17 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (45): DANTE RUY



Nascido em 1926, o ator Dante Ruy atuou no cinema e na TV.

Principais trabalhos na TV:


"Sangue do meu Sangue" (1996)
"Meu Bem, Meu Mal" (1990)
"Rabo de Saia" (1984) (minissérie) "

Meus Filhos, Minha Vida" (1984) "
Acorrentada" (1983) 
 "Paiol Velho" (1982) 

"As Cinco Panelas de Ouro" (1982)
Teleteatro"Partidas Dobradas" (1981) 
"Vento do Mar Aberto" (1981)

"Os Imigrantes" (1981)
 "O Meu Pé de Laranja Lima" (1980)
 "O Direito de Nascer" (1978) 
"O Julgamento" (1976)
 "Xeque-Mate" (1976)
 "Ovelha Negra" (1975)
 "A Grande Mentira" (1969)
 "Marcados pelo Amor" (1964)


Principais trabalhos no cinema:

Made In Brazil (1985)
Mulher... Sexo... Veneno (1984)
 O Escândalo na Sociedade (1983)
 Pecado Horizontal (1982) 
As Aventuras de Mário Fofoca (1982) 
Os Rapazes da Difícil Vida Fácil (1980)
 A Noite dos Duros (1978) 
Jecão... Um Fofoqueiro no Céu (1977)

Entre seus papéis mais marcantes estão o Agenor na primeira versão da novela “A Viagem”, na TV Tupi, e Caetano, de “Meu Pé de Laranja Lima”, na década de 1980 , na Bandeirantes. Seu último trabalho na TV foi na minissérie “Rabo de Saia”, na Globo, em 1984.

Dante Ruy atuou em novelas como “Meus Filhos, Minha Vida”, “O Direito de Nascer”, “Acorrentada” e “Os Imigrantes”.
No cinema, esteve em diversas produções. Entre elas, “As Aventuras de Mário Fofoca” e “Mulher…Sexo…Veneno”.

Foi um dos pioneiros na dublagem participando desde o estúdio Gravasom, devido a sua experiência no Rádio, como radioator durante a década de 1950.

Na AIC, esteve muito presente dublando personagens truculentos, militares,  vilões, traidores, etc. Sua voz e sua interpretação funcionavam muito bem para dublar esses personagens.
 Assim, participou de diversas séries na época: Missão Impossível, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Lancer, Daniel Boone, etc.

Para aqueles que queiram reconhecer a voz de Dante Ruy, assistam ao episódio da série O Túnel do Tempo, onde ele dubla o ator Torin Tacher, o cientista inglês muito teimoso, no episódio "O Dia do Juízo Final", ou o episódio de Perdidos no Espaço da 2ª temporada "O Circo do Espaço", onde faz o proprietário do circo.


Dante Ruy faleceu no dia 21 de fevereiro de 2008, aos 82 anos, de infecção pulmonar. O ator deixou três filhos.

 
** Dublando o ator R.G. Amstrong num episódio da série Lancer**
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** Dublando um oficial alemão, ao lado de Helena Samara, na 1ª temporada da série Missão Impossível**
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**Marco Antônio dos Santos**

12 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (44): FLÁVIO GALVÃO



Flávio Galvão nasceu na capital paulista, no dia 30 de julho de 1949.

 Em 1971, apareceu na TV TUPI e seu primeiro papel foi em “Hospital”, novela de Benjamim Cattan. Nessa novela trabalhava também Elaine Cristina, com quem namorou e que veio a ser sua esposa. Depois disso fez ainda “O Preço de um Homem”, para a TV TUPI, mas depois passou para a TV Globo, no seriado importante da época: “Vila Sésamo”. Era o ano de 1972.
 A seguir, voltou para a TUPI, que estava numa fase de grandes e variados trabalhos. Essa fase durou toda a década. E o casal foi super valorizado. Flávio Galvão fez: “A Volta de Beto Rocfeller”; “Divinas e Maravilhosas”; “O Machão”; “Meu Rico Português”; “Um Dia, o Amor”; “Éramos Seis”; “Salário Mínimo”; “Dinheiro Vivo”.

Passou então para a TV Bandeirantes, para a TV Cultura, e para o S.B.T. Além disso atuou em filmes, pois Flávio Galvão é um bom ator. Fez os filmes: “Senhora”; “Excitação” ; “Gabriela”; “Além da Paixão”.

