27 de setembro de 2008

NARRADORES DE ABERTURAS DA AIC



Uma das grandes lembranças de todos que assistiam às dublagens da AIC, era ouvir sempre o seu narrador mencionando o nome do filme ou série de tv, os nomes dos artistas e depois : "versão brasileira AIC: São Paulo".

O curioso é que nas primeiras dublagens, ainda na Gravasom, não havia essa preocupação. Assim, algumas séries como Papai Sabe Tudo e Além da Imaginação não apresentam narrador e nem se menciona o nome do estúdio.

Já como AIC São Paulo, no início, os desenhos e séries também não possuem um narrador de abertura e o nome da AIC não é mencionado. Basta olharmos Os Jetsons, Manda-Chuva, Rota 66 e tantos outros do mesmo período.

Em fins de 1963, a AIC, percebeu que havia outros estúdios de dublagem, principalmente no Rio de Janeiro, que já possuíam um narrador e mencionava o nome do estúdio de dublagem: CineCastro, TV Cinesom.
 Assim a Direção Artística também quis colocar essa "marca registrada", a qual persiste até hoje para todos os estúdios.

Segundo informações, Ibrahim Barchini ingressa na AIC em 1964, e uma das primeiras séries a ganhar o narrador foi Os 3 Patetas, onde  dizia: "Versão Brasileira da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo" e , assim, foi até ser reduzido para apenas AIC/SP, a partir de 1966.
Ibrahim Barchini foi oficialmente o primeiro narrador da AIC, tendo marcado muito séries como Os Defensores, Big Valley, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo e muitas outras.

Algumas vezes, Barchini foi substituído por Oswaldo Calfat nas aberturas, o qual tinha uma voz bem adequada para narrar documentários.

Para a série clássica Jornada nas Estrelas, Emerson Camargo preferiu convidar o locutor da rádio Excelsior Antônio Celso que fez a abertura da série. Aliás, Antônio Celso também acabou surgindo em alguns episódios de outras séries como Missão Impossível, Coelho Ricochete, e nos episódios finais de O Túnel do Tempo e da 2ª temporada de Perdidos no Espaço.


Dessa forma, assume oficialmente com a saída de Ibrahim Barchini do estúdio em fins de 1967, Carlos Alberto Vaccari, talvez o mais marcante para todos que se lembram das aberturas da AIC, pois sempre carregava muito na emoção, no tom da voz: foram inúmeros trabalhos.


Paralelamente, Francisco Borges também participou.

 Fez a narração e abertura de Batman e substituiu muitas vezes Carlos Alberto Vaccari em Daniel Boone, na 2ª temporada de Terra de Gigantes, A Feiticeira, Lancer, Jeannie é um Gênio, etc, em virtude de um pequeno afastamento deste.




 Além dos citados, eventualmente, surgia Flávio Galvão, Dênis Carvalho ou  Hélio Porto em Os 3 Patetas e até Emerson Camargo em Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo.


 Já a série Chaparral teve Carlos Campanile como sendo o seu narrador de abertura.




Com a crise econômica evoluindo a partir do início da década de 1970, na AIC, praticamente Francisco Borges se torna o narrador oficial de desenhos e séries de tv, tais como: Goober e os Caçadores de Fantasmas, João Grandão, O Homem Invisível, A Família Robinson, e muitas outras produções.





**O HOMEM INVISÍVEL**


Seja como for, foi a necessidade de registrar o nome do estúdio de dublagem que fez com que tivéssemos esses narradores de aberturas oficiais e, é lógico, cada um terá uma voz mais marcante na sua memória.

** VEJAMOS ALGUMAS ABERTURAS DA AIC:


** ABERTURA DA 1ª TEMPORADA DA SÉRIE BIG VALLEY: NARRADA POR IBRAHIM BARCHINI.
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** ABERTURA DA SÉRIE JORNADA NAS ESTRELAS: NARRADA POR ANTONIO CELSO.
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** ABERTURA DA 3ª TEMPORADA DA SÉRIE PERDIDOS NO ESPAÇO: NARRADA POR CARLOS ALBERTO VACCARI.
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**ABERTURA DA SÉRIE VIAGEM AO FUNDO DO MAR: NARRADA POR CARLOS CAMPANILE.
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**ABERTURA DA SÉRIE A FAMÍLIA DÓ-RÉ-MI: NARRADA POR FRANCISCO BORGES.
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 **Marco Antônio dos Santos**

25 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (20): HENRIQUE MARTINS




Henrique Martins nasceu em Berlim. Seu nome de registro é Hanez Schlesinger. Era o dia 23 de agosto de 1933. Veio cedo para o Brasil com os pais. A mãe Louise sempre foi do lar. E o pai Curt era costureiro. Hanez, o filho, aprendeu o ofício e o exerceu até adulto. Educado com rigidez germânica.

