26 de janeiro de 2011

ENTREVISTA COM ZEZINHO CÚTOLO




ESCLARECIMENTO: Esta entrevista foi realizada por telefone no dia 18/01/2011, a qual se iniciou por volta das 20h30 e terminou por volta das 22h.
Por se tratar de uma conversa por telefone, procuramos exibir o mais fiel possível as respostas que nos foram dadas, alianhando-as como um pequeno depoimento e retirando o máximo possível a sua oralidade.



1 - Zezinho, é uma honra poder conversar com você! Qual a sua cidade natal e a sua data de nascimento ? Como iniciou a sua carreira ?

R: Nossa! Fui encontrado! Muito obrigado pelas palavras que você disse. Eu nasci na cidade de São Paulo, no bairro do Brás, no dia 02 de fevereiro de 1931.
A minha carreira começou quando eu tinha uns 9 anos de idade e adorava ouvir os programas de rádio e queria muito assistir, participar. Um dia, minha irmã me levou até a Rádio Record e participei de um programa de calouros, cantando com 9 anos. Quando terminou o programa o pessoal da Rádio gostou muito. Começei nesse dia a minha carreira.

2 - Como se desenvolveu a tua carreira no Rádio ?

R: Nesse programa que eu citei, o responsável era o Otávio Gabus Mendes que no mesmo dia veio falar comigo e com a minha irmã, porque eu tinha uma voz muito boa, principalmente, para o chamado radioteatro, porque eles estavam precisando de uma voz de menino. Eu fiquei muito contente, alegre, mas naquela época havia a necessidade da aprovação do Juizado de Menores. Não adiantava dos pais ou parentes. Demorou um pouco para acontecer, mas saiu e o Otávio Gabus Mendes era um profissional sensacional. Fazia quase tudo na Rádio Record: programas de auditório, escrevia e dirigia radionovelas e ele logo me deu um personagem em uma. Daí em diante fiquei muitos anos sendo radioator.

3 - Como foi a sua carreira de radioator ? Só fez personagens infantis ?

R: Eu fazia uma radionovela atrás da outra e mesmo estando me tornando adulto, já tinha até mais de 20 anos de idade, a minha voz se encaixava para os garotos, e adolescentes. Nunca fiz nenhum personagem adulto. Fiquei muito tempo na Rádio Record, depois fui para a Rádio Tupi e já no final da década de 1950 eu estava na Rádio Bandeirantes.

4 - Como surgiu a dublagem na tua vida profissional ?

R: Por volta de 1959 ou 60 eu trabalhava na Rádio Bandeirantes juntamente com o meu grande amigo e até irmão Ronaldo Baptista. Aí, o Glauco Laurelli, que era o Diretor Artístico do estúdio Gravasom, necessitava de uma voz para o garoto do seriado As Aventuras de Rin-Tin-Tin. O Ronaldo, como já estava na Gravasom também, acabou me indicando e foi assim que recebi o convite do Glauco Laureli.

5 - Como foi o início da dublagem do cabo Rusty ?

R: Naquela época, nós tínhamos muita liberdade para executar o trabalho, mas é lógico que a dublagem era algo muito novo, ninguém tinha ideia de que isso fosse para frente! Eu tive toda a orientação do Glauco Laurelli que dirigia a dublagem do seriado e, juntamente com o Ronaldo Baptista que fazia o tenente, eu estava entre amigos. O seriado foi bem longo, mas foi um enorme prazer fazer o cabo Rusty e todas aquelas aventuras com o seu cão.


6 - Há sites que informam o nome do ator Reginaldo Farias como sendo o 1º dublador do cabo Rusty. Você o substituiu ?

R: Esta informação é totalmente equivocada. Eu participei das primeiras reuniões sobre como era a série e o personagem. Desde o 1º episódio até o último sempre fui eu que o dublei !!

 
**A INTERPRETAÇÃO PERFEITA PARA O CABO RUSTY**


7 - Um pouco antes do término de As Aventuras de Rin-Tin-Tin, o estúdio Gravasom passou a ser AIC. Quais foram os diretores de dublagem que te deram mais orientações para você prosseguir a carreira na dublagem ?

