30 de agosto de 2010

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (05): MANDA-CHUVA




Manda-Chuva usava chapéu e um colete da mesma cor e era um gato muito esperto, trapalhão, malandro, com uma grande aversão ao trabalho e também sabia ser bastante persuasivo quando queria conseguir alguma coisa.

Além de líder de uma turma de gatos desocupados, era também muito amigo deles e cada qual contava com uma personalidade muito particular e especialidade, e todos moravam num beco originalmente na ilha de Manhattan, em Nova Iorque, num complicado sistema de ruas e vielas, muito próximo ao Brooklyn, Queens e Bronx.


O mais incrível deste desenho animado era o fato de toda a natureza cosmopolita da cidade ser refletida principalmente nos seus transeuntes do beco e próximas a ele. No Brasil, dizem alguns autores, que a cidade a ser adotada em sua dublagem era Brasília, mas o local poderia ser adaptado para qualquer lugar familiar de sua cidade, já que o beco era muito parecido a diversos lugares iguais existentes em qualquer grande metrópole.

Todos eles eram constantemente perseguidos pelo Guarda Belo, um policial do bairro, que sempre acabava por descobrir as falcatruas do Manda-Chuva e tentava levá-lo ao xadrez, mas acaba mesmo é caindo nas boas lábias do esperto gato.


Um dos motivos mais comuns, que deixava o Guarda Belo furioso era o uso do telefone, que era de utilidade apenas para a polícia, que ficava no beco, mas que o malandro do Manda-Chuva usava para fazer seus contatos, armar algum golpe ou manter-se informado sobre os resultados das apostas das corridas de cavalo.



** PERSONAGENS E DUBLADORES**

A dublagem deste clássico desenho de Hanna Barbera demonstra um extraordinário trabalho do pequeno grupo de profissionais. Sua dublagem consta que teria sido realizada em 1963 e, felizmente, os 30 episódios estão com o áudio preservado. Um grande desempenho de Older Cazarré que escalou, dirigiu e dublou episódios.
O curioso deste desenho é que, praticamente, teve a participação de 4 dubladores, tendo participado como convidados: Rogério Marcico, Arakén Saldanha, Luís Orioni, Magda Medeiros, Nícia Soares e Helena Samara.

Outro personagem na série era o gato Chuchu. Ele era o segundo na hierarquia e respondia pelo grupo quando Manda-Chuva estava ausente. Ele usava sempre uma camisa branca de pescoço alto e manga comprida e também era o mais alto de todos os gatos e representado tendo os olhos de um gato siamês.

Ao contrário de Manda-Chuva e de Bacana, ele não tinha muito traquejo e nem coragem para falar com as fêmeas de sua espécie. Originalmente sua voz foi vocalizada por Marvin Kaplan e se assemelhava muito ao de Woody Allen. Na dublagem brasileira Chuchu recebeu uma fala bem suave e macia de Waldyr Guedes.



** CHUCHU **

Bacana era outro membro do grupo de Manda-Chuva. Ele era descontraído, tinha uma doçura ao falar e freqüentemente era visto conversando com as senhoras e dizem que ele foi inspirado no ator Cary Grant.
No Brasil também recebeu uma fala macia, muitas vezes muito elegante e se mostrava como um verdadeiro “Don Juan”. Ele gostava de usar um grande lenço, muito elegante em seu pescoço o que lhe conferia a ele um ar bastante sofisticado.
Assim como Chuchu, Bacana foi dublado por Waldyr Guedes, sem dúvida alguma um dublador que conseguia realizar verdadeiras proezas com a voz. Além dos dois gatos, ainda dublava velhinhos, outros gatos que surgiam em determinados episódios.


** BACANA **

Havia também o Gênio, mas que de gênio nada existia, pois ele era o membro mais ingênuo do bando. Era um gato que não conseguia guardar um segredo, colocando muitas vezes o grupo em apuros.
Por mais incrível que pareça ele era o responsável pelo dinheiro do grupo, o que eles raramente tinham e apesar de sua aparente alienação, às vezes dizia algo muito brilhante. Gênio aparentava sempre estar insatisfeito, principalmente por ter um semblante muito triste, com seus olhos bem caídos. Este personagem ficou com Older Cazarré, porém sobravam outros personagens como : donos de restaurantes, bandidos, etc., que Cazarré assumia também.


