27 de setembro de 2008

NARRADORES DE ABERTURAS DA AIC



Uma das grandes lembranças de todos que assistiam às dublagens da AIC, era ouvir sempre o seu narrador mencionando o nome do filme ou série de tv, os nomes dos artistas e depois : "versão brasileira AIC: São Paulo".

O curioso é que nas primeiras dublagens, ainda na Gravasom, não havia essa preocupação. Assim, algumas séries como Papai Sabe Tudo e Além da Imaginação não apresentam narrador e nem se menciona o nome do estúdio.

Já como AIC São Paulo, no início, os desenhos e séries também não possuem um narrador de abertura e o nome da AIC não é mencionado. Basta olharmos Os Jetsons, Manda-Chuva, Rota 66 e tantos outros do mesmo período.


Em fins de 1963, a AIC, percebeu que havia outros estúdios de dublagem, principalmente no Rio de Janeiro, que já possuíam um narrador e mencionava o nome do estúdio de dublagem: CineCastro, TV Cinesom.
 Assim a Direção Artística também quis colocar essa "marca registrada", a qual persiste até hoje para todos os estúdios.

Segundo informações, Ibrahim Barchini ingressa na AIC em 1964, e uma das primeiras séries a ganhar o narrador foi Os 3 Patetas, onde  dizia: "Versão Brasileira da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo" e , assim, foi até ser reduzido para apenas AIC/SP, a partir de 1966.
Ibrahim Barchini foi oficialmente o primeiro narrador da AIC, tendo marcado muito séries como Os Defensores, Big Valley, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo e muitas outras.

Algumas vezes, Barchini foi substituído por Oswaldo Calfat nas aberturas, o qual tinha uma voz bem adequada para narrar documentários.

Para a série clássica Jornada nas Estrelas, Emerson Camargo preferiu convidar o locutor da rádio Excelsior Antônio Celso que fez a abertura da série. Aliás, Antônio Celso também acabou surgindo em alguns episódios de outras séries como Missão Impossível, Coelho Ricochete, e nos episódios finais de O Túnel do Tempo e da 2ª temporada de Perdidos no Espaço.


Dessa forma, assume oficialmente com a saída de Ibrahim Barchini do estúdio em fins de 1967, Carlos Alberto Vaccari, talvez o mais marcante para todos que se lembram das aberturas da AIC, pois sempre carregava muito na emoção, no tom da voz: foram inúmeros trabalhos.


Paralelamente, Francisco Borges também participou.

 Fez a narração e abertura de Batman e substituiu muitas vezes Carlos Alberto Vaccari em Daniel Boone, na 2ª temporada de Terra de Gigantes, A Feiticeira, Lancer, Jeannie é um Gênio, etc, em virtude de um pequeno afastamento deste.




 Além dos citados, eventualmente, surgia Flávio Galvão, Dênis Carvalho ou  Hélio Porto em Os 3 Patetas e até Emerson Camargo em Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo.


 Já a série Chaparral teve Carlos Campanile como sendo o seu narrador de abertura.




Com a crise econômica evoluindo a partir do início da década de 1971, na AIC, praticamente Francisco Borges se torna o narrador oficial de desenhos e séries de tv, tais como: Goober e os Caçadores de Fantasmas, João Grandão, O Homem Invisível, A Família Robinson, e muitas outras produções.





**O HOMEM INVISÍVEL**


Seja como for, foi a necessidade de registrar o nome do estúdio de dublagem que fez com que tivéssemos esses narradores de aberturas oficiais e, é lógico, cada um terá uma voz mais marcante na sua memória.

** VEJAMOS ALGUMAS ABERTURAS DA AIC:

** ABERTURA DA 1ª TEMPORADA DA SÉRIE BIG VALLEY: NARRADA POR IBRAHIM BARCHINI.


** ABERTURA DA SÉRIE JORNADA NAS ESTRELAS: NARRADA POR ANTONIO CELSO.


** ABERTURA DA 1ª TEMPORADA DA SÉRIE TERRA DE GIGANTES: NARRADA POR CARLOS ALBERTO VACCARI.
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**ABERTURA DA SÉRIE VIAGEM AO FUNDO DO MAR: NARRADA POR CARLOS CAMPANILE.


