28 de janeiro de 2010

DUBLADOR EM FOCO (76): TELMO DE AVELAR



Telmo Perle Münch, também conhecido como Telmo de Avelar nasceu em 1923, ator, dublador, tradutor e diretor de dublagem. Esteve presente, por um breve período, na AIC em sua fase áurea.


Dublou apenas personagens convidados em 3 séries de grande sucesso: Missão Impossível, O Túnel do Tempo e Perdidos no Espaço.
Aqui relacionamos algumas participações:


**Missão Impossível (1ª temporada):

episódios: "O Legado" e "O Dragão Relutante"


**O Túnel do Tempo:


episódio: "Presente de Grego", dubla o personagem Ulisses.

episódio: "Massacre", dubla o general Custer.

episódio: "A Arma Secreta", dubla o ator Michael Ansara, um general soviético.


**PERDIDOS NO ESPAÇO (ambos episódios pertencentes a 2ª temporada):

episódio: "Torneios Mortais de Gama 6", dubla o ator Mike Kellin (organizador dos torneios).

episódio: "A Oeste de Marte", dubla o xerife espacial.

 

**Participação na série Perdidos no Espaço**


Depois desse breve período foi para o Rio de Janeiro, onde dublou também no estúdio TV Cinesom e foi o responsável pelas dublagens dos Estúdios Disney. Aqui, Telmo de Avelar supervisionava todo o trabalho, desde a tradução, escala de dubladores e direção de dublagem dos clássicos Disney lançados no final da década de 1960 e durante a década de 1970.

As dublagens eram realizadas em diversos estúdios no Rio de Janeiro.

Mesmo com toda essa responsabilidade de trabalho, esteve presente em algumas novelas da TV Globo esporadicamente, assim como dublando, eventualmente, no estúdio Herbert Richers.

*Novelas que participou:

*Irmãos Coragem (1970): Fausto Paiva

*Nina (1977/78): José Alípio

*Pai Herói (1979): Sandoval

*República (1989): Capitão Mallet


 

***** Charlie Chan era um detetive que tinha a ajuda de seus 10 filhos, nos casos que investigava. Na verdade, os filhos atrapalhavam mais do que ajudavam o pai, Esse desenho foi criado em 1972 por Hanna-Barbera, exibido originalmente pela TV Globo entre 1973/74.*****


**Outras dublagens realizadas:

Pateta (primeira voz oficial no Brasil - quando os cartoons eram dublados na Herbert Richers, e em O Conto de Natal do Mickey)
Narrador - Super-amigos
Jamesir Bensonmum (Alec Guinness) - Assassinato por Morte
Louis - A Pequena Sereia
Sr. Olivaras (John Hurt) - Harry Potter
Prof. Ludovico Von Pato - TV Quack
Xerife Sam Brown - Nem que a Vaca Tussa
Padre Gionetti (David Bradley) - Exorcista: o Início
Emil (Stephen Ballantyne) - A Noiva Cadáver

**Traduções realizadas para os clássicos Disney:

Aristogatas
Bambi
Bernardo e Bianca
A Pequena Sereia
Pocahontas



**Telmo de Avelar no início da década de 1970**

 

** Direções de dublagem:


Os Ursinhos Gummi
A Pequena Sereia
Aristogatas
Bambi
Branca de Neve e os Sete Anões (segunda dublagem na década de 1960)
O Pequeno Mestre
Sonic X
Gêmeos em Ação
Caninos Brancos
O Treinador
Os Lobos Não Choram
Fim dos Dias
Troca de Identidade
Dr. Mumford - Inocência ou Culpa?
A Árvore de Natal
A Princesa Loba

Um excelente profissional que atuou não só como dublador, mas também como tradutor e diretor de dublagem e até como ator de novelas.

Ainda no final da década de 1990 e início desta, fez pequenas dublagens na série Lei e Ordem, dublada pela Herbert Richers e exibida pelo canal a cabo USA. Atualmente, após a alteração para Universal Channel, esses mesmos episódios foram exibidos legendados.

