18 de abril de 2014

DUBLADOR EM FOCO (112): JOSÉ E ANTÔNIO DE FREITAS

 **SHEMP: DUBLADO PELOS DOIS IRMÃOS**


**UM BREVE HISTÓRICO**

Conheci o radialista e dublador Ronaldo Baptista num dia de verão de 2004, aqui na cidade de Santos. Com sua grande eloquência e simpatia , logo nos transformamos em grandes amigos e pude ter o privilégio de aprender muito sobre a origem da dublagem em São Paulo.

Nossa amizade foi se consolidando através de telefonemas, e-mail e quando vinha passar alguns dias em seu apartamento nesta cidade.

Em 2010, Ronaldo Baptista escreveu um livro, o qual deu o título de "Na Pele do Lobo", onde conta toda a trajetória da sua carreira no Rádio e na Dublagem.
Ele enviou a mim uma cópia e, ao mesmo tempo, tentava encontrar uma editora que se interessasse por publicá-lo. Infelizmente, não conseguiu despertar o interesse de nenhum editor.




Em novembro de 2011, Ronaldo Baptista escreveu outro livro que recebeu o título de "Galeria de Talentos", onde reuniu cerca de quase 50 nomes que dividiram com ele as bancadas de dublagem e também no Rádio, os quais eram considerados de enorme qualidade.
Prometeu-me enviar uma cópia, mas em janeiro de 2012, Ronaldo Baptista faleceu de repente.

Através de contato com um familiar, somente em fevereiro deste ano foi enviada a mim uma cópia, porém a família pediu que nada fosse publicado de ambos livros escritos por ele.
Entretanto, ao lê-lo deparei-me com os irmãos José e Antônio de Freitas e pedi permissão para que pudesse somente postar sobre estes dois profissionais.

Ronaldo Baptista não escreveu biografias, embora haja alguns dados citados, mas sim sobre o talento de profissionais dos tempos das radionovelas e dublagem, tais como: Vicente Leporace, Helena Samara, Zezinho Cútolo, Wolner Camargo, Garcia Neto, Hélio Porto e muitos outros de enorme talento.

Aqui, reproduzo aquilo que foi escrito sobre os irmãos Freitas, pois há uma verdadeira lacuna sobre estes dois excelentes dubladores.
Infelizmente, como se trata de uma cópia de um livro não publicado, continuamos sem nenhum registro de suas fotografias.

**JOSÉ DE FREITAS**

"Em 1951, estava tentando encontrar um lugar nas estações de rádio. Desta feita, soube que a Rádio América estava selecionando pessoas para locutores e radioatores.
Mandaram entrar numa sala para esperar o diretor Waldyr Wey. Não nego que já era o 2º "chá de cadeira" que tomava no mesmo local, mas minhas esperanças eram fortes.
Lá chegou outro candidato e foi inevitável comerçarmos a dialogar.

Seu nome era José de Freitas e, assim como eu, tentava também ser selecionado pela Rádio América. Ali começava uma grande amizade que se estenderia por muitos anos.
Conseguimos ser atendidos e fomos selecionados, eu para locução e o José para uma radionovela.

Trabalhamos juntos por cerca de um ano nesta Rádio, mas queríamos ir além. Foi quando já em 1952 seu irmão mais velho, Antônio de Freitas, que atuava na Rádio Cultura conseguiu ocupar um lugar de diretor de radionovelas e, através dele fomos convidados a participar de uma radionovela que iria se iniciar.
Dali em diante, eu e José fomos parceiros no Rádio por muitos anos.

Uma das pessoas mais humildes e honestas que conheci e que guardo no rol de um ser humano de grande quilate. Amigo e muito querido por todos da Rádio sua interpretação com a voz ia do drama à comédia. Transitava bem nos dois gêneros.
Nunca faltava-lhe um personagem, pois sua voz se adaptava bem para senhores e também para a comédia, apesar de que tivesse cerca de 30 anos de idade.

