28 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM LIMA DUARTE




NESTE DEPOIMENTO FOI REALIZADA UMA ADAPTAÇÂO E ATUALIZAÇÃO DO QUE LIMA DUARTE DEU AO SITE OFICIAL DE HANNA-BARBERA EM 2001.

1 - Como era o processo de dublagem naquele naquele tempo tempo? Há 45 anos atrás. Era mais feeling ou técnica?

R: Bem, era um misto, mas era mais feeling. A técnica, aliás, você sabe muito bem, trabalhava contra nós. Sofríamos muito com a técnica. As dublagens antigas, até mesmo as do Manda-Chuva, não eram perfeitas no sincronismo. Elas eram muito mais de interpretação mesmo. Nós interpretávamos melhor os personagens, esperando assim compensar as falhas técnicas. Eram retirados trechos dos desenhos, com mais ou menos 1 minuto cada. Depois eram remontados já dublados. Eram chamados anéis de gravação. Minha cabeça quase explodia com o som das pancadas que serviam para sinalizar que estava sendo gravado o som. Eu lia o papel, com uma lâmpada muito precária, e ao mesmo tempo tentava sincronizar minha voz com o movimento da boca do personagem. Eu ficava muito atento, pois o desenho não é um ser humano. É uma carinha com dois olhos e um risco chamado boca. Quando este risco ficava redondo, tinha que sair um som. Significava que ele estava falando. É o meu martírio até hoje, quando , Manda-Chuva, subia no caixote naquele beco, para fazer um discurso para seus amigos. Na época, o meu diretor de dublagem era o Older Cazarré, "um amor de pessoa". Quando ele falava que tinha alguma coisa fora aqui, que é aquele negócio ali pelo meio, um "tiquinho ali", faltou um pouco de intensidade, outra vez, ok? Era tudo outra vez.Isso era o dia inteiro até acertar. Uma coisa medieval! E assim tudo era feito. O que hoje é feito tecnologicamente, eletronicamente, maravilha, sem nenhum problema, eu é que tinha que fazer.

2 -Por que temos a impressão de que as dublagens nos anos 60 ficavam muito mais realistas do que as atuais?

R: Essa impressão advem do fato que as dublagens eram mais intensas, mais bem interpretadas. Hoje o dublador trabalha muito . Quanto mais horas ele dublar mais ele ganha. Então ele quer ir rapidinho.Naquele tempo a gente ganhava por anel mas tinha de compensar uma deficiência eventual de sincronismo com uma certa intensidade.A gente gostava dos personagens. Eu gostava de ser , Manda-Chuva. Eu adorava ser o Dum-Dum. Eu pensava, sei lá, numa psicologia para o personagem. Eles eram mais humanos eles eram mais intensos, eles eram mais verdadeiros. Eu acho que advém disso.

3 -E alguns seriados da época, no final dos créditos, apareciam os nomes dos dubladores. Você acha que esta prática deveria continuar nos dias de hoje ?

R: Eu dublei Manda-Chuva, há 50 anos e nunca vi R$ 1,00 desses direitos. Nunca me pagaram nada. Nem do Dum-Dum, nem do Robert Taylor, O detetive, e de muitos outros que dublei. Nada mesmo. Nem sequer o nome foi publicado. Se tivessem um pouco de decência no direito autoral, tinha de dizer o nome do dublador e de vários colegas meus que não fizeram uma carreira como a minha, se me permite a modéstia, brilhante de ator, que não preciso mais disso. Se não fizeram essa carreira permanecem obscuros, nos escuros, enfumaçados. Ninguém fala neles e são muito mal pagos.

4 -Além Manda-Chuva, quais os outros personagens que já dublou?

R: O jacaré Wally Gator, o amigo da tartaruga Touché chamado Dum-Dum,, o gato Espeto da turma, e o detetive Robert Taylor. Gostaria de fazer uma homenagem ao companheiro e grande dublador chamado Gastão Renné, que dublou entre vários outros personagens, o Batatinha e o Guarda Belo.


**Fotografia de 1955**

5 -O que é mais difícil dublar, desenho animado ou atores de verdade?

R: Sem dúvida nenhuma os desenhos. A razão é que os bonecos não respiram e as frases são colocadas sem intervalos entre elas, não permitindo fôlego para o dublador.

6 -Você aceitaria voltar a dublar?

R: Uma série não mas talvez uma filme como o Rei Leão. Por causa do tempo que disponho. Minha vida caminhou para outro lado. Hoje sou apenas um apreciador das dublagens. Quando eu era mais jovem eu gostava muito de dublar o Peter Lorre, que fez o Enio do filme M, O Vampiro de Dusseldorf, dirigido por Fritz Lang.


