13 de outubro de 2008

ENTREVISTA COM AMAURY COSTA



***ESTA PEQUENA ENTREVISTA NOS FOI PROPORCIONADA, DE MANEIRA INFORMAL, NO DIA 15/10/1992, NAS DEPENDÊNCIAS DO ESTÚDIO ÁLAMO NA CIDADE DE SÃO PAULO.***

***PROCURAMOS, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, RETIRAR A ORALIDADE DO TEXTO.***


1 - Nesses quase 30 anos de dublagem, você saberia dizer quantos personagens você dublou ?

R: De maneira alguma, é lógico que há aqueles que se destacaram mais, mas eu fiz muita coisa, que quando surge na televisão até eu me descubro naquele trabalho.

 
2 - Você chegou à AIC logo no seu início, como foi a sua entrada no estúdio ?  


R: Aqui é algo até engraçado! Eu fui convidado pelo Wolner Camargo a participar da dublagem, assim que eu cheguei o Older Cazarré me procurou e disse: "Amaury, tem um desenho aí que não consigo encontrar uma boa voz para um personagem, gostaria de tentar?"
 Então lá fui eu fazer o teste e a minha surpresa era que o personagem era um cachorro, o Astro dos Jetsons. O Cazarré gostou e fiz. Em seguida, precisaram substituir o dublador do Pepe Legal e me colocaram. Eu sempre digo que entrei na AIC dublando um cachorro e um cavalo. rs,rs,rs.

** O CACHORRO ASTRO NO DESENHO OS JETSONS (1ª VERSÃO) **


3 - E a direção de dublagem de Nacional Kid ?

R: Foi um trabalho difícil, porque na época, creio eu, era a primeira vez que algo japonês era dublado, mas trabalhei com um elenco muito bom e o Emerson Camargo ficou perfeito para o personagem.


4 - Você também escalou os dubladores e dirigiu o desenho Jonny Quest ?

R: Sim, foi um outro trabalho excepcional, pois conseguimos assimilar a filosofia do desenho, quanto ao elenco fiquei muito indeciso quanto aos garotos. O Olney Cazarré fez teste para os dois, mas eu sempre gostei mais da voz dele no menino indiano. Foi ai que surgiu um rapaz que deveria ter uns 18 anos para assistir as dublagens (sempre achei que alguém o mandou lá), o Rafael Cortez, e fiz um teste com ele. Ao final do teste, disse prá mim mesmo: encontrei o Jonny Quest finalmente!

** A 2ª VOZ DE PEPE LEGAL **


5 - Você dublava e dirigia sempre ?

R: Era uma maratona, pois às vezes tinha um outro diretor que me escalava para fazer um general, etc. Eu praticamente vivia no estúdio!

6 - Você considera o Robô de Perdidos no Espaço, o seu personagem mais famoso?

R: Sem dúvida, pelo sucesso que o seriado alcançou, pelo cuidado que tínhamos, pois era uma responsabilidade enorme dublar um seriado com muito sucesso nos Estados Unidos e no Brasil.

7 - Você foi o dublador que ficou mais tempo fazendo o Robô. Como foi essa experiência?

R: O Hélio Porto me chamou para substituir o Jorgeh Ramos que iria sair da AIC, mas o curioso é que o Hélio me disse que a partir daquele episódio, o Robô deveria ficar um pouco mais humano. Então tive que unir os dois laços: a máquina e o sentimento. No início, fiquei em dúvida, mas creio que todos gostaram!

** A 3ª VOZ DO ROBÔ B-9 NA SÉRIE PERDIDOS NO ESPAÇO **

NOTA: Amaury Costa começa a dublar o Robô de Perdidos no Espaço a partir do episódio nº 20 "A Guerra dos Robôs" da 1ª temporada e o último a ser dublado por ele é o nº 73 "A Princesa do Planeta Gelado" da 3ª temporada.


 8 - Você dirigiu alguns episódios de Perdidos no Espaço ?


 R: Desde que entrei no seriado fiquei com vontade! Creio que o Hélio Porto e o Ary de Toledo, já falecido, perceberam isso. Aí surgiu um episódio em que não participavam os homens da nave e o Robô, ficando somente o Dr. Smith com as mulheres. O Hélio disse para mim: "o próximo dirige você". Eu necessitava escalar três dubladores como convidados, então me vali da extraordinária experiência do Waldyr Guedes, já falecido, Aldo César e Wilson Ribeiro. Depois desse vieram mais alguns!!


OBS> O episódio a que Amaury Costa se refere é o de nº 26 "Nem Tudo que Reluz" da 1ª temporada de Perdidos no Espaço.



 9 - Por que você não ficou até o final da série dublando o Robô?


 R: Naquela época, havia bons profissionais que queriam colocar as suas próprias ideias, com outras propostas, e na AIC já não havia espaço. Então praticamente houve uma divisão em dois grupos de profissionais: um foi para fundar e estabelecer a CineCastro e outro para a TV Cinesom no Rio de Janeiro. Eu fui para a TV Cinesom e fiquei lá até o seu encerramento. Mas ainda assim a AIC continuou mantendo a preferência das emissoras e distribuidoras para a dublagem, mesmo porque vieram outros dubladores com muita qualidade.



10 - Você fez uma carreira longa na Herbert Richers também. Algum personagem mais marcante ?


 R: Na Herbert Richers, dirigi e fiz muitas pontas. Há um personagem que gostei de fazer, porque ele, além do sotaque italiano, não aparecia em cena e só discutia com a mulher. Não me lembro do nome do seriado!


 OBS> Aqui Amaury Costa se refere à série Super Gatas, da década de 1980, onde só surgia nas lembranças da personagem Sophia.


***Nossos dados informam que Amaury Costa faleceu por volta de 1996, vítima de câncer no intestino****


*** Mesmo assim, fica aqui este pequeno registro, o qual foi conseguido através de uma simples coincidência, da sua presença no estúdio Álamo em São Paulo****


**Aqui, um trecho da dublagem de Amaury Costa do Robô B-9 da série Perdidos no Espaço, um de seus personagens inesquecíveis:
video

 
**Neste vídeo Amaury Costa dubla Pepe Legal, tendo sido a 2ª voz do personagem:
video


**Marco Antônio dos Santos**

2 comentários:

BIRA disse...

Adorei a entrevista com meu Pai, Amaury Costa. Muitas saudades dele... Só uma pequena correção, ele morreu de Câncer no intestino, e não na garganta como descrito na reportagem. Um abraço a todos e obrigado por terem lembrado dele.

(seu filho) Ubiratan Bizarro Costa.

forsadetartaruga disse...

Leio gibis há mais de 20 anos (desde 1986) e desde que li pela 1 ª vez uma fala do Dr Destino eu imagino-o com a voz do Amaury Costa, mesmo ele nunca ter dublado esse personagem.

Postar um comentário