21 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (62): ZEZINHO CÚTOLO



Zezinho Cútolo nasceu na cidade de São Paulo, no bairro do Brás, no dia 2 de fevereiro de 1931. Desde os 9 anos de idade se interessou pelo Rádio e começou participando de programa de calouros, cantando, na rádio Record em 1940.


Daí em diante, recebeu convite de Otávio Gabus Mendes e nunca mais deixou o Rádio, tendo pertencido ao elenco de radioatores da rádio Record, Tupi, até chegar à rádio Bandeirantes. Foi exatamente na rádio Bandeirantes que Zezinho Cútolo recebeu o convite para dublar um garoto numa série de tv que estrearia na televisão: As Aventuras de Rin-Tin-Tin. Com a voz adequada para os personagens infantis e pré-adolescentes desde a sua extensa carreira em Rádio, onde participou de dezenas de rádio-novelas até ser convidado por Glauco Laureli, diretor artístico do estúdio Gravasom e, posteriormente, AIC.


As Aventuras de Rin Tin Tin era uma série sobre um cão que acompanhava uma unidade da cavalaria dos EUA. O melhor amigo de Rin-Tin-Tin era o Cabo Rusty, um garoto que perdeu os pais em um ataque dos índios e foi adotado pela corporação, se tornando uma espécie de mascote. Sempre que havia algum problema e Rusty necessitava da ajuda de seu amigo canino ele gritava ("Yo ho Rinty!"). Todos viviam em um forte apache, no Arizona.


No Brasil, a dublagem do cabo Rusty ficou a cargo de Zezinho Cútolo, que o fez magnificamente, com interpretações difíceis em momentos de muita emoção com o seu Rin -Tin-Tin.




A série também contou com Ronaldo Baptista dublando o tenente Rip Masters.


Após o término da série, Zezinho Cútolo continuou na AIC e ficava com os pré-adolescentes e adolescentes. Dessa forma, substituiu Maria Inês na dublagem de Israel Boone nas duas últimas temporadas da série Daniel Boone.


**A VOZ DE ISRAEL BOONE NA 5ª E 6ª TEMPORADAS DA SÉRIE**


Aliás, aqueles que quiserem assistir Zezinho Cútolo e Maria Inês dublando juntos, procurem o episódio da 1ªtemporada da série Terra de Gigantes "A Noite de Thrombeldimbar", onde ambos dublam dois órfãos. Aqueles que assistirem verão um espetáculo de dois gênios na dublagem para crianças e adolescentes.


Zezinho Cútolo continuou dublando após o encerramento da AIC e sendo escalado para os adolescentes, assim na década de 1980 dubla o menino indiano Hadji na segunda versão de Jonny Quest, e Elroy Jetson, na nova versão do desenho Os Jetsons, já pelo estúdio BKS.


Um dos nomes mais queridos entre os seus colegas de profissão e que foi um dos pioneiros da dublagem em São Paulo.


Aqui, um episódio de As Aventuras de Rin-Tin-Tin


**Marco Antônio dos Santos**

20 de agosto de 2009

MEMÓRIA AIC (01): SERIADOS DO CINEMA NA TV



O mocinho luta com o bandido perto de um precipício. Os dois acabam caindo e mergulhando rumo à morte. A tela escurece e aparece a mensagem anunciando o episódio seguinte, na próxima semana, “neste mesmo cinema”.

Esse era o formato dos famosos seriados que fizeram sucesso durante as décadas de 1930 e 1940. Embora para as audiências modernas seriado ou série sejam sinônimos de TV, esse tipo de filme apareceu primeiro no cinema e só na na década de 1950 foi para a televisão nos Estados Unidos.

Com uma média de 15 episódios, com tempo variando entre 15 e 20 minutos, boa parte dos seriados se inspiravam em heróis de histórias em quadrinhos, como Flash Gordon, Batman, Mandrake, O Besouro Verde, etc. Em geral, traziam um enredo para a temporada, focado no conflito do herói com o vilão ou alguma organização criminosa.


Não se deve confundir esses seriados, que possuíam um cronograma de argumento pré-estabelecido, com produções como Tarzan, Sherlock Holmes e Charlie Chan, em que vários filmes independentes foram realizados ao longo dos anos.

