22 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM GILBERTO BAROLI



**ESTA ENTREVISTA FOI CONCEDIDA A LEANDRO PEREIRA LESSA E FAZ PARTE DA SUA MONOGRAFIA "A DUBLAGEM NO BRASIL", APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDRAL DE JUIZ DE FORA/MG, EM 2003**

 
Gilberto Baroli é ator desde 1967. Trabalhou com teatro, TV e dublagem, mas a partir de 1976, passou atuar apenas como dublador. Ele também dá palestras, contando sobre a história da dublagem e as curiosidades da profissão. Reside em São Paulo, onde também faz serviços de tradução e adaptação de roteiros estrangeiros para serem dublados. A entrevista foi concedida por telefone na noite do dia 8 de janeiro de 2003.

 
P – Como começou a dublagem ?

R – Em 1928, aconteceu a transição do cinema mudo para o falado. Antes disso, os filmes chegavam a ter narração ao vivo nas salas de exibição. Quando começou o cinema falado, aí foi necessária a gravação de duas pistas, uma delas para a trilha sonora. Os Estados Unidos, para não perderem terreno no mercado, gravavam seus filmes com artistas estrangeiros em idiomas diferentes, nos estúdios americanos ou em outras locações. Na França, um filme chegou a ser rodado 60 vezes, sempre em uma língua diferente.

 
P – Eu me recordo que o filme O Anjo Azul, com a Marlene Dietrich, foi rodado em alemão e em inglês. Mas este processo era muito dispendioso.

R – Exato. Então, surgiu a dublagem. Um dos trabalhos de dublagem era em filmes de países de língua não-inglesa para o inglês nos próprios locais onde foram produzidos para que chegassem ao mercado americano. E isto existe até hoje. Nós podemos perceber bem a dublagem no filme Cantando na Chuva, a atriz de voz fanha finge cantar, mas depois a cortina se levanta e percebemos que era a Debbie Reynolds a responsável pela bela voz.

 
P – E em relação à dublagem de um produto audiovisual de uma outra língua ?

R – Nos Estados Unidos, não havia problema, pois a grande maioria dos filmes era produzida lá mesmo. Mas em países da Europa que não falavam inglês, produções nesta língua poderiam se tornar um empecilho. Na Alemanha nazista e na Itália fascista, não se admitia a entrada de produções em um idioma que não fosse o deles. Então, começou a se colocar atores para dublar as produções estrangeiras. Na Itália, as dublagens eram feitas nos estúdios da Cinecitá. Além da dublagem, havia a censura, que mudava a trama de acordo com os interesses do governo. Aqui no Brasil, na época da ditadura, uma produção que falava sobre tráfico de drogas teve que ser trocada, na dublagem, para contrabando de pedras preciosas, por causa dos censores. Essa censura também parte, às vezes, das próprias distribuidoras. Quando eu traduzi O Belo Antônio, não queriam que eu usasse o termo “impotente” para designar o personagem principal, ordenando que fosse trocado por “incapaz”. E essa era a trama principal do filme.

 
P – E a dublagem no Brasil ?

R – Iniciou com os filmes da Disney na década de 1940. Há duas crônicas de Guilherme de Almeida, no jornal Estado de São Paulo, que tratam do assunto. A partir dos anos 50, começou a dublagem para a televisão porque não havia uma boa tecnologia para colocar legendas nos filmes para a TV, elas eram difíceis de serem lidas. Esta parte da dublagem surgiu em São Paulo. A Cinematográfica Maristela, por volta de 1954, foi extinta. Então se aproveitaram os equipamentos de som para fundar a Gravasom, o estúdio pioneiro que daria origem a AIC, num imóvel que depois passou para a BKS.

 
P – AIC é a sigla de Arte Industrial Cinematográfica. O que quer dizer BKS ?

R – Depois da falência da AIC, que ficou devendo a todo mundo, inclusive ao “idiota que vos fala”, Pierângela Piquet e Bodan Kostiw entraram como sócios, em 1976, para um serviço de som onde ficavam os estúdios, então das iniciais de Bodan surgiu o BKS.

 
P – Quando você começou como dublador ?

