5 de dezembro de 2012

MEMÓRIA AIC (16): O GORDO E O MAGRO



Laurel and Hardy ou O Gordo e o Magro era uma dupla de comediantes que fizeram um imenso sucesso no cinema e também na televisão. A história da dupla tem início por volta de 1918, quando a companhia produtora Sun-Lite Pictures produziu um filme mudo chamado “The Lucky Dog”, exibida em 1921, onde dois cômicos, um ator inglês, bem magrinho chamado Stan Laurel e o outro, ao contrário, um ator americano gordo conhecido como Oliver Hardy, participou desta produção, cada um desempenhando seu papel.

Em 1926, voltaram a se encontrar novamente numa produção de Hal Roach chamada “45 Minutes from Hollywood”, mas como da primeira vez, cada um representou seu papel dentro do filme, isoladamente. Alguns anos depois foram novamente chamado pelo diretor Fred Guiol e pelo supervisor Leo McCarey, para formarem uma dupla cômica no filme “The Second Hundred Years”. Assim nascia a famosa dupla de cômicos, Laurel & Hardy, que no Brasil ficou conhecido como O Gordo e o Magro.

A partir de então, a dupla de cômicos pasou a atuar nas produções de Hal Roach. Nessa mesma época o cinema via nascer o som nas películas e muitos filmes passaram a ser sonoro, o que provocou o desaparecimento de muitos atores do cinema mudo, por não se adaptarem a essa nova tecnologia.

A partir de então a dupla, Laurel & Hardy, passaram a participar de diversos curtas-metragens, sonoros e longa-metragens, fazendo cada vez mais sucesso, chegando a ganhar, em 1932, um Oscar como o melhor curta-metragem de comédia com o filme “The Music Box”.Por volta de 1936, o produtor Hal Roach resolveu deixar a MGM, que distribuía seus filmes e assinou contrato com a United Artists em 1938.


Por volta de 1940, Laurel & Hardy não quiseram mais trabalhar para Roach e foram para outras companhias como a Fox e MGM, mas não se deram muito bem, ficando relegados a filmes classe B. Nos fins dos anos quarenta, cada um deles tentou trabalhar em outros filmes separadamente e ambos mostraram serem bons atores.

Finalmente em 1951, a maior dupla de todos os tempos, realizava o seu último filme junto em “Atoll , também conhecido como “Utopia”. O filme mostrava um Hardy mais obeso e um Laurel visivelmente doente e a película acabou não sendo bem recebido. Depois desse filme a dupla deu um bom tempo de folga e de vez em quando, um ou outro participava de um filme. Suas últimas aparições na televisão foi no programa da BBC chamado “Grand Order of Water Rats”.

Oliver Hardy teve na manhã de 14 de setembro de 1956 um derrame cerebral que deixou seu corpo imobilizado e acabou morrendo em 7 de agosto de 1957. Laurel não compareceu em seu enterro e disse que Hardy o entenderia. Nos anos seguintes Laurel voltou a fazer pequenas participações em alguns filmes e também recebeu um Oscar honorífico por sua contribuição ao cinema em 1963.

Stan Laurel morreu em de um ataque de coração em 23 de fevereiro de 1965. Os seriados de televisão chamados de Laurel & Hardy são na realidade alguns filmes de curta-metragens mudos, realizados durante as épocas áureas da dupla, que foram adaptados em forma de séries e passaram a ser apresentando em diversas emissoras de televisão, em várias partes do mundo
A dupla, Laurel & Hardy aparecem em aproximadamente 106 filmes, de diversas categorias como curta metragens - mudos, sonoros e longa metragens.


**A DUBLAGEM DE O GORDO E O MAGRO**

Em 1967, a Tv Tupi de São Paulo adquiriu os direitos para a exibição das produções  de Oliver Hardy e Stan Laurel. Naquela época, tudo foi enviado para a AIC e, já em 1968, estreava na tv toda a obra da dupla de comediantes.

**SAMUEL LOBO**

Conforme pesquisamos, a tradução coube a Samuel Lobo, que fez todo um roteiro para as comédias "mudas", as quais a Tv Tupi também as exibiu. Segundo a técnica de som Dalete Cunha, Samuel Lobo "possuía a genialidade de, praticamente, colocar um áudio que fosse além das simples legendas."

Conforme nos relatou Luciano Lobo, filho de Samuel, realmente a capacidade de seu pai era fantástica para traduzir, sobretudo, esse gênero de comédias.

