22 de abril de 2016

MEMÓRIA AIC (26): OS CAMPEÕES



Os Campeões era uma série inglesa que misturava ficção e espionagem, que tem início quando três agentes Craig Stirling, William Gaunt e a belíssima Sharon Macready, que trabalham para as Nações Unidos, dentro de uma organização conhecida por "Nemesis", situado em Geneva.

Durante uma missão, o avião em que ele estavam acabam caindo nas  montanhas geladas do Himalaia, mas são salvos por um misterioso povo que vivia secretamente nas montanhas., que além de salvar suas vidas também transmitem a eles alguns poderes muito especiais como poderes telepáticos, muita força física e um boa memória. Ao retornarem novamente a sede da organização os três passam a receber as ordens por um sujeito denominado Tremayne, que os enviam a diversas missões.

Geralmente seus vilões usuais são os regimes fascistas na América do Sul, neo-nazista ou chineses. A série foi apresentada originalmente na Inglaterra, pela ITV, entre 1968 a 1969, apenas com uma temporada, num total de 30 episódios. 


"Os Campeões" misturava ficção com aventuras de espionagem. O motivo é óbvio: com o gênero "espionagem" francamente esgotado no final da década de 1960, os criadores Monty Berman e Dennis Spooner resolveram adicionar à velha fórmula um "algo mais". Esse novo ingrediente foi a pura ficção de termos heróis espiões com poderes telepáticos, alto nível de memória e até força sobre-humana.

Ao contrário de outras séries sobre espiões - onde o herói atua sozinho ou o que se tinha no máximo era uma dupla de heróis - "Os Campeões" tem como enfoque as aventuras de três agentes britânicos - dois homens e uma bela mulher.

Desconsiderando o fator "ficção", temos uma temática básica idêntica a de várias outras séries e/ou filmes que narram tramas de espionagem; quer seja para a tv, quer seja para o cinema.

 Mesmo assim, "Os Campeões" teve ótima audiência na Inglaterra e isso animou os produtores a tentarem produzir uma segunda temporada. Tudo dependeria de como o programa se comportaria no exterior. Infelizmente, foi justamente nos Estados Unidos que os índices não corresponderam e esse acabou sendo o fator determinante do cancelamento da série.
 

"Os Campeões" foi exibido originalmente no Brasil pela TV Record Canal 7 de SP. Seu lançamento ocorreu em 04 de Fevereiro de 1969, sendo transmitido com regularidade as terças-feiras, 22h. Mesmo sem ser um grande sucesso, a série possuía adeptos e existem pessoas que lembram dela até hoje.

Sabe-se ainda que os episódios 1 e 18 foram transformados num longa-metragem que se chamou "A Lenda dos Campeões". Não temos a informação se foi exibido nos cinemas, mas é fato ter sido exibido com regularidade no canal pago TNT.

A série foi produzida originalmente a cores, mas foi exibida em película branco e preto no Brasil, tendo em vista que na época de seu lançamento ainda não contávamos com o advento da tv colorida. Pouco se sabe a respeito de reprises nos anos posteriores.

 Ainda foi reprisada pela extinta TV Tupi de São Paulo algum tempo antes de seu fechamento (a emissora na ocasião já dispunha de cópias coloridas para transmissão). O mesmo ocorreu na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, no ano de 1978 (na ocasião foram utilizadas para transmissão películas coloridas de 16 mm).


**A DUBLAGEM DA AIC**


*ELENCO DE DUBLADORES FIXOS*


*Stuard Damon (Craig Sterling): Hugo de Aquino Júnior.
*William Gaunt  (Richard Barrett): Olney Cazarré.
*Alexandra Bastedo  (Sharron Macready): Helena Samara.
*Anthony Nicholls  (Tremayne): Carlos Campanile.
*Narração da abertura: Carlos Alberto Vaccari.


Distribuída pela ITC, assim como as demais séries inglesas: Thunderbirds, Stingray, Capitão Escarlate, Joe 90, O Prisioneiro e outras, a ITC era uma distribuidora que não possuía o potencial das americanas e, em muitos países, necessitou de um suporte de outra distribuidora para entrar no mercado televisivo.

Infelizmente, no Brasil, novamente encontramos a extinta Brás Continental, que ficou responsável em distribuir as produções inglesas da década de 1960.
O resultado disso é conhecido. Todas essas séries ficaram sem a sua dublagem original, uma vez que a Brás Continental fechou as portas por volta de 1984/85.

Como resultado, hoje encontramos resquícios de alguns episódios telecinados (em preto e branco), que alguns colecionadores conseguiram salvar.

Mais uma vez, o trabalho artístico brasileiro atirado numa "lata de lixo", como não houvesse nenhum valor !!



