28 de maio de 2011

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (09): DANIEL BOONE



Baseado nesta figura lendária, muitos livros, contos e alguns filmes foram criados e em 1964 a NBC resolveu lançar sua versão de Daniel Boone, convidando Fess Parker para protagonizar o lendário personagem das pradarias norte americanas havia interpretado um personagem parecido em Davy Crocket para a Disney. A série Daniel Boone estreou no dia 24 de setembro de 1964 pela NBC e ficou até 10 de setembro de 1970, num total de 165 episódios produzidos pelo estúdio Fox.


Em pouco tempo de exibição já aparecida nos primeiros lugares de audiência e popularidade, competindo de igual para igual com outras séries como Batman, A Ilha dos Birutas, Os Monstros, A Noviça Voadora, entre outras. A série, entre outras coisas, discutia a relação entre o homem branco com os índios e os métodos utilizados para que o território pudessem ser conquistados.


Mostrava também a invasão dos pioneiros e também as tribos que tinham constantemente que lutar contra os ingleses, que pensavam em reaver as terras perdidas durante a guerra. Ainda nesse cenário encontravam-se famílias em busca de uma vida melhor, caçadores de recompensas e de peles, oportunistas que tentavam vender armas aos índios e que ao mesmo tempo destruíam suas casas.

Entre os atores secundários que acompanham Parker estavam o ator Ed Ames como Mingo, um índio cherokee educado e amigo de Boone, o qual permaneceu em 5, das 6 temporadas produzidas.


Albert Salmi (1964-1965) como Yadkin, amigo e companheiro de Boone somente na 1ª temporada. Patricia Blair como sua esposa, Rebecca Boone.


Darby Hinton como Israel Boone, filho de Daniel. Veronica Cartwright como Jemina, sua filha, somente nas duas primeiras temporadas.. Ao longo dos anos outros atores surgiram no lugar de Yadkin como Jimmy Dean (1967-1969) como Josh Clements e Roosevel "Rosie" Grier (1969-1970) como Gabe Cooper, um escravo negro fugitivo e Dal McKennon (Cincinnatus), o proprietário do armazém no Forte, que também era um grande amigo de Daniel durante toda a série.


** A SÉRIE NO BRASIL**


Daniel Boone estreou no Brasil pela TV Record em 1967. Apesar de já ser sucesso nos Estados Unidos, a Record adquiriu os direitos somente da 1ª temporada, pois a série falava muito da história americana e os brasileiros poderiam não gostar.


Mas o sucesso veio de imediato entre os adultos e também com a garotada. A Record, que só exibia a série uma vez por semana, às 18h, logo passou a exibí-la três vezes por semana no horário das 18h e , posteriormente, alterando o horário.


Sendo assim, a TV Record adquiriu, ao longo do tempo, todas as temporadas e , em alguns períodos, foi exibida de segunda à sexta. Com o grande sucesso, a série ficou na emissora até 1971, ano que assistimos, pela última vez, a 1ª temporada, produzida ainda em preto e branco.


**FOTO DA 1ª TEMPORADA DE DANIEL BOONE COM ALBERT SALMI**


Já no ano seguinte, 1972, com a implantação da tv a cores no Brasil, a TV Bandeirantes exibe a série também diariamente, porém excluindo a 1ª temporada, o que foi sendo feito sucessivamente até hoje.


Em 1977, Daniel Boone já estava na Rede Globo, junto com as demais séries de Irwin Allen, inaugurando o horário matutino. Uma experiência que a TV Globo estava fazendo para verificar a possibilidade de ibope pelas manhãs, uma vez que foi a 1ª emissora a lançar uma programação a partir das 7h da manhã.A série dividia o horário e dias com as demais, ficando até meados de 1978. Contudo, já nessa época as primeiras temporadas de Daniel Boone, Perdidos no Espaço e Viagem ao Fundo do Mar não foram exibidas mais, devido a serem em preto e branco.


