8 de março de 2012

MEMÓRIA AIC (14): JIM DAS SELVAS



Em 1937 surge o primeiro filme chamado "Jim das Selvas", tendo o ator Grant Withers como Jim das Selvas, o qual foi o primeiro ator a representar este personagem no Cinema, num filme de 12 capítulos consecutivos, mas ele acabou sendo ofuscado pelo segundo Jim das Selvas do Cinema, interpretado por Johnny Weissmuller.

Jhonny Weissmuller com a fama que havia adquirido com o personagem Tarzan, se enquadrou perfeitamente a este novo personagem e acabou protagonizando-o de 1938 a 1954 num total de 16 filmes.

De 26 de setembro de 1955 a 19 de março de 1956, a Screen Gems passou a produzir uma série de TV de Jim das Selvas, num total de 26 episódios, mantendo Johnny Weissmuller como estrela principal.

 A série televisiva era muito inferior aos filmes, pois a produção era bem mais barata e os episódios preservavam uma tendência menos fantástica que a dos filmes.


Quando Johnny Weissmuller completou o seu último filme para a Columbia, ele passou automaticamente a fazer a série de televisão para a Screen Gems.


Para a série foi contratado também Norman Fredric para interpretar o amigo confidente, o hindu Kasseen. Norman mudou depois seu nome para Dean Frederic e trabalhou em outra séries como Steve Canyon, entre outros.

 Martin Huston para interpretar o filho de Jim e a volta de Tamba, o chipanzé, que era interpretado por alguns chipanzés da Neal of the World Jungle Compound. O ator Paul Cavanagh também fez algumas participações como Comissário Morrison.

Ao contrário da maioria dos filmes de Jim das Selvas, a série de televisão usou vários atores negros para retratar os africanos, embora Jim visitasse também outros continentes, principalmente a selva asiática.

 Cada episódio da série tinha aproximadamente 25 minutos e quase sempre Jim aparecia envolvido em algum mistério ou ajudando algum nativo contra os homens brancos, assim como era frequente os temas envolvendo Jim ensinando uma lição ao seu filho. Para viajar Jim tinha um avião chamado "The Sitting Duck" (O pato sentando).

Algumas das cenas da série foram filmadas no estúdios da MGM que mantinha sua própria selva e rio. Ocasionalmente eram usadas cenas dos antigos filmes.


** JIM DAS SELVAS NO BRASIL**


Inicialmente a TV Tupi exibiu alguns filmes de Jim das Selvas, esquecendo  completamente o primeiro, devido a não ser estrelado por Jhonny Weissmuller.

Segundo algumas grades de programação do extinto jornal "Diário de São Paulo", Jim das Selvas era exibido aos sábados, no final da tarde, a partir de fins de 1966. A TV Tupi não exibiu os 16 filmes produzidos e nem por ano de produção.

 Apesar do sucesso, Jim das Selvas reapareceria pouco tempo depois, em 1967, na TV Record, porém  exibindo os mesmos filmes.




Somente com a TV Excelsior é que Jim das Selvas seria exibido na íntegra, tanto os filmes como a série de tv que esteve no ar durante todo o ano de 1968, no horário das 16h, de segunda à sexta.

A TV Excelsior utilizou o recurso de dividir os filmes em três partes, pois a sua duração variava de 70 a 90 minutos. Dessa forma, ficaram com cerca de 30 minutos, o que equivalia praticamente à duração de um episódio da série.


**A  DUBLAGEM**


Todos os filmes, assim como a série de tv foram dublados integralmente pela AIC.

 Inexplicavelmente essa dublagem desapareceu quase completamente, restando pouquíssimos filmes com a dublagem original, uma vez que a Columbia Pictures e a Screen Gems conservaram o áudio de muitas outras produções contemporâneas como, por exemplo, Os 3 Patetas, foge à nossa compreensão o que teria ocorrido com o áudio de Jim das Selvas.



 ** 1ª VOZ DE JIM DAS SELVAS**

Devido a alguns filmes terem sido dublados por volta de 1966/67, quando foram exibidos pela primeira vez pela TV Tupi, o ator e dublador José Parisi dublou o personagem, porém já em meados de 1968 quando a TV Excelsior exibiu filmes inéditos e a série de tv, a voz de Jim das Selvas coube a Carlos Alberto Vaccari.



** A 2ª VOZ DE JIM DAS SELVAS**

Essa é a razão de encontrarmos dois dubladores para o mesmo personagem, pois provavelmente José Parisi estava ausente da AIC dedicando-se mais às novelas da tv Tupi.

Atualmente encontramos até alguns dvds de Jim das Selvas, porém somente legendados. A dublagem da AIC é encontrada somente com poucos colecionadores e, o mais curioso é que, somente alguns filmes são encontrados. Não encontramos vestígios da série de tv com a dublagem original.




Seja como for, Jim das Selvas foi um marco na história do Cinema e também da televisão. Infelizmente, para nós brasileiros, desde a sua última exibição nunca mais retornou a série de tv e tão pouco os filmes, apenas, em 1996, o canal a cabo Warner exibiu alguns poucos. 


**PARA  RELEMBRARMOS A DUBLAGEM DE JIM DAS SELVAS**


**VÍDEO 1 / DUBLADOR: JOSÉ PARISI**



**VÍDEO 2 / DUBLADOR: CARLOS ALBERTO VACCARI


     **Fonte de Pesquisa:  Jornal "Diário de São Paulo" de 09/11/1966.
                                       * Revista Intervalo: maio / 1968.