R – Foi em 1967. Eu tinha acabado de começar no teatro, quando a Helena Samara me levou para fazer dublagem. Na época, a AIC contava com uns 50, 60 dubladores. Mas, naquela época, era uma loucura conseguir espaço no meio de tantas feras, como Flávio Galvão, Dênis Carvalho e Borges de Barros. Havia também o Older e Olney Cazarré, que eram irmãos, mas todos pensavam que Older era pai de Olney. Os dois eram irmãos. Older era mais velho e, como tinha um porte magrinho e careca, só fazia papel de velhinho. Ele morreu atingido por uma bala perdida, quando dormia em seu apartamento no Rio de Janeiro, que ficava próximo a uma favela. O Olney foi o corinthiano da Escolhinha do Professor Raimundo.

 
P – Como era a relação entre os dubladores naquele tempo?

R – Eles eram muito bacanas. Por exemplo, o Borges de Barros, que fez a voz do Dr. Smith em Perdidos no Espaço, é meu amigo até hoje. Eles me chamavam no estúdio, “Vem cá e faz isso”, e estou até hoje fazendo isso.

 
P – Qual foi seu primeiro trabalho como dublador ?

R – Eu já fiz muita coisa, mas a primeira não há como esquecer. Fui um piloto que só tinha duas falas num desenho do Maguila, o Gorila.

 
P – Você fez o robô do Perdidos no Espaço ?

R – Eu fiz a quarta voz. Substitui o Amaury Costa, mas ele teve que ir para o Rio, então fiz um teste e fiquei no lugar dele.

 
P – Como era a gravação?

R – Só havia duas pistas de som, na época: uma de música e efeitos, conhecida como “M.E.”, e outra de voz. Algumas vezes, não vinha a M.E., então as músicas e os efeitos eram recriados em estúdio.

 
P – Há alguns desenhos animados que, quando entravam as falas, existia uma mesma música de fundo, diferente da original.

R – É, isso acontecia quando mandavam o desenho só com a pista com tudo junto. Então, se reaproveitava alguma parte sem fala para servir de fundo, para encobrir a parte falada em inglês.

 
P – Quantos microfones eram utilizados no estúdio ?

R – Um só, e todos ficavam em volta. Como só havia uma pista de voz, não havia como fazer fala uma em cima da outra. Para fazer fala em primeiro plano e vozerio, colocava-se o dublador em frente ao microfone e os outros ficavam juntos, um pouco afastados.

 
P – O que você pensa da dublagem de hoje, em que cada ator vai individualmente ao estúdio para gravar?

R – Eu chamo isso de “poleiro”. Colocam o cara lá no estúdio, “encarrapitado” num banquinho, para fazer todas as falas. Eu, quando dublo, peço para ouvir o que já foi dublado para saber a entonação necessária para se dar uma resposta, por exemplo.

 
P – Na década de 1960, com a Herbert Richers e a AIC como as principais casas de dublagem do país, havia rivalidade entre Rio e São Paulo ?

R – Houve uma época de rivalidade por causa de cláusulas de acordo de trabalho, devido à pressão de empresários. No Rio e São Paulo, os dubladores ganham praticamente o mesmo valor, mas há algumas coisas diferentes. Em São Paulo, se você faz 15 ou 20 aneis, você pode dobrar, o que não é permitido no Rio. Neste último acordo, os setores tiveram que lutar em separado. Mas no acordo de 1997, houve uma união da categoria, com uma paralisação que durou 45 dias. Vários trabalhos estavam atrasados, mas os empresários não admitiam ceder. Eu mesmo fui bastante prejudicado. Mesmo depois de cinco meses após o final da greve, eu fiquei sem dublar. Por ter sido um dos líderes do movimento, colocaram-me na “geladeira”.

 
P – O motivo da maioria das dublagens passarem para o Rio foi por causa da Rede Globo ?

R – Principalmente por causa disso. Aliás, essa relação já vem de longa data, já que algumas novelas da Globo eram rodadas nos estúdios da Herbert. Durante algum tempo, a emissora exigia que as produções estrangeiras só poderiam ser dubladas lá. Nesta época, na década de 1970 , a AIC acabou, a Odil Fono Brasil, que fez dublagem um tempo, mas fez pouca coisa conhecida. A empresa era do Ademar de Barros Filho, que a usava para “lavar” o imposto de renda. Nos anos 60, eu cheguei a largar o trabalho de ator para vender enciclopédia de porta em porta. Muitos saíram para fazer televisão, como Flávio Galvão, que estava indo para a TV Tupi, Dênis Carvalho e Osmar Prado, se preparando para ir para a Globo.