Durante a década de 1980, a série desapareceu das nossas emissoras, surgindo as temporadas coloridas ainda na extinta TV Guaíba de Porto Alegre por volta de 1987/88. Daniel Boone retornaria em agosto de 1990, novamente pela TV Record, na sessão Manhã de Aventura, época em que a emissora foi vendida por Paulo Machado de Carvalho Filho ao novo grupo. Ainda com dificuldades para implantar uma programação matutina, Daniel Boone, assim como as séries de Irwin Allen atraíram a atenção do público. Paulatinamente a emissora foi restruturando sua programação e as séries  foram cedendo espaço para novos programas e , em março de 1992, saem definitivamente do ar. Foi a última exibição de Daniel Boone pela tv.


Mesmo com o advento da tv a cabo no Brasil, o canal Fox nunca a exibiu, somente foi lançada a 2ª temporada da série em box com dvds, mais uma vez ficamos sem a 1ª temporada e, além disso sem as demais também!!


Um fato curioso dessa 2ª temporada é o episódio Caravana para Camberland, duplo, que vem como o último da temporada, no qual Daniel e Rebecca se conhecem. Na realidade, as duas partes do episódio pertencem a um longa produzido pela Fox ao final da 1ª temporada, assim, como já foi produzido a cores acabou inserido como um episódio duplo. É bem interessante, pois ficamos conhecendo como Daniel Boone e Rebecca se apaixonaram.


**A DUBLAGEM DA SÉRIE**


Daniel Boone revelou um novo nome para a dublagem: Arquimedes Pires. Com a sua voz forte e marcante ganhou o teste para ficar com o personagem, como nos contou em entrevista dada a este blog em outubro de 2008.


**ARQUIMEDES PIRES**


"Magno Marino e a minha inesquecível amiga Rita Cleós, em um dia de intervalo de gravações da novela "A Muralha", da TV Excelsior, Canal 9, me levaram até a A.I.C. e me apresentaram à Zaide, responsável pela escala de atores para dublagem; era o ano de 1967 e eu acabava de chegar de Curitiba onde havia passado o mês de junho, com aquela "tépida" temperatura curitibana, dormindo em um dos bancos dos jardins da Praça Osório; um mês onde tive a sorte de comer alguma coisa, se me lembro bem, oito vezes.

Isso não tem nada a ver com tua pergunta, mas foi uma experiência que me fez tão forte quanto necessário para enfrentar a vida e agradeço isso, sempre, ao Grande Espírito!

Em Curitiba eu fazia rádio, teatro e televisão.

Voltando ao tema; passei a "marcar ponto" na A.I.C. à espera de uma oportunidade, já que a TV Excelsior, a TV Paulista, o Teatro Brigadeiro, da TV Record, na Rua da Consolação, parte da TV Bandeirantes, no Morumbi e o Teatro Bandeirantes, na Brigadeiro, haviam sido vitimados por - até hoje misteriosos - incêndios e o mercado de trabalho estava restrito a algumas poucas oportunidades na TV Tupi e na TV Globo, Canal 5, então nova proprietária da extinta – pelas chamas! – TV Paulista, na Rua das Palmeiras, em São Paulo.

Dá pra imaginar a corrida atrás de alternativas de vida, do pessoal do ramo, que perdia praticamente todas as condições de trabalho com aquela onde de incêndios nos canais de televisão, na Paulicéia!

Os corredores da A.I.C. estavam sempre cheios de atores, novos e consagradas estrelas, à espera de uma chance de ganhar algum dinheiro.

Zaide se tornou uma grande amiga e, sempre que podia, me escalava para uma pontinha aqui, uma pontinha ali, um RKO1 aqui, um "vozerio"2 ali...

Até que um belo dia chega o "piloto"3 da série Daniel Boone, para seleção de elenco!

E lá vai a amiga Zaide e escala o garoto Arquimedes (21 anos de idade!) para os testes de voz para o ator principal, Fess Parker!

Estúdio 2 abarrotado!

Atores e atrizes às pencas pelos bancos e encostados às paredes, assistindo os testes e aguardando a sua vez de participar da grande chance de conseguir um personagem fixo, numa séria com duração prevista de 7 anos; naqueles tempos de vacas magras era uma excepcional oportunidade!

Os melhores atores da casa estavam a postos!

