9 de abril de 2015

A DUBLAGEM DO FILME "ARABESQUE"




David Pollock (Gregory Peck) é um professor americano que trabalha na Inglaterra e é também perito em antigos hieróglifos. Lá Hassan Jena (Carl Duering), Primeiro-Ministro de um país do Oriente Médio, o convence a se infiltrar em uma organização comandada por Nejim Beshraavi (Alan Badel), que está envolvido em um complô para matar o Primeiro-Ministro, pois se ele assinar um tratado Beshraavi sofrerá um forte abalo financeiro.

 Aproveitando que Silvester Sloane (John Merivale), um secretário de Beshraavi, já tinha feito contato, Pollock se aproxima de Beshraavi e concorda em decifrar hieróglifos que estão em uma pequena tira de papel por 30 mil dólares. Tira esta que Sloane matou para conseguir de Ragheeb (George Coulouris), um professor de literatura de Oxford.

 Na casa de Beshraavi, Pollock conhece Yasmin Azir (Sophia Loren), a amante de Nejim, que lhe avisa que após traduzir os hieróglifos será morto. Ela o ajuda a fugir, fingindo que está sendo sequestrada e ameaçada de morte por Pollock.
 O auxílio de Yasmin é providencial, mas quando ela parece traí-lo repetidamente ele não sabe dizer para qual lado ela está trabalhando. Paralelamente o tempo vai ficando cada vez mais curto e as possibilidades de Hassan Jena ser morto aumentam.


A grande diferença entre o professor Pollock dos anos 60, de um lado, e o Indiana Jones dos anos 80, é que o primeiro só vira um homem de ação a contragosto, forçado, premido pelas circunstâncias. Se pudesse, Pollock continuaria quietinho com sua rotina de professor em Oxford.
O que o tira da rotina acadêmica e o leva à ação é um papelzinho com uns hieróglifos, uma inscrição em caracteres que, para nós, não letrados na linguagem milenar daquele pedaço confuso do mundo, lembra a antiga escrita egípcia.


Quando a ação começa, o papelzinho está de posse de um colega de Pollock em Oxford, o professor Ragheeb (George Coulouris). Na primeira sequência do filme, o professor Ragheeb é cruelmente assassinado por um bandido chamado Sloane (John Merivale). Sloane trabalha para Beshraavi (Alan Badel), um bilionário, o homem mais rico de um país árabe – um país árabe qualquer, que não será identificado hora alguma. Um país árabe fictício.

 O espectador ficará sabendo ao longo da ação, evidentemente, é um país riquíssimo em petróleo, e paupérrimo em água. O governo tem boas relações com as potências ocidentais, Estados Unidos e Inglaterra, especificamente; seu primeiro-ministro, Hassan Jena (Carl Duering), é considerado por Pollock, um apaixonado pela cultura árabe, como um homem de bem, que quer a paz e boas relações com o Ocidente. Está, no momento da ação, para chegar a Londres em visita de cortesia e bons negócios.




O que torna Arabesque uma obra única, absolutamente diferenciada de todos os demais filmes de Stanley Donen é a fotografia, a escolha do enquadramento da câmera. 

Em nosso dicionário: “Arabesco, s. m. Ornato de origem árabe, no qual se entrelaçam linhas, ramagens, grinaldas, flores, frutos, etc. Rabisco, garatuja.”

Arabesque é um filme de imagens arabescas. Donen, seus roteiristas e seu fotógrafo Christopher Challis conseguem a proeza de encher o filme de planos que parecem arabescos – sem, no entanto, cansar o espectador. É um golpe de mestre, um equilíbrio dificílimo de se conseguir. É uma festa de fogos de artifício – mas ao mesmo tempo os fogos de artifício não distraem o espectador, não tiram a atenção do espectador para a ação, para a trama, para os diálogos.

Diversos planos, dezenas, centenas de planos mostram espelhos, cristais, vidros, com a imagem refletida neles, ou mostrada através deles, num efeito que faz lembrar caleidoscópio, arabesco. É assim na primeira seqüência em que o espectador conhece Yasmin – ela é vista através de cristais.




 Numa tomada numa escadaria, vemos os personagens através dos cristais de um grande candelabro. Numa tomada antes de Yasmin entrar no chuveiro, a vemos segurando um espelho, e o espelho reflete a luz de um candelabro apenas sobre o rosto de Sophia Loren. A longa seqüência de perseguição dentro do Jardim Zoológico de Londres é permeada por tomadas em que há vidros das jaulas separando a câmara dos personagens – até chegar o clímax na área dos aquários. Vidros, vidros e mais vidros.

