27 de junho de 2010

A "IMAGEM" DA VOZ




Os radioatores, para criar a imagem na mente dos ouvintes, usaram o que julgavam ser características comuns a um personagem. O efeito das ondas radiofônicas parece causar algum encantamento nas pessoas, pois elas acabam acreditando. Assim, os atores davam a “cara” da voz para o público, mesmo que não fossem realmente “a cara da voz”.

A voz emitida é cercada de mistérios. Ao interpretar personagens numa radionovela, por exemplo, os ouvintes imaginam o locutor de acordo com a voz que está sendo ouvida. Geralmente uma pessoa magra pede uma voz mais aguda, ao passo que uma outra de medidas maiores pede uma voz mais potente, do contrário soaria estranho aos nossos ouvidos. Aguçando nossa memória auditiva, descobriremos características culturais, regionais e até mesmo intelectuais através da voz.

 Um fato até interessante, que ilustra bem esta afirmativa, são as mulheres barranqueiras, geralmente cercada de filhos, que lavam as roupas às margens dos rios. De longe pode-se ouvir suas conversas num tom bastante agudo e lamuriante. O mesmo pode-se afirmar do personagem tipo “machão”: um tom de voz meiga e doce conotaria falsidade. Já para o poeta ou o intelectual, o tom meigo é fundamental.

 Há casos interessantes de ouvintes que se inebriam pela voz que se ouve, chegando até a construir, imaginar e se apaixonar pelo locutor, mesmo sem ter a menor ideia de como ele é fisicamente.

Porém, o importante para o ator é que nem sempre as convenções que ele imagina para um tipo de personagem correspondem ao que o público pensa. Por isso, apoiar-se apenas nos estereótipos, ou usá-lo de forma acentuada, pode parecer exagerado demais.

 Há outras situações em que, os personagens possuem uma voz que não correspondem ao seu tipo físico. Então, os dubladores interpretavam de tal forma que a voz dublada encaixasse melhor nas características corporais do ator do que a voz original.

Mas o ator não faz um estudo apenas da parte física do personagem. Este também possui sentimentos, e os mais perigosos estereótipos na interpretação são os emocionais, as atuações mecânicas de riso, choro, medo, dor etc. Assim, os atores precisam utilizar valores reais, os seus sentimentos, para criar uma “nova vida”.
 Eles não são, mas precisam “estar” o personagem. Como ele seria? O que o angustiaria? O que o faria feliz? Que voz ele teria?

A “imagem vocal” de um personagem pelo ator é definida através da escolha de fatores como altura, intensidade, timbre e rítmo. Esta busca pode ter a cooperação do diretor e dos outros atores, mas é o próprio ator quem deve descobrir a voz ideal, com sua experiência emocional e técnica. Quando ele se afasta dos clichês e maneirismos, cria uma nova “alma”, que pega o seu corpo emprestado até quando o personagem existir.

A dublagem deve seguir este mesmo caminho para a busca da “imagem vocal” adequada de um personagem. Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, a principal escola para se entrar em atuação vocal para produtos audiovisuais estrangeiros era o rádio.

 Além da capacidade para interpretarem apenas com a voz, como é feito na dublagem, havia a possibilidade de caracterização de vários personagens, como alguns voice actors chegam a fazer num mesmo desenho animado. Dois deles foram os mais conhecidos da área nos Estados Unidos, justamente pela versatilidade, e vieram também da escola radiofônica: Mel Blanc e Daws Butler.

Mel Blanc foi um dos voice actors mais conhecidos de todos os tempos. Os desenhos dos Looney Tunes sempre davam crédito ao ator, indicando sua função como voice characterization. Blanc, conhecido como o “Homem das Mil Vozes”, devido a sua versatilidade de interpretação de personagens, como Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frangolino, Frajola, Piu-Piu, entre tantos outros só nas produções animadas da Warner Brothers. Ele também deu voz a Barney Rubble, no clássico desenho da Hanna Barbera, na década de 1960, Os Flinstones.
 Ele faleceu em 1989, pouco tempo antes do coelho Pernalonga completar 50 anos de existência.

Já o nome de Daws Butler começou a aparecer bem depois do seu início como voice actor nas produções animadas. Ele já havia trabalhado na MGM, mas seus maiores êxitos foram na Hanna Barbera. Ele fez as vozes de Zé Colméia, Leão da Montanha, Dom Pixote, entre tantos. Como Blanc, fazia vários desenhos interpretando vários personagens, como Pepe Legal e Babalu, e até chegava a fazer todas as vozes em alguns deles.

 Ele gostava de dizer que “Mel Blanc foi o único cara a receber crédito naqueles desenhos animados da Warner Brothers, mas eu fui o único a ter meu nome em comerciais de cereais”, já que seu nome apareceu numa propaganda na TV, dando crédito por sua interpretação do Leão da Montanha. Mas isso sem qualquer mágoa ou ressentimento, já que eles chegaram a contracenar em alguns desenhos.