Em 1984, Flávio Galvão foi para a TV Globo e conheceu o verdadeiro sucesso. Fez: “Amor com Amor se Paga”; “Corpo a Corpo”; “Cambalacho”; “O Outro”; “Olho por Outro”; “Tieta do Agreste”; “Araponga”; “Escrava Anastácia”; “Grande Pai”, “Sonho Meu”; “Irmãos Coragem”; “Quem é Você”; A Indomada; “Corpo Dourado”; “Força de um Desejo”; “Porto dos Milagres”; “Quintos dos Infernos”.

Flávio Galvão sempre fez papeis de galã. Mas foi diferente na novela: "Dinheiro Vivo", em que ele fez um vilão e gostou. Foi Walter Avancini quem o viu em uma peça de teatro e o chamou para a TV, em 1971.


**Flávio Galvão no final da década de 1960**



Antes de chegar à televisão, Flávio Galvão teve uma enorme participação na AIC. Fez: dublagens de desenhos, vilões, herois, comédias e ganhou personagens fixos:


*Maguila, o gorila*



*Major Nelson - 2ª voz - da 2ª temporada até o final da série Jeannie é um Gênio*



*Maurice (o pai de Samantha) em 2 episódios*



*Buck Cannon na série Chaparral*

*Inúmeras participações em Os 3 Patetas, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, Missão Impossível, Perdidos no Espaço, etc.*

*Participou ativamente fazendo diversas vozes nas últimas temporadas de Os Flintstones*

*Foi diretor de dublagem*

Um de seus vilões mais fantásticos, foi no episódio da 3ª temporada de Perdidos no Espaço "As Criaturas da Névoa", onde dá um ar sinistro e até fantasmagórico à criatura que se alimenta do medo.

Flávio Galvão, hoje dedicado à televisão, porém seu início na arte de interpretação está bem registrada nas dublagens que realizou na AIC.



** Assistam a esse vídeo do desenho Maguila, o Gorila e observem a ótima dublagem de Flávio Galvão. A narração da abertura é de Antônio Celso.
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** Major ANTHONY NELSON, personagem inesquecível da série Jeannie é um Gênio, a partir da 2ª temporada até o final da série**
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**Aqui, Flávio Galvão dublando o heroi  Scott McCloud em"O Anjo do Espaço"**
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**Marco Antônio dos Santos**

9 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (43): CARLOS ALBERTO VACCARI




Há poucas informações sobre o início da carreira de Carlos Alberto Vaccari antes de ingressar na AIC. Há dados de que participou da Força Aérea Brasileira e que teria realizado algumas locuções em rádio.
O fato é que Vaccari entrou para a AIC no ano de 1967 e, com sua voz forte e ótima interpretação, foi ganhando espaço na dublagem.

**Carlos Alberto Vaccari na F.A.B.**


De imediato, consegue o personagem Multi-Homem no desenho Os Impossíveis e diversas participações nas séries O Túnel do Tempo, Perdidos no Espaço, A Feiticeira,  Batman, Viagem ao Fundo do Mar, Jornada nas Estrelas, Jeannie é um Gênio, etc.


Surgem três novos personagens fixos: A voz do herói Batfino, desenho que fez grande sucesso na época, no qual Vaccari o dublou se valendo de um excelente falsete.


**A VOZ PERFEITA PARA BATFINO**


 A dublagem de Peter Graves, a partir da 2ª temporada da série Missão Impossível. Este personagem foi dublado por ele apenas na 2ª e 3ª temporadas da série.
Também foi a voz de Hoss, interpretado por Dan Blocker, nas duas temporadas de Bonanza dubladas pela AIC.


*Sr. Phelps (Peter Graves) de Missão Impossível (2ª e 3ª temporadas)**

Mas, o seu grande sucesso foi o personagem Mingo, companheiro de Daniel Boone. Uma dupla que fez uma legião de fãs pelo Brasil até hoje. No mesmo período, Vaccari dubla o personagem Murdoch, o patriarca, na série Lancer, interpretado por Andrew Duggan.

