5 de novembro de 2010

DUBLADOR EM FOCO (100): MARCOS PLONKA




O ator Marcos Plonka nasceu em São Paulo, em 26 de setembro de 1939.

Nascido numa família judaica no bairro do Tatuapé, na capital paulista, os pais de Marcos Plonka nasceram na Polônia e vieram para o Brasil pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Foram ser comerciantes e passaram a ser chamados de “turcos da prestação”, nome genérico que na época se dava a todos os mascates, a todo vendedor de "porta a porta". Marcos Plonka, mesmo no tempo da escola, só pensava em ser locutor de rádio, mas não conseguiu.


O que conseguiu foi um papel no "Teatro da Juventude", de Tatiana Belinky e Júlio Gouveia.


Marcos Plonka estreou no teatro em 1954 e começou a carreira na televisão, em 1960, na TV Tupi. Com ele estava, desde o começo, o amigo e "quase irmão" Elias Gleiser (suas famílias vieram juntas da Polônia). Do “Teatro da Juventude”, Marcos Plonka passou a participar de todos os tele-teatros da casa. Participou de vários "TVs de Vanguarda", fazendo papéis sérios. Mas se deu melhor nos "TVs de Comédia", de Geraldo Vietri. Com Vietri fez vários trabalhos, tanto na televisão quanto no cinema. Passou a fazer parte de seu elenco e Vietri tinha ciúme de sua turma. Zangava-se mesmo, quando algum deles participava de outros programas. Mas Plonka, embora adorasse Vietri, trabalhou também muito com Wanda Kosmo, e colaborou na direção do “Grande Teatro Tupi”, sempre na TV Tupi.


Marcos Plonka também participou de muitas novelas, entre as quais: “Nino o italianinho”. O humor, porém, estava em seu sangue e ele acabou cedendo e participando apenas de comédias.





** MARCOS PLONKA: MEADOS DA DÉCADA DE 1960 **


No final de 1966, foi convidado a dublar na AIC um personagem que interpretou de forma primorosa: o sargento Schultz, um oficial alemão atrapalhado, na série Guerra, Sombra e Água e Fresca. Fazendo um sotaque alemão, Marcos Plonka, foi sem dúvida um show a mais dentro de um quadro de dubladores de estrelas para a série: Waldyr Guedes, como o comandante alemão, Neville George como Hogan, além de Olney Cazarré, Dênis Carvalho, Osmar Prado e Ary de Toledo.

A série teve duas temporadas dubladas pela AIC, mas com a saída de Neville George do estúdio, a distribuidora decidiu que a sua voz deveria acompanhar o personagem principal, assim, a partir da 3ª temporada, a série passa a ser dublada pelo estúdio Herbert Richers, somente mantendo a voz de Neville George.




** A VOZ E A INTERPRETAÇÃO PERFEITA PARA O SARGENTO ALEMÃO **

Entretanto, Marcos Plonka, marcou de forma exemplar a dublagem e, sempre que surgia uma outra oportunidade em alguma comédia ou série de tv, era convidado novamente para participar, principalmente se o personagem exigisse um sotaque alemão ou judeu.

Marcos Plonka foi trabalhar na Rede Globo quando já era um ator experiente. Nessa emissora, participou de programas de grande sucesso, como "Planeta dos Homens", "Balança, mMs não cai", "Os Trapalhões", "Chico Anysio Show", "Chico City" , "Escolinha do Professor Raimundo". Nesse último, consagrou o personagem judeu Samuel Blaustein, com alguns bordões conhecidos e repetidos por todo o Brasil, como: “Fazemos qualquer negócio”. O bordão fez tanto sucesso que Plonka montou um show com o mesmo nome que apresentou por todo o Brasil.


Marcos Plonka atuou, também em vários filmes, quase sempre ligado a Geraldo Vietri.


O ator sempre manteve atividades paralelas. Foi empresário em várias áreas, inclusive dono de um restaurante em São Paulo.


Com o fim da "Escolinha do Professor Raimundo" na Rede Globo, Marcos Plonka passou a trabalhar na TV Record, no programa "Escolinha do Barulho" que também foi exibido pela CNT. Em um empreendimento cooperativo, quinze atores uniram-se e colocaram de volta no ar o programa.


Em 2005, Marcos Plonka passou a exercer a função de Assessor de Imprensa da APAMAGIS - Associação Paulista de Magistrados viajando pelo Brasil e apresentando seu show "Fazemos qualquer negócio".


Um excelente ator, comediante e também dublador que deixou muitas dublagens realizadas na AIC, apesar de ter participado por apenas dois anos do estúdio.




Marcos Plonka faleceu no dia 8 de setembro de 2011, vítima de um enfarto, aos 71 anos de idade. Um grande artista que deixa uma grande lacuna. A cada dia a nossa televisão fica mais triste !!


Vale a penar recordar a sua participação na série Guerra, Sombra e Água Fresca, juntamente com os demais dubladores. Aqui, há uma curiosidade: a abertura da série, dublada pela AIC, desapareceu com o decorrer do tempo, ficando apenas a abertura do estúdio Herbert Richers, narrada por Ricardo Marianno:





** Marco Antônio dos Santos **

1 comentários:

rodineisilveira disse...

Professor Raimundo (Chico Anysio): "Sr. Samuel Blaunstein!"
Samuel Blaunstein (Marcos Plonka): "Fazemos qualquer negócio!"

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