Telmo de Avelar, felizmente, deixou também registrada a sua competência como dublador na AIC.

Telmo de Avelar faleceu no dia 09 de janeiro de 2017, aos 93 anos de idade.



**Aqui, um vídeo de sua dublagem na série O Túnel do Tempo, onde dubla o personagem épico Ulisses no episódio "Presente de Grego":

video

**Um excelente dublador, diretor de dublagem de diversos clássicos Disney !





**Marco Antônio dos Santos**

24 de janeiro de 2010

MEMÓRIA AIC (05): KIMBA, O LEÃO BRANCO


**BREVE  HISTÓRICO**

Em 3 de novembro de 1928, nascia Osamu Tezuka, o aspirante a mangaká que quase desistiu da ideia por ser uns dos pioneiros no assunto, numa época em que guerras e certas repressões não proporcionavam às pessoas a mesma liberdade que temos hoje. Com a invejável marca de mais de 700 mangás que contam toda a sua trajetória nos quadrinhos (a qual boa parte não foi traduzida para o ocidente), Osamu ajudou e muito a popularizar e firmar como cultura os mangás que são lidos hoje, influenciando todos os autores que vieram depois dele (aliás, o mesmo vale para os animes).
 Na década de 1950, Tezuka já havia se consagrado com diversos personagens de seus mangás no Japão, a imagem de seu trabalho mais famoso é Astroboy, que estreou em mangá em 1952, ganhando uma adaptação em anime em 1963,  a história do menino robô foi a primeira série animada da TV japonesa.


 Pelas mãos da Mushi Productions, Kimba marcou época sendo a primeira animação a figurar na telinha dos japoneses totalmente a cores, a título de curiosidade, em 1994 criou-se uma polêmica em torno do lançamento do filme O Rei Leão, os fãs japoneses notaram que as semelhanças (história, personagens…) com a obra nipônica não eram poucas e levantou-se a ideia de que a Disney teria se inspirado (até demais) na obra de Osamu para o filme, verdade ou não, até hoje nada foi confirmado ou desmentido pela Disney.
 
**OSAMU TEZUKA (03/11/1928 - 09/02/1989)**


Kimba, o leão branco teve um total de 52 episódios , produzidos entre (1965-1966), e estreou no Brasil em fins de 1967 pela extinta TV Tupi, com a dublagem da AIC. Depois de exibida pela TV Tupi, na qual não despertou muito interesse, devido ao roteiro muito original para a época, já em 1969 Kimba estava sendo exibido pela TV Cultura de São Paulo, junto com a estreia da emissora, aos domingos à tarde.

Na TV Cultura, Kimba ganhou um maior destaque pelos roteiros e por não necessitar concorrer com os demais desenhos animados americanos. Na época, os desenhos japoneses ainda não conseguiam uma penetração no mercado televiso internacional satisfatória. Assim, Kimba fez sucesso na TV Cultura sendo exibido cerca de dois anos. Após o reconhecimento do público adulto, a TV Tupi retorna a exibí-lo entre 1973 a 1975, já agora a cores.



**O ENREDO DE KIMBA**

 A historia, resumidamente, é a narrativa de seu pai um leão chamado Panja bem sucedido na selva, que por um acaso do destino é capturado por caçadores, juntamente com Lia, mãe de Kimba. Lia é levada para um navio onde dá a luz à Kimba, e ensiná-lhe os ideais do seu pai, os quais ele põe em prática quase imediatamente, tornando-se amigo dos ratos do navio. Durante uma tempestade que acabaria por virar o navio, ela diz para ele fugir e voltar para a selva para ocupar o seu lugar de direito no trono do pai.

Kimba consegue fugir, prometendo voltar para a selva, mas se perde no oceano e vai parar na civilização, onde anda por muitas cidades como Londres e Paris e conhece bons e maus humanos, além de admirar-se com as tecnologias dos homens.