Devemos relevar que Mel Blanc fez carreira na Warner, que produzia desenhos para o cinema, ou seja, produções mais caras e mais bem cuidadas. Mesmo que suas vozes definam a personalidade dos personagens, eles já tinham um certo charme já no traço do desenho.

 Já Daws Butler ficou mais conhecido pelos cartoons da HB feitos para a televisão, produzidos com extrema rapidez e traços bem mais simples. A graça do desenho precisava estar, então, na voz dos personagens.

Mas também, ao lado de Daws Butler, normalmente estavam Don Messick e Doug Young, dois voice actors que apareciam bastante nos desenhos da Hanna Barbera. Os três fizeram vários desenhos juntos. Enquanto Butler fazia Zé Colméia, Messick era o Catatau. Young era Bibo Pai e Butler, Bóbi Filho. Messick ficou mais conhecido pela voz do Scooby-Doo. Mel Blanc, por sua vez, fez boa parte de trabalho vocal em desenhos animados sozinho.

A grande questão entre Blanc e Butler não é tanto sobre quem é melhor, e sim porque são os melhores. Mesmo com a interpretação de várias personagens, cada um destes possuía sua identidade vocal. Mesmo com tamanha quantidade de caracterizações de personagens, a versatilidade de ambos os atores possibilitou uma infinidade de variações vocais.




A dublagem brasileira, que é bastante criticada por causa da repetição de vozes, não pode se valer de tamanha variedade, pois empresta suas vozes para filmes e seriados, que, às vezes, não permitem uma interpretação tão livre como é feita nos cartoons.

 Mesmo assim, apresentamos muitos dubladores com uma capacidade extraordinária e versatilidade para a dublagem de diversos tipos em desenhos: Older Cazarré, seu irmão Olney Cazarré, Gastão Renné, Roberto Barreiros, José Soares e, principalmente, Waldyr Guedes. Já na década de 1970/80, Orlando Drummond já possui uma grande galeria de personagens (Scooby Doo, Popeye, Alf, etc.) e Sílvio Navas surge como um grande ícone em desenhos, destacando-se o grande vilão Mum-Rá do desenho Thundercats.

A dublagem foi sempre tratada com seriedade no exterior. A Disney, por exemplo, padronizou o seu elenco de vozes a partir da década de 1960, para evitar discrepâncias entre as dublagens de cada país. O cuidado chega até às canções dos desenhos. Um exemplo é um clipe de Colors of The Wind, tema principal de Pocahontas, o Encontro de Dois Mundos, em que cada trecho é cantado em uma língua, mas parece que é uma mesma mulher na interpretação.

O primeiro filme brasileiro a trabalhar com a técnica de dublagem foi "Luar do Sertão", de 1949. A Companhia Maristela de Filmes, de propriedade de Mário Audrá Júnior, era uma das principais responsáveis pela sonorização de filmes.

 Depois, ela se tornaria a Gravasom, uma das pioneiras na dublagem de produtos audiovisuais estrangeiros. Aliás, a prática de dublar atores nacionais foi fundamental para a dublagem de seriados e filmes vindos do exterior para a televisão, que surgiria em 1961.

Na dublagem para o cinema nacional, a substituição poderia ser feita para gravar as falas com as próprias vozes em estúdio, devido à dificuldade do microfone pegar apenas os diálogos em determinadas locações, principalmente no caso de cenas externas, fora do estúdio. Mas também servia para substituir alguma voz considerada inadequada para o personagem.

 Borges de Barros trabalhou com dublagem de filmes nacionais desde 1950 com O Cangaceiro, substituindo a voz de outros atores em todos os filmes do Nelson Pereira dos Santos e de Anselmo Duarte.

O rádio, como a dublagem, é o meio ideal para a voz, porque só ela aparece para o receptor. Por isso, o instrumento vocal, aliado a um texto de fácil compreensão, era importante para instigar o ouvinte a continuar sintonizado ou participar da programação. A intenção é instigar o subconsciente, provocar a imaginação das pessoas.

O rádio teve a sua época dourada no Brasil. Foi a partir da segunda metade da década de 1930 do século passado, quando o veículo começava a se tornar o principal meio de entretenimento da população. E, para as novelas, seriados e humorísticos de sucesso nas emissoras, os atores eram selecionados pela sua capacidade de interpretar com a voz, e não pelo seu tipo físico e estético.

 O importante era a qualidade que os radioatores
possuíam para produzir papeis diversos. Se havia necessidade de fazer um bandido ou um mocinho, lá estavam eles criando uma nova voz. Assim, ela ganha uma direção que havia perdido desde que o teatro perdeu espaço para o cinema.

A própria dinâmica do rádio dava ao meio uma capacidade para a improvisação, o que possibilita aos atores uma liberdade maior na representação, mesmo nas apresentações ao vivo, já que poucos vão observar o erro se ele acontecer.

