28 de maio de 2011

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (09): DANIEL BOONE



Baseado nesta figura lendária, muitos livros, contos e alguns filmes foram criados e em 1964 a NBC resolveu lançar sua versão de Daniel Boone, convidando Fess Parker para protagonizar o lendário personagem das pradarias norte americanas havia interpretado um personagem parecido em Davy Crocket para a Disney. A série Daniel Boone estreou no dia 24 de setembro de 1964 pela NBC e ficou até 10 de setembro de 1970, num total de 165 episódios produzidos pelo estúdio Fox.


Em pouco tempo de exibição já aparecida nos primeiros lugares de audiência e popularidade, competindo de igual para igual com outras séries como Batman, A Ilha dos Birutas, Os Monstros, A Noviça Voadora, entre outras. A série, entre outras coisas, discutia a relação entre o homem branco com os índios e os métodos utilizados para que o território pudessem ser conquistados.


Mostrava também a invasão dos pioneiros e também as tribos que tinham constantemente que lutar contra os ingleses, que pensavam em reaver as terras perdidas durante a guerra. Ainda nesse cenário encontravam-se famílias em busca de uma vida melhor, caçadores de recompensas e de peles, oportunistas que tentavam vender armas aos índios e que ao mesmo tempo destruíam suas casas.

Entre os atores secundários que acompanham Parker estavam o ator Ed Ames como Mingo, um índio cherokee educado e amigo de Boone, o qual permaneceu em 5, das 6 temporadas produzidas.


Albert Salmi (1964-1965) como Yadkin, amigo e companheiro de Boone somente na 1ª temporada. Patricia Blair como sua esposa, Rebecca Boone.


Darby Hinton como Israel Boone, filho de Daniel. Veronica Cartwright como Jemina, sua filha, somente nas duas primeiras temporadas.. Ao longo dos anos outros atores surgiram no lugar de Yadkin como Jimmy Dean (1967-1969) como Josh Clements e Roosevel "Rosie" Grier (1969-1970) como Gabe Cooper, um escravo negro fugitivo e Dal McKennon (Cincinnatus), o proprietário do armazém no Forte, que também era um grande amigo de Daniel durante toda a série.


** A SÉRIE NO BRASIL**


Daniel Boone estreou no Brasil pela TV Record em 1967. Apesar de já ser sucesso nos Estados Unidos, a Record adquiriu os direitos somente da 1ª temporada, pois a série falava muito da história americana e os brasileiros poderiam não gostar.


Mas o sucesso veio de imediato entre os adultos e também com a garotada. A Record, que só exibia a série uma vez por semana, às 18h, logo passou a exibí-la três vezes por semana no horário das 18h e , posteriormente, alterando o horário.


Sendo assim, a TV Record adquiriu, ao longo do tempo, todas as temporadas e , em alguns períodos, foi exibida de segunda à sexta. Com o grande sucesso, a série ficou na emissora até 1971, ano que assistimos, pela última vez, a 1ª temporada, produzida ainda em preto e branco.


**FOTO DA 1ª TEMPORADA DE DANIEL BOONE COM ALBERT SALMI**


Já no ano seguinte, 1972, com a implantação da tv a cores no Brasil, a TV Bandeirantes exibe a série também diariamente, porém excluindo a 1ª temporada, o que foi sendo feito sucessivamente até hoje.


Em 1977, Daniel Boone já estava na Rede Globo, junto com as demais séries de Irwin Allen, inaugurando o horário matutino. Uma experiência que a TV Globo estava fazendo para verificar a possibilidade de ibope pelas manhãs, uma vez que foi a 1ª emissora a lançar uma programação a partir das 7h da manhã.A série dividia o horário e dias com as demais, ficando até meados de 1978. Contudo, já nessa época as primeiras temporadas de Daniel Boone, Perdidos no Espaço e Viagem ao Fundo do Mar não foram exibidas mais, devido a serem em preto e branco.


Durante a década de 1980, a série desapareceu das nossas emissoras, surgindo as temporadas coloridas ainda na extinta TV Guaíba de Porto Alegre por volta de 1987/88. Daniel Boone retornaria em agosto de 1990, novamente pela TV Record, na sessão Manhã de Aventura, época em que a emissora foi vendida por Paulo Machado de Carvalho Filho ao novo grupo. Ainda com dificuldades para implantar uma programação matutina, Daniel Boone, assim como as séries de Irwin Allen atraíram a atenção do público. Paulatinamente a emissora foi restruturando sua programação e as séries  foram cedendo espaço para novos programas e , em março de 1992, saem definitivamente do ar. Foi a última exibição de Daniel Boone pela tv.


