28 de setembro de 2014

DUBLAGEM INESQUECÍVEL (23): A FEITICEIRA / PARTE 1


A 17 de setembro de 1964 estreava a série A Feiticeira. Um sucesso que perdura nos Estados Unidos e que possui milhares de fãs no Brasil !

O projeto da série A Feiticeira teve seu inicio logo após o terceiro casamento de Elizabeth Montgomery, em 1963, com Willian Asher, por quem se apaixonou durante a filmagens de "Johnny Cool", num filme dirigido por ele. Desde algum tempo Elizabeth vinha expressando seu desejo de se aposentar como atriz, ter filhos e levar uma vida familiar normal. Asher então sugeriu que eles poderiam trabalhar juntos em uma nova série para a televisão, e assim passaram a idealizar esse projeto.

Pouco tempo depois, estava pronto um projeto em que mostrava o dia a dia de um frentista de um posto de gasolina, casado com mulher da alta sociedade. Os conflitos gerados por essa união seriam o tema da série. Asher apresentou essa proposta para William Dozier, da Columbia Television, que não se entusiasmou com a proposta, pois um projeto semelhante havia sido apresentada em 1961, por outro produtor, Harry Ackerman, em que mostrava os conflitos de um publicitário casado com uma bela feiticeira.

Willian Asher gostou dessa proposta de Ackerman e  ambos resolveram levar adiante o projeto. Coube ao escritor de comédias, Sol Saks criar e escrever o episódio piloto da série.

Para escrever e montar os personagens de A Feiticeira, Sol Saks inspirou-se no clássico de 1942, "I Married a Witch" (Eu casei com uma bruxa), estrelado por Fredric March e Veronica Lake e num filme de 1958 chamado "Bell, Book, and Candle" com James Stewart e Kim Novak. Ambos os filmes contavam histórias de típicos homens americanos que ficam apaixonados por bruxas jovens, que tinham escolhido viver no reino mortal. "I Married a Witch" foi baseado no livro de Thorne Smith, The Passionate Witch, enquanto que "Bell, Book, and Candle" era baseado numa música de John Druten.


**Elizabeth Montgomery e William Asher**

Saks comentou as semelhanças entre os dois filmes com A Feiticeira no documentário E! True Hollywood Story. Contou também não estar preocupado utilizar essas duas semelhanças, pois ambos os filmes pertenciam a Columbia Pictures e a Screen Gems era uma divisão da Columbia para a televisão, por isso ela não iria colocar empecilhos em utilizar esses temas. Sol Saks declara em seu livro, The Craft of Comedy, de que a ideia de utilizar bruxas vivendo com mortais, já era bastante usada na mitologia grega, em contos de fadas, em romances e também no cinema. A única originalidade de A Feiticeira, foi a de ser o primeiro a adaptar este conceito para a televisão. 

Para interpretar Samanta, Saks tinha inicialmente escolhido Tammy Grimes, que ele havia visto em um filme e imediatamente gostado, mas a atriz estava ocupada com um musical. Saks estava até disposto a esperar pela atriz, mas os executivos da Screen Gems, não. Por outro lado, Saks também, até o momento, não havia solucionado certos problemas da sua personagem principal, que era de encontrar a maneira correta de Samantha manifestar sua magia. No filme Bell, Book and Candle, por exemplo, a bruxa interpretada por Kim Novak, tinha um gato para realizar sua magia.

**Sol Saks (1910-2011)**

Conta-se que a solução desse problema veio de William Asher.
 Elizabeth Montgomery, quando ficava nervosa fazia um certo movimento com o nariz.  Asher pediu para que Elizabeth o mostrasse a  Saks e este percebeu que aquilo era o que procurava e, imediatamente, incorporou o gesto à personagem de Samantha.

Após escolha de Elizabeth como atriz principal, os produtores procuraram um ator para fazer par com ela. Inicialmente foi cogitado o nome de Richard Crenna, que no momento estava ocupado em outro trabalho e depois Dick Sargent que também não pode aceitar o papel por estar indisponível naquele momento. Após uma série de testes Dick York acabou ganhando o papel.


A maior dificuldade foi em encontrar uma atriz para interpretar Endora, mãe de Samantha, pois a maioria das pessoas cogitadas não encaixava em seu perfil. Conta-se que Elizabeth Montgomery encontrou casualmente dentro de uma loja nos Estados Unidos, uma antiga colega. As duas conversaram sobre o projeto, ela fez o convite e Agnes aceitou.