Olney Cazarré, Astrogildo Filho, José Parisi, Dráusio de Oliveira, Carlos Alberto Vaccari, Wilson Ribeiro, Osmiro Campos, Waldir Guedes, Waldyr de Oliveira, Silvio Matos, Carlos Campanile, Marcelo Gastaldi, Eleu Salvador, Turíbio Ruiz, Mário Jorge Montini, Marcelo Ponce, Gilberto Barolli, Aldo César, Luiz Pini, Borges de Barros, José Soares, Flávio Galvão, João de Ângelo, Sérgio Galvão, Ézio Ramos, Orlando Vigianni, Garcia Neto, José Guerra e outros tantos, disputavam, palmo a palmo, o grande elenco de bons atores da série; E ainda havia as atrizes que disputavam o mesmo sonho: Áurea Maria, Maria Inês, Maralise, Judy Teixeira, Helena Samara, Sandra Campos, Líria Marçal, Lucy Guimarães, Isaura Gomes, Dulcemar Vieira...

A direção dos testes era do Papa da dublagem, o velho e querido Older Cazarré.

Fui driblando as chamadas do diretor Cazarré e fui ficando para o final do teste; aproveitei o tempo para decorar completamente o texto, as inflexões e a interpretação de Fess Parker no papel de Daniel Boone; minha experiência em dublagem era ZERO, perto daquele timaço que estava no Estúdio!

Era um anel bastante difícil, mas quando chegou a minha vez, porque não havia mais ninguém, eu já o tinha completamente dominado.

Fui para o microfone e o diretor mandou soltar o anel na tela; e lá fui eu!

Ensaiei uma vez e mandei ir!

O Cazarré perguntou: Já, guri?

E eu respondi: Vamos tentar!

Gravando, gritou o diretor; e lá fui eu!

O anel apareceu na tela, a barra de sincronismo sumiu e eu mandei o texto, com carinho, capricho, determinação e uma vontade imensa de não decepcionar o diretor e, quem sabe, garantir o personagem!

Ficou! Gritou Older Cazarré ao final da primeira rodada do anel.

Um mês depois vem o resultado da seleção de vozes; era a escolha definitiva feita pelo dono da série.

Pra minha alegria... Fess Parker era meu e Daniel Boone me daria, a partir daquele dia, o sustento em São Paulo por um bom tempo!

Foi uma bênção de Deus!"  (Arquimedes Pires)


**Trecho de um episódio da 1ª Temporada, produzida em preto e branco**



A série ainda contou com a excelente dublagem de Áurea Maria para Rebecca Boone,Borges de Barros para o ator Albert Salmi na 1ª temporada, Maralise Tartarine para Jemima, Maria Inês para Israel Boone (ainda bem criança), Sílvio Matos para Cincinnatus e a voz inesquecível de Carlos Alberto Vaccari para o índio Mingo.
 

Arquimedes Pires dublou as 4 primeiras temporadas da série. A partir da 5ª temporada é substituído por Francisco Borges e, como Israel Boone cresceu, Zezinho Cútulo assume o personagem, já agora mais adolescente. Essa 5ª temporada foi previamente escalada e inicialmente dirigida pela dubladora Rita Cleós. Segundo Zezinho Cútulo, ela foi a grande orientadora para que ele se adaptasse bem ao personagem. Rita Cleós dirigiu vários episódios das duas últimas temporadas.


**A 2ª VOZ DE DANIEL BOONE: FRANCISCO BORGES**
 
Uma série de sucesso com 6 temporadas dubladas, algo que parece estranho, pois atualmente, muitas vezes,não conseguimos sequer duas temporadas dubladas. Uma dublagem magistral de todo o elenco da AIC que deu um tom glamorioso ao seriado, que possui fãs até hoje.


Mesmo com a substituição de Arquimedes Pires, devido a sua transferência de cidade, a dublagem continuou com o mesma qualidade.
A qualidade que sempre norteou a AIC!
 