R: Bom, eu nunca deixei o Rádio, mas o Glauco Laurelli foi sem dúvida aquela pessoa que me deu todos os procedimentos de como dublar. Ele se retirou da AIC para ser produtor de filmes, um homem muito inteligente. Outros diretores que foram maravilhosos com quem tive até a honra de trabalhar: o Hélio Porto, ele sabia inglês tão bem que não necessitava de nada para traduzir, para indicar o que o ator americano estava sentindo e não posso me esquecer dos dois irmãos também primorosos: Older Cazarré e o Olney Cazarré, diretores de dublagem que também eram verdadeiros amigos.

8 - Do que você sente mais saudades do período da AIC ?

R: Nossa! Sem dúvida dos amigos que tive. Antigamente nós nos reuníamos, ensaiavamos, trocávamos ideias, um ajudava ao outro. Hoje, você fica sozinho com um microfone, monitor e ouve as orientações do diretor. Lembro com muita saudade dos que já partiram: os irmãos Cazarré, Hélio Porto, João Paulo Ramalho, Ézio Ramos e da saudosa Rita Cleós.

9 - O personagem cabo Rusty foi aquele que te abriu as portas para a dublagem . Na AIC você dublou diversos personagens e teve também como fixo o Israel Boone. Conte como você ganhou esse personagem ?

R: Antigamente, às vezes, os seriados demoravam um pouco para chegar. Quando chegou um lote de episódios da série Daniel Boone, verificaram que o ator que fazia o Israel Boone havia crescido bastante e que a voz da Maria Inês já não seria adequada. Havia a necessidade também de escolher um outro dublador para o Daniel Boone. Aí, foi escalado o meu saudoso amigo de bancada Francisco Borges e a mim para ser o rapaz. Mas eu tive sempre a sorte de trabalhar com excelentes diretores de dublagem, e a Rita Cleós foi a diretora de dublagem de muitos episódios da série, e eu devo a ela tudo o que ela me passou do Israel Boone, porque agora ele já agia como um adolescente. Tenho muitas saudades dela, uma grande amiga, de muita competência.

OBS> Zezinho Cútolo se refere nesta resposta, exclusivamente, à 5ª e 6ª temporadas da série Daniel Boone. Perguntado sobre outras direções de dublagem de Rita Cleós não soube responder com certeza, mas acredita que tenha dirigido episódios em outras séries de tv.


**ISRAEL BOONE**


10 - Depois da AIC, você continuou firme na dublagem, quais foram os personagens que te marcaram mais, aqueles que são inesquecíveis ?

R: Eu ainda dublava na AIC e também na Álamo e continuei também na BKS. Eu sempre dublei crianças, e garotos. Minha voz sempre continuou a mesma. Dos personagens que dublei eu cito o cabo Rusty, mora no meu coração, o Israel Boone também tive uma enorme satisfação e o Elroy Jetson na BKS, trabalhei com uma equipe maravilhosa e competente.

OBS> Sobre o personagem Elroy Jetson, Zezinho Cútolo se refere a versão produzida na década de 1980.

11 - Atualmente quais são as tuas atividades ?

R: Eu estou aposentado, mas eventualmente ainda dublo, quando se lembram de mim !!

12 - Depois de mais de 50 anos na dublagem você ainda tem fãs ! Deixe-nos uma mensagem.

R: Eu só tenho a agradecer por ainda ser lembrado e me prestigiarem. Agradeço a você Marco Antônio que tenta preservar toda essa história da dublagem e só tenho a dizer o meu muito obrigado a todos os fãs!

**Agradecemos imensamente ao dublador e radialista Ronaldo Baptista, o qual foi o intermediário desta conversa maravilhosa com um dos pioneiros da dublagem no Brasil !


**Relembrando Zezinho Cútolo dublando Israel Boone**




**Marco Antônio dos Santos **

2 comentários:

Renato disse...

E o personagem título de Doraemon

luiz antonio disse...

Ele dublava o Jay(ou Djay??) do seriado Tarzan com Ron Ely(da AIC).

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