29 de setembro de 2010

GUIA DE DUBLAGEM (09): TERRA DE GIGANTES / 1ª TEMPORADA



A série Terra de Gigantes (1968 - 1970) teve duas temporadas num total de 51 episódios. Produzida por Irwin Allen, a série foi um verdadeiro marco da tv americana. Alguns sites estimam que cada episódio tinha um custo de 200 mil dólares (quantia astronômica para a televisão na época).

As cenas eram filmadas em diversos planos, além da construção de diversos objetos gigantes, como a mão e o braço gigante, utilizado em diversas ocasiões.

Na 1ª temporada, os roteiros dos episódios seguem uma linha uniforme e, muitos deles, foram escritos pela dupla Bob e Esther Mitchel, que foram os responsáveis pelos episódios mais emocionantes da temporada. A criação do personagem Inspetor Kobick, a partir do episódio 17, realçou muito mais o suspense e a aventura, porém com o cuidado de que este não participasse de todos os episódios.

No Brasil, a série estreou no dia 02 de março de 1969, às 18h30, aos domingos pela TV Record, a qual reexibia o episódio aos sábados. Terra de Gigantes foi a série que substituiu Perdidos no Espaço no mesmo horário.

Terra de Gigantes foi dublada pela AIC e, segundo algumas informações, a escalação do elenco de vozes e direção de dublagem coube a Dráusio de Oliveira, que responderia pela direção praticamente por toda a série. Não encontramos nenhuma informação a respeito de quem teria sido o seu tradutor.

O elenco de dubladores dos atores fixos na série não obteve nenhuma alteração em suas duas temporadas, havendo assim uma uniformidade, algo pouco comum ocorrer em dublagem. Os dubladores escolhidos foram perfeitos para cada personagem e deixaram um trabalho extraordinário.



**ELENCO / DUBLADORES FIXOS:

*Gary Conway (Capitão Steve Burton):
Dráusio de Oliveira.

*Don Matheson (Mark Wilson): João Paulo Ramalho.

*Don Marshall (Dan Erickson): João Ângelo.

*Deanna Land (Valerie Scott): Isaura Gomes.

*Stefan Arngrin (Barry): Aliomar de Matos.

*Kurt Kazzner (Fitzhug ): José Soares.

*Heather Young (Betty Hamilton): Sandra Campos.

*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.

*Narração de abertura e títulos dos episódios:
Carlos Alberto Vaccari.


** 26 EPISÓDIOS / ATORES CONVIDADOS / DUBLADORES **



01 - O DESASTRE

*Don Watters (Cientista gigante): Rebello Neto.

02 - CIDADE FANTASMA

*Percy Hilton (Akman): Eleu Salvador.
*Amber Flower (menina gigante): Maralise Tartarine.
*Raymund Guth (perseguidor gigante): Wilson Kiss.

03 - ACUSADO

*Paull Carr (fotógrafo): Flávio Galvão.
*Linda Peck (modelo): Deise Celeste.
*Dennis Cross (policial): José Miziara.


04 - OS GUERRILHEIROS

*John Abbott (Gorak): Aldo César.


05 - TERROR

*Joseph Ruskin (Carlos): Wilson Ribeiro.
*Arthur Batanides (Luigi): Eleu Salvador.
*Gerald Michenaud (Pepi): Maria Inês.

06 - PLANO DE VÔO

*Linden Chiles (Joe): Flávio Galvão.
*William Bramley (gigante 1): Magno Marino.
*Myron Healey (gigante 2): Arquimedes Pires.
*John Pickard ( policial): Batista Linardi.

07 - CAÇADA HUMANA

*John Napier (condenado/fugitivo): ???






08 - A CILADA

*Stewart Bradley (cientista): Ary de Toledo.


09 - APÊNDICE INOPORTUNO

*Paul Fix (Dr. Brule): Wilson Kiss.
*Henry Corden (Zako): Mário Jorge Montini.
*Harry Lauter (policial 1): Osmiro Campos.
*Wesley Lau (policial 2): Francisco José.


10 - TRAIÇÃO

*Willard Sage (Gancho): Eleu Salvador.
*Lane Bradford (Lobo): Batista Linardi.
*Howard Culver (curador do museu): Sílvio Matos.
*Ted Jordan (policial): Newton Sá.


11 - O MUNDO ESTRANHO

*Glen Corbett (Kogan): Luiz Pini.


12 - A GAIOLA DOURADA

*Celeste Yarnall (Marna): Neusa Azevedo.
*Douglas Bank (cientista): Francisco José.


13 - PERDIDOS

*Zalman King (Nick): Francisco José.
*Tommy Webb (Dolf): Orlando Viggiani.
*Jack Chaplain (Joey): Marcelo Gastaldi.
*Lee Jay Lambert (Hopper): ???