 Se alguém errasse uma fala ou até desmaiasse, o locutor viria depois para dizer: “Estivemos fora do ar por problemas técnicos em nossos estúdios”. E para artistas com medo de público, era o veículo ideal para representar.

O “culto à voz” era uma das principais características do veículo radiofônico. Nos Estados Unidos, os crooners eram os responsáveis pelas canções de sucesso da época. No Brasil, esta fase teve seu apogeu com cantores como Vicente Celestino, Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo, abastecidos de canções, principalmente as de amor, por grandes compositores da época.

 Até mesmo os locutores tinham uma voz “encorpada”, “ressonante”, por causa da dificuldade tecnológica que havia com os microfones, que tornavam as vozes “metalizadas”. Os locutores de futebol também criaram seu vocabulário próprio, com uma narração que não deixa espaços para o ouvinte perder o interesse.

Se o rádio possibilita uma maior interatividade com o receptor, este não é o caso da televisão, um meio de fala unilateral, ou seja, sem troca dialética, sem reciprocidade de discursos. A TV permitiu, pela primeira vez na nossa história, uma “hegemonia tecnológica do falante sobre o ouvinte”.

 A sua linguagem não poderia ser a mesma que a do rádio, da mesma forma que as linguagens do teatro e do cinema são diferentes. Por mais que tenha absorvido muita coisa da programação radiofônica no seu início, a televisão foi logo criando seu próprio jeito de se expressar.



Como o ator de TV não necessitava mais projetar a sua voz, a sua interpretação não precisava ser mais impostada e cheia de gestos. E, diferentemente do rádio, as pessoas dependiam de um tipo físico ideal para o personagem.

 Então, os atores eram escolhidos mais pelo seu porte do que pela sua capacidade de criação da voz. A atuação passa a ser mais “natural”, pois o ator estava sendo praticamente ele mesmo no papel. Por isso que, geralmente, os atores ficam profundamente marcados pelo personagem.
 No cinema, o personagem morre quando acaba o filme, mas não na televisão.

Com esta atuação mais “natural”, a técnica dá lugar a expressões e sentimentos prontos, estereotipados, enfim, uma representação “mecânica”. As interpretações viram um festival de clichês, chorar por chorar, gargalhar porque está sendo pedido no roteiro. 

Então, para reproduzir os sentimentos há que saber reconhecê-los pela experiência própria. Não os experimentando, os atores mecânicos são incapazes de reproduzir os efeitos externos.

Este tipo de formatação interpretativa também afetou a dublagem, já que os produtos audiovisuais traduzidos geralmente vão para a TV ou para o cinema.

É indefinível o critério usado para se qualificar as dublagens. Uma crítica não assinada da revista SET, publicada em junho de 2001, deu destaque à excelente dublagem brasileira da década de 1960, principalmente em desenhos e séries de tv da época.

O fato é que há a necessidade da "imagem" da voz ser criada em nossas mentes, principalmente nos desenhos e séries de tv que acompanhamos. Isso ocorreu com as dublagens de produções americanas e japonesas durante as décadas de 1960/70/80,e ainda na década de 1990, porém durante estes primeiros dez anos do século XXI, houve uma perda muito significativa nesse sentido.

Hoje, sentimos saudades das dublagens realizadas pelos estúdios: AIC, CineCastro, TV Cinesom e Herbert Richers (todos já extintos), mas uma nova geração de fãs já surgiu relembrando as dublagens das décadas de 1980/90 dos estúdios Álamo, Gota Mágica e BKS.


Qual será o caminho da "cara" da Voz ?


**FONTE DE PESQUISA: TESE: "A DUBLAGEM NO BRASIL" de Leandro Pereira Lessa.
Universidade Federal de Juíz de Fora / MG - 2002 **


** CURIOSIDADE:
*Neste vídeo, com muito destaque, aparece a dubladora Gessy Fonseca, que dá opiniões sobre a arte de fazer radionovelas, além de contar suas experiências, de forma muito viva e bem humorada.

A matéria foi ao ar pela Tv Gazeta/SP, no programa "Pra Você" de Ione Borges.
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**Marco Antônio dos Santos**

22 de junho de 2010

ENTREVISTA COM CELSO VASCONCELLOS


1 - A AIC foi o seu primeiro estúdio de dublagem ? Como você começou a dublar, fez algum teste ?

R: Sim. Fui para São Paulo apresentado ao ator Sérgio Cardoso, na época astro das novelas, que se propôs a me ajudar. Na época, existia a TV Excelsior, TV Tupi e a TV Paulista, que era da Globo e onde o Sérgio estava gravando. Fui apresentado aos diretores e fiz teste em todas elas. Muitas promessas, mas pouca realização. Por necessidade financeira, fui parar num estúdio (acho que Odil Fono Brasil) para dublar um filme nacional. De lá para a AIC foi o caminho natural.

2 - Você se lembra qual foi a sua primeira dublagem ? Estava muito ansioso ?