**ABERTURA DA SÉRIE A FAMÍLIA DÓ-RÉ-MI: NARRADA POR FRANCISCO BORGES.


**Marco Antônio dos Santos**

25 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (20): HENRIQUE MARTINS




Henrique Martins nasceu em Berlim. Seu nome de registro é Hanez Schlesinger. Era o dia 23 de agosto de 1933. Veio cedo para o Brasil com os pais. A mãe Louise sempre foi do lar. E o pai Curt era costureiro. Hanez, o filho, aprendeu o ofício e o exerceu até adulto. Educado com rigidez germânica.

E foi assim que resolveu um dia, ainda garoto, fazer um teste para rádioator. Já então tinha escolhido o nome de Henrique Martins. Acharam sua voz grave muito bonita, e mesmo que não soubesse nada, foi aceito e recebeu o emprego.

Fez 60 "TVs de Vanguarda" e outros tantos "TVs de Comédia". Fez também muitos : "Contador de Histórias". Passou para as novelas e logo ganhou papeis principais. Estrelou "O Sheik de Agadir", com Yoná Magalhães. Isso no Rio de Janeiro. Primeira novela gravada no Rio, e que fez sucesso também em São Paulo.


**INÍCIO DA DÉCADA DE 1960**

Mudou algumas vezes de emissora, pois as emissoras sofreram várias "intempéries". Assim, foi da TV Tupi do Rio de Janeiro, da TV Rio, da TV Globo, da TV Excelsior, da TV Bandeirantes e do SBT. Passou, portanto, por quase todas as emissoras de televisão do eixo Rio-São Paulo. Mas não mais só como ator. Logo o "Alemão", como era carinhosamente chamado, Henrique passou a diretor de novela. E foi aí que realmente se revelou. De um temperamento ordeiro e sereno, sabe comandar e fazer acontecer os capítulos de novela de televisão. No tempo em que outro consegue gravar um, Henrique grava três ou quatro capítulos. E trata a todos com serenidade e respeito.


 Para citar algumas novelas que dirigiu e que fizeram sucesso, podemos citar a fase áurea do SBT, quando dirigiu: "Éramos Seis", "As Pupilas do Senhor Reitor", "Os Ossos do Barão". Quando lhe perguntam o que é necessário para ser um bom diretor, ele responde: "Conhecimento e paciência".

Henrique Martins, devido a sua experiência em Rádio, logo é chamado para a dublagem também. Assim, começa ainda na Gravasom. Sua voz sempre caía muito bem para os vilões. Mas fez também um heroi: Super-Homem na série "As Aventuras de Super-Homem", produzida na década de 1950, dublando o ator George Reeves.



Depois, já na AIC, participou ativamente de filmes e séries de tv como: Cidade Nua, Rota 66, Viagem ao Fundo do Mar e até na 1ª temporada de A Feiticeira. Por volta de 1966 se transferiu para o Rio de Janeiro para gravar a novela O Sheik de Agadir na TV Globo, a qual estava iniciando.
Ainda dublou o ator Robert Taylor no filme "Quo Vadis" no estúdio TV Cinesom / RJ.

Henrique Martins, mais um grande nome que deixou registrada a sua excelência na AIC !


**Aqui, um episódio da série Cidade Nua, no qual Henrique Martins dubla o ator convidado Jack Lord**




**Trecho de um episódio da série Cidade Nua, no qual Henrique Martins dubla o ator convidado Albert Salmi, ao lado da dubladora Neuza Maria**




**Trecho do filme Quo Vadis, no qual dubla o ator Robert Taylor**



**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (19): MARTHUS MATHIAS




O ator e dublador Marthus Mathias nasceu em ltajubá, MG, em 1927. Radicado em São Paulo, começa sua carreira em 1951 como radioator, na Rádio Record.

Sua primeira rádio-novela se chama "A Cabana do Pai Tomás". Em seguida, vai para a televisão, como ator, em transmissões ao vivo, pois não existe videotape, nos teledramas "Corcunda de Notre Dame"e "O Vestido de Noiva", ainda na década de 1950.