14 - LAVAGEM CEREBRAL

*Warren Stevens (Coronel Ashim): Mário Jorge Montini.
*Leonard Stone (Dr. Kraal): Bruno Netto.
*Len Lesser (prisioneiro): Dante Ruy.
*Robert Dowdell (policial): Francisco José.


15 - O CAÇA PRÊMIO

*Paul Sorensen (acampador gigante): Mário Jorge Montini.
*Kimberly Beck (menina gigante): Maria Inês.


16 - EM NOITES CLARAS AVISTA-SE A TERRA

*Michael Ansara ( Murtrah): Rebello Neto.


17 - A PEDRA MORTAL

*Paul Fix (Dr. Brule): Wilson Kiss.
*Sheila Mathews ( enfermeira Helg): Judy Teixeira.
*Gene Dynarki (Diretor do presídio Warden): Francisco José.
*Bill Fletcher (sargento Karf): Francisco Borges.
*Robert Emhardt (Secretário do Conselho Supremo): Dante Ruy.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.


18 - A NOITE DE THROMBELDIMBAR

*Alfred Ryder (Parterg): Aldo César.
*Teddy Quinn (Garna): Maria Inês.
*Michael A. Freeman (Tobeck): Zezinho Cútolo.
*Jay Novello (Okun): Eleu Salvador.


19 - OS SETE PIGMEUS

*Clift Osmond (Grotius): Xandó Batista.
*Garry Walberg (sargento Arnak): Dante Ruy
*Rico Catani (policial da SID): José Miziara.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.


20 - DESTINO: TERRA

*Arthur Franz (Franzen): Ary de Toledo.
*Dee Hartford (Altha): Áurea Maria.
*Peter Mamakos (Logar): Magno Marino.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.


21 - O GÊNIO

*Ronny Howard (Jodar): Henrique Ogalla.
*Jacques Aubuchon (Zurpin): Marcelo Ponce.
*Rusty Jones (testemunha): Olney Cazarré.
*Vic Perrin (pedestre gigante): Sílvio Matos.
*Patrick Lenton (policial): Francisco José.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.

22 - A VOLTA DE INIDU

*Jack Albertson (Inidu): Eleu Salvador.
*Peter Haskel (Enog): Hugo de Aquino Júnior.
*Tony Benson (Grot): Henrique Ogalla.
*Jerry Davis (Torg): Marcelo Gastaldi.
*Steven Marlo (policial): Jorge Barcellos.


23 - O SALVAMENTO

*Michael J. Quin (Tenente Emar): Rebello Neto.
*John Collier (o pai): José Miziara.
*Lee Meriwether (a mãe): Deise Celeste.
*Buddy Foster (Ted): Maria Inês.
*Blair Asheley (Leeda): Maralise Tartarine.
*Tom Reese (sargento Gedo): Francisco José.
*Roy Rowan (repórter de tv): Francisco Borges.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.


24 - SABOTAGEM

*Robert Colbert (Bolgar): Wilson Ribeiro.
*John Marley (Zarkin): Waldyr Guedes.
*Parley Baer (Senador Obeck): Xandó Batista.
*Elizabeth Rogers (secretária): Líria Marçal.


25 - O JOGO DE CONCHAS

*Larry Ward (Talf): Newton Sá.
*Jan Shepard (Osla): Deise Celeste.
*Tol Avery (sr. Derg): Eleu Salvador.
*Garry Dubin (Dal): menino surdo-mudo.

26 - A PERSEGUIÇÃO

*Robert F. Lyons (Nalor): Marcelo Gastaldi.
*Timothy Scott (Triling): Francisco José.
*Patrick Sullivan Burke (Golan): Wilson Kiss.
*Norman Burton (sargento do SID): José Miziara.
*Kevin Hagen (inspetor Kobick): Osmiro Campos.




**Marco Antônio dos Santos **

24 de setembro de 2010

3ª ENTREVISTA COM BORGES DE BARROS



ESCLARECIMENTO: Em 23/06/1989 conversamos com Borges de Barros por quase 3 horas. Das diversas questões formuladas, Borges sempre as explanava com diversos detalhes. Na época, gravamos em fita cassete o que originou a entrevista publicada neste blog em 21/09/2008.
Naquela entrevista, procuramos traçar um painel do excelente dublador e restringimos aos assuntos gerais da sua carreira e, principalmente, sobre a dublagem do personagem Dr. Smith da série Perdidos no Espaço.
Entretanto, muitos outros detalhes se apresentaram, principalmente sobre Os 3 Patetas. Assim, fizemos toda uma releitura de suas declarações, fixando-nos aqui sobre a sua participação, exclusivamente, nessa comédia clássica.
Para aqueles que conheceram Borges de Barros pessoalmente, sabem o quanto ele tinha para nos contar e, muitas vezes, os assuntos se misturavam. Depois de alguns meses, separando as suas respostas sobre a série, postamos aqui uma "Conversa com Borges de Barros sobre Os 3 Patetas", as quais são o fruto de um verdadeiro "querido contador de histórias da AIC".