*Mingo, o índio companheiro de Daniel Boone*

Além das séries de tv e desenhos, Vaccari participou também de alguns filmes: fez o Tenente Tom Keefer interpretado por Fred MacMurray em A Nave da Revolta, a voz do Homem Invisível originalmente dublada por Vincent Price em Abbott e Costello As Voltas Com Fantasmas, Buckley interpretado por Jack Warden em A Um Passo da Eternidade, além do ator Anthony Quinn em As 7 Cidades de Ouro, Réquiem Por Um Lutador e Ulysses.

Mas foi como narrador das aberturas de séries de tv e de filmes que Carlos Alberto Vaccari inseriu , definitivamente, a sua marca registrada nas dublagens realizadas pela AIC.

*Murdoch Lancer (1ª voz)*

As narrações de aberturas foram iniciadas na AIC por Ibrahim Barchini, em 1964, mas por motivos pessoais decidiu abandonar a carreira artística e, no início de 1968, Vaccari fica definitivamente como o narrador oficial. Até hoje todos se recordam das aberturas tão empolgadas realizadas em diversas produções.
Assim, Vaccari narrava as aberturas, dublava alguns personagens e também já dirigia muitas dublagens.

Infelizmente, por volta de 1970, sofreu um grande desmaio, dentro da própria AIC, e foi diagnosticado um tumor benigno no cérebro. Após a cirurgia, Vaccari teve algumas sequelas, principalmente com a voz e também o fato de não conseguir acompanhar, com a mesma rapidez, a sincronia para realizar as dublagens.

Assim, durante esse período, em que ficou afastado, foi substituído por Francisco Borges (narrador oficial da série Batman), em diversas aberturas e por Antônio Cardoso, em alguns episódios, para a dublagem de Mingo.

Com o seu retorno, ficou estritamente apenas com as aberturas de séries de tv e filmes. Esta função continuou já no estúdio BKS por muitos anos e também, por algum tempo no extinto estúdio Com-Arte.
No estúdio BKS narrou dezenas de filmes, séries de tv e narrou muitos episódios do desenho Pica-Pau.



**Vaccari com o seu neto**

Em meados da década de 1990 se aposentou definitivamente da dublagem. Infelizmente, faleceu em 22 de novembro de 2008, por complicações do seu estado de saúde.


**VAMOS RELEMBRAR 3 MOMENTOS DE CARLOS ALBERTO VACCARI**


**VÍDEO 1/ A VOZ DE BURT REYNOLDS NA SÉRIE O FALCÃO**
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**VÍDEO 2/ MINGO NA SÉRIE DANIEL BOONE**
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**VÍDEO 3 / ABERTURA DA 3ª TEMPORADA DA SÉRIE BIG VALLEY**
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A sua marca registrada foram as aberturas que realizou. Para nós, seus eternos fãs, sua voz está arquivada como herói ou vilão, mas sabemos sempre que quando assistirmos algo e ouvirmos Vaccari narrando a abertura significa: emoção, qualidade, boa dublagem que iremos ouvir.



Sua voz fala por si, não há palavras para expressarmos os nossos sentimentos, que serão de muita alegria ao ouví-lo.


Muito Obrigado Vaccari por ter feito parte da nossa infância e adolescência!




**Marco Antônio dos Santos**

1 de dezembro de 2008

DUBLADOR EM FOCO (42): JOSÉ PARISI




José Parisi nasceu em São Paulo, capital, em 1917, no bairro do Brás. Descendente de italianos, falavam todos um português italianado, com sotaque forte, pois os mais velhos preferiam só falar italiano. José Parisi estudou, trabalhou e descobriu sua vocação artística. Nisso foi influenciado pelo pai, que tinha amor por livros. Assim comprava-os e pedia ao filho que os lesse em voz alta para ele, e para uma pequena platéia familiar. Ele fez com que o menino fosse soltando a voz, aprimorando a dicção.


Além disso José Parisi acompanhava um tio do interior, quando vinha à capital, em passeios por teatros e cinemas. Assim, embora tivesse como profissão ser classificador de grãos, na Bolsa de Cereais, um dia apresentou-se para um teste com Maria Della Costa, grande estrela da época. E ganhou o papel para fazer: “Depois da Queda”, peça que fez muito sucesso. Entre o público, já na estréia, estava Dermival Costalima, diretor geral das Emissoras Associadas, que gostou do rapaz, de sua postura, pois ele era alto, elegante, como de sua voz.