R: Não me lembro do filme, mas o diretor era o falecido Ary de Toledo (da dublagem, não o comediante). Ansioso e necessitado que desse certo.

3 - Quem ou quais dubladores da AIC foram imprescendíveis para você desenvolver melhor o teu trabalho na dublagem ? Aqueles que te deram os direcionamentos para dublar.

R: Sem dúvida o mais importante e o responsável direto pelo início real da minha carreira de dublador foi o Neville George. A Siomara Naggy, que estava casada com ele na época, brincava muito comigo. O Neville, sem eu perceber, estava prestando atenção no meu trabalho que até então resumia-se a pequenos papeis. Um dia o casal cruzou comigo na rua e o Neville disse: -- Você está escalado para o papel principal de um filme muito importante que vou dirigir. É "O Corcunda de Notre Dame". Agora ou vai... ou racha. Quando terminou a dublagem eu perguntei para ele: --- E aí, Neville... Foi ou rachou... Ao que ele respondeu: ---Foi, garoto... e foi muito bem. A Líria Marçal (que fazia a protagonista feminina) estava te observando e fez excelentes comentários. Eu também te dou nota 10.

Para sorte minha o filme, depois de mixado, foi exibido no auditório da AIC e todos os dubladores e diretores foram convidados para assistir... Ali começava minha carreira de protagonista em dublagem.

4 - Você participou da dublagem do filme O Corcunda de Notre Dame de 1939, dublando o personagem Gringoire, interpretado pelo ator Edmond O'Brien. Conte-nos como foi esse trabalho, que felizmente está com o áudio restaurado.

R: Respondido na pergunta anterior. Bom que tenham restaurado o áudio.

5 - Do período que você ficou em São Paulo, quais são as boas recordações que ficaram até hoje ?

R: Era um período de sonhos a serem realizados... e eu tinha a vida inteira pela frente para fazê-lo. Na realidade não fiquei nem um ano em São Paulo. Vendo que as promessas de Televisão não se concretizavam voltei para o Rio e fui trabalhar na Riosom onde apareceu o teste para o Rei dos Ladrões (Robert Wagner) meu primeiro fixo principal em seriados.

6 - Já no Rio de Janeiro, na década de 1970, você realizou diversas dublagens no extinto estúdio Herbert Richers. Dublar o personagem John Boy, na série Os Waltons, é um grande exemplo. A dublagem em conjunto com Lúcia Delor, Magalhães Graça, Selma Lopes e outros nomes, o que representou para você dublar esse personagem ao lado desses dubladores ?

R: Dos que você citou, Lúcia eu já conhecia da Rádio Nacional onde trabalhei como radioator. Com Selma e Magalhães Graça trabalhei inúmeras vezes desde a Riosom. Assim como Diana Morel, Gloria Ladany, Nair Amorim, Nelly Amaral, Francisco Milani, André Filho... enfim, acho que contracenei com todos os que dublavam na década de 1970 e 80 pois dublei mais de 1000 filmes.

7 - Você não ficou até o término da série Os Waltons. Qual foi o motivo ?

R: Não foi bem assim. Começei a dublar os Waltons em 1972, quando estava no início da faculdade. Me formei em dezembro de 1975 e antes de me formar já havia passado em 3 concursos públicos. Escolhi o governo de Minas Gerais e em janeiro de 1976 pedí demissão ao Herbert Richers. Nos Waltons, específicamente, fui substituído pelo Ari Coslov (ator e diretor da TV Globo). Só que a distribuidora do Columbo (que também começei a dublar em 1972) e do Rei dos Ladrões, cujo segundo ano estava sendo dublado na H.R., não permitiram a substituição. Daí o Sr. Herbert, muito a contra gosto, foi obrigado a pagar passagem de avião para que eu fosse todos os finais de semana dublar os epísódios das duas séries. Daí, não perdi o contato. Em meados de 1977 surgiu a possibilidade de um contrato com a TV Globo e deixei o emprego público e voltei. A partir daí retomei o meu personagem nos Waltons e fui até o fim da série, em 1980. Inclusive, no último ano o Richard Thomas saiu, pois queria fazer outros papeis e aquele o estava marcando muito mas o personagem John Boy continuou fazendo a narração da história, em OFF. Em suma, dos mais de 8 anos que a série ficou no ar eu fiquei fora apenas 1 ano e meio.

 
** JOHN BOY WALTON: PERSONAGEM MARCANTE NA CARREIRA DE CELSO.

8 - Ouvindo a voz do ator Peter Falk, nota-se que ele pouco abre a boca, como se estivesse "falando para dentro". Como você desenvolveu essa excelente dublagem do detetive Columbo ?

R: Dublar o Columbo foi uma experiência única em minha vida. Pelo grande número de anos que fiz este trabalho fui pegando todos os trejeitos do Peter Falk e, felizmente, tive o meu trabalho reconhecido pelo público e, por incrível que pareça em se tratando de dublagem, até pela crítica.