7 - Quanto tempo era necessário para dublar um episódio?


R: Em média era o dia inteiro, principalmente quando Manda-Chuva, subia naquele caixote e fazia seus discursos ou enganava o Guarda Belo. Dependendo do episódio ficava um pouco para o dia seguinte. Já o Wally Gator e Dum-Dum, por serem mais simples e curtos, eram necessárias de 2 a 4 horas.


8 - Que tal uma mensagem aos milhares de afccionados pelos desenhos da Hanna-Barbera, àqueles que, de geração em geração, continuam se divertindo com o carisma e o humor de tantos e eternos personagens?


R: Pense um pouco na alma, pense um pouco no espírito e na eternidade do espírito humano. Só o vento soprando, soprando, soprando sobre a argila, se compara ao espírito humano. Pense um pouco na delicadeza, na nobreza dos sentimentos, você vai ver que pensando bem assim, você vai exigir que os desenhos sejam assim também. E que aquele nobre defensor da justiça, dos fracos e oprimidos, que usa uma espada e sai cortando cabeças e pregando a ideologia da violência é verdadeiramente o seu inimigo.

"Os sons tem alma."

 Lima Duarte




**O PERSONAGEM DUM-DUM**


***Em entrevista ao programa Roda Viva da Tv Cultura, no ano de 2000, Lima Duarte confessou que o personagem que ele mais gostou de dublar foi Dum-Dum, o amigo da Tartaruga Touché***


** O PERSONAGEM MAIS ADORADO PELA GAROTADA: MANDA-CHUVA**




**A EXCELENTE DUBLAGEM DE WALLY GATOR**


**VÍDEO 1:



**VÍDEO 2:



**UM PEQUENO TRECHO DE A TARTARUGA TOUCHÉ**



LIMA DUARTE DUBLA O PERSONAGEM DUM-DUM



**DEPOIMENTO DE LIMA DUARTE SOBRE A DUBLAGEM REALIZADA**




**Marco Antônio dos Santos**

21 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM DALETE CUNHA



** DALETE CUNHA NA DÉCADA DE 1960 / AIC**


Oi Dalete: Tudo bem ?


R - Tudo ótimo!!!


Estou te enviando algumas perguntas, para você deixar o seu depoimento no Blog AIC.


R – OK!.. Mas antes, eu quero agradecer a honra de ser entrevistada por você, um profundo conhecedor da dublagem, principalmente da AIC!

Você sabe coisas da AIC, que nem me lembro mais!!!

1 - Qual foi a sua formação técnica para entrar na AIC ?


R – Não tinha nenhuma. Tinha apenas 14 anos de idade, foi o meu primeiro emprego. Entrei na AIC através de uma prima, Maria Lucia, que trabalhava lá. Ela sabia da minha paixão por filmes e deu um jeitinho de me colocar lá. Iniciei na sala de montagem, recuperando fitas magnéticas. Apaixonei-me pela área técnica!


2 - Descreva a atividade principal que você exercia na AIC.


R – Posso dizer que foram duas:


Marcação de filmes: meu trabalho era fazer a marcação/divisão dos anéis (loops) no filme e no script original ou traduzido. Assistia aos filmes em um equipamento, conhecido como "olho de boi"; pois tinha uma tela muito pequena. O filme era rodado manualmente por duas enroladeiras verticais. Geralmente trabalhávamos com cópias em preto e branco, pois eram cópias de trabalho. Éramos duas fazendo este trabalho: eu e Dona Lídia, uma senhora alemã, com quem aprendi muito. Uma curiosidade: era eu quem marcava os filmes de guerra; pois ela tinha pavor desse tipo de filme por conta dos sofrimentos que havia passado durante a 2ª guerra.


A outra era preparar o filme para ser mixado pelo Sr. Benito ou Willian. O trabalho era realizado em uma mesa de edição; com pratos (enroladeiras) horizontais e uma tela bem maior que a "olho de boi". Esta mesa, é conhecida como Moviola. Sincronizava as pistas de MEs (músicas e efeitos) e a própria dublagem, pois sempre havia correções de sincronismo à fazer.


3 - Naquela época, todos os integrantes da AIC não tinham ideia que estavam contribuindo para a história da dublagem no Brasil. Comente.