A Tv Tupi exibiu todas as comédias curtas "mudas" e também sonoras e, posteriormente, os filmes da dupla também o foram.
Praticamente, alternando em diferentes horários a Tv Tupi manteve O Gordo e o Magro de 1968 até quase o encerramento das suas atividades, deixando em alguns períodos fora do ar.

O show da dupla acabou sendo, após o advento da tv a cores no Brasil, uma espécie de programação da "hora", a qual poderia entrar em qualquer horário, mas as comédias "mudas" jamais foram reprisadas.

Com o término da Rede Tupi em 1980, O Gordo e o Magro fica algum tempo fora do ar, mas em meados da década de 1980 chega à Tv Bandeirantes, onde também foi exibido por diversos anos, em diferentes horários, chegando na última exibição, a ocupar o horário das 7h da manhã de segunda à sexta, durante o ano de 1989/90.


**OS DUBLADORES**


A direção de dublagem caiu nas mãos da experiência e competência de José Soares, o qual dublou Oliver Hardy de uma forma fantástica. Para a dublagem de Stan Laurel, a genialidade de Waldyr Guedes, que, mais uma vez, demonstrou a potencialidade de trabalhar com a voz e interpretação de uma forma inigualável.


Em meados da década de 1990, surgiu a notícia do desaparecimento desta dublagem excepcional. Isto ocorreu devido ao fato de alguns curtas terem sido colorizados e redublados. A Rede Globo chegou a exibí-los, durante um breve período, nas manhãs de domingo. Porém, o resultado não foi o esperado e logo cederam o espaço a outra programação.

**WALDYR GUEDES**

Os fãs achavam que realmente, assim como ocorreu com outras séries de tv e filmes, esta dublagem teria também se perdido, entretanto, logo no início da década de 2000, a Rede Brasil inicia a exibição, em preto e branco, das comédias sonoras da dupla e com a dublagem da AIC, algo realizado também, por um breve período, pela Rede Record.
 Além disso, alguns longas de Oliver Hardy e Stan Laurel foram colorizados e até lançados em dvds, por distribuidoras menores, trazendo a dublagem original.

Atualmente, encontramos no mercado de dvds, episódios e filmes da dupla (colorizados ou não), porém percebe-se que a dublagem original da AIC está presente em alguns e, em outros (com as imagens mais restauradas), há a redublagem da década de 1990.

Para os fãs que queiram adquirir O Gordo e o Magro, a melhor solução ainda é procurar colecionadores alternativos, os quais gravaram da Tv Bandeirantes ou da Rede Brasil, do que se arriscar a adquirir a redublagem.

**AS VOZES DE JOSÉ SOARES E WALDYR GUEDES**

O trabalho realizado pelo trio: Samuel Lobo, José Soares e Waldyr Guedes é algo digno de aplausos, pois observamos a excelência da dublagem realizada pela AIC.
Embora, os três já tenham partido para o "estúdio do céu", certamente deixaram uma obra digna de eternos aplausos.


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE O GORDO E O MAGRO**

**EPISÓDIO: "UM DIA DE CORONEL"
video


**EPISÓDIO: "BOLA DE NEVE"**
video


**Fonte de Pesquisa: "TV Sinopse"

           "Acervo Pessoal"

**Marco Antônio dos Santos**

17 de outubro de 2012

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (17): AGENTE 86




 Agente 86 foi uma série que nasceu como uma paródia dos filmes e séries de espionagens nos tempos da Guerra Fria e foi apresentado originalmente pela NBC, nos Estados Unidos, de 18 de setembro de 1965 até setembro de 1969, depois foi apresentada pela CBS de 26 de setembro de 1969 até 1970, num total de 138 episódios, em 5 temporadas.

A série nasceu de uma idéia de Dan Melnick, um dos fundadores da Talent Associates, que queria produzir um seriado baseado num agente secreto dentro de um gênero cômico, pois a década de 1960 foi uma época recheada de vários lançamentos de heróis espiões como James Bond e de outros personagens/agentes que se proliferaram no cinema, televisão, livros e até em histórias em quadrinhos.

Melnick se juntou a Leonard Stern e David Susskind e começou a desenvolver o projeto com o auxílio de Mel Brooks e Buck Henry. Alguns autores mencionam que o projeto fora oferecido inicialmente para a ABC, foi recusado pois os executivos da rede queriam Tom Poston para protagonizar o papel de Maxwell Smart, além disso propunham acrescentar outros personagens, como um cachorro e uma mãe para Max, o que foi rejeitado principalmente por Mel Brooks.
  