E foi assim que resolveu um dia, ainda garoto, fazer um teste para rádioator. Já então tinha escolhido o nome de Henrique Martins. Acharam sua voz grave muito bonita, e mesmo que não soubesse nada, foi aceito e recebeu o emprego.

Fez 60 "TVs de Vanguarda" e outros tantos "TVs de Comédia". Fez também muitos : "Contador de Histórias". Passou para as novelas e logo ganhou papeis principais. Estrelou "O Sheik de Agadir", com Yoná Magalhães. Isso no Rio de Janeiro. Primeira novela gravada no Rio, e que fez sucesso também em São Paulo.


**INÍCIO DA DÉCADA DE 1960**

Mudou algumas vezes de emissora, pois as emissoras sofreram várias "intempéries". Assim, foi da TV Tupi do Rio de Janeiro, da TV Rio, da TV Globo, da TV Excelsior, da TV Bandeirantes e do SBT. Passou, portanto, por quase todas as emissoras de televisão do eixo Rio-São Paulo. Mas não mais só como ator. Logo o "Alemão", como era carinhosamente chamado, Henrique passou a diretor de novela. E foi aí que realmente se revelou. De um temperamento ordeiro e sereno, sabe comandar e fazer acontecer os capítulos de novela de televisão. No tempo em que outro consegue gravar um, Henrique grava três ou quatro capítulos. E trata a todos com serenidade e respeito.


 Para citar algumas novelas que dirigiu e que fizeram sucesso, podemos citar a fase áurea do SBT, quando dirigiu: "Éramos Seis", "As Pupilas do Senhor Reitor", "Os Ossos do Barão". Quando lhe perguntam o que é necessário para ser um bom diretor, ele responde: "Conhecimento e paciência".

Henrique Martins, devido a sua experiência em Rádio, logo é chamado para a dublagem também. Assim, começa ainda na Gravasom. Sua voz sempre caía muito bem para os vilões. Mas fez também um heroi: Super-Homem na série "As Aventuras de Super-Homem", produzida na década de 1950, dublando o ator George Reeves.



Depois, já na AIC, participou ativamente de filmes e séries de tv como: Cidade Nua, Rota 66, Viagem ao Fundo do Mar e até na 1ª temporada de A Feiticeira. Por volta de 1966 se transferiu para o Rio de Janeiro para gravar a novela O Sheik de Agadir na TV Globo, a qual estava iniciando.
Ainda dublou o ator Robert Taylor no filme "Quo Vadis" no estúdio TV Cinesom / RJ.

Henrique Martins, mais um grande nome que deixou registrada a sua excelência na AIC !


**Trecho de As Aventuras do Super-Homem, no qual Henrique Martins dubla o personagem**
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**Aqui, um vídeo com um trecho da série Rota 66, no qual Henrique Martins dubla o ator convidado**
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**Trecho de um episódio da série Cidade Nua, no qual Henrique Martins dubla o ator convidado Albert Salmi, ao lado da dubladora Neuza Maria**
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**DEPOIMENTO DE HENRIQUE MARTINS AO PRÓ-TV (MUSEU DA TV BRSILEIRA)**

**Marco Antônio dos Santos**

DUBLADOR EM FOCO (19): MARTHUS MATHIAS




O ator e dublador Marthus Mathias nasceu em ltajubá, MG, em 1927. Radicado em São Paulo, começa sua carreira em 1951 como radioator, na Rádio Record.

Sua primeira rádio-novela se chama "A Cabana do Pai Tomás". Em seguida, vai para a televisão, como ator, em transmissões ao vivo, pois não existe videotape, nos teledramas "Corcunda de Notre Dame"e "O Vestido de Noiva", ainda na década de 1950.