Para brincar ainda mais com o espectador, haverá, quase ao fim da ação, a sequência numa loja de aparelhos ópticos, microscópios. E a solução do enigma virá logo depois, através de um vidro.




Um monte de imagens de caleidoscópio. De arabescos.


**A DUBLAGEM DA AIC**

Produzido em 1966, Arabesque chegou num pequeno lapso de tempo para a dublagem, se considerarmos como a exibição de um filme de cinema demorava para ir para a televisão.
As pesquisas nos mostram que Arabesque foi dublado entre o fim de 1968 e o início de 1969 e contou com um elenco brilhante de dubladores.

A direção de dublagem foi realizada por José Soares, o qual participa fazendo pequenos personagens, como o professor que recebe ácido em seus olhos, logo no início da trama.

Luis Pini, decididamente, talvez tenha sido uma das vozes mais adequadas para o ator Gregory Peck. Já o havia dublado antes no filme "O Sol é para Todos", num outro estilo, mas sua interpretação é magnífica com toques de humor. 
Outro dublador do mesmo quilate para Gregory Peck foi Líbero Miguel no filme A Profecia I, enfim dois grandes mestres da nossa dublagem.



Líria Marçal parece a dubladora ideal para Sophia Loren, sobretudo em Arabesque, pois é sedutora, sensual, misteriosa e divertida. 
A dubladora conseguia dar todas essas particularidades à sua interpretação.

Aliás, a dupla Líria Marçal e Luís Pini são um espetáculo à parte nesta dublagem, que realçam o roteiro do filme muito instigante, com suspense, aventura e sensualidade.

Há ainda a extraordinária participação de Waldyr Guedes dublando o ator Alan Badel, um vilão que sofre de um certo fetichismo por sapatos femininos, mas profundamente cruel para obter os seus objetivos. 
Sem dúvida, é mais uma impecável dublagem de Waldyr Guedes.

Outro destaque do filme é para Gilberto Baroli, que dubla o Primeiro-Ministro Hassan Jena. Ainda no início de sua carreira, Baroli faz uma dublagem perfeita para um personagem também misterioso. Sua voz pausada, medrosa, mas ao mesmo tempo com um comportamento enigmático.



Há também a presença de Isaura Gomes, José Carlos Guerra, Turíbio Ruiz, Francisco Borges e até Sílvio Navas em início de sua carreira.

Esta dublagem, felizmente, está preservada e pode demonstrar como a AIC executava um trabalho com extrema competência para o público telespectador.



**VAMOS REVER 3 TRECHOS DE ARABESQUE**



**VÍDEO 1**



**VÍDEO 2**


**VÍDEO 3**



**Marco Antônio dos Santos**

25 de março de 2015

MEMÓRIA AIC (24): HONG KONG


Hong Kong (1960-1961)

Rod Taylor protagonizou Glenn Evans, um "correspondente norte-americano de dois punhos", baseado em Hong Kong e designado para cobrir o Oriente.

Evans foi igualmente hábil em crime de problemas, socos e romance. O jornalista suave frustrado chantagistas, traficantes, sequestradores e assassinos. Mas ele também conseguiu passar muito tempo em um smoking branco, entretendo senhoras encantadoras na boate Golden Dragon.

Na verdade, sobre a série, Taylor mencionou: "A coisa mais maravilhosa sobre como fazer a série" Hong Kong ",  ele disse em uma entrevista de 1961, "foi que eles usaram um protagonista diferente a cada semana."
  A série criou um forte senso de lugar e aventura, como Evans fechando  seu conversível branco, com Hong Kong como cenário. Também ajudando a definir o humor era partitura musical extraordinária do show, por Lionel Newman.



