10 de outubro de 2013

MEMÓRIA AIC (19): A CALDEIRA DO DIABO



A Caldeira do Diabo (Peyton Place) foi uma série de televisão baseada no livro de mesmo nome, escrito por Grace Metalious, que chegou a vender mais de sessenta mil cópias somente nos primeiros dez dias do seu lançamento nos Estados Unidos e assim permaneceu na lista de best-seller do New York Times por 59 semanas.

O livro segue a vida de três mulheres solitárias, a reprimida Constance MacKenzie, sua filha ilegítima chamada Allison e sua amiga Selena Cross, numa pequena cidade do interior, descrevendo toda a hipocrisia, desigualdade social e o privilégio de classe, num conto que também inclui incesto, aborto, adultério, luxúria e assassinato.

Mais tarde o livro virou também um controverso filme, dirigido por Mark Robson e estrelada por Lana Turner, Lee Philips, Lloyd Nolan e Arthur Kennedy, entre outros, em 1957, que se tornou a segunda maior bilheteria do Cinema nos Estados Unidos, no ano de 1958.
A história do filme tem início em 1941, num lugar chamado Peyton Place, onde a maioria das pessoas trabalham numa fábrica de tecidos, frequentam igrejas de diversas religiões diferentes e as crianças de famílias abastadas estudam numa boa escola secundária.


**CARTAZ DO FILME**

O filme foi tachado de subverter os famosos melodramas hollywoodianos, enfrentou forte censura, mas também abriu caminho para outros filmes, ao desmascarar a hipocrisia dos habitantes de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, ao esconder seus “pequenos segredos” como adultério, estupro e suicídio.
Apesar disso, o filme foi muito bem recebido pela crítica especializada e também foi indicado para diversos prêmios importantes do Oscar daquele ano, bem como pelo Globo de Ouro e outros prêmios.


Nesse mesmo ano, a romancista Grace Metalious escreveu uma sequência de Peyton Place denominada “Return to Peyton Place”, em 1959, que possuía os mesmos elementos da obra original. O livro foi também um sucesso.


Este livro também foi adaptado para o cinema, num filme de 1961, produzido por Jerry Wald e dirigido por Jose Ferrer, com roteiros de Ronald Alexander. O filme contou com Carol Lynley como Allison MacKenzie, Jeff Chandler como Lewis Jackman, Eleanor Parke como Constance Rossi e Robert Sterling como Mike Rossi, entre outros.


**CARTAZ DO 2º FILME**


O sucesso dos dois filmes acabou gerando uma duradoura série de televisão denominada  Peyton Place, considerada como uma das primeiras “soap opera” da história da tv americana, estabelecendo o primeiro drama tórrido, abrindo caminhos para as futuras séries. 


Para quem não está acostumado aos termos televisivos, “soap opera” pode ser vista como um seriado composto por episódios que são transmitidos regularmente, tendo duas características principais: o desenvolvimento da história que se prolonga por vários episódios sequenciais, como uma telenovela. A outra característica é que a produção inicia-se sem um calendário previsto para o seu término.


A série foi apresentada originalmente nos Estados Unidos, pela rede ABC, entre 15 de setembro de 1964 a 2 de junho de 1969, num total de 514 episódios.



A série também serviu de escada para o estrelado de Ryan O´Neil, Mia Farrow e David Canary. A trama narrava os acontecimentos de num pequeno lugarejo chamada Peyton Place, na cidade de New England, local onde se escondiam alguns segredos importantes e escândalos de duas gerações dos habitantes da cidade.


Triângulos amorosos entre os principais personagens e suas consequências, mães solteiras, prostituição, adultério e outros assuntos denominados proibitivos na época eram os temas abordados constantemente.





**PEYTON PLACE NO BRASIL**

 No Brasil, a série foi apresentada pela TV Record, com o título de "A Caldeira do Diabo", tendo estreado em meados de 1967.
Peyton Place foi filmado entre 1964 a 1966 em preto e branco (as duas primeiras temporadas) e de 1966 a 1969, colorida. Ambas foram produzidas através da 20th Century Fox Television. 

A Tv Record exibiu somente a 1ª temporada, aos domingos, às 22h30, mas a série gerou muitas polêmicas para a época no Brasil.
 A "soap opera" conseguiu uma razoável audiência, mas devido à Censura, a Tv Record não se interessou mais em adquirir outras temporadas, encerrando a sua exibição.