Depois de certo tempo, Kimba consegue chegar à África onde encontra problemas: o leão Bobo havia se proclamado rei e não gosta de saber da volta do herdeiro legítimo. Kimba reconquista o reino, não sem luta, e a partir daí, tenta tornar o mundo animal mais civilizado, em especial, fazendo com que não mais se coma carne e ensinando os animais a falar como humanos. Há resistência a essas mudanças, mas o novo rei conta com muitos aliados como Poly, o papagaio, Bucky o antílope, André, o mandril e diversos outros animais, assim como o humano Jonathan. Até que Kimba se torne adulto passam por diversas aventuras.

Trata-se de uma história que faz muito sucesso entre as crianças, proporcionando diversos tipos de conceitos a serem apreendidos, tais como: lealdade, sinceridade, mentira e verdade, preconceitos, bondade e maldade, etc. 

**A DUBLAGEM DA AIC**

Infelizmente, após a sua última exibição pela TV Tupi, Kimba jamais retornou às emissoras abertas. Sendo assim, a enriquecedora dublagem da AIC se perdeu totalmente, assim como de diversos outros desenhos japoneses da época, que não possuíam boas distribuidoras.

Em 01 de dezembro de 1993, quando conversamos com a dubladora Maria Inês, mostramos algumas cenas e temos alguns nomes de dubladores, os quais ela se recordou que fizeram o trabalho em conjunto.



**PERSONAGENS E ALGUNS DUBLADORES**

  • Kimba: o jovem leão branco nascido em um navio e órfão tenta voltar para o reino de seu pai aonde pretende assumir o trono, mas perde-se no caminho. Mais tarde, passeando por grandes cidades, aprende muitas coisas com os homens e sobre eles. Kimba retorna à África onde obtém de volta o seu trono para tentar melhorar a vida dos animais.
  • ** DUBLADORA: Maria Inês.

  • Poly (Koko, no original): um papagaio pertencente à dona de um grande hotel que o maltratava, deixando-o acorrentado e batendo nele. Tornou-se livre e conheceu Panja, o pai de Kimba, admirando-se com sua força e bondade. Mais tarde fazendo o possível para ajudar o filhote de Panja.
  • **DUBLADOR: Amaury Costa.

  • Bucky (Tomy, no original): uma jovem gazela macho. Atrapalhado e muitas vezes medroso, Bucky acaba se metendo em várias confusões. Sempre ajuda Kimba a sair de seus problemas, correndo para lá e para cá e gritando muito, isso quando não é ele a colocá-lo em apuros.
  • **DUBLADOR: ???

  • Daniel (Mandy Mandrill, no original): Daniel é um mandril sábio e prudente, mas seus conselhos nem sempre são seguidos por Kimba que prefere seguir seus próprios instintos, colocando por vezes a própria vida em risco. A maior parte do tempo está dando conselhos sobre solucionar os problemas na selva, mas de vez em quando também causa algumas dificuldades pela recusa em aceitar inovações e em entendê-las.
  • **DUBLADOR: Mário Jorge Montini.

  • Léia (Liya, no original): perdeu os pais quando jovem e é criada pelo tio, Majestica, leão de pelagem pintada líder de um bando das montanhas. Conheceu Kimba e apaixonou-se por ele, mesmo contra a vontade do tio. No mangá eles se tornam adultos e ficam juntos, mas na primeira versão do anime, isso não chega a acontecer.
  • ** DUBLADORA: Magda Medeiros.

  • Bubu: leão inimigo de Panja que se apossou do trono de Kimba por julgá-lo morto. Não protegia os animais mais fracos e mantinha a lei da selva, sendo ele o rei. Após o retorno de Kimba, tenta junto de seus companheiros, as hienas Dick e Bow e a pantera negra Tot, tomar o reino através de diversos planos.
  • **DUBLADOR: Luiz Pini.