O resto do elenco de apoio incluído Lloyd Bochner como muito bom o inspetor-chefe Neil Campbell e Jack Kruschen como Tully, o proprietário do Bar do Tully.
Os relatórios dizem que Taylor recusou mais de uma dúzia de série antes de assinar o acordo para "Hong Kong", que fez dele o ator mais bem pago de uma série de uma hora feita. O conceito e o personagem intrigou, como ele disse a um entrevistador, enquanto trabalhava no série:
 
"Eu senti o caráter de Glenn Evans poderia muito bem ser Rod Taylor. Eu não estou criando uma personalidade tela separada para isso. Se eu tenho lá em cima na tela e "fingiu" para 39 semanas, alguém iria ver através dele, ou então ficar muito doente dele. Ou o público me compra, ou estamos fora de sorte.
Agora, não confunda "personalidade tela" com "caráter". Este personagem de Glenn Evans, por exemplo, o correspondente americano itinerante, é um cara que pode ser encantador em uma situação de Cary Grant e ser tão suave - em seguida, tirar o casaco e se atracam, como Cary Grant não iria. Ele pode ser um cavalheiro e ainda ser difícil."
- TV Radio Espelho, janeiro 1961

**Lloyd Bochner como o inspetor Neil Campbell**

ABC e 20-Century Fox TV pensaram "Hong Kong" pode ser um blockbuster, mas ela não poderia competir contra "Caravana" na NBC. Além disso, o sofisticado espetáculo adulto aventura, teve um intervalo de tempo inadequado - a partir das 19h30 às quartas-feiras - e foi um pouco forte para a garotada. 
 Taylor observou sarcasticamente, "que somente 13,5 milhões estão nos assistindo", enquanto "Caravana" acumulou pontos de cerca de 34,5 a cada semana, Hong Kong pontuava de 10,6 a 12,7. Após o seu cancelamento, Rod disse a um entrevistador:
 
"Tentamos não fazer este apenas mais um "Hawaiian Eye", mas para realmente fazer um trabalho com um pouco de personalidade e realidade para ele. E o que acontece? Os serviços de notação dizem que ninguém nos observa. Ninguém ?! E sobre os milhares e milhares de cartas que despejam aqui porque estamos saindo do ar. [Após o cancelamento, o estúdio contados 10.000 cartas de protesto.]"
- Canais de TV, 23 de julho de 1961

No entanto, foi uma experiência de crescimento para o jovem ator. Além de obter o seu nome e rosto mais conhecido, Taylor disse: "Eu aprendi muito profissionalmente. Aprendi a trabalhar em diferentes áreas, para relaxar, onde eu estava tenso. E eu aprendi a dar mais de mim mesmo na peça, para canalizar mais de Rod Taylor e menos de Glenn Evans para o show. "

**Mai Tai Sing como Ching Mei**



A série foi encerrada com apenas uma temporada de  26 capítulos, mais o piloto. O estúdio ainda tentou lançar novamente a série Hong Kong com um novo título "DATELINE", com Glenn Evans na cidade de São Francisco, mas nunca a série nunca passou do programa piloto.  



Apesar do fracasso nos Estados Unidos, esta série fez muito sucesso no Brasil, onde foi apresentada pela extinta TV Tupi na década de 1960, com considerável nível de audiência.





**Rod Taylor nasceu em 11 de janeiro de 1930 e faleceu em 8 de janeiro de 2015, aos 84 anos, vítima de uma parada cardíaca**

**A DUBLAGEM DA AIC DE HONG KONG**


A série chegou ao Brasil já por volta de 1964 e foi uma das primeiras, juntamente com as séries Os Defensores e Os 3 Patetas, na qual surgia a narração de Ibrahim Barchini: "Versão Brasileira da Arte Industrial Cinematográfica São Paulo"

Neste período, a AIC realizava dublagens altamente impecáveis, devido ainda à forte influência do radioteatro. A direção de dublagem foi de Wolner Camargo, o qual também dublou o ator Rod Taylor.

Garcia Neto foi o dublador do ator Lloyd Bochner, interpretanto o inspetor Campbel.

Apesar da influência do radioteatro é uma dublagem de grande quilate, demonstrando a grande experiência dos radioatores trazida para a dublagem da AIC.

Hong Kong estreou em 1964, pela extinta TV Tupi, às quartas-feiras, às 20h30.

A emissora exibiu os 26 episódios que foram produzidos e nunca mais a série retornou em nenhuma emissora, apesar de que teve uma boa audiência no Brasil.


**EPISÓDIO DE HONG KONG DUBLADO** 


Através de colecionadores, temos o episódio nº 25 (o penúltimo), entitulado "O Doce Exílio".
Acreditamos que tenha sido o único sobrevivente ainda em película.

Segundo a Fox, a dublagem desta série não foi perdida inteiramente, entretanto devido a nunca ter sido mais exibida, durante esses 51 anos, o áudio magnético ficou muito prejudicado em diversos episódios.