Depois faz as telenovelas "A Muralha" (1968), "Jerônimo, Herói do Serão" (1972), "Uma Rosa com Amor" (1972), "Vitória Bonelli" (1972) e "O Espantalho" (1977), entre outras.

Estréia no cinema em 1953 no filme "Cais do Vício" e desenvolve sólida carreira de mais de 70 filmes, com destaque para "Jecata Tatu" (1959), "O Outro Lado do Crime" (1979) e "Besame Mucho" (1987).

Quase sempre no papel de vilão, Marthus Mathias é um dos atores mais constantes do Cinema Brasileiro. Na década de 1980, adere aos filmes de sexo explícito.

Como dublador, Marthus imortalizou a voz do Fred Flintstone sendo substituído nas duas últimas temporadas pelo dublador Alceu Silveira. Marthus Mathias, posteriormente, voltou a dublar Fred Flintstone, nos especiais que surgiram.



Além de Fred Flintstone, Marthus Mathias surge, eventualmente, na primeira versão de Os Jetsons e em algumas séries como pontas, como Cidade Nua, Rota 66 e Viagem ao Fundo do Mar.


Morava no estado de Mato Grosso , onde veio a falecer em janeiro de 1995.


**VEJAMOS MARTHUS MATHIAS DUBLANDO O PERSONAGEM QUE O IMORTALIZOU (FRED FLINTSTONE):





***Marco Antônio dos Santos***

20 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (18): ARAKÉN SALDANHA



Arakén Saldanha, dono de uma voz muito bonita e grave, entrou para as Emissoras Associadas, que tinham as Rádio Tupi e Difusora, a Televisão Tupi e depois a Televisão Cultura. Isso foi em 1954.

Arakén Saldanha fez muitas novelas de Rádio, mas na TV Tupi começou na novela: "O Homem sem Passado". Ainda nesse ano, começou a participar do seriado: "Falcão Negro", muito sucesso da época. Fez também:"Oliver Twist".


Teve a oportunidade de participar do filme: "O Sobrado", feito pela equipe associada. Depois, na televisão fez:"O Conde de Monte Cristo","O Anel";Treze `a Mesa'; "Era uma vez um Vagabundo"; "A Cigana'; e vários outros TVs de Vanguarda e TVs de Comédia. E continuou a fazer novelas.


Mas passou a fazer filmes. Fez:"Betão Ronca Ferro"; "Ritual dos Sádicos';"Finis Hominis'; "Gringo, o Matador"; "Quando os Deuses Adormecem", "A Filha do Padre"; "Jeca Macumbeiro"; "O Sexo Mora ao Lado"; "Os Insaciados".

 Arakén Saldanha, porém, dedicou-se mais à dublagem.

Suas primeiras dublagens já surgem ainda pela Gravasom, mas é na AIC que desenvolveu todo o seu potencial. Fez a 2ª voz do gato Chuvisco, Space Ghost e muitos vilões em desenhos da época.



** A VOZ MARCANTE DE SPACE GHOST**

Participou ativamente em filmes e séries de tv, tais como: Missão Impossível, O Túnel do Tempo, Rota 66, Império do Oeste, Cidade Nua, Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, etc.

Dentre as inúmeras participações como convidado especial, podemos citar a dublagem do ator Michael Reinne no episódio "O Estranho Colecionador" em Perdidos no Espaço, onde foi perfeito!

Em 1968, Arakén Saldanha esteve por um período curto no estúdio TV Cinesom no Rio de Janeiro. Ao retornar para São Paulo, dublou e dirigiu no estúdio Odil Fono Brasil, durante muitos anos e participou da  novela "O Preço de um Homem", em 1971, na Tv Tupi.


Atualmente, Arakén Saldanha é diretor de dublagem em São Paulo.