Diante da recusa, o projeto foi levado para a NBC que aceitou fazer o piloto da série. Mel Brooks escolheu Don Adams para o papel principal do agente secreto, depois de assistir Don na série "The Bill Dana Show", onde ele interpretava um detetive bem atrapalhado chamado Byron Glick.

Conta-se que quando Don foi convidado a interpretar o papel ficou bastante hesitante, mas quando descobriu que Brooks e Henry escreveriam o roteiro, aceitou imediatamente o contrato para fazer a série piloto.




Logo em seguida, Henry convidou Barbara Feldon depois de tê-la visto num comercial da Revlon e por ter sido uma das ganhadoras de um programa em que respondia questões sobre a vida e obra de Shakespeare, para fazer o papel da Agente 99, a companheira de 86.

Para completar o trio e para o papel do Chefe do Controle, foi escolhido Edward Platt, que protagonizava um personagem sério, ponderado, mas que sofria de tremenda dor de cabeça por causa das atrapalhadas que Max vivia lhe arrumando.
As idéias inicias da série foram criadas por Mel Brooks que concebeu a criação do sapato-fone e a cúpula do silêncio e Leonard Stern, que criou várias frases ditas por Maxwell Smart, inclusive o encerramento de cada episódio, onde a porta acaba batendo no nariz de Max.

E assim, num sábado, 18 de setembro de 1965, o Agente 86 estreou na NBC, num capítulo único, em branco e preto e em poucas semanas já liderava com grande amplitude os índices de audiência, privilégio que manteve por mais ou menos 4 anos, numa época caracterizada pela abundância de grande séries.  

A série recebeu várias indicações, ganhou 3 Emmys como a Melhor Série Humorística e Don Adams levou 3 de Melhor Ator de Comédia entre 1967 a 1969. O seriado foi visto em aproximadamente 50 países com grande sucesso.

Um dos principais inventos era a "cúpula do silêncio", que era uma espécie de bola de vidro sob a qual as pessoas conversavam para que o assunto não vazasse para fora. O único problema é que as pessoas não conseguiam nem ouvir lá dentro.

Tinha também o glorioso "sapato-fone", um sapato que Max usava e que também servia para comunicar-se principalmente com o Chefe. Outros implementos iam desde um estranhíssimo extintor de incêndio, até um sanduíche com um microfone em forma de batata frita.


**AGENTES 86 e 99: UMA DUPLA INESQUECÍVEL**


A série conta as aventuras de Maxwell Smart, um agente secreto, mais conhecido como 86, que trabalhava para uma organização secreta do governo americano chamada "Controle", uma organização dedicada a combater a tenebrosa "Kaos".



A Kaos tinha o caráter de ser uma organização malvada formada por um conjunto de ex-oficiais nazistas, agentes soviéticos e vilões orientais. O Controle, por sua vez, era do bem, tinha sua sede em 123 da Main Street, em Washigton.

Sua fachada era numa velha tinturaria. Nos fundos havia um longo corredor com inexpugnáveis portas, que fechavam e abriam e vira e mexe, na saída acabavam prendendo o nariz de Max. Este corredor levava a uma cabine telefônica, onde ao discar um número chave, permitia chegar diretamente ao décimo subsolo.



**EDWARD PLATT (CHEFE) E BARBARA FELDON (99)**


O Controle era uma organização muito respeitada e difundida por todo o mundo e esse respeito só é colocado em xeque, quando todos passam a conhecer Maxwell Smart, o espião mais desajeitado, conhecido também por colidir com as paredes, destruir seu apartamento e as paredes que separa seu quarto de conferência com o escritório do Chefe, o chefe do Controle.



Maxwell Smart também era dono de frases incríveis e inesquecíveis como: "desculpe, por isso, Chefe!", "vou adorar" ou o "O velho truque do revólver escondido na caneta!!!", que acabou sendo usado por vários comediantes.






Max é auxiliado pela Agente 99, que embora seu nome nu
nca fosse realmente revelado, é provavelmente Susan Hilton, revelado num dos episódios, mas logo negado dizendo tratar-se de uma fraude.

Ela era realmente o cérebro de todas as operações, já que cérebro era o que mais faltava ao Max, apesar de todo o crédito irem para 86, mesmo porque ele sempre reivindicava isso para ele mesmo. 