 
P – Na década de 1980, surgiu a Maga.

R – A Maga começou com a TVS, que se tornou o SBT. A emissora queria empresas responsáveis em escalar e pagar os atores para as produções estrangeiras, pois não queria ter vínculo empregatício com os dubladores. Elas eram uma espécie de “intermediárias”. As dublagens eram feitas nos estúdios da TVS. Então, veio a Elenco, a Maga e algumas outras. A Maga era do Marcelo Gastaldi, que as duas primeiras letras de seu nome e sobrenome formavam o nome da empresa. Ele era a voz do Chaves, do seriado mexicano.

 
P – Por falar nisso, as dublagens das novelas mexicanas eram muito criticadas.

R – Porque eram feitas às pressas. A má qualidade não era culpa de Sílvio Santos, mas das pessoas que ele determinava para os departamentos que ficavam responsáveis por esta parte, pois elas queriam fazer tudo de qualquer jeito para botar “unzinho” no bolso. Quando o SBT acabou com o estúdio de dublagem, a Elenco praticamente fechou. A Maga “sub-existiu”, passando a trabalhar nos estúdios da Marshmallow, que alugava um de seus dois estúdios. Depois do falecimento do Marcelo Gastaldi, a Maga acabou. Mas as reclamações que eu ouço agora é que a dublagem das novelas mexicanas no Rio é que é muito ruim.

 
P – Quando você começou a ser diretor de dublagem? Você teve muitos problemas em aceitar este tipo de esquema de dublagem, individual ?

R – A partir de 1972. Não, a gente apenas acompanha as coisas que vão acontecendo. Como a gravação começou a ser em várias pistas, acharam melhor que todos fizessem separadamente sua gravação.

P – O que você tem a falar sobre o “boneco”?

R – Isso é muito desrespeitado no Rio. Toda hora mudam a voz de um ator porque o filme é dublado numa casa onde o dublador não é bem visto, então eles chamam outro.

 
P – E a distribuidora aceita?

R – Bem, também há o caso de que, se o filme for dublado noutra casa, o dublador pede mais pelo serviço. Então, a empresa comunica à distribuidora que ele está querendo mais pelo serviço.

 
P – Desde quando trabalha com tradução? Os dubladores levam vantagem sobre os tradutores na hora de adaptar um trabalho audiovisual estrangeiro?

R – Desde 1972. Acho que o dublador possui a noção de ritmo. Muitas vezes, já dentro do estúdio, precisávamos mudar coisas no roteiro porque vinham frases muito longas. Outro problema foi uma vez que ficou um cara de uma distribuidora dentro do estúdio, do meu lado, vendo a dublagem do desenho japonês Cavaleiros do Zodíaco. Ele vinha para nós com falas em espanhol, e roteiro em inglês, e nem sempre os dois batiam, e o desenho vinha em lotes, o que não permitia que a gente conhecesse toda a história. Então, num determinado momento, apareceu o personagem “Unicórnio”, mas o cara da distribuidora mandou mudar para “Capricórnio”, porque só havia boneco para vender nas lojas deste último. Mas era “Unicórnio”, e depois os fãs do desenho, que eram muitos, ligavam para reclamar com a gente. Mas isso era bom, porque muitos nos ajudavam.


P – Você comentou sobre Cavaleiros do Zodíaco. O seu filho, Hermes Baroli, fez o Seiya, um dos personagens principais do desenho. Há vários casos de filhos de dubladores que acabam seguindo pelo mesmo caminho do pai?

R – É porque eles crescem dentro do estúdio com a gente. Mas desde pequeno, o Hermes tinha aptidão para artes cênicas. Quando ele ainda era criança e estava fazendo uma dublagem, eu o estava dirigindo na Álamo. Ele não conseguia fazer algumas reações como riso, e eu ficava atrás dele fazendo cócegas. As crianças, geralmente, possuem dificuldades com essas reações que vêm do peito.

 
P – Como você desempenha a função de tradutor?