Isso foi em 1946, e Parisi foi contratado para o rádio e anos depois, para a televisão, que chegava. Mas Parisi preferiu ficar no rádio , o que foi bem apreciado por Costalima, porém isso durou pouco. Sua figura, seu porte, o induziam a fazer televisão. E assim ele fez Grandes Teatros, Tvs de Vanguarda e inclusive participou da primeira novela da TV: “Sua Vida me Pertence”, de Walter Forster.Fez papeis maravilhosos, sempre se aprimorando mais.


**JOSÉ PARISI NA DÉCADA DE 1960**


Mas sua grande chance apareceu, quando Péricles Leal lançou o “Falcão Negro”, herói de capa e espada, que transformou o jovem Parisi no herói da garotada. Mas ele levava tão à sério as lutas e as cenas da televisão, que várias vezes, ele e os parceiros, terminaram suas noites no Hospital das Clínicas, onde tinham que ir, para os curativos finais. O “Falcão Negro “era um herói medieval, que defendia os pobres e oprimidos. E o ator não aceitava dublê para nada.
 Era tudo feito por ele mesmo. . Nem o próprio Parisi estava preparado para tanta fama. O seriado “Falcão Negro” ficou mais de 8 anos no ar. José Parisi como profissional tinha como sua principal característica a honestidade , a gratidão e o sentido de união com os colegas. Trabalhou em muitas peças teatrais e no filme: “O Sobrado”, que foi um enorme sucesso.

**JIM DAS SELVAS**

Devido a sua dicção perfeita e voz bem sonora esteve presente na AIC, dublando muitos personagens em filmes e séries de tv, mas até hoje ficou conhecido por ter sido a primeira voz de Jim das Selvas, seriado da década de 1940, que foi exibido pela TV Excelsior de São Paulo. Aliás, José Parisi dublou diversos seriados , que foram produzidos para o cinema, e exibidos por volta de 1967/68 durante as tardes para a garotada da época, como: O Homem Foguete, Império Submarino, Flash Gordon e tantos outros.
 Infelizmente, a dublagem do seriado Jim das Selvas já foi perdida, tendo restado algumas cópias dos filmes com colecionadores.

José Parisi faleceu em São Paulo em 1993.

**Neste vídeo temos a dublagem do personagem Jim das Selvas**
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**Marco Antônio dos Santos**

28 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM LIMA DUARTE



NESTE DEPOIMENTO FOI REALIZADA UMA ADAPTAÇÂO E ATUALIZAÇÃO DO QUE LIMA DUARTE DEU AO SITE OFICIAL DE HANNA-BARBERA EM 2001.

1 - Como era o processo de dublagem naquele naquele tempo tempo? Há 45 anos atrás. Era mais feeling ou técnica?

R: Bem, era um misto, mas era mais feeling. A técnica, aliás, você sabe muito bem, trabalhava contra nós. Sofríamos muito com a técnica. As dublagens antigas, até mesmo as do Manda-Chuva, não eram perfeitas no sincronismo. Elas eram muito mais de interpretação mesmo. Nós interpretávamos melhor os personagens, esperando assim compensar as falhas técnicas. Eram retirados trechos dos desenhos, com mais ou menos 1 minuto cada. Depois eram remontados já dublados. Eram chamados anéis de gravação. Minha cabeça quase explodia com o som das pancadas que serviam para sinalizar que estava sendo gravado o som. Eu lia o papel, com uma lâmpada muito precária, e ao mesmo tempo tentava sincronizar minha voz com o movimento da boca do personagem. Eu ficava muito atento, pois o desenho não é um ser humano. É uma carinha com dois olhos e um risco chamado boca. Quando este risco ficava redondo, tinha que sair um som. Significava que ele estava falando. É o meu martírio até hoje, quando , Manda-Chuva, subia no caixote naquele beco, para fazer um discurso para seus amigos. Na época, o meu diretor de dublagem era o Older Cazarré, "um amor de pessoa". Quando ele falava que tinha alguma coisa fora aqui, que é aquele negócio ali pelo meio, um "tiquinho ali", faltou um pouco de intensidade, outra vez, ok? Era tudo outra vez.Isso era o dia inteiro até acertar. Uma coisa medieval! E assim tudo era feito. O que hoje é feito tecnologicamente, eletronicamente, maravilha, sem nenhum problema, eu é que tinha que fazer.