Depois faz as telenovelas "A Muralha" (1968), "Jerônimo, Herói do Serão" (1972), "Uma Rosa com Amor" (1972), "Vitória Bonelli" (1972) e "O Espantalho" (1977), entre outras.

Estréia no cinema em 1953 no filme "Cais do Vício" e desenvolve sólida carreira de mais de 70 filmes, com destaque para "Jecata Tatu" (1959), "O Outro Lado do Crime" (1979) e "Besame Mucho" (1987).

Quase sempre no papel de vilão, Marthus Mathias é um dos atores mais constantes do Cinema Brasileiro. Na década de 1980, adere aos filmes de sexo explícito.

Como dublador, Marthus imortalizou a voz do Fred Flintstone sendo substituído nas duas últimas temporadas pelo dublador Alceu Silveira. Marthus Mathias, posteriormente, voltou a dublar Fred Flintstone, nos especiais que surgiram.



Além de Fred Flintstone, Marthus Mathias surge, eventualmente, na primeira versão de Os Jetsons e em algumas séries como pontas, como Cidade Nua, Rota 66 e Viagem ao Fundo do Mar.


Morava no estado de Mato Grosso , onde veio a falecer em janeiro de 1995.


**VEJAMOS MARTHUS MATHIAS DUBLANDO O PERSONAGEM QUE O IMORTALIZOU (FRED FLINTSTONE):
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***Marco Antônio dos Santos***

21 de setembro de 2008

1ª ENTREVISTA COM HELENA SAMARA


ESTA ENTREVISTA NOS FOI PROPORCIONADA DE FORMA INFORMAl, NO DIA 23/06/1989, NA CIDADE DE SÃO PAULO.

PRCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO.


1 - Helena, você assim como o Borges fez o teste para dublar Maureen Robinson ?

R: Fiz também, mas o Hélio Porto se lembrava que eu já tinha dublado a atriz num episódio com ele de outra série (não me lembro qual!), então ele só fez mais para confirmar.

NOTA: A série, a qual Helena Samara se refere é Viagem ao Fundo do Mar no episódio da 1ª temporada "O Espírito de Moby Dick".


2 - Você fez outros personagens importantes e que ganharam destaque. Comente sobre eles.

R: Para mim, foi maravilhoso trabalhar em Perdidos no Espaço, mas a personagem que me deu mais chances de criar com a voz e interpretar foi a Wilma Flintstone, sem dúvida. Eu acho que a Wilma Flintstone representa para mim, o que o Dr. Smith representa para o Borges.

** MAUREEN ROBINSON NA SÉRIE PERDIDOS NO ESPAÇO **


3 -E a Endora de A Feiticeira ?

R: Essa personagem, quando eu chegava na bancada para dublar, eu considerava que ia me divertir, porque eu adorava quando ela dizia: "Samantha, vou transformar este mortal num rato!" e caía na gargalhada. Muito divertido. Aliás, eu ganhei a Endora substituindo a Gessy Fonseca que tinha saído da AIC.


4 - E a Cinamon de Missão Impossível ?

R: Olha, essa personagem talvez tenha sido aquela com que ganhei mais dinheiro. Porque a Cinamon tinha todo um tom de voz sedutor. Naquela época, tinha muitos comerciais de cosméticos que vinham para serem dublados e, devido a esse personagem, sempre a minha voz era requisitada para esses comerciais!

** CINAMON NA SÉRIE MISSÃO IMPOSSÍVEL **


5 - Muitos fatos curiosos durante todos esses anos de dublagem ? Cite um.

R: Ah! tem um fato muito engraçado! Quando dublava Os Flintstones, eu peguei uma gripe muito forte e fiquei fanha, então como eu poderia fazer aquela voizinha da Wilma ? Mas, o rítmo das dublagens era imenso, e disseram para que eu fosse. O resultado é que dublei uns 3 ou 4 episódios, onde a Wilma está meio gripada e fanha, rs,rs, rs, rs.

** WILMA FLINTSTONE: DUBLAGEM MAGISTRAL DE HELENA SAMARA **


6 - E a AIC, o que representou para a sua carreira ?