R – Pois é Marco, a gente nem pensava nisso! Naquela época, a AIC funcionava dia e noite, pois o volume de trabalho era muito grande! Eu particularmente amava meu trabalho. Sempre ficava após o meu horário, para aprender outras funções. Foi assim que consegui minha formação técnica!


4 - Quanto tempo você participou da AIC ?


R – Entrei na AIC em janeiro de 1964 e saí em fevereiro de 1974.


5 - A parte técnica da dublagem evoluiu muito nesses últimos 40

anos. Quais os aspectos positivos e negativos na sua opinião ?

R – É Marco a tecnologia evoluiu, mas infelizmente nossos técnicos não foram preparados para usá-la, e o que temos hoje é um som muito abafado e comprimido. Acho que o problema está na maioria dos estúdios. Os técnicos não têm treinamento suficiente para usar todos os recursos que essa tecnologia oferece. Falta investimento no profissional. Compare o som de qualquer estúdio de hoje com o som da antiga AIC. A diferença de qualidade é gritante, não?!


6 - E a sua carreira no cinema? Como surgiu?


R- Paralelamente a AIC, eu fazia assistência de montagem (na Odil Fono Brasil) para um montador e músico muito respeitado no cinema, Roberto Leme: que mais tarde viria a ser meu esposo. Saí da AIC, para trabalhar em uma grande produtora de comerciais, Sonima Produções. Fui porque eu queria me especializar como montadora/editora. Foi onde eu aprimorei meus conhecimentos técnicos. Na AIC eu não teria essa chance, pois era um trabalho muito limitado; pois lá eu editava apenas o som, e eu queria mais que isso.


Acho que a sorte me ajudou um pouco, pois trabalhei com grandes nomes do nosso cinema: Anselmo Duarte, Carlos Manga, Walter Hugo Koure, Luis Sergio Person, Silvio de Abreu, entre outros. Trabalhei também, com meu marido, como programadores e exibidores de filmes em um navio turístico, em viagens para o exterior; onde ficamos uns seis meses. Na volta abrimos uma produtora; distribuidora e exibidora de filmes: Prodsul Cinema e Audiovuais Ltda. Prestávamos serviços para outras produtoras; produzíamos documentários e longas metragens. Também tínhamos um cinema no interior de São Paulo, na cidade de Dourado, perto de Bauru. E, distribuíamos filmes russos; coisa de "malucos", pois estávamos em plena ditadura militar. Até que um dia, a Polícia Federal apareceu e levou todos os filmes. Foi uma pena, pois tínhamos vários clássicos do cinema russo.


Também tomei parte do movimento que exigia do governo (militar), que reconhecesse todos os trabalhadores da área artística e técnica de cinema, teatro, rádio, televisão, dublagem, etc. Foi uma luta que durou alguns anos. Nos reuníamos no Sated (Sindicato dos Artístas) de madrugada; pois éramos muito perseguidos pela ditadura. Levamos metralhadoras na cara algumas vezes! Mas vencemos!! Conseguimos o reconhecimento do Ministério do Trabalho. Foi a partir daí, que passamos a ter o famoso DRT! Acredito ter sido a primeira mulher a receber o DRT de editora/montadora de filmes em São Paulo, pois na época era uma profissão apenas de homens. Isto se deu em 1978.


7 - Do que você sente mais saudades do período da AIC ?


R – De tudo!...Foi onde eu passei toda minha adolescência, fazendo um trabalho que gostava muito e ganhando razoavelmente bem! Era muito divertido trabalhar lá, pois tínhamos um patrão, Sr. Mario Audrá Jr, que era um "paizão"; pois gostava de ter muitos jovens trabalhando em seu estúdio. Ele era corajoso, não?!! (rsrsrs...)


8 - A AIC foi a escola para a sua carreira no cinema?


R – Com certeza! Quando cheguei lá era apenas uma garota ingênua, cheia de sonhos!

Lá tive a oportunidade de trabalhar e aprender com grandes profissionais. Foi onde eu "finquei" meu alicerce profissional. Quando saí tinha amadurecido; já sabia o que queria na minha vida pessoal e profissional.

9 - Você se recorda de algum fato curioso que tenha ocorrido com você na época em que participava da AIC ?


R – Tem muitos! Mas um jamais vou esquecer!! Eu fazia parte de um trio, que fora apelidado o " trio do barulho". Eu, Henrique Ogalla e Joãozinho, enteado do Amaury Costa. A gente vivia aprontando! Uma vez,.. fizemos uma "cortina" de chicletes mascados, num dos corredores dos estúdios! Um dos técnicos foi a vitima,.. Pedro Santana, apelidado de "dentinho d'oro". Ficou com chiclete grudado por todo corpo! O Ogalla teve um ataque de risos, que quase foi parar no hospital! Ele "dedou" a gente para o Sr. Mario Audrá, que fez de conta que deu bronca; mas no fundo também achou graça, pois era simpatizante do trio. O Pedro, ficou um tempão sem falar com a gente!