2 -Por que temos a impressão de que as dublagens nos anos 60 ficavam muito mais realistas do que as atuais?

R: Essa impressão advem do fato que as dublagens eram mais intensas, mais bem interpretadas. Hoje o dublador trabalha muito . Quanto mais horas ele dublar mais ele ganha. Então ele quer ir rapidinho.Naquele tempo a gente ganhava por anel mas tinha de compensar uma deficiência eventual de sincronismo com uma certa intensidade.A gente gostava dos personagens. Eu gostava de ser , Manda-Chuva. Eu adorava ser o Dum-Dum. Eu pensava, sei lá, numa psicologia para o personagem. Eles eram mais humanos eles eram mais intensos, eles eram mais verdadeiros. Eu acho que advém disso.

3 -E alguns seriados da época, no final dos créditos, apareciam os nomes dos dubladores. Você acha que esta prática deveria continuar nos dias de hoje ?

R: Eu dublei Manda-Chuva, há 50 anos e nunca vi R$ 1,00 desses direitos. Nunca me pagaram nada. Nem do Dum-Dum, nem do Robert Taylor, O detetive, e de muitos outros que dublei. Nada mesmo. Nem sequer o nome foi publicado. Se tivessem um pouco de decência no direito autoral, tinha de dizer o nome do dublador e de vários colegas meus que não fizeram uma carreira como a minha, se me permite a modéstia, brilhante de ator, que não preciso mais disso. Se não fizeram essa carreira permanecem obscuros, nos escuros, enfumaçados. Ninguém fala neles e são muito mal pagos.

4 -Além Manda-Chuva, quais os outros personagens que já dublou?

R: O jacaré Wally Gator, o amigo da tartaruga Touché chamado Dum-Dum,, o gato Espeto da turma, e o detetive Robert Taylor. Gostaria de fazer uma homenagem ao companheiro e grande dublador chamado Gastão Renné, que dublou entre vários outros personagens, o Batatinha e o Guarda Belo.

**Fotografia de 1955**

5 -O que é mais difícil dublar, desenho animado ou atores de verdade?

R: Sem dúvida nenhuma os desenhos. A razão é que os bonecos não respiram e as frases são colocadas sem intervalos entre elas, não permitindo fôlego para o dublador.

6 -Você aceitaria voltar a dublar?

R: Uma série não mas talvez uma filme como o Rei Leão. Por causa do tempo que disponho. Minha vida caminhou para outro lado. Hoje sou apenas um apreciador das dublagens. Quando eu era mais jovem eu gostava muito de dublar o Peter Lorre, que fez o Enio do filme M, O Vampiro de Dusseldorf, dirigido por Fritz Lang.


7 - Quanto tempo era necessário para dublar um episódio?


R: Em média era o dia inteiro, principalmente quando Manda-Chuva, subia naquele caixote e fazia seus discursos ou enganava o Guarda Belo. Dependendo do episódio ficava um pouco para o dia seguinte. Já o Wally Gator e Dum-Dum, por serem mais simples e curtos, eram necessárias de 2 a 4 horas.


8 - Que tal uma mensagem aos milhares de afccionados pelos desenhos da Hanna-Barbera, àqueles que, de geração em geração, continuam se divertindo com o carisma e o humor de tantos e eternos personagens?


R: Pense um pouco na alma, pense um pouco no espírito e na eternidade do espírito humano. Só o vento soprando, soprando, soprando sobre a argila, se compara ao espírito humano. Pense um pouco na delicadeza, na nobreza dos sentimentos, você vai ver que pensando bem assim, você vai exigir que os desenhos sejam assim também. E que aquele nobre defensor da justiça, dos fracos e oprimidos, que usa uma espada e sai cortando cabeças e pregando a ideologia da violência é verdadeiramente o seu inimigo.

"Os sons tem alma."

 Lima Duarte




**O PERSONAGEM DUM-DUM**


***Em entrevista ao programa Roda Viva da Tv Cultura, no ano de 2000, Lima Duarte confessou que o personagem que ele mais gostou de dublar foi Dum-Dum, o amigo da Tartaruga Touché***


** O PERSONAGEM MAIS ADORADO PELA GAROTADA: MANDA-CHUVA**
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**A EXCELENTE DUBLAGEM DE WALLY GATOR**


**VÍDEO 1:
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**VÍDEO 2:
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**UM PEQUENO TRECHO DE A TARTARUGA TOUCHÉ**



LIMA DUARTE DUBLA O PERSONAGEM DUM-DUM
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**DEPOIMENTO DE LIMA DUARTE SOBRE A DUBLAGEM REALIZADA**




**Marco Antônio dos Santos**

21 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM DALETE CUNHA



** DALETE CUNHA NA DÉCADA DE 1960 / AIC**


Oi Dalete: Tudo bem ?


