27 de junho de 2011

ENTREVISTA COM GESSY FONSECA


INTRODUÇÃO:  A convite de Gessy Fonseca, estivemos em seu apartamento no dia 12 de junho de 2011, onde conversamos cerca de 4 horas. Sua irmã, Daysi Fonseca, também esteve presente, a qual foi madrasta do falecido dublador Rebello Neto.
Uma tarde inesquecível, onde pudemos ver o álbum de sua carreira no Rádio, Televisão e Dublagem.
Com seu bom humor e sua simpatia, mais do que fã, nos tornamos amigos!
Gessy preferiu não gravar as respostas, mas, deixou uma pequena mensagem aos fãs que está ao final de seu depoimento.


1 - Você começou como radioatriz na Rádio Record. Como foi o período das radionovelas ?

R: Foi maravilhoso ! Nós éramos amados ou odiados apenas pela voz! O final de uma radionovela era uma verdadeira festa, onde vinha o público festejar conosco, conhecer os ídolos. Eu começei em 1941 na Rádio Record e passei por diversas outras emissoras, mas sempre em todas a situação era a mesma. O público realmente vivenciava aquelas histórias de amor, as tramas. Como você pôde ver, através das fotografias, a radionovela chegava na alma do povo brasileiro.

2 - Gessy, eu vi no álbum, propagandas em jornais de radiofonização. O que era isso ?

R: Isso era algo muito interessante ! Em 1947, eu estava na Rádio Bandeirantes e tiveram a idéia de lançar o programa "Cinema em seu Lar" que constava de filmes radiofonizados por Ivani Ribeiro. A Bandeirantes lançava uma semana antes do filme estreiar no cinema. O elenco todo ia para a cabine e já durante o filme, a Ivani fazia a sinopse e no dia seguinte já nos entregava a história.

3 - Você chegou a ser contratada da Rádio Nacional do Rio de Janeiro ?

R: Sim, na época a Rádio Nacional era como se fosse a Tv Globo atualmente. Ela reunia grandes artistas, havia diversos tipos de programas e muitas radionovelas. Isso foi em 1956 e eu já estava há 9 anos na Rádio Bandeirantes, quando recebi o convite do Floriano Faissal. A princípio pensei um pouco, mudar para outra cidade, mas fui e fiz enormes amigos, principalmente Janete Clair, que depois começou a escrever também radionovelas, além do próprio Dias Gomes, Mário Lago, enfim, muita gente querida....Começei no horário nobre da emissora com a novela "Alma sem Deus".

4 - E o teu retorno a São Paulo ?

R: Eu fiquei cerca de 2 anos na Rádio Nacional. Eu creio que foi em 1958 que o Paulo Machado de Carvalho me fez um convite que eu diria irrecusável; eu seria contratada de todas as emissoras Record: da Rádio Record, da Tv Record e da Rádio São Paulo. Aí, como havia a possibilidade de participar até da televisão, eu aceitei, mas era na época em que nem se pensava em vídeo tape, tudo era "ao vivo". O que errasse ia para o ar daquele jeito, como também nas radionovelas. Eu começei a fazer uns teleteatros ao vivo na tv e acabei fazendo a novela Éramos Seis, a personagem dona Lola, a primeira adaptação do livro para  uma novela. Só que naquela época, a novela ainda não era diária, passava duas vezes por semana. Ganhei o prêmio Roquete Pinto daquele ano pela atuação. Atualmente, ninguém se lembra de que houve essa primeira adaptação !!!

5 -Você citou a tv ao vivo, teve algum fato curioso ?

R: Na televisão eu não me lembro, mas houve numa radionovela. Nós recebíamos os nossos diálogos, eu tinha um meio longo, como uma outra atriz. Na última fala da página ela dizia: "E falando em cavalos", ela virou a folha e continuou: "Como vai o seu marido?". A vontade era de entrar em gargalhadas, mas tivemos que consertar, nem lembro como, porque as folhas estavam grampeadas fora de ordem...

6 - Quando a dublagem surgiu na tua carreira ?

R: A dublagem surgiu como algo natural, não era nada de expecional. Eu casei com o Hélio Porto em 1963 e, um certo dia, fomos contratados pela Ibrasom. Ficamos lá um ano e em 64 fomos para a AIC.