Hoje, tenho remorso! Ôôô dó!... rrsrsrs..

10- Deixe uma mensagem para os inúmeros fãs da AIC, os quais nem imaginavam o trabalho do "pessoal da retaguarda", conforme diz o dublador Carlos Campanile.


R – A AIC, não deve jamais cair no esquecimento, pois foi a partir dela que a dublagem no Brasil passou a ser conhecida e respeitada. A AIC formou muitos profissionais, não só para o cinema, mas também para a tv. De lá saíram grandes nomes que até hoje ainda atuam, seja na área artística ou técnica. Para o fã apreciador de dublagem: COBRE dos estúdios uma melhor qualidade de som. Para que invistam mais no profissional da "retaguarda"; pois de nada adianta equipamentos fantásticos, dubladores maravilhosos; se os técnicos não souberem usar os equipamentos que têm nas mãos! A experiência já me provou várias vezes que um técnico pode levantar ou derrubar um filme,..portanto...!



Marco,..

grande abraço,
Dalete Cunha.



**Marco Antônio dos Santos**


DUBLADOR EM FOCO (41): DULCEMAR VIEIRA



Dulcemar nasceu no dia 28 de Agosto de 1935, sendo filha de Antonio e Carmosina Vieira. Seu pai era militar do exército brasileiro, e em virtude disto, era transferido regularmente de uma cidade a outra e levava sua família consigo.Em 1953, a atriz casou-se com Nelson Machado, um ator e produtor de televisão, e deste casamento nasceram Nelson Machado Filho (que seguiu na carreira artística, assim como os pais) e Neusa Machado, em 1954 e 1958, respectivamente.


Ainda jovem, Dulcemar começou sua carreira na cidade de Santos, ganhando um concurso promovido pela rádio Clube e sendo contratada como free lancer. Pouco depois, mudaria-se para São Paulo e tentaria ser contratada por alguma emissora de rádio da capital. Através de um novo concurso, Dulcemar conseguiu ser admitida pela rádio Bandeirantes em 1950, tornando-se então atriz profissional.



Em 1955, a radioatriz transferiu-se para a rede de rádio e televisão dos Diários Associados, a Tupi, participando de radionovelas e também de programas de televisão como TV de Vanguarda, TV de Comédia e outros especiais. Com a mudança de sua família para Santos, em 1959, Dulcemar produziu programas para a rádio Cacique, incluindo Você Aponta para o Sucesso, que era apresentado por seu marido.




**Década de 1960**


Na década seguinte, a atriz e produtora voltou para São Paulo, onde passou a dublar programas estrangeiros na extinta A.I.C. - Odil Fono Brasil e foi contratada pela Rádio Mulher, onde produziu e apresentou o programa Saudade Teu Nome é Mulher, que ia ao ar de segunda à sexta.


Posteriormente, já na década de 1970, ela produziria programas para Vida Alves, Lia de Aguiar e Mary Gersi na mesma emissora.Em 1972, Dulcemar voltou às telenovelas na Rede Tupi ao participar de Bel-Ami e Rosa dos Ventos, e em 1975 trabalhou em parceria com o empresário Carlos Gomes para produzir, dirigir e ensinar jovens talentos no programa A Arte de Realizar o Fantástico exibido pela TV Gazeta.



Mudando-se para Diadema no final da década, Dulcemar dirigiu e participou de peças de teatro infantil, vencendo inclusive dois festivais de teatro, nos anos de 1979 e 1980. Na cidade, onde vive até hoje, a atriz também se dedicou ao público adulto ao produzir, dirigir e estrelar peças destinadas a este público-alvo. No ano de 2005 contou histórias para alunos de escolas municipais de Diadema.



**Dublou diversos personagens convidados em séries de tv e filmes na AIC e teve como personagens fixos: Julie Anderson, interpretada pela atriz Kasey Rogers, na 1ª temporada de A Caldeira do Diabo (Peyton Place) e a irmã Sixto na série A Noviça Voadora**.





*Irmã Sixto na série A Noviça Voadora*


Uma dubladora excelente, sempre requisitada para os convidados especiais nas séries de tv. Assim, a sua presença foi constante nas séries A Feiticeira, Jornada nas Estrelas, Jeannie é um Gênio, Daniel Boone, Terra de Gigantes, Lancer, etc.