R – Eu uso TV e vídeo. Coloco o filme, traduzo e vejo as falas. O meu processo dura 3 a 4 vezes mais tempo que os tradutores convencionais. Eles não adaptam as falas para a dublagem, e nem fariam isso, porque seria economicamente inviável. A profissão de tradutor é muito mal remunerada. Eu já fiquei bastante tempo sem traduzir por causa disso.

 
P – O que você acha da situação da dublagem atual em São Paulo?

R – Está melhorando, mas ainda não é o ideal. Pior foi nos últimos quatro meses de 2001, com várias casas com poucos ou nenhum estúdio com trabalho.

 
P – Quantos estúdios há em São Paulo ?

R – São vários. Atualmente, a BKS aluga dois de seus quatro estúdios para a Mastersound. Até o fim do ano passado, gravavam nos antigos estúdios Zankowski, que eram muito usados para o cinema nacional, na época da pornochanchada. A Álamo possui oito, mas apenas três ou quatro funcionando. Há a Sigma, que fez muita coisa da Disney. A Megasom e a Gota Mágica fecharam. O Estúdio Gábia ainda existe, é de propriedade de Ronaldo Gábia. Também existe a Parisi Vídeo, do ex-dublador José Parisi, a Dublavídeo, a Clone, que também faz legenda para filmes. A Centauro, no momento, tem pegado pouquíssimo trabalho, mas eles dublaram o infantil Barney e Seus Amigos.

 
P – O que é necessário para ser tradutor de produtos audiovisuais estrangeiros? Pelo menos, saber uma outra língua, não é ?

R – Na verdade, eu acho que o importante é saber português. Você quer ver uma coisa? Foi algo inusitado e que muita gente não sabe. Havia um anime chamado A Princesa e o Cavaleiro, e aconteceu uma coisa rara com ele. Ele possuía 34 episódios, metade ia ser dublada na CineCastro, no Rio, e metade em São Paulo, na AIC. Só que o desenho não tinha a pista sonora, nem o roteiro, só a imagem. Aí, perguntaram para mim se eu poderia criar as histórias. Naquela época, eu não podia desperdiçar trabalho algum, então aceitei, mas pedi antes para assistir os 34 capítulos para conhecer os personagens, pegar o fio condutor da história. Isso não é tão difícil. Com 12, 15 anos, queria ser escritor. Lia Machado de Assis e José de Alencar e desejava escrever igual a eles. Se você conhece um autor, você consegue terminar uma obra dele. Por isso, vi todos os episódios do desenho.


P – Ainda existe a dubladora DPN Santos ? Ela fazia muita coisa para o Discovery Channel.

R – Sim. A DPN possuía estúdio em Santos, atualmente dois estúdios em São Paulo, no bairro Paraíso. Ela continua fazendo coisas para o Discovery, e está com a nova fase do desenho Dragonball, que passa atualmente na TV por assinatura. O pessoal da empresa dava uma compensação para os dubladores que iam para Santos, mas depois eles viram que isso era inviável e montaram os estúdios em São Paulo. Para quem quer ser dublador, as casas estão no eixo Rio-São Paulo.

 
P – Como vão as palestras ?

R – Há uma conversa para que, no início de fevereiro, eu dê duas palestras sobre dublagem em Belo Horizonte, com atores locais. A Sated/BH me ligou, mas ainda não há confirmação. Quando aparece algum convite, eu faço. O assunto específico a ser abordado varia de acordo com cada lugar, mas eu sempre abro espaço para perguntas depois da palestra. Eu não tenho material escrito, falo tudo de cabeça. E não posso me queixar da recepção. Muitos fãs aparecem, querem saber curiosidades sobre a dublagem, sobre quem fez determinada voz, fazem críticas.

 
P – O que pensa das críticas em relação à dublagem ?