**A VOZ INESQUECÍVEL DE SPACE GHOST**




** DUBLANDO O PERSONAGEM CAPITÃO KRUGER NUM EPISÓDIO DA SÉRIE VIAGEM AO FUNDO DO MAR**


**NESTE OUTRO VÍDEO, ARAKÉN SALDANHA DUBLA UM CONVIDADO  NO EPISÓDIO "A NOITE DA GRANDE BATALHA" DA SÉRIE O TÚNEL DO TEMPO**




***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (17): GESSY FONSECA




Gessy Fonseca nasceu em 12 de março de 1924. Estreou em radioteatro na Rádio Record, em 1941. Sua voz perfeita fez com que fosse considerada a rainha da radionovela. Em 1944 se transfere para as Emissoras Associadas (Tupi e Difusora). Grandes radionovelas e, em 1945, um sucesso total com "Fatalidade" fazendo uma vilã.

Já em 1947, devido a sua grande interpretação com a voz, é contratada pela Rádio Bandeirantes pelo Diretor Rebello Júnior (pai do dublador Rebello Neto). Ao lado de grandes talentos do Rádio paulista a carreira de Gessy Fonseca cresceu a cada dia. Futuramente, Rebello Júnior viria a ser seu cunhado, casando-se com sua irmã Daisy, um grande talento para a Literatura.


Durante esse período, foi lançado o programa "Cinema em seu Lar", que constava de filmes radiofonizados por Ivani Ribeiro, lançados no ar pela Bandeirantes uma semana antes de serem lançados no cinema. O elenco todo ia para a cabine de determinada empresa de cinema e já, durante o filme, Ivani fazia a sinopse e no dia seguinte já entregava a história para os radioatores.




**A matriarca Victoria Barkley na série Big Valley (1ª voz)**


Depois de 9 anos na Bandeirantes, em 1956, a convite de Floriano Faissal (Diretor Artístico da Rádio Nacional do Rio de Janeiro), Gessy Fonseca integra o grande elenco da emissora para o radioteatro, participando de inúmeros sucessos da época. No Rio de Janeiro, Gessy amplia seu leque de grandes amizades do mundo artístico como Dias Gomes, Janete Clair, Mário Lago, entre tantos outros.

O retorno a São Paulo viria em 1958. Desta feita contratada pelas emissoras de Paulo Machado de Carvalho: Rádio Record, TV Record e Rádio São Paulo. Além de participar das grandes radionovelas da época, Gessy interpretou a personagem dona Lola, do romance Éramos Seis. Esta foi a 1ª adaptação para a tv da obra. A novela era "ao vivo" e exibida duas vezes por semana pela TV Record e Gessy ganhou o troféu Roquete Pinto como melhor atriz da televisão. Com o sucesso alcançado vieram outras novelas e personagens, ainda sem o advento do vídeo tape.




**A personagem Athena (Dama Verde) em dois episódios de Perdidos no Espaço**

Em 1963, também integra o elenco de radioatores da Rádio Piratininga e se casa com o tradutor Hélio Porto, o qual, posteriormente, foi dublador e diretor de dublagem. Nesse mesmo ano já participa de algumas dublagens no estúdio Ibrasom, mas os seus personagens mais conhecidos do público foram realizados na AIC, onde ingressou em 1964.




GESSY FONSECA NA AIC


Na AIC, sua presença foi marcante, sempre com sua voz suave e excelentes trabalhos; podemos, dentre tantos, citar alguns:

* A 3ª voz de Endora na série A Feiticeira. Também, na mesma série fez tia Clara nas duas primeiras temporadas.




* A 2ª voz da Dra. Anne de O Túnel do Tempo, já nos últimos 5 episódios da série.



* A voz da Mulher Gato (Julie Newmar) na série Batman *

* Na série Perdidos no Espaço fez convidados importantes na 2ª temporada: A dama da dimensão verde e Varda, a andróide em dois episódios.


** A PERSONAGEM VARDA EM 2 EPISÓDIOS DE PERDIDOS NO ESPAÇO**

* Muitas participações em Os 3 Patetas. Participou de diversas séries de tv, dublando convidadas: Jeannie é um Gênio, Jornada nas Estrelas, O Túnel do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar, etc.
Na série A Caldeira do Diabo (Peyton Place), dublou a atriz Lola Albrigt, como a personagem Constance MacKenzie, na 1ª temporada.
Dublou dezenas de filmes, dos quais se destacam "Leão no Inverno" e "O Rei e Eu".