Helena Samara me confidenciou que iniciou a dublagem de Os Campeões, logo após saber que a atriz Barbara Bain havia saído da série Missão Impossível. Sendo assim, ficou feliz que continuaria com mais uma personagem fixa em série (algo economicamente importante para a época).

Carlos Campanile ao dublar um personagem mais velho (o chefe Tremayne), imprimiu um tom mais carregado à voz. Segundo consta, ele acreditava que outro dublador deveria fazer o personagem, mas José Soares categoricamente acreditava que a qualidade da sua dublagem seria o ideal.

Além de Olney Cazarré dublando o ator William Gaunt, o dublador Hugo de Aquino Júnior fora escolhido para dublar o ator Stuart Damon, que, de certa forma era o personagem principal.
Hugo de Aquino Júnior era muito escalado para vilões e homens truculentos, mas aqui deu uma grande demonstração da qualidade em dublar um agente inglês.

Infelizmente, quase nada restou desta dublagem e que ficou muito na memória dos que assistiram nos anos 60 (ainda em preto e branco) e no final dos anos 70 (já com cópias coloridas).

Mais um grande trabalho da AIC que ficou perdido pelo descaso !!!



**TRECHO DE OS CAMPEÕES COM A DUBLAGEM AIC**

OBS> Temos apenas o início do episódio com a narração de Carlos Alberto Vaccari.
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**Marco Antônio dos Santos**

24 de março de 2016

A DUBLAGEM DO FILME "O ÚLTIMO PÔR-DO-SOL"

Ainda sob pseudônimos, são de Dalton Trumbo os roteiros dos faroestes “Como Nasce um Bravo” (Cowboy), de Delmer Daves, com Glenn Ford; “O Caçador de Fronteira” (The Deerslayer), de Kurt Neumann, com Lex Barker; “Reinado de Terror” (Terror in a Texas Town), de Joseph Lewis, com Sterling Hayden. Kirk Douglas se tornara um dos homens mais poderosos do cinema norte-americano e encomendou novo roteiro a Trumbo, desta vez baseado na história “Sundown at Crazy Horse”, de autoria de Howard Rigsby, um faroeste que se chamou “O Último Pôr-do-Sol” (The Last Sunset).


 O filme de Robert Aldrich conta a história de Brendan O’Malley (Kirk Douglas), personagem estranho que se dirige para o México para reencontrar Belle (Dorothy Malone), mulher com quem teve um relacionamento há quase 20 anos. Belle agora é esposa do rancheiro- pecuarista John Beckenridge (Joseph Cotten), padrasto de Melissa (Missy), filha de Belle. O solitário O’Malley é seguido por Dana Stribling (Rock Hudson), xerife de uma cidade texana que quer prendê-lo por haver assassinado o cunhado de Stribling.

 O’Malley tenta se envolver com Belle e para isso pede o consentimento do marido dela, John Beckenridge, mas é rejeitado por Belle. Stribling e O’Malley são contratados por Beckenridge para levar seu gado até o Texas. A prisão de O’Malley é então adiada por Stribling. John Beckenridge é morto numa discussão numa cantina no México e Stribling acaba se apaixonando por Belle. Por sua vez, Melissa se apaixona por O’Malley, envolvendo-se com ele. Desesperada Belle conta a O’Malley que Melissa é sua filha e que a relação deles é incestuosa. Após o gado ser levado a seu destino O’Malley se defronta com Stribling num duelo suicida.



Vladimir Nabokov havia chocado o mundo com seu romance “Lolita”, lançado em Francês em 1955 e com versão autorizada para o Inglês somente em 1958. Nabokov mudou o universo da Literatura e certamente influenciou outros autores. O romance de Nabokov somente chegaria ao cinema em 1962 pelas mãos de Stanley Kubrik, abordando o tema da pedofilia. Antes disso, porém, Dalton Trumbo passou perto dessa questão com o personagem ‘Missy’, de apenas 16 anos e pela primeira vez abordou num faroeste o tema de incesto.

 Mas não é isso que faz de “O Último Pôr-do-Sol” um dos mais extraordinários roteiros já escritos para um western. Além dessa delicada questão o roteiro de Trumbo é um tenso melodrama digno daqueles que Douglas Sirk dirigiu para a Universal Pictures tendo Rock Hudson como ator principal. Mesmo com a ação se passando em cenários abertos, os personagens principais (Stribling, Belle, O’Malley e Melissa) parecem viver num ambiente claustrofóbico no qual incessantemente expõem as paixões que afloram, bem como o ciúme e o visceral antagonismo. O’Malley é o centro motivador de todas as reações culminando com a juvenil paixão que desperta em Missy (Melissa) e os momentos que passa com ela. O’Malley, homem, aparentemente sem princípios, é tomado repentinamente de dilacerante arrependimento com a descoberta de ser o pai da jovem. E vê apenas na própria morte a solução da tragédia em que se deixou envolver. Mais até que um sensível melodrama, “O Último Pôr-do-Sol” se aproxima das grandes tragédias gregas como nenhum outro western ainda o havia feito. 