O episódio piloto foi gravado no final de 1963, logo após o assassinato de John Kennedy. Embora o clima fosse de tristeza pelo acontecimento, os trabalhos se desenvolveram naturalmente.
 O episódio mostra como Samantha e James se conheceram, o casamento e a revelação feita a James de que acabara de se casar com uma feiticeira.
 Embora o piloto tenha agradado aos executivos de produção da ABC, não estava muito fácil vender o programa, já que determinadas pessoas temiam levar ao ar uma série que só tratava de feitiçarias e bruxarias. Foi quando os executivos da Quaker e da Chevrolet visitaram os estúdios e decidiram patrocinar o projeto.



**Cena do episódio piloto / Produzido em novembro de 1963**


A série estreou nos Estados Unidos em 17/09/1964. A identificação com o público foi instantânea.
 Em pouco tempo "A Feiticeira" estava em segundo lugar na audiência, com uma média de 31 pontos, só perdendo para "Bonanza". Apesar disso, o programa era produzido em preto e branco e assim permaneceria também durante a segunda temporada, levada ao ar a partir de 16/09/1965. A segunda temporada alcançou a sétima colocação na audiência com uma média de 25.9 pontos.
 Somente da terceira temporada em diante ela passou a ser filmada a cores.

Embora Sol Saks tenha escrito uma quantidade enorme de textos que contribuíram para A Feiticeira, o seu nome apareceu somente nos créditos de um episódio, mas ele entregou sabiamente seus personagens nas mãos de grandes escritores como Barbara Avedon, Ed Jurist, Bernard Slade, Michael Morris e Richard Baer, entre outros.
 Cada um contribuiu enormemente na criação de belíssimos textos e de novos personagens no desenrolar dos 254 episódios da série. Saks foi sem dúvida, um dos grandes responsáveis pelo sucesso da série.


Durante as filmagens do programa piloto da série A Feiticeira, em dezembro de 1963, Elizabeth anunciou que estava grávida de seu primeiro filho que nasceu no dia 24 de julho de 1964. As filmagens da série iniciaram-se em setembro daquele mesmo ano e se tornou um grande sucesso que durou oito anos. Mais duas gravidez ocorreram durante as filmagens, uma em 5 de outubro de 1965 e a outra em 17 de junho de 1969. Estes mesmos nascimentos coincidiram com os nascimentos na televisão de Tabatha e Adam Stephens, respectivamente.

Alguns bebês foram utilizados no seriado para representar Tabatha: Cynthia Black, as irmãs Heidi e Laura Gentry, em seguida Tamar e Julie Young. Quando Tabatha ficou um pouquinho maior passaram a utilizar as gêmeas Erin e Diane Murphy. 

Tudo corria maravilhosamente bem até o final da segunda temporada quando começaram a surgir os problemas. No final da 2ª temporada, em 03 de março de 1966, Alice Pearce, a atriz que interpretava a vizinha bisbilhoteira Gladys Kravitz, faleceu. Ela já estava com câncer quando começou a participar da série, mas apesar dos tratamentos ela foi piorando com o decorrer do tempo.

Participou de 28 episódios, estando presente entre os capítulos 2 ao 74. Sua última aparição na série aconteceu no episódio "O Prodígio",
 apresentado pela primeira vez em 09 de junho de 1966 pela televisão americana. Pelo seu trabalho em A Feiticeira, recebeu um Emmy, póstumo, no mesmo ano de seu falecimento. Sua personagem foi substituída pela atriz Sandra Gould que a interpretou até o final da 7ª temporada.


**Alice Pearce e Sandra Gould (as duas intérpretes da Sra. Kravitz)**

Irene Vernon, a atriz que interpretava a esposa do patrão de James, Larry Tate, resolveu sair do seriado, por estar insatisfeita com seu personagem. Depois da série, não conseguindo um bom papel para desempenhar, resolveu abandonar a carreira e passou a trabalhar no ramo imobiliário, onde segundo consta deu-se muito bem. Em seu lugar foi colocada a atriz Kasey Rogers que continuou a interpretar a personagem até o encerramento da série.


**Irene Vernon e Kasey Rogers (as duas intérpretes de Louise Tate)**


**CURIOSIDADES DA 1ª e 2ª TEMPORADAS**

1 - A abertura da série foi realizada pelo estúdio Hanna-Barbera, o qual tinha o direito para um futuro desenho animado.
 O desenho nunca chegou a ser produzido, mas Samantha e James participam de um episódio da 6ª temporada de Os Flintstones, como vizinhos.
Na dublagem deste episódio, Samantha é dublada por Joferraz e James por Carlos Campanile.