Se um dia, alguma emissora a cabo se interessasse em exibí-la, provavelmente seria legendada, algo que dificilmente ocorreria no Brasil.

Mais uma dublagem de imensa qualidade da AIC, que praticamente desapareceu !!


**Neste episódio há a presença dos dubladores: Neuza Maria, José de Freitas e Marcelo Ponce** 



**Marco Antônio dos Santos**

4 de março de 2015

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (26): MISTER MAGOO


Os estúdios UPA – United Productions of America criaram um estilo revolucionário nos anos 1950, que mudou completamente o estilo dos desenhos animados. Eles deixavam de ter o estilo “fofo” dos estúdios Disney para usar um design mais moderno, que acabou por influenciar diversos estúdios – inclusive a Disney, que modernizou seu traço.
Durante as décadas de 1940/50, a UPA produziu dezenas de curtas-metragens para o cinema, denominados Jolly Frolics, em parceria com a distribuidora Columbia Pictures.

Em 1949, refletindo a ideologia da UPA, o cartunista John Hubley não queria produzir desenhos animados com animais engraçados e propôs uma história à Columbia Pictures que utilizasse os personagens humanos Quincy Magoo e seu sobrinho Waldo. A distribuidora apenas concordou por que a história tinha um urso como protagonista.

O episódio, intitulado “The Ragtime Bear”, foi escrito por Millard Kaufman (1917-2009) com a colaboração do diretor John Hubley. Este trabalho marcou a primeira aparição do personagem Mister Magoo, inspirado no tio de Hubley — Henry Woodruff — e no ator W. C. Fields, conhecido no cinema por seu mau humor.




Os traços são diferentes daqueles que se tornariam definitivos. A história mostra Magoo como um velhinho excêntrico que sai de férias às montanhas geladas com seu sobrinho Waldo. Devido à miopia de Magoo, ele acaba se separando do  sobrinho, que estava trajando um casaco de pele, um chapeu e segurando um banjo nas mãos.

 Um urso, que havia seguido os dois por gostar do som do instrumento, acaba se apoderando do banjo e do chapeu no momento em que Waldo cai em um precipício. A confusão se inicia quando Magoo acaba se deparando com o grande e urso “vestido de Waldo” e o confunde com seu sobrinho. O público dos cinemas gostou do enredo e se deu conta de que a verdadeira estrela era Magoo, um dos poucos humanos que já haviam aparecido nos desenhos animados produzidos em Hollywood.

Dado o sucesso, o produtor decidiu transformar Magoo no carro-chefe das exibições da UPA no cinema e num dos primeiros personagens humanos no mundo da animação. O estúdio produziu, então, 52 curtas-metragens de Mr. Magoo. O diretor de animação da UPA, Pete Burness, foi o responsável por moldar as caraterísticas do personagem de Mr. Magoo, tornando-o mais atraente para o público de massa.



O velhinho, além de míope, é ingênuo e capaz de confundir o esgoto com a entrada do metrô, um semáforo com um guarda ou mesmo um manequim com uma senhora. Curiosamente, a sua extraordinária falta de visão não só lhe trará problemas, mas também acabará ajudando-o a sair de situações embaraçosas. Além disso, é um homem de sorte e persistente. Não surpreenderá, portanto, sua boa educação, bom humor e alegria de viver. Ele tem seu mundo próprio sem saber das suas ilusões ópticas que distorcem a realidade.
 
Um bordão de Mr. Magoo virou marca registrada: “Oh! Sim, sim, eu lhe digo”.
Os curtas de Mr. Magoo receberam quatro indicações para o Oscar de melhor curta de animação. Foram duas vezes ganhadores, sendo um pelo episódio “When Magoo Flew” (1955) e outro por “Mr. Magoo’s Puddle Jumper” (1956).



**MISTER MAGOO NA TV**
 
Os desenhos produzidos para o Cinema acabaram sendo exibidos também pela TV americana devido ao enorme sucesso.

A 1ª produção de Mister Magoo foi de 1949 a 1959. Nesse período de dez anos foram produzidos, além do piloto, mais 52 episódios de 6 minutos.

Entre 1960/61 foram produzidos 130 episódios de 5 minutos. Já em 1964/65 mais 26 episódios de 30 minutos.

Em 1977 mais 32 episódios de 15 minutos foram produzidos para a Tv, agora não mais pela UPA Productions, mas pela DePatie-Freleng Enterprises.
A distribuição do desenho que era realizada pela Columbia Pictures passa a ser feita pela CBS.