 
** COLUMBO: UMA DUBLAGEM INESQUECÍVEL.

9 - Você desistiu de atuar em novelas, preferindo só a dublagem. Isso ocorreu devido a sua profissão de veterinário ou o caminho na tv tem muitos espinhos que dificultam ?

R: Fiz algumas novelas, como por exemplo, Maria Maria, Sinhazinha Flô e Mandala na Globo e Novo Amor na Manchete. A última que participei foi Mandala em 1987. Mas aí eu já estava muito bem sucedido financeiramente e não tinha mas nenhuma disposição para ficar correndo atrás de diretor de televisão para conseguir papel... Aliás, este sempre foi um fator limitante na minha carreira de ator de TV... Nunca tive muito saco para isto... o que somado ao meu grande defeito de dizer sempre, na cara, o que pensava... Não me permitiu fazer grandes "amigos" no ambiente televisivo.

10- Em meados da década de 1990, já se iniava aos poucos, a dublagem sozinho com o diretor. Este fato foi determinante para você abandonar a dublagem ?

R: Rapaz, em 1985/86 eu estive contratado novamente na H.R. e ainda dublávamos todos juntos. Só havia mudado de 16 mm para vídeo. Só vim encontrar este problema quando voltei a HR em 1998. Aí, sim, cada um fazia o seu papel em pista separada. Não gostei nem um pouco. Primeiro pela falta de feed back... a gente passou a contracenar com o phone em inglês... segundo por que o cachet diminuiu significativamente. Na minha época, eu pegava um protagonista de longa metragem e isto significava de 10 a 15 horas de cachet recebido (No Rio o pagamento era por hora). No atual sistema você faz o mesmo papel e ganha 4 a 5 horas... ficando todo o tempo em pé. Conclusão, sai muito cansado, muito mal pago... e não confraterniza com ninguém (O diretor às vezes estava dormindo... literalmente).

Embora tenha trabalhado em todos os grandes estúdios de dublagem, eu sempre trabalhei num estúdio só por vez e sempre ganhei muito bem. Agora os dubladores tem que se desdobrar correndo de um estúdio para o outro, vários no mesmo dia, para conseguir ganhar um salário apenas decente. Neste aspecto este sistema digital ficou bom apenas para os diretores... conclusão, agora tem mais cacique que índio. Aí, com o advento do Home Broker eu descobri que também era bom na área financeira e mudei de profissão.

11- Hoje há diversos estúdios em São Paulo e no Rio de Janeiro, a tecnologia avançou muito, porém excelentes dubladores já faleceram e parece que se perdeu o brilho da dublagem, embora haja novos talentos isolados. Como você vê esta questão ?

R: Sabem quando teremos grandes dubladores outra vez? (Aliás isto já está acontecendo) Será quando esta geração de crianças que começaram dublando desde 4, 5 anos, crescerem. Neles eu vejo a naturalidade (real) e a intimidade com o microfone indispensáveis aos grandes trabalhos. Esta perda de brilho a que você se refere ocorreu porque, num hiato de tempo, pessoas que na minha época de profissional mesmo (década de 1970), quando a HR dublava praticamente 90% dos filmes, dublavam apenas homem-mulher I e II, quando voltei em 1998 eram protagonistas da dublagem, mas com as mesmas limitações e cacoetes de quando faziam homem-mulher I e II. Aí, perdeu o brilho mesmo.


12- O que significa para o Celso: ser um dublador e ser também um veterinário ?

R: Fases da vida de um ser humano em busca de constante evolução.

13 - Deixe uma mensagem para os teus inúmeros fãs, espalhados pelo Brasil.

R: Muito obrigado por gostar e consumir o meu trabalho nas diversas fases públicas. Vocês foram parte ativa da minha evolução.

** Aqui, a trajetória profissional percorrida por Celso Vasconcellos:

Quando saí de São Paulo fiz o seguinte percurso profissional: Riosom; TV Cinesom; Cinecastro (o estúdio onde fui mais feliz e realizado na minha vida, sob a direção da GRANDE CARLA CIVELLI) - o Ultra Seven foi feito lá; Herbert Richers, Governo de Minas Gerais como Veterinário, Herbert Richers, Tv Globo; Minha Clinica Veterinária em Botafogo-RJ (1978); Teatro - As Aves da Noite, de Ilda Hilst, produção de Rosa Maria Murtinho (1982); Caso verdade Olinda vem cantar- TV Globo; Outro caso verdade que não lembro o nome, ambos dirigidos pelo Milton Gonçalves (1983); Herbert Richers (1985/86); Rádio Capital produzindo e apresentando o programa "Emoções - Quando a saudade fala mais alto" (1987/89); Mandala - TV Globo (1987); Novo Amor - Manchete (1986); Rádio Geração 2000 (2002/03) HR (1998/2001)- Analista Financeiro - BOVESA E NYSE (desde 2006).