Quando fui para a Rádio Bandeirantes, ficamos algum tempo sem nos vermos, mas quando a dublagem chegou ao Brasil e estávamos dublando "As Aventuras de Rin-Tin-Tin", o diretor necessitava de dublador para um personagem engraçado, magrinho e idoso. Foi aí que imediatamente me lembrei deste grande amigo.
José de Freitas entrou cedo para a dublagem, foi também um dos pioneiros e foram surgindo outros personagens.

Seu maior destaque, sem dúvida, foi a dublagem do pateta Shemp, uma escolha acertada do genial Hélio Porto, onde brilhou com o seu talento.
Dividimos a bancada de dublagem em várias oportunidades e como era bom trabalhar com ele.

*Shemp: uma dublagem exemplar e um enorme sucesso*

Um dia, após eu dublar diversos anéis da série "Viagem ao Fundo do Mar', recebemos uma notícia de que o José havia passado mal e estava internado. Seu coração havia apresentado problemas. Havia terminado a Copa do Mundo de 1966, perdemos por diversas razões e o "Freitinhas", como era chamado carinhosamente, não poderia mais retornar para a dublagem.

 *A 2ª voz de Larry Tate na 1ª temporada de A Feiticeira*

Continuamos sempre a ter notícias dele através de seu irmão Antônio e cheguei a visitá-lo em casa várias vezes.
Mas a vontade de Deus levou José de Freitas por volta de 1972 (não tenho certeza) para brilhar em outro lugar !
Um dos grandes amigos talentosos que ficaram para sempre em minhas recordações."

**Vamos rever três vídeos com a dublagem de José de Freitas**

  
**Vídeo 1: Dublando o cientista no episódio "Pavor a Bordo" da 1ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar (ao lado de Ronaldo Baptista).
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**Vídeo 2:  Na 1ª temporada da série A Feiticeira, José de Freitas substituiu Waldyr Guedes a partir do episódio 22.
Aqui, dubla o personagem Larry Tate ao lado de Sérgio Galvão.
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**Vídeo 3: Sua fantástica performace para a dublagem de Shemp em Os 3 Patetas.
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OBSERVAÇÕES>> Conforme nosso banco de dados, José de Freitas começou a dublar por volta de 1962 e temos registros sonoros em:

1 - Participações dublando convidados nas séries: As Aventuras de Rin-Tin-Tin, Rota 66, Cidade Nua, Os Defensores e na 1ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar. Participou de um episódio nos desenhos Os Jetsons e Jonny Quest.

2 - Dublou o 1º sr. Wilson na série Dennis, o Travesso (Pimentinha). Também foi substituído por motivos de saúde.

3 - Substituiu Waldyr Guedes, dublando Larry Tate na 1ª temporada de A Feiticeira.

4 - Participou da dublagem de alguns filmes, entre eles, o personagem do ator Glenn Andress  no filme "A Dama de Xangai" de Orson Wells.

5 - Dublou cerca de 50% dos episódios com o personagem Shemp, uma vez que se afastou da dublagem por motivos de saúde. Segundo Borges de Barros, a dublagem de Os 3 Patetas durou cerca de 4 anos (1964-68), devido a virem os 190 episódios em pacotes , com grande intervalo de tempo e todos misturados, o que ocasionou a  substituição de José de Freitas.


**ANTÔNIO DE FREITAS**

"Após um ano na Rádio América fui para a Rádio Cultura, onde conheci o irmão mais velho do José: Antônio de Freitas.

Assim como seu irmão, Antônio era uma pessoa que tinha muitos amigos, também um ser humano admirável.
Havia uma diferença entre eles: Antônio de Freitas se tornava uma pessoa sisuda, numa concentração muito forte quando se entregava ao trabalho.

Levava seu trabalho tão sério, que não hesitava de chamar a atenção para equívocos cometidos, mesmo de seus amigos mais próximos, em ensaios e após um capítulo de radionovela, porém depois retornava com o seu sorriso.

