27 de março de 2013

MEMÓRIA AIC (17): BATFINO


Na década de 1960, os estúdios Hanna Barbera dominavam a televisão com suas ótimas produções. Esporadicamente, foram criando espaço as produções japonesas e até produções de outros estúdios americanos como BatFino.

 Criado por Hal Seeger e apresentado originalmente nos Estados Unidos, entre setembro de 1967 a outubro de 1967, num total de 100 episódios, este desenho animado fazia uma paródia  da série Batman e o Besouro Verde.

 Produzido pela Hal Seeger Studios e também por Bill Ackerman Productions em Midland Park, Nova Jersey sendo distribuído pela Screen Gems.

BatFino foi feito às pressas e de maneira econômica reutilizando várias cenas comuns a série, em vez de ter que reanimar cenas quase idênticas a cada episódio.
 Embora a maioria das animações consecutivas fizessem isto até certo ponto, mas BatFino fez  na maioria delas. Algumas cenas foram usadas todas novamente num episódio, alguns apareciam esporadicamente e em outras só eram algumas vezes repetidas durante a série inteira.


Em muitos episódios BatFino era colocado numa situação aparentemente fatal. Neste momento, a ação era congelada e o narrador perguntava ironicamente e dramaticamente se BatFino sobreviveria, então a ação era continuada com BatFino sobrevivendo, graças ao uso de seus super-poderes. 


BatFino tinha à sua disposição duas superpotências principais: o radar de sonar super-sônico e suas asas metálicas. Pelo menos um destes ele usava num episódio para ajudá-lo a pegar um sujeito ruim. O radar super-sônico era uma versão superpotente do sonar dos morcegos e normalmente mostrava as letras "BEEP" e às vezes alguns "BEEP BEEP" que emanavam de sua boca e iam voando até aonde quer ele precisasse ir, sempre acompanhada pelo seu barulho característico das letras. Também os inimigos podiam ver as letras chegando até eles e ficavam assustados.



As asas metálicas de Bat Fino podiam ser enroladas ao redor do seu corpo como se fosse uma capa protetora contra a maioria dos ataques, enquanto geravam frases que lembravam alguma propaganda famosa "Suas balas (facas, dardos, etc.) não podem me prejudicar minhas asas, pois elas estão com uma proteção de aço!".

 Em alguns episódios BatFino afirmava que suas asas eram de aço, mas em outros, declarava explicitamente que não eram , por isso ele sempre levava consigo uma lata com removedor de mancha para mantê-las sempre polidas.


Suas asas também o ajudavam a voar velocidades enormes e usavam frequentemente para ajudar a escapar de uma morte certa ou cortado em pedaços, quando era capturado. Muitas vezes, também impediam que ele afundasse na água, apesar de serem pesadas e feitas de metal. No episódio final "Batfink: this is Your Life" são explicadas a vida de BatFino, sua juventude e como as suas asas reais foram substituídas.


BatFino também utilizava um pequeno "fusca" (Volkswagen) feito sob encomenda chamado Batillac (para rimar com Cadillac) e era todo equipado com muitas proteções e barreiras. Deste modo, quando o carro batia ou se chocava com um onda sonora, ele permanecia intacto.

 Em alguns episódios, BatFino costumava dizer que o Batillac era equipado com um plutônio termo-nuclear e Karatê complementava dizendo que ele também é uma bomba.

 Essa expressão humorística era utilizada na maioria das situações em que mostravam que o isolamento de plutônio não tinha uso real e que podia causar mais danos do proteção de fato.



**Os vilões contra BatFino**


BatFino era um morcego com superpotências. Ele usava radar sonar super-sônico e asas metálicas na luta contra o crime. Em seu último episódio da série era revelado como ele tinha perdido as suas asas naturais quando criança, contava a história de sua mãe e o que o levou a se tornar um defensor da justiça.


Karatê era um perito em artes marciais (para parodiar o companheiro oriental Kato do Besouro Verde), companheiro de BatFino e também dirigia o Batillac.
 Ele era bastante grande e forte para ajudar BatFino a sair de qualquer situação.

 O Chefe era o consultor de BatFino e informava a ele de todos os recentes crimes através de uma ligação de vídeo direta para a caverna do BatFino.



Mesmo tendo sido uma produção altamente econômica, o desenho fez
um enorme sucesso nos Estados Unidos, chegando a se tornar um "cult" dos anos 60, tendo sido exibido diversas vezes pela tv a cabo americana desde meados da década de 1980, pois depois de alguns meses "descansando", sempre retorna à programação dos canais especializados em desenhos.

Hal Seeger e Bill Ackerman Productions também criaram o desenho animado "Milton, o Monstro", porém não conseguiu obter o sucesso de BatFino.



**BATFINO NO BRASIL**

BatFino estreou no Brasil em meados de 1968 pela TV Record e, assim como nos Estados Unidos, fez um enorme sucesso entre a garotada. O desenho fazia parte da grade da programação, juntamente com os clássicos de Hanna Barbera.


A TV Record exibiu durante muito tempo a produção de Hal Seeger, durante suas tardes. Como os episódios tinham curta duração, eram exibidos cerca de quatro por dia.

Após um período fora do ar, retornavam para exibição, mas no início da década de 1970 BatFino foi adquirido pela TV Bandeirantes, aproveitando também a exibição da série Batman, em 1972.


Ninguém imaginaria que este desenho tinha tanta força, mas ainda retornou duas vezes para a TV Record, no final dos anos 70 e meados da década de 1980.

Além disso, chegou a ser exibido pela tv a cabo no Brasil, ainda na estrutura clássica do canal Boomerang. Há notícias que tenha também sido lançado em dvd, mas houve pouca repercussão do fato.



**A DUBLAGEM AIC**

Certamente, ainda existir essa dublagem original da AIC é digna de louvarmos à distribuidora!

Basicamente, quatro dubladores fizeram uma dublagem exemplar e que garantiu muito mais a audiência que o desenho obteve.

BatFino foi dublado por Carlos Alberto Vaccari, que fez um falsete muito curioso para o personagem, demonstrando sua capacidade extraordinária também com desenhos. Se pensarmos na voz do personagem "Mingo" da série Daniel Boone, verifaremos a sua excelência profissional.



**Vaccari: a voz perfeita de BatFino**



Karatê já foi dublado pelo experiente José Soares, que realmente criou a voz com uma interpretação muito própria para o personagem.



**A experiência de José Soares**



O narrador ficou com Wilson Ribeiro, o qual fazia as frases ironicamente e também com dramaticidade.


O Chefe, numa clara paródia ao personagem Chefe O'Hara da série Batman, surgia num televisor sempre pedindo auxílio a BatFino, demonstrando que a polícia nada conseguiria fazer contra um determinado vilão. 
O Chefe foi dublado por Miguel Rosenberg, o qual ficou um curto período na AIC, se transferindo logo para o Rio de Janeiro, onde fez uma extensa carreira na dublagem.




Evidentemente, muitos poderiam se perguntar: como este desenho conseguiu tantos fãs desde 1968 ? 
Talvez, a dublagem realizada pela AIC foi tão perfeita que fizemos uma "memória auditiva do desenho", o qual além de nos remeter a algum lugar ou a algum tempo, nos leva a admirar mais uma extraordinária dublagem.


**Vamos relembrar BatFino em dois vídeos:


**VÍDEO 1/ 

OBS> O vilão Hugo Ago-Go é dublado por Flávio Galvão.
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**VÍDEO 2/
OBS> Um dos irmãos trapezistas é dublado por Eleu Salvador.
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**Marco Antônio dos Santos**

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