9 de março de 2011

DIRETORES DE DUBLAGEM DA AIC



Esclarecimento: Conhecer todos os diretores de dublagem que participaram da AIC é algo muito difícil de termos com exata precisão. Sendo assim, durante esses 20 anos que pesquiso a história da AIC, me vali de conversas "in off" com diversos dubladores, os quais foram citando alguns nomes e até algumas produções. Portanto, aqui traço um painel dos diretores citados desde o início do estúdio Gravasom até o encerramento da AIC. Evidentemente, alguns nomes poderão não estar presentes, devido a total falta de registro sobre esse assunto.



O que é um diretor de dublagem ?

É o “organizador” do processo da dublagem. A função desse profissional é receber o script ou texto (em português) da produção a ser dublada e uma cópia da mesma, atualmente em dvd, na época da AIC em películas de 16mm. Após esse processo de preparação do script, o diretor de dublagem escolhe os atores adequados para cada personagem, de acordo com a idade do personagem, a tessitura da voz, a qualidade de atuação, etc...

O diretor de dublagem pede testes para determinados personagens, ou ainda se adaptar às exigências do cliente (distribuidor do filme). Depois ele faz o “esquema” da dublagem propriamente dita, estipulando os horários de gravação de cada dublador ou grupo de dubladores. A etapa final cabe à direção artística no estúdio.

Os primeiros diretores de dublagem:
Conforme muitos pioneiros da dublagem, como Ronaldo Baptista e Zezinho Cútolo, nos deram informações que Glauco Laurelli praticamente foi o primeiro diretor de dublagem de uma série para a tv.

 Em 1958, abrindo as portas o estúdio Gravasom, ficou a seu critério toda a dublagem de "As Aventuras de Rin-Tin-Tin". Zezinho Cútolo nos conta que "ele é um homem tão inteligente que praticamente deu todas as primeiras diretrizes para nós. Ninguém sabia ao certo o que era dublagem e ele nos ensinou muito bem".




Se Glauco Laurelli cuidava das poucas séries de tv, ainda no início de 1960/61, ao seu lado havia dois excelentes diretores de dublagem para os desenhos de Hanna Barbera: Older Cazarré e Waldir de Oliveira.
Desenhos produzidos especialmente para a tv como: Jambo e Ruivão, Dom Pixote, Zé Colmeia, Pepe Legal, Manda-Chuva e tantos outros tiveram a mão genial de Older Cazarré, que dublava, fazia falsetes e dirigia.

Waldir de Oliveira é o responsável pela extraordinária direção de dublagem da 1ª e 2ª temporadas de Os Flintstones. Contam que, na realidade, ambos tinham tanto potencial para desenhos que, praticamente, dividiram a direção de dublagem de todos os desenhos daquele período. Com a passagem da Gravasom para AIC, todos continuaram atuando no estúdio.




Já como AIC, o volume de produções a serem dubladas triplica, devido à lei da obrigatoriedade da dublagem, sendo assim, novos nomes oriundos do Rádio e com experiência em radionovelas chegam ao novo estúdio: Wolner Camargo, Garcia Neto, Magno Marino e Amaury Costa foram excelentes nas dublagens e também dirigindo.

 Podemos citar como exemplos : a direção de dublagem de Nacional Kid e do desenho Jonny Quest realizada por Amaury Costa, as séries Cidade Nua, Rota 66 e O Túnel do Tempo por Wolner Camargo. Já Magno Marino também dirigiu alguns desenhos e muitos episódios de séries, assim como Garcia Neto.

Em meados da década de 1960, o número de diretores de dublagem já era bem maior: Emerson Camargo, Neville George, Ézio Ramos e Gilmara Sanches, sendo a primeira mulher, dentro da AIC, a ocupar a direção de dublagem.


 Direções de dublagem que se tornaram referência: o filme O Corcunda de Notre Dame, de 1939, realizada por Neville George, o filme Sindicato de Ladrões, com a direção de dublagem de Ézio Ramos e Sérgio Galvão com a direção de dublagem do filme A um Passo da Eternidade.