Para dar suspense, prender a atenção do público e fazer com que as pessoas voltassem ao cinema na próxima semana, perto do fim do capítulo, o herói era colocado em alguma situação de perigo, com desfecho anunciado para o episódio seguinte.

 No início do próximo filme, letreiros resumiam o capítulo anterior e eram exibidas fotos dos personagens para relembrar o ocorrido ou informar quem estivesse assistindo pela primeira vez (as séries Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo, na década de 1960, adotaram esse sistema também).

**Marte Invade a Terra**

A exemplo do Tarzan Johnny Weissmuller, o norte-americano Buster Crabbe também se destacou nos esportes como medalhista olímpico de natação e protagonizou o Rei das Selvas. No entanto, foi como Flash Gordon que Crabbe se imortalizou no cinema, encarnando o herói futurista criado por Alex Raymond em 1934.

Buster interpretou Flash pela primeira vez em 1936, na série Flash Gordon no Planeta Mongo, em que se confronta com seu arquiinimigo Ming, o Impiedoso. O loiro ainda viveu Gordon em dois seriados, um em 1938 e outro em 1940. Sete décadas depois, essas películas viraram Cult pela mistura de elementos da ficção científica com visuais medievais e do Império Romano.

Para muitos pode parecer ridículo ver naves espaciais soltando fogo e pistolas de raios ou monstros toscos. Porém, essa estética influenciou por décadas a ficção científica no cinema e na TV.

Em 1937, surge um estrondoso sucesso: "Império Submarino". Estrelado por Ray Corrigan. Uma ficção científica caríssima para a época. Assim, durante duas décadas dezenas de seriados foram produzidos para o cinema, como Marte Invade a Terra, O Homem Foguete, etc.

Na década de 1960, a nossa televisão necessitava preencher muito o seu horário vespertino, pois a produção de seus próprios programas era ainda muito precária. Dessa forma, por volta de 1968, a extinta Tv Excelsior de São Paulo adquiriu um lote imenso desses seriados, quase que totalmente dublados pela AIC e exibidos durante às tardes.

Infelizmente, esses seriados com o decorrer do tempo foram totalmente esquecidos, até pelas tv a cabo e, praticamente só Flash Gordon foi exibido pelo canal Multishow, com legendas.

O paradeiro desses seriados é confuso, não se sabe ao certo, mas muitos colecionadores ainda possuem cópias dubladas pela AIC da época.

**Neste vídeo, um trecho de Flash Gordon conquista o Universo**



Aqui, um pequeno trecho de "Marte Invade a Terra" com a sua dublagem original da AIC.






**Marco Antônio dos Santos**

11 de agosto de 2009

ENTREVISTA COM ALDO CÉSAR



**ESTE PEQUENO DEPOIMENTO DE ALDO CÉSAR NOS FOI PROPORCIONADO DE MANEIRA INFORMAL, EM 15/03/1993 , NAS DEPENDÊNCIAS DO EXTINTO ESTÚDIO MEGASOM NA CIDADE DE SÃO PAULO.**

**PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO**

1 - Aldo, como você descobriu que ser dublador e ator seria o teu caminho ?

R: Isso já faz muito tempo, rs,rs,rs. Eu nem tinha completado eu acho os meus 18 anos e já estava bebislhotando algumas Rádios, porque eu queria muito ser alguma coisa no Rádio, ainda estava sem saber bem o quê. Na Rádio Mayrinck Veiga já me conheciam e um dia pediram para eu tentar narrar os nomes dos atores de uma radionovela. Gostaram da minha voz e fiquei. Fui ficando tendo mais espaço. Aí , posteriormente passei por outras Rádios também como locutor e, algumas vezes, até como radioator.

2 - E a televisão veio junto com a dublagem ?

R: De certa forma sim. Eu fui participar de uns capítulos da novela Redenção na extinta TV Excelsior, acho que em 1966, e lá havia muitos atores que participavam da dublagem e diversos colegas diziam que devia tentar devido à minha voz e interpretação.

3 - Você se lembra qual foi o seu primeiro trabalho em dublagem na AIC ?