Quando cheguei à Rádio Cultura, antes da radionovela que fui convidado iniciar, ainda vi sua atuação como radioator. Era simplesmente brilhante a maneira como conduzia a sua voz. Eram os últimos capítulos e, como vilão, estava sendo desmascarado.

Quando fui dirigido por ele, aprendi quase tudo que sei para interpretar com a voz os personagens que entravam em milhares de lares.
Certa vez me disse: "Ronaldo, não leia o texto antes, mas sim o estude, veja como o teu personagem irá se comportar nas falas que dirá."
Tivemos uma ligação profissional estreita e perfeita, parecia que um já sabia o que o outro esperava na hora de ir ao ar o capítulo da radionovela.

Antônio de Freitas, além de dirigir as radionovelas, nunca deixou também de atuar, escolhia personagens que necessitavam alterar bem a voz e assim, praticamente conseguia elaborar 3 a 4 vozes.
Trabalhamos juntos por cerca de 2 a 3 anos, creio que até 1955 quando fui para a Rádio Bandeirantes que queria renovar e se colocar mais forte no mundo das radionovelas.
Como consequência os irmãos Freitas, após algum tempo, também foram convidados, mas a Rádio São Paulo logo viu a capacidade de ambos e obtiveram uma proposta irrecusável.

Na dublagem, Antônio de Freitas resistiu um pouco mais a sua adesão, via com certa desconfiança, mas depois de que a dublagem já era algo que ficaria e que muitos radioatores da Rádio São Paulo ingressaram na Gravasom/AIC, Antônio de Freitas também aderiu.
Fez na dublagem também um nome. Era escalado pela AIC e Ibrasom sempre, além de continuar no Rádio.

*A voz do vilão Unga Khan em Império Submarino*

Os personagens eram quase sempre os grandes vilões, o que ele gostava, pois dizia que cada um tinha as suas particularidades.
Fez dezenas de dublagens dos antigos seriados de Cinema que a nossa tv começava exibir, além de participar ativamente de outras dublagens.

Quando houve o problema de saúde do seu irmão José, Hélio Porto o escalou para a dublagem do pateta Shemp, pois conhecia a qualidade do seu trabalho.

 *A 2ª voz de Shemp em Os 3 Patetas*
 
Antônio de Freitas exercitou muito bem a comédia, mas se sentia "desconfortável" em substituir seu irmão, porque acreditava que a dublagem de José de Freitas era muito melhor do que a dele.
Pouco tempo ficou com este personagem, pois conversou com o Hélio Porto sobre isso.

Creio que na mesma época, estavam fazendo testes para os personagens da série Batman e Antônio de Freitas fez uma de suas vozes para o personagem Chefe O'Hara, o que dava uma sensação de que o policial era meio dependente de Batman, desajeitado, necessitava ser caracterizado por uma voz específica para a sua personalidade.

*A voz do Chefe O'Hara em Batman*

Depois que terminou a série Viagem ao Fundo do Mar me afastei da dublagem, devido às propostas que recebi da Rádio Bandeirantes e para narrar comerciais para a televisão.
Antônio de Freitas continuou na dublagem ainda por alguns anos, mas também sendo diretor, chegando a dirigir no estúdio Álamo no seu início.

Entre 1982 e 1984 fui comunicado do seu falecimento, o que me entristeceu muito, pois um dos meus mestres da interpretação havia partido.
Por tudo que relatei é que Antônio de Freitas merece estar nesta galeria, não só devido ao seu talento, mas porque me ensinou muito."


 **Vamos rever três vídeos com a dublagem de Antônio de Freitas**

  
**Vídeo 1Dublando o ator Victor Buono no episódio "O Cyborg" da 2ª temporada de Viagem ao Fundo do Mar (ao lado de Ronaldo Baptista).
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**Vídeo 2: Dublando o Chefe O'Hara na série Batman ao lado de José Carlos Guerra.
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**Vídeo 3: Dublando o personagem Shemp em Os 3 Patetas.