1 - Borges, como foi a escalação para Os 3 Patetas ? Você se lembra quando começou a dublagem ?


R: Olha, parece impressionante, mas eu me lembro exatamente do ano em que começamos a dublar: 1965. Bom, eu nem preciso dizer o motivo, porque andando por São Paulo se via soldado em a toda a parte. E como dizem que há coisas que gente nunca esquece a primeira vez ...rs,rs,rs

Sobre a escalação foi algo muito simples. Naquela época, não tinha essas frescuras de hoje, da autorização total dos "managers" lá dos Estados Unidos, então o Hélio Porto nos avisou que estava chegando essa comédia (eu não me lembro qual foi a emissora que adquiriu e pediu a dublagem), mas ele disse que se fosse sucesso a emissora compraria mais episódios. A escalação dos dubladores foi do próprio Hélio Porto, chegou para mim e disse "Vê como é esse cara, ranzinza, bate nos outros, nervoso , não tem paciência", o nome dele é Moe e você fica com ele".


**MOE: Fantástico trabalho de Borges de Barros **


 2 - Em nossos registros, houve cerca de mais de 100 episódios de Os 3 Patetas, vocês então não dublaram tudo de uma vez ?
 
R: Não, não! Veio lá um malote de alguns episódios, mas aí devido ao sucesso que fez na televisão, nós ficávamos aguardando a decisão da emissora. Pelos meus cálculos nós chegamos a dublar uns 4 anos, entre esses intervalos. Para você ter uma ideia eu já estava iniciando com o Dr. Smith e ainda dublava o Moe.


3 - E a tradução, foi somente do Hélio Porto ?

R: Quase que na íntegra. Ele colocava um fone no ouvido e ia já datilografando a tradução e ajustando os diálogos para a dublagem. O Samuel Lobo, grande tradutor também, chegou a traduzir alguns episódios, mas a linha mestra foi realizada pelo Hélio Porto que dirigiu quase toda a série também.



4 - O Samuel Lobo era tradutor e temos poucos registros da dublagem dele. A mais longa foi a do personagem Curly, cuja voz no original se parece muito. Foi por isso que o Hélio Porto o escolheu ?

R: De certa forma foi! Quando nós fomos iniciar essa dublagem, percebemos que havia 2 patetas fixos e 3 diferentes. O próprio Hélio Porto fez uma voz toda especial para o de cabelos em pé. Os demais ele chegou para o Samuel Lobo e disse que ele tinha plenas condições de fazer, mas o Samuel tinha medo de pegar um personagem longo, às vezes, ele dublava esporadicamente, foi quando ele pediu para o Samuel fazer um trejeito específico que o gordinho fazia e na hora ele disse: tem que ser você! Já o outro inicialmente foi o José de Freitas, porque ele conseguia fazer uma coisa muito interessante com a voz "um nhanha´", algo assim que ficou muito bom.



OBS: Esta resposta demonstra que os episódios de Os 3 Patetas vieram fora da ordem de produção para a dublagem, pois Shemp substituiu Curley depois de alguns anos.




5 - E o famoso "cabeça de pudim" que Moe dizia ?


R: Rs,rs,rs. Olha, o texto tinha tantas coisas que precisávamos adaptar que esse cabeça de pudim, foi uma criação minha. Um dia estávamos na bancada e lá no roteiro tinha assim: Moe: e três interrogações. Na hora eu perguntei ao Hélio o que era aquilo e ele disse: tente criar algo para identificar o personagem, porque do inglês para o português não há correspondência. Aí, no meio daquela balburdia toda eu pensei em cabeça de pudim, algo que eu já tinha falado em programas de rádio. E deu certo ! Ficou sendo a marca do Moe, mas com a aprovação do Hélio Porto.




6 - Você falou em balburdia, durante as gravações havia muita agitação ?

R: Às vezes, mas sempre tentávamos ser bem diretos, mas eu digo balburdia, porque muitos sons éramos nós mesmos que fazíamos. Não havia uma técnica que desse conta de tudo. Eu me lembro que várias vezes quando o Moe ficava com a cabeça presa, num balde, numa caixa, eu mesmo punha a mão na boca para demonstrar isso e os demais também fizeram. Muitos tapas, fomos nós que fizemos, porque a técnica tinha que fazer outros ruídos. Se você notar, em alguns episódios, fica até o som original: eles gritando ou rindo. Na realidade, o que atualmente a técnica faz, nós tínhamos que compensar. Isso ocorreu muito nos primeiros tempos, depois a gente já era acudido melhor pela técnica ! 
 