R: Olha, eu me lembro porque foi curioso. Eu fui até à AIC, como sugeriram os colegas. Lá eu procurei o saudoso amigo Older Cazarré e ele olhou bem para mim e disse: "Você leva jeito para fazer vilão, vejo isso pela sua fisionomia". Ele então me explicou como era o processo da dublagem e me deu um soldado nazista em um filme. Eram pouquíssimas falas, mas ele era muito terrível. Quando terminei, ele disse para mim: "Pronto já está gravado, ficou ótimo". O que era um teste ficou dublado oficialmente, fiz uuns diálogos com o querido amigo que já partiu Astrogildo Filho.

4 - Você foi um dos dubladores da AIC mais escalados para os vilões ?

R: Um pouco devido ao soldado nazista. Aí quando tinha aqueles bandidões nos filmes, sempre se lembravam de mim.

5 - Ao mesmo tempo, sua voz também sempre caía muito bem para os homens refinados, muito educados. O que você preferia ?

R: Ambos, porque eram exercícios diferentes de interpretação com a voz e isso é ótimo para um dublador.

6 - Você praticamente não teve personagens fixos em séries de tv, com exceção do Jason Bolt na série E as Noivas Chegaram, por quê ?

R: Na realidade, eu acho que a dublagem que eu fazia era mais adequada para diferentes personagens, foi o que realmente ocorreu. Para mim, isso era muito bom, porque, além de você ser sempre escalado, rs,rs,rs, eu sempre tinha um desafio. Puxa! Não me lembrava mais que tinha dublado nessa série!

7 - Os fãs das dublagens da AIC, sempre disseram que a sua voz era perfeita para o ator Rex Harisson. Você concorda ?

R: Não sei se era a mais adequada, mas eu tenho como os meus melhores momentos dublar esse grande ator. Adequar a interpretação dele, seu tom de voz, foi algo muito gratificante, porque acabei sempre o dublando, mesmo fora da AIC.

8 - Do que você sente mais saudades daquela época na AIC ?

R: Rs,rs,rs, dos amigos. Das reuniões de lazer que fazíamos, daqueles que tinham paciência comigo quando tropeçava na dublagem de um anel e tínhamos que retornar a fazer. Lá, eu só fiz amigos....

9 - E a sua carreira na televisão, quais foram para você o seu grande momento até agora ?

R: Bem, depois de Redenção, eu me dediquei mais à dublagem e só retornei no início dos anos 70 na Tupi. Lá fiz diversos trabalhos, mas a novela O Profeta da Ivani Ribeiro, foi maravilhosa. Agora, com um personagem totalmente oposto, fiquei muito honrado com o convite do Paulo José para participar da minissérie O Tempo e o Vento. Um clássico extraordinário da nossa literatura! Foi inesquecível esse trabalho!

10 - Deixe uma mensagem para os inúmeros fãs que acompanham o teu trabalho, inclusive os jovens, devido às dublagens de produções japonesas.

R: Primeiramente, agradeço muito e creio que não mereço tanto, porque foi um trabalho que sempre fiz com muita dedicação. Digo a todos que, seja qual for a profissão que exerçam, que sempre tenham ética. Essa palavrinha esta, infelizmente, um pouco esquecida no Brasil. A você Marco Antônio que me procurou com tanta ênfase, eu agradeço esta oportunidade de contar um pouco da carreira de ator e dublador. Muito Obrigado!

**Aldo César faleceu em 05 de janeiro de 2001**

**Agradecemos a esse artista que nos acolheu com tamanha paciência e simpatia. Certamente, seu trabalho é inesquecível para todos os fãs da boa dublagem**

** Na série O Túnel do Tempo, dublando um general nazista**


**Marco Antônio dos Santos**

8 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (61): HÉLIO PORTO


**HÉLIO PORTO NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1960**

Por incrível que pareça, não encontramos quase dados sobre Hélio Porto, um dos nomes mais importantes para o sucesso de muitas séries de tv dubladas pela AIC na década de 1960. A própria internet não oferece praticamente nada.

O que abordaremos aqui é fruto de observação e, principalmente, das informações fornecidas a nós, em 1989, pelo saudoso Borges de Barros, que teve um contato bem estreito com Hélio Porto na dublagem, e pela dubladora Gessy Fonseca com quem foi casada durante 11 anos.