Mesmo que o roteiro de Dalton Trumbo não fosse tão rico em nuances psicológicas, “O Último Pôr-do-Sol” é um belo faroeste, com bom ritmo entremeando os muitos diálogos com ótimas cenas de ação. As sequências de condução do gado durante uma tempestade são excelentemente dirigidas por Aldrich e fotografadas pelo húngaro Ernest Lazlo, assim como o duelo final entre O’Malley e Stribling, com tomadas de diversos ângulos e montagem nervosa que aumenta a emoção. Esses aspectos técnicos emolduram os diálogos brilhantes escritos por Trumbo, especialmente nas falas poético-filosóficas ou cínico-jocosas de O’Malley.

 Kirk Douglas faz praticamente todas suas cenas, dispensando o uso de doublês, exceto na cena em que com animal violência segura um cão que está prestes a avançar sobre ele. E Rock Hudson é dublado em algumas cenas por Chuck Roberson como na sequência em que durante a luta com O’Malley cai sobre uma fogueira ficando com o colete em chamas. O cuidado de Trumbo com o realismo da vida dos cowboys leva o espectador a tomar conhecimento de situações inusitadas nos faroestes como a vaca ter as patas amarradas enquanto é ordenhada por Regis Toomey e Rock Hudson fazendo com que um bezerro recém-nascido adote Carol Linley como sua ‘mãe’. Carol Linley usando pela primeira vez o vestido amarelo que pertenceu a sua mãe e descalça por não haver ali um sapato adequado, enquanto Kirk Douglas canta a bela canção “Pretty Little Girl in the Yellow Dress”, de Dimitri Tiomkin e Ned Washington. 




 Capítulo à parte em “O Último Pôr-do-Sol” é Dorothy Malone, cuja sensualidade foi excepcionalmente aproveitada por Aldrich. Maravilhosa, sedutora e irresistível atriz, Dorothy, aos 35 anos, espalha sua voluptuosidade em cada cena que participa. Dorothy não era uma atriz de grande talento dramático mas é um dos pontos altos deste western. O contraponto quase perfeito à lascividade de Dorothy é a presença angelical de Carol Linley, então com 20 anos durante as filmagens. A melhor interpretação do elenco de “O Último Pôr-do-Sol” ficou por conta de Joseph Cotten, como o amoral marido de Dorothy Malone. Seu desempenho na sequência em que é provocado por dois sulistas numa cantina é antológica dentro de uma carreira repleta de grandes atuações, carreira iniciada 20 anos antes em “Cidadão Kane”.

 “O Último Pôr-do-Sol” é um roteiro de qualidade quase incomparável para um western e ainda assim Aldrich não conseguiu fazer de “O Último Pôr-do-Sol” uma obraprima, mesmo que possa ser considerado um faroeste clássico pela temática complexa e bem desenvolvida. 




**A DUBLAGEM DA AIC**

"O Último Pôr-do-Sol" já foi lançado em dvd, entretanto, mais uma vez a distribuidora o lançou somente legendado.
Em novembro de 2014, a TV Cultura de São Paulo o exibiu com a dublagem original.
Há pequenos trechos que apresentam um pouco de ruído ou "chiado", o que poderia ter sido facilmente restaurado, mas não há interesse das distribuidoras, a fim de obterem o menor custo e o maior lucro.

A dublagem foi realizada entre o final de 1968 e o início de 1969, segundo Dráusio de Oliveira, o qual também dirigiu a dublagem.


João Paulo Ramalho, que já havia dublado o ator Kirk Douglas no filme  Ulisses, absorve totalmente a interpretação do ator e a aprimora extraordinariamente.

Essa sincronia ator/dublador o traria, posteriormente, para a inesquecível dublagem de "Spartacus", já por volta de 1970/71.



Sem dúvida alguma, a voz pausada, a interpretação, nos deixam maravilhados como foi tão bem realizada a dublagem. Ainda é bom lembrar que, a voz de João Paulo Ramalho, possuía um tom perfeito para Kirk Douglas, se adequando melhor do que a voz original do ator para os seus personagens complexos.

Enfim, essa integração tão perfeita é muito comum nas dublagens da AIC que ainda sobreviveram, como de diversos outros estúdios que também já encerraram as suas atividades. 


Dráusio de Oliveira dubla Rock Hudson, que já o havia dublado em outras oportunidades, e aí temos dois fantásticos dubladores em contraponto, conforme os seus personagens.


Dorothy Malone é dublada por Helena Samara, a qual realiza mais um trabalho magnífico para a seu rol de dublagens primorosas.