2 - Paul Lynde participa da 1ª temporada interpretando o personagem Harold, um instrutor de autoescola para Samantha no episódio "Carros não são vassouras". Sua afinidade com equipe foi tão intensa que já na 2ª temporada ganha o personagem tio Arthur.



3 - Os episódios da 1ª temporada de números 14 e 15, "Uma Nora Excepcional" (filmado em novembro de 1964 e levado ao ar originalmente em 17/12/1964) e "O Lado Bom da Ilusão" (também filmado em novembro de 1964 e levado ao ar na semana seguinte ao outro, em 24/12/1964) foram reexibidos nos Estados Unidos na 2ª temporada, devido a segunda gravidez de Elizabeth Montgomery.
O de Natal, voltou ao ar exatamente um ano depois, em 23/12/1965, véspera do Natal seguinte.
 O de quando os sogros conhecem Sam foi reexibido um ano e um mês depois, em 27/01/1966.
Daí a idéia de se reprisar o excelente episódio da 1ª temporada acrescido de uma introdução que redireciona para um flashback.



**Episódio: "O Lado bom da ilusão" com Billy Mumy**


Quanto ao outro episódio, "Uma Nora Excepcional", foi reexibido em janeiro de 1966. Elizabeth Montgomery já havia voltado a gravar no mês anterior (10 de dezembro de 1965), e seguiu gravando outros episódios em janeiro de 1966. De repente, no dia 27 de janeiro reprisam mais este, também acrescido de uma nova introdução que remete a um flashback. Provavelmente, devida a pouca frente de episódios filmados devido à gravidez de Liz, assim, como a reexibição do episódio de Natal foi bem aceita decidiram escolher mais uma história marcante para reprisar, numa época em que Liz estava com o segundo filho em seus primeiros meses de vida.

**Os pais de James conhecem Samantha**

4 - Alice Gostley interpreta a empregada Naomi Hogan no episódio "Mágicas bem empregadas" da 2ª temporada. A atriz retornaria a partir da 6ª temporada com a personagem Esmeralda, a empregada atrapalhada em suas feitiçarias até o término da série.

5 - Bernard Fox participa do episódio "Feitiço contra feiticeiro" da 2ª temporada, interpretando o personagem Osgood Rightmire, um caçador de feiticeiras e feitiços. Já na 3ª temporada ganha o personagem Dr. Bombay, que sempre tratava das doenças esquisitas de Samantha.



6 - Alice Pearce teve o diagnóstico de câncer sem cura antes mesmo de "A Feiticeira". Manteve a doença em segredo até onde conseguiu. Interpretar Gladys Kravitz foi uma grande terapia pra ela, ao invés de se trancar em casa esperando a morte. Preferiu trabalhar ao se entregar ao câncer. E encerrou sua carreira e sua vida com chave de ouro, pois foi uma personagem gigantesca, muito bem desenvolvida e aproveitada nas duas primeiras temporadas de A Feiticeira.


**O excelente desempenho de Alice Pearce**


O definhar dela na série é claro.
 Quando faleceu pesava cerca de 35 quilos.
Jerry Davis, produtor, é testemunha de que Alice trabalhou até o dia em que não podia mais ficar de pé: "Nós então já sabíamos que ela estava doente mas nunca falamos sobre isso com ela, porque vimos que era desse jeito que ela queria. Ela fez a sua última aparição em frente às câmeras no dia 21 de janeiro (ela faleceu no começo de março). O último episódio em que ela aparece foi ao ar uma semana depois que ela se foi. Todos nós o vimos. Todos nós choramos".
O último episódio de A Feiticeira gravado por ela é "Preciosidade Encantadora", no qual Endora faz Tábatha falar para o espanto de Gladys Kravitz. As gravações terminaram em 21 de janeiro e ela faleceu em 03 de março, apenas 40 dias depois.


**A FEITICEIRA NO BRASIL**

A Feiticeira percorreu diversas emissoras abertas e até a cabo. Praticamente, teve poucos intervalos fora das telas de nossa televisão.



1965 - estreia no Brasil, entre janeiro e agosto, na TV Paulista (futura TV Globo) que exibe as duas primeiras temporadas.

1966 - 1967 -  continua na TV Globo.
1968 - 1969 - estreia na TV Excelsior, que exibe a 3ª temporada inédita.