**Uma curiosidade é a dublagem da atriz Anne Seymour. Sua voz e interpretação foram perfeitas para os personagens convidados que fez no episódio "A Estranha Cadeira" na 3ª temporada de A Feiticeira e em Terra de Gigantes, no episódio "Seis Horas para Viver" na 2ª temporada da série. Em ambas ocasiões, Dulcemar Vieira captou perfeitamente a interpretação da atriz.




**ANNE SEYMOUR NO EPISÓDIO "A ESTRANHA CADEIRA" DA SÉRIE A FEITICEIRA**

*Vamos relembrar um trecho deste episódio*


** Trabalhos na televisão

**1972 - Bel-Ami (novela).

**1973 - Rosa dos Ventos (novela).
**TV de Vanguarda 1956 - O Palhaço
**Peças de Teatro ( escritas por ela)
**1961 - A lenda do papai Noel (infantil)
**1969 - Sonho e fantasia (infantil)
**1970 - O planeta dos sons (infantil)
**1972 - Os 3 sonhos (infantil)
**1972 - A E I O U (infantil)
**1973 - A pérola mágica (infantil)
**1976 - A lei das côres (infantil)
**1981 - Com a alma entre quatro paredes (adulta).


Uma artista que atuou em diversos gêneros: atriz, dubladora, produtora, escritora de peças teatrais. É interessante observarmos o currículo de Dulcemar Vieira, a fim de verificarmos o gabarito do elenco que passou pela AIC.


**Agradecemos ao seu filho Nelson Machado pela indicação das informações.***




**OUTRAS DUBLAGENS DE DULCEMAR VIEIRA**


**Aqui, dublando Kasey Rogers (Julie Anderson) na 1ª temporada da série A Caldeira do Diabo (Peyton Place)**



**Aqui, Dulcemar Vieira dubla a atriz Anne Seymour num episódio da série Terra de Gigantes**


**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (40): CÉSAR LEITÃO


Joaquim César Leitão nasceu em 12 de janeiro de 1929, em Cantanhede, Portugal. Com o início da 2ª Guerra Mundial, sua família imigrou para o Brasil e aqui chegou com apenas 10 anos de idade.
 Seu amor pelo Brasil foi tão grande que naturalizou-se brasileiro na década de 1960.


Desde cedo entregava marmitas para ajudar sua mãe, que era cozinheira de pensão.
Por volta de 16/17 anos dava aulas particulares para seus colegas e estudou em ótimos colégios, sempre com bolsas de estudo.


Sua paixão era o Rádio e logo conseguiu ser radialista nas Rádios São Paulo e Piratininga, onde ganhou o Troféu Roquete Pinto, em 1957, como o melhor contra-regras do Rádio daquele ano.
Além de contra-regras, fez de tudo no Rádio: foi locutor, humorista e radioator, o que deixou-lhe em destaque em muitas edições da revista Radiolar, inclusive registrando o nascimento de seus dois filhos: Eduardo César (já falecido) e Alexandre César.


 Esteve, por um breve período, na cidade de Ribeirão Preto, como diretor da PRAZ, mas a saúde de seu filho mais velho, Eduardo, fez com que retornasse para São Paulo.
Também foi publicitário na Multi-Propagandas.


Ingressou na distribuidora CBS Filmes do Brasil, onde trabalhou durante 30 anos.



**A dublagem excelente de Joe em Os 3 Patetas**


Em 1965 ingressa na AIC.
 César Leitão foi convidado para dublar o personagem Joe, um gordinho atrapalhado na série Os 3 Patetas, escolhido para substituir Shemp que falecera. Com características bem definidas que o próprio dublador criou  para o personagem, fez um excelente trabalho. Infelizmente, foram produzidos apenas cerca de 15 episódios, em virtude da audiência cair nos Estados Unidos.


Mesmo tendo dublado por pouco tempo o personagem Joe, César Leitão se apaixonou pela dublagem e aí conciliava o seu trabalho na CBS Filmes com dublagens esporádicas na AIC.
Como havia sido humorista, muitas vezes era escalado para as comédias e pastelões em filmes e episódios, principalmente de O Gordo e o Magro.

Com o início da crise na AIC se afastou da dublagem em 1969, mas posteriormente faria pequenas participações na Álamo, principalmente, desenhos.