A organização conta também com o Chefe, que é o chefe do Controle e muito amigo de Max e 99, apesar de sempre estar disposto a sacrificar a vida de 86 e 99 numa perigosa missão. Isto é claro, não significa que ele não goste dos dois, mas trabalho vem sempre antes da amizade.


O episódio que obteve maior audiência foi quando 99 e 86 se casam, mas com o suceder do casamento os personagens principais começaram a perder a graça, até que em setembro de 1970, culminou com o encerramento da série.



**CASAMENTO DE MAX E 99**

**Don Adams (Max)  nasceu a 13 de abril de 1923 e faleceu em 25 de setembro de 2005, vítima de câncer no pulmão.
**Edward Platt (Chefe) nasceu a 14 de fevereiro de 1916 e faleceu em 19 de março de 1974, vítima de ataque cardíaco.
 **Barbara Feldon nasceu a 12 de março de 1932. Em 2006,  forneceu comentários em áudio para o DVD da série Agente 86, sendo o único membro do elenco principal ainda vivo

 
**AGENTE 86 NO BRASIL** 


Com o estrondoso sucesso nos Estados Unidos com a 1ª temporada, a consequência natural foi trazer a série para o Brasil. Assim, a TV Record de São Paulo adquiriu os direitos de exibição e custeou a dublagem da série.
Agente 86 estreou no dia 16 de julho de 1967, num sábado, às 18h30, antes da exibição de uma novela.
A audiência no Brasil foi imediata e a TV Record utilizou como estratégia reprisar o episódio num dia da semana por volta das 17h.


Com o sucesso, a TV Record não abriu mão da série e foi adquirindo as temporadas seguintes. Dessa forma, a TV Record ficou com os direitos da série por 5 anos, exibindo-a na íntegra, apenas houve diversas alterações de dias e horários para exibição.
Já em meados de 1972, com o término da série, a TV Record exibia Agente 86 de segunda à sexta nos horários vespertinos, mas como a 5ª temporada não emplacou audiência também no Brasil (devido ao casamento de Max e 99), a série foi retirada do ar. Entretanto, interessante é o fato da emissora ter exibido todos os 138 episódios, que fizeram fãs do Agente 86 até hoje.


O seriado cômico ficou menos de 3 anos fora do ar e, em março de 1975, retornaria pela Rede Globo, sendo exibido às terças e quintas após A Noviça Voadora, às 14h. Em 1976, foi retirado do ar, mas ainda teria alguns poucos episódios exibidos, em 1977, na Sessão Comédia.


**AGENTE 86: ENORME SUCESSO NO BRASIL**


Durante mais 3 anos o seriado ficou fora do ar e, em 1980/81, Get Smart retorna pela TV Bandeirantes.
Novamente, Agente 86 faz um enorme sucesso e foi exibido até meados de 1985, tendo ocupado algumas vezes o horário nobre da emissora. Todas as 5 temporadas foram exibidas, porém cerca de 15 episódios não o foram. O motivo: o desaparecimento da dublagem.
Em 1985, a TV Bandeirantes devolveu a série à distribuidora e, entre 1985 e 1990, ocorreu o desaparecimento da dublagem das 4 primeiras temporadas.


Em 1991, A TV Bandeirantes exibe as séries A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, Flipper e Agente 86 a partir das 15h, entretanto somente a 5ª temporada foi exibida, pois foi a única que sobreviveu com a dublagem.


Em 1990, o canal a cabo Multishow trouxe a sessão Retro TV e, entre as séries escolhidas estava Agente 86. No entanto, a emissora do sistema Globosat exibiu cerca de 3 temporadas totalmente legendadas. Já, por volta de 1992/93, o seriado foi retirado do ar definitivamente.
 Agente 86 só retornaria pela tv a cabo no final dos anos 2000, principalmente pelo canal TCM, mas redublado. A redublagem foi a mesma utilizada para a venda dos box em dvd da série.
Um fato curioso foi o canal TCM ainda ter exibido uma vez a 5ª temporada com a dublagem original, mas na reprise já estava redublada também.


**A DUBLAGEM DA SÉRIE AGENTE 86**


Há algumas controvérsias quanto à dublagem da 1ª temporada de Agente 86. Alguns sites citam o estúdio CineCastro, mas conversando com o dublador Bruno Netto, em julho de 2010, ele foi categórico:



**BRUNO NETTO: DUBLAGEM EXTRAORDINÁRIA**


 "a dublagem do 86 iniciou na AIC e se a memória não me falha, foi o José Soares que disse que eu tinha a voz muito parecida com a do ator. Eu terminei na CineCastro a dublagem do 86, mas foi iniciada na AIC".