Hélio Porto nasceu em 1940. Estudioso da língua inglesa, falava e lia fluentemente. Sua biblioteca possuía diversos exemplares somente em inglês. Tradutor exíminio e dono de uma capacidade extraordinária, traduzia automaticamente apenas ouvindo e datilografando os textos para a dublagem, já criando expressões correspondentes para o português, mas também tendo como objetivo a sincronia com a boca dos atores.


Em 1963, após o seu casamento com Gessy Fonseca, se transfere do Rio de Janeiro para São Paulo indo trabalhar no estúdio Ibrasom. Lá, ambos ficaram apenas um ano e , em 1964, ingressa na AIC como tradutor, diretor de dublagem e dublador. Curiosamente, Hélio Porto nunca fora radioator, porém dublava os personagens sem necessitar do texto traduzido, apenas ouvindo os atores falando. É a ele que devemos as traduções de diversas séries clássicas da época: Os 3 Patetas, Perdidos no Espaço, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, tiveram o seu direcionamento inicial.



**A 1ª VOZ DO CAPITÃO LEE CRANE**


Como dublador participou pouco, mas fez personagens inesquecíveis, como Larry de Os 3 Patetas, onde faz uma voz absolutamente adequada ao personagem (algumas vezes, por algum motivo foi substituído por Flávio Galvão, afinal foram 190 episódios dublados!). Em Viagem ao Fundo do Mar, além da tradução inicial, dublou o capitão Lee Crane na 1ª e 2ª temporadas, sendo substituído por Osmiro Campos nas temporadas seguintes.



**A VOZ GENIAL CRIADA PARA LARRY / OS 3 PATETAS**

Às vezes, fazia pontas em episódios de alguma série e ficou sendo o dublador "oficial" do ator James Stewart em diversos filmes. Aqui, é bom lembrar que ele apenas dublou os filmes que chegaram na AIC, porém ainda dublou o grande ator no estúdio BKS.

No início de 1968, sai da AIC, se transfere para o Rio de Janeiro para dirigir o estúdio TV Cinesom. Nesse estúdio, tentou trazer a qualidadeda AIC, mas devido a equipamentos já ruins e o alto índice de endividamento, o estúdio fechou as portas em março de 1971.



Durante os anos iniciais da década de 1970, produziu alguns filmes, porém somente alcançou sucesso com "A Super Fêmea" com a atriz Vera Ficher.

 No início da década de 1980, volta a dublar um personagem fixo na série Esquadrão Classe A (Murdoch), porém por pouco tempo. Fez ainda diversas participações em outros estúdios de São Paulo. Consta, para nós, que a sua última atuação em dublagem teria sido no filme Festim Diabólico, onde mais uma vez, dublou James Stewart, em meados da década de 1980, pelo estúdio BKS.


**A VOZ PERFEITA PARA O ATOR JAMES STEWART**

Suas dublagens em filmes sempre foram primorosas:

*George Fortescu interpretado por Laurence Olivier em Rebecca - A Mulher Inesquecível.

*General Wombat interpretado por Robert Conrad em O Homem com a Lente Mortal.

*Comandante Pete Mattews interpretado por Kenneth Tobey em O Monstro do Mar Revolto

 *Wulfgar interpretado por Rutger Hauer em Falcões da Noite.

*Tony Camonte interpretado por Paul Muni em Scarface - A Vergonha de Uma Nação.

* Promotor Galloway interpretado por Carl Frank em A Dama de Shangai.

*James Stewart em Anatomia de Um Crime, Festim Diabólico, Flechas de Fogo, Janela Indiscreta, O Homem Que Sabia Demais, O Vale Heróico, Shenandoah, Um Corpo Que Cai e Winchester '73, entre outros.

 
Como curiosidade há o fato de ter sido ser primo do dublador Rebello Neto.


Hélio Porto também produziu e dirigiu alguns filmes durante a década de 1970, as chamadas "pornochanchadas".


Hélio Porto faleceu  aos 59 anos de idade, vítima de complicações cardíacas, no dia 25 de maio de 1999.