**VAMOS REVER 3 EPISÓDIOS DE DANIEL BOONE**

**VÍDEO 1: Arquimedes Pires e Carlos Alberto Vaccari.


**VÍDEO 2: Mingo dublado por Antonio Cardoso. 




**VÍDEO 3: Francisco Borges (Daniel Boone) e Zezinho Cútolo (Israel Boone)




**FONTE DE PESQUISA: SITE TV SINOPSE /
 ENTREVISTA DE ARQUIMEDES PIRES DADA AO BLOG AIC EM 19/10/2008 /
 REVISTA INTERVALO (1967) /
 REVISTA AMIGA (1977) /
 ACERVO PESSOAL**


**Marco Antônio dos Santos**

18 de maio de 2011

DUBLADOR EM FOCO (106): JORGE PIRES

             
                       
   
Jorge Pires chegou à dublagem no final da década de 1960 participando dos estúdios de São Paulo daquela época: Odil Fono Brasil e AIC. Era um dublador muito requisitado para dublar os bandidos nos filmes de Western, o que deixava uma característica extraordinária para os personagens.


Na AIC, seu personagem de maior sucesso foi o fotógrafo desastrado, Gillie, com uma voz anasalada, no desenho Goober e os Caçadores de Fantasmas produzido em 1973.


**GILLIE**

Já no início da década de 1970, quando participou de Goober, dublou mais intensamente nos estúdios Álamo e CineCastro. Mas, um personagem em desenho animado ficou muito marcante a sua dublagem: Gomez, em A Família Adams, dublado pelo estúdio Álamo.


Paralelamente, Jorge Pires desenvolveu a sua carreira no cinema participando dos filmes: Sempre Maria e A Super Fêmea (1973) e com Mazzaropi em "Portugal...Minha saudade" (1974) e O Jeca contra o Capeta (1976).


Com o encerramento da AIC, Jorge Pires passa a dividir o seu trabalho entre os estúdios BKS e Álamo, chegando a participar de outros estúdios que foram surgindo como A Gota Mágica.


É na década de 1980 e 90 que se concentram seus trabalhos mais famosos em séries japonesas e animes: Os Cavaleiros do Zodíaco (1ª dublagem),  Zillion, Changeman, O Fantástico Jaspion, Jiraya e diversos personagens desse segmento foram realizados por ele.


Jorge Pires faleceu em 2001, mas desconhecemos a causa.


**Aqui, um vídeo no qual Jorge Pires dubla, no desenho "Goober e os Caçadores de Fantasmas", o personagem Gillie:

**PARTE 1 /
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**PARTE 2 /
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**Marco Antônio dos Santos**

14 de maio de 2011

CONVERSANDO SOBRE SANDRA CAMPOS



INTRODUÇÃO: Obtivemos contato com Alecksei Sant'anna, filho de Sandra Campos e do dublador Waldyr Sant'anna, o qual se prontificou a nos dar mais algumas informações sobre a carreira artística de sua mãe. Dessa forma, conhecemos mais alguns detalhes desta profissional, a qual teve uma importância relevante na história da dublagem.


1 - Qual a cidade natal e a data de nascimento de Sandra Campos ?

R:  Ela nasceu em Catanduva, interior de São Paulo, no dia 25 de outubro de 1941.


2 - Que profissões ela atuou antes de ingressar na dublagem ?

R: Formada em Psicologia, porém deixou a profissão para trabalhar com dublagem.


3- Sabemos que o seu nome verdadeiro era Maria da Penha Rosa. Você sabe o motivo dela ter adotado o nome artístico de Sandra Campos ?

R: Não.

4 - Ela foi uma das dubladoras mais atuantes desde o início da década de 1960. O que ela comentava sobre a arte de dublar ?

R: Sempre disse que era uma profissão muito bonita, porém, pouco reconhecida no Brasil.


5 - E a experiência dela na televisão ? Como foi participar da novela Dancing Days ?

R: Pouca experiência na televisão, pois não gostava de aparecer. No começo, não queria participar da novela e foi por insistência da mãe e famíliares.


6 - Você, ainda garoto, ia com ela para os estúdios da BKS. Você chegou a assistir as dublagens realizadas por ela ? O que você achava de tudo aquilo que via ?