Beatriz Facker, uma dubladora que não fez muitos trabalhos na AIC, mas que deixou a marca da qualidade, foi a escolhida para dublar a atriz Carol Linley.
Beatriz Facker ficou mais conhecida por dublar a personagem Teresa na série Lancer e alguns desenhos de Walter Lantz, além ainda de pequenas participações nas dublagens de séries do início da década de 1970.

Dona de uma voz bem suave, mas com uma interpretação firme soube caracterizar sensivelmente a personagem e o seu grande conflito amoroso.

Infelizmente, não há fotos desta dubladora e durante meados da década de 1970 retirou-se da dublagem.

Há ainda a presença de Garcia Neto dublando o ator Joseph Cotten e de Antônio de Freitas para o ator Regis Tomey (capataz).

Mais uma extraordinária dublagem realizada pela AIC !!



**TRECHOS DO FILME COM A DUBLAGEM**


*Vídeo 1: ABERTURA NARRADA POR CARLOS ALBERTO VACCARI*
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*Vídeo 2: Helena Samara, Dráusio de Oliveira e João Paulo Ramalho*
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*Vídeo 3: Beatriz Facker e João Paulo Ramalho*
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*Fonte de Pesquisa: "site westernmania"
"arquivo pessoal"

*Colaboração: Luciano Nascimento*



**Marco Antônio dos Santos**

27 de janeiro de 2016

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (28): OS TRÊS PATETAS



Esta divertida coleção de gargalhadas começou em 1922 quando os irmãos Moe e Shemp Howard juntaram-se a Larry Fine e Ted Healy e formaram um grupo de teatro vaudeville, o qual primeiramente batizaram de Ted Healy and His Three Southern Gentleman.
 O nome, mais tarde, mudou para Ted Healy and the Rocketeers e depois paraTed Healy and His Gang. Os esquetes do palco eram como os dos curtas que todos conhecemos e amamos, mas com a diferença que na época, Ted Healy, e não Moe, era o líder do grupo.
 Eles levaram seu humor pelo país até 1927, quando Larry se afastou para se casar, e Moe, para tomar conta de sua esposa e da filha recém-nascida. Eles só voltaram a se reunir em 1929, quando estrearam na Broadway com a comédia A Night in Venice. Em 1930, os críticos os consideravam hilários.

Naquele ano, Ted Healy foi convidado pela 20th Century Fox para fazer o filme Soup of Nuts, que chamou a atenção do estúdio para Moe, Larry e Shemp. Assim, o trio recebeu uma proposta contratual de sete anos. Quando Ted soube da oferta, convenceu Winnie Sheehan, executivo da Fox, a desistir da ideia, pois não queria que o grupo perdesse seus atores.
 Infelizmente para Ted, quando os três souberam da traição, decidiram abandonar a equipe e juntos formaram o Howard, Fine and Howard – The Three Lost Souls. Nesse período, uma das palhaçadas mais constantes dos curtas teve origem durante um jogo de cartas. Certo de que Larry estava roubando, Shemp levantou-se furioso e enfiou os dedos nos olhos do parceiro. No dia seguinte, durante o espetáculo, Moe repetiu o gesto (sem de fato acertar os olhos) e a plateia estourou de rir.
Outra palhaçada que não apenas tornou-se marca de Os Três Patetas, mas também seria repetida em diversas comédias ao longo dos anos (até hoje) é a famosa briga de tortas. No caso do trio, ela começou com uma brincadeira de Moe, que certo dia, teve uma ideia ao ver uma torta no camarim onde algumas dançarinas estavam conversando com outros atores. Ele a pegou e jogou na cabeça de Larry sem que o amigo soubesse de onde o ataque viera. À procura do culpado, Larry logo percebeu risos vindos do camarim. Embora os atores não tivessem a menor relação com o ocorrido, acabaram levando na cara os restos da torta jogada em sua cabeça. Estava declarada a guerra de tortas.



Durante os dois anos que se seguiram ao rompimento do grupo original, Healy fez constantes ameaças ao trio. Foi somente após formar outra equipe que ele deu uma trégua a seus antigos amigos. Ele no entanto tornara-se alcoólatra e relapso no trabalho. Ao saber da situação, Moe decidiu ajudar, prometendo aceitá-lo no grupo se ele prometesse ficar sóbrio. Shemp não concordou, pois considerava Healy um alcoólatra perigoso e incurável. Como havia recebido uma proposta para um filme, Shemp abandonou o trio. Para preencher a lacuna, Moe recorreu a seu irmão caçula, Jerome, mais conhecido na família como Curly, por causa da vasta cabeleira cacheada.