  • Jonathan (Kenichi, no original): humano que resgatou Kimba quando o navio em que estava naufragou e ele foi parar na península Arábica. O levou junto com seu tio Higeoyaji, e Mary, sua namorada, para conhecer o mundo dos seres humanos. No mangá, Kimba volta para a África em uma expedição junto com ele, mas na versão original do anime, o avião em que Jonathan viajava cai em meio à selva africana e ele reencontra Kimba. Ajuda o pequeno leão, por exemplo, quando pesquisa as origens de Kimba e descobre sua descendência de Andrópolis, um leão egípcio que bebeu uma poção da sabedoria.
  • **HOUVE UMA DÚVIDA ENTRE OS DUBLADORES OLNEY CAZARRÉ e MARCELO GASTALDI.


**A REDUBLAGEM DE KIMBA**

Na década de 1990, com o advento da tv a cabo, muitos desenhos foram redescobertos, principalmente os mais antigos de origem japonesa. Entretanto, a redublagem se fez necessária e a extinta Fox Kids, talvez tenha sido a 1ª emissora a cabo a trazer Kimba, tendo também já sido exibido pelo canal Boomerang. Também já havia o objetivo do lançamento para a venda em dvds.

Em face de tudo isso, a redublagem foi realizada pelo estúdio Sigma, de São Paulo. Apesar de acreditarmos que toda redublagem é uma transgressão a uma outra obra artística, há casos em que ela se faz necessária, como o de Kimba. O estúdio Sigma fez uma redublagem bem equilibrada, a qual não desperta, em momento algum, o desespero em ouvir o áudio.

Podemos afirmar, com certeza, de que foi realizado um trabalho com profissionalismo, o que falta demais atualmente em diversas redublagens e até novas dublagens que encontramos.

 Os dubladores que participaram da redublagem não deixaram os fãs da dublagem da AIC em pleno saudosismo. Evidentemente, os fãs sempre prefirirão ouvir a dublagem original, porém o descaso na conservação de muitas produções dubladas, tornou isso impossível.


 **Aqui, um trecho do 1º episódio de Kimba com a excelente redublagem do estúdio Sigma:
video


**Fonte de Pesquisa: **Entrevista dada pela dubladora Maria Inês em 01/12/1993.
**Wilkipédia**
**Blog da Criança**
**Acervo Pessoal**


**Marco Antônio dos Santos**

21 de janeiro de 2010

ENTREVISTA COM FRANCISCO JOSÉ




1 - Quais as outras profissões que você exerceu antes de ser ator/dublador ?


R: Tive outras profissões sabendo que seriam passageiras. Quando aparecesse a oportunidade de ser ator as profissões seriam abandonadas. Assim, fui aeroviário, comprador da Cosipa, jornalista (antes da regulamentação da profissão), assistente de vendas de uma indústria alimentícia. Em todas elas fui relativamente bem pago, mas o vírus já tinha me contaminado. Nos meus tempos de ginásio eu já era um tremendo agitador de teatro.


2 - Como foi percebendo que havia uma vocação artística dentro de você ? 


R: Eu era estudante e já vivia metido com rádio. Onde eu morei, Poços de Caldas, também me meti a locutor de rádio, e dizem que eu não era tão ruim... A TV não tinha chegado lá ainda, mas eu ainda não tinha sido mordido pela mosca do teatro. Isso aconteceu quando fui transferido de cidade. Fui para um município do sul de Minas, que não tinha rádio, não tinha nada, Itanhandu,na época 5.000 habitantes mais ou menos. Então a agitação cultural da cidade
era feita por nós, estudantes. Participei da fundação de um jornalzinho da cidade, me encarreguei do teatro do colégio, eu estava em todas.


3 - Quando e como você iniciou a sua carreira artística ?


