nunca esquecer de lutar com todas as suas forças por uma boa causa e também achava que jogar um carteado inocente com algumas amigas, não tinha nada demais.


Assim que chega ao Convento e conhece as crianças, já começa a introduzir novas mudanças como, por exemplo, abrir um crédito numa loja de tecidos para fazer roupas mais confortáveis para as crianças, assim como fazer uma espécie de um bazar na praça central da ilha para angariar fundos para que o Convento poder adquirir um terreno ao lado para a construção de uma nova escola para as crianças.

Neste momento, a Madre Superiora retorna e encontra, para seu espanto, a irmã Bertrilli tocando e cantando em plena praça. Ao chegar ao Convento a Madre Superiora a repreende com severidade, mas também deixa a par das dificuldades do local e de sua luta de mais de vinte anos para conseguir um novo local para construção da escola, mas o local pertence ao Sr. Carlos Ramirez que nega terminantemente a conversar sobre o assunto.

Ao saber disso, a irmã Bertrilli procura Carlos Ramirez para propor que doe o terreno para o Convento, o que naturalmente é negado por ele, mas ela não se dá por vencida e passa a procurá-lo justamente em todos os momentos que ele está “cantando” uma das belas moças da cidade, estragando todo seu romance e isto não acontece somente uma vez, mas por diversas ocasiões e situações, a ponto de Carlos não aguentar mais ver a jovem noviça.


**Carlos Ramirez dublado por Marcelo Gastaldi**

Mas, as verdadeiras aventuras da jovem noviça tem mesmo início, quando num certo dia algo inesperado acontece. Ao estar conversando com a irmã Jaqueline no terraço do Convento, uma rajada de vento, faz com que a irmã Bertrilli, com seu pouco mais de quarenta quilos, fique flutuando no ar e nessa hora ela e as outras irmãs descobrem de outra proeza da irmã.

Mais tarde a irmã Bertrilli encontra a explicação da tal ocorrência, que é causada ao seu pouco peso, em confronto com o corpete e suas imensas asas, que criam uma condição aerodinâmica favorável, o que permite a irmã Bertrilli sair do chão e voar como as gaivotas do local.

Com o passar do tempo, e teimosa como era a irmã Bertrilli, ela começa, às escondidas, a aperfeiçoar os seus vôos e descobre que certas manobras com o seu corpete permite que ela desça, suba, vire, como um planador.

Num desses vôos de treinamento, ela acaba passando ao lado da janela do avião em que Carlos Ramirez está levando uma de suas namoradas para um passeio e ao vê-la voando ao lado do avião fica completamente atônito e começa a achar que teve uma visão divina.

Rapidamente ele retorna com o avião para a ilha e em vista desta tal "visão divina", Ramirez doa imediatamente, o tão desejado terreno ao Convento, para a alegria de todas as irmãs, inclusive da Madre Superiora que começa a ver a irmã Bertrilli com outros olhos e com muita admiração.

**Irmã Jaqueline dublada por Noely Mendes**

Ainda nos primeiros episódios da série Carlos Ramirez ainda pensa ter uma visão divina toda vez que vê a irmã voando, mas com o decorrer dos episódios ele vai descobrindo a verdade, pois o vôo da irmã não passa de apenas uma condição aerodinâmica.

Os dois se tornam grandes amigos e empre um está lá para ajudar o outro. Os episódios são narrados pela irmã Jaqueline que conta todas as aventuras e peripécias da irmã Bertrilli, dela mesma, de outras irmãs e até da Madre Superiora.

Geralmente os episódios giram em torno da Madre Superiora, da irmã Jaqueline, da irmã Sixto, de Carlos Ramirez e, naturalmente, da irmã Bertrili. Muito artistas convidados fazem os papéis esporádicos de cada capítulo.

Ainda no primeiro episódio da série acontece uma das cenas mais comoventes, quando a irmã Bertrilli canta a canção “Felicidad” composta magnificamente por Dominic Frontiere e Diane Hilderbrand, juntamente com as crianças, que me lembra muito, as belas canções do filme “A Noviça Rebelde”, sem querer fazer comparações, mas representa um dos grandes momentos deste primeiro episódio. Dominic Frontiere também assina a música tema da série.


A série foi baseada no livro “The Fifteenth Pelican” de Tere Rios e apresentada originalmente nos Estados Unidos pela rede ABC, entre 7 de setembro de 1967 a 18 de setembro de 1970, num total de 83 episódios, em três temporadas.

A série foi bem recebida por várias ordens católicas romanas na década de 1960 por humanizar as freiras e o seu trabalho, mas também acabou grande obstáculo para Sally Field superar, pois o papel acabou sendo muito marcante em sua carreira.


Sally Field para não ficar ainda mais marcada pelo personagem recusou a oferta veementemente. A Noviça Voadora foi o segundo papel numa sitcom de Sally Field. Pouco antes havia feito também um grande sucesso com outra comédia chamada “Gidget” para a televisão.

Três anos mais tarde ela retornaria novamente no sitcom “Garota com Algo Mais”. A partir disso Sally iniciou uma grande e promissora carreira no cinema, mostrando seu talento para outros gêneros como dramas, aventuras e comédias naturalmente, e assim permanece até os dias atuais.


**A NOVIÇA VOADORA NO BRASIL**

A série estreou no dia 20 de outubro de 1968, às 17h50, num domingo, pela extinta TV Excelsior, a qual exibiu a série na íntegra até a sua falência em setembro de 1970.

A partir de abril de 1971, A Noviça Voadora começa a ser exibida pela TV Record, onde ficou até meados de 1972, exibindo as três temporadas.
A série saiu da TV Record por absoluta falta de dinheiro, pois ainda era exibida em preto e branco e a emissora não se interessou em investir em cópias novas coloridas.