Gessy Fonseca e Hélio Porto, em meados de 1968, se transferem para o Rio de Janeiro indo para o estúdio  TV Cinesom, adquirido em sociedade por seu marido.  Lá dublou mais séries: Júlia, Além da Imaginação (4ª temporada) e até novamente na série Batman, uma vez que a última temporada da série foi realizada nesse estúdio, porém dublando apenas convidadas.

Com o encerramento da TV Cinesom em 1971, Gessy Fonseca retorna a São Paulo e realiza algumas dublagens novamente na AIC e Odil Fono Brasil, além de programas culturais pela Rádio Cultura de São Paulo. Participa ainda da novela Bel-Ami na extinta TV Tupi.


Através de sua amiga Janete Clair, recebe o convite para participar da novela Fogo Sobre Terra, em 1974, fazendo a personagem Celeste (mãe de Regina Duarte). A novela realizada pela Rede Globo se estendeu durante muitos meses naquele ano.


De volta a São Paulo, Gessy Fonseca retorna à dublagem e participações em teleteatros da TV Cultura e pequenas participações em novelas. Dublou uma infinidade de filmes nos estúdios Álamo, BKS e Odil Fono Brasil.


Vencedora de diversos prêmios: Roquete Pinto, Tupiniquim, Nestlé, Aplauso (a mais bela voz), Princesa do Rádio, etc.

Até hoje, é reconhecida por seus colegas como "a dama da voz".


**Dublando a vilã Mulher Gato na série Batman**

**EPISÓDIO: "AINDA A MULHER GATO"
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**EPISÓDIO: "AINDA A MULHER GATO" - PARTE 2**
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**Como Endora, a mãe de Samantha, na 2ª temporada da série:


**Dublando a sra, Barkley, na série Big Valley. ao lado de Dênis Carvalho**

**Fonte de Pesquisa:

* Entrevista dada em 12/06/2011


 *Álbum Pessoal de Gessy Fonseca



**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (16): RIBEIRO FILHO





João Martins Ribeiro Filho nasceu em São Paulo em 15 de junho de 1917. Começou a trabalhar na Rádio São Paulo aos 19 anos, já como locutor. De lá passou para as emissoras: Rádio Clube de Santos, Rádio Cosmos , Rádio Cruzeiro do Sul.

Depois foi para as Emissoras Associadas, onde trabalhava tanto na Rádio Tupi, quanto na Rádio Difusora.


Um dia após a inauguração da televisão, em 19 de setembro de 1950 , Ribeiro Filho fez parte do “Imagens do Dia”, primeiro telejornal brasileiro. Na televisão foi responsável pela implantação do gênero “comédia de situacão” (sitcom). Trouxe o gênero da Rádio Tupi, onde era produtor e redator. Ele então adaptou esse gênero para a televisão, criando personagens e programas de muito sucesso. Criou o “Filho de Peixe”, sendo que na televisão ele era o protagonista ao lado de Flávio Pedroso e da comediante Maria Vidal. Eram programas de trinta minutos de duração, que aconteciam uma vez por semana.


Em 1957 , Ribeiro era o diretor do programa “Coca Cola para Milhões”. Lançou muitos artistas, entre os quais Agnaldo Rayol. Também foi Ribeiro Filho que descobriu o rapazinho Tony Ramos, mais tarde um grande astro de novelas. Isso foi no programa: “Novos em Foco”. Foi Ribeiro que criou seu nome artístico. O menino de nome Antonio de Carvalho Barbosa estava com apenas 14 anos.


Além de suas várias funções no rádio e na televisão, Ribeiro Filho era também compositor. Como parceiro de Antonio Rago, compôs as músicas: “Jamais te esquecerei”; “ Em Tuas Mãos”; “Que importa”; “Duas Lagrimas. A parceria dos dois fazia muito sucesso. Fora da televisão e do rádio, Ribeiro Filho encerrou sua carreira como publicitário, na Agência de Publicidade Norton.