R: Assisti a muitas dublagens dela e do meu pai, o dublador Waldyr Sant'anna. Achava aquilo maravilhoso.


7 - Qual a causa do seu falecimento, data e cidade ?

R: Faleceu em Setembro/1997, na cidade de Praia Grande (litoral de SP) de cirrose hepática e enfizema pulmonar.


8 - Que lições ficaram para você da mãe Sandra Campos ?

R: Caráter acima de tudo, humildade e sempre correr atrás dos objetivos. Ela sempre me dizia uma frase que me marcou muito: "A única coisa que nunca ninguém pode tirar de nós é o conhecimento adquirido".


9 - Você exerce a profissão de músico, quais lições a artista Sandra Campos te deixou ?

R: Que nesta profissão a competição é acirrada. Se me propuser a fazer alguma coisa, que seja sempre o melhor, e não apenas mais um.


10 - O significa para você, que o trabalho em dublagem de sua mãe ainda tenha muitos fãs até hoje ?

R: Fico muito feliz! Me emocionei muito quando vi o blog, pois não tinha noção que após tantos anos ela ainda fosse lembrada. Obrigada a todos os fãs pelo carinho.


**Alecksei Rosa Camargo Sant'anna**



**A título de curiosidade, apresentamos um de seus primeiros trabalhos na dublagem.
Na série Além da Imaginação, dublada em 1961, pelo estúdio Gravasom, Sandra Campos dubla a atriz Anne Francis no episódio "O Manequim".
Praticamente sua estreia na dublagem, depois atuou nos estúdios Ibrasom, Odil e, posteriormente, AIC.



**Marco Antônio dos Santos**

11 de maio de 2011

MEMÓRIA AIC (11): CANNON



Cannon era uma série de tv estrelada por William Conrad, que interpretava o detetive Frank Cannon e representava uma real mudança dos tradicionais investigadores particulares suaves e de rostos bonitos daquela época.

Ele era gordo, tinha por volta de 60 anos, meio careca, com as feições de sujeito mal encarado, cobrava altas taxas aos seus clientes por seus serviços, mas também trabalhava, muitas vezes, sem custos, para as pessoas menos favorecidas.

Ele levava um alto estilo de vida, que incluía até um luxuoso automóvel Lincoln Mark IV, frequentemente atingido e danificado. Raramente dava algum tiro, nem batia nos adversários.

Ele já havia sido casado, tinha um filho, mas não moravam com ele. Cannon era um sujeito muito honesto, já havia trabalhado como policial. A série foi apresentada originalmente nos Estados Unidos, pela rede CBS, entre 1971 a 1976, num total de 125 episódios.



**A  DUBLAGEM  NO  BRASIL **


Cannon foi dublado pelo veterano dublador Wolner Camargo, o qual foi um dos primeiros diretores de dublagem no início da AIC. Sua voz forte, límpida e aliada à extraordinária interpretação compuseram  o personagem perfeitamente para a tv brasileira.

A série estreou na Tv Bandeirantes, em 1972, logo após o início das transmissões a cores pelas emissoras de tv, as quais ainda dependiam muito de programas estrangeiros. Das 5 temporadas produzidas, foram exibidas 3, num total de 75 episódios.

A série fez um enorme sucesso na época e permaneceu na Tv Bandeirantes por muito tempo, até por volta de 1976, migrando para a Tv Record, porém permanecendo apenas dois anos.

A AIC dublou a 1ª temporada, entretanto, devido à crise econômica que se ampliava, a 2ª e 3ª temporadas foram dubladas pelo estúdio CineCastro, o qual já possuía um estúdio em São Paulo nessa época, localizado bem próximo da AIC.
Wolner Camargo permaneceu dublando Cannon também na CineCastro de São Paulo.

Infelizmente, após a sua última exibição pela TV Record, por volta de 1977/78, a série nunca mais retornou às emissoras abertas e nem a cabo. Com roteiros muito bem escritos, uma característica da Quinn Martin Productions, que obteve sucessos com as séries O Fugitivo, Os Invasores, São Francisco Urgente e Barnaby Jones.