1970 -
estreia na TV Record, que exibe a 4ª, 5ª e 6ª temporadas, inéditas.

1971- 1973
continua na TV Record, que exibe a 7ª e 8ª temporadas inéditas.

1973 - 1974 -
vai pra TV Tupi, que exibe a série pela 1ª vez a cores.

1975 -
vai pra TV Globo, que exibe os episódios coloridos enquanto a TV Cultura/SP exibe, ao mesmo tempo, as duas primeiras temporadas em preto e branco.

1976 -
continua na TV Globo, que não a exibiu apenas neste ano.

1977 - 1981  
continua na TV Globo.

1982 - 1984 -
vai pra TV Record.

1985 / 1986 fora do ar.

1987 - 1991
exibida pela TV Bandeirantes.

1992 a 1995 -
fora do ar.


1996 - 2001 o canal a cabo Warner exibe as cinco primeiras temporadas, porém diversos diversos não são exibidos.

1999 - 2003
exibida agora pela recém-fundada RedeTV! (antes Rede Manchete). Pela 1ª vez, as duas primeiras temporadas voltam a ser exibidas, agora colorizadas.

2004-2005 -
continua na RedeTV!, e é exibida também pelo Canal 21

2006 -
continua na RedeTV!, reestreando dia 06/04, depois de algum tempo fora do ar.

2007
- continua na RedeTV! até o dia 07/04, quando sai do ar em rede nacional e nunca mais retorna.

2008 - 2009 -
passa a ser exibida pela Rede Brasil de Televisão, com sinal em algumas localidades do país.

2010 - continua sendo exibida pela Rede Brasil. Vinha sendo exibida também no canal a cabo Nickelodeon nos últimos anos, mas sai do ar no início de 2010.

Desde 2010 nunca mais retornou !


**A DUBLAGEM DA AIC / 1ª e 2ª TEMPORADAS**

A dublagem da série A Feiticeira, como um todo, é bem complexa. Devido ao seu longo período de produção (8 anos), fez com que houvesse diversas alterações no transcorrer da sua dublagem.


É bom ressaltarmos que, durante um período longo, muitos dubladores também se dedicaram ao Cinema, Televisão, Teatro e até problemas de ordem pessoal fizeram com que fossem substituídos.

Neste blog, já postamos os guias de dublagem das oito temporadas da série, onde detalhamos cada alteração ocorrida.

A dublagem de A Feiticeira se iniciou em 1965 e terminou no início de 1973, com alguns intervalos, os quais dependiam das emissoras que pretendiam exibir a série.

A tradução inicial foi de Hélio Porto, assim como também dirigiu alguns episódios.
 Nos primeiros episódios, Hélio Porto preferiu o título "As Feiticeiras" , provavelmente devido a Samantha e Endora, mas isto logo foi corrigido deixando o título como no original.

No original, o marido de Samantha possui o nome de Darriw, a alteração para James foi uma opção do tradutor ( por ser um nome mais conhecido no Brasil e que sincronizava bem com a boca dos atores ).

 Uma curiosidade da dublagem da 1ª temporada é a participação de dubladores que posteriormente assumiriam personagens fixos na série.  É o caso por exemplo de Rita Cleós e Xandó Batista  que dublam convidados e que em meados da temporada seguinte assumiriam os personagens Samantha e Abner, respectivamente.
Helena Samara também dubla diversas atrizes convidadas na 1ª temporada.




**DUBLADORES / 1ª TEMPORADA**


**Elizabeth Montgomery (Samantha): Nícia Soares.

**Dick York (James): Sérgio Galvão.

**Agnes Moorehead (Endora): Márcia Real.

**David White (Larry):  Antônio Aragão (só no episódio 3), Waldyr Guedes (2ª voz) e José de Freitas (3ª voz).

**Maurice Evans (Maurice): Amaury Costa.

**Irene Vernon (Louise Tate): Judy Teixeira.

**Marion Lorne (tia Clara): Rachel Martins (no episódio nº 7) e Gessy Fonseca.

**Alice Pearce (Gladys Kravitz): Isaura Gomes.

**George Tobias (Abner Kravitz): Marcelo Ponce.

**Mabel Albertson (Phyllis): Rachel Martins.

**Robert Simon (Frank): Amaury Costa.

**Narração da abertura: Ibrahim Barchini.





**A DUBLAGEM DA 2ª TEMPORADA**

A dublagem da 2ª temporada apresenta diversas alterações e traz muitos dubladores desconhecidos para os atores convidados. Muitos, vieram do Rádio para tentar um novo caminho com a dublagem, mas por não se adaptarem, só deixaram pequenas participações.