Entretanto, a Rede Globo, em 1975, decidiu elaborar um pacote de séries clássicas de comédias para comemorar os seus dez anos de existência.
O horário escolhido foi logo após o Telejornal Hoje, onde foram exibidas as séries A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, Agente 86 e A Noviça Voadora.
Foi a 1ª vez que a série era exibida a cores no Brasil. Essa programação ficou durante um ano e retornou, esporadicamente, por volta de 1977.


**Irmã Sixto dublada por Dulcemar Vieira**

Houve um intervalo de alguns anos sem a sua exibição, mas A Noviça Voadora retornaria para a TV Record em 1982, ficando no ar até fins de 1984. Desta feita, a TV Record utilizou as mesmas cópias coloridas da Globo.

Durante o período do início dos anos 80, a TV Record alcançou grande audiência com a série, pois utilizava horários alternativos para aqueles que não gostavam de assistir novelas das 6h da tarde. Após um breve intervalo, A Noviça Voadora retornaria em 1986/87 pela mesma emissora.

Depois de 1987 houve uma grande lacuna em sua exibição. Muitos pensaram até que a série tivesse perdido totalmente a sua dublagem.
Somente em 1996, com a chegada do canal a cabo Warner a série retornou e ficou em exibição até 2000/2001.

A exibição da Warner foi problemática devido a exibirem um bloco de episódios por um ano, somente depois havia uma alteração. Muitos episódios deixaram de ser exibidos porque não havia a dublagem em espanhol (mesmo tendo em português). Isso ocorreu, porque a transmissão era simultânea, ou seja, o mesmo episódio transmitido para o Brasil também o era para os países da de língua hispânica da América Latina.
Assim, a exibição de A Noviça Voadora se arrastou e muitos episódios não foram exibidos.
Alguns anos depois, a série foi lançada em dvds.




**A DUBLAGEM DA AIC**


A dublagem desta série realizada pela AIC figura entre as mais lembradas e bem realizadas.

Marcelo Gastaldi foi o diretor de dublagem e demonstrou uma competência extraordinária, não só ao escolher as vozes mais adequadas, mas num trabalho altamente equilibrado e cativante.

Sem dúvida, a dublagem da série cativou a todos, inclusive a própria Aliomar de Matos, tem como a Irmã Bertrille a sua melhor fase na dublagem.

Em depoimento postado neste blog em 10/02/2011, especificamente sobre esta dublagem, vejam estas respostas:

R – Não houve necessidade de tempo para adaptação, pois como eu disse acima, me apaixonei tanto pela freirinha irmã Bertrille, que a dublagem fluía de uma forma tão natural que eu me sentia a própria Sally Field, e acho que ela também se sentia assim interpretando a freirinha. O Marcelo como diretor da série, e dublador do Carlos Ramirez, o playboy da série pelo qual a irmã Bertrille nutria uma certa paixão reprimida, foi muito importante não só pela amizade mas também pela admiração que tínhamos um pelo trabalho do outro, a ponto de nos entendermos tão bem durante a dublagem, e estarmos tão envolvidos com aquelas personagens, que a dublagem fluía de uma maneira tão produtiva que chegávamos a gravar dois a três episódios num dia, trabalho este que normalmente levava três a quatro dias para ser concluído.


Aos fãs da irmã Bertrille, A Noviça Voadora, eu quero dizer que a alegria de ter dado a Sally Field a voz Brasileira da irmã Bertrille foi uma sorte e uma honra para mim, uma vez que através desta série, que por sorte não foi redublada, minha voz está registrada na história da dublagem da Versão Brasileira AIC São Paulo.



**ELENCO FIXO / PERSONAGENS / DUBLADORES**

*Sally Field (Irmã Bertrilli): Aliomar de Matos.
*Marge Redmond (Irmã Jaqueline): Noely Mendes.
*Madeleine Sherwood (Madre Superiora): Judy Teixeira.
*Alejandro Rey (Carlos Ramirez): Marcelo Gastaldi.
*Shelley Morrison (Irmã Sixto): Dulcemar Vieira.
*Linda Dagcil (Irmã Ana): Maralise Tartarine (1ª voz) e Maria Inês (2ª voz).


A presença das dubladoras Judy Teixeira, Noely Mendes, Dulcemar Vieira e Maralise Tartarine foi integrada e perfeita para cada personalidade das freiras. A voz tranquila de Noely Mendes (Irmã Jaqueline) narrando a cada início do episódio os fatos, foi algo extremamente convidativo a nos fazer assistir à história.

A Noviça Voadora, se formos fazer uma análise com os valores do século XXI, diremos que é uma série pueril demais. Mas, atrás dessa "inocência", se ocultam temas muito profundos: caridade, amor, fraternidade, felicidade, alegria, companheirismo, e tantos outros que a televisão "esqueceu" de retratar em sua programação com o transcorrer dos anos.

Hoje, ao assistirmos um episódio desta série, percebemos o quanto o ser humano está mais "embrutecido nas suas emoções" e, necessitando muito de passar um dia com a Irmã Bertrille.

**VAMOS REVER 3 EPISÓDIOS DE A NOVIÇA VOADORA**

**EPISÓDIO 1**


**EPISÓDIO 2**


**EPISÓDIO 3**


**Do elenco da série A Noviça Voadora já faleceram:

**Alejandro Rey (Carlos Ramirez) em 21/05/1987.
**Linda Dagcil (Irmã Ana) em 07/05/2009.


**Marco Antônio dos Santos**