Bruno Netto acredita que talvez tenha sido José Soares o diretor que escalou os 3 dubladores do elenco principal.
Realmente, a voz de Don Adams parece "sósia" da voz de Bruno Netto. Além disso, o dublador foi muito além, conseguindo captar com uma extraordinária perfeição todas as facetas de Max: o timbre de voz perfeitamente empostado, a interpretação fantástica transmitindo um humor , não só nos diálogos, mas também expressando o ator americano, de forma praticamente como se não percebessemos que era uma dublagem: a voz de Bruno Netto "brotava" naturalmente de dentro de Don Adams.


Das diversas dublagens inesquecíveis realizadas pela AIC, a de Bruno Netto para Max, é realmente um caso de união perfeita em todos os sentidos.


A atriz Barbara Feldon (Agente 99) foi entregue a experiente dubladora Aliomar de Matos (que estava há pouquíssimo tempo na AIC), mas que possuía uma enorme experiência do trabalho com a voz, realizada no Rio de Janeiro.


Mais uma vez, Aliomar de Matos demonstrou sua capacidade exemplar para comédia, mas também com um personagem meio sério, pois 99 era sempre a "voz da razão de 86"



**ALIOMAR DE MATOS: DUBLAGEM EXCELENTE**


Para a dublagem de Edward Platt (O Chefe), a escolha foi também perfeita: Mário Jorge Montini.
Com seu vozeirão, que sempre se enquadrava bem para vilões, aqui dublou um Chefe atormentado pelas trapalhadas de Max, com paciência excessiva.


Mário Jorge Montini dublou o ator Edward Platt , demonstrando toda a experiência trazida do Rádio e também como um dos pioneiros da dublagem brasileira. O resultado foi inigualável.



**A VOZ DO "CHEFE" EM AGENTE 86**


Assim, as 4 primeiras temporadas de Get Smart, foram dubladas exemplarmente pela AIC. Para a dublagem de tantos episódios, estiveram presentes inúmeros dubladores da época: José Soares, Arquimedes Pires, Eleu Salvador, Lucy Guimarães, Ézio Ramos, Sílvio Navas, Isaura Gomes, Hugo de Aquino Júnior, Aldo César, Maria Inês, Sílvio Matos, Xandó Batista, etc.


Uma verdadeira obra-prima na história da dublagem brasileira, a qual infelizmente desapareceu completamente.


No início de 1971, Bruno Netto dublou a 5ª temporada já no estúdio CineCastro. Os produtores mantiveram Bruno Netto com o personagem, porém os demais foram alterados.


**A REDUBLAGEM DE AGENTE 86**


Desde meados da década de 1990, pesquisamos o que realmente teria ocorrido com a dublagem da AIC e como a dublagem da 5ª temporada, realizada pela CineCastro, ficou preservada.
Obtivemos diversas respostas, mas muito superficiais, sem embasamento com fatos e também pessoas e sites sempre postaram opiniões pessoais como incêndios em emissoras de tv. Durante todos esses anos, nunca o nosso Blog se manifestou definindo os motivos reais, pois ainda faltavam algumas peças desse quebra-cabeça.


Primeiramente, pesquisamos o motivo da 5ª temporada ter resistido. Este fato ocorreu porque a produtora do seriado, a Talent Associates, possuía uma distribuidora para as 4 primeiras temporadas exibidas pela NBC. Já quando a 5ª temporada foi exibida pela CBS houve a mudança de distribuidora.


No Brasil, infelizmente, a distribuidora Brás Continental era a responsável pelas 4 primeiras temporadas. Esta distribuidora faliu em meados da década de 1980 e muitos filmes e séries de tv tiveram as suas dublagens literalmente apagadas.
Além de Agente 86, temos as séries clássicas: Jornada nas Estrelas, Bonanza, Missão Impossível e muitas outras, onde cometeram um verdadeiro "crime" contra a Arte brasileira.


A 5ª temporada tinha como distribuidora a Warner, que conservou a dublagem até o final dos anos 2000, quando resolveu lançar em dvds todas as 5 temporadas. Com o encerramento da Brás Continental, a Warner conseguiu, depois de muitos anos, os direitos sobre o seriado todo, porém redublou até a última temporada em nome de uma qualidade de áudio digital.