 Poderíamos denominar como um período de "transição", dentro do quadro de dubladores da AIC.

Participam os dubladores da temporada anterior, com exceção de Márcia Real dublando Endora, surgem novos substitutos para o elenco fixo. Há um número maior de dubladores convidados, porém muitos, provavelmente, tiveram uma rápida passagem pela AIC, o que torna a sua identificação impossível.

A dublagem desta temporada não foi realizada pela ordem dos episódios: este fato é amplamente comprovado com a dublagem de Samantha, onde Nícia Soares é substituída por Rita Cleós, mas surgem outros episódios novamente dublados por Nícia Soares e, o retorno definitivamente de Rita Cleós.

Este fato ocorre também com outros personagens e até com o narrador, comprovando que a dublagem não seguiu a produção dos episódios. 




 **DUBLADORES / 2ª TEMPORADA**


**Samantha (Elizabeth Montgomery): Nícia Soares do episódio 37 ao 44 e depois nos episódios 46, 51 e 56 – Rita Cleós no episódio 45 e do 47 em diante.

**James (Dick York): Sérgio Galvão do episódio 37 ao 40, do 42 ao 44 e depois no 46, 51 e 56 – Gervásio Marques nos episódios 41, 45 e depois do 47 em diante.

**Endora (Agnes Moorehead): Lia Saldanha nos três primeiros episódios (37, 38 e 40) – Gessy Fonseca do episódio 41 até o final da temporada.

**Gladys (Alice Pearce): Isaura Gomes nos episódios 37, 40, 42 e depois no 51 – Helena Samara do episódio 45 até o final da temporada.

**Abner (George Tobias): Marcelo Ponce até o episódio 47 – Newton Sá nos episódios 48, 55 e 60 – Xandó Batista no episódio 57 e depois no 62 até o final da temporada.

**Larry Tate (David White): Waldyr Guedes.

**Louise Tate (Irene Vernon): Judy Teixeira.

**Tia Clara (Marion Lorne): Gessy Fonseca e Elza Martins somente no episódio 47.

**Phyllis (Mabel Albertson): Rachel Martins no episódio 56 – Judy Teixeira no episódio 58.

**Frank (Robert F. Simon): Amaury Costa no episódio 51 – José Soares no episódio 58.

**Maurice (Maurice Evans): Renato Restier no episódio 40.

**Tio Arthur (Paul Lynde): Ary de Toledo no episódio 41.

**Narração da abertura: Ibrahim Barchini até o episódio 63 e depois no 65 e Oswaldo Calfat no episódio 64 e depois do 66 até o final da temporada.


 **Para nossa alegria, este trabalho realizado com imenso profissionalismo e competência está agora eternizado em DVD para vermos e revermos sempre, embarcando no mágico clima de "A Feiticeira" com a saudosa dublagem da AIC.


**REVENDO 2 EPISÓDIOS DA 1ª TEMPORADA**

**Maurice descobre que Samantha casou com um mortal**



**Os pais de James conhecem Samantha**




**REVENDO 2 EPISÓDIOS DA 2ª TEMPORADA**

**Os feitiços de tia Clara**



**Último episódio gravado por Alice Pearce**



**VEJA NA PARTE 2:

**Novos efeitos especiais para as temporadas coloridas.
**O auge de A Feiticeira.
**Os problemas da 5ª temporada.
**A doença de Dick York e a sua saída da série definitivamente.
**Rita Cleós, Helena Samara e Olney Cazarré: o trio que encantou a dublagem**


**COLABORAÇÃO:  Thiago Moraes.

**Marco Antônio dos Santos**

31 de agosto de 2014

CLÁSSICOS H.B. / AIC (04): O SHOW DE PEPE LEGAL


Pepe Legal (Quick Draw McGraw) foi a terceira produção de desenhos animados produzidos e criados por Hanna-Barbera, depois de outros dois sucessos "The Ruff & Reddy Show" (Jambo e Ruivão) e "The Huckleberry Hound show" (Dom Pixote). 

Ela foi apresentada originalmente nos Estados Unidos, entre 15 de setembro de 1959 a 3 de setembro de 1966, pela rede CBS entre 1959 a 1964 e depois pela ABC entre 1964 a 1966, em 7 temporadas de 30 minutos cada programa. O seu sucesso também gerou uma gama enorme de outros produtos como revistas em quadrinhos, brinquedos, jogos, etc.