**Curley: Dublagem exemplar de Samuel Lobo**


7 - Em alguns episódios o Hélio Porto foi substituído pelo Flávio Galvão, que procurou a mesma linha do personagem. Por quê ? Quem dirigiu a série nesses episódios ?

R: Meu amigo que memória!! Nossa!!! Você é capaz de se lembrar dos números do jogo do bicho que deram na semana toda, rs,rs,rs! É, realmente, o Flávio esteve substituindo por um curto espaço de tempo, mas não me recordo do motivo e nem quem dirigiu. Talvez o Neville George, não me lembro com certeza !

8 - Pelo que você nos conta a série chegou ao Brasil em diversos
 "pacotes" para a dublagem. Por que houve a substituição do José de Freitas ?

R: Nesses intervalos, o José de Freitas ficou doente e não teve mais condições de retornar. Aí, o o irmão do José, Antônio de Freitas,  ficou pouquíssimo tempo e depois o José Soares.

9 - O elenco de dubladores convidados praticamente não há grandes alterações. Foi uma decisão do Hélio Porto também ?
R: Foi, porque ele queria que os dubladores estivessem integrados no espírito do pastelão, porque, segundo ele, também na série eles utilizavam sempre os mesmos atores. Então, tínhamos sempre o Vaccari, o Neville, a Gessy Fonseca, e muitos mais de extraordinária qualidade.


10 - Atualmente, após mais de 25 anos da estreia na tv, Os 3 Patetas está sendo exibido novamente. De onde vem tanto sucesso ? Dos atores ou da dublagem ?

R: De ambos, os atores que faziam essas comédias na raça atingiram muitas gerações. E todo mundo gosta de ver um idiota qualquer levar uma pancada, escorregar, etc, devido as suas próprias idiotices. É um gênero que faz o público rir. Eu atribuo também o sucesso à dublagem que realizamos. Não quero aqui como se diz "puxar sardinha para mim", mas se não houvesse a mão do Hélio Porto, talvez nós nunca tivéssemos chegado ao que realmente era desejado. Sem dúvida alguma, o trabalho de todos foi excelente! Nunca, ninguém dos "managers" veio contestar a nossa dublagem, tínhamos total liberdade, pois era um trabalho muito sério !

11 - Há algum fato curioso sobre essa dublagem ?

R: Não me lembro, porque era dublar tantos anéis no mesmo dia, que a memória nos prega peça. O fato mais curioso é que, você mesmo disse, está sendo exibido pela televisão e não recebemos um centavo disso! Essa é uma grande curiosidade que já tentaram explicar, mas que ninguém consegue aceitar! rs,rs,rs.

** Borges de Barros faleceu em dezembro de 2007, mas a sua fantástica arte deve ser sempre reverenciada, não devemos esquecer o grande artista brasileiro que foi em Rádio, Televisão e Dublagem. **


**Aqui temos dois episódios de Os 3 Patetas completos.
 Observem as interpretações de todos os dubladores envolvidos.

**VÍDEO 1**



**VÍDEO 2**



**VÍDEO 3**



**Marco Antônio dos Santos**

17 de setembro de 2010

AS FASES DA DUBLAGEM NO BRASIL



**INTRODUÇÃO**

A história da dublagem no Brasil é muito complexa, devido a enormes lacunas que se apresentam por falta de material fotográfico e, sobretudo, de depoimentos de seus pioneiros e dos inúmeros registros sonoros que foram se deteriorando com o decorrer do tempo, além das redublagens.


Aqui, baseado em tudo aquilo que já pesquisei nesses 22 anos de resgate da dublagem do estúdio AIC, fui remontando um pouco das fases que a dublagem brasileira já atravessou. Sendo assim, traço um painel (ainda que seja puramente a minha observação, através de tudo que já li, pesquisei e conversei com diversos profissionais da área).


1ª FASE (1938 - 1958):
 A FASE ARTESANAL

Wallace Downey, que veio dirigir a gravadora Columbia, se uniu a Adhemar Gonzaga, o proprietário da Cinédia, que estava começando a produzir filmes. Os dois fundaram a Waldow-Cinédia. Mas como Downey não conhecia ninguém no Rio de Janeiro, pois estava mais em São Paulo, e na época, em 1934, Wallace convidou o compositor Braguinha e Alberto Ribeiro, que foi o seu maior parceiro musical, para ajudarem na escolha de elenco para a dublagem dos primeiros desenhos americanos para o Cinema.