** AGRADECEMOS A ATENÇÃO DE CELSO VASCONCELLOS EM NOS PROPORCIONAR ESTA PEQUENA ENTREVISTA, A QUAL NOS TRAZ INFORMAÇÕES VALIOSAS PARA A HISTÓRIA DA AIC E DA DUBLAGEM NO BRASIL.

*** MUITO OBRIGADO ***



** AQUI, UM TRECHO DO EPISÓDIO "A MÁQUINA DE ESCREVER" DA SÉRIE OS WALTONS, NO QUAL CELSO VASCONCELLOS DUBLA JOHN BOY:
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**Marco Antônio dos Santos**

14 de junho de 2010

DUBLADOR EM FOCO (89): OSMANO CARDOSO





Osmano Cardoso nasceu em 23 de janeiro de 1919. Iniciou a sua carreira no Rádio sendo autor de diversas radionovelas durante toda a década de 1950. Ao mesmo tempo, devido a sua excelente interpretação, também foi radioator. Foi o responsável por diversos sucessos da rádio São Paulo com suas radionovelas.


Seu início, na televisão, foi na TV Globo Paulista, isto é, quando estava passando de TV Paulista à Globo, em 1965; Osmano foi escalado para a novela de Heloísa e José Castelar: “ O Èbrio”.


Depois, em 1966, o ator passou para a TV Excelsior e lá lá  fez: “ Minas de Prata”. Em seguida, foi para a TV Tupi em 1967, participou de: “ Estrelas no Chão” e “O Jardineiro Espanhol”. Voltou à Excelsior e fez, em 1968: “ A Muralha”, e em seguida: “Enquanto Houver uma Esperança”, “ Dez Vidas” e “ Os Estranhos, em 1969.


 Voltou para a TV Tupi, que teve uma fase brilhante de novelas .Osmano fez, em 1972: “ Vitória Bonelli”. Mas em 1972 ainda foi para a Record, e fez: “ O Leopardo.” Em 1973, fez na Record: “ Vidas Marcadas” e “Vendaval”. Em 1974, na Tupi, fez: “ Os Inocentes”.
 Além das novelas, Osmano Cardoso participou ainda do seriado filmado, que fez muito sucesso:  “Vigilante Rodoviário” e “ Mateus Falconi”, em 1961.


Em cinema, Osmano participou de  quase 20 filmes, sendo alguns bem importantes  e de sucesso. Começou em 1948, fazendo: “ O Palhaço Atormentado”. Depois fez: “ Simão o Caolho”,” Presença de Anita”,” Mulher de Verdade”,” A Pensão de D. Estela”, “O Pão que o Diabo Amassou”,” O Gato de Madame”,” Macumba na Alta”, “ Lampião, Rei do Cangaço”, “ São Paulo, Sociedade Anônima”,” A Vida Quis Assim”, “ O Vigilante em Missão Secreta”,  “Sentinelas do Espaço”, “ O Homem Lobo”, “ Paixão de Um Homem” e “ O Marginal”.


Com a obrigatoriedade da dublagem para a tv, Osmano Cardoso divide o seu trabalho na Rádio São Paulo com o estúdio Gravasom e Ibrasom. Com o surgimento da AIC, continuou dublando, porém eventualmente, pois agora também dividia com a tv. Participou de diversas telenovelas da década de 1960 na extinta TV Excelsior: uma de muito sucesso foi a novela "Os Estranhos" de Ivani Ribeiro.


Durante todo esse período dublou diversos atores convidados nas séries da época: A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, Jornada nas Estrelas, Terra de Gigantes, Daniel Boone, etc.
Obteve um personagem fixo na série Nacional Kid: Dr. Mizuno, assim como o personagem Dr. Bellows na 1ª temporada da série Jeannie é um Gênio. Também foi a 2ª voz de Bibo Pai, substituindo Rogério Márcico no desenho Bibo Pai e Bóbi Filho.

 
Com a extinção da TV Excelsior, Osmano Cardoso migra para a TV Tupi, onde continua participando de diversas novelas.
Sua última novela foi também na extinta TV Tupi: "Meu Rico Português" de 1975. Após dois meses do término da novela, Osmano Cardoso faleceu em 25 de novembro de 1975, com apenas 56 anos, vítima de um ataque cardíaco.


Seu filho, Antônio Cardoso, já falecido, participou ativamente de diversas dublagens na AIC no mesmo período com seu pai.



*Neste episódio da série Jornada nas Estrelas, dubla o bibliotecário*
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**Neste episódio, dublando o personagem Dr. Bellows (1ª voz) em Jeannie é um Gênio ( 1ª temporada)**
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** Marco Antônio dos Santos **

9 de junho de 2010

DUBLADOR EM FOCO (88): CELSO VASCONCELLOS




Celso Vasconcellos nasceu no Rio de Janeiro em 24 de outubro de 1953. Começou a carreira ainda bem jovem, pré-adolescente como radioator na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, lá permaneceu alguns anos.

No final da década de 1960 veio para São Paulo tentar TV, porém acabou entrando para a dublagem na AIC, lá ficou algum tempo e retornou para o Rio de Janeiro ainda no final da década de 1960.