Somente em 1970, a 1ª temporada retornaria a ser exibida pela Tv Bandeirantes.




Em 1971, a Tv Tupi além de exibir a 1ª temporada também adquiriu a 2ª, a qual foi dublada também pela AIC.

 Neste intervalo entre 1967 a 1971, muitos dubladores sairam da AIC, assim muitas vozes foram alteradas para os personagens principais.


A forte Censura do período militar decidiu que o título do programa deveria ser alterado. A saída encontrada pelo tradutor foi alterar o nome do seriado para "Cidade sem Deus", assim os episódios da 2ª temporada ficaram com esse título na abertura.
 A Tv Tupi exibiu diariamente por volta das 23h. as duas primeiras temporadas já dubladas, a 1ª em 1967 e a 2ª em 1971.

Assim, A Caldeira do Diabo não teve a sequência das outras temporadas, pois a emissora a cancelou da programação.


Somente em 1993, quando o canal a cabo Fox chegou ao Brasil, a série retornou, sendo exibida as duas temporadas dubladas pela AIC, durante dois anos.


**A DUBLAGEM**





A dublagem realizada pela AIC possui uma qualidade excepcional e envolveu diversos profissionais, uma vez que houve uma alteração bem grande dos dubladores da 1ª para a 2ª temporada.

Isso decorreu do fato de que entre o final de 1967 até o início de 1971, foi o período que muitos sairam do estúdio para novos projetos, porém surgiram outros dubladores que continuaram com a mesma qualidade.

Destaca-se, sem dúvida, a presença de Gilmara Sanches, a qual logo ficou somente com direção de dublagem, assim podemos notar o seu trabalho primoroso.


Ézio Ramos, seu esposo na época, dublando juntamente, além de Gessy Fonseca, Líria Marçal, Neville George, João Paulo Ramalho, Dulcemar Vieira, Waldyr Guedes, Judy Teixeira, Rodney Gomes, Olney Cazarré, Isaura Gomes, Dráusio de Oliveira, Garcia Neto, Sandra Campos entre tantos outros.


As duas temporadas mostram bem o apogeu do estúdio AIC, o qual mesmo com alterações manteve uma qualidade incontestável na dublagem.




**ATORES / PERSONAGENS PRINCIPAIS / DUBLADORES**



*Lola Albright (Constance MacKenzie): Gessy Fonseca (1ª temporada).


*Dorothy Malone (Constance MacKenzie): Líria Marçal (2ª temporada).


*Ed Nelson (Doutor Michael Rossi): Neville George (1ª temporada) e João Paulo Ramalho (2ª temporada).


*Mia Farrow (Allison MacKenzie): Nícia Soares (1ª temporada) e Nair Silva (2ª temporada).


*Ryan O'Neal (Rodney Harrington): Osmar Prado (1ª temporada) e Rodney Gomes (2ª temporada).


*Barbara Parkins (Betty Anderson): Gilmara Sanches.


*Kasey Rogers (Julie Anderson): Dulcemar Vieira (1ª temporada) e Judy Teixeira (2ª temporada).


*Tim O'Connor (Elliot Carson): Wilson Ribeiro.


*Christopher Connelly (Norman Harrington): Olney Cazarré.


*Patrícia Morrow ( Rita Jacks): Sandra Campos.


*James Douglas (Steven Cord): Carlos Alberto Vaccari (1ª temporada) e Ézio Ramos (2ª temporada).


*George Macready (Martin Peyton): Miguel Rosenberg (1ª temporada) e Eleu Salvador (2ª temporada).


**Narrador da abertura e do ínício do capítulo: Arakén Saldanha (1ª voz), Emerson Camargo (2ª voz) e Carlos Alberto Vaccari (3ª voz).



**Aqui, alguns vídeos para relembrar a primorosa dublagem da AIC** 

 **1ª TEMPORADA**

*VÍDEO 1: Narração de Arakén Saldanha.

Participação de Miguel Rosenberg e Carlos Alberto Vaccari.




*VÍDEO 2: Dulcemar Vieira.





**2ª TEMPORADA**


*Gilmara Sanches, Ézio Ramos e Isaura Gomes.




*Dráusio de Oliveira e Elaine Cristina



**Marco Antônio dos Santos**

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