R – Eu acho que isso envolve vários pontos. O primeiro é que existe uma turma interessada em economizar e fala que os filmes devem ser legendados. Outro ponto é que nós precisamos criar uma espécie de ISO, um instituto de qualidade para este tipo de trabalho, para analisar o que está sendo feito. Isso seria importante para que as casas, o distribuidor e a TV tivessem um bom serviço. O meu sonho é que, um dia, os estúdios sejam escolhidos pela qualidade, e não pelo preço baixo. Há umas casas de dublagem que fazem economia nos atores e acabam realizando grandes porcarias. No geral, 50% da dublagem atual são muito mal feitas, 40% poderiam ser muito melhores, e algumas coisas são muito boas, umas até por acaso. Eu vi o DVD de A Fraternidade é Vermelha, cuja versão é feita pela Dublavídeo, que já fez grandes porcarias, mas esta, em particular, saiu boa. Talvez porque o filme só tenha dois atores importantes mesmo. Então, eles devem ter pegado dois bons dubladores, o que não fica tão caro.

 
P – Você acredita que precisa ter uma experiência em outras áreas de atuação para ser dublador, ou a dublagem seria o caminho inicial para os novos atores ?

R – A dublagem é muito diferente, é um trabalho tão específico que alguns atores famosos não conseguem dublar. Não acho que sejam necessárias outras formações artísticas.

 
P – No início, muitos radioatores foram para a dublagem ?

R – Na época, havia um boom de novelas radiofônicas. A Rádio São Paulo era o que hoje é a Globo. Mas hoje não há mais radioatores, só locutores de rádio com um vozeirão. Na dublagem, não são necessárias grandes vozes, e sim grandes atores.

 
P – O que acha de artistas famosos fazendo dublagem no Brasil de filmes e desenhos ?

R – Acho perfeitamente possível se são grandes atores. Eles ganham o mesmo que um dublador normalmente ganha. Mas para colocar o seu nome é que custa mais. Mas, se os artistas famosos ganhassem um cachê muito alto para dublar, criaria um mal estar muito grande na categoria. Por exemplo, no filme brasileiro feito inteiramente em computação gráfica Cassiopéia, queriam um grande nome para a dublagem. Pensaram, inicialmente, em Jô Soares, mas ele detesta dublagem, fala muito mal dela. Isso é porque ele não consegue dublar. Então, eu sugeri Osmar Prado, que é uma pessoa excelente. Ele aceitou e foi muito bom.

 
P – Já ouvi outros dubladores falando mal do Jô.

R – Ele possui uma grande capacidade intelectual, mas lhe falta humildade. Nas entrevistas, ele quer ser a estrela. Se o entrevistado está tomando conta do programa, ele corta. Está fazendo o programa errado.

 
P – Quais são os papéis em que você mais se destacou na dublagem ?

R – Bem, qualquer trabalho a gente tenta fazer bem. Sobre os mais conhecidos, eu fui a quarta voz do robô em Perdidos no Espaço. Também fiz a voz do Marshall no seriado O Elo Perdido. Eu encontro com pessoas nas ruas, algumas até telefonam para mim, e pedem para fazer a voz do Saga, do Cavaleiros do Zodíaco.

 
P – Qual a diferença entre se dublar filme e seriado ?

R – Bem, o filme é uma coisa rápida, você termina de dublar em três, quatro dias. Nas séries, por durar mais, é possível ter uma certa continuidade no trabalho. Mas eu fiz muito desenho também.

 
P – Quais são os dubladores que você considera excelentes ?

R – Quando eu entrei no ramo, havia o Waldyr Guedes, um grande ator e dublador, o melhor do Brasil na época. Ele fez a voz do segundo Barney no desenho Os Flintstones. Outro excepcional é o Borges de Barros. Ele é muito conhecido pelo Dr. Smith e pelo Moe, mas a dublagem que ele fez do Charles Laughton no filme O Corcunda de Notre Dame, a versão em preto e branco, é realmente fantástica. 

**Aqui, um vídeo no qual Gilberto Baroli dubla o réu no filme "O Sol é para Todos" ao lado de um grande elenco de dublagem*


**Marco Antônio dos Santos**

2 comentários:

Betarelli, Ivan D. disse...

Simplesmente bárbaro. Gilberto Baroli é hoje, na minha opinião, o dublador/ diretor/ tradutor com maior bagagem no ramo. Sabe muito, já passou por muita coisa, conheceu (e conhece) várias épocas da dublagem e segue firme e forte dentro do ramo.

Maravilhosa entrevista.

ADEMAR AMANCIO disse...

O Jô não gosta de dublagem porque ele deve ser poliglota... Creio eu.

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