Leiam o que Borges de Barros declarou-nos sobre Hélio Porto:

"Eu tenho quase certeza de que se não tivesse havido a mão do Hélio Porto em Perdidos no Espaço, a série teria perdido muita coisa. Era um extraordinário tradutor, não vejo atualmente, ninguém assim. Quando chegavam os filmes, os episódios das séries, ele sentava em frente à máquina de escrever, com um fone nos ouvidos, e assim que ouvia já datilografava para o português, porém pensando na sincronia de determinadas palavras para se dublar. Todas as minhas improvisações tiveram a sua autorização. Quando dublei o Moe, o texto dizia "seu cabeça de marmelo", isso foi o que o Hélio criou, porque não havia o correspondente para a nossa língua, mas aí na hora, mudei para "seu cabeça de pudim", achei que seria mais engraçado. No final daquele dia ele me disse: "esse cabeça de pudim fica perfeito para o Moe, será o jargão dele". Em Perdidos no Espaço houve a mesma coisa com "lata de sardinha" e aí fui alterando às vezes para "lata enferrujada", "lata velha", para não ser sempre a mesma, porque o Dr. Smith xingava o robô sempre. Todas as alterações foram autorizadas e dirigidas por ele no início dessas duas séries."


(Declaração de Borges de Barros dada a nós em 1989)

Infelizmente, poderíamos oferecer muito mais informações sobre Hélio Porto, porém está completamente esquecido pela mídia, esse grande profissional que impulsionou a AIC.


**Neste episódio de Os 3 Patetas, Hélio Porto faz também a narração da abertura**



** Neste outro vídeo, sua inesquecível atuação como o Capitão Lee Crane da série Viagem ao Fundo do Mar**



**Marco Antônio dos Santos**

7 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (60): ÁUREA MARIA

"Falar sobre seres humanos é muito difícil; falar sobre anjos!
Os estúdios da A.I.C., palco de indescritíveis espetáculos da sétima arte - nas telas da TV e fora delas - presenciaram e aplaudiram uma das mais brilhantes estrelas que por ali passaram: Áurea Maria.

Expressão máxima do carinho, da simpatia, do amor ao próximo, da capacidade de sentir e do brilho na interpretação dos personagens que encarnava frente à tela de dublagem, essa moça deu verdadeiros shows de interpretação, de humanidade, de coleguismo e de amizade!

Uma das mais belas vozes femininas do maior cast de dublagem do Brasil, mesmo em comparação com os dias atuais, ao lado de Líria Marçal, Sandra Campos e Elaine Cristina, era ela quem dava o tom do sensualismo doce, meigo e respeitoso, quando o tema era romance.

Áurea Maria tinha o dom de emocionar, dentro e fora dos estúdios; era única!

Mas não foi só no velho Templo de Dublagens que o brilho mágico da voz de Áurea Maria acariciou os tímpanos do grande público; na Odil Fono Brasil, na Rádio Mulher, em estúdios de radioteatro e em inúmeros estúdios de agências publicitárias onde eram gravados comerciais importantes, para a televisão, Áurea era presença obrigatória no cadastro de profissionais preferenciais.

Rebeca - mulher de Daniel Boone - foi um dos grandes trabalhos da atriz que, com seu virtuosismo agigantou o trabalho originalmente singelo desempenhado pela atriz Patrícia Blair; mas foram tantos os momentos importantes de Áurea Maria emprestando voz e talento a atrizes famosas de todo o mundo, que seria impossível enumerá-los todos.

**A voz suave de Áurea Maria para Rebeca Boone**



No entanto, quem curtiu há de lembrar muito bem das suas brilhantes participações em Daniel Boone, Chaparral, Perdidos no Espaço, E as Noivas Chegaram, Terra de Gigantes, Lancer, Jornada nas Estrelas, Big Valley e... um sem número de atrizes convidadas, em grandes produções do cinema.

Na vida pessoal, longe dos microfones e das telas, Áurea Maria mantinha – naturalmente – o mesmo perfil, o mesmo bom humor, a boa índole e o hábito de dar, sempre, ótimos exemplos; arrimo de família, fazia dessa missão um preito de amor incondicional à sua mãe e à sua irmã e quem a conheceu jamais a viu reclamar ou desistir da luta; talvez por esse motivo e por essa determinação de entrega total à missão recebida do Alto, jamais tenha se casado.

Áurea Maria deve figurar com destaque na galeria das grandes personalidades da arte de interpretar dublando.

