11 de dezembro de 2009

A DUBLAGEM DO FILME "AGONIA E ÊXTASE"




Início de 1508 (período do Renascimento) o artista Michelangelo Buonarroti é chamado ao Vaticano (Roma) pelo papa Julio II para pintar o teto da capela Sistina.
Michelangelo que se considera um artista escultor e não se acha familiarizado com afrescos tenta fugir da encomenda e idéia do papa Julio II: pintar os doze apóstolos complementados com elementos decorativos.


O famoso e admirado arquiteto do período do Renascimento, Donato Bramante, por inveja e desejo de arruinar a carreira de Michelangelo induz o papa que pressiona ainda mais o artista que contrariado inicia a pintura do afresco no teto da capela.
Insatisfeito com seus primeiros esboços, Michelangelo os destrói, desaparece de Roma e vai para Carrara refletir. Sua atitude deixa furioso o papa Julio II que ordena que o artista seja caçado em toda a Itália.


A cena clássica e marcante do filme - a visão das nuvens, em Carrara – mostra a inspiração de Michelangelo que vislumbra nas nuvens várias imagens que o estimulam a realizar o trabalho do afresco no teto da capela Sistina.


Após contemplar a visão que o faz idealizar outra composição artística para o afresco, Michelangelo vai para o campo de batalha em busca do papa que está em mais uma missão de conquista de novos territórios para Roma. O pontíficie apesar de ser contra a modificação de sua idéia para o afresco, se rende a proposta de Michelangelo depois de muita insistência do artista.





O trabalho da pintura do afresco se inicia, porém avança lentamente, o que provoca a impaciência do papa Julio II. As constantes perturbações do pontíficie com a demora da finalização da obra e com a arte – figuras humanas desnudas - de Michelangelo no afresco provocam discussões entre eles.


Após trabalhar noite e dia na obra e ficar sem comer durante uma semana, Michelangelo cai doente, que apesar de receber cuidados de uma amiga, continua sem condições físicas para trabalhar. Entretanto, ele reassume a pintura quando descobre que o papa quer passá-la a outro artista.


Depois de quatro anos a pintura finalmente é concluída. E o papa Julio II encomenda a Michelangelo a idéia de uma pintura da cena do Juízo Final na parede que fica por trás do altar da capela Sistina.



Baseado no livro de Irving Stone é um excelente filme sobre uma das maiores obras de arte da história humana: a pintura do teto da capela Sistina. Representa o período do século XVI um dos mais fascinantes da história universal.



Agonia e Êxtase mostra a relação de conflito e amizade de dois homens – Michelangelo que vive para a arte e o papa para Deus – em torno de uma magnífica e inesquecível obra de arte. Contemplando a obra de arte finalizada, o próprio papa reconhece em Michelangelo um verdadeiro sacerdote de Deus e da Arte.






Fascinante e comovente, o filme é interessante para estudantes de arte e curiosos, é uma visão romântica sobre a realização de uma das maiores obras de arte da história da humanidade. Ele mostra belas imagens de Florença, com suas torres, catedrais e estátuas, assim como o desenrolar do conflito entre dois homens faz nascer a monumental obra de arte; no filme é mostrada uma das cartacterísticas marcantes da igreja católica: acúmulo e usufruto de diversas posses materiais – representadas nas cenas de guerra e a postura do papa que luta à frente de batalha para conquistar mais territórios para Roma e a Igreja.



Os destaques do filme são as atuações do grandioso ator Rex Harrison, como papa Julio II, e de Charlton Heston, como Michelangelo.

O filme recebeu indicações para o Globo de Ouro pelo roteiro e para o Oscar por fotografia, som, figurino, direção de arte e trilha musical.


Este filme é uma verdadeira aula: de História da Arte, da História da Igreja, de duas personalidades históricas marcantes, de uma produção cinematográfica excelente, da atuação dos dois atores e, também uma aula de dublagem que a AIC nos deixou.




**ALDO CÉSAR**


Charlton Heston dublado por Arquimedes Pires e Rex Harrison dublado por Aldo César, realmente tornam o filme esplêndido. Suas interpretações, tons e níveis da voz, são perfeitas para cada personagem. Não há um pormenor da dublagem que faça decair o filme, muito pelo contrário, ele se torna vigoroso, magnífico!!





**ARQUIMEDES PIRES**

Uma das cenas mais emocionantes do filme é a inspiração de Michelangelo para a pintura da Capela Sistina. Aqui, Arquimedes Pires também recebe uma inspiração "divina" para dublar essa cena.



Há outros dubladores excelentes que paticipam: Líria Marçal, Garcia Neto, Mário Jorge Montini e outros, porém o roteiro é concentrado nos dois atores principais, o que leva Arquimedes Pires e Aldo César a serem os grandes astros também do filme. Uma curiosidade é o narrador da abertura: Muíbo César Cury.



Para aqueles que gostam de História da Arte, o filme traz um pequeno documentário, legendado, sobre as esculturas de Michelangelo, uma vez que o filme tem por objetivo mostrar a agonia e a inspiração divina do artista. Felizmente, o DVD traz a dublagem preservada da AIC, o que torna um prazer revisitar a Renascença !



**Aqui, o trecho que mostra a inspiração divina de Michelangelo, um momento extraordinário do filme**

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Parabéns Arquimedes Pires, que demonstrou que sua arte em dublar foi muito além do querido personagem Daniel Boone !!



**Aqui, o trecho final do filme, com as interpretações de Aldo César e Arquimedes Pires: um clássico do cinema e da dublagem da AIC !!

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Parabéns Aldo César, por ter nos deixado uma dublagem brilhante !!


**Este era o trabalho desenvolvido pela AIC !


 Com arte e excelência !!





**Marco Antônio dos Santos**

2 comentários:

Joferraz. disse...

Marco, essa dublagem, infelizmente é pouco citada...foi uma isnpiração de ambos os dubladores que, a meu ver, se superaram neste trabalho. Dublaram este filme como se faz uma oração - concentrados, devotados, de alma aberta e coração exposto.
Arquimedes, que escolheu deixar de dublar,é também responsável por uma lacuna jamais preenchida
.Não sei se foi a melhor decisão de sua vida ter mudado de profissão.
Aldo César, o gigante, foi encantar os anjos com sua voz e talento.
E, nós ficamos assim, sem poder ouvir o magnífico trabalho deste dois profissionais.
Que saudade do tempo em que a dublagem era pura arte!
Tempos que não voltam mais, infelizmente.
A arte de dublar hoje passou a ser a arte de dublar rápido. Quanto mais rápido melhor.
É por isso que dublagens como neste filme são históricas,únicas. Trabalho de mestres!

Valdemir disse...

Lembrando que o Aldo também está magnífico como Júlio César em Cleópatra. Uma das vozes mais belas de todos os tempos.
Gostaria de encontrar esse filme dublado pela AIC.

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