**Marco Antônio dos Santos**

1 de março de 2012

O ESTÚDIO IBRASOM


Em 1959, um ano após o início das atividades do estúdio Gravasom, surgia
na cobertura de um alto edifício na esquina da praça Marechal Deodoro com a rua dos Pirineus, o primeiro estúdio concorrente em São Paulo: a Ibrasom.

 Categorizada empresa especializada em dublagens, fundada por um grupo americano, e nomeando como Diretor Artístico ADRIEN FILHO, ex-integrante do elenco de radioteatro da Rádio São Paulo. 

Os responsáveis pela Ibrasom, sendo americanos, possuíam grande influência nesse ramo de atividade. Foi inegavelmente uma grande fase no terreno das dublagens, quando São Paulo dominava inteiramente o mercado.

Basicamente, durante os primeiros anos da década de 1960, a AIC e a Ibrasom eram concorrentes muito fortes, principalmente devido a qualidade dos dubladores, uma vez que praticamente o elenco de vozes era quase o mesmo.

Até hoje, os dubladores podem atuar em qualquer estúdio. Sendo assim, nomes como Borges de Barros, Ronaldo Baptista, Sandra Campos, Lima Duarte, Marcelo Ponce, Gervásio Marques e tantos outros dublavam em ambos estúdios.

A Ibrasom também foi a grande oportunidade para aqueles que queriam iniciar na dublagem. Um grande exemplo é o de Carlos Campanile que, futuramente, migraria para a AIC, além de ter como um dos diretores de dublagem, o saudoso José Soares, que conhecia praticamente tudo sobre a arte de dublar. Ele foi também o grande responsável pelo descobrimento de muitos talentos. Outro diretor de dublagem com destaque na Ibrasom foi Ricardo Nóvoa, o qual também fez uma longa carreira na dublagem.


**RICARDO NÓVOA**

Desde que a AIC surgiu, em 1962, a Ibrasom acabou sendo sempre uma espécie de "pedra no sapato da AIC", pois o mercado de dublagens se dividia quase que 50% entre os dois estúdios.
Um estúdio, cujos proprietários eram americanos, enfrentava a AIC com qualidade também em suas dublagens e, aparentemente, seria muito difícil de ser vencido.

A Ibrasom, tinha como característica, confeccionar a abertura das séries de tv , seriados do cinema e até filmes, totalmente escritos em português. Essa era a marca do estúdio, surgindo muitas vezes até o nome do episódio de uma série na nossa língua materna.

Porém,  aquilo que parecia que seria uma grande e longa disputa entre os dois estúdios teve o período de 4 anos. Em 1966, a AIC consegue adquirir a Ibrasom do grupo americano, passando a dominar o mercado quase que totalmente sozinha, pois o estúdio Odil Fono Brasil era muito modesto e limitado devido aos seus proprietários pertencerem à classe política brasileira.

O estúdio é rebatizado com o nome de Ibis e ficou sendo utilizado pela AIC para certas finalizações, mixagens e pequenas dublagens (principalmente para os filmes nacionais). O estúdio Ibis passa a ser uma simples extensão da AIC, o qual teria também uma vida bem curta, uma vez que o declínio econômico da própria AIC fez com que encerrasse logo as portas do estúdio Ibis.

**Sílvio Matos: dublador e técnico de som na AIC**

Na realidade, por mais que  tenhamos nos debruçado no assunto, nunca ficou estabelecido com clareza o período de vida do estúdio Ibis. Segundo o dublador e técnico de som Sílvio Matos, teria sido apenas cerca de 1 ano e meio, mas há falta de registros, de documentos que comprovem o seu período de existência.

Com o encerramento definitivo da Ibrasom, muitos dubladores passam a atuar mais na AIC, onde havia um volume gigantesco de produtos para serem dublados. É assim, que o excelente José Soares ingressa definitivamente na AIC e já com uma bagagem enorme em direção de dublagem, a qual foi extremamente profícua em diversos trabalhos realizados por ele.

**José Soares: nome que pertence à história da dublagem**

Há alguns fatos estranhos e até curiosos na ascenção e queda da Ibrasom:

1 - As dublagens realizadas pelo estúdio, apesar de excelentes, desapareceram completamente. Hoje, só encontramos algum vídeo através de colecionadores. Aqui cabe uma dúvida: será que tudo dublado pela Ibrasom se perdeu completamente ?

2 - O outro fato mais estranho é como a AIC, que já apresentava alguns sinais de crise econômica, conseguiu adquirir um estúdio ! Até hoje, não encontramos nenhuma resposta definitiva, apenas hipóteses, de acordo com a visão de cada profissional que participou dessa época. Sendo assim, não estamos aqui para levantar hipóteses, nosso trabalho se restringe a fatos comprovados por mais de uma fonte.

Ao falar sobre a Ibrasom, em 1989, o saudoso artista brasileiro Borges de Barros disse o seguinte: 

 "Até que a Ibrasom viria prematuramente a encerrar suas atividades, para tristeza e frustração de muitos profissionais. Da mesma forma como surpreendentemente surgiu,  desapareceu. Um capítulo muito importante na  história da dublagem brasileira."

** Vejamos um vídeo com a dublagem da Ibrasom, conseguido por colecionadores:

**FLASH GORDON CONQUISTA O UNIVERSO**


***Fonte de pesquisa:

Depoimentos de dubladores / Acervo Pessoal**


                **Marco Antônio dos Santos**