Evidentemente, redublar um trabalho tão grandioso como a série Agente 86 foi difícil. Para a dublagem de Max foi escolhido Mário Tupinambá Filho, o qual não obteve êxito com os fãs. Já José Santana marcou, com qualidade, a dublagem do Chefe, embora a direção de dublagem retirou muito da sua indignação, espanto e até o humor.


Entretanto, em nossa opinião, o caso mais grave desta redublagem foi a tradução. Parece que os tradutores não tiveram a mínima preocupação em transformar as diversas piadas americanas para formas de expressão próprias da língua portuguesa. O trabalho de tradução, aparentemente, transparece que foi realizado de forma apressada, sem o mínimo conhecimento de equivalência linguística.


Não questionamos a escolha do dublador para Max. Afinal de contas, seria impossível encontrarmos um outro Bruno Netto, notamos que Mário Tupinambá Filho, assim como os demais, foram prejudicados pela tradução e pela direção de dublagem.


O diretor de dublagem conseguiu a "proeza" de retirar todo o lado cômico de Agente 86, transformando os personagens de forma caricata.
Dessa maneira, como os dubladores conseguiriam realizar um trabalho mais à altura desta série tão querida da década de 1960 ?


A qualidade artística de Mário Tupinambá Filho é muito boa, porém seguiu as orientações desconexas da direção de dublagem e um texto muito mal traduzido.


Seja como for, na realidade, é que perdemos mais uma dublagem com Arte da AIC, numa época em que, sem computadores, se realizava um trabalho com garra, qualidade, desde a tradução até a finalização do produto.


Atualmente, encontramos episódios de Agente 86 com a sua dublagem original, apenas com colecionadores que ainda conseguiram preservar esta raridade !
O nosso país também é campeão de jogar fora trabalhos artísticos da Dublagem, do Cinema e até da nossa Televisão !!!


**Vamos rever 3 episódios de Agente 86 com a dublagem AIC:












**Fonte de Pesquisa:

** Entrevista com o dublador Bruno Netto em julho/2010**

**Revista Intervalo: julho/1967**

**Guias de programação da TV: Revista Amiga / maio de 1975**

**Site TV Sinopse**

 **Acervo Pessoal**

**Marco Antônio dos Santos**

1 de outubro de 2012

A DUBLAGEM DO FILME "UM CERTO CAPITÃO LOCHART"




Will Lockhart (James Stewart) é um capitão do Exército norte-americano destacado para a missão de descobrir o contrabandista de armas que vende rifles de repetição para os apaches. Disfarçado de transportador de suprimentos comerciais Lockhart encontra o que restou de uma patrulha dizimada pelos apaches, sendo que um dos soldados mortos é seu próprio irmão mais jovem.

 Agora com dupla razão para cumprir sua missão, Lockhart chega com uma carga de tecidos à cidade de Coronado, no Novo México. A carga é entregue à comerciante Barbara Waggoman (Cathy O’Donnell) que sugere a ele que, para não retornar com as carroças vazias, recolha sal que há em abundância numa área próxima, de propriedade de seu tio Alec Waggoman (Donald Crisp).

 A região faz parte do império de Waggoman, poderoso barão de gado em cujas terras “pode-se viajar por três dias até encontrar os limites”. Waggoman tem um filho chamado Dave (Alex Nicol), moço arrogante e violento. Dave ao ver Lockhart enchendo as carroças de sal faz com que seus homens lacem e imobilizem Lockhart, queimem as carroças e matem as mulas que puxavam as carroças. Lockhart é salvo com a chegada de Vic Hansbro (Arthur Kennedy), o capataz do velho Waggoman e pretendente a parte da herança do barão.


  De retorno a Coronado Lockhart se encontra com Dave e lhe aplica uma surra. Vic vem em socorro de Dave e nova luta feroz ocorre, aparteada com a chegada de Waggoman. Ao tomar conhecimento da atrocidade cometida pelo filho, o velho indeniza Lockhart com 600 dólares e diz a ele que saia da cidade. Porém o incógnito capitão é contratado como capataz por Kate Canady (Aline MacMahon), proprietária da única fazenda da região que não pertence a Waggoman.



 Enquanto investiga quem vende armas para os índios, Lockhart é atacado novamente por Dave que brutal e covardemente dispara seu revólver a queima-roupa em direção à palma da mão de Lockhart. Alec Waggoman, que então perdera a quase totalidade da visão, revela a Vic sua intenção de tornar Dave seu único herdeiro o que faz com que cresça o conflito entre Dave e Vic que são os reais contrabandistas de armas.

