3 de novembro de 2018

MEMÓRIA AIC (33): O ELO PERDIDO


O Elo Perdido era uma série de TV feita para um público infantil, produzida e criada por Sid e Marty Krofft e apresentada originalmente pela rede NBC, entre 7 de setembro de 1974 a 3 de setembro de 1976, num total de 43 episódios de meia hora cada um. 

A série contava as aventuras de uma família composta pelo pai Rick Marshall, seu filho Will de aproximadamente 15 anos e sua filha caçula chamada Holly, que durante uma exploração, ao descerem o rio de barco são apanhados por um terremoto, jogados num portal de tempo e acabam sendo levados para um mundo completamente diferente do nosso, uma terra estranha habitada por dinossauros, homens da caverna e criatura humanóides agressivas chamadas de Sleestak, com aparências de lagartos.


Os episódios focalizavam principalmente os esforços da família em sobreviver e achar um modo de voltar ao nosso mundo. As explorações com características exóticas também faziam parte da história. Além dos animais pré-históricos, os Marshals encontram um raça de seres, meio homem meio macaco, chamadas de Pakunis. Um deles, chamado Cha-ka se torna amigo da família e ajuda a compreender aquele mundo.


A série possuía um tom bem sério, além de apresentar uma visão mais épica do que a maioria daquele tempo. Os enredos eram relativamente complexos, com uma mitologia sem igual e efeitos especiais tímidos para a época, fez com que vários adolescentes e crianças se interessassem pela série.


Apesar de ser realizada com baixo orçamento, os seus efeitos especiais podiam ser comparadas a outra série chamada Doutor Who. Vários escritores bem respeitados no campo da ficção científica também contribuíram no enredo da série, inclusive pessoas envolvidas com a série Jornadas nas Estrelas como D. C. Fontana, Walter Koenig e David Gerrold. O cuidado era tanto que até um dialeto de 200 palavras foi criado para os Pakunis.

Ocasionalmente eles eram ajudados por um homem chamado Enik que também morava naquele mundo, na tentativa de avisar o seu povo de que com o passar do tempo, neste local, eles poderiam voltar a se transformar em seres selvagens. Na segunda temporada a qualidade começou a cair com a introdução de mais humor, o que acabou fazendo aquele clima sério e pesado fosse perdida, além disso o orçamento foi reduzido ainda mais, o que fez com que a qualidade dos efeitos especiais despencasse.


Na terceira temporada da série o ator Spencer Milligan, que fazia o papel de Rick, o pai das crianças, se retirou, fazendo com que os produtores introduzissem o ator Ron Harper no lugar de Spencer, o que marcou o início de várias mudanças. Os Marshalls abandonam sua casa e foram morar num templo, já que todo o cenário da casa da família havia pegado fogo e destruído. Outra mudança estranha e que nunca foi explicada devidamente era o fato de Cha-ka e o líder dos Sleestak começarem a falar inglês, sem mais sem menos e a personalidade de Enik mudar radicalmente.

Os herois da história também vão descobrindo que para alguém sair daquele local, um outro teria de entrar. Dessa forma Rick concluiu que a única maneira de voltar para casa era criando um portal de dentro de uma pirâmide dourada chamada Pylon. Com a ajuda de Enik ele tenta achar a combinação certa para voltar para casa. Como este mundo só permite que saia se outro entrar, Rick acaba voltando para casa e Jack (Ron Harper) seu irmão entra para cuidar dos seus sobrinhos e desta maneira justificaram a saída do ator.


Os roteiros começam a piorar a cada episódio, na terceira temporada, o que resultou no fracasso da mesma e no cancelamento da série. Em 1991 a Krofft Production refizeram a série com o mesmo nome e duas temporadas.


**A SÉRIE NO BRASIL**

O Elo Perdido iniciou na Rede Globo no "Show das Cinco" em 08 de março de 1976, segunda-feira, onde permaneceu pelo menos até 1978.

Depois foi para a TV Record em janeiro de 1980 às 18h40. Houve um relançamento pela mesma emissora em setembro 1981, onde a série passou a ser exibida às 13h.

Verifica-se que cada período de exibição não abrange a dois anos.
O SBT relançou a série em abril 1987, em horário nobre, 20h15. O mesmo SBT, em novembro de 1988, voltou a exibir o programa às 9h30 (inclusive aos domingos).
Depois desse ano nunca mais foi exibida a série na Tv aberta e nem na TV a cabo.