**VAMOS REVER A DUBLAGEM DE CANNON PELA AIC**


**FONTE DE PESQUISA:

*Site TV Sinopse / Arquivos Jornal A Tribuna - Santos / Acervo Pessoal**



**Marco Antônio dos Santos**

7 de maio de 2011

DUBLADOR EM FOCO (105): CARLOS CAMPANILE



Carlos Campanile nasceu no bairro da Penha, na cidade de São Paulo, no dia 03 de junho de 1941. Antes de iniciar na dublagem trabalhou na CIA. Telefônica Brasileira (CTB, onde participava de algumas peças pelo Teatro de Ensaio do Telefônica Clube), depois foi bancário, ocasião em que trabalhando meio período teve oportunidade de fazer algumas figurações na TV Paulista - canal 5 - ainda pertencente à Organização Victor Costa.

A convite de um colega, foi assistir a uma dublagem no estúdio Ibrasom. José Soares, um dos diretores do estúdio achou que ele levava jeito para a dublagem e fez um teste com Campanile e assim se inicia a sua extensa carreira de dublador. Algum tempo depois, também a convite de José Soares, ingressa na AIC e ganha o seu primeiro personagem fixo: o engenheiro Scott da série Jornada nas Estrelas (escalado por Emerson Camargo).

SCOTT: PRIMEIRO PERSONAGEM FIXO

Já no ano seguinte, 1967, Carlos Campanile é indicado para o seu primeiro personagem fixo protagonista: Dr. Tony Newman na série O Túnel do Tempo. Segundo ele próprio nos relatou foi uma indicação de Hélio Porto, claramente acertada, pois o nosso "Campa" fez um extraordinário trabalho nessa série. Definitivamente, a partir daí ele se consolida como um grande nome do elenco de vozes da AIC.



TONY NEWMAN: DUBLAGEM PRIMOROSA

A partir daí, Carlos Campanile participa dublando diversos convidados em séries da época: Daniel Boone, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, O Homem da Valise, O'Hara e muitas outras, além do personagem fixo Tremayne na série Os Campeões e Glen Ford é a Lei.


Mais uma vez, mostraria todo o seu potencial dublando o personagem interpretado pelo ator Frank Sinatra no filme A Um Passo da Eternidade. Um trabalho com uma imensa responsabilidade, uma vez que Sinatra recebeu um Oscar por sua atuação. Mas Carlos Campanile fez um trabalho fantástico na interpretação exata que o personagem exigia. Segundo alguns dubladores, esta dublagem é uma referência na carreira do "Campa", que foi escalado por Sérgio Galvão, mais uma acertada escolha.

A DUBLAGEM DE FRANK SINATRA: DESEMPENHO EXEMPLAR

A direção de dublagem também viria com a série Marcus Welby, médico estrelada por Robert Young, além de alguns filmes.

Na AIC, participa de dezenas de filmes, os quais destacamos:

Uma certa casa de chá em Kioto (Glen Ford).
Cleópatra (Martin Landau).
Como nasce um bravo (Glen Ford).
          Gengis Khan (Omar Shariff).
Gilda (Glen Ford).
A mesa do diabo (Steve McQueen).
A um passo da eternidade (Frank Sinatra).


DIVERSAS DUBLAGENS DE GLEN FORD

Em 1973,  a convite de José Miziara, participa mais ativamente do estúdio Cinecastro onde realizou diversas dublagens de filmes como "Criminosos não merecem prêmios" dublando Paul Newman, um trabalho memorável, além de A Espiã de Calcinhas de Renda. Também esteve presente na direção de dublagem de alguns episódios das séries Cannon e Mod Squad, além de filmes clássicos do cinema.