** GÊNIO **

Espeto se aparentava muito ao Bacana, tanto na aparência, quanto em comportamento. Originalmente tinha uma linguagem baseada na fala de um beatnik, de Nova York com sotaque específico. A fim de preservar uma identidade específica do personagem,

no Brasil, recebeu um sotaque nordestino, estava sempre alegre, mas geralmente agia de maneira subserviente, por isso mesmo dificilmente liderava alguma situação. Assim como o Bacana ele também usava uma gravata o que lhe conferia um ar também elegante.
Houve um primeiro dublador para Espeto, Eugênio Silva, porém após alguns episódios Lima Duarte, que já dublava Manda-Chuva, assumiu perfeitamente as características de Espeto.


** ESPETO **

E, Batatinha. Ele era gordinho e engraçado, assim como parecia ser muito simplório e ingênuo, mas era o que conseguia fazer as perguntas mais lógicas durante os empreendimentos irregulares da turma.

Ele era lento, mas a sua relação com o grupo e, principalmente com o Manda-Chuva, era baseada numa amizade sincera dedicada entre eles. Também via sempre as tramóias de Manda-Chuva de uma maneira pura e sem maldade. Era também o único do grupo a ter uma família e isso pode ser conferido no episódio denominado "Meu filho, meu orgulho", onde o Batatinha recebe a visita de sua mãe. Dublado por Gastão Renné, que deu uma voz mais de criança ingênua, o que na realidade era o seu comportamento.


** BATATINHA E SUA MÃE **

Já o Guarda Belo, apesar de ser um policial exemplar e perseguir as tramóias de Manda-Chuva, no fundo tinha uma enorme amizade por ele e pela turma do beco, mas sempre se irritava quando era enganado. Inicialmente Turíbio Ruiz dublou o personagem nos 4 primeiros episódios, depois Gastão Renné acabou sendo a voz mais conhecida.



Sobre esta dublagem, veja o que disse Lima Duarte no site de Hanna Barbera:



"Bem, era um misto, mas era mais feeling. A técnica, aliás, você sabe muito bem, trabalhava contra nós. Sofríamos muito com a técnica. As dublagens antigas, até mesmo as do Manda-Chuva, não eram perfeitas no sincronismo. Elas eram muito mais de interpretação mesmo. Nós interpretávamos melhor os personagens, esperando assim compensar as falhas técnicas. Eram retirados trechos dos desenhos, com mais ou menos 1 minuto cada. Depois eram remontados já dublados. Eram chamados anéis de gravação. Minha cabeça quase explodia com o som das pancadas que serviam para sinalizar que estava sendo gravado o som. Eu lia o papel, com uma lâmpada muito precária, e ao mesmo tempo tentava sincronizar minha voz com o movimento da boca do personagem. Eu ficava muito atento, pois o desenho não é um ser humano. É uma carinha com dois olhos e um risco chamado boca. Quando este risco ficava redondo, tinha que sair um som. Significava que ele estava falando. É o meu martírio até hoje, quando , Manda-Chuva, subia no caixote naquele beco, para fazer um discurso para seus amigos. Na época, o meu diretor de dublagem era o Older Cazarré, "um amor de pessoa". Quando ele falava que tinha alguma coisa fora aqui, que é aquele negócio ali pelo meio, um "tiquinho ali", faltou um pouco de intensidade, outra vez, ok? Era tudo outra vez. Isso era o dia inteiro até acertar. Uma coisa medieval! E assim tudo era feito. O que hoje é feito tecnologicamente, eletronicamente, maravilha, sem nenhum problema, eu é que tinha que fazer."


** PARA REVER ESSA DUBLAGEM POSTAMOS AQUI UM EPISÓDIO, O QUAL DEMONSTRA CLARAMENTE O EXCELENTE TRABALHO REALIZADO EM 1963, QUE JÁ PERCORREU PRATICAMENTE TODAS AS EMISSORAS DE TV ABERTA E AINDA SURGE ATÉ HOJE NA TV A CABO.


** UM CLÁSSICO DE HANNA BARBERA E DA AIC:


**PARTE 1 /
video




**PARTE 2/
video


**Marco Antônio dos Santos**

1 comentários:

Sheron Neves disse...

Caro Marco Antonio,
Puxa uma joia preciosa mesmo o seu blog.
Eu era uma grande fa destes desenhos, e outro dia fiquei chocada quando meu sobrinho de 8 anos disse: o que eh Hanna Barbera? A nova geracao nem sabe quem eh o Manda Chuva.
Eu tenho um blog sobre tv, e fiquei curiosa se vc conheceria o desenho dos Flintstones em que eles aparecem fumando cigarros Winston (ver link: http://sher-meditationsinanemergency.blogspot.com/2010/11/publicidade-dentro-da-publicidade.html). Na verdade eh um comercial, mas tenho curiosidade de saber se foi passado no Brasil, e talvez nos seus arquivos.
Se vc tem alguma informacao a respeito por favor me avise viu?
Abraco!

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