Pouco depois de Curly juntar-se à equipe, Healy expressou insatisfação sobre sua aparência. Larry tinha uma cabeça que lembrava um porco espinho, e o cabelo de Moe parecia uma cuspideira. E o que Curly tinha a oferecer? Uma cabeleira e um bigodão. Não, ele não se encaixava. Para convencê-lo do contrário, Curly pediu 20 minutos. Quando voltou, tinha raspado o bigode. Mas a surpresa mesmo veio ao retirar o boné que cobria sua cabeça. Curly estava completamente careca. Assim mesmo, continuou sendo chamado de Curly quando partiu com a trupe em mais uma. 



Além dos espetáculos, eles continuaram fazendo filmes. Entre 1933 e 1934 foram nove comédias de curta metragem para a MGM: Hello Pop,Plame Nuts, Beer and Pretzels, The Big Moe já estava claro que deveriam deixar de ser os patetas de Healy, para se tornaram Os Três Patetas. O trio teve sua chance horas depois do rompimento de uma forma condizente com o espírito dos patetas. Enquanto Moe deixava o estúdio da MGM, foi abordado pelo agente Walter Kane, que o Idea, Turn Back de solo. Tanto que, em maio de 1934, Moe observou que Healy não precisava mais do trio, por isso deveria seguir sozinho. Healy e seu agente concordaram de imediato e no mesmo dia o termo de rompimento estava assinado.

A notícia encheu Larry e Curly de preocupação, mas o levou para à
 Columbia Pictures para assinar um contrato. Ao mesmo tempo, Larry também deixava o estúdio e foi abordado por outro agente, Joe Rivkin, qu o levou à Universal para assinar outro contrato. O impasse foi resolvido a favor da Columbia, pois como cada contrato registrava o horário Clock, Meet the Baron, Dancing Lady, Fugitive Lovers e Hollywood Party. Apesar de atuar com os três, Healy também estava construindo uma bem-sucedida carreira em que foram assinados, o que valia era o primeiro, com a Columbia.

O filme de estreia foi a comédia musical Odeio Mulheres/Woman Haters, no qual não figuraram como trio e sim separadamente. Em seguida, veio Trocando as Pernas/Punch Drunks e um almejado contrato de sete anos, com um salário considerado muito bom. Na época, o acordo pareceu excelente. Infelizmente, eles não perceberam que a Columbia ficara com o direito de usar suas vozes e imagens tanto nos meios de comunicação existentes quanto nos futuros. Por isso, quando seus curtas foram para a TV, eles não receberam nenhum pagamento pela apresentação.

Moe tentou recorrer, mas, anos depois, quando Ronald Reagan tornou-se presidente do Screen Actors Guild, ele estabeleceu que não seria pago nenhum valor aos atores de filmes sendo apresentados na televisão, produzidos antes de 1960, e isto encerrou a questão.


A Columbia também tinha uma tática para evitar que o trio pedisse aumento de salário, que era 7.500 dólares por filme. O estúdio sempre relatava uma crescente dificuldade na venda de seus filmes aos cinemas, alegando a falta de interesse do público nos patetas. Anos mais tarde, Moe descobriu exatamente o contrário. Os filmes de Os Três Patetas sempre tiveram muita procura por todo o país, mas toda vez que alguém solicitava um filme deles, era forçado a levar outro classe B.

Ao final dos sete anos, eles ainda descobriram que o contrato com a Columbia dava ao estúdio o direito a mais 14 anos. Eles só ficariam livres em 1958, após 24 anos sob contrato. Neste período, eles fizeram 194 curtas e participaram de cinco longas, sendo indicados a um Oscar pelo curta As Coisas Estão Pretas/Men in Black.

Este período também foi marcado por mudanças. Dia 14 de maio de 1946, Moe e Larry estavam filmando as últimas cenas de Três Idiotas de Elite/Half-Wit’s Holiday (refilmagem de Gentalha/Hoi Polloi), quando perceberam que Curly havia sofrido um derrame enquanto esperava ser chamado em cena. Por seis anos, ele permaneceu doente e teve outros derrames, até falecer em janeiro de 1952, aos 48 anos.

A princípio, Moe e Larry acharam que seria impossível substituir o talento de Curly. Mas então Moe lembrou-se do irmão Shemp e imediatamente apresentou a ideia à Columbia. Como o estúdio achava Shemp muito parecido com Moe, a mudança não foi aprovada. Moe insistiu, afirmando que sem Shemp a Columbia não teria mais nenhum pateta, e eles finalmente concordaram. Shemp reestreou no grupo com o curta Marmelada Indigesta/Fright Night (1947). Os Três Patetas estavam de volta à cena, mas cada palhaçada feita com Shemp, como os tapas ou continuasse os dedos nos olhos de Curly, traziam tristes recordações a Moe. Curly ainda apareceu no filme, pois sabiam que se Moe parasse, ele também não viveria por muito tempo.

