8 de maio de 2014

MEMÓRIA AIC (22): IMPÉRIO SUBMARINO


O mocinho luta com o bandido perto de um precipício. Os dois acabam caindo e mergulhando rumo à morte. A tela escurece e aparece a mensagem anunciando o episódio seguinte, na próxima semana, “neste mesmo cinema”.

Esse era o formato dos famosos seriados que fizeram sucesso durante as décadas de 1930 e 1940. Embora para as audiências modernas seriado ou série sejam sinônimos de TV, esse tipo de filme apareceu primeiro no cinema e só na na década de 1950 foi para a televisão nos Estados Unidos.

Com uma média de 15 episódios, com tempo variando entre 15 e 20 minutos, boa parte dos seriados se inspiravam em heróis de histórias em quadrinhos, como Flash Gordon, Batman, Mandrake, O Besouro Verde, etc. Em geral, traziam um enredo para a temporada, focado no conflito do heroi com o vilão ou alguma organização criminosa.
Para dar suspense, prender a atenção do público e fazer com que as pessoas voltassem ao cinema na próxima semana, perto do fim do capítulo, o heroi era colocado em alguma situação de perigo, com desfecho anunciado para o episódio seguinte.

No início do próximo filme, letreiros resumiam o capítulo anterior e eram exibidas fotos dos personagens para relembrar o ocorrido ou informar quem estivesse assistindo pela primeira vez (as séries Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo, na década de 1960, adotaram esse sistema também).



**O ENREDO DE IMPÉRIO SUBMARINO**


Em 1937, surge um estrondoso sucesso, "Império Submarino", estrelado por Ray Corrigan. Uma ficção científica caríssima para a época.


Uma série de violentos terremotos está abalando os Estados Unidos e o Professor Norton acredita que estes abalos se originam do fundo do mar. O cientista desenvolve um poderoso raio capaz de deter esses tremores e parte para as profundezas do oceano a bordo de seu submarino nuclear.


Em O Império Submarino, o submarino que transporta o professor Norton (C. Montague Shaw), seu filho Billy (Lee Van Atta), o oficial da Marinha e superatleta Crash Corrigan (Ray Corrigan), a repórter Diana Compton (Lois Wilde) é atraído para o Continente Perdido de Atlantis, situado no fundo do mar.

 Ali, os seguidores de Sharad (William Farnum), sumo sacerdote dos verdadeiros atlantianos vivem em luta contra Unga Khan (Monte Blue), o líder dos Guardas Negros, que pretende conquistar o mundo da superfície, usando o seu poderoso Raio Desintegrador, uma máquina capaz de provocar terremotos num alvo preciso.


Este segundo seriado da Republic (o 1º foi "A Deusa de Joba"), também dirigido por B. Reeves Eason e Joseph Kane, mostra inventos futurísticos como raios da morte, robôs (chamados “Volkitas”), veículos blindados, videofone, etc. contrastando com lutas de espada, catapultas, corridas de biga e as vestimentas da antiga Roma ou Grécia.

 O seriado tem cenas de muita ação e talvez o mocinho mais atlético. Corrigan mostra sua grande capacidade na cena em que desce pelo cabo de um elevador, derruba vários guardas e depois monta num cavalo e galopa em direção ao palácio de Sharad.


Em outras ocasiões, o herói enfrenta o exército do comandante dos Guardas Negros, Capitão Hakur (Lon Chaney Jr.), robôs, gladiadores no estilo romano e, no Capítulo Oitavo, encontra-se numa situação bastante difícil. O Capitão Hakur amarra Corrigan na frente do Juggernaut, um ultra-tanque armado, e faz este veículo correr velozmente de encontro aos portões da cidade.

 Felizmente, no episódio seguinte, alguém grita: “Abram os portões!” e o Juggernaut passa, ainda com Corrigan amarrado na sua parte dianteira, mas incólume.



 Agora Crash e seus companheiros devem evitar que o confronto submarino chegue às superfícies do planeta. Crash se torna líder dos guerreiros brancos, que enfrentam o exército de robôs e um tanque de guerra comandado por Khan.

 O vilão captura o Professor Norton e passa a controlar seu cérebro, forçando o cientista a obedecer todas as suas ordens.


Dos capítulos 7 a 12, inicia a conclusão desta aventura de tirar o fôlego, quando o herói Ray Crash Corrigan deverá enfrentar seu maior desafio, com a chegada do vilão de Atlântida à superfície do planeta.