**Adhemar Gonzaga**

Em 1938, Downey se separou de Adhemar Gonzaga, e fundou a Sonofilmes ao lado de Alberto Byington Jr., e Braguinha continuou junto a Downey. Foi justamente nesta época que Walt Disney produziu o primeiro desenho animado de longa-metragem sonoro, Branca de Neve e os Sete Anões, uma adaptação da história dos Irmãos Grimm.


Assim, Braguinha que já tinha experiência com Cinema, e naquela época não havia muita gente neste ramo, fez as letras das músicas, orientou toda a dublagem e escolheu todo o elenco. Alguns técnicos americanos ficaram impressionados com o fato de se conseguir fazer isso no Brasil com o equipamento sonoro de que dispúnhamos, pois era tudo muito empírico ainda, até mesmo na gravação de discos. Consta que para fazer eco, tinham que cantar do banheiro. E Branca de Neve... foi um sucesso.


**Braguinha**

Assim, nasce a dublagem brasileira com artistas que trabalhavam no Rádio e cantores de grande sucesso da época, como Carlos Galhardo, Dalva de Oliveira e tantos outros.


Com o desenvolvimento do estúdio de Walt Disney, outros longas foram chegando: Cinderela, A Bela Adormecida, etc, e já na década de 1950, o estúdio era denominado Cinelab, mas que consistia basicamente na dublagem de desenhos para o Cinema, com arranjos musicais apropriados à língua portuguesa. Muitos dubladores ainda não tinham a noção de que estavam fazendo era um grande trabalho artístico: dublagem!!


Dessa fase, já surgem nomes como Magalhães Graça e Joaquim Luiz Motta que, futuramente, iriam para a dublagem de produções para a televisão.


2ª FASE (1958 - 1967): 
A FASE RADIOFÔNICA

A televisão brasileira inicia suas atividades em 18 de setembro de 1950. No início, sua programação era muito restrita a programas ao vivo, suas transmissões começavam por volta das 17h. e ainda muitos brasileiros desconheciam totalmente esse novo veículo, ainda o Rádio reinava plenamente nos lares brasileiros com muitos programas humorísticos, radionovelas, programas de auditório, etc.


Durante a década, a televisão começa a ocupar cada vez mais o espaço e já as emissoras que haviam na época necessitam ampliar a sua grade de programação. Assim, entram mais filmes americanos, mas legendados e para o público infantil: desenhos.


A Maristela Filmes que não conseguira trilhar o caminho da Vera Cruz, abre suas portas para esse novo horizonte que surgia, fundando em 1958 o estúdio Gravasom na cidade de São Paulo, ainda somente dublando alguns desenhos e séries juvenis. Em 1960, o estúdio Herbert Richers, que se dedicava à produção de filmes, também inicia as suas atividades na dublagem. No mesmo ano, surgia o estúdio CineCastro, o qual trouxe uma qualidade excelente às dublagens realizadas na época.



O ano de 1961 talvez seja considerado como o nascimento oficial da dublagem no Brasil, vindo de uma lei, assinada pelo Presidente Jânio Quadros, onde desapareceriam de vez as legendas brancas nos televisores ainda em preto e branco, dando espaço para a dublagem definitivamente.

Nesse período, já havia também a Ibrasom em São Paulo e a Riosom. Mas quem seriam os dubladores ?
Tanto os estúdios de São Paulo como os do Rio de Janeiro foram buscar os humoristas e radioatores pela experiência na interpretação com a voz.



Duas fontes de onde viriam diversos dubladores: a Rádio São Paulo e a Rádio Nacional no Rio de Janeiro.
Entretanto, devido ao fato das emissoras serem praticamente só de São Paulo, o estúdio Gravasom e a Ibrasom possuíam um volume muito maior de filmes e séries de tv para dublarem.

Assim, Mário Audrá vê a necessidade de um estúdio que operasse em grande produção e com equipamentos e elenco de vozes mais elaborados. Wolner Camargo, que possuía uma longa carreira também no Rádio, como locutor esportivo e radioator, é convidado a ser o Diretor Artístico da nova empresa.


**Mário Audrá**

 Nasce assim a Arte Industrial Cinematográfica São Paulo, em meados de 1962 com 4 estúdios em pleno funcionamento. A idéia de Wolner Camargo era fazer uma dublagem mais artística, porém com o rítmo de uma indústria, pois o volume de produções aumentava dia a dia. São convidados diversos radioatores e artistas de Rádio, sobretudo, da Rádio São Paulo.