Na AIC, ganhou um personagem para dublar no filme O Corcunda de Notre Dame, produção de 1939, dublando o personagem Gringoire, interpretado pelo ator Edmond O'Brien, uma excelente atuação de Celso Vasconcellos ao lado de grandes veteranos na dublagem ( leia a matéria sobre a dublagem deste filme, já postada neste blog).

 Ainda na AIC, participou dublando convidados em séries da época como Jornada nas Estrelas e Agente 86.


** COLUMBO: UMA DUBLAGEM MAGISTRAL DE CELSO VASCONCELLOS

No Rio de Janeiro, seguiu a carreira de dublador participando também da TV Cinesom, onde dublou o personagem Batman na 3ª temporada da série, contudo, foi no estúdio Herbert Richers, onde fez personagens marcantes em sua carreira como o tenente Columbo, interpretado por Peter Falk, John Boy interpretado por Richard Thomas em Os Waltons e Alexander Mundy interpretado por Robert Wagner em O Rei Dos Ladrões, entre outros.


** A 1ª VOZ DE JOHN BOY NA SÉRIE OS WALTONS **

Dublou grandes atores como Sean Connery em O Vento e o Leão, Sidney Poitier em Adivinhe Quem Vem Para Jantar, também fez o ator Alain Delon em Borsalino, o cantor Elvis Presley em O Prisioneiro do Rock, Montgomery Clift em Um Lugar Ao Sol, dentre muitos outros atores.


**ADVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR**


Além dos grandes atores, aos quais emprestou a sua voz, Celso também foi excelente em desenhos: fez o inesquecível Líder Optimus em Transformers, fez o Doutor Ben Cooper no clássico desenho Jana, a Rainha das Selvas, foi o Aquaman, fez o motoqueiro Ernie Devlin, da produção de Hanna Barbera: Devlin, o Motoqueiro e na Arca do Zé Colméia foi a voz do Wally Gator.

Na década de 1980, Celso mesmo dublando no Rio de Janeiro, sempre manteve sua clinica veterinária, intercalando com a dublagem. Desse período já dublou um pouco menos, mas há diversas participações em desenhos e séries da época como A Gata e o Rato, MacGyver, etc.


Celso Vasconcellos é mais um grande nome da galeria de excelentes dubladores, o qual iniciou, assim como muitos, na "grande escola de dublagem" AIC.


** ALGUNS TRABALHOS:


- Gringoire (Edmond O'Brien) em O Corcunda de Notre Dame (1939)
- John-Boy Waltons (Richard Thomas) em Os Waltons (1ª voz)
- Columbo (Peter Falk) em Columbo
- Ernie Devlin em Devlin, o Motoqueiro
- Dan Moroboshi (Kouji Moritsugu) em Ultraseven
- Líder Optimus em Transformers
- Ed em Laboratório Submarino
- Dr. Ben Cooper em Jana, a Rainha das Selvas
- Cyborg em Super Amigos
- Wally Gator em A Arca do Zé Colméia
- Aquaman em Aquaman (Desenho)
- Alexander Mundy (Robert Wagner) em O Rei dos Ladrões
- Doutor John Wade Prentice (Sidney Poitier) em Adivinhe Quem Vem Para Jantar
- Roch Siffredi (Alain Delon) em Borsalino
- Mulai Ahmed Er Raisuli (Sean Connery) em O Vento e o Leão
- Jack Cates (Nick Nolte) em 48 Horas




** Aqui, um trecho do filme "O Corcunda de Notre Dame", no qual Celso Vasconcellos dubla o ator Edmomd Obrien, um de seus primeiros trabalhos de destaque na AIC:
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 ** Marco Antônio dos Santos **

6 de junho de 2010

DUBLADOR EM FOCO (87): FRANCISCO BORGES



Francisco Borges nasceu a 11 de outubro de 1934. No final da década de 1950 iniciou no Rádio, porém como possuía uma facilidade muito grande para diferentes entonações com a voz, participou de diversos "jingles" para diferentes comerciais, os quais as emissoras de Rádio utilizavam em grande escala.

Daí para frente, vieram também narrações e até participações em rádio-novelas, mas os "jingles" continuaram também.

Em 1963 chegam diversos desenhos de Hanna Barbera para a dublagem na AIC. O personagem Leão da Montanha surgiu no "Show de Pepe Legal" e acabou sendo um segmento do desenho Zé Colméia. O personagem trazia como característica uma personalidade "shaksperiana" e toda uma entonação vocal, como se estivesse representando numa peça de teatro.
Older Cazarré, grande especialista em dublagens para desenhos e diretor de dublagem da grande maioria, lembrou-se da voz de Francisco Borges nos "jingles" para os comerciais de Rádio.

Dessa forma, o convidou para ingressar na dublagem com este personagem, o qual se identificou muito com a garotada durante cerca de duas décadas e até hoje possui fãs quando exibido pela tv a cabo.