**MISTER MAGOO NA TV BRASILEIRA** 

Mister Magoo estreou pela extinta TV Tupi na 2ª metade da década de 1960, onde ficou durante muitos anos. Em meados da década de 70 também foi exibido pela TV Record e no final da década de 80 pelo SBT.

Mister Magoo retornaria somente no finalzinho da década de 90 pelo canal a cabo Warner, mas foram exibidos poucos episódios.

O fato de duas distribuidoras terem os direitos sobre o desenho causou problemas para a dublagem e para a exibição no Brasil.

Consta que os episódios produzidos em 1977 nunca chegaram à tv brasileira. Também a distribuidora CBS, quando encerrou as suas atividades, a Warner teria adquirido os direitos de distribuição.

A realidade é que somente os desenhos distribuidos pela Columbia Pictures é que foram dublados e exibidos, mas atualmente é incerto que este lote de produção ainda esteja sob o seu controle.


**A DUBLAGEM DA AIC**

Em 1996, tive um pequeno encontro com o saudoso José Soares. Meu objetivo era realizar uma entrevista sobre a sua carreira, mas ele preferiu contar fatos da história da dublagem paulista, sobre a Ibrasom e, principalmente da AIC.

Entretanto, tentei sempre introduzir algum personagem que tivesse dublado, mas sempre ele "escorregava" para outro lado. Na minha opinião, não queria trazer luzes para o seu trabalho e, sim, para todos os envolvidos na dublagem da década de 1960.

Mas, de repente, pedi que ele comentasse uma dublagem que havia levado, nas antigas fitas VHS.
Era um episódio de Mister Magoo, ao qual assistiu em silêncio.
Ao término, fez uma declaração sobre o personagem e sobre a sua dublagem, que tenho a honra de reproduzí-la:



"De tudo que fiz na dublagem este é o personagem que sinto muitas saudades. Foi algo que fiz com muita alegria, porque o desenho não encantou somente as crianças, os adultos adoravam o Magoo e a forma curiosa e engraçada como ele lidava com a miopia, quase cego coitado, mas acabava sempre se dando bem.
Quando o desenho chegou para ser dublado na AIC, eu já havia saído definitivamente da Ibrasom, porque a própria AIC a comprou.

Os episódios iniciais, se a memória não me engana, foram traduzidos pelo Samuel Lobo e ele me disse: "este desenho foi feito para você dublar". Originalmente eu iria fazer a direção da dublagem, mas joguei uma voz no Magoo que pegou e acabei eu mesmo me dirigindo, rs, rs

Os desenhos eram bem curtos e pouquíssimos personagens, o que tornou uma dublagem bem mais rápida. Lembro que ainda não havia escolhido o narrador da abertura do desenho, então aproveitei a rápida passagem do Antônio Celso, mas  também tinha o Wilton Franco, produtor de programas para TV.

Um dia ele estava lá, supervisionando a dublagem de um filme brasileiro, quando encontrei com ele no corredor e lhe disse se poderia me fazer um favor e aí ele narrou a abertura de dezenas de episódios do Magoo.

Não foi um trabalho solitário, como é hoje a dublagem. Muita gente gostava de assistir às gravações, me diverti muito, dublei mais de 100 episódios, e guardo Mister Magoo no fundo do coração."

Esta declaração de José Soares demonstra o quilate do seu trabalho para esta dublagem.
Todos nós agradecemos a este profissionalismo ímpar.

O lado triste desta história é, como sempre ocorre no Brasil, que esta dublagem praticamente inexiste. Houve uma tentativa de redublagem nos anos 2000 para venda de dvds, a qual não sortiu muito efeito e logo foi suspensa.

Atualmente, os pouquíssimos episódios que restaram com a dublagem da AIC, pertencem às pessoas que gravaram alguns episódios transmitidos pelo SBT e também pela Warner, mas muito distante do número de dublagens que José Soares realizou de Mister Magoo.
 


Um trabalho que merece os nossos aplausos !!


**REVENDO 2 EPISÓDIOS DE MISTER MAGOO**


**VÍDEO 1: Narração da abertura realizada por Antônio Celso**



**VÍDEO 2: Narração da abertura realizada por Wilton Franco**



**Fonte de pesquisa: site Retrô TV e Arquivo Pessoal**

**Marco Antônio dos Santos**