A dublagem dos primeiros anos, não só da AIC, mas também a de outros estúdios , é fortemente influenciada pela radionovela, algo natural, pois ninguém sabia exatamente o que era essa nova carreira chamada dublador, assim a interpretação dos primeiros anos nos dão uma qualidade impressionante, porém ainda com muita influência da radionovela.


Por volta de 1967, a televisão brasileira já produzia muitas novelas e foram surgindo outros artistas oriundos dela. A dublagem , nessa época, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro vai ganhando novos talentos e a dublagem segue um novo rumo, deixando a influência radiofônica e produzindo uma dublagem de alta qualidade, na qual o dublador se aproxima muito mais do som original e, muitas vezes, até valorizando mais a interpretação do ator americano.
Cito o ano de 1967, pois é aquele que percebi maiores alterações de elenco dos estúdios e os registros sonoros começam a ser diferentes.


Já nessa data tínhamos em São Paulo a AIC, que já havia adquirido a Ibrasom, e a Odil Fono Brasil. No Rio de Janeiro, além da Herbert Richers, havia a Dublasom Guanabara, Riosom, CineCastro, e a TV Cinesom, porém ainda a AIC predominava sobre todas as demais.


3ª FASE (1967 - 1977):
 O PRIMEIRO APOGEU DA DUBLAGEM

Nesses dez anos, houve grandes modificações. O predomínio da AIC começa a ser abalado por volta de 1971, devido a sua situação financeira vai perdendo espaço, dubladores se transferem para o Rio de Janeiro, outros procuram a tv e a concorrência fica maior com o surgimento do estúdio Álamo em São Paulo, além da Herbert Richers já a partir de 1970 seguir o mesmo caminho que a AIC realizara anos atrás.


Alguns pequenos estúdios já haviam desaparecido (Riosom, Dublasom Guanabara, TV Cinesom) e a Herbert Richers, possuía o privilégio de estar localizada no Rio de Janeiro, cidade para onde o núcleo da televisão brasileira se transferiu com o crescimento da Rede Globo.


Assim, na década de 1970, a dublagem em São Paulo fica cada vez mais restrita, mesmo com o encerramento da AIC, o novo estúdio BKS e a Álamo não conseguiam concorrer com a Herbert Richers e até outros estúdios menores do Rio de Janeiro, mas a dublagem realizada por quaisquer desses estúdios, é considerada de uma qualidade extraordinária, ou seja, as sementes lançadas no final da década de 1960 pela AIC na dublagem deram resultado para todos os estúdios.


E os dubladores ? O ano de 1977 é marcado pela greve da categoria de ambas as cidades. Até hoje, muitos direitos não são sequer mencionados, mas o pagamento da dublagem passa a ser por hora e não mais por "anel" dublado ou "loop" (pequenas cenas cortadas para a dublagem).


4ª FASE (1977 - 2000):
 O SEGUNDO APOGEU DA DUBLAGEM

Mesmo não tendo obtido tudo a que teriam direito, mesmo com algumas perseguições a alguns dubladores após a greve, cada vez mais a dublagem brasileira ganha espaço na televisão. Os estúdios BKS e Álamo iniciam realizações primorosas em filmes e animes durante toda a década de 1980, atraindo para São Paulo novos profissionais e muitos que haviam iniciado na AIC, agora já como grandes diretores de dublagem. Nessa mesma década, surgem outros estúdios como, por exemplo, Maga, S&C Produções Artísticas e Megasom.


No Rio de Janeiro, a Herbert Richers continua com pleno domínio e tendo também um excelente elenco de vozes, muitas ainda da década de 1960 e alguns da antiga AIC.


Essa fase é marcada por uma diversidade de dubladores e com grande qualidade artística. Ainda tínhamos os talentos dos mais experientes e novas descobertas na dublagem.


Aqui, ressaltamos que tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, ainda persistia a qualidade na dublagem e com profissionais excelentes. Assim , houve na década de 1980 um volume estrondoso de dublagens para filmes, séries de tv, animes e desenhos que deixaram saudades para muitos, assim como as dublagens da AIC deixaram.


Por incrível que pareça, mesmo com pouco tempo, já houve perda de algumas dublagens, seja de forma parcial ou total, além do fato de terem desaparecido das versões para dvds, principalmente os filmes.


5ª FASE (2000 em diante...): CAMINHOS INCERTOS DA DUBLAGEM

A partir de meados da década de 1990, a tecnologia chega rapidamente e a dublagem passa a ser mais rápida, apenas um dublador com o diretor ficam no estúdio para a gravação. Se perde totalmente o feedback dos companheiros de bancada. Além desse fato, o poder econômico das distribuidoras se sobrepõe e domina completamente os estúdios, ditando quais dubladores desejam e quais não admitem.