R: Eu sempre digo que na AIC era como se fosse uma família que se reunia para dublar. Porque antes da dublagem, nós todos que fazíamos Perdidos no Espaço, já estávamos juntos, conversando, trocando idéias, sempre nos auxiliando. Então, a família que existia no seriado, existia também, de certa forma, no anonimato.


7 - A sua irmã Elvira Samara também participou da AIC ?

R: Sim, participou, mas ela gostava mais do Rádio, então ela dublava eventualmente. Eu me lembro de que ela participou de um episódio de Perdidos no Espaço e as pessoas achavam que eu fazia dois personagens, porque tinha uma certa semelhança na voz.

NOTA: O episódio, o qual Helena Samara se refere é "O Cavaleiro Espacial" da 2ª temporada de Perdidos no Espaço.


8 - Você concorda com o Borges, que se soubessem estar dublando o último episódio de Perdidos no Espaço seria uma choradeira ?

R: Sem dúvida, porque nós ficamos esperando quando chegassem outros episódios. E posso dizer que todos ficamos frustrados pelo fim da série, assim tão de repente.


9 - E a Bruxa do 71 no seriado Chaves ?

R: Aqui é o resultado de profissionais também da AIC. O Marcelo Gastaldi , o Nelsinho Machado fazendo maravilhosamente o Kiko,o Osmiro Campos como diretor e dublador, Mário Vilela, enfim, adorei trabalhar com todo esse povo novamente. E também a Cecília Lemes e a Marta Volpiani, foi um grande prazer participar desse grupo !


10 - Defina a tua carreira, como dubladora, durante tanto tempo ?

R: Simplesmente amar o que faz. Tudo que fiz, sempre foi com esse sentimento. Fico muito feliz de ter tido oportunidades maravilhosas com esses personagens, até hoje ainda exibidos pela televisão, o carinho dos fãs é algo insubstituível!



***Agradecemos a nossa inesquecível Helena Samara por estas poucas palavras aos seus fãs que ainda permanecem, embora ela tenha também já partido para o "estúdio do céu", expressão criada por Aliomar de Matos****



****Este depoimento foi realizado juntamente com a presença de Borges de Barros****



**Relembrando a personagem Cinamon da série Missão Impossível, ao lado de Rolando Boldrin**
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**A dublagem magistral de Endora na série A Feiticeira**
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***Marco Antônio dos Santos***

1ª ENTREVISTA COM BORGES DE BARROS


****ESTA ENTREVISTA FOI NOS PROPORCIONADA DE FORMA INFORMAL, APENAS COPIANDO AS SUAS RESPOSTAS, NO DIA 23/06/1989 NA CIDADE DE SÃO PAULO. PROCURAMOS AQUI, RETIRAR UM POUCO DA ORALIDADE DO TEXTO.


1 - Como você foi escolhido para dublar o Dr. Smith em Perdidos no Espaço ?

R: Essa é uma história que a maioria das pessoas não sabem. Eu fiz o segundo teste para o Dr. Smith, antes quem fez foi o Waldyr Guedes, já falecido. O Waldyr tinha também uma grande força de entonação com a voz, mas aí o Hélio Porto disse que tinham me escolhido. Quem escolheu não sei.

2 - O sucesso da série Perdidos no Espaço se deve muito a dublagem que você realizou. Você concorda ?

R: Não! Na minha opinião o sucesso se deve ao seu tradutor e diretor inicial, o Hélio Porto. O Hélio Porto ele traduzia só ouvindo e batendo à máquina de escrever, já tinha a preocupação, de colocar termos que se enquadrassem com o português para a dublagem.


3 - E as expressões "lata de sardinha", "lata enferrujada" ?

R: Aí foram criações que fui fazendo porque não tinha algo que expressasse o correspondente, porém sempre com a aprovação do Hélio Porto.

4 - Como era dublar Jonathan Harris ?

R: Um ator difícil, porque eu tinha que estar muito atento até nos olhares que fazia. Mudava de fisionomia a cada minuto, além de ser um ator, como direi, com estilo às vezes, também shaskperiano.
Depois de algum tempo, com a prática, eu já sabia o que o Jonathan Harris iria fazer, mesmo assim, às vezes, ele me surpreendia e eu tinha que dublar novamente.