OBSERVAÇÕES>> Conforme nosso banco de dados, Antônio de Freitas começou a dublar por volta de 1964 e temos registros sonoros em:

1 - Participações na 1ª e 2ª temporada da série Viagem ao Fundo do Mar, narrador do prólogo da 1ª temporada de Jeannie é um Gênio e dublando convidados.

2 - Diversas participações no desenho Jonny Quest.

3 - Diversas dublagens em seriados produzidos para o Cinema das décadas de 1930/40, produzidos pela RKO, Republic Pictures e Universal.

4 - Personagem Chefe O'Hara na série Batman.

5 - Dublagens e também pequenas participações em diversos filmes, citamos: "Raça Brava" e "Arabesque".


**Marco Antônio dos Santos**

5 de abril de 2014

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (21): E AS NOIVAS CHEGARAM




E as Noivas Chegaam foi uma série de TV, apresentada originalmente de 25 de setembro de 1968 a 18 de setembro de 1970 pela rede de televisão ABC. A história se passa no ano de 1870, quando os irmãos Bolt estavam prestes a perder sua fazenda e sua floresta, pois seus lenhadores se sentiam abandonados, longe de suas famílias e a maioria deles solteiros.
 
Sentindo todo esse problema Jason, o mais velhos dos irmãos, tem uma grande e brilhante ideia, trazer mulheres solteiras que queiram vir para esta região e formar um lar. Em vista disso, Jason procura seu rival Aaron Stempel e pede um dinheiro emprestado para ir até New Bedford, Massachussetts e trazer 100 mulheres para Seattle para se casarem e também faz um acordo com Aaron.
 
Por este acordo Jason teria que trazer as 100 mulheres, que deveriam encontrar seu par para casar e permanecer pelo menos 1 anos na região, caso contrário eles perderiam suas terras para Aaron. Feito o acordo ele viaja para e lá encontra as 100 mulheres e as trazem para Seatle, conduzidas pela doce Pruitt, a bordo do navio do capitão Clancey. As mulheres são esperadas com muita festa e ansiedade.
 
Ao chegar em Seatle, as mulheres começam a conhecer os homens da região e tornarem suas noivas. A série gira em torno dessa união, seus problemas principalmente causados por Aaron faz de tudo para que as mulheres abandonem seu par e a região, para que ele possa ficar com suas terras. Here Come the Brides é uma história que envolve drama, humor, paixões, brigas e reconciliações. No Brasil esta série também foi apresentado em algumas emissoras como Os Aventureiros.


 
 
**A SÉRIE NO BRASIL**
 
E as Noivas Chegaram estreou em SP pela TV Excelsior. Segundo publicação do jornal Folha de SP, a estreia se deu num domingo, 23 de março de 1969, 19h. A série foi exibida na emissora até o fechamento da mesma em 1970.
 
 Em 1971 / 1972 estava na TV Tupi.
 Em 1974 / 1975 passou pela TV Cultura de São Paulo. Ainda em 1975 migrou para a TV Bandeirantes, onde foi exibida até 1976. Em 1978 voltou para a TV Tupi.
 
 Em 1980 passou pela TV Gazeta de São Paulo.
Sua última exibição ocorreu no 2º semestre de 1989 pela TV Record, meses antes da emissora ser vendida para o atual grupo.


 
 
Há algo interessante sobre o título da série ter sido alterado para "Os Aventureiros".
 A abertura desta série não possui narração do seu nome  e também dos atores envolvidos, somente o título do episódio e a célebre frase "Versão Brasileira AIC São Paulo" narrada por Carlos Alberto Vaccari.

Este fato fez com que alguma emissora tenha feita a alteração para "Os Aventureiros". Pelas pesquisas, tudo indica que na sua 2ª exibição pela TV Tupi, em 1978, já não era chamada de "E as Noivas Chegaram".

Nas suas outras exibições posteriores pela TV Gazeta e TV Record foi sempre exibida como "Os Aventureiros".