7 - O Hélio Porto também foi radioator, como ele chegou tão rápido a ser um excelente dublador e diretor de dublagem ?

R: O Hélio era extremamente inteligente, uma capacidade. Ele conhecia inglês perfeitamente, lia só no original. Nunca foi radioator. Ele traduzia muito bem e rápido e já ia elaborando quais seriam as palavras certas para a sincronia. Quando dublava não necessitava de script, apenas ouvia o ator falando e interpretava como estava e isso lhe facilitou ser um diretor de dublagem, aliás muito rigoroso!

8 - Das personagens que você dublou na AIC, quais você se lembra com carinho ?

R: Lembro muito da Mulher Gato do Batman, porque eu tinha que fazer todo um tom sedutor para a voz e era muito engraçado. Gostava demais da personagem Victoria Barkley da série Big Valley, porque achava uma mulher forte, uma matriarca que no fundo tinha o controle da famíla, me deu grandes chances de interpretações com a voz, e a Endora me divertia muito com as suas implicâncias com o genro.



9 - Você substituiu a atriz Márcia Real na personagem Endora. Como era dublar essa série junto com Rita Cleós, Gervásio Marques, Helena Samara, e outros ?

R: Era um clima muito gostoso, muito amigável. Eu creio que isso faz muita falta à dublagem. Um dia, estávamos esperando a Rita Cleós chegar, estava um pouquinho atrasada, mas assim que chegou primeiro cumprimentou todo mundo, do seu jeito tão educado, carinhoso até. Ela conhecia várias línguas e me chamava de Jéssica Fonseca, mas tudo era muito diferente. Ninguém queria derrubar ninguém, pelo contrário, nos ajudávamos e saía um trabalho com amor, por mais difícil que às vezes se apresentasse, conseguíamos superar as dificuldades.

10 - Atualmente, há severas críticas à dublagem, devido a uma falta de interpretação melhor. A que você atribuiu essas críticas ?

R: Desde que o dublador ficou sozinho dublando, isso começou a ocorrer. Eu faço dublagem, quando se lembram de mim, porque gosto de interpretar com a voz, mas atualmente o dublador chega no estúdio e dizem lá: "anel 4, a velhinha está apavorada". Ora, mas eu nem sei o motivo dela estar apavorada, o que ocorreu antes e o pior eu não faço idéia de quem vai dublar também a cena. Eu posso dar um tom muito diferente do outro dublador. Creio que isso acabou com a qualidade da dublagem e ficamos com a quantidade,  naturalmente hoje se dubla um filme em pouquíssimo tempo, comparado com o passado !!

11 - Como foi participar da novela Fogo Sobre Terra, em 1974, pela Rede Globo ? Como você foi escolhida ?

R: Eu fui escolhida pela própria autora, Janete Clair, uma pessoa incrível. Ela um dia disse que tinha a personagem da mãe da Regina Duarte para mim. Até achei que estava brincando, mas era verdade. Foi um período muito gostoso, atores excelentes e muitas saudades de Dina Sfat, linda por fora e por dentro.

12 - Atualmente, você dubla e também grava a leitura de livros para cegos. Como é esse trabalho ?

R: Um dia pensei: o que a Gessy , com a idade que tem, está fazendo algo para o próximo ? Aí , cheguei à conclusão de que deveria trabalhar com a voz, já que Deus me deu esse dom. Assim, acabei sendo voluntária, como ledora de livros. É muito gostoso, porque , na realidade, eu não faço simplesmente uma leitura e acabo fazendo uma interpretação dos diálogos e isso me deixa muito feliz. Faço a gravação e quando vejo que precisa de uma pitadinha de interpretação, dou o meu jeitinho, rs,rs,rs !!!


**Aqui, temos uma mensagem de Gessy Fonseca aos seus fãs !!!
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**Um pequeno exemplo da dublagem de Gessy Fonseca**



**Dublando Victoria Barkley na série Big Valley, ao lado de Dênis Carvalho*
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**Agradecemos de coração ao carinho com que fomos recebidos por Gessy Fonseca e sua irmã Daisy Fonseca !!!


**Marco Antônio dos Santos**

1 comentários:

ADEMAR AMANCIO disse...

Parabéns Gessy!

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