R: Em 1958, terminado o ginásio, tive que voltar a São Paulo para iniciar minha vida adulta. Foi quando tive uma variedade de profissões. O artista ficou hibernando até 1965. Apareceu minha primeira oportunidade de trabalhar como ator. Após 2 meses de ensaio, a montagem da qual participaria foi proibida pela censura. Mas aí eu resolvi encarar a profissão.
Fiz muitas radionovelas para o interior, TV (saudosa TV Tupi). Participei da fundação de um grupo de teatro popular que existe até hoje em São Paulo, o TUOV.
Em 1968, filmei um episódio de um seriado para a TV. A produção era de Ary Fernandes, o mesmo de O Vigilante Rodoviário. Só que era sobre a FAB. O seriado era Águias de Fogo e não teve o mesmo sucesso do Vigilante. Durante a filmagem eu soube que seria dublado. Insisti em me dublar. Foi um fiasco. Após não sei quantas tentativas, o Garcia Neto disse para mim:
"- Meu filho, faça um favor para todos nós; fique fazendo só teatro; dublagem você não consegue..."
Isso foi na Odil Fono Brasil. Então comecei a procurar um meio de poder ser aceito na AIC, para aprender a nova técnica. Fui recebido por Older Cazarré, que me guiou nos primeiros passos. E tantos outros. Vou tentar não cometer nenhuma injustiça omitindo nome de alguém. Também me deram dicas preciosas: Flávio Galvão, Ézio Ramos, Wilson Ribeiro, Ary de Toledo, Olney Cazarré, Aldo César, Dráusio de Oliveira, Líbero Miguel, José Soares, Sergio Galvão, Batista Linardi...
Muitos ainda por aqui, outros já foram para o andar de cima...


4 - Como você imaginaria, com a atual tecnologia, a dublagem dos dubladores da AIC ?


R: Se naquela época houvesse a tecnologia atual, a dublagem seria imbatível. Qualquer profissional só poderia ser assim, considerado se tivesse passado pela AIC.


5 - O que melhorou atualmente na dublagem ?


R: Na dublagem atual, aparentemente, melhorou a rapidez. Só. Interpretação nula. Emoção zero. Se você assistir a um filme dublado, já viu todos. As interpretações são mecânicas, sem alma. Qualidade? O que é isso?
Hoje o investimento para se montar uma dubladora é bem menor. Mas tem-se que entrar na disputa de mercado e aí vira uma guerra, com todos querendo tirar vantagem... e todos perdendo.


6 - O chefe Sharkey, da série Viagem ao Fundo do Mar, foi o seu primeiro personagem fixo ? Como você foi indicado ?


R: Eu fiz vários convidados e o chefe Sharkey não foi meu primeiro fixo. Meu primeiro fixo foi num seriado, que também não aconteceu, "Cidade das Ilusões". O chefe Sharkey me foi dado pelo Dráusio de Oliveira. É que o Garcia Neto estava sendo reintegrado na AIC, por ordem judicial. E o reencontro com o Garcia foi muito engraçado, porque eu já tinha mudado de
cara e já fazia tempo do episódio de Águias de Fogo. Garcia Neto foi um dos grandes amigos que fiz na vida; a amizade só foi interrompida porque ele teve que passar para o andar de cima. Muita saudade...


7 - E a sua carreira na Herbert Richers ?