5 - E o Moe de Os 3 Patetas ?

R: Também uma obra do Hélio Porto, que foi um dos tradutores e diretores, além de dublar um deles. Ele que decidiu que "cabeça de pudim" seria o jargão do Moe, o mais ranzinza!

OBS> Hélio Porto dublou Larry em Os 3 Patetas.

6 - E a AIC, o que representou nessa época ?

R: Olha, a AIC foi o estúdio de dublagem que reuniu o maior número de talentos de vozes da época. Eram atores de rádio, da tv e outros profissionais de alto gabarito. As emissoras de tv só queriam os filmes dublados na AIC, e evitavam enviar para o Rio de Janeiro. O volume de trabalho era tamanho que nós dublávamos Perdidos no Espaço na sexta-feira e o episódio era exibido no domingo pela televisão.

7 - Como a dublagem era realizada em conjunto quanto tempo vocês levavam para dublar um episódio de Perdidos no Espaço ?

R: Olha, mais ou menos de 4 a 5 horas, isso se não acontecesse algo. Uma vez, se não me engano, queimou uma válvula e não tinha para repor. Paramos e ficamos esperando o rapaz ir até à Santa Efigênia comprar uma. Pena que não ganhávamos por hora e sim por "anel". Quando ele chegou com a válvula, recomeçamos de onde tínhamos parado. Era assim !

8 - Houve momentos, durante as gravações de Perdidos no Espaço que foram mais complicadas ?

R: Houve uma, se a memória não me falha, e a Helena pode até confirmar, porque ocorreu conosco. Tinha um diálogo só com a gente, porém onde o Dr. Smith faz uma trapalhada muito grande e a mãe da famíla briga com ele. Foi um diálogo muito rápido e difícil. Tivemos que refazê-lo mais de 10 vezes. Não me lembro que episódio acontece!

OBS> Aqui Borges de Barros refere-se à cena em que o Dr. Smith desmonta todas as armas do Júpiter II e Maureen discute com ele no episódio" O cão desaparecido". Conferido, posteriormente por ele e Helena Samara.

9 - Você gostaria de ter o Dr. Smith como um parente ?

R: Minha nossa! O homem era danado! Se duvidasse vendia a própria mãe para voltar para a Terra. Só se fosse muito distante, morando em outro país! rs, rs, rs,


10 - Como foi o encontro com Jonathan Harris no programa Hebe ?

R: Maravilhoso, um verdadeiro cavalheiro em todos os sentidos, inclusive, eu não estava escalado para ir ao programa, mas por solicitação dele fui convidado, porque queria conhecer o seu dublador no Brasil.

11 - Quando terminaram de dublar o último episódio, vocês já sabiam que a série seria cancelada ?

R: Não, de forma alguma, e se soubéssemos seria uma choradeira geral, pois já éramos também uma família!

12 - Algum ressentimento durante todos esses anos como dublador ?

R: A palavra não é ressentimento, seria outra que não posso dizer! Mas fico muito revoltado vendo diversas pessoas ganhando muito dinheiro com Perdidos no Espaço, e nós, que demos a alma brasileira não recebemos 1 centavo. Isso é humilhante para o artista brasileiro!!

**Mesmo já tendo partido para o "estúdio do céu" agradecemos essas poucas palavras deste grande artista***

***Esta conversa informal foi realizada juntamente com Helena Samara***


**Aqui, a cena citada por Borges de Barros, onde o Dr. Smith desmonta todas as armas do Júpiter II, excelente dublagem com Helena Samara:

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**Aqui, uma das extraordinárias dublagens de Borges de Barros, como Dr. Smith, no episódio "Nem Tudo que Reluz":
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****Marco Antônio dos Santos****

20 de setembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (18): ARAKÉN SALDANHA



Arakén Saldanha, dono de uma voz muito bonita e grave, entrou para as Emissoras Associadas, que tinham as Rádio Tupi e Difusora, a Televisão Tupi e depois a Televisão Cultura. Isso foi em 1954.

Arakén Saldanha fez muitas novelas de Rádio, mas na TV Tupi começou na novela: "O Homem sem Passado". Ainda nesse ano, começou a participar do seriado: "Falcão Negro", muito sucesso da época. Fez também:"Oliver Twist".