 O personagem Pepe Legal era um oficial do Novo México e usava a insígnia de Xerife. O personagem era muito parecido com esses filmes de baixo orçamento sobre o Velho Oeste americano e como xerife demonstrava ser totalmente inapto.
 Ele falava devagar porque era muito lento para pensar e quando finalmente conseguia sacar sua arma, ficava equivocado e geralmente acabava atirando nele mesmo.


Cada episódio da série era de aproximadamente sete minutos, o que permitia ser apresentado quatro episódios por programa de meia hora, incluindo os comerciais. Pepe Legal era frequentemente acompanhado pelo seu ajudante, um burro mexicano chamado de Babalu, com um sotaque bem acentuado. 

Apesar de ser um burro, Babalu demonstrava ser muito inteligente. Uma de suas frases prediletas dizia "Pepe Legal es inteligente, o que lhe falta el pensamento...", justificando as confusões que Pepe Legal sempre se metia.

Pepe Legal foi uma forma que a Hanna-Barbera encontrou para satirizar os westerns, que naquela época faziam muito sucesso, principalmente entre o público americano. O personagem Pepe Legal era bem intencionado, mas ele geralmente mais atrapalhava do que ajudava.

**Babalu**

Na maioria das vezes era o seu ajudante Babalu, que era bem mais astuto, que acabava resolvendo o problema. Pepe Legal também era cheio de refrões do tipo "Oh Babaluuu", " .... e no no no se esqueça disso!" e outros, que se tornaram famosos.

Além de Babalu, o nosso herói tinha um cachorro chamado Rafeiro, que era o fiel amigo e companheiro de Pepe Legal, desde que ele recebesse um delicioso biscoito canino.

**Rafeiro**

 Assim que ele recebia, ele ficava se contorcendo todo, cheio de felicidade. Fechava os olhos e começava a flutuar, depois descia suavemente acompanhado por um som celestial.

Outra coisa muito curiosa de Pepe Legal era o fato dele ser um cavalo, mas andava somente com as patas traseiras e as patas dianteiras funcionavam como se fosse a mão, como um ser humano, assim era também com o Babalu. 


Em alguns episódios da série, Pepe Legal também assumia a identidade secreta do vigilante mascarado conhecido como "El Kabong", que era evidentemente uma paródia ao mascarado Zorro. 

**EL Kabong**


Como El Kabong ele atacava os seus inimigos, não com uma espada, mas sim com seu violão e dando o seu grito de guerra onomatopaico "KABOOOOOONG!" ou às vezes "OLAYYYEEEEEE!" e sempre lançando seu violão chamado de "Kabonger" sobre a cabeça de seus inimigos.

Pepe Legal dividia as apresentações com outros dois segmentos dentro do programa "The Quick Draw Show", o Bibo Pai e Bóbi Filho (Augie Doggie & Doggie Daddy) e um par de detetives chamados de Olho Vivo e Faro Fino ( Snooper & Blabber)


**A DUBLAGEM DA AIC**

O Show de Pepe Legal foi dublado entre 1962/63 e teve dois mestres dividindo a direção de dublagem e também participando de diversos episódios: Older Cazarré e Waldir de Oliveira.



 Ambos participaram , não só dos desenhos com Pepe Legal, mas também nos outros dois segmentos do show. A escalação dos dubladores principais foi extremamente bem cuidada e acertada.

O ator David Neto foi convidado especialmente para a dublagem de Pepe Legal, a qual imprimiu uma voz forte e com as pausas que a fala do personagem possuía.


David Neto dublou cerca de 80% dos episódios, mas se afastou da dublagem devido aos convites das emissoras de tv para atuar em novelas e também no Cinema. Foi substituído por Amaury Costa, o qual também executou um excelente trabalho e que seguiu as características dadas pelo 1º dublador.


Já para Babalu, Roberto Barreiros foi um caso à parte. Talvez entre todas as excelentes dublagens que realizou para desenhos, esta seja, sem dúvida, algo extraordinário, pois dublou com sotaque espanhol e de uma maneira muito simples, apenas dando de certa forma a sonoridade, para que as crianças pudessem compreendê-lo.
 Sem dúvida, esta dublagem figura entre as melhores para desenhos realizadas pelos pioneiros da dublagem da AIC.