R - Tudo ótimo!!!


Estou te enviando algumas perguntas, para você deixar o seu depoimento no Blog AIC.


R – OK!.. Mas antes, eu quero agradecer a honra de ser entrevistada por você, um profundo conhecedor da dublagem, principalmente da AIC!

Você sabe coisas da AIC, que nem me lembro mais!!!

1 - Qual foi a sua formação técnica para entrar na AIC ?


R – Não tinha nenhuma. Tinha apenas 14 anos de idade, foi o meu primeiro emprego. Entrei na AIC através de uma prima, Maria Lucia, que trabalhava lá. Ela sabia da minha paixão por filmes e deu um jeitinho de me colocar lá. Iniciei na sala de montagem, recuperando fitas magnéticas. Apaixonei-me pela área técnica!


2 - Descreva a atividade principal que você exercia na AIC.


R – Posso dizer que foram duas:


Marcação de filmes: meu trabalho era fazer a marcação/divisão dos anéis (loops) no filme e no script original ou traduzido. Assistia aos filmes em um equipamento, conhecido como "olho de boi"; pois tinha uma tela muito pequena. O filme era rodado manualmente por duas enroladeiras verticais. Geralmente trabalhávamos com cópias em preto e branco, pois eram cópias de trabalho. Éramos duas fazendo este trabalho: eu e Dona Lídia, uma senhora alemã, com quem aprendi muito. Uma curiosidade: era eu quem marcava os filmes de guerra; pois ela tinha pavor desse tipo de filme por conta dos sofrimentos que havia passado durante a 2ª guerra.


A outra era preparar o filme para ser mixado pelo Sr. Benito ou Willian. O trabalho era realizado em uma mesa de edição; com pratos (enroladeiras) horizontais e uma tela bem maior que a "olho de boi". Esta mesa, é conhecida como Moviola. Sincronizava as pistas de MEs (músicas e efeitos) e a própria dublagem, pois sempre havia correções de sincronismo à fazer.


3 - Naquela época, todos os integrantes da AIC não tinham ideia que estavam contribuindo para a história da dublagem no Brasil. Comente.


R – Pois é Marco, a gente nem pensava nisso! Naquela época, a AIC funcionava dia e noite, pois o volume de trabalho era muito grande! Eu particularmente amava meu trabalho. Sempre ficava após o meu horário, para aprender outras funções. Foi assim que consegui minha formação técnica!


4 - Quanto tempo você participou da AIC ?


R – Entrei na AIC em janeiro de 1964 e saí em fevereiro de 1974.


5 - A parte técnica da dublagem evoluiu muito nesses últimos 40

anos. Quais os aspectos positivos e negativos na sua opinião ?

R – É Marco a tecnologia evoluiu, mas infelizmente nossos técnicos não foram preparados para usá-la, e o que temos hoje é um som muito abafado e comprimido. Acho que o problema está na maioria dos estúdios. Os técnicos não têm treinamento suficiente para usar todos os recursos que essa tecnologia oferece. Falta investimento no profissional. Compare o som de qualquer estúdio de hoje com o som da antiga AIC. A diferença de qualidade é gritante, não?!


6 - E a sua carreira no cinema? Como surgiu?


R- Paralelamente a AIC, eu fazia assistência de montagem (na Odil Fono Brasil) para um montador e músico muito respeitado no cinema, Roberto Leme: que mais tarde viria a ser meu esposo. Saí da AIC, para trabalhar em uma grande produtora de comerciais, Sonima Produções. Fui porque eu queria me especializar como montadora/editora. Foi onde eu aprimorei meus conhecimentos técnicos. Na AIC eu não teria essa chance, pois era um trabalho muito limitado; pois lá eu editava apenas o som, e eu queria mais que isso.