Teve a oportunidade de participar do filme: "O Sobrado", feito pela equipe associada. Depois, na televisão fez:"O Conde de Monte Cristo","O Anel";Treze `a Mesa'; "Era uma vez um Vagabundo"; "A Cigana'; e vários outros TVs de Vanguarda e TVs de Comédia. E continuou a fazer novelas.


Mas passou a fazer filmes. Fez:"Betão Ronca Ferro"; "Ritual dos Sádicos';"Finis Hominis'; "Gringo, o Matador"; "Quando os Deuses Adormecem", "A Filha do Padre"; "Jeca Macumbeiro"; "O Sexo Mora ao Lado"; "Os Insaciados".

 Arakén Saldanha, porém, dedicou-se mais à dublagem.

Suas primeiras dublagens já surgem ainda pela Gravasom, mas é na AIC que desenvolveu todo o seu potencial. Fez a 2ª voz do gato Chuvisco, Space Ghost e muitos vilões em desenhos da época.



** A VOZ MARCANTE DE SPACE GHOST**

Participou ativamente em filmes e séries de tv, tais como: Missão Impossível, O Túnel do Tempo, Rota 66, Império do Oeste, Cidade Nua, Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, etc.

Dentre as inúmeras participações como convidado especial, podemos citar a dublagem do ator Michael Reinne no episódio "O Estranho Colecionador" em Perdidos no Espaço, onde foi perfeito!

Em 1968, Arakén Saldanha esteve por um período curto no estúdio TV Cinesom no Rio de Janeiro. Ao retornar para São Paulo, dublou e dirigiu no estúdio Odil Fono Brasil, durante muitos anos e participou da  novela "O Preço de um Homem", em 1971, na Tv Tupi.


Atualmente, Arakén Saldanha é diretor de dublagem em São Paulo.


**A VOZ INESQUECÍVEL DE SPACE GHOST**




** DUBLANDO O PERSONAGEM CAPITÃO KRUGER NUM EPISÓDIO DA SÉRIE VIAGEM AO FUNDO DO MAR**


**NESTE OUTRO VÍDEO, ARAKÉN SALDANHA DUBLA UM CONVIDADO  NO EPISÓDIO "A NOITE DA GRANDE BATALHA" DA SÉRIE O TÚNEL DO TEMPO**




***Marco Antônio dos Santos***

DUBLADOR EM FOCO (17): GESSY FONSECA




Gessy Fonseca nasceu em 12 de março de 1924. Estreou em radioteatro na Rádio Record, em 1941. Sua voz perfeita fez com que fosse considerada a rainha da radionovela. Em 1944 se transfere para as Emissoras Associadas (Tupi e Difusora). Grandes radionovelas e, em 1945, um sucesso total com "Fatalidade" fazendo uma vilã.

Já em 1947, devido a sua grande interpretação com a voz, é contratada pela Rádio Bandeirantes pelo Diretor Rebello Júnior (pai do dublador Rebello Neto). Ao lado de grandes talentos do Rádio paulista a carreira de Gessy Fonseca cresceu a cada dia. Futuramente, Rebello Júnior viria a ser seu cunhado, casando-se com sua irmã Daisy, um grande talento para a Literatura.


Durante esse período, foi lançado o programa "Cinema em seu Lar", que constava de filmes radiofonizados por Ivani Ribeiro, lançados no ar pela Bandeirantes uma semana antes de serem lançados no cinema. O elenco todo ia para a cabine de determinada empresa de cinema e já, durante o filme, Ivani fazia a sinopse e no dia seguinte já entregava a história para os radioatores.




**A matriarca Victoria Barkley na série Big Valley (1ª voz)**


Depois de 9 anos na Bandeirantes, em 1956, a convite de Floriano Faissal (Diretor Artístico da Rádio Nacional do Rio de Janeiro), Gessy Fonseca integra o grande elenco da emissora para o radioteatro, participando de inúmeros sucessos da época. No Rio de Janeiro, Gessy amplia seu leque de grandes amizades do mundo artístico como Dias Gomes, Janete Clair, Mário Lago, entre tantos outros.