Mesmo com o advento da tv a cabo no Brasil, o canal Fox nunca a exibiu, somente foi lançada a 2ª temporada da série em box com dvds, mais uma vez ficamos sem a 1ª temporada e, além disso sem as demais também!!


Um fato curioso dessa 2ª temporada é o episódio Caravana para Camberland, duplo, que vem como o último da temporada, no qual Daniel e Rebecca se conhecem. Na realidade, as duas partes do episódio pertencem a um longa produzido pela Fox ao final da 1ª temporada, assim, como já foi produzido a cores acabou inserido como um episódio duplo. É bem interessante, pois ficamos conhecendo como Daniel Boone e Rebecca se apaixonaram.


**A DUBLAGEM DA SÉRIE**


Daniel Boone revelou um novo nome para a dublagem: Arquimedes Pires. Com a sua voz forte e marcante ganhou o teste para ficar com o personagem, como nos contou em entrevista dada a este blog em outubro de 2008.


**ARQUIMEDES PIRES**


"Magno Marino e a minha inesquecível amiga Rita Cleós, em um dia de intervalo de gravações da novela "A Muralha", da TV Excelsior, Canal 9, me levaram até a A.I.C. e me apresentaram à Zaide, responsável pela escala de atores para dublagem; era o ano de 1967 e eu acabava de chegar de Curitiba onde havia passado o mês de junho, com aquela "tépida" temperatura curitibana, dormindo em um dos bancos dos jardins da Praça Osório; um mês onde tive a sorte de comer alguma coisa, se me lembro bem, oito vezes.

Isso não tem nada a ver com tua pergunta, mas foi uma experiência que me fez tão forte quanto necessário para enfrentar a vida e agradeço isso, sempre, ao Grande Espírito!

Em Curitiba eu fazia rádio, teatro e televisão.

Voltando ao tema; passei a "marcar ponto" na A.I.C. à espera de uma oportunidade, já que a TV Excelsior, a TV Paulista, o Teatro Brigadeiro, da TV Record, na Rua da Consolação, parte da TV Bandeirantes, no Morumbi e o Teatro Bandeirantes, na Brigadeiro, haviam sido vitimados por - até hoje misteriosos - incêndios e o mercado de trabalho estava restrito a algumas poucas oportunidades na TV Tupi e na TV Globo, Canal 5, então nova proprietária da extinta – pelas chamas! – TV Paulista, na Rua das Palmeiras, em São Paulo.

Dá pra imaginar a corrida atrás de alternativas de vida, do pessoal do ramo, que perdia praticamente todas as condições de trabalho com aquela onde de incêndios nos canais de televisão, na Paulicéia!

Os corredores da A.I.C. estavam sempre cheios de atores, novos e consagradas estrelas, à espera de uma chance de ganhar algum dinheiro.

Zaide se tornou uma grande amiga e, sempre que podia, me escalava para uma pontinha aqui, uma pontinha ali, um RKO1 aqui, um "vozerio"2 ali...

Até que um belo dia chega o "piloto"3 da série Daniel Boone, para seleção de elenco!

E lá vai a amiga Zaide e escala o garoto Arquimedes (21 anos de idade!) para os testes de voz para o ator principal, Fess Parker!

Estúdio 2 abarrotado!

Atores e atrizes às pencas pelos bancos e encostados às paredes, assistindo os testes e aguardando a sua vez de participar da grande chance de conseguir um personagem fixo, numa séria com duração prevista de 7 anos; naqueles tempos de vacas magras era uma excepcional oportunidade!

Os melhores atores da casa estavam a postos!

Olney Cazarré, Astrogildo Filho, José Parisi, Dráusio de Oliveira, Carlos Alberto Vaccari, Wilson Ribeiro, Osmiro Campos, Waldir Guedes, Waldyr de Oliveira, Silvio Matos, Carlos Campanile, Marcelo Gastaldi, Eleu Salvador, Turíbio Ruiz, Mário Jorge Montini, Marcelo Ponce, Gilberto Barolli, Aldo César, Luiz Pini, Borges de Barros, José Soares, Flávio Galvão, João de Ângelo, Sérgio Galvão, Ézio Ramos, Orlando Vigianni, Garcia Neto, José Guerra e outros tantos, disputavam, palmo a palmo, o grande elenco de bons atores da série; E ainda havia as atrizes que disputavam o mesmo sonho: Áurea Maria, Maria Inês, Maralise, Judy Teixeira, Helena Samara, Sandra Campos, Líria Marçal, Lucy Guimarães, Isaura Gomes, Dulcemar Vieira...