Por mais que algumas das grandes distribuidoras insistam nesse anonimato maroto que têm imposto aos atores de dublagem no Brasil, Áurea Maria não cabe no espaço pequeno, insalubre e mesquinho que elas têm procurado designar a quem tem dado alma aos seus grandes lucros na mídia.
A bênção, Áurea Maria!"

***Texto de Arquimedes Pires Estrázulas****


 Muito Obrigado pela colaboração!
** ÁUREA MARIA COMO "A MOÇA DO TEMPO" / TV CULTURA - SP / 1970

*****ALGUNS ESCLARECIMENTOS*****


**Na  AIC, além das inúmeras participações citadas, teve como personagens fixos:

Rebecca Boone / Judy Robinson (2ª voz) a partir do final da 2ª temporada de Perdidos no Espaço.
 
 Na série Big Valley dublou Audra, a personagem de Linda Evans (2ª voz).


Na série Chaparral, dublou a personagem Vitoria, interpretada por Linda Cristal.


 Foi sempre escalada para dublar os convidados de diversas séries da época e filmes.


** Seu nome verdadeiro era Maria Áurea Mendes e faleceu em 07 de dezembro de 1987.

**Aqui, postamos um vídeo da série Daniel Boone, no qual Áurea Maria dubla Rebecca Boone:


*Aqui, dublando a atriz convidada num episódio da série Jornada nas Estrelas**



***Marco Antônio dos Santos****

3 de agosto de 2009

DUBLADOR EM FOCO (59): ARY DE TOLEDO




Assim como a maioria dos dubladores da década de 1960, Ary de Toledo também veio do Rádio, onde fora locutor. Assim, sua ida para a AIC foi uma consequência natural daqueles que tinham já um desempenho grande com a voz. Seu nome, até hoje, é confundido com o humorista Ari Toledo, onde às vezes, há informações nas quais se confundem ambos.


Ary de Toledo ficou eternizado na dublagem do Major West da série Perdidos no Espaço. Também, durante a série, já dirigia alguns episódios, alternando com Hélio Porto e outros.




**MAJOR WEST: A VOZ PERFEITA DE ARY DE TOLEDO**


Além desse personagem, foi o dublador de Greg Morris (Barney) nas três primeiras temporadas da série Missão Impossível e personificou maravilhosamente o gato Bacamarte, o qual perseguia o rato Chumbinho (dublado por Older Cazarré). Como Bacamarte ele fez uma voz muito adequada ao personagem que vivia numa fazenda. Outro personagem fixo foi o chefe Sharkey de Viagem ao Fundo do Mar, entretanto, não ficou até o término da série.



** A VOZ DE BARNEY (GREG MORRIS) EM MISSÃO IMPOSSÍVEL**


Um de seus últimos trabalhos na AIC, por volta de 1968, é no episódio "Destino: Terra" da série Terra de Gigantes, onde dubla um cientista. Nessa época, Ary de Toledo se transfere para o Rio de Janeiro, onde faz algumas participações nas dublagens da TV Cinesom, inclusive dublando Greg Morris na 4ª temporada da série que foi dublada por este estúdio.


**A voz de Gary Collins na série A Escuna do Diabo**
Nesse estúdio participou pouco tempo, pois na CineCastro surge um amplo trabalho na dublagem e como diretor também. Assim, eis que surgem: Pernalonga e Kung Fu.



No Brasil, o Pernalonga inicialmente teve cerca de dois dubladores (conhecidos) nas dublagens da CineCastro realizada na década de 1960 e no início da de 70, foram eles: Ary de Toledo (1ª voz) e Cauê Filho (2ª voz). 

Já Mário Monjardim (3ª voz) que se tornou mais conhecido por dublar Pernalonga durante mais tempo, e por ter sido o dublador oficial do personagem por mais de 20 anos, dublando no estúdio Herbert Richers.





Em 1973, na série Kung Fu, Ary de Toledo dirigia alguns episódios, porém , infelizmente, durante a dublagem veio a falecer, segundo consta em 1974, vítima de complicações de uma cirurgia de hérnia.



Um grande artista da voz, da interpretação que marcou uma geração nos estúdios de dublagem que integrou.


**VAMOS REVER ALGUMAS DUBLAGENS**




**O GATO BACAMARTE NO DESENHO "BACAMARTE E CHUMBINHO"



**Barney (Greg Morris) na série Missão Impossível**


**Marco Antônio dos Santos**