Novamente encorajado, Moe tentou obter Joe DeRita para o grupo, mas, como ele estava sob contrato com o produtor Harrold Minsky, Moe teve de continuar a busca. Logo ele lembrou-se de Joe Besser, que adorou o convite. Após Moe conseguir liberá-lo de um compromisso com a Columbia, Joe estreou como pateta em Apenas um Trote/Hoofs and Goofs (1957), divertindo o público com seu bordão "Isso dói!" até o final do longo contrato dos patetas com o estúdio.

Shemp divertiria as plateias até 1955. Dia 23 de novembro daquele ano, ele saiu com amigos para uma luta de boxe, durante a qual se divertiu muito e arrancou gargalhadas de todos a sua volta, que assistiam tanto às lutas quanto a suas engraçadas reações aos golpes. Mais tarde, ao voltar para casa, ele contava piadas, quando de repente sua cabeça caiu sobre o peito, depois ele a encostou no ombro de seu amigo, fechou os olhos, sorriu e morreu. Seu último filme foi Mar e Azia/Commotion on the Ocean. Shemp tinha 50 anos.
A notícia foi um choque muito grande para Moe. Durante semanas ele sentiu-se sozinho e frustrado, e pensou em desistir dos patetas.


Novamente encorajado, Moe tentou obter Joe DeRita para o grupo, mas, como ele estava sob contrato com o produtor Harrold Minsky, Moe teve de continuar a busca. Logo ele lembrou-se de Joe Besser, que adorou o convite. Após Moe conseguir liberá-lo de um compromisso com a Columbia, Joe estreou como pateta em Apenas um Trote/Hoofs and Goofs (1957), divertindo o público com seu bordão "Isso dói!" até o final do longo contrato dos patetas com o estúdio.

Com a carreira no cinema aparentemente acabada, os patetas decidiram sair em turnê. Porém, Joe não poderia seguir com eles porque sua esposa estava doente. Felizmente, o contrato de Joe DeRita estava prestes a terminar e o comediante estava ansioso para juntar-se aos patetas. Assim, Moe, Larry e o novo pateta, batizado de Curly-Joe, saíram em viagem pelo país apresentando-se em clubes e feiras. Mas os tempos eram outros e o teatro de vaudeville estava morto.

Quando parecia que o tempo dos patetas também tinha acabado, Moe ficou sabendo que a Screen Gems, uma subsidiária da Columbia, estava reaproveitando os velhos curtas dos patetas em versões para TV. De repente, o trio tornou-se um fenômeno entre as novas gerações que ainda não os conheciam.

Os Três Patetas passaram a ser requisitados por todo o país, com inúmeras ofertas para fazer quadrinhos, discos, feiras, e aparecer em convenções
 de maior audiência na época. Após anos à espera de uma oportunidade para estrelar um longa metragem, a oferta finalmente veio da própria Columbia em 1959 com o filme O Foguete Errante/Have Rocket Will Travel.


Vendo o crescente sucesso do trio, a Columbia ofereceu um novo contrato para mais longas, mas agora eles já haviam criado sua própria empresa, a Normandy Productions, com Harry Romm, agente de Moe, através da qual passariam a produzir seus próprios filmes. A Columbia então montou um longa com velhos curtas e o lançou sob o título deLook and Laugh. Em resposta, o grupo abriu um processo e conseguiu não apenas retirar o filme de cartaz, mas também um financiamento para o filme Os Três Patetas Encontram Hércules/The Three Stooges Meet Hercules (1962). No total, foram nove filmes com Moe, Larry e Curly-Joe.



Em 1971, Moe, Larry e Joe DeRita estavam planejando fazer um seriado para a TV, quando Larry sofreu um derrame, que o colocou em uma cadeira de rodas e o forçou a viver no Motion Pictures Country Home Hospital. Depois do ocorrido, Moe sabia que os patetas tinham chegado ao fim. Assim, Joe DeRita pediu permissão para formar um novo grupo, com o qual, infelizmente, não fez muito sucesso.

Após o falecimento de Larry em janeiro de 1975, aos 72 anos, Moe decidiu aposentar-se como pateta. Pouco depois, ele recebeu um convite para fazer uma palestra na faculdade Salem College, em West Virginia. A viagem que foi na verdade motivada pelo desejo de visitar seu filho o surpreendeu com a grande recepção do público, que ainda amava os patetas e desejava saber tudo sobre eles. Assim, mais palestras tiveram lugar em universidades pelo país, e em alguns programas de TV. Moe Howard só parou de divertir as plateias em maio de 1975, quando faleceu vítima de câncer, dias antes de complet
ar 78 anos.


(Texto de autoria de Fernanda Furquim)


**OS TRÊS PATETAS NO BRASIL**

Um dos seriados me maior sucesso na TV brasileira Sua exibição se inicia em 1965 e perdurou durante as décadas de 70, 80, 90 e a 1ª década do século XXI, com alguns intervalos.