**Leão da Montanha**


O início da década de 1960 foi marcado por uma verdadeira "enxurrada" de desenhos produzidos pelos estúdios Hanna Barbera. Dentre os diversos, também foi dublado pela AIC, "Joca & Dingue-Lingue", uma dupla de raposas sempre preocupadas em conseguir algo para satisfazer os seus apetites.
Embora o desenho não tenha obtido o mesmo êxito do Leão da Montanha, Francisco Borges dublou
 o personagem Joca, agora com outro tipo de entonação vocal.

**Joca e Dingue-Lingue**

A partir de 1967, Francisco Borges começa a participar mais de outras dublagens da AIC. Além de dublar em diversos filmes, teve um desempenho excelente como narrador da série Batman. No original, o próprio criador do seriado fazia as narrações de espanto, de suspense para o próximo episódio, etc. Sua perfomace proporcionou um tom muito forte de aventura que a série Batman trazia.


Por volta de 1969/70, devido ao afastamento de Carlos Alberto Vaccari por motivos de saúde, Francisco Borges passa a ser o narrador de muitas aberturas de séries de tv e filmes. Podemos observar sua presença em diversos episódios de Daniel Boone, Jeannie é um Gênio, Terra de Gigantes, etc.

Em 1970, com a saída do dublador Arquimedes Pires da AIC, Francisco Borges assume a dublagem do personagem Daniel Boone na 5ª e 6ª temporadas da série, além de Dr. Bombay na última temporada da série A Feiticeira.

**2ª Voz de Daniel Boone**

Com o declínio da AIC a partir de 1973, principalmente, Francisco Borges narrou diversas aberturas de desenhos e séries de tv, tais como: A Famíla Dó-Ré-Mi, O Homem Invisível, A Família Robinson (provavelmente a última produção dublada pela AIC).

Com toda a sua experiência e excelente profissional, continuou na BKS e também na Álamo onde fez dezenas de dublagens para diversos filmes, desenhos, séries de tv, além de narrar as aberturas das séries japonesas Jaspion, Changeman e Flashman, as quais tiveram uma audiência imensa na década de 1980, com uma legião de fãs até hoje.


**Segue aqui, uma pequena relação de dublagens realizadas pelos estúdios que passou:


 - Aníbal (George Peppard) em Esquadrão Classe A
- Narrador (William Dozier) em Batman (Série)
- Capitão Hisagi Oda (Masaaki Daimon) em Cybercops
- Senhor dos Sonhos em A Pedra dos Sonhos
- Cachorro Grande em Dois Cachorros Bobos
- Rabi (Cyril Cusack) em Jesus de Nazaré
- Tio Wang (Chung-Hsin Huang) em O Vôo do Dragão
- Comissário Gains (Harris Peet) em Blankman - Um Super Herói Muito Atrapalhado
- Granger (Ed Bakey) em Golpe de Mestre
- Clint Eastwood em Joe Kidd e O Estranho Que Nós Amamos
- Ramsey (H.b Warner) em Do Mundo Nada Se Leva
- Sabata / Indio Black (Yul Brynner) em Adios Sabata
- George Kennedy em Aeroporto 80 - O Concorde, Escalado para Morrer e Terremoto
- George Dupler (Gene Hackman) em Tudo Em Família
- Harold Dean "Harry" (Michael Caine) em Como Possuir Lissu
- Prof. Groeteschele (Walter Matthau) em Limite de Segurança
- Larry Wildman (Terence Stamp) em Wall Street - Poder e Cobiça
- Crassus (Laurence Olivier) em Spartacus
- Alvarez Kelly (William Holden) em Alvarez Kelly
- Padre Junipero Serra (Michael Rennie) em As Sete Cidades de Ouro
- Gavin Elster (Tom Hemore) em Um Corpo Que Cai
- Hermann Gromeck (Wolfgang Kieling) em Cortina Rasgada
- Howard Prescott (Richard Jordan) em O Segredo do Meu Sucesso


**Para aqueles que não viram ou para aqueles que queiram recordar, poderão assistir à dublagem de Leão da Montanha, com os toques do nosso Chico Borges:
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Neste vídeo, temos a versatilidade de Francisco Borges dublando o personagem Joca no desenho "Joca e Dingue-Lingue":
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**Dublando o personagem Daniel Boone: 
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Esteve atuante na dublagem até meados de 2005, como diretor de dublagem no estúdio Sigma, mas se afastou devido a problemas renais.
Devido à gravidade de seu estado de saúde, Francisco Borges veio a falecer no dia 13 de novembro de 2008, aos 74 anos, deixando um enorme legado para a dublagem brasileira.



**Era chamado de "o homem dos trocadilhos", pois gostava de brincar até com os nomes dos colegas de profissão.**


**Hoje, sua voz brilha no espaço, e o tom shaksperiano do Leão da Montanha estará sempre presente.**

**Marco Antônio dos Santos**