**HÉLIO PORTO**


Desse período, havia ainda: Hélio Porto que, segundo Borges de Barros, foi o grande responsável pelo sucesso da série Perdidos no Espaço e Os 3 Patetas, assim como Sérgio Galvão e Ary de Toledo que esteve presente em uma infinidade de trabalhos e José Soares, o qual vinha do estúdio Ibrasom com uma larga experiência em direção de dublagem. Dênis Carvalho assumiu, por um breve período, também a direção de dublagem, deixando a AIC logo, devido aos compromissos com a TV Tupi.




Já por volta de 1967, Olney Cazarré também demonstra que, além de ser um excelente dublador de desenhos, também era um excelente diretor de dublagem. A qualidade da dublagem do desenho O Pica-Pau mostra a extraordinária capacidade de realização, assim como era a de seu irmão. Carlos Alberto Vaccari é mais um nome que demonstra a capacidade da direção de dublagem, dirigindo episódios de Daniel Boone.

No final da década, surgem outros dubladores que são indicados para assumirem também a direção de dublagem: Gilberto Baroli, que havia iniciado como tradutor, dublador, também assume essa nova tarefa. Rita Cleós, também tradutora e dubladora inicia essa atividade em algumas séries de tv da época, como Daniel Boone e até A Feiticeira. Marcelo Gastaldi destaca-se com a série A Noviça Voadora, Dráusio de Oliveira com a série Terra de Gigantes.

**OLNEY CAZARRÉ**


No final da década de 1960 e início da de 70, também surgem para a direção de dublagem Carlos Campanile com a série "Marcus Welby, médico" e vários filmes, assim como Dráusio de Oliveira Flávio Galvão e Francisco José.

O interessante neste pequeno painel que traço, é que todos esses diretores de dublagem, com exceção de Glauco Laurelli, eram dubladores atuantes na AIC ao mesmo tempo. Conforme nos contaram, não se sabe ao certo se José Soares dublou ou dirigiu mais, devido a sua enorme capacidade profissional.

Infelizmente, hoje, muitos diretores de dublagem (já experientes), não dublam mais. Em alguns casos limitam-se a uma ponta na produção, a fim de não escalar um outro dublador apenas para uma cena. Na AIC, não se observa esse fato. Temos áudio de todos esses diretores, dublando também.

Em entrevista realizada por este blog ao dublador Nelson Machado, em 07/12/2009, ele aborda com exatidão o que ocorre com os diretores de dublagem atualmente. Transcrevemos abaixo a sua citação:

8 - Em seu livro "Versão Brasileira", você menciona que naquela época o diretor de dublagem "era mesmo um diretor de dublagem, ele mandava, alterava e supervisionava até o final do produto dublado". Cite alguns diretores de dublagem, que se encaixam nesse perfil. Atualmente, esse perfil foi alterado por que motivo ?

R: Hoje? Que se encaixe nesse perfil, hoje? Ninguém. Existem vários diretores em atividade hoje que se encaixariam se pudessem. Alguns tentam mas é impossível. O sistema de trabalho de hoje não permite. Na verdade, o sistema de remuneração não permite. Mas há, em São Paulo, muitos diretores que, se lhes fosse dada a oportunidade ou se fosse exigido deles por alguém ou se fossem publicamente expostos por seu trabalho, teriam toda condição, conhecimento, talento e experiência para realizar o trabalho. Eu falo de São Paulo porque é o universo que conheço bem. Não sei o que dizer dos profissionais do Rio de Janeiro.

Vamos finalizar com 3 exemplos de direção de dublagem:


**VÍDEO 1 / HÉLIO PORTO / DIRETOR DE DUBLAGEM DA 1ª E 2ª TEMPORADA DA SÉRIE VIAGEM AO FUNDO DO MAR, ALÉM DE DUBLAR O CAPITÃO CRANE/
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**VÍDEO 2 / OLNEY CAZARRÉ / DIRETOR DE DUBLAGEM DA 4ª TEMPORADA DA SÉRIE A FEITICEIRA, ALÉM DE DUBLAR JAMES/ 
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**VÍDEO 3 / DRÁUSIO DE OLIVEIRA / DIRETOR DE DUBLAGEM DA SÉRIE TERRA DE GIGANTES, ALÉM DE DUBLAR O CAPITÃO BURTON/
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**Marco Antônio dos Santos**

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