R: É um engano pensar que eu fiz carreira na Herbert Richers. Ainda em São Paulo, passei pela Álamo, Odil Fono Brasil e uma tentativa que houve de erguimento da profissão na COM-ART. Esta tentativa não foi bem sucedida porque na época em nossa ingenuidade quisemos fazer tudo às claras demais. Enquanto as poucas casas de São Paulo se recusavam a fazer o pagamento-hora, a COM-ART implantou-o, apesar da campanha violenta de descrédito, principalmente pelos dirigentes da Álamo e de alguns membros da categoria que diziam que o "pagamento-hora iria quebrar as empresas".
Com a quebra da COM-ART, por motivos outros, não havia mais trabalho para mim em São Paulo. Foi então comunicado a outro grande amigo que eu tinha feito no meio, Marcos Miranda, a minha situação. Herbert Richers foi cientificado e disse que, desde que eu não viesse ao Rio apenas por um tempo, eu teria emprego garantido em sua empresa.
Eu vim para o Rio e em menos de 6 meses tinha conseguido trazer toda minha familia, esposa e três filhos.
A relação que tive com Herbert Richers foi pautada pelo maior respeito e lealdade. Fiz bons trabalhos lá. Como dublador destacaria:
"Uma Cilada para Roger Rabbitt", "Contratempos", "Thundercats", "Ursinhos Gummi", "Silverhawks", e várias miniséries.
Como diretor de dublagem também fiz muitas miniséries e alguns longa metragens. Destacaria: todos os episódios de "Loucademia de Polícia", "Cuidado com as Gêmeas", "Uma Linda Mulher", "Aventureiros do Bairro Proibido", "Colors, as Cores da Violência", "Henrique V". Quando estava para completar 10 anos de casa, é claro que tive que ser demitido.
Fui então convidado para ser diretor exclusivo da VTI. Como a relação não era de respeito como a que eu tinha na Herbert Richers, eu me demiti, após 7 meses, onde não trabalhei, apenas "cumpri pena". Mesmo assim, posso me orgulhar pela direção de dublagem, inclusive escalação de elenco fixo, do primeiro ano de "Arquivo X". E nesse tempo em que "cumpri pena" ainda dirigi mais dois seriados, "Deep Space Nine" (uma continuação de Jornada nas Estrelas) e "Os Novos Intocáveis", série que foi reprisada "n" vezes no Universal Channel.
Quando me demiti da VTI, fui chamado de novo à Herbert Richers. Aceitei, desde que fosse apenas para dublar. Mas nao tardaria convite para dirigir em outra empresa do Rio, a Cinevideo. Eu trabalhava como diretor de dublagem em uma empresa e como dublador na outra. Mas o meu tempo maior era absorvido pela direção. Aí dirigi um seriado que foi acompanhado pelo representante da Warner, "Histeria". Recebi elogios da Warner e da direção da Cinevideo.
Quando a saúde de Herbert Richers começou a decair, fui desligado de sua empresa por comum acordo. Isso em 2003.
Em 2005 foi a vez da minha saúde reclamar. Tive problemas circulatórios que por pouco apressam minha ida para o andar de cima.
Requeri minha aposentadoria e ficaria dublando agora mais por hobby. Mas veio a forte pressão para cessão de direitos de intérprete.
Como me recusei a ceder, minha entrada foi proibida nos estúdios.


8 - Quais são as tuas atividades profissionais atualmente ?


R: Aposentado e com a saúde parcialmente recuperada, fui convidado a entrar em novo ramo: o livro falado. É o que estou fazendo atualmente. Dirigi várias gravações de audio-livros para a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro. Felizmente foi um sucesso total.
Agora estou tentando viabilizar a gravação de um texto de autor paulista, muito amigo meu, desde 1965. Vai dar certo? Não sei... ainda.


9 - Que aprendizado você teve, após tantos anos da tua carreira ?


R: Se você acreditar, se a causa for justa, se o trabalho for honesto, o sucesso virá.
Eu me orgulho muito dos amigos que fiz em toda minha caminhada. Se pude ajudar iniciantes, o fiz sempre com o coração aberto.
Valeu a pena? É claro que valeu. Faria de novo? Faria tudo. Exatamente como fiz.


10 - Há pouquíssimos registros sobre a dublagem no Brasil, você vivenciou várias etapas, nunca pensou em escrever um livro de memórias ?

R: Há pessoas que também viveram os fatos narrados e estão vivas por aí para testemunhar.
Eu mantive um blog durante algum tempo e pretendia contar fatos, alguns engraçados, outros tristes, dos quais participei.
Quando meu amigo Francisco Borges foi para o andar de cima, eu decretei a morte do meu blog.
Certamente, tenho algumas histórias do meu tempo de AIC. De vez em quando, pretendo ocupar sua paciência contando-as.
Afinal, o projeto de vida já existia há tempos, mas foi lá que foi pavimentada a estrada para a trajetória.

Abraços,

Francisco José.

(para os amigos como você Chico José)


***Agradecemos ao dublador e amigo Francisco José Correa por este pequeno depoimento***


** Aqui, um vídeo da série Daniel Boone, no qual Francisco José estava iniciando a sua carreira, dublando ao lado de Áurea Maria:
video



**Marco Antônio dos Santos**