Com toda essa experiência, sobretudo no Rádio, Ribeiro Filho foi convidado para dublar Robert Young na série "Papai Sabe Tudo" (2ª voz), substituindo o dublador Ênio Ferreira que dublou as 4 primeiras temporadas ainda no estúdio Gravasom.



Como a série foi longa, apenas as duas últimas temporadas passam então já para a AIC. Ao terminá-la Ribeiro Filho abandona temporariamente a dublagem, retornando alguns anos depois, também a convite, para narrar a primeira versão da série Disneylândia.


 Nessa época, fez pequenas participações em algumas séries de tv como a 1ª e 2ª temporadas de Viagem ao Fundo do Mar, porém, seus compromissos com a televisão, principalmente o jornalismo, fizeram com que não realizasse integralmente a dublagem da 1ª versão de Disneylândia.



**VAMOS REVER UM EPISÓDIO DA SÉRIE PAPAI SABE TUDO COM A DUBLAGEM DE RIBEIRO FILHO**




Ribeiro Filho faleceu em 30 de julho de 2008, aos 91 anos de idade, na cidade de São Paulo.


 Ressaltamos como a AIC escolhia seus profissionais: pela experiência e qualidade.

**Marco Antônio dos Santos**

18 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (15): RENATO RESTIER





Renato Restier nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, a 24 de fevereiro de 1920. Filho da atriz Hortência Santos e do ator Procópio Ferreira, portanto meio-irmão de Bibi Ferreira, Renato Restier começou sua carreira aos 21 anos, contratado da Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro.


Ele chegou a gravar dois discos mas largou a música e entrou.para o teatro mambembe. A primeira grande oportunidade lhe foi dada pelo pai, Procópio Ferreira, na peça "Tudo Por Você", também um dos primeiros espetáculos de Bibi Ferreira.Mas foi no cinema que Restier ganhou prestígio interpretando sempre personagens maus em comédias da Atlântida, tendo como companheiros Oscarito, Grande Otelo e José Lewgoy.


A estréia foi em "O Pecado de Nina", em 1950, mas depois participou de "Barnabé, Tu ès Meu", "Carnaval Atlântida", "Três vagabundos", "A Dupla do Barulho", "Matar ou Correr", "Nem Sansão Nem Dalila", "O Golpe", "Com Água na Boca", "Sai de Baixo", "Metido a Bacana" e "De Pernas Pro Ar", entre muitas outras.


Com uma carreira de 45 anos, Restier chegou a fazer três novelas, duas delas na TV Tupi ("Divinas e Maravilhosas" e "Um Dia, O Amor") e uma na TV Globo, "Sinal de Alerta", e participou de vários programas humorísticos, o último deles, "Reapertura", no SBT.
Renato Restier faleceu, aos 64 anos, em 1º de agosto de 1984, em São Paulo, vitimado por um câncer pulmonar.


Mais um ator com larga experiência no Cinema, que também pertenceu ao elenco da AIC, por um período.
 Suas participações na dublagem sempre giravam para os filmes e convidados especiais em séries de tv.
 No Cinema, Renato Restier ficou especializado em vilões, porém na dublagem, sua voz se adaptava bem para padres, médicos, cientistas e também vilões.
 Assim, participou dublando convidados especiais, nas séries de tv: Missão Impossível, Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, O Túnel do Tempo, A Feiticeira entre tantas outras.



** Temos aqui um trecho do episódio "As Muralhas de Jericó" da série O Túnel do Tempo, no qual Renato Restier participa dublando um convidado: é o sacerdote da cidade de Jericó**
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**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (14): LAURA CARDOSO



A atriz Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, mais conhecida como Laura Cardoso, nasceu em São Paulo, no bairro do Bexiga, no dia 13 de setembro de 1927. A garota que desde pequena brincava de teatro iniciou sua carreira fazendo um teste na Rádio Cosmos. Como seu nome não foi aprovado foi necessária a mudança, assim nasceu a atriz Laura Cardoso.