Sua estreia ocorreu no 1º ano da Tv Globo, porém não foram adquiridos todos os episódios. A emissora estava iniciando e exibiu um lote de cerca de 50 episódios, com receio de que não houvesse audiência devido à uma certa "violência".


Mas "o trio mais biruta da tela" ganhou a simpatia do público e a emissora, além de adquirir mais 50 episódios, exibiu a série até o início de 1969.


Imediatamente a Tv Record, adquire os direitos da série e envia para dublagem os 90 episódios restantes.

Assim, a Record talvez tenha sido a única emissora a exibir os 190 episódios de Os Três Patetas de 1970 a 1972.

Sempre com sucesso garantido, a Rede Globo passa novamente a exibir 2 episódios da série de 1973 a 1975, por volta das 11h da manhã, de segunda à sexta.




Quando se necessitava subir a audiência, Os Três Patetas eram lembrados. Assim, de 1977 a 1978, a Tv Record retorna a exibir a série.


Depois de alguns anos, a Tv Gazeta, de 1980 a 1981 também exibe alguns poucos episódios na sua grade de programação.


Durante a década de 1980, talvez tenha sido o período mais longo que o seriado ficou longe das telinhas, mas retornou de 1990 a 1995 novamente pela Tv Record.


Já, em 1996, Os Três Patetas estreia pelo canal a cabo Warner, onde foi exibido até o final de 2000. Infelizmente, a série não foi exibida na íntegra, uma vez que a Warner só mantém direitos autorais dos episódios que foram realizados em seus estúdios.


Com a estreia do canal a cabo TCM, novamente retorna a série tão querida do público, onde também já foi exibida por duas vezes.



**A FANTÁSTICA DUBLAGEM DA AIC**



Os Três Patetas teve o início de sua dublagem no princípio de 1965. Ficou a critério de Hélio Porto a escolha das vozes, tradução e direção.
É bom lembrar que a Tv Globo só adquiriu 50 episódios inicialmente e o lote trouxe episódios fora da ordem cronológica de prodção.

Assim, havia episódios com Shemp e também com Curly. Nesse 1º lote, a maioria era com Shemp.
Hélio Porto decidiu dublar Larry, criando um falsete primoroso, Moe entregou a Borges de Barros, Shemp a José de Freitas devido a sua fantástica veia para dublar comédias.

Curly era o mais difícil de encontrar um dublador à altura. Além do ator falar muito rápido, ele fazia diversos trejeitos para interpretar o personagem.
Samuel Lobo, que era um exímio tradutor da AIC, dublava esporadicamente alguns figurantes. Certo dia, Hélio Porto pediu a ele uma ajuda para encontrar um dublador para Curly. Mostrou o filme em inglês e pediu que ele tentasse fazê-lo. 
Após ter dublado Curly em teste (sem saber), Hélio Porto disse a ele que dublaria o personagem.



Samuel Lobo recusou a princípio, pois achava que não conseguiria, mas depois que todos notaram a semelhança das vozes e a perfeita perfomace de Samuel Lobo, este acabou cedendo.

Para os demais personagens, Hélio Porto percebeu que basicamente sempre  era o mesmo elenco, assim, na medida do possível procurou sempre manter Neville George, Gessy Fonseca, Rita Cleós, Arakén 
Saldanha entre outros.

O 2º lote de episódios desta feita trouxe mais episódios com Curly, mas já havia outros dubladores que haviam ingressado na AIC e que substituíram as vozes do elenco. É dessa época que participa Carlos Alberto Vaccari, Wilson Kiss e Hugo de Aquino Júnior.

O 3º lote de episódios (90 episódios) apenas foi iniciada a dublagem em 1967/68 e aí já trouxe cerca de 15 episódios com o pateta Joe Besser, que substituíra Shemp  devido ao seu falecimento. Para dublá-lo foi convidado César Leitão, que era um profissional ligado à distribuição de filmes, mas que fez um trabalho tão perfeito que ingressou na dublagem também até o seu falecimento.



Para a dublagem desse lote houve dois problemas: 

1- Os poucos episódios que traziam Shemp não puderam ser dublados por José de Freitas, uma vez que estava afastado da AIC por motivo de saúde. A solução foi substituí-lo por Antônio de Freitas (seu irmão), o qual possuía uma enorme experiência, mas este dublou pouquíssimos episódios, pois não se sentia à vontade em tentar substituir o irmão.
Assim, entra José Soares que dublou vários episódios, criando uma voz para Shemp, a qual não se afastasse muito de José de Freitas.

2- O segundo problema foi a saída de Hélio Porto da AIC, assim a tradução passou para Samuel Lobo, mas quem ficaria com a direção de dublagem e substituiria a voz de Larry , que era tão característica.
O nome indicado foi de Flávio Galvão que fez um falsete próximo do que Hélio Porto fazia e assumiu a direção de dublagem também.
Há rumores de que Flávio Galvão não dirigiu totalmente o restante dos episódios, mas também nunca surgiu um outro nome.