**ATORES / PERSONAGENS / DUBLADORES**
 *Robert Brown (Jason Bolt): Aldo César.
*David Soul (Joshua Bolt): Ézio Ramos (1ª voz), Olney Cazarré (2ª voz) e Roberto Marquis (3ª voz).
*Bobby Sherman (Jeremias Bolt): Marcelo Gastaldi.
*Bridget Hanley (Candy Print): Sandra Campos.
*Mark Lenard (Aaron Stampel): Luiz Pini.
*Susan Tolski (Biddi Clom): Aliomar de Matos.
*Henry Beckman (Capitão Francis): Borges de Barros.
*Joan Blondell (Lottie Hardifield): Helena Samara (1ª voz) e ??? (2ª voz).


**A DUBLAGEM DA SÉRIE**
 
E as Noivas Chegaram foi dublada durante o ano de 1969 e até meados de 1970.

 
Aldo César dublou o ator Robert Brown, algo bem incomum, uma vez que praticamente quase não teve personagens fixos em séries. Suas maiores participações eram em filmes e dublando atores convidados em diversas outras séries de tv.
Um fato curioso é que o mesmo Aldo César já havia dublado o mesmo ator no episódio "O Fator Alternado" da 1ª temporada da série Jornada nas Estrelas.
 
A série teve dubladores que deixaram grandes saudades como Marcelo Gastaldi, Ézio Ramos, Olney Cazarré, Borges de Barros, Sandra Campos, Helena Samara e Luiz Pini.
E as Noivas Chegaram teve uma dublagem excelente, o que contribuiu muito para a identificação do público com a série. Provavelmente, foi uma das últimas séries dubladas pela AIC que reuniu um elenco de vozes tão primoroso.
 
O personagem Joshua Bolt foi dublado por três dubladores, uma vez que Ézio Ramos e depois Olney Cazarré estavam assoberbados com direção de dublagem. Roberto Marquis teve a sua grande oportunidade em dublar o personagem até o final da série, mantendo a mesma linha realizada por seus antecessores.
 
Já a personagem de Joan Blondell (Lottie Hardifield), dublada inicialmente por Helena Samara, foi substituída por outra dubladora que muitos não se lembram o nome e que talvez tenha realizado apenas esta dublagem.

 
 
Tanto a série, juntamente com sua dublagem original, deveriam ser transmitidos por uma tv a cabo, para que todos pudessem rever aventuras, humor, romances e a dublagem extraordinária da AIC.
 
**VAMOS REVER O EPISÓDIO "CARAS NOVAS"**
 
OBS 1> A série foi produzida a cores, mas este episódio é uma cópia telecinada, ainda do período em que a nossa tv era somente em preto e branco.


OBS 2> O ator David Soul (Joshua Bolt) é dublado por Olney Cazarré.
 
OBS 3> Uma das atrizes convidadas é Jane Wyatt, que interpretou a mãe compreensiva na série Papai Sabe Tudo. Neste episódio ela é dublada por Yolanda Cavalcanti.


OBS 4> A outra atriz convidada (Lynda Day) é dublada por Ivete Jayme.
 
 
**PARTE 1 /
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**PARTE 2 /
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**PARTE 3 /
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**PARTE 4 /
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**Marco Antônio dos Santos**

27 de março de 2014

MEMÓRIA AIC (21): OS DEFENSORES



 Os Defensores foi uma série de tv que praticamente ocorria dentro da sala de um tribunal, protagonizados por um pai e filho que se especializaram em defender casos complicados.

A série foi criada pelo escritor Reginald Rose, refazendo um drama de duas partes escrito por ele em 1957, para a série de antologia "Studio One", onde Ralph Bellamy interpretava o pai e William Shatner, o filho. Shatner foi posteriormente convidado como promotor em Os Defensores. Os advogados foram protagonizados por E. G. Marshall como Lawrence Preston e Robert Reed como Kenneth Preston.
A música tema foi composta por Frank Lewin e Leonard Rosenman. A série foi apresentada pela primeira vez nos Estados Unidos pela rede CBS, entre 16 de setembro de 1961 a 13 de maio de 1965, num total de 132 episódios, em quatro temporadas.