O retorno a São Paulo viria em 1958. Desta feita contratada pelas emissoras de Paulo Machado de Carvalho: Rádio Record, TV Record e Rádio São Paulo. Além de participar das grandes radionovelas da época, Gessy interpretou a personagem dona Lola, do romance Éramos Seis. Esta foi a 1ª adaptação para a tv da obra. A novela era "ao vivo" e exibida duas vezes por semana pela TV Record e Gessy ganhou o troféu Roquete Pinto como melhor atriz da televisão. Com o sucesso alcançado vieram outras novelas e personagens, ainda sem o advento do vídeo tape.




**A personagem Athena (Dama Verde) em dois episódios de Perdidos no Espaço**

Em 1963, também integra o elenco de radioatores da Rádio Piratininga e se casa com o tradutor Hélio Porto, o qual, posteriormente, foi dublador e diretor de dublagem. Nesse mesmo ano já participa de algumas dublagens no estúdio Ibrasom, mas os seus personagens mais conhecidos do público foram realizados na AIC, onde ingressou em 1964.




GESSY FONSECA NA AIC


Na AIC, sua presença foi marcante, sempre com sua voz suave e excelentes trabalhos; podemos, dentre tantos, citar alguns:

* A 3ª voz de Endora na série A Feiticeira. Também, na mesma série fez tia Clara nas duas primeiras temporadas.




* A 2ª voz da Dra. Anne de O Túnel do Tempo, já nos últimos 5 episódios da série.



* A voz da Mulher Gato (Julie Newmar) na série Batman *

* Na série Perdidos no Espaço fez convidados importantes na 2ª temporada: A dama da dimensão verde e Varda, a andróide em dois episódios.


** A PERSONAGEM VARDA EM 2 EPISÓDIOS DE PERDIDOS NO ESPAÇO**

* Muitas participações em Os 3 Patetas. Participou de diversas séries de tv, dublando convidadas: Jeannie é um Gênio, Jornada nas Estrelas, O Túnel do Tempo, Viagem ao Fundo do Mar, etc.
Na série A Caldeira do Diabo (Peyton Place), dublou a atriz Lola Albrigt, como a personagem Constance MacKenzie, na 1ª temporada.
Dublou dezenas de filmes, dos quais se destacam "Leão no Inverno" e "O Rei e Eu".

Gessy Fonseca e Hélio Porto, em meados de 1968, se transferem para o Rio de Janeiro indo para o estúdio  TV Cinesom, adquirido em sociedade por seu marido.  Lá dublou mais séries: Júlia, Além da Imaginação (4ª temporada) e até novamente na série Batman, uma vez que a última temporada da série foi realizada nesse estúdio, porém dublando apenas convidadas.

Com o encerramento da TV Cinesom em 1971, Gessy Fonseca retorna a São Paulo e realiza algumas dublagens novamente na AIC e Odil Fono Brasil, além de programas culturais pela Rádio Cultura de São Paulo. Participa ainda da novela Bel-Ami na extinta TV Tupi.


Através de sua amiga Janete Clair, recebe o convite para participar da novela Fogo Sobre Terra, em 1974, fazendo a personagem Celeste (mãe de Regina Duarte). A novela realizada pela Rede Globo se estendeu durante muitos meses naquele ano.


De volta a São Paulo, Gessy Fonseca retorna à dublagem e participações em teleteatros da TV Cultura e pequenas participações em novelas. Dublou uma infinidade de filmes nos estúdios Álamo, BKS e Odil Fono Brasil.


Vencedora de diversos prêmios: Roquete Pinto, Tupiniquim, Nestlé, Aplauso (a mais bela voz), Princesa do Rádio, etc.

Até hoje, é reconhecida por seus colegas como "a dama da voz".


**Dublando a vilã Mulher Gato na série Batman**



**EPISÓDIO: "AINDA A MULHER GATO"
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**EPISÓDIO: "AINDA A MULHER GATO" - PARTE 2**
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**Como Endora, a mãe de Samantha, na 2ª temporada da série:
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**Fonte de Pesquisa:

* Entrevista dada em 12/06/2011


 *Álbum Pessoal de Gessy Fonseca



**Marco Antônio dos Santos**