Há o falecimento de diversos profissionais que deixaram um enorme legado, tanto de São Paulo como do Rio de Janeiro e surgem diversos estúdios de dublagem em ambas cidades aumentando a concorrência, onde hipoteticamente o dublador teria mais campo de trabalho, mas fica aprisionado ao poder econômico das distribuidoras e de proprietários de estúdios de dublagem.


Nesses 20 anos, desaparecem estúdios como VTI Rio e as tradicionais Herbert Richers e Álamo. Surgem novos, alguns trazendo embutido cursos para novos dubladores, a fim de uma revitalização de vozes e descobrir talentos.


Entretanto, atualmente, vemos cada vez mais uma dublagem inexpressiva, seca, sem interpretação, prevalecendo a sincronia labial, como se alguns profissionais apenas estivessem lendo a sua fala.


Evidentemente, há exceções de jovens dubladores com excelente qualidade, mas a palavra já diz tudo "EXCEÇÕES", algo que no passado era "REGRA GERAL".


A dublagem brasileira é considerada a melhor do mundo, mas praticamente só concorremos com a dublagem em espanhol, realizada no México para todos os países da mesma língua na América Latina, pois na Europa poucos países utilizam a dublagem da mesma forma que nós.


Assim, resta uma grande inquietação e uma pergunta: qual será o futuro da dublagem no Brasil ?? 




** ESTÚDIOS DE DUBLAGEM EM SÃO PAULO**



Gravasom - Primeiro estúdio de dublagem em São Paulo, inaugurado em 1958, se transformou em AIC em 1962.


IBRASOM - Estúdio de propriedade de americanos, inaugurado em 1959, concorria diretamente com a AIC, a qual o adquiriu em 1966.


AIC (Arte Industrial Cinematográfica) - Oriunda do estúdio Gravasom, foi fundada em 1962, tendo cerca de 80% do mercado da dublagem na década de 1960, devido aos excelentes trabalhos que realizou. A partir de 1971 entrou numa grave crise econômica, falindo em 1976, sendo adquirida pelos proprietários do estúdio BKS.



CineCastro - Sede São Paulo (de 1971 a 1973).


Gota Mágica (Início da década de 1990, até Setembro de 1999).



Marshmellow (de 1990 até hoje).



Mastersound (desde 1990, trabalhou com parceria com a Telecine do Rio, que não utilizava mais seu nome, e sim creditava o nome da Mastersound de São Paulo).


Sigma (desde 1989, dublava para a Cultura, era a principal a dublar para a Disney na época de sua fundação).


Clone (fundada em 1996, em especial dubla para o Discovery Channel, Animal Planet, People And Arts e outros, alem de filmes e séries).


Centauro (a empresa é colombiana, começou em Bogotá em 1985. Abriu uma sede em São Paulo em 1995).


Parisi Vídeo (início dos anos 2000, empresa do José Parisi Jr., encerrou as atividades em 2004).


Dublavídeo (inicio da década de 1990, empresa do dublador e diretor João Francisco).

Com-Arte (empresa que foi fundada no final da década de 1970 dentro dos estúdios Silvio Santos, durou pouco tempo).


Elenco (empresa que veio depois da Com-Arte também nos estúdios Silvio Santos, permaneceu pouco tempo também).


Maga (iniciada por volta de 1983/84 nos estúdios do Sbt.Por volta de 1988 se transferiu para a Marshmellow, e usava a narração da empresa.Durou até 1995, com a morte de Marcelo Gastaldi, o dono e fundador da empresa).


Voxmundi (Fundada em 2000, dubla principalmente séries para canais como Discovery, NetGeo e etc...)


S&C (S&C Produções Artisticas), estúdio da década de 1980 que faliu por volta de 1989, dublava muitos filmes e outros gêneros para os estúdios Disney. Em 1989 o prédio da empresa foi comprado pela Sigma, onde é até hoje).



Megassom (estúdio que iniciou em meados da década dede 1980, faliu por volta de 1993).



Dpn - Santos (iniciou em Santos em final da década de 1990.Transferiu-se pra São Paulo em meados de 2000.Narra e dubla principalmente para o Discovery Channel, National Geography, Discovery Kids, Animal Planet, Discovery Health, People And Arts e outros).



Álamo (A maior empresa de dublagem de São Paulo, e uma das maiores do país. Fundada em outubro de 1972 pelo técnico de som inglês, Michael Stoll. Dublou muitos filmes, séries de tv, desenhos, animes e séries japonesas, principalmente na década de 1980. Encerrou as suas atividades em maio de 2011).



BKS (um dos estúdios com maior investimento na tecnologia, adquiriu a antiga AIC e sua sede continua sendo no mesmo local desde 1976).