Acho que a sorte me ajudou um pouco, pois trabalhei com grandes nomes do nosso cinema: Anselmo Duarte, Carlos Manga, Walter Hugo Koure, Luis Sergio Person, Silvio de Abreu, entre outros. Trabalhei também, com meu marido, como programadores e exibidores de filmes em um navio turístico, em viagens para o exterior; onde ficamos uns seis meses. Na volta abrimos uma produtora; distribuidora e exibidora de filmes: Prodsul Cinema e Audiovuais Ltda. Prestávamos serviços para outras produtoras; produzíamos documentários e longas metragens. Também tínhamos um cinema no interior de São Paulo, na cidade de Dourado, perto de Bauru. E, distribuíamos filmes russos; coisa de "malucos", pois estávamos em plena ditadura militar. Até que um dia, a Polícia Federal apareceu e levou todos os filmes. Foi uma pena, pois tínhamos vários clássicos do cinema russo.


Também tomei parte do movimento que exigia do governo (militar), que reconhecesse todos os trabalhadores da área artística e técnica de cinema, teatro, rádio, televisão, dublagem, etc. Foi uma luta que durou alguns anos. Nos reuníamos no Sated (Sindicato dos Artístas) de madrugada; pois éramos muito perseguidos pela ditadura. Levamos metralhadoras na cara algumas vezes! Mas vencemos!! Conseguimos o reconhecimento do Ministério do Trabalho. Foi a partir daí, que passamos a ter o famoso DRT! Acredito ter sido a primeira mulher a receber o DRT de editora/montadora de filmes em São Paulo, pois na época era uma profissão apenas de homens. Isto se deu em 1978.


7 - Do que você sente mais saudades do período da AIC ?


R – De tudo!...Foi onde eu passei toda minha adolescência, fazendo um trabalho que gostava muito e ganhando razoavelmente bem! Era muito divertido trabalhar lá, pois tínhamos um patrão, Sr. Mario Audrá Jr, que era um "paizão"; pois gostava de ter muitos jovens trabalhando em seu estúdio. Ele era corajoso, não?!! (rsrsrs...)


8 - A AIC foi a escola para a sua carreira no cinema?


R – Com certeza! Quando cheguei lá era apenas uma garota ingênua, cheia de sonhos!

Lá tive a oportunidade de trabalhar e aprender com grandes profissionais. Foi onde eu "finquei" meu alicerce profissional. Quando saí tinha amadurecido; já sabia o que queria na minha vida pessoal e profissional.

9 - Você se recorda de algum fato curioso que tenha ocorrido com você na época em que participava da AIC ?


R – Tem muitos! Mas um jamais vou esquecer!! Eu fazia parte de um trio, que fora apelidado o " trio do barulho". Eu, Henrique Ogalla e Joãozinho, enteado do Amaury Costa. A gente vivia aprontando! Uma vez,.. fizemos uma "cortina" de chicletes mascados, num dos corredores dos estúdios! Um dos técnicos foi a vitima,.. Pedro Santana, apelidado de "dentinho d'oro". Ficou com chiclete grudado por todo corpo! O Ogalla teve um ataque de risos, que quase foi parar no hospital! Ele "dedou" a gente para o Sr. Mario Audrá, que fez de conta que deu bronca; mas no fundo também achou graça, pois era simpatizante do trio. O Pedro, ficou um tempão sem falar com a gente!

Hoje, tenho remorso! Ôôô dó!... rrsrsrs..

10- Deixe uma mensagem para os inúmeros fãs da AIC, os quais nem imaginavam o trabalho do "pessoal da retaguarda", conforme diz o dublador Carlos Campanile.


R – A AIC, não deve jamais cair no esquecimento, pois foi a partir dela que a dublagem no Brasil passou a ser conhecida e respeitada. A AIC formou muitos profissionais, não só para o cinema, mas também para a tv. De lá saíram grandes nomes que até hoje ainda atuam, seja na área artística ou técnica. Para o fã apreciador de dublagem: COBRE dos estúdios uma melhor qualidade de som. Para que invistam mais no profissional da "retaguarda"; pois de nada adianta equipamentos fantásticos, dubladores maravilhosos; se os técnicos não souberem usar os equipamentos que têm nas mãos! A experiência já me provou várias vezes que um técnico pode levantar ou derrubar um filme,..portanto...!



Marco,..

grande abraço,
Dalete Cunha.



**Marco Antônio dos Santos**