**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE PEPE LEGAL** 

 **EPISÓDIO 1: DUBLAGEM DE DAVID NETO**
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**EPISÓDIO 2: DUBLAGEM DE AMAURY COSTA** 
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Bibo Pai e Bóbi Filho fizeram sua estreia no dia 29 de setembro de 1959, como parte de um segmento da segunda parte do show de meia hora de Hanna-Barbera, dentro de "The Quick Draw McGraw Show", que no Brasil ficou conhecido como Pepe Legal.

 Os roteiros foram escritos por Michael Maltese, que também fazia a série animada do Coyote e outros desenhos da Warner Bros. Daws Butler, que também fazia a voz de diversos personagens em desenhos, emprestava sua voz para o Bibo Pai, que era uma imitação cômica da voz do famoso ator Jimmy Durante. Essa característica acabou se perdendo com a dublagem.


Provavelmente o nome deste desenho no original "Augie Doggie and Doggie Daddy", foi assim criado para dar uma sonoridade cadenciada e propositalmente pelos criadores dos personagens como um recurso envolvendo rima, além do que formam um divertido jogo de palavras, fatores que podem ajudar muito para atrair a atenção do público alvo para o desenho animado. Na dublagem do nome para o português para Bibo Pai e Bóbi Filho essa rima divertida conseguiu se manter.

O desenho animado de Bibo Pai e Bóbi Filho utilizava a situação básica de  um pai canino muito competente, educando seu filho precoce, vivendo na década entre 1950 / 60 e eram animais tipicamente suburbanos e muito engraçados.

Bibo era alegre, cortês e inteligente, mas geralmente acabava mesmo sendo uma co-estrela de seu filho Bóbi.
 Bibo Pai tentava educar seu filho Bóbi da melhor maneira possível, dando-lhe bons conselhos e o seu filho recorria frequentemente a ele como "querido e velho Pai" que acabou se tornando um refrão muito conhecido.


The Quick Draw McGraw Show foi produzido e apresentado em três temporadas, num total de 45 episódios, onde Bibo Pai e Bóbi Filho conseguiram grande destaque.
 Eles viraram um grande sucesso naquela época e os personagens também surgiram num comics book de 1964, publicado pela Gold Key. 


**A DUBLAGEM DA AIC**


Felizmente a dublagem de Bibo Pai e Bóbi Filho não sofreu danos desastrosos que houvesse a necessidade para uma redublagem, como ocorreu com os episódios de Dom Pixote.


Os dois dubladores escalados efetuaram um trabalho exemplar, o que enalteceu os personagens para a versão brasileira dos desenhos, sob a direção de Older Cazarré, o qual participou de diversos episódios.




Bibo Pai foi dublado pelo ator Rogério Márcico, que na mesma época fazia a voz de Barney em Os Flintstones, além de convidados em séries de tv.
Sua caracterização vocal para o personagem demonstrava um pai preocupado com a educação de seu filho, embora ao mesmo tempo, era meio atrapalhado com certas "novidades" que surgiam.
Rogério Márcico criou uma entonação de voz totalmente adequada a este personagem de forma peculiar.



Com a expansão das telenovelas a partir de 1963/64, Rogério Márcico é absorvido integralmente pelas emissoras de tv e já, em 1964, se afasta da dublagem.
Dessa forma, no final da 2ª temporada e toda a 3ª e última, deste segmento dentro do "Show de Pepe Legal", Rogério Márcico foi substituído por Osmano Cardoso que dublou poucos episódios o personagem Bibo Pai.


Para o personagem Bóbi Filho foi escolhido Waldyr Guedes, que com a sua enorme potencialidade vocal e criativa imprimiu uma voz, através de mais de um de seus falsetes brilhantes.
Aliás, Waldyr Guedes participa, eventualmente, em episódios dublando outros personagens que surgem, demonstrando assim a sua capacidade inigualável para a criação de vozes.
Sem dúvida mais de uma de suas dublagens extraordinárias para desenhos animados naqueles idos da década de 1960.


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE BIBO PAI E BÓBI FILHO**


**EPISÓDIO 1: OLDER CAZARRÉ DUBLA O CORVO**
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**EPISÓDIO 2: O GATO É DUBLADO POR MAGNO MARINO**
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**OLHO VIVO E FARO FINO**


 Olho Vivo e Faro Fino ("Snooper and Blabber") era o terceiro segmento dentro do "Show de Pepe Legal", produzido pela Hanna-Barbera Productions, narrando as aventuras de dois inimigos naturais, um gato e um rato, agora como dois grandes amigos trabalhando juntos como detetives particulares.