 Dave decide vender de uma só vez uma enorme partida de armas aos apaches, no que é obstado por Vic que sabe que isso provocará ataques dos índios, a mobilização do Exército e o fim do negócio escuso de ambos. Vic mata Dave mas o velho Wagonnman descobre as armas, o que faz com que Vic tente assassinar o velho fazendo-o cair  com seu cavalo do alto de uma ribanceira.

 Alec Waggoman sobrevive e conta a verdade a Lockhart. Este obriga Vic a destruir as armas sob as vistas dos apaches que matam o contrabandista. Cumprida a missão e vingado o irmão, Will Lockhart retorna ao Forte Laramie.


A DUBLAGEM DO FILME


A dublagem realizada pela AIC data de 1968 e, apresenta desta feita, Wilson Ribeiro dublando o ator James Stewart. Este fato demonstra que Hélio Porto já havia se transferido para a cidade do Rio de Janeiro.
O ator James Stewart, praticamente, recebeu a voz de Hélio Porto em cerca de 80% dos filmes, inclusive, nas décadas de 1970/80 pelo estúdio BKS.

**Wilson Ribeiro: década de 1960**


O personagem principal, Capitão Lochart, possui uma personalidade muito forte e a dublagem de Wilson Ribeiro foi adequada e perfeita.
Há também as excelentes presenças dos dubladores Xandó Batista, Ary de Toledo, Dráusio de Oliveira, Magda Medeiros, Dulcemar Vieira e Sílvio Matos para os personagens principais.




Salientamos as dublagens extraordinárias de Xandó Batista e Ary de Toledo, com interpretações inigualáveis, e Sílvio Matos demonstrando todo o seu potencial artístico.


O filme Um Certo Capitão Lochart apresenta um certo "chiado" no áudio, porém este fato se torna pequeno em relação à dublagem realizada e, para os amantes das excelentes dublagens realizadas pela AIC, é preferível do que assistí-lo legendado ou redublado.




**Aqui, postamos dois vídeos relembrando e parabenizando a mais esta dublagem realizada pela AIC !


**VÍDEO 1 /
video


**VÍDEO 2 /
video


OBS> Há a presença, neste vídeo, do dublador Sílvio Navas no início de sua carreira, dublando o médico.


**Marco Antônio dos Santos**

9 de setembro de 2012

A DUBLAGEM DO FILME "CIDADÃO KANE"



A história conta como o repórter Jerry Thompson reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane, buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud".  A morte de Kane comovera a nação e descobrir o porquê daquela palavra se torna uma obsessão para o jornalista, que acredita poder encontrar nela a chave do significado daquela vida atribulada.

O repórter entrevista, então, as pessoas próximas a Kane.  Um emaranhado de informações vai se costurando, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso.  Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebra-cabeças que os espectadores vão montando.

Kane herda uma fortuna e deixa de viver com os pais para ser criado por um banqueiro, Walter Parks Thatcher.   Dentre todos os negócios que passam às suas mãos na maioridade, resolve dedicar-se ao jornalismo.

Atraindo as estrelas dos veículos concorrentes com salários maiores e praticando um jornalismo agressivo (que freqüentemente descamba para o sensacionalismo), Kane, ajudado por seu melhor amigo, Jedediah Leland, consegue construir um verdadeiro império da mídia.  Quando se casa com Emily Norton, sobrinha do Presidente, Kane é um dos homens mais poderosos da América.

 
Tenta carreira na política, concorrendo a governador como candidato independente; quando parece ter a vitória nas mãos, o outro candidato, Jim Gettys, traz a público um 'caso' de Kane com Susan Alexander, cujo escândalo provoca sua derrota.  Logo a seguir, ele se divorcia de sua primeira esposa, casa-se com Susan e se isola em seu inacabado palácio de Xanadu.  Com o passar dos anos, ele se torna cada vez mais amargo, até que Susan, cansada do isolamento em Xanadu, o deixa.

Depois de dois casamentos fracassados, passa seus últimos dias sozinho no palácio que construiu e para o qual levou tudo que o dinheiro podia comprar, desde obras de arte de valor inestimável até os animais mais exóticos do planeta.

Aos poucos, vai perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos.  Pode ser retrospectivamente visto como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso.  Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.



Como filme, "Cidadão Kane" é um poderoso e dramático conto sobre o uso e abusos do dinheiro e do poder.  É uma clássica tragédia americana sobre um homem de grande visão e de grande cobiça que chega ao topo e, depois, arruína-se e aos que estão à sua volta.