CBS (É um estúdio relativamente novo que está tendo grande notabilidade atualmente. Foi fundado no início dos anos de 2000 com o nome de Dublart.Em 2008 um sócio saiu da empresa, e ela mudou o nome para CBS).



Stúdios Gábia (Fundado em meado dos anos 2000, é um estúdio novo, fundado por Marcos Gábia, e aos poucos está ganhando notabilidade na dublagem).



Windstar (Empresa de Emerson Camargo fundada em 1983, que dublou algumas coisas para a Tv na época, mais logo depois dedicou-se apenas a ideia original, narração de filmes e vídeos didáticos e vídeos empresariais de treinamento.A empresa existe até hoje).



DuBrasil (Fundada em fevereiro de 2000 por Hermes Baroli e sua mãe Zodja Pereira).


** ESTÚDIOS DE DUBLAGEM NO RIO DE JANEIRO **



Herbert Richers (começou em 1950, em 1960 começou com dublagem, foi a maior empresa do país, tendo sido a principal nas décadas de 1970 e 1980, dublando filmes, séries e desenhos clássicos que marcaram a história da tv no páis. Faliu em 2010).


CineCastro (iniciou em 1960, fundada por Aloísio Leite Garcia, em 1973 foi vendida para Paulo Amaral, e em 1974 mudou o nome para Televox, vindo a falir em 1975).


Telecine (fundada em 1976 por Spyros Saliveros e Alberto Elias, mixador e técnico de som da antiga Cinecastro / Televox, foi quase uma continuação da Cinecastro, muito profissionais da empresa foram para lá.Também trabalhou para o Cinema Nacional e para Documentários Para Tv. No início de 1990 trabalhou em parceria com a Mastersound de São Paulo, dublando na empresa e creditado como Mastersound, foi a pioneira em fazer dublagens mistas Rio / São Paulo. Encerrou as suas atividades em 2006).


Audio News (empresa fundada no início da década de 1990 por Ricardo Ribeiro e seu sobrinho Marco Ribeiro. Ficou muito conhecida por ter dublado o anime Yu Yu Hakusho, e a partir disso, teve notabilidade no meio).



VTI (fundada em 1950 por Victor Berbara trabalhando no ambiente publicitário. A partir de 1960 Victor fundou a Network, que foi a distribuidora da Abc Filmes, distribuindo várias séries de sucesso para serem dubladas no Rio. No final da década de 1980, Victor fundou a VTI Rio, só para dublagem. Encerrou as suas atividades em 2008).


Delart (Fundada pelo Técnico de Som do Cinema e Dublagem Brasileira, Carlos De La Riva, na década de 1980. Hoje é uma das maiores empresas do Brasil, e a principal em dublagens de filmes para a tv e o cinema).


Wan Macher (Iniciou em final da década de 1990. Hoje é a principal empresa de dublagem do país, sendo a primeira em dublagem de séries, dubla para a Fox, Tnt, Cartoon Network, Boomerang, Nickelodeon, Wanner e outros. O diretor principal da empresa é Luis Manuel).


Som de Vera Cruz (Começou no Inicío dos anos 2000.Empresa do narrador e dublador Jorgeh Ramos, é responsável por muitos desenhos para o Cartoon Network).


Sérgio Moreno Filmes (estúdio fundado pelo dublador Sérgio Moreno, com sede no Rio e filial em São Paulo).


Double Sound (começou em 1996, dublava no início para os estúdios Disney, hoje dubla também para a Dreamsworks, Paramount, Warner, Fox, Universal, Mgm, e é especializada principalmente em dublar animações).


Audio Corp (fundado por Gil Monteaux, que integrou a área administrativa da Herbert Richers, em 2002).


Cinevídeo (No início da década de 1990, Alberto Elias fundou a Cinevídeo, empresa que hoje é gerenciada pelos seus filhos.Fez muitos trabalhos, principalmente desenhos a partir de 1996 para o Cartoon Network, dublou 80% do que foi para o canal, e se especializou nisso).


Peri Filmes (Criada na década de 1970, foi uma notável empresa, que fechou as portas em meados da década de 1980. Possuía uma sonoplastia incrível para a época).


Dublasom Guanabara (empresa criada no início da década de 1960 por Ribeiro Santos e um amigo. Fechou as portas por volta de 1970).


Riosom (empresa que iniciou por volta de 1960 e durou poucos anos).


Tv Cinesom (empresa iniciou em 1963, dublou até início de 1971, quando encerrou as suas atividades).


Lypsync (Criado pelo ex-coordenador nacional de jornalismo do Sbt, Marcio Moron, o narrador Nano Filho e o dublador paulista Eduardo Camarão em Outubro de 2000).


** Marco Antônio dos Santos **>