De acordo com o criador Reginald Rose, "a lei é o tema dos nossos programas:. Não crime, não mistério, não no tribunal para seu próprio bem Nunca fomos interessados em produzir um" quem-fez-isso ", que simplesmente aconteceu de ser resolvido cada semana.

Os Defensores foi a série mais diretamente política da história da televisão, e conseguiu este truque em sua maioria, sem ser didático.

*E. G. Marshall*

  Os personagens centrais, os advogados pai e filho Lawrence e Kenneth Preston (interpretados pelo atores E.G. Marshall e um jovem Robert Reed, respectivamente) assumiram casos que examinaram a saúde da república americana na era Kennedy, olhando para questões que poderiam ter parecido de pequeno alcance, mas, em vez disso, tornou-se considerações importantes de o quanto a elasticidade da Constituição foi feita para suportar.



Questões que incluíam tudo, desde o que constitui pornografia a questões de direitos civis para o direito da mulher ao aborto, e embora a série, ocasionalmente, caiu sob protesto, foi também muito popular com os críticos e audiências. Marshall ganhou um Emmy, assim como escritores da série para todas as quatro temporadas de sua exibição. 


**A SÉRIE NO BRASIL**

Os Defensores foi uma série com roteiros excelentes,  obteve prêmios, teve 4 temporadas nos Estados Unidos (1961-1965), mas no Brasil apenas a 1ª temporada foi exibida e somente pela extinta TV Excelsior de São Paulo.

Devido ao sucesso, a TV Excelsior apostou na série e a estreou em 1965, uma vez por semana, às 21h. Entretanto, logo teve que alterar o horário de exibição devido a baixa audiência, onde a TV Record sempre ganhava.
O motivo era bem simples: os casos apresentados, apesar de textos e interpretações excelentes, estavam totalmente ligados aos problemas americanos da década de 60, não tendo havido uma identificação com com o público brasileiro.

Mesmo a TV Excelsior exibindo-a mais tarde e em outro dia, decidiu retirá-la do ar com cerca de apenas 15 episódios exibidos.

No final de 1968, a TV Excelsior retornou com a série exibindo-a após Missão Impossível. A emissora acreditava que o sucesso desta levaria a audiência para Os Defensores. A princípio isto ocorreu, porém não se sustentou durante muito tempo e a Excelsior exibiu somente a 1ª temporada, num horário já muito tarde da noite, o que para época não era meio comum as emissoras passarem muito além da meia-noite.

Em todas as pesquisas que efetuamos, não encontramos a exibição de Os Defensores por outra emissora. A série foi produzida ainda em preto e branco, fato que a baniu de vez de nossa tv.



**A DUBLAGEM AIC**

Realizada entre 1964/65, a dublagem de Os Defensores possui uma excepcional qualidade, uma vez que há uma mistura de dubladores ainda influenciados pelo radioteatro e alguns que estavam surgindo no meio da dublagem, porém efetuando um trabalho de extrema qualidade dando uma nova forma na arte de dublar.
É muito interessante este fato e demonstra que Os Defensores teve uma dublagem num período de transição da AIC.
Há dados conflitantes de que a série teve como diretor de dublagem Wolner Camargo ou Hélio Porto, seja como for, os dubladores principais e convidados foram muito bem escalados.


**ELENCO / PERSONAGENS / DUBLADORES**

*E.G.Marshall (Lawrence Preston): Wolner Camargo*

*Robert Reed (Kenneth Preston): Dênis Carvalho*

*Narração de abertura: Ibrahim Barchini*

OBS> Nesta série, Ibrahim Barchini narra: "Versão brasileira da Arte Industrial Cinematrográfica S. Paulo" somente nos créditos.

Temos aqui um episódio de Os Defensores, o qual traz como curiosidade Older Cazarré e Olney Cazarré como dubladores de atores convidados.

**EPISÓDIO: "LIBERDADE DE PENSAMENTO"


**PARTE 1**
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**PARTE 2**
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**PARTE 3**
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**Marco Antônio dos Santos**