**A DUBLAGEM DA AIC**

O Elo Perdido teve as suas três temporadas dubladas integralmente, porém somente a 1ª foi dublada pela AIC, contendo 17 episódios, em fins de 1975.
Isto ocorreu, uma vez que a AIC já se encontrava numa situação altamente crítica economicamente, uma "pré-falência".
Depois de algum tempo, a série teve as suas duas outras temporadas dubladas pela BKS, onde houve algumas alterações de dubladores.

Curiosamente, a dublagem das 3 temporadas do seriado, foi totalmente perdida, devido a problemas com a distribuidora. A série tinha como distribuidora inicial a Viacom, porém na 2ª temporada, a distribuidora definia a série como muito fraca, de difícil distribuição, a qual não gerava os lucros esperados.


Apesar disso, O Elo Perdido possuía um público cativo (infantil e de adolescentes da época), mas a Viacom a transferiu para uma distribuidora menor: W.Y.Company (ligada a Viacom, porém muito tímida economicamente para distribuição pelas redes de tv americana e em outros países, principalmente). 


Sendo assim, ainda no final da década de 1970, cita-se o ano de 1979, a própria Viacom acabou fechando essa distribuidora, o que ocasionou a perda da dublagem de O Elo Perdido. As cópias exibidas no Brasil, pela Tv aberta, foram as mesmas, uma vez que já não existiam mais as matrizes de áudio arquivadas na distribuidora.

O Elo Perdido teve 43 episódios em três temporadas.

Embora a Paramount seja a detentora legal de O Elo Perdido, a Focus lançou as 3 temporadas da série em dvd, porém houve a necessidade de sua redublagem, realizada pelo estúdio Centauro.
Como curiosidade, Dráusio de Oliveira, que dublou o ator Ron Harper (personagem que surge na 3ª temporada), também o redublou.


**PERSONAGENS / ATORES / DUBLADORES / 
AIC - 1ª TEMPORADA**

*Rick Marshall - Spencer Milligan - Gilberto Baroli*
*Will Marshall - Wesley Eure - Nelson Batista*
*Holly Marshall - Kathy Coleman - Lúcia Helena Azevedo*
*Cha-Ka - Philip Paley - Ivete Jayme (1ª voz) e Yolanda Cavalcanti (2ª voz)*
*Narração da abertura: Francisco Borges*

*Kathy Coleman (HOLLY MARSHALL)*

**DEPOIMENTO DE LÚCIA HELENA AZEVEDO**

1 - Como você foi escolhida para dublar a adolescente Holly?

R:  Fui escolhida pela minha idade ser quase a dela e pela minha voz.

2 - Você se lembra de quem foi o diretor de dublagem de O Elo Perdido?

R: Foi o Nelson Batista.

3 - Esta série não foi integralmente dublada na AIC, você continuou a personagem em outro estúdio?

R: Não.

4 - Quais recordações mais marcantes ficaram para você desta dublagem?

R: Foi meu primeiro grande trabalho , aliás, o primeiro trabalho também. Então marcou muito.

5 - Ainda hoje, há fãs de O Elo Perdido, a que você atribuiu esse fato?

R: O que eu acho?!? Eu amo todos vocês por isso. Os fãs me emocionam sempre!!




**O ELO PERDIDO E SEUS FÃS**

Desde que este blog iniciou sempre recebi diversos pedidos para abordar esta série. Sempre achei curioso, porque imaginava que havia passado despercebida. 

Com tantas produções dubladas pela AIC, O Elo Perdido ficou aguardando e, havia uma pesquisa sobre o que teria ocorrido com a dublagem original da série.

Pelas pesquisas realizadas, percebi que muitos não gostam da série por diversos motivos, entretanto, o número de fãs (para minha surpresa) é muito maior.
O Elo Perdido divide muitas opiniões, mas o fato é que foi lançado em dvd, no Brasil, algo que séries de muito maior sucesso não o foram.

Infelizmente, O Elo Perdido não foi dublado totalmente pela AIC e, sua dublagem, ocorreu num momento muito crítico do estúdio, mas fica o registro de mais um trabalho realizado, ainda que tenha sido ao "apagar das luzes" da AIC.



**EPISÓDIO COM A DUBLAGEM AIC** 



**Colaboração: Edson Rodrigues**

**Agradecimento: Lúcia Helena Azevedo**


**Marco Antônio dos Santos**