A direção dos testes era do Papa da dublagem, o velho e querido Older Cazarré.

Fui driblando as chamadas do diretor Cazarré e fui ficando para o final do teste; aproveitei o tempo para decorar completamente o texto, as inflexões e a interpretação de Fess Parker no papel de Daniel Boone; minha experiência em dublagem era ZERO, perto daquele timaço que estava no Estúdio!

Era um anel bastante difícil, mas quando chegou a minha vez, porque não havia mais ninguém, eu já o tinha completamente dominado.

Fui para o microfone e o diretor mandou soltar o anel na tela; e lá fui eu!

Ensaiei uma vez e mandei ir!

O Cazarré perguntou: Já, guri?

E eu respondi: Vamos tentar!

Gravando, gritou o diretor; e lá fui eu!

O anel apareceu na tela, a barra de sincronismo sumiu e eu mandei o texto, com carinho, capricho, determinação e uma vontade imensa de não decepcionar o diretor e, quem sabe, garantir o personagem!

Ficou! Gritou Older Cazarré ao final da primeira rodada do anel.

Um mês depois vem o resultado da seleção de vozes; era a escolha definitiva feita pelo dono da série.

Pra minha alegria... Fess Parker era meu e Daniel Boone me daria, a partir daquele dia, o sustento em São Paulo por um bom tempo!

Foi uma bênção de Deus!"  (Arquimedes Pires)


**Trecho de um episódio da 1ª Temporada, produzida em preto e branco**



A série ainda contou com a excelente dublagem de Áurea Maria para Rebecca Boone,Borges de Barros para o ator Albert Salmi na 1ª temporada, Maralise Tartarine para Jemima, Maria Inês para Israel Boone (ainda bem criança), Sílvio Matos para Cincinnatus e a voz inesquecível de Carlos Alberto Vaccari para o índio Mingo.
 

Arquimedes Pires dublou as 4 primeiras temporadas da série. A partir da 5ª temporada é substituído por Francisco Borges e, como Israel Boone cresceu, Zezinho Cútulo assume o personagem, já agora mais adolescente. Essa 5ª temporada foi previamente escalada e inicialmente dirigida pela dubladora Rita Cleós. Segundo Zezinho Cútulo, ela foi a grande orientadora para que ele se adaptasse bem ao personagem. Rita Cleós dirigiu vários episódios das duas últimas temporadas.


**A 2ª VOZ DE DANIEL BOONE: FRANCISCO BORGES**
 
Uma série de sucesso com 6 temporadas dubladas, algo que parece estranho, pois atualmente, muitas vezes,não conseguimos sequer duas temporadas dubladas. Uma dublagem magistral de todo o elenco da AIC que deu um tom glamorioso ao seriado, que possui fãs até hoje.


Mesmo com a substituição de Arquimedes Pires, devido a sua transferência de cidade, a dublagem continuou com o mesma qualidade.
A qualidade que sempre norteou a AIC!
 
**VAMOS REVER 3 EPISÓDIOS DE DANIEL BOONE**

**VÍDEO 1: Arquimedes Pires e Carlos Alberto Vaccari.


**VÍDEO 2: Mingo dublado por Antonio Cardoso. 




**VÍDEO 3: Francisco Borges (Daniel Boone) e Zezinho Cútolo (Israel Boone)




**FONTE DE PESQUISA: SITE TV SINOPSE /
 ENTREVISTA DE ARQUIMEDES PIRES DADA AO BLOG AIC EM 19/10/2008 /
 REVISTA INTERVALO (1967) /
 REVISTA AMIGA (1977) /
 ACERVO PESSOAL**


**Marco Antônio dos Santos**

1 comentários:

MARCOS NASCIMENTO disse...

Os seriados e as séries de TV das décadas de 60, 70 e 80 foram o período mais rico e criativo da história da TV mundial até hoje. Mesmo com poucos recursos em efeitos especiais, as interpretações dos atores e atrizes e seus dubladores eram perfeitas, fantásticas e além disto as estórias tinham ótimos roteiros e interpretações convincentes e infelizmente dos anos 2000 para cá na questão dos efeitos especiais temos uma tecnologia fantástica porém as estórias tem pouco conteúdo, falta de maior criatividade nas estórias e em alguns casos pobreza na interpretação dos personagens ou na escolha das vozes dos dubladores.

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