Um dos aspectos que tornam esse filme uma verdadeira obra-prima visual é, sem dúvida, a memorável fotografia de Gregg Toland.  O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas sequências sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção.  Na realidade, é impossível discutir "Cidadão Kane" sem mencionar Toland.

Sem contar com a genialidade de Orson Welles, o elenco principal é de primeiríssima linha, com interpretações sempre
perfeitas.


**CIDADÃO KANE (1941)**



** A DUBLAGEM **


Este filme foi dublado , conforme nossos registros, no ano de 1966. A dublagem foi realizada em pleno apogeu da AIC.
Há diversos dubladores que participam, até em personagens menores, e que dão um destaque de suas participações.

Neste filme, sem dúvida alguma, é a melhor dublagem para o ator Orson Welles, a qual foi realizada por Waldyr Guedes. Um trabalho primoroso deste "Mágico da Voz e Interpretação".
Kane apresenta diversas fases, do entusiasmo da juventude, da maturidade já com sua experiência nos negócios e a sua velhice. Em todas elas, Waldyr Guedes conduziu brilhantemente o seu desempenho.

É difícil de dizermos se esta dublagem foi a melhor de Waldyr Guedes. Alguns dubladores da época a consideram, mas o conjunto da obra deixada é vastíssimo e não nos atrevemos a considerar a dublagem de Kane como a melhor de Waldyr Guedes.
Acreditamos que, dentre todas as espetaculares que realizou, esta foi mais uma extraordinária. A dublagem de Waldyr Guedes mereceria um estudo mais aprofundado de toda a sua obra, como uma tese, para analisarmos com critérios a qualidade deste artista.

Merecem destaque as dublagens de Wilson Ribeiro, Dráusio de Oliveira, Líria Marçal, Neuza Maria, Xandó Batista e Borges de Barros.

O filme inicia com uma narração sobre a vida de Kane, a qual Neville George faz como se estivessemos realmente assistindo a um documentário.

Uma dublagem ímpar, que se torna impossível compará-la até com outras excelentes da própria AIC.



**FOTOGRAFIA BRILHANTE**


**ELENCO PRINCIPAL / PERSONAGENS / DUBLADORES 


Orson Welles

(Kane):  Waldyr Guedes.

Agnes Moorehead

  (Sra. Mary Kane): Gessy Fonseca.



Joseph Cotten


(Jedediah Leland, repórter do Newsreel): Wilson Ribeiro.

Paul Stewart


(Raymond, mordomo de Kane):
 Ary de Toledo.

George Coulouris


(Walter Parks Thatcher): Amaury Costa.

Ray Collins

(Chefe James 'Jim' W. Gettys): Batista Linardi.











Everett Slone (Sr. Bernestein): Borges de Barros.

Dorothy Comingore (Susan Alexander): Neuza Maria.

Ruthy Warnick (Emily Monroe): Líria Marçal.

Erskine Sanford (Herbert Carter): Xandó Batista.

William Alland (Gerry Thompson): Dráusio de Oliveira.

Harry Shannon (Pai de Kane): Jorgeh Ramos.

Buddy Swan (Kane, garoto): Magali Sanches.

Narrador da vida de Kane: Neville George.

**Outras vozes que participam: Samuel Lobo, Helena Samara, Magno Marino, Renato Restier, Olney Cazarré, etc.



**Aqui, cabe uma curiosidade: a atriz Agnes Moorehead é dublada por Gessy Fonseca, a qual naquele ano dublava a mesma atriz na série A Feiticeira, com a personagem Endora.



**WALDYR GUEDES: A VOZ PERFEITA PARA KANE**


**VAMOS REVER ALGUMAS CENAS DUBLADAS DE CIDADÃO KANE**


**VÍDEO 1: A INFÂNCIA DE KANE**
video
OBS> Percebe-se, quando a dubladora Magali Sanches está gritando, que está claramente dentro do estúdio e não numa cena externa.


**VÍDEO 2: Waldyr Guedes, Neuza Maria, Líria Marçal e Batista Linardi.
video

**VÍDEO 3: Waldyr Guedes no discurso de Kane**

video



**Cidadão Kane é considerado um dos melhores filmes de todos tempos e a dublagem da AIC recebe os nossos aplausos !!



**Fonte de Pesquisa: Site 100 anos de Cinema**

**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**