Um dos mais espetaculares seriados de sua época (1937) “O Império Submarino” foi a primeira investida do estúdio “Republic” na Ficção Científica, rivalizando com o “Flash Gordon” da “Universal”.

**IMPÉRIO SUBMARINO NA NOSSA TV**


Em meados de 1965, a tv brasileira ainda tinha uma produção modesta de seus programas, sendo assim, mais de 50% era preenchida por séries de tv e filmes.

A Tv Tupi achou que os antigos seriados de Cinema, por serem em capítulos e aliado ao fato de que o público daquela época também se lembrava deles da década de 40, poderia ser um grande filão a ser explorado.
Assim, vários seriados produzidos pela RKO, Republic Pictures e Universal começam a receber dublagem e foram exibidos alguns.

Devido a problemas com a sua grade de programação, os seriados acabaram mudando muito de horário e a Tv Tupi, depois de algum tempo, desistiu de exibí-los.


A TV Excelsior usou uma outra tática e sua exibição era de segunda à sexta às 16h, tentando pegar outro tipo de público que se envolveria com todo tipo de histórias: ficção científica, aventuras e mistérios.

O sucesso foi enorme, fazendo com que praticamente dezenas fossem exibidos e até reprisados os mais admirados como Flash Gordon e Império Submarino.

Império Submarino já havia sido exibido na Tv Tupi em 1966, ano da realização da sua dublagem, e a Tv Excelsior chegou a exibí-lo cerca de três vezes, devido à audiência que o seriado futurístico trazia.

Ainda entre 1969/70, a TV Bandeirantes tentou esboçar a exibição dos seriados do Cinema, mas não ficou por muito tempo, mesmo assim, Império Submarino teve outra exibição.




**A DUBLAGEM DA AIC**

Realizada em pleno apogeu do estúdio, esta dublagem conta com um elenco notável.

Sem dúvida, o destaque maior fica para Astrogildo Filho e Waldir Wey, os quais fizeram um perfeito contraponto entre heroi e vilão.
Infelizmente, a personagem Diana não teve uma grande participação na história, isso fez com que a qualidade do trabalho de Rita Cleós ficasse um pouco ofuscado.

É muito curiosa essa personagem, uma vez que é a única mulher que está na história. Mesmo tendo uma profissão de repórter (algo avançado para 1937), o seriado acaba seguindo os padrões machistas daquela época. Diana, vai por acaso nesta aventura e nunca está à frente de alguma nova situação.

Destaca-se também a dublagem de Marthus Mathias na pele de um vilão, algo incomum para os fãs da sua perfomace para Fred Flintstone.
Enfim, todos merecem nossos agradecimentos por mais esta dublagem impecável !


**Personagens dublados por Marthus Mathias e Antônio de Freitas**


 **Elenco Principal / Personagens / Dubladores**

 *Ray Corrigan (Ray Crash Corrigan):
Astrogildo Filho.

 *Lois Wilde (Diana Compton): Rita Cleós.

 *Monte Blue (Unga Khan): Waldir Wey.

 *William Farnum (Sharade): Xandó Batista.

 *C. Montague Shaw (Prof. Norton): Marcelo Ponce.

*Lee Van Atta (Billy): Magali Sanches.


*Lon Chaney Jr. (Capitão Hakur): 
Marthus Mathias.

*Narração e abertura: Ibrahim Barchini.



Império Submarino foi lançado nas lojas num box com 2 dvds. A imagem está totalmente remasterizada, mas não traz a dublagem, tudo está legendado.

De todos os seriados de Cinema dublados, praticamente quase 99% já estão com a dublagem perdida.
Ainda podemos encontrar alguns poucos nas mãos de colecionadores, como é caso de Império Submarino, que apresenta pequenas falhas na dublagem, as quais poderiam ser sanadas para a venda dos dvds, se a distribuidora atual se interessasse em recuperá-la.

Certamente, com a imagem remasterizada, o seriado venderia muito mais se trouxesse esta fantástica dublagem da AIC, a qual nos leva a embarcar nesta grande aventura !!!



**RELEMBRANDO A DUBLAGEM DA AIC**

(O áudio está um pouco baixo)


 **Vídeo 1:  Início do Capítulo 3 (abertura narrada por Ibrahim Barchini)



**Vídeo 2: Capítulo 7 /



**Vídeo 3: Capítulo 8 /



**Marco Antônio dos Santos**

1 comentários:

Edimar Pereira disse...

Eu tenho "O império submarino" em seu primeiro lançamento em dvd no Brasil e está com a dublagem antiga, exceto o último episódio.

Postar um comentário