A jovem atriz atuou na Rádio Tupi e passou também pela Rádio Difusora, onde conheceu o ator Fernando Balleroni, com quem se casou e teve duas filhas.Todo o seu sucesso na televisão começou em 1952, no programa "Tribunal do Coração" da escritora Vida Alves. Daí então, sucessivos trabalhos enumeram a sua carreira: "Canção Sagrada", "O Castelo do Homem Sem Alma", "A Estranha Passageira" e "Um Lugar ao Sol".


A atriz de descendência portuguesa fez diversas novelas e teleteatros na TV Record na década de 1960 e de 1970. Na Rede Globo, já em papeis de destaque, a atriz participou de novelas como: "Mulheres de Areia", "Irmãos Coragem", "Salsa e Merengue", "Livre para Voar", "Felicidade", "Pão, pão, beijo, beijo", A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Indias, o remake de Gabriela, dentre outras.

O teatro também faz parte da história de Laura Cardoso que ganhou prêmios pelas atuações nas peças "A Herdeira", "Vereda da Salvação" e "Vem buscar-me que ainda sou seu". Filmes como "Quincas Borba" e "Terra Estrangeira" também ilustram a carreira da atriz no cinema. Ao todo são 60 anos dedicados à dramaturgia!




** LAURA CARDOSO NO INÍCIO DE SUA CARREIRA COMO ATRIZ**



Laura Cardoso também passou pela dublagem. Ainda no estúdio Gravasom fez diversas participações em séries de tv, como Além da Imaginação. Já na AIC, continuou dublando maravilhosamente em filmes e séries também (há registros sonoros na série Cidade Nua), mas ganhou um personagem fixo: Beth de Os Flintstones, onde fez a 2ª voz, substituindo Nícia Soares.





** A 2ª VOZ DE BETY ROUBLE EM OS FLINTSTONES**


Infelizmente ou não, Laura Cardoso foi muito absorvida pelo teatro e pelas novelas de televisão, ficando apenas alguns poucos anos na dublagem.




 *** VEJAMOS UM TRECHO, DA EXCELENTE ATRIZ LAURA CARDOSO, DUBLANDO BETY ROUBLE:


  **NESTE TRECHO DA SÉRIE "CIDADE NUA", LAURA CARDOSO DUBLA UMA SENHORA CONVERSANDO COM O DETETIVE ADAM**



**Marco Antônio dos Santos**

17 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (13): ELEU SALVADOR


O ator, dublador e compositor Eleu Salvador nasceu na cidade de General Câmara, no Rio Grande do Sul. Lá costumava ajudar os passageiros carregando as bagagens na estação de trem e assim era um dos primeiros a se inteirar das novidades lendo os jornais provenientes da capital gaúcha. Entrou para o radio e fez sucesso em Porto Alegre.


Trabalhou no programa “Campeonato em Três Tempos”, da radio Gaúcha, escrito por Carlos Nobre, que ia ao ar às terças feiras e a cidade comentava a semana toda. Naquele programa vários atores representavam os times locais. No final do ano, o clube campeão “casava” com a “miss copa” interpretada pela atriz Leonor de Souza. O time do São José era personificado pelo Eleu.



 Foi fazendo sucesso, crescendo e partiu para o centro do país, para trabalhar na tv e na dublagem. Em São Paulo participou de novelas da TUPI: “Tchan A Grande Sacada”, da BANDEIRANTES onde fez “Cara a Cara” e “Um Homem Muito Especial” e depois no SBT onde atuou em “Destino”, “Meus Filhos Minha Vida” e “Jerônimo”.

 Na dublagem fez seu trabalho mais intenso desde a AIC .


Será sempre lembrado como o sr. Sulu na dublagem original da série clássica ”Jornada nas Estrelas”, além de conseguir dublar personagens idosos, agitados ou esquisitos. Esteve presente em quase todas as séries da época: Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, A Feiticeira, Terra de Gigantes, Lancer, etc. Sempre surgia um personagem para Eleu Salvador ser escalado.