Com o  sucesso da série, a vinda dos longas produzidos também foram adquiridos pela TV Record. 
Agora surgia um outro pateta Curly-Joe (Joe DeRita), o qual teve vários dubladores: Samuel Lobo dublou um filme, mas depois também Olney Cazarré e Roberto Marquis se dividiram na dublagem do personagem.

Não há informações precisas sobre a dublagem dos filmes, a respeito de tradução e direção, uma vez que alguns vieram juntos com o lote de episódios.


**Os Três Patetas com Hércules**


Infelizmente, de tudo que foi dublado de Os 3 Patetas cerca de 50% se perdeu a dublagem. Segundo a Sony Pictures há cerca de, no máximo, 118 episódios ainda com a dublagem da AIC e restaurada. Já sobre os longas não conseguimos obter nenhuma informação, por total desinteresse da Sony. 



**TRECHOS DE UM DEPOIMENTO DE BORGES DE BARROS DADOS A MIM EM 23/06/1989**



** - E o famoso "cabeça de pudim" que Moe dizia ? 

R: Rs,rs,rs. Olha, o texto tinha tantas coisas que precisávamos adaptar que esse cabeça de pudim, foi uma criação minha. Um dia estávamos na bancada e lá no roteiro tinha assim: Moe: e três interrogações. Na hora eu perguntei ao Hélio o que era aquilo e ele disse: tente criar algo para identificar o personagem, porque do inglês para o português não há correspondência. Aí, no meio daquela balburdia toda eu pensei em cabeça de pudim, algo que eu já tinha falado em programas de rádio. E deu certo ! Ficou sendo a marca do Moe, mas com a aprovação do Hélio Porto.


** - Você falou em balburdia, durante as gravações havia muita agitação ?

R: Às vezes, mas sempre tentávamos ser bem diretos, mas eu digo balburdia, porque muitos sons éramos nós mesmos que fazíamos. Não havia uma técnica que desse conta de tudo. Eu me lembro que várias vezes quando o Moe ficava com a cabeça presa, num balde, numa caixa, eu mesmo punha a mão na boca para demonstrar isso e os demais também fizeram. Muitos tapas, fomos nós que fizemos, porque a técnica tinha que fazer outros ruídos. Se você notar, em alguns episódios, fica até o som original: eles gritando ou rindo. Na realidade, o que atualmente a técnica faz, nós tínhamos que compensar. Isso ocorreu muito nos primeiros tempos, depois a gente já era acudido melhor pela técnica ! 

OBS> Moe chegou a ser dublado em cerca de 4 a 6 episódios por Eduardo Abbas, em virtude de uma gripe fortíssima que Borges de Barros sofreu.
Eduardo Abbas era um veterano ator de novelas na década de 1960/70.


A dublagem de Os 3 Patetas é tão marcante, tão bem realizada, que nos é impossível assistir aos episódios legendados. Realmente, este trabalho entrou como um dos 10 melhores realizados pela AIC e, provavelmente, para a história da dublagem brasileira !


**VAMOS REVER 6 EPISÓDIOS DE OS 3 PATETAS**

*EPISÓDIO 1:  "ESSES TRÊS SÃO FOGO"
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**EPISÓDIO 2:  "PILHAS DE PIADAS"
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*EPISÓDIO 3: "DE OLHO NO ÓLEO"
*OBS> Shemp é  dublado por Antonio de Freitas*
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*EPISÓDIO 4: "Babás Bobos"
*OBS> Shemp é dublado por José Soares*
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*EPISÓDIO 5: "APENAS UM TROTE"
*OBS> Joe Besser é dublado por César Leitão*
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*EPISÓDIO 6: "VEJA QUE CERVEJA"
*OBS> Larry é dublado por Flávio Galvão*
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**FONTE DE PESQUISA:

**Colaboração de Fernanda Furquim e Edson Rodrigues**
**Depoimento do dublador Hugo de Aquino Júnior**
**3ª Entrevista de Borges de Barros postada neste blog em 24/10/2010*
**Arquivo Pessoal**


**FICA AQUI NOSSA SINGELA HOMENAGEM A HÉLIO PORTO, BORGES DE BARROS, SAMUEL LOBO, JOSÉ DE FREITAS. ANTÔNIO DE FREITAS, JOSÉ SOARES, CÉSAR LEITÃO, FLÁVIO GALVÃO, OLNEY CAZARRÉ e ROBERTO MARQUIS !

*Fizeram gerações se divertirem de uma forma simples e com uma extrema qualidade na dublagem !

*A geração que assistiu aos 3 Patetas agradece do fundo do coração !


*Marco Antônio dos Santos*