Com o encerramento das atividades do estúdio CineCastro em São Paulo, Carlos Campanile se afasta da dublagem por cerca de 4 anos, exercendo a atividade de locutor comercial da TV Record e daí viria uma das mais queridas atividades que desempenhou: participar do programa "Desafio ao Galo". Este programa, realizado aos domingos pelas manhãs, trazia jogos de times pequenos, os chamados "de várzea". É o próprio "Campa" que relata como foi esse trabalho, o qual durou 22 anos:

 "Eu era locutor comercial da Rádio Record e locutor de cabine da TV Record. Um belo dia, o saudosíssimo Salvador Tredicce (Dôdô), mais uma excelente criatura que conheci nas minhas andanças "artísticas", que era diretor de TV e havia sido o criador do Desafio ao Galo, juntamente com o Tuta (se não me engano Antonio Augusto Amaral de Carvalho) e que depois passaram a bola para o Nelson de Arruda, me convidou para tentar dar um jeito nos comerciais do Desafio ao Galo, que naquela época já eram muitos e o também saudoso Raul Tabajara (que tive a honra e o prazer de conhecer no programa - outro que era uma criatura incrível) não estava coordenando direito a narração e os comerciais que ele também fazia.
Aceitei de bom grado o convite do Dôdô e fiquei lá por "apenas" 22 anos. Tenho muita saudade desse tempo e dessas pessoas"

Carlos Campanile ficou de 1974 a 1996 no programa Desafio ao Galo, mas após a greve dos dubladores, em 1978, retorna aos estúdios: Álamo, Odil Fono Brasil, BKS e TVS onde durante toda a década de 1980 realizou diversas e excepcionais dublagens:


A EECUÇÃO DO SOLDADO SLOVIK (Martin Sheen) - 01/ 1980 - BKS
FIBRA DE VALENTE (Joe Don Baker) - 06/ 1980 - ODIL
MASSADA, FORTALEZA HERÓICA (Protagonista - Minissérie) - 09/1981
ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE (Anthony Perkins) - ODIL -03/1982
A SAGA DO COLORADO (David Janssen) Minissérie - 04/ 1983 - BKS
O DIA DA IRA (Giuliano Gemma) - 03/1982 - BKS
GOLPE DE MESTRE (Paul Newman) - 02/1984 - BKS
PAI E FILHO (David Soul) - 05/ 1983 - BKS
TUBARÃO I e II (Roy Scheider) - 01/1984 - BKS
TUDO BEM NO ANO QUE VEM (Alan Alda) - 12/1983 -BKS
O CAVALEIRO ELÉTRICO (Robert Redford) - 03 / 1986 - BKS
EM ALGUM LUGAR DO PASSADO (Christopher Reeve) - 06/1987 - BKS
A ESQUINA DO PECADO (protagonista) - 07/1987 - BKS
PAPILLON (Steve McQueen) - 11/1984 - TVS
TAXI DRIVER (Robert de Niro) - 10/1986 - BKS

PAPILLON: MAIS UMA EXTRAORDINÁRIA DUBLAGEM

Atualmente, Carlos Campanile continua na dublagem, além de ter participado de estúdios já extintos, como Megasom e Gota Mágica, é escalado por diversos: Marshmallow, Dublavideo, Sigma, Centauro, Gabia, Clone, DPN, Vox Mundi, Tempo Filmes, SP Telefilmes, CBS, Woodvideo.

Outras dublagens realizadas:

Amadeus (personag.: Antonio Salieri)
Um lugar para recomeçar (RobertRedford)
Insonia (Al Pacino)
As duas faces da lei (Robert de Niro)
Dragon Ball Z (Freeza - desenho)
Os miseráveis (Liam Neeson)
Jurassic Park (Sam Neil)
Third rock from the sun (John Lithgow)
O senhor dos anéis (personag. Rei Theoden)
A menina de ouro (Clint Eastwood)

Além de toda essa extensa carreira na dublagem, queremos salientar que é um dos dubladores mais gentis para atender aos fãs, sempre nos auxiliando em dúvidas. O seu auxílio, para o esclarecimento de dúvidas surgidas para este blog, foi fundamental. Devemos muito a este extraordinário ser humano! 

**Revendo a dublagem de Carlos Campanile na AIC**

**VÍDEO 1 / Seu primeiro personagem protagonista de uma série: Dr. Tony Newman em O Túnel do Tempo, ao lado de Neville George**


**VÍDEO 2 / Dublando o personagem Scott na série Jornada nas Estrelas**

***O NOSSO MUITO OBRIGADO CAMPA!!!!!!



**Marco Antônio dos Santos**