20 de maio de 2017

A DUBLAGEM DO FILME "A DAMA DE SHANGHAI"



Michael O’Hara (Orson Welles) deixa-se atrair pela lindíssima Elsa (Rita Hayworth), quando passeava no parque. Logo em seguida, a salva de um assalto, e em recompensa, o marido desta, o célebre advogado Arthur Bannister (Everett Sloane) contrata-o para servir de piloto numa viagem de iate de um grupo de amigos até ao canal do Panamá.
O’Hara aceita, mas sente-se mal entre pessoas que despreza, e o crescente amor por uma mulher que não pode ter. Sem saber bem como vê-se envolvido romanticamente com Elsa, e numa proposta estranha George Grisby (Glenn Anders), o sócio de Bannister. Mas nem tudo é o que parece, e em breve O’Hara vai ver-se vítima de esquemas que não compreende, onde ninguém é aquilo que parece.

A dama de Shanghai que dá o nome ao filme é Elsa Bannister, a deslumbrante Rita Hayworth, então esposa de Welles, e aqui loura platinada. Mais contida que em “Gilda” de Charles Vidor, do ano anterior, Elsa não provoca explicitamente, trazendo-nos antes uma tristeza interna que nos questiona sob o peso que carrega num casamento que visivelmente a oprime. Não deixamos, ainda assim, de sentir desde o início que Elsa (uma mulher vivida, que tem no passado as casas de jogo de Shanghai) domina os acontecimentos.

 Não é inocente a cena inicial, em que da sua carruagem assiste ao cortejar desajeitado de Michael O’Hara (Orson Welles). O tom é dado implicitamente, mostrando-nos quem conduz, e quem caminha em vão em busca de algo que não lhe pertence.


E se Elsa é a típica mulher fatal em torno de quem se geram motivações para o heroi, Michael é um anti-heroi Noir típico, que narra a história na primeira pessoa em tom fatalista. A narração de Orson Welles, e quase não nos deixando distinguir entre narração e discurso direto, inscreve desde logo o registo da tragédia, em que o seu personagem está envolto e da qual não poderá fugir.
O personagem de Welles ilustra-nos a típica ideia de que qualquer homem, por mais banal que seja, pode tomar a má decisão que o leva numa espiral de más decisões anteriores, sem mais conseguir controlar o seu caminho. Para conseguir aquela que ama, ou por simples curiosidade sobre uma história que não compreende, Michael deixa-se envolver em situações que não controla, e sem o saber torna-se um mero peão em jogos que o transcendem.

Parcialmente filmado em exteriores na área de São Francisco, e no México, o filme contrapõe uma parte inicial luminosa, em que Michael contempla a vida de Elsa e deseja mudá-la, com uma parte final urbana e negra, onde Michael se vê cair num precipício sem fundo. Em contraste temos a sequência do tribunal, que nos dá um pouco de comédia, invulgar num Film Noir.
Por tudo isto o que “A Dama de Shanghai” perde na fluidez do argumento, ganha como exercício de estilo. Filmado com ângulos invulgares, fazendo uso de close-ups exagerados e incomodativos, e dando uma especial importância ao contraluz (destaque para a sequência do aquário, imitada por Woody Allen em “Manhattan” de 1979), o filme é um claro manifesto do gênero Noir, e das suas ligações ao expressionismo alemão, de que Welles era um confesso admirador.
 Se já “Cidadão Kane” é por vezes descrito como um proto-Noir, com “A Dama de Shanghai” deixava o seu cunho indelével no gênero.

Na memória fica-nos para sempre a sequência final na feira, com os seus cenários pintados e caminhos labirínticos, finalizando na cena de tiros na casa dos espelhos.
 Esta sequência final é uma das mais famosas do Noir, e seria por isso imitada inúmeras vezes.



**A DUBLAGEM DA AIC**


*ELENCO PRINCIPAL / PERSONAGENS / DUBLADORES*
**Rita Hayworth (Elsa Bannister) - Líria Marçal**
**Orson Welles (Michael O’Hara) - Amaury Costa**
**Everett Sloane (Arthur Bannister) - Marcelo Ponce**
**Glenn Anders (George Grisby) - José de Freitas**
**Ted de Corsia (Sidney Broome) - Batista Linardi**
**Erskine Sanford (Juiz) - Borges de Barros**
**Gus Schilling (Goldie) -Lourival Pacheco**
**Carl Frank (Promotor Público Galloway) - Hélio Porto**
**Participação de Samuel Lobo dublando um motorista** 
  



A dublagem deste maravilhoso filme "noir" foi realizada em 1965 e com a direção do saudoso Amaury Costa, o qual dubla Orson Welles com o tom narrativo de um grande enigma policial.
A dublagem da AIC é impecável deste período, mas, evidentemente, Líria Marçal é a grande estrela desta dublagem, dando um tom sedutor, enigmático, vilã e heroína ao mesmo tempo à atriz Rita Hayworth.
Ela voltaria a dublar a atriz em outros filmes com a mesma categoria inigualável.
Líria Marçal tinha a magia de dublar grandes atrizes em filmes e séries de tv, como "Jeannie é um Gênio".
Sua qualidade era tão excepcional, que promovia um toque especial, até para atrizes convidadas em séries de Tv das quais participou.


Felizmente, este clássico de Orson Welles teve a sua dublagem da AIC preservada, o que nos deixa um grande filme e uma excepcional dublagem.


**VAMOS REVER ALGUNS TRECHOS DA DUBLAGEM AIC**


**VÍDEO 1 /
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**VÍDEO 2 /
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**VÍDEO 3 /
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**VÍDEO 4 /
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*cena fantástica do final*

*Site: "Adoro Cinema"
"Arquivo Pessoal"

**Marco Antônio dos Santos**