Na década de 1980, retornou com muito frequência à dublagem e não parou mais até o final da década de 90. Participou dos estúdios Álamo, Mashemellow, Gota Mágica e, segundo seu filho nos informou, "poucos foram os estúdios onde não tenha efetuado uma dublagem."

Além de ter se formado em Direito, em 1983, e atuando um pouco na área jurídica, se dedicava às dublagens quando surgiam e também na CBS Filmes do Brasil. Já na década de 1990, também participou de comerciais para a televisão.



César Leitão não chegou a dublar personagens de grandes destaques, mas a sua versatilidade permitia que fizesse dublagens em diversos filmes, séries de tv e desenhos. Foi muito atuante nas dublagens de diversas produções japonesas das décadas de 80 e 90, mesmo até dublando figurantes.


César Leitão faleceu no dia 11 de agosto de 2000, aos 71 anos de idade, vítima de um enfarto fulminante em sua própria casa, em São Paulo, onde residia desde 1949.


AGRADECIMENTO> Estas informações nos foram fornecidas por seu filho Alexandre César, o qual chegou a acompanhá-lo em diversas dublagens nos estúdios da AIC, ainda garoto.



**Os fãs de seu pai agradecem**




**Alguns trabalhos realizados**




*Tio Ted em O Fantástico Mundo de Bobby.

*Robert Duvall em O Apóstolo.

*Edgar Vivar (Seu Barriga, Nhonho...) em Clube do Chaves.

*Patriarca do Planeta Namekusei em Dragon Ball Z.

*Segunda voz do Vovô Lou em Os Anjinhos.


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS COM A DUBLAGEM DE CÉSAR LEITÃO











**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (39): ROBERTO BARREIROS



Roberto Barreiros nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo. Começou a carreira cedo no Rádio em sua cidade, como radialista e diretor. Depois veio para São Paulo e trabalhou como radioator, também seguiu carreira musical na capital paulista espalhando seu trabalho musical por Rádio e Tv.

Cantava o gênero de musica popular brasileira da época com algumas influências das baladas americanas também. Gravou muito no estúdio paulista Chantecler. Fez muito sucesso com a musica Vou Morrer de Rir em 1966, dentre muitas outras.

Roberto Barreiros também foi comediante, trabalhou na Praça da Alegria ao lado de Manuel de Nóbrega na Tv Paulista, no final da década de 1950 e inicio da década 1960. Lá interpretava o personagem Teobaldo. Trabalhou em outros programas de comedia da televisão.

Na década de 1970, teve um programa próprio na Tv Record chamado "Porteira Para o Sucesso", no qual ele revelava novos talentos da música. O programa teve um curto período de existência.

A partir daí, dedicou-se única e, exclusivamente, para a música, que  é sua maior paixão. Além de seu gênero musical típico das décadas de 1960 e 1970, Barreiros também começou a gravar musicas sertanejas, sendo o primeiro cantor a gravar a musica "Rosto Molhado",  tendo sido um grande  sucesso.

   Na década de 2000 trabalhou na Rádio Gazeta AM, em São Paulo, apresentando flashback nacionais da 1h. às 5h. da manhã.
Roberto Barreiros iniciou na dublagem ainda na Gravasom, onde dublava três personagens no desenho Jambo e Ruivão (Narrador, Jambo e Ruivão). Ao lado de Older Cazarré formaram uma grande dupla nesse desenho.


Fundada a AIC, chega uma infinidade de personagens em desenhos animados produzidos por Hanna Barbera. Com a intuição correta, Older Cazarré o dirige em diversos desenhos. Teve participações em quase todos, com algum pequeno personagem, alterando um pouco a sua voz.




Seus personagens fixos são inesquecíveis:

**Tartaruga Touché** - talvez o mais famoso.


**Sr. Twiddle em Wally Gator**

**Babalu em Pepe Legal**



**Segundo narrador em Os Jetsons**

**Participações em Dom Pixote, Zé Colméia, Os Flintstones, etc.

Assim como ocorreu com Older Cazarré, praticamente só dublou desenhos, mas encontramos ainda em dublagens bem antigas, participações nas séries Rota 66, Império do Oeste e Cidade Nua.

Roberto Barreiros abandonou a dublagem para se dedicar a carreira de cantor e confessou, certa vez, no saudoso programa da TV Tupi "Almoço com as Estrelas", sua mágoa com a dublagem, pelo mesmo motivo que persiste atá hoje: direitos autorais!

Atualmente, consta que teve um programa de rádio, numa emissora do interior do estado de São Paulo, onde aborda, sobretudo, a música sertaneja.