** SR. SULU, NA SÉRIE JORNADA NAS ESTRELAS, INÍCIO DE UMA EXTENSA CARREIRA**


Foi também a voz brasileira de Christopher Loyd nos filmes da série do cinema "De Volta para o Futuro", como o professor Dingle Dong do desenho “Pica Pau”, o Pepe em “Chapolin” e o pai da Bulma em “Dragon Ball Z”.



Eleu Salvador desenvolveu também seu lado de compositor criando muitas canções como “Da sorte”, um calípso, a primeira música gravada pela Elis Regina, e “Parabéns Gaúcho”, em parceria com Dimas Costa. Os seus últimos trabalhos foram dublando vovôs em desenhos animados japoneses. Mas se afastou da atividade por problemas de saúde.



Faleceu no dia 10 de agosto de 2007 em São Paulo, porém sua voz está sempre presente no imenso trabalhou que realizou.


**Sr. Sulu, um personagem de grande destaque !


** Dublando o personagem Charlie, já um idoso, de forma extraordinária**




**Neste vídeo, dublando um cientista obcecado**



***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (12): LUIZ PINI


Luiz Pini foi um ator pioneiro da televisão. Veio do rádio, mas quando estreou em TV, o fez na TV Paulista. Esta foi ao ar em 1952. Funcionava inicialmente e por vários anos, num prédio de apartamentos, situada no encontro da Avenida Paulista , com a rua da Consolação, lugar muito conhecido da cidade de São Paulo.


Luiz Pini era um ator contratado da TV Paulista. Em verdade sua vocação maior era para a comédia, que ele fez inúmeras vezes, mas fez também participações em teleteatros e em filmes. Fez muitos "Teledramas", entre os quais;"Direto ao Coração".


Mas, Luiz Pini se salientou quando, Manoel da Nóbrega montou um cast de comediantes e lançou o programa;"A Praça da Alegria". Isso foi um sucesso, pois grandes nomes estavam ali, entre os quais: Walter Ribeiro dos Santos, Canarinho, Borges de Barros, Ronald Golias , Luiz Pini e outros. Esse grupo se manteve amigo e trabalhou junto por muitos anos. Luiz Pini passou também a diretor de elenco.


**A VOZ DO VILÃO "CHARADA", NA SÉRIE BATMAN **


Luiz Pini trabalhou também no estúdio de dublagem AIC, mas já havia realizado algumas dublagens ainda no estúdio Gravasom, desde 1960. Sua voz era muito sonora e esteve nesse trabalho por muitos anos.

 Participou de dezenas de filmes e séries de tv como convidado: Daniel Boone, Jonny Quest, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, Lancer, Viagem ao Fundo do Mar, etc. Não obteve muitos personagens fixos, há registros de apenas três: o vilão Charada nas duas primeiras temporadas de Batman, a 2ª voz do ator Peter Breck na série Big Valley e a dublagem do ator Mark Lenard na série E As Noivas Chegaram.

Participou da dublagem de diversos filmes e se destacou dublando o ator Gregory Peck, no filme premiado "O Sol é para Todos", uma extraordinária dublagem ! 



** A 3ª VOZ DE PETER BRECK NA SÉRIE BIG VALLEY, SUCESSO DA DÉCADA DE 1960 **


A partir da 5ª temporada de Missão Impossível, a série foi dublada pelo novo estúdio recém-inaugurado em São Paulo: Álamo. Luiz Pini assumiu a dublagem de Peter Graves na série, anteriormente realizada por Carlos Alberto Vaccari na AIC, tendo sido a 4ª temporada dublada pelo estúdio TV Cinesom / RJ.


** A 3ª VOZ DE PETER GRAVES NA SÉRIE MISSÃO IMPOSSÍVEL, JÁ PELO ESTÚDIO ÁLAMO **


Luiz Pini era protético de profissão . Tinha um belo consultório na Avenida Paulista, em São Paulo, onde trabalhou, depois que se afastou da televisão e da dublagem. Luiz Pini faleceu no dia 12 de junho de 2002.


**Aqui, um trecho do filme "O Sol é para Todos", no qual Luiz Pini dubla o ator Gregory Peck**




**Marco Antônio dos Santos**