Bem antes de criarem a sua produtora, a dupla de animadores, William Hanna e Joseph Barbera já haviam trabalhado em séries com personagens antagônicos como em “Tom & Jerry”, que narrava as aventuras de gato e um rato, que às vezes eram amigos e em outras terríveis inimigos.
  
Quando Hanna e Barbera resolveram criar sua própria produtora eles trouxeram com eles a mesma ideia e, assim, criaram um dos primeiros desenhos especialmente para a televisão, com um gato e um rato.


Eles tinham sua própria agência, eram muito famosos e composto por Olho Vivo, o gato que geralmente assumia o comando de todas as missões, e Faro Fino, um rato que seguia suas ordens, além de admirar todas ações do gato, mesmo ele cometesse equívocos.

Toda vez que de seus suspeitos fugia, Olho Vivo gritava “Pare em nome da lei!!”, que acabou se tornando uma de suas frases mais célebres. Usava um chapéu pontudo muito parecido com a de Sherlock Holmes e Faro Fino um chapéu de aba comum e ambos usavam capas de chuva, que era a marca registrada dos detetives televisivos e cinematográficos da época.
  
As aventuras ou as investigações de Olho Vivo e Faro Fino geralmente começavam com eles sendo chamados por causa de algum acontecimento, como roubo ou sumiço de alguma coisa.


 Após a chamada eles saíam para tentar resolver o problema e os dois acabavam passando por diversos apuros e sempre no término do episódio, a solução acabava de uma forma inusitada ou inesperada, com Olho Vivo e Faro Fino, às vezes, se dando bem e em outras arranjando mais encrenca ainda.


**A DUBLAGEM DA AIC**

Neste outro segmento, foram escalados dois experientes dubladores para serem as vozes de Olho Vivo e Faro Fino.
A escolha não poderia ter sido melhor, efetuada por Older Cazarré, da qual constava o dublador Wadyr Guedes.
Novamente, ele demonstra que era um criador de vozes e interpretações fantásticas e dubla o gato Olho Vivo com um falsete que , sem dúvida alguma, fica difícil de reconhecermos o mesmo dublador de Bóbi Filho, de Chuchu e Bacana da turma do Manda-Chuva e muitos personagens ao longo de sua vida profissional.


**Waldyr Guedes**

Sabemos que o dublador deve sempre seguir a voz e a interpretação do original, porém em se tratando de desenhos, muitas vezes nossos dubladores acabam enriquecendo muito mais a produção estrangeira.
Neste caso, como em outros, Waldyr Guedes sempre deixou muito melhor a dublagem de um desenho animado, assim como outros dubladores também já o fizeram.

Já o rato Faro Fino ficou com Wilson Ribeiro, que também teve várias participações na dublagem dos desenhos da AIC, porém poucos personagens fixos.


A dublagem de Faro Fino foi um trabalho artístico também primoroso. A dupla Wilson Ribeiro e Waldyr Guedes deixou uma dublagem de alto nível, fazendo com que um desenho, não tão popular, ficasse "saboroso" ao assistí-lo dublado.
Essa é a grande façanha da dublagem !!!


**O SHOW DE PEPE LEGAL NO BRASIL**


Pepe Legal e outros dois segmentos sempre foram exibidos juntos por quase todas as emissoras de tv: Tupi, Globo, Record (diversas vezes), Bandeirantes, etc. desde a década de 1960 até meados da de 80, com alguns pequenos intervalos.

Com o surgimento do canal a cabo Cartoon Network, no início dos anos 90, o Show de Pepe Legal é desmembrado e os desenhos, até hoje são exibidos isoladamente, assim como fizeram com o Show do Dom Pixote e Zé Colmeia.


Dessa forma, nunca mais foi exibida a abertura, na qual os personagens dos três desenhos aparecem juntos. 
Depois do Cartoon Network, foram exibidos no Boomerang e ainda o são no canal Tooncast  de forma alternada.

Um grande sucesso que durante 50 anos é exibido frequentemente e os dubladores nunca receberam um centavo de direito autoral.


**VAMOS REVER 2 EPISÓDIOS DE OLHO VIVO E FARO FINO**


**EPISÓDIO 1: Zaide Nacaratto dubla a mãe**
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**EPISÓDIO 2: Raymundo Duprat dubla o marciano**
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**Marco Antônio dos Santos**