É curioso, como nós brasileiros, não conseguimos dados ou pequenas informações sobre um artista que não foi divulgado pela mídia, mas faz parte de uma cultura "brasileira" !!


** A espetacular dublagem de Roberto Barreiros: o personagem Babalu no desenho Pepe Legal!

**VÍDEO 1:


**VÍDEO 2:




** Sr. Twiddle no desenho Wally Gator**

**VÍDEO 1:



**VÍDEO 2:



**Um pequeno trecho de "A Tartaruga Touché**






***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (38): ROLANDO BOLDRIN




Rolando Boldrin nasceu em São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. Família grande, eram 12 irmãos, sendo Rolando o sétimo.. Ele nasceu em 1936. Começou a cantar, ao lado do irmão, na cidade de Guaira. Com 16 anos veio sozinho para a capital paulista. Fez de tudo um pouco. Foi sapateiro, garçom, frentista de posto de gasolina.

Aos 18 anos serviu o Exército em Quitaúna. Mas seu desejo era cantar, tocar violão e “deitar prosa”. Em 1958 apareceu nas Emissoras Associadas, depois de ter tentado as Rádios São Paulo e Record.


Assinou o primeiro contrato como radioator. Fez radio-novelas, mas foi também para a televisão. Fez “TVs de Vanguarda” e “Grandes Teatros TUPI”. Fez: “A Sereia “; “Quem Casa com Maria”; “O Direito dos Filhos”; “A Viagem”; “O Profeta “; “Roda de Fogo”; “Se o Mar Contasse”; “Ovelha Negra”.


Mostrou-se um bom ator, tanto que foi chamado pela TV Record, onde apareceu em “Algemas de Ouro” ; “As Pupilas do Senhor Reitor; “Os Deuses Estão Mortos”.


Quando a TV Tupi foi fechada, Rolandro Boldrin foi para a TV Bandeirantes, no ano de 1979. Ali fez: “Cara a Cara”; “Pé de Vento”, “Cavalo Amarelo”; “Os Imigrantes”. Mas foi por essa época que Boldrin ganhou nome nacional. Ele foi contratado pela Rede Globo de Televisão, onde lançou um programa em que fazia o que mais ama e sabe: tocar violão, cantar e “contar causos”. O nome do programa: “Som Brasil” – Inesquecível programa, que foi a abertura para outros programas similares.


Boldrin depois lançou na Rede Bandeirantes: o “Empório Brasileiro” e no SBT, mais tarde, o “Empório Brasil”. Dono de uma musicalidade ímpar e uma enorme simpatia. Com outros parceiros já lançou na praça inúmeros discos. E ele é, de fato, o maior “contador” do Brasil. Por isso mesmo, viaja constantemente com seus shows, pois ele quer ir onde o povo está. Além disso, com seu grande coração, mantém uma atividade de benemerência uma entidade, para onde dá tudo de si, ajudando crianças necessitadas.


Atualmente apresenta o programa "Sr. Brasil", na TV Cultura, com muito sucesso e sempre com seu jeitão de homem simples, inteligente e bem brasileiro.


Este grande artista brasileiro, que passou pelas radionovelas, esteve presente também por um breve período na AIC. Lá participou de alguns filmes, fez alguns convidados especiais em séries de tv, como Perdidos no Espaço, no episódio da 1ª temporada "O Mercador do Espaço" e dublou Martin Landau até a metade da 1ª temporada de Missão Impossível, sendo substituído por Aldo César.



**1ª VOZ DE MARTIN LANDAU NA SÉRIE MISSÃO IMPOSSÍVEL**



Com o crescimento da telenovela, Rolando Boldrin abandonou a dublagem e se dedicou na Record, Tupi e Bandeirantes.





Um artista de muito gabarito que passou também pela AIC.



** Aqui, temos um trecho de um episódio da 1ª temporada de Missão Impossível, no qual Rolando Boldrin dubla o ator Martin Landau**




**Neste outro vídeo, Rolando Boldrin dubla novamente Martin Landau, ator convidado num episódio da série Big Valley**







**Marco Antônio dos Santos**

20 de novembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (37): NÍCIA SOARES


** NÍCIA SOARES NA DÉCADA DE 1960**

Nícia Soares nasceu em 25 de setembro de 1928 e direcionou sua carreira para usufruir daquilo que Deus lhe deu: uma voz suave, boa dicção e interpretação.

Também chega às radionovelas e foi uma das mais destacadas da Rádio São Paulo. Nessa época, já estava casada com o dublador Waldir de Oliveira.


O caminho natural foi ir também para a AIC, logo no seu início, participando de filmes, séries de tv da época. Sua voz se ajustava bem para as mocinhas como para as mulheres envolventes.



**A 1ª VOZ DE BETY ROUBLE EM OS FLINTSTONES**

Mas, surgem quatro personagens fixos para ela: Allison MacKenzie, interpretada pela atriz Mia Farrow, somente na 1ª temporada de A Caldeira do Diabo (Peyton Place), Betty Rublle de Os Flintstones em poucos episódios da 1ª temporada , Rosie a robô empregada de Os Jetsons e Samantha em A Feiticeira, onde dublou a 1ª temporada na íntegra e alguns poucos episódios na 2ª, sendo substituída por Rita Cleós.


 Nícia Soares dublou essas quatro personagens fixas e pequenas outras participações em desenhos e séries de tv. Participou da novela A Muralha na extinta Tv Excelsior de São Paulo.



Porém, até hoje não sabemos com certeza, o que a fez largar a dublagem. Assim, Bety Rublle é substituída por Laura Cardoso e Samantha, no transcorrer da 2ª temporada, é substituída por Rita Cleós até o final da série. Nícia Soares faleceu em 06 de novembro de 1990.


** A 1ª VOZ DA INESQUECÍVEL SAMANTHA**

Hoje, quando ainda ouvimos as poucas dublagens que fez nos demonstra a sua performance inesquecível.


**WALDIR DE OLIVEIRA E NÍCIA SOARES** 


**Relembrando Nícia Soares dublando Samantha em A Feiticeira**
video


 ***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (36): WALDIR DE OLIVEIRA



Waldir de Oliveira nasceu no dia 28 de dezembro de 1925, assim como muitos teve o início de sua carreira no Rádio. Participou de diversos programas, chegando também às rádio-novelas.

Assim, em 1956 ganhou o prêmio Roquete Pinto, já casado com Nícia Soares, a qual exercia muito bem o ofício de radioatriz.




** PRÊMIO ROQUETE PINTO / 1956**


Quando a Columbia lançou o desenho Os Flintstones, coube a Waldir de Oliveira escalar as vozes, traduzir e dirigir a 1ª temporada, ainda pelo estúdio Gravasom. Suas escolhas foram excelentes: Marthus Mathias, Rogério Márcico, Helena Samara e sua esposa Nícia Soares dublando Betty.
 Além disso, ele próprio participou dublando o Sr. Pedregulho, chefe de Fred, que nas futuras temporadas foi se alternando o dublador.



**Sr. PEDREGULHO: CHEFE DE FRED FLINTSTONE (A VOZ MAIS FREQUENTE).


**Década de 1960**

Waldir de Oliveira tinha muito jeito para fazer chefes durões e coube a ele ser também o Sr. Spacelly, o qual atormentou muito ao pobre George Jetson.


**SR. SPACELLY EM OS JETSONS**


Na década de 1980, o estúdio Hanna-Barbera resolveu relançar Os Jetsons e, novamente, Waldir de Oliveira fez o Sr. Spacelly.


Na AIC, Waldir de Oliveira ficou muito ao lado de Older Cazarré, nos desenhos animados da época, fazendo bem os vilões. Entretanto, um dos personagens mais carismáticos que dublou foi o cão Chopper, no desenho Patinho Duque.


Chopper era o grande amigo do patinho Duque e o protegia contra todos aqueles que queriam fazer-lhe algum mal, especialmente a raposa. Waldir de Oliveira dublou praticamente todos os episódios, nos quais Chopper surgiu, tendo sido substituído , eventualmente, por Luís Orioni em cerca de 2 ou 3 episódios.



**CHOPPER**

Na década de 1980, Waldir de Oliveira dublou e também foi diretor de dublagem no estúdio BKS.
Foi diretor de dublagem no estúdio Mashemelow se aposentando definitivamente da dublagem em 2008.


Waldir de Oliveira faleceu no dia 01 de janeiro de 2011, aos 85 anos, devido às complicações de uma pneumonia.


Para as crianças da época sempre ficam nas nossas mentes duas expressões: "Flintstone venha cá" e "Jetson venha cá"


** Aqui, um trecho do desenho Os Jetsons, onde Waldir de Oliveira (Sr. Spacely) dubla ao lado de Raimundo Duprat (George Jetson) e Arakén Saldanha (Cósmico):
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**Neste vídeo, a dublagem de Waldir de Oliveira